31.10.07
Olimpíadas? Sempre gostei mais de Copa

Preâmbulo: Antes de clicar neste texto, um aviso: tem um vídeo do Youtube aqui com um "carioquismo" de boutique que irrita até carioca convicto como eu. O Rio cheio de trancinhas, batuques, "alô favela", festa, gente bonita mandando abraços, etc, bom, aqui é legal mas não é bem assim. Fim do preâmbulo. Continuando o 'raciocínio':
Eu juro: sempre preferi a Copa. Em 1997, quando estávamos no auge daquela campanha Rio 2004 (alguém lembra de Brasília 2000?) pelos Jogos Olímpicos, eu pensei em mandar fazer uma camiseta, ou pintar, estilo Sid Vicious, embaixo da logomarca: “Prefiro a Copa”, imitando o punk britânico, que escreveu um “I hate” embaixo do nome Pink Floyd em uma camiseta. Particularmente, sou fã de Jogos Olímpicos, e acredito em sua “glória”, acredito no velocista Carl Lewis colocando uma medalha olímpica no caixão do próprio pai e na lenda, impiedosamente desfeita por David Remnick, de que Muhammad Ali atirou sua medalha de 1960 no Rio Hudson. Prefiro acreditar que há essas duas medalhas para sempre perdidas, sim, adoro Jogos Olímpicos.
Mas não adianta que, para acontecer no Brasil, eu prefiro a Copa. Ainda mais depois de ver este vídeo aí em cima, o clip da campanha Rio 2004, que incluiu até o Tiririca, coitado.

Deixa que eu limpo, artilheiro...
Jogos Olímpicos tem um quê de desconcentração que me irrita um pouco. Não há como ir para o Clipper encher a cara por uma vitória no vôlei. Primeiro, porque ninguém bebe para comemorar vôlei. Segundo, porque logo surgiria no meio da comemoração algum outro esporte para a gente prestar atenção – e assim, parar de beber – e torcer por “mais uma medalha bra-si-leeeeei-ra, meu povo”. Vibrar pelo bronze no hipismo.
Vibrar com medalha no hipismo, sei lá. Tudo bem, a gente vibra porque subiu no quadro de medalhas. Mas quando é que eu devo me levantar e gritar, “Ei! Cavalo! Vai tomar no c(*)” ou “Sou/Sou Baloubet eu sou/O bicho vai pegaaaar/E ninguém vai me segurar (nem a comissão veteriná-ria!)”?

Já a Copa, essa é do balacobaco. E no Rio, meus amigos, vai ser sensacional. Já imagino a delegação da Hungria, Croácia ou qualquer outro time de camisa vermelha, sendo impedidos de passar em alguma área de facção rival ao Comando Vermelho. A Avenida Princesa Isabel, a das boates de mulheres de vida difícil, lotada de cracaços e perseguidores de autógrafos. A Copa seria em julho, mas logo ia ter jogadores flagrados no samba com alguma gostosa do Big Brother Brasil 19 que teria acabado de assinar com a Playboy. A maioria iria aparecer na praia, de chinelinho de dedo em frente ao Othon, em Copacabana, onde tem a maior concentração de mulheres da vida por metro quadrado de todo o Rio.
Futebol? Talvez houvesse bons jogos, principalmente se a base da seleção, claro, for do Flamengo. Os jogos no Maracanã seriam sensacionais, até porque qualquer cidadão levaria quatro horas para chegar e entrar no estádio – a menos que o governo federal ou estadual baixasse um decreto proibindo o tráfego de carros particulares em dias de jogos do Brasil.
Depois dos jogos, torcedores se espalhariam pelo Alzirão (Tijuca), Avenida Rio Branco (Centro), Clipper (Leblon) e Baixo Gávea. Alguns jogadores estrangeiros mais hype iriam ao Rio Scenarium. Os jogadores “normais” se dividiriam entre as boates eróticas e as casas noturnas da Barra.

E ninguém iria poder falar mal de nada, ué. Que que tem os jogadores caírem na farra? Fatalmente eles lembrariam: “Ah, o presidente da confederação de vocês, na época em que vocês ganharam o direito de sediar a Copa, ficou o tempo todo ameaçando, dizendo que não podiam investigar o futebol com CPI. Vão falar o quê da gente? E a grana da viagem da patota toda para Zurich? Não lembram que ele respondeu dizendo que o importante é o Brasil sediar a Copa, que na Alemanha não perguntavam isso? Está valendo tudo”

Bom, temos sete anos para pensar no que responder ao jogador que nos der este argumento. O que você diria?
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