23.09.07
Marcos José, Camila e a fé que move a dor

Camila praticando hipismo. Para saber mais sobre ela e ajudá-la, clique aqui.
A internet tem essa característica: uma notícia ou texto gera por si só outra notícia ou texto que nos chamam a atenção. O advento dos comments em blogs só reforçou o que os fóruns já faziam nos primórdios da grande rede. Claro, antes os comments se resumiam a respostas mal-humoradas ou ataques pessoas anônimos.
Com o tempo, as pessoas foram descobrindo que os comments também são uma espécie de caixa de ressonância. E o mais bonito é quando os comments são usados para desabafar a emoção sentida com um texto - e mais bonito ainda quando o desabafo também emociona.
Foi o que aconteceu com o comments postado por Gercina Primo no texto sobre a Camila Magalhães Lima. Gercina, jornalista de Pernambuco, contou a história do sobrinho, mais uma vítima da violência, baleado em um assalto, tetraplégico e respirando artificialmente.
Ler o que Gercina escreveu me fez pensar sobre a fé. Sobre a força que não se sabe de onde vem - o que move para a frente, o que alimenta a luta, a energia de pessoas como as da família de Gercina? Só a fé.
Porque o nosso país, definitivamente, não é o que dá força para sobreviver - um país com a saúde completamente destruída, dominada pelas seguradoras, vilipendiada pela corrupção nos hospitais, no setor público, mas que ainda tem gente lutando.
Por textos como o da Gercina é que acredito na Internet como salvação - talvez seja o meio de transformar a caridade, tornar a caridade um projeto de país solidário, mais do que qualquer ONG.
Aproveito para pedir à Gercina que me envie por email (gustavo ponto almeida arroba gmail ponto com, escrevo por extenso para os programas de spams não copiarem), caso leia este texto, mais detalhes sobre a história, uma conta bancária, ou qualquer outra forma para começarmos mais essa luta. Se houver CDs, o meio para comprá-los, um vídeo sobre o sobrinho, qualquer coisa que possa ser feita.
Como diria um amigo que muito me honra, o Major Wanderby Braga de Medeiros, juntos somos fortes.
Abaixo, o comentário de Gercina:
Sei o que você sentiu e sente, sou jornalista aposentada e também tia de um jovem de 25 anos, que há quase dez meses também foi vítima de um assalto, aqui no Recife-PE. Ele, até agora, encontra-se na UTI de um hospital da nossa cidade, tetraplégico e dependente de respirador artificial. A única chance que tem de sair de lá é ser submetido a cirurgia de implante de um marcapasso diafragmático, que custa a bagatela de 100 mil dólares. A isso somando despesas de passagens, hospedagem e honorários de dois médicos norte-americanos que viriam de Nova Jersey, pois no Brasil não há especialista nesse tipo de procedimento. Sei o que é precisar manter a esperança, fazer bazares, rifas, vender CDs, e o pior de tudo, esperar pela (in) Justiça brasileira, que permite ao Estado toda sorte de recursos para negar a pessoas como Camila e meu sobrinho o direito constitucional à saúde.
Marcos José Silva de Oliveira, o meu sobrinho, órfão de pai e mãe, estudante, cidadão cumpridor de suas obrigações até dezembro de 2006, precisa submeter-se à cirurgia que lhe devolverá a esperança de conviver com seu filhinho de 6 meses e sua família, constituída de duas irmãs, uma das quais portadora de síndrome de down.
Com certeza, estarei na trincheira para lutar com Camila e sua mãe. Farei minha colaboração e divulgarei a luta de ambas, pois sei o que é viver "de pires na mão", quando há tantos homens públicos neste país locupletando-se do dinheiro do cidadão comum, que não tem sequer o direito de (sobre)viver, vítimas da violência e da falta de vergonha que assola o nosso país.
Enquanto isso, em Brasília... Bom, deixa pra lá.
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