21.10.07
Falta mãe, sobra presépio

Quando eu era criança, era louca por árvores de Natal. Não sei se todas as crianças também são (ou eram) assim. Mas, enfim, eu era completamente louca por árvores de Natal. Conforme o dia 15 de outubro se aproximava eu já começava a minha tradicional ladainha adiantada de natal: implorar para algum adulto montar a árvore lá de casa. Minha mãe usava todas as desculpas possíveis para adiar ao máximo os enfeites natalinos espalhados pela casa. Não porque tivesse alguma coisa contra a decoração de fim de ano; simplesmente porque, ao contrário de mim, que só tinha oito anos de idade, sabia que ainda não estava na época de montá-los. Acabávamos, de qualquer forma, montando a árvore antes da maioria das pessoas que conhecíamos naquela época, no meio do mês de novembro. E só a desmontávamos perto do carnaval, de tanto que eu insistia em mantê-la na sala, apesar de guirlandas, velas e desenhos natalinos que minha irmã e eu fazíamos na escola já estarem escondidos nas profundezas de algum armário desde o começo de janeiro.
Acho que todas as pessoas que enfeitam as lojas e shoppings da cidade estão precisando urgentemente de mães como a minha. Alguém com autoridade o bastante para simplesmente dizer coisas como "Não, meu filho, você ainda não pode montar a árvore de Natal, ainda nem chegamos ao fim de outubro" ou "Meu filho, você já tem cinqüenta anos de idade, não sabe o quão ridículo é essa história de colocar enfeites de Natal quase três meses antes do Natal chegar?". Sempre fui a favor de recados maternos/paternos que nos seguissem pela vida toda (só de mães de bom-senso, por favor). Algo como aquelas mensagens póstumas que Jor-El deixou para Kal-El (o Superhomem) dentro da fortaleza da solidão, em algum lugar do Pólo Norte. As mensagens poderiam até vir com a voz de Marlon Brando, algo padronizado, bem organizado. Cada vez que você saísse muito da linha e fosse fazer algo tremendamente ridículo, poderia escutar aquela voz, que deveria ser a da sua consciência mas não é, já que quem faz coisas tremendamente ridículas sofre de falta de consciência. Vozes dizendo coisas como "Pelamordeus, meu filho, não coloca cenas tão grotescas no seu filme. Menos, por favor." poderiam ter salvo muitas pessoas de passarem mal dentro do cinema ao assistir Saló, do Pier Paolo Pasolini; ou "Você não vai entrar nesse açougue, com esse casaco laranja em pleno verão carioca e pedir um sorvete! Você é o prefeito dessa cidade", teriam feito muitos cariocas que votaram no César Maia se sentirem menos ridículos. Talvez se a Britney Spears tivesse uma mãe que a ensinasse usar calcinha quando saísse de mini-saia, o destino da cantora (?) seria completamente diferente. Enfim: se existissem conselhos maternais/paternais eternos, o mundo seria um lugar melhor e a humanidade seria mais feliz. E eu não correria o risco de me assustar com uma árvore de Natal cheia de luzes em outubro em pleno calor de 35oC, ao caminhar pela Nossa Senhora de Copacabana tranquila e feliz, pensando que faltavam mais de dois meses para o ano de 2008 chegar. Pra quê tanta pressa, meudeus?
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é iluminado internamente, quem
souber onde eu consigo é só me
informar.
beneribeirao@itelefonica.com.br
grato
Bn).
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