1.10.07
Fotos do Capitão Nascimento pelado - não tem aqui
Como a maioria dos que lêem este blog aqui sabem, mantenho um blog paralelo ao Eclipse. Ele é "filho" do blog institucional que eu mantinha quando trabalhava no Jornal do Brasil. Como me transferi para O DIA, acabei usando o Blogger para manter o nome Santa Bárbara e Rebouças e principalmente manter minha boa rede de contatos na Segurança Pública do Rio de Janeiro. Tenho, porém, melhorado o Santa Bárbara, incluindo links, vídeos, enquetes, feeds de notícias, atrações que façam o blog ser mais hiperativo - um amigo da própria PMERJ, que sabe mais de blog que eu, tem me ajudado e cobrado as justificações de textos, no que faz muito bem.
Uma novidade que já apurei é que começou oficialmente a caçada ao filme Tropa de Elite no site YouTube - já há vários links que simplesmente não funcionam. Agora o jeito vai ser esperar mesmo o dia 12 de outubro (estou nessa também - apesar de ter feito matéria para a revista Rolling Stone, não tive oportunidade de ver o filme na sessão para a imprensa).
No sábado, o corregedor da PM do Rio, Paulo Ricardo Paúl, me enviou um artigo com críticas ao filme "Tropa de Elite". Publiquei no GoogleDocuments e dei o link. Não concordo com as críticas, mas Paúl tem o direito de fazê-las. Paúl é um policial honesto e correto.
Publiquei um post ainda no sábado, e enviei a notícia para o IG Minha Notícia. Esta só foi publicada nesta segunda-feira. Saí de casa e o marcador da Bravenet instalado no meu blog marcava 4009 visitors. Saí de casa por volta de 8h20. Ao retornar à redação de O DIA, fui olhar meu blog. Havia 5706 visitas. Nada menos que 1.700 visitas em um período de sete horas. O que dá mais ou menos 242 visitas por hora, ou quatro visitas por minuto. Para um blog. é um número alto - principalmente para um blog que abriu no dia 5 de setembro neste novo endereço (a data em que deixei o Jornal do Brasil). Quando vi a explosão de visitas, não tive dúvidas: o IG havia publicado minha notícia. Não deu outra.
O que explica o Capitão Nascimento e o filme Tropa de Elite serem assunto obrigatório de todos os meios de comunicação? Não só a pirataria, mas também a altíssima qualidade do filme. E um motivo simples: não há cidadão brasileiro que não queira saber mais e mais sobre o filme, seja para adorá-lo, seja para detestá-lo. O que faz com que, na Internet, seja mais atraente de hits escrever "capitão nascimento" do que "fotos da sandy pelada". Nunca testei "capitão nascimento pelado", mas aposto como o público feminino já deve estar procurando por isso.
Já escrevi sobre os motivos que devem ter levado o personagem a extrapolar os limites de sua criação - e já imagino que, em 12 de outubro, quando o filme estrear, a catarse chegue ao topo. Há muita reação esquisita, principalmente de parte da imprensa que achou fascinante a expressão "Dadinho é o caralho, meu nome agora é Zé Pequeno". Pessoas que adoraram Cidade de Deus, que cultuaram os personagens, agora se vêem na obrigação de regurgitar a extrema testosterona do Capitão Nascimento. Colocam em primeiro plano, claro, a tortura e a execução extra-judicial. Como cabe ao crítico profissional, atribui tudo ao homem e não ao sistema que o rege. Ora, já foi dito: o Capitão Nascimento é um executor da política de segurança pública que ele mesmo critica. Ele mesmo fala que é errado "esculachar morador", mas o caso envolvia emoção e ele esculachou.
Note que ninguém registra o fato de que não há inocentes executados ou torturados. Ressalto que esta afirmação não legitima a tortura e a execução, continuam sendo crimes. Só que estes mesmos críticos costumam dizer, quando há mais de 100 policias mortos em um ano no Rio (ou seja, todos os anos), que "é parte da profissão, é parte da escolha, ganhar mal e ser assassinado". Sim, dizem isto, mas nunca disseram que é parte da escolha do bandido morrer em troca de tiros com a polícia - há gente que morre porque esteve matando antes, gente que extorque idosa de mais de 90 anos pelo telefone, gente que estupra criança, gente que mata arbitrariamente.

O Capitão Nascimento, antes de ser um executor da segurança pública, é no filme um espelho da nossa indignação. Do mesmo jeito que o Capitão América surgiu na década de 40 como herói americano contra o nazismo, o Capitão Nascimento começa a se consolidar como o herói brasileiro contra a corrupção e, sim, polemicamente, contra o tráfico e o banditismo. Nascimento é um espelho de quando nos tornamos animais - e devo dizer, volta e meia isto acontece. Viramos animais, sim, qual o problema? É crime eu desejar que matassem de porrada os caras que arrastaram o menino João Hélio? Não. Crime seria eu reunir um grupo e fazer isso. Sim, seria crime. Mas desejar, não. É crime eu desejar surrar com um taco de beisebol o menor que fez aquilo que fez com Liana Friedenbach? Não, crime seria eu enfiar o taco de bastão no crânio dele, de verdade. Mereceria, sim, ser julgado e condenado. Mas ter sangue humano, e não de barata, ter testosterona, não é crime. Se revoltar e se comportar como animal diante dos atos indignos até de animais não é crime. Na verdade, coitados dos animais - eles não sentem desejo de vingança.
A vingança é legítima. O Capitão Nascimento é uma vingança. É o herói do lado da lei, embora ele a infrinja admitindo tortura e execução. É o herói que se questiona, embora execute aquilo que questione. É o herói da virilidade, da coragem, da bravura - qualidades que os críticos ferrenhos de Tropa de Elite se esquecem de destacar nos Caveiras.

Todos os países do primeiro mundo têm tropas de elite e resgate,. Vários países do primeiro mundo usam blindados para proteger os agentes do Estado. Dezenas de países do primeiro mundo usam a Caveira como símbolo, com a faca, simbolizando a vitória sobre a morte. Mas só no Brasil se acredita em extinguir uma tropa de elite, em proibir o uso de carro blindado para proteção do agente do Estado e em Caveira como símbolo de terror.
O Capitão Nascimento, esta criatura contraditória e que dá sua vida e saúde por uma sociedade que alimenta seu maior inimigo (o tráfico) é como um catalizador de todas essas faltas de sintonia. Não temos a polícia ideal - é fato. Mal paga, mal aparelhada, com índices acima do tolerável de corrupção e a infeliz guerra de pobre (polícia) contra pobre (favelado), é difícil ter uma polícia ideal. Agora, até então, não tivemos a sociedade ideal para o diálogo com a polícia, para entender estes policiais e saber o que eles querem - e ao mesmo tempo dizer a eles do que a sociedade precisa.
"Tropa de Elite" é a grande chance de polícia e sociedade se encontrarem para uma conversa olhos nos olhos, falar a sério, falar do futuro que queremos para nossos filhos e netos.
Longa vida ao Capitão Nascimento.
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O filme tem condições de levar a sociedade a repensar o papel da polícia, é impressionante como só se fala disso nas ruas, com certeza vai ser um sucesso estrondoso e as pessoas passarão a olhar os policiais com outros olhos.
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é exatamente como eu penso. Chegou a hora, principalmente no Rio, de fazer essa "ponte". Não adianta mais a sociedade só ficar repetindo que tem uma polícia corrupta, a hora é de fazer a aproximação, saber os motivos, saber quem é essa polícia (a maior parte de origem humilde), como ajudar essa polícia, e ao mesmo tempo dizer a essa polícia o que precisa. E sem a intermediação de ONGs...
abraço
Gustavo
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Bem parabéns pelo Texto.!!!!
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Se fosse não teria criado o 200 anos e falado aquele monte de besteiras..
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Beijos,
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Se por acaso um bandido estuprasse suas famílias, violentassem suas crianças, roubassem o que ganhou com suor, o achariam?
Todos pedem uma polícia nova, mas ninguém tem coragem de atacar o verdadeiro sistema podre...afinal, é culpa da policia a falta de educação, de saude,de moradia, de segurança? não seriam os politicos culpados? a ta´eles naõ precisam desta policia né? então sejam inteligente quando criticarem, pesoas inteligentes criticam mas logo em seguida separa o joio do trigo, bem como discute soluções.
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