7.08.07
O nu viral

Começo a ficar meio desconfiado dessas “fotos que vazam” (como a que ilustra esse post) toda edição um pouco mais aguardada da Playboy. Na verdade, aguardava apenas uma espécie de salvo-conduto da Marcele para abordar tema tão vasto quanto os ensaios de mulher seminua dessa prestigiada e superestimada revista americana com filial no Brasil. Creio que o fato dela ter comprado a Playboy da bandeirinha Ana Paula Oliveira foi como um sinal: “Nicholas, tudo bem. Pode falar do assunto. Mas não fica olhando muito tempo para a última foto do ensaio da bandeirinha”, me pareceu dizer o olhar dela.
Fato é que tive acesso às fotos da bandeirinha uns seis dias antes da data marcada. Aí a Playboy “antecipou” o lançamento para um sábado. Falando sério, existe logística o suficiente para uma operação como essa? Antecipar a circulação em âmbito nacional de uma revista em cinco dias? Avisar os distribuidores, estes avisarem jornaleiros, anteciparem material promocional, tudo isso sem um planejamento?
Aconteceu agora, de novo, com as fotos da Íris Stefanelli, a Siri do Big Brother Brasil. Recebi antes, dois dias antes para falar a verdade.
A primeira vez que houve o tal vazamento das fotos de mulher nua da Playboy foi da Tiazinha. Me lembro que eu trabalhava em conhecido jornal popular, e ao receber as fotos o vazamento logo virou tema de reportagem com chamada na primeira página, tendo como principal estandarte o popozão da depiladora de adolescentes. Versão da época: um Office-boy copiou as fotos para um CD que por sua vez foi copiada ad nauseaum e as fotos repassadas por e-mail.
Bom, a acreditar nesta e em outras versões de vazamento, poderia acreditar também que a redação da Playboy fica ao ar livre, em uma comunidade hippie, onde o papel das embalagens do Photoshop oficial que eles compram serve para enrolar baseados da grossura de um polegar do Maguila. Ora, sabemos todos da dificuldade que é entrar em uma redação profissional como a da Playboy, e sabemos todos das medidas de sigilo. Antes de mais nada, tivessem fotos profissionais vazado de fato e já teríamos ouvido falar de processos na Justiça contra a Playboy por parte de alguma das peladonas. Afinal, o material obtido sob contrato estava sob a tutela e responsabilidade da editora da revista. Perdido e difundido, é coerente imaginar que caberia aí uma ação de reparação.
Não posso acreditar também que um office-boy onanista que tivesse “acesso às fotos” iria se deter apenas nas fotos que acabariam publicadas. Valha-me Deus. Na era da Banda Larga, não posso aceitar que as fotos selecionadas para publicação tivessem sido copiadas para um CD e imediatamente depois levadas por um motoboy para a gráfica. No meio do caminho, o motoboy pararia numa Lan House para jogar Counter Strike e enquanto desse uns tirinhos pelo Morro Dona Marta, no Rio, deixaria o dono da Lan House copiar as fotos da Siri, em São Paulo.
A outra tese, claro, é até coerente e os rasgadinhos na foto aí em cima até corroboram: alguém na gráfica em que rodou a revista pega sempre um exemplar, s(a)caneia e já coloca na rede, só de zoeira.
Aos simples mortais como eu não cabe entender os desígnios do Departamento de Marketing, mas no mínimo os caras criam o Nu Viral. Devem ter números que mostrem a realidade: o fato de ver as fotos da estrela da capa nua antes na Internet não afeta o desejo de comprar a revista, pelo menos para o fã mais decidido. Para o onanista, deve fazer até diferença – o computador não tem a mobilidade que uma revista de papel tem na hora de put the hair off the clown´s head. Ainda que eu não ache a menor graça em usar a Playboy para essas coisas. E para o colecionador, bom, esse não é afetado em nada pela Internet. O colecionador de verdade curte ver a pilha de playboys ficar do tamanho dele e até ultrapassar.
Do alto dos meus 1,60m, devo dizer que no meu caso foi fácil.
P.S.: Hoje, dia 7 de agosto, tem lançamento dos livros O livro negro de André Dahmer e Mais preto no branco, de Allan Sieber na Livraria da Travessa de Ipanema, às 19h. Imperdível! Marcele e eu estaremos lá.

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Comentários:
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Bom mesmo, que tenha quem fique atento a essas "maracutaias" dos departamentos de marketing que "se acham"...
Eu, particularmente, fico bem "p" da vida quando engulo uma dessas...
Essa, eu nem sabia, mas acho que deixaria passar batido também.
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