12.11.07
As cinco músicas mais engraçadas do rock and roll
O que seria uma “música engraçada”? Bom, não me refiro a músicas do palhaço Arrelia ou mesmo as do velho Juca Chaves. Nem mesmo "Cagar é bom" eu incluo na lista. Juca tem repentes de genialidade, como nos tempos em que ele colocava uma tartaruga com o casco pintado com a bandeira do Brasil e cantava “Este é um país que vai pra frente...ououououou...”. Uma paródia maravilhosa de uma musiquinha do regime militar.
Claro, nada comparado à paródia genial inventada pela TORCIDA DO FLAMENGO. Para os mais novos, vale lembrar: quando cantamos, no Maracanã, “Oh, meu Mengão/Eu gosto de você/Quero cantar pro mundo inteiro/A alegria de ser rubro-negro”, estamos recordando um jingle ufanista do governo militar. Nos idos de 1978, talvez um pouco antes, em 1976, o governo lançou uma musiquinha com esse refrão mesmo: “Oh, meu Brasil/Eu gosto de você/Quero cantar ao mundo inteiro/A alegria de ser brasileiro”. Bastou o primeiro jogo do campeonato carioca para a torcida do Mengão fazer sua paródia.
Hoje, poucos lembram da música original.
Mas, voltando ao assunto, o conceito de música “engraçada” remete mais ao inusitado da letra, a falta de compromisso com conceitos ou senso comum. É o caso, por exemplo, de Hotel Califórnia, dos Eagles, a grande música dos Eagles. Uma letra que conta de um sujeito que entra em um hotel mal-assombrado do qual jamais poderá sair, bem, como é possível que essa música tenha se tornado um sucesso? Talvez por causa do solinho, eleito pela revista Guitar Player como o melhor solo de guitarra de todos os tempos. Discordo, mas acho um baita solo. Bom, não farei por ordem de crescente ou decrescente, enumerarei apenas para controle.
Aos que acharem que essa mania de fazer listas vem desse blogueiro aqui, aviso: comecei antes de ler o livro dele. Vamos lá.
As 5 músicas mais engraçadas do rock and roll:
1-HOTEL CALIFORNIA (The Eagles): Costumo dizer que músicas cantadas pelo baterista, em qualquer banda de rock, ganham em testosterona. No meu tempo de moleque, 10, 12 anos de idade, eu via meninas da minha idade suspirando por Don Henley cantando no videoclipe exibido no programa do Messiê Limá na TV Tupi. Na época, achávamos que Hotel Califórnia era alguma exaltação à terra do surfe, alguma letra com garotas, sexo, comidas picantes, sol a pino. Bom, daí a surpresa quando notamos que em determinado momento “há vozes no corredor”, “aquelas vozes continuam chamando ao longe”, “tenho de encontrar a passagem de volta para o lugar em que eu estava antes”. Filme de Stephen King brabo.
2-MONEY FOR NOTHING (Dire Straits): Acho fenomenal. Para começar, é uma música com uma letra extremamente antipática, detonando o working class hero consagrado por Lennon na música homônima: para os “Durangos kids” (uma tradução mais ou menos livre para Dire Straits, que, me contaram, é o nome que se dá ao cara que está meio na merda, sem dinheiro) o cara que tem ódio dos artistas por eles ganharem muito dinheiro é na verdade um ressentido. “See the little faggot with the earring and the makeup/Yeah buddy thats his own hair/That little faggot got his own jet airplane/That little faggot he’s a millionaire” (*”Veja aquela bichinha de maquiagem/É, meu camarada, aquele é o cabelo dele mesmo/Aquela bichinha tem seu próprio avião/A bichinha, é um milionário”). E vem todo aquele discurso homofóbico, ressentido: temos de instalar microondas, carregar cozinhas inteiras, televisões coloridas. “Eu deveria ter aprendido a tocar guitarra”. Money for nothing é uma música genial, sobre escolhas, sobre classes sociais, sobre show-business. Mas não deixa de ser muito engraçada.
3-HOW DO YOU SLEEP (John Lennon) – Musicaço de John Lennon, de um de seus melhores discos. Não ria: é do “Imagine”. Apesar da música-título estar muito batida e hoje servir mesmo é para trilha sonora de Power Points ridículos, que nos enviam por email, nos incitando a acreditar que o mundo é o melhor lugar para se viver. “Imagine” realmente é um libelo da bicho-grilice e diz coisas absolutamente utópicas, que fariam qualquer sociólogo brasileiro sério dar gargalhadas ao ouvir pela primeira vez. Impossível ler a sério o verso “Imagine um mundo sem religiões” estando aqui neste país de macumbeiro. Mas “How do you sleep” é uma música genial de engraçada, porque é o primeiro tiro de um duelo de músicas entre Lennon e Paul McCartney; se não me falha a memória, uma paulada em Paul por causa do hit “Another Day”, um melacueca (irresistível) que ele havia lançado com os Wings. Era o ano de 1971, Lennon queria engajamento, Vietnã, Panteras Negras, Daniel Cohn-Bedit, toda essa espécie de coisas, e não admitia que Paul fizesse muzak, musiquinhas românticas. “Those freaks was right when they said you was dead/The one mistake you made was in your head” (*”Aqueles malucos estavam certos/Quando disseram que estavas morto”) é uma sensacional referência de Lennon aos boatos correntes, desde meados da década anterior, de que Paul estava morto (Clique aqui e leia um excelente e instigante artigo sobre o assunto).
“The only thing you done was yesterday/And since you're gone you're just another day” (A única coisa que fizeste foi Yesterday/E desde então você não passa de Another Day”), ótimo jogo de palavras com o nome das duas músicas. Lennon assumia explicitamente que não tinha nada a ver com “Yesterday” e ainda pichava, de quebra, “Another Day”.
4- SILLY LOVE SONGS (Paul McCartney) – Inteligentíssimo, uns cinco anos depois Paul responderia com Silly Love Songs, um belo tapa de luva de pelica, perguntando, “O que há de errado com tolas canções de amor”. Mas em um verso dá uma paulada: “Love is not silly, love is not silly at all”. O início é maravilhoso: “You’d think that people would have had enough of silly love songs/But I look around me and I see it isnt so/Some people wanna fill the world with silly love songs/And whats wrong with that?/Id like to know, cause here I go again/I love you, I love you/I love you, I love you” (*”Você acha que todo mundo já se encheu de tolas canções de amor/Mas em olho em volta e vejo que não é bem assim/Algumas pessoas queerem encher o mundo com bobas canções de amor/E o que há de errado nisso?/Eu gostaria de saber/Porque aqui vou eu de novo; eu te amo, eu tea mo, eu te amo”.
5- BIG BALLS (AC/DC) – Música engraçadíssima de um LP menos badalado do AC/DC mas não menos conhecido: “Dirty deeds done dirt cheap”. É um verdadeiro escracho: Bon Scott canta com ironia que está subindo no hi-society, e que as colunas sociais mostram que ele é um cara conhecido por dar grandes “bailes”, sempre “cheios”. Só que baile é “BALL”, o que dá margem para Scott ironizar: “I´ve got big balls, the papers said”. Espetacular essa música.
Bom, eu pensei em postar 10, mas achei que seria muita pretensão. Se alguém pensar em mais cinco músicas engraçadas neste clima, agradeço. De preferência com vídeo. Aí sim, teremos interatividade para elaborar o listão das 10.
Ah, para quem leu o post anterior: Marcele voltaria neste domingo à noite mas a família dela resolveu ficar mais um dia. Se não voltar amanhã, terça-feira vou comprar meu rifle.
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Pode ser herético citar Raimundos numa lista com nomes sagrados como os John e Paul. Mas "Puteiro em João Pessoa" é uma música engraçada - vide vídeo em que o destaque é a camisa do Mengão: http://www.youtube.com/watch?v=7WGnoRKRGLY
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mario
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é mal escrito
a parte"“Imagine” realmente é um libelo da bicho-grilice e diz coisas absolutamente utópicas, que fariam qualquer sociólogo brasileiro sério dar gargalhadas ao ouvir pela primeira vez. Impossível ler a sério o verso “Imagine um mundo sem religiões” estando aqui neste país de macumbeiro"
deveria levar algum, premio do tipo a frase mais idiota já escrita em toda a história da internet.
os comentarios acima seguem a mesma linha imbecil.
lamentável para um tema até interessante, siga meu conselho largue essa vida vocÊ é ruim demais
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Marcos: puxa, que pena que você não virá mais ler os textos aqui. E eu que curto tanto ler os seus textos. A propósito: "inteligência" tem acento, assim como "prêmio" também. Só para dar uma esclarecida, certo?
abraços
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na boa, eu não me acho nem um pouco "cult". E, ao contrário do que afirmou o Marcos, não vivo de escrever em blogs.
Se vocês dois (se forem pessoas diferentes) vivessem de escrever em blogs, sei lá, seria divertido.
abraço
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Ian: Raul tem várias legais, engraçadas, é verdade. Agora, Paul e John, nerds? Nunca pensei por esse lado, pode ser
Fernando: o Juca tem momentos geniais, como disse...
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Mas Money for Nothing foi na mosca, sempre achei essa música divertidíssima em todos os sentidos.
Ei, uma idéia boa seria fazer uma lista de rocks involuntariamente engraçados. Tem váaaarios.
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O que me impressiona é o baixo grau de conhecimento de todos os documentários listados acima.Se pelo menos soubessem o que as letras de Jhon representam hoje,talves teriam um pouco mais de reflexão em seus conceitos..
Pobre mente humana..Suja pelos seus próprios conceitos mixos...
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entrei no site e achei o tema divertido. Também não concordo com o Imagine - em absoluto. Mas ainda assim, estava achando tudo legal, até ler os comments.
Por que vc não aceita uma só crítica? Crítica é normal, cara, faz parte da vida. Aprenda com elas, aceite-as. Nos fazem crescer às vezes.
Abração.
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