28.06.07
Trilha sonora de um casamento (em 10 partes)
Música número 9 - Our House (Crosby, Stills, Nash & Young)
Lá pelos 15 anos, eu já tinha ouvido dizer que o sujeito que usa drogas vende a casa, o carro, os móveis e o aparelho de som para sustentar seu vício. Mais tarde, diga-se, ouvi a mesma coisa acerca do jogo – depois que comecei a apostar nos cavalinhos, prática que não abandonei de todo, admito. Pelo menos uma vez por ano gosto de ir às corridas. Já drogas, não curto, com exceção dos Malbecs e Bonardas que eventualmente faço chegar à minha mesa.
Às vezes penso que a maioria das pessoas não gosta muito de casa, móveis, carro e aparelho de som, já que são as primeiras coisas das quais costumam se desfazer para arcar com despesas pecuniárias com drogas e jogo. Para achar isto, me baseio no maconheiro – sim, o cara só consumia maconha – que me vendeu, há pelo menos 23 anos, o LP Déja Vu, extraordinária obra de David Crosby, Stephen Stills, Grahan Nash e Neil Young, item que, se você não tem pelo menos no seu HD hoje em dia, só lamento. Trata-se de um disco perfeito, e creio que o seria mesmo se só tivesse Almost Cut My Hair e o restante das faixas preenchido com músicas cantadas pelos Meninos de Itaboraí. Mas não. Além desta obra prima ainda tem a música título, Woodstock (de Joni Mitchell), Teach your children, Country Girl, Everybody i love you, Carry on e a balada Our House. Esta última, uma das minhas músicas com Marcele, pois fala de um dos sonhos dela – uma casa muito acolhedora, com dois gatos no quintal, em um tempo no qual as coisas costumavam ser difíceis. Sim, a casa de Marcele está no passado e no futuro, e isso torna Our House uma música do nosso presente. Ao mesmo tempo em que relembra dos quintais de Quintino, Marcele divaga no desejo de ter uma outra casa, comigo. Ao fundo, a voz de Stills, doce. Já me disseram que é Nash, eu acho que é Stills. Certeza absoluta de que não é Young nem Crosby.
Quando comprei o Déja Vu, estava começando a conhecer estes sons todos, e para tal eu tinha que andar com pessoas mais velhas. Aos 15 anos, lá pelos idos de 1983, eu precisava mesmo andar com pessoas de 23 ou 24 anos, que tinham pelo menos 10 anos quando os Beatles acabaram e puderam entender o que tinha acontecido. Gente que tivesse o Let it bleed na prateleira.
Este meu amigo era uns sete anos mais velho, e apesar de estar na idade produtiva, era um vagabundo contumaz. Simplesmente dava mais importância ao consumo de maconha. No entanto, a fonte de recursos (grana da mãe e de trabalhos eventuais) volta e meia se esgotava, e o cara apelava para a discoteca. Esperto, ele costumava comprar de volta os discos que vendia eventualmente para maconheiros em boa fase de grana. Ele voltava aos bons tempos e fazia um lance no leilão. Foi exatamente o que ele me disse quando me passou o Déja Vu:
- Sabe por que eu estou tranqüilo? Porque sei que vou comprar de volta de você em breve.
Já se passaram 23 anos, mais ou menos, e o LP continua lá, guardado a sete chaves, na casa da minha mãe. Aqui em casa, tenho em CD. Sempre que ouvimos, os olhinhos de Marcele brilham no refrão Our house is a very/very kind house/With two cats in the yard/Life used to be so hard/Now everything is easy/'Cause of you/And our la,la,la, la,la etc. Tudo realmente parece mais fácil porque eu estou ao lado da Marcele.
É a vantagem de ser biriteiro: nunca precisei vender disco nenhum.
P.S. - Clique em http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=34882884 e entre na comunidade Eclipse do Orkut. Nos ajude aí, a gente podia estar roubando, a gente podia estar assaltando, ou a gente podia estar enviando spams e ainda por cima no gerúndio (que é pior do que assaltar).
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Beijos,
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Doni, pode deixar que assim que a casa for providenciada, convidamos todo mundo para um almoço. Apesar de que, pensando bem, podemos convidar para um almoço no apartamento mesmo. Ou, resumindo: considerem-se convidados!
Beijos, Marcele
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