2.12.07
Bolo, brigadeiro e refrigerante: a dieta dos 52 fins de semana
Este fim de semana foi, para mim, tão especial, no sentido familiar/emocional, quanto trabalhoso, no sentido prático da palavra. Simplesmente há alguns anos minha mãe inventou de dar à luz meu irmão mais velho no dia seguinte ao seu próprio aniversário. Logo, todo ano novembro termina com os aniversários seguidos, mobilizando a família (é verdade que nem toda) para as duas datas. Claro que eles nunca unificaram as festas – tal prática já acontece na família da Marcele, com dois primos dela, que somaram os aniversários próximos. São duas correrias para comprar dois presentes, dois eventos, aquela coisa toda. Daqui a pouco mais de um mês é o meu. Ou, a bem da verdade, na hora em que escrevo, daqui a exatamente um mês.
Como criatura em idade provecta, me tornei um tanto avesso ao meu próprio aniversário, com o passar dos anos. A Marcele, que adora aniversários em geral, fez reviver em mim esta mística e todo ano a gente comemora – quando eu não estou trabalhando, claro. São presentes sempre maravilhosos, DVDs, CDs, enfim, brinquedo. Nada de roupa, e sim brinquedo. Como eu sempre defendi desde priscas eras. Roupa é coisa que se dá de bobeira, no meio do ano, geralmente porque se passou em frente à loja e achou que seria legal dar. E isso de mulher para homem. Homem que compra roupinha para outro macho, sei não. A não ser, é claro, que se trate de um Manto Sagrado (ou seja, a camisa extraordinária do Clube de Regatas do Flamengo).

Quando eu trabalhava no Jornal do Brasil, empresa que tem tanto apreço por seus funcionários quanto Gengis Khan pelos invadidos, eu notava que, mesmo depois de cortes e mais cortes lancinantes de pessoal, os aniversários continuavam acontecendo em um ritmo alucinante. De R$ 2 em R$ 2 dados para bolos e salgadinhos todas as semanas (rigorosamente todas), creio eu ter deixado, em dinheiro, o valor de um carro, naquela redação. Ok, um carro usado. Cheguei à conclusão até de que havia 365 pessoas na redação. Ou um espertinho comemorando duas vezes, sei lá.

Sexta e sábado, além do aniversário de meu irmão e da minha mãe, ainda teve o de uma tia da Marcele. Uma verdadeira Birthday Tour. Sendo que meu irmão ainda comemorou com uma feijoada completa, daquelas costumeiramente chamadas de “vodu de porco”, pelo roteirista Cascaglio Ventura.

Aonde quero chegar com este raciocínio? Que a agenda de um ser humano médio vai para o beleléu quando ele chega aos 40 anos. Fiquei pensando em quantas pessoas eu conheço na categoria “amigos”. Tirando os “online buddy” e “never met” que a gente vê no Orkut, aqueles “amigos” que incluem os que usam aspas e os que não usam aspas. Bom, está difícil definir. Vamos lá: aqueles que, se você faltar ao aniversário, você se sente mal e tenta telefonar e inventar alguma coisa. Pronto. Esta é a definição de amigo perfeita. E amigo “diretoria” é aquele cara que você telefona e desfaz a festa para o dia em que você puder ir.

Bom, calculo que “diretoria” eu tenha no máximo uma dúzia. Algo por aí. Talvez 15. Digo, aqueles caras que não vão só na capela, vão estar no hospital. E vão passar a noite no meu velório. Um, dois, três, quatro, cinco...bom, tem um que só vira a noite se tiver uísque...sete, oito, nove, dez...É, isso mesmo. Mas, enfim, há gente que não é “diretoria” mas eu gosto muito.
Somando todos eles, creio eu que dá uns 40. Sim, “amigos que me fariam sentir mal se eu faltasse ao aniversário deles” são uns 40. Some-se eles aos meus parentes nesta mesma categoria (um número bem menor, diria que tenho no máximo 20 parentes que ainda me chamam para aniversários). Bom, são 60 pessoas então. Mais os da Marcele, que chuto em 20 amigos. E parentes, creio eu serem uns 40. O meu contrário (por isso nos completamos tanto). São 120 pessoas. Senhoras de idade, playboys, hippies, doidões, meninas certinhas, bebês de colo, bebês que andam, crianças de cinco a 10 anos, adolescentes, jovens, jornalistas (a rodo) e mulheres de meia-idade. Perfis absolutamente diferentes a cada festa.

O gato acima vai para minha sobrinha Luiza, que faz aniversário no dia 11 de setembro
É assustador. São 120 pessoas. Divididas por 52 fins de semana. Livres, na teoria, eu só tenho 40. Ou seja, 40 “sábados e domingos”. Dão 80 dias. 120 pessoas para 80 dias.
A conclusão: vivemos para trabalhar e nos fins de semana comemorar o fato dos outros terem nascido. Rá-tim-bum! É big!
Em um próximo post, vamos abordar os diversos tipos de festas e comemorações.
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