6.10.07
O Spa: cinco dias para um casal mudar de vida - quarto dia
4º Dia – Prêmios e provas
Já sinto os efeitos da dieta e dos exercícios. O fato de não ter leite parece potencializar os trabalhos, já que a digestão é muito rápida e as fibras da alimentação “carregam” as toxinas para fora, tal e qual segurança de boate em meio a briga de gangue. O quarto dia no spa, depois de um dia de cru e outro de líquidos, é de premiação. Para todos os spazianos, gordinhos ou não, é quase uma festa. Até para Lígia, estudante de Letras que, magérrima, foi ao spa apenas para desintoxicar e diminuir o estresse.

Ao notar que o lanche da tarde era um meio-sanduíche com recheio de tomate e alface – mais nada – reagiu como um netinho ao ser comunicado pela vovó de que há sorvete na geladeira: aos pulos. Eu, como sempre, senti a falta do hambúrguer colocado entre o pão e a dupla alface-tomate. Mas comi, como já havia comido, no almoço, o excelente quibe sem carne. Apenas abóbora, triguilho e condimentos formam o prato delicioso, que ainda tem uma cobertura de tahine bem ralo para enfeitar.

Nos últimos dias, o grupo não fica tão junto, a não ser nas palestras. A nutricionista, Jaqueline, dá duas delas, em uma das quais discorre sobre os vilões da alimentação. Em poucas palavras, quase tudo.
- Leite, café, refrigerantes, carne, margarina, manteiga....
Eu peço aparte, sobre a manteiga, pergunto como substituir. Ela fala do ghee (pronuncia-se gui), manteiga clorificada usada pelos naturebas, vendida a peso de ouro em embalagens pequeninas. O sabor é realmente melhor, o aroma é forte. Mas aí esqueço onde estou e emendo a pergunta:
- Me diga, se eu quiser fritar um ovo com ghee?
Jaqueline quase ri, mas contém a gargalhada com um sorriso e diz, com bom humor:
- Olha, na verdade eu não deveria nem responder essa pergunta....Quando eu não estiver olhando, você até pode fritar, embora essa palavra não faça parte do meu vocabulário. Mas o ideal é fazer o ovo pochê – ela me recomenda. Por segundos, me esqueci que o higienismo abole completamente do vocabulário a palavra fritura, já que o processo gera toxinas cancerígenas para o organismo. O restante da palestra segue animado, dá até fome quando falamos em gergelim. “Dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola picles e um pão com gergelim”, canta o palhaço dentro da minha cabeça.

A sexta-feira foi o dia do geo-cashing, atividade, como todas as outras, opcional, mas que nesse caso precisa de pelo menos seis pessoas para ter graça. No caso, jogamos em oito, o time dos jovens, no qual me incluí sorrateiramente, e o time dos idosos. No dos jovens, eu, Sra. M, Carol e Lígia. No dos idosos, Francis (que chegou na véspera e tem mais ou menos a minha idade, uns 40), Rita, Teresinha e Bárbara, professora da UFF. Na primeira prova, que era caminhada estilo Acorrentados (amarrados pelo equipamento de escalada e arvorismo), os idosos deram couro nos mais novos: oito minutos de vantagem. Além de andar, as equipes deveriam pegar bandeiras.

A prova seguinte era de escalada do muro vertical. Me aprontei para tal, mas logo de cara era preciso colocar o pé direito a uma altura em que o meu pé direito já não vai mais desde que eu tinha LP em vez de CD. Fui substituído por Lígia, que subiu como uma aranha e ganhou a prova para os jovens incautos, já que Francis acabou subindo mas desistindo no meio do caminho.

A terceira prova deveria ser feita por dois de cada equipe – passar em pontes de corda e tocos do arvorismo. Uma mais fácil, a outra mais difícil. Eu e a sra. M. fomos escolhidos, por cavalheirismo peguei a ponte feita de tocos bambos, uma obra que teria selo de aprovação do Indiana Jones. Passei com louvor na prova, vencemos, e eu decidi que no dia seguinte eu ficaria na piscina de água quente enquanto estivesse acontecendo a atividade Arvorismo.

Enquanto eu pensava isso, Teresinha, já bem depois dos 60, fazia as duas pontes sem nem coçar o nariz. Mas mesmo assim ganhamos porque ela ficou tempo demais comemorando.
A quarta prova foi de Cabra-Cega no Mato. Cabra nem tão cega, já que podíamos orientar o “cego” a achar a bandeira escondida.
- Carol tem um GPS embutido na cabeça – disse a Sra. M. quando ganhamos a prova e o geo-cashing. Só não consegui descobrir a razão do nome da brincadeira, mas tudo bem.
De qualquer maneira, não deixe de clicar no vídeo do início do post - juro que não tinha essa sensação de vitória desde que fiz um gol por baixo das pernas do goleiro, num dia de chuva, numa vitória do Nautilus em que fui o melhor em campo. Nautilus? Um time de peladas de futebol de salão que andou brilhando no Rio de Janeiro pelos idos de 1980. But that´s another fact.
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Mas é isso, Marcelo, até hoje estou na luta eterna contra a balança...
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