Gustavo de Almeida e Marcele Fernandes são cariocas, casados e rubro-negros. Ele tem 40 anos e trabalha de noite. Ela tem 27 anos e trabalha de dia. Os dois se encontram nas poucas folgas que restam, nos posts do blog e, quase sempre, nos sonhos também.
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Marcele Fernandes









6.10.07

O Spa: cinco dias para um casal mudar de vida - quarto dia

4º Dia – Prêmios e provas

Já sinto os efeitos da dieta e dos exercícios. O fato de não ter leite parece potencializar os trabalhos, já que a digestão é muito rápida e as fibras da alimentação “carregam” as toxinas para fora, tal e qual segurança de boate em meio a briga de gangue. O quarto dia no spa, depois de um dia de cru e outro de líquidos, é de premiação. Para todos os spazianos, gordinhos ou não, é quase uma festa. Até para Lígia, estudante de Letras que, magérrima, foi ao spa apenas para desintoxicar e diminuir o estresse.

Ao notar que o lanche da tarde era um meio-sanduíche com recheio de tomate e alface – mais nada – reagiu como um netinho ao ser comunicado pela vovó de que há sorvete na geladeira: aos pulos. Eu, como sempre, senti a falta do hambúrguer colocado entre o pão e a dupla alface-tomate. Mas comi, como já havia comido, no almoço, o excelente quibe sem carne. Apenas abóbora, triguilho e condimentos formam o prato delicioso, que ainda tem uma cobertura de tahine bem ralo para enfeitar.

Nos últimos dias, o grupo não fica tão junto, a não ser nas palestras. A nutricionista, Jaqueline, dá duas delas, em uma das quais discorre sobre os vilões da alimentação. Em poucas palavras, quase tudo.
- Leite, café, refrigerantes, carne, margarina, manteiga....
Eu peço aparte, sobre a manteiga, pergunto como substituir. Ela fala do ghee (pronuncia-se gui), manteiga clorificada usada pelos naturebas, vendida a peso de ouro em embalagens pequeninas. O sabor é realmente melhor, o aroma é forte. Mas aí esqueço onde estou e emendo a pergunta:
- Me diga, se eu quiser fritar um ovo com ghee?
Jaqueline quase ri, mas contém a gargalhada com um sorriso e diz, com bom humor:
- Olha, na verdade eu não deveria nem responder essa pergunta....Quando eu não estiver olhando, você até pode fritar, embora essa palavra não faça parte do meu vocabulário. Mas o ideal é fazer o ovo pochê – ela me recomenda. Por segundos, me esqueci que o higienismo abole completamente do vocabulário a palavra fritura, já que o processo gera toxinas cancerígenas para o organismo. O restante da palestra segue animado, dá até fome quando falamos em gergelim. “Dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola picles e um pão com gergelim”, canta o palhaço dentro da minha cabeça.

A sexta-feira foi o dia do geo-cashing, atividade, como todas as outras, opcional, mas que nesse caso precisa de pelo menos seis pessoas para ter graça. No caso, jogamos em oito, o time dos jovens, no qual me incluí sorrateiramente, e o time dos idosos. No dos jovens, eu, Sra. M, Carol e Lígia. No dos idosos, Francis (que chegou na véspera e tem mais ou menos a minha idade, uns 40), Rita, Teresinha e Bárbara, professora da UFF. Na primeira prova, que era caminhada estilo Acorrentados (amarrados pelo equipamento de escalada e arvorismo), os idosos deram couro nos mais novos: oito minutos de vantagem. Além de andar, as equipes deveriam pegar bandeiras.

A prova seguinte era de escalada do muro vertical. Me aprontei para tal, mas logo de cara era preciso colocar o pé direito a uma altura em que o meu pé direito já não vai mais desde que eu tinha LP em vez de CD. Fui substituído por Lígia, que subiu como uma aranha e ganhou a prova para os jovens incautos, já que Francis acabou subindo mas desistindo no meio do caminho.

A terceira prova deveria ser feita por dois de cada equipe – passar em pontes de corda e tocos do arvorismo. Uma mais fácil, a outra mais difícil. Eu e a sra. M. fomos escolhidos, por cavalheirismo peguei a ponte feita de tocos bambos, uma obra que teria selo de aprovação do Indiana Jones. Passei com louvor na prova, vencemos, e eu decidi que no dia seguinte eu ficaria na piscina de água quente enquanto estivesse acontecendo a atividade Arvorismo.

Enquanto eu pensava isso, Teresinha, já bem depois dos 60, fazia as duas pontes sem nem coçar o nariz. Mas mesmo assim ganhamos porque ela ficou tempo demais comemorando.
A quarta prova foi de Cabra-Cega no Mato. Cabra nem tão cega, já que podíamos orientar o “cego” a achar a bandeira escondida.
- Carol tem um GPS embutido na cabeça – disse a Sra. M. quando ganhamos a prova e o geo-cashing. Só não consegui descobrir a razão do nome da brincadeira, mas tudo bem.
De qualquer maneira, não deixe de clicar no vídeo do início do post - juro que não tinha essa sensação de vitória desde que fiz um gol por baixo das pernas do goleiro, num dia de chuva, numa vitória do Nautilus em que fui o melhor em campo. Nautilus? Um time de peladas de futebol de salão que andou brilhando no Rio de Janeiro pelos idos de 1980. But that´s another fact.

por Gustavo de Almeida as 14:17:15

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Comentários:


Seus comentários

h´apoucas atividades mais irritanes do que aquelas em grupo feitas para enturmar e fazer gente feliz. è para enturmar? tô fora. No mais, devo dizer que drenagem linfática vicia. Juro.
07.10.07 @ 01:55
Nome: Marcele Fernandes
Url:
Lulu, acredito: drenagem linfática é um negócio absurdo. Mal dá para acreditar que é feito por mãos humanas!
bjs
07.10.07 @ 10:41
Nome: Gustavo de Almeida
Url: http://www.interney.net/blogs/eclipse
O comentário acima é meu mas está assinado como Marcele Fernandes.
Mas é isso, Marcelo, até hoje estou na luta eterna contra a balança...
07.10.07 @ 10:42
Como assim NÃO TEM LEITE?!? Eu não iria durar nem dez minutos num lugar desses! Passo numa boa sem carne, sem doce, sem carboidrato, sem, mas sem leite, nada feito.
07.10.07 @ 19:14

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