Gustavo de Almeida e Marcele Fernandes são cariocas, casados e rubro-negros. Ele tem 40 anos e trabalha de noite. Ela tem 27 anos e trabalha de dia. Os dois se encontram nas poucas folgas que restam, nos posts do blog e, quase sempre, nos sonhos também.
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Marcele Fernandes









9.06.07

Versões, o canto de sereia do rock para as mulheres

O Engenheiro Cobra, personagem com quem convivo há coisa de uns 25 anos, costuma falar em alto e bom som: mulheres não gostam de música. Explica ele que não se trata de nenhum preconceito ou rancor contra o sexo feminino, e sim tão-somente uma constatação fria e calculada. A cada exceção que eu apresento a ele, a regra do Engenheiro Cobra parece se firmar mais ainda e se delinear com mais clareza.
Eu não seria tão radical quanto o Engenheiro, mas eu acredito que, sem dúvida, as mulheres lidam de uma forma mais tranqüila com a música do que nós, homens. Não conheço uma mulher que seja capaz de passar anos procurando o The Book of Talyesin, do Deep Purple, como o Engenheiro (banda que ele, aliás, odeia hoje em dia), ou o Paul McCartney Unplugged no Japão, como eu. Anos procurando, até encontrar e comprar a peso de ouro na Amazon o genial disco acústico em que Macca desfila maravilhas como “Be bop a lula”, “Every Night”, “San Francisco Bay Blues”, e até o Bill Withers teria participação especial (nunca consegui confirmar se é ele) em “Ain´t no sunshine”.
Paul McCartney
Dois meses depois que paguei uma fortuna no CD, ele foi lançado no Brasil e a Lojas Americanas vendeu por 23 reais, na promoção.
É verdade, mulheres não sofrem tanto assim por causa da música pop e nem sequer são vistas tirando a camisa (pelo menos nas festas em que vou jamais acontece) em “Should I Stay or Should I go”, do The Clash.
A minha mulher, que no momento dorme o sono dos justos, ama a música. Mas ao mesmo tempo não ama a música, se é que consigo me fazer entender. Ela não pára o que está fazendo porque alguém ao lado achou um vídeo inédito do Otis Redding no YouTube. Já eu largaria a platéia da execução do meu melhor amigo (desde que fosse cadeira elétrica) se alguém me acenasse com algum vídeo da The Band com Bob Dylan ou mesmo Ron Wood e Keith Richards bêbados cantando no Live Aid. Foi mesmo no Live Aid? Não lembro.

Mulheres jamais discutem por causa de guitarristas e nunca, nunca vi uma saindo na porrada em defesa do Blackmore. Eu mesmo quase já fui espancado ao defender a tese de que Blackmore é um enganador e que eu toco tanto quanto ele.
Mulheres não sonham com baterias imaginárias nem vibram com o Carmine Appice tocando “Superstition” ao lado de Tim Bogert e Jeff Beck.
A minha mulher curte música, muito, se emociona com “Georgia on my mind” e canta divinamente, com suavidade. Mas não sente vontade de fazer listas como a que faço agora, mentalmente, uma mania que tenho muito antes de Nick Hornby e Hi-Fidelity.
Peguei minha mania de listas com uma revista especial da SOMTRÊS, lançada em 1981, “AS DEZ MAIORES BANDAS DE ROCK DE TODOS OS TEMPOS”. As eternas discussões sobre essa lista me criaram, aos 12 anos, uma obsessão por listas. As 10 bandas da revista eram, sem ordem nenhuma:
1- Rolling Stones
2- Beatles
3- The Who
4- Cream
5- Traffic
6- Crosby, Stills, Nash & Young
7- Sex Pistols
8- Pink Floyd
9- Led Zeppelin
10- King Crimson
Me lembro que a presença do Sex Pistols e do King Crimson me irritavam. Tiraria os dois tranqüilamente, na época, e colocaria o AC/DC e o Deep Purple, que eu gostava, antes de ouvir álbuns revoltantes como “Fireball” e “Who do we think we are”.
Um dos piores discos que já ouvi
Mas volto ao tema “Mulheres não gostam de música” e descubro que uma das formas de atrair a psique das mulheres é a versão. Minha Marcele adora, por exemplo, a “Guitar Man” tocada pelo Cake, e não fosse a banda de Sacramento ela jamais teria ouvido a lindíssima versão original do Bread. A percepção feminina parece gostar da comparação e da variação de tom, de andamento e interpretação de uma mesma música agradável.
Sendo assim, organizo mais uma lista: as 10 versões que ficaram “tão boas quanto (TBQ)” ou “Melhor que Original” (MQO) mais marcantes da história do Rock. E compare o pão (bread) com o bolo (cake) abaixo:

1- With a little help from my friends – Beatles
With a little help from my friends – Joe Cocker (MQO)
2- Little Wing – Jimi Hendrix
Little wing – Townshend, Clapton e Ronnie Wood (TBQ)
3- Guitar Man – Bread
Guitar Man – Cake (TBQ)
4- Yesterday – Beatles
Yesterday - Ray Charles (MQO)
5- Where did you sleep tonight – Leadbelly
Where did you sleep tonight – Nirvana (TBQ)
6- Like a rolling stone – Bob Dylan
Like a rolling stone – Jimi Hendrix (MQO)
7 – Space Oddity – David Bowie
Space Oddity – Natalie Merchant (TBQ)
8- Just my imagination – Temptations
Just my imagination – Rolling Stones (MQO)
9- I´ve been loving you too long – Rolling Stones
I´ve been loving you too long – Otis Redding (MQO)
10 – Pinball Wizard – The Who
Pinball Wizard – Elton John (TBQ)

por Gustavo de Almeida as 02:46:48

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Comentários:


Seus comentários

Nome: Marcele Fernandes
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Você pode até vir com esse blá-blá-blá de que ama mais música... mas de que entende melhor música, não! Afinal, quem tem o melhor ouvido musical, hein, hein, hein? Quem tirou a maior nota no teste? Hein, hein, hein?
E para quem quiser fazer o teste também:
http://www.jakemandell.com/tonedeaf/

Beijos,
09.06.07 @ 11:19
Nome: Gabi
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Então acho que eu não gosto de música. rs

Na verdade, eu acho que é tipo vinho, sabe?! Eu gosto, mas não 'aprecio' (como vcs homens tendem a fazer). Ah sem falar do futebol, é claro! Mas isso é outro departamento.

Beijinhos
Gabi
11.06.07 @ 00:12
Nome: Mário Marinato
Url: http://www.osarcofago.blogspot.com
Acho que nem as versões conseguem conquistar a minha namorada. Ela admira esta ou aquela música mas sei que nunca vai entender os meus motivos para querer ter todos os discos do Elton John e dos Dire Straits...
19.06.07 @ 18:33
Nome: Rodrigo
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I've been loving you too long É do Otis Redding. Está no disco Otis Blue de 1965. Otis é um dos autores da música.
Dúvida: era o King Crimson ou o Yes na revista?
20.06.07 @ 23:05
Nome: Skay
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Hum, concordo com a Lis, aí acima...piegas o comentário mais acima, de mulher não gostar de música e devivados e tal. Uma notícia pra vc, garotão: EXISTEM SIM, MULHERES QUE AMAM MÚSICA COMO VC, QUE NÃO TROCAM UM BANHO DE LOJA POR UM SHOW DO LED ZEPPELIN NEM FUDENDO! Estas mulhers como eu, e a Lis ai acima, são em número restritíssimo, mas que existem, existem! E tenho dito!
15.07.08 @ 15:39

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