Gustavo de Almeida e Marcele Fernandes são cariocas, casados e rubro-negros. Ele tem 40 anos e trabalha de noite. Ela tem 27 anos e trabalha de dia. Os dois se encontram nas poucas folgas que restam, nos posts do blog e, quase sempre, nos sonhos também.
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Marcele Fernandes









24.07.07

Helena - parte alguma coisa

Já era de noite. Eu saltei do táxi meio desengonçada, com uma pizza na mão, o chaveiro na outra. Olhei para o portão do prédio e foi aí, só aí que comecei a chorar. Resolvi olhar pra trás, ver o mar, tentar fazer aquela sensação passar. Não passou. Eu não sei porque comecei a chorar. Só sei que comecei e não consegui parar durante dez minutos. Subi as escadas chorando, abri a porta de casa chorando, sentei no sofá e continuei a chorar. Estou assim desde sábado; chorando em pequenas prestações, como se minhas lágrimas fossem boletos de um crediário. Choro um pouquinho por dia, para não chorar o dia inteiro. Li em algum lugar alguém contando que chorava quinze minutos por dia, todos os dias, com hora marcada, “para manter a sanidade”. Talvez seja isso. Talvez eu esteja querendo manter o resto de sanidade que tenho, se é que tenho algum. Não consigo chorar com hora marcada, porque nunca fui organizada o bastante para isso. Mas passei a chorar todos os dias, um pouquinho de cada vez. Eu não me sinto exatamente melhor, mas desse jeito pelo menos não parece que eu estou me desmanchando por completo. É como se uma rachadura aparecesse, mas desse tempo de alguém vir e ajeitar a parede, antes dela ruir de vez. Espero que as emendas durem até a reforma da casa, que eu não faço a menor idéia de quando vai acontecer.

por Marcele Fernandes as 00:54:35
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Nome: Gabi
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A minha experiência diz que, já q não tem como evitar, é melhor chorar muito num dia só (para aliviar) do que chorar um pouquinho todo dia. Chorar a prestação faz parecer que a tristeza nunca vai embora e a gente acaba incorporando o sentimento ao dia-a-dia.
Mas o bom mesmo é só chorar de alegria :D

Beijinhos Cele

30.07.07 @ 00:13

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