15.05.07
Programinhas caseiros Woody Allen Inc.
Com a minha recente bancarrota, o segredo para a recuperação financeira – que deve levar uns três ou quatro meses – passou a ser a troca: saem os programas noturnos em restaurantes e similares, entram os programas que este cara aqui batizou como “Programas Woody Allen”. Explica-se: de uma determinada fase em diante (creio que de Annie Hall, passando por Tiros na Broadway até Igual a tudo na vida), o famoso diretor encasquetou (ah, que delícia esse verbo) de fazer filmes em que a maior diversão dos casais é encontrar outros casais. Mas sem ménage ou swing, esses temas bizarros com o qual eu sinceramente não simpatizo muito. Ainda que nos filmes do diretor americano seja comum o próprio se apaixonar pela mulher do amigo sem querer. Tou fora dessa também, seja de que lado for do balcão.

A coisa mais comum é ver Diane Keaton ou Mia Farrow em um apartamento, seja para apresentar uma amiga para o Woody solteirão, seja para encontrar o cineasta-ator casado mas odiando encontrar “aquele casal chato”.
Os programas Woody Allen, portanto, são a salvação da lavoura quando acontece a falência, como no nosso caso. Já temos DVDs que sequer desembrulhamos, música a rodo, uma cozinha razoável e sempre algum vinho guardado. É só chamar convidados (poucos, claro), jantar e, quem sabe, assistir a algum dos filmes enquanto se enche os cornos. Amigos solteiros também entram na programação, apesar de ser algo um tanto injusto: você opta por fazer uma programação noturna na qual não está incluída a possibilidade do seu amigo solteiro se dar bem – a menos que você faça ménage-a-trois. O que, como já disse, está fora dos meus planos, mesmo que ideologicamente eu não me posicione contra tal procedimento no modelo 2 mulheres/1 homem. Enfim, coisa para solteiro.
Claro que quando foi criada a definição "Programa Woody Allen" foi omitida a divertidíssima (e onírica) cena abaixo:
No fim de semana passado, experimentei uma variação do programa Woody Allen: aquele em que as mulheres estão on the charge. Explico: normalmente o programa Woody Allen é um encontro de dois ou mais parceiros, camaradas, que por acaso levam suas mulheres. Estas acabam sendo obrigadas a se tornarem amigas, o que já me rendeu alguns dissabores, já que freqüentemente a amizade de Marcele com uma dessas esposas me levava a dividir espaço com um vascaíno em vésperas de decisões.
No sábado passada, no entanto, foi a vez de receber lá em casa a Teca e o João. Num ranking de pessoas agradáveis com inesgotável capacidade de divertir e entreter com diversos assuntos, diria que a Teca e o João estão seguramente entre os 10 primeiros. Mas só que tem o detalhe: eu e o João não somos amigos. Calma, é também um dos caras mais legais que conheço, e como todo cara maneiro tem manias e hábitos alimentares singulares. A dele é jamais exibir os próprios pés – usa sempre meias, jamais Havaianas ou similares. E jamais come carne vermelha.
Só que nós não somos amigos no sentido sociológico do termo, quer dizer, nós não nos telefonamos no intervalo de um jogo na quarta-feira à noite para comentar que “tal zagueiro deveria tomar um tiro de tão merda”, até porque ele é tricolor. Xingamos zagueiros diferentes, that´s the point.
É claro que nós nos comportamos como amigos de longa data quando eles nos dão o prazer da presença, mas o fato de, pelo menos neste caso, as mulheres serem as amigas-titulares do encontro e os dois homens serem apenas co-pilotos torna as coisas mais engraçadas. Eu e João, por exemplos, propusemos ver A PROFECIA, filmaço de Richard Donner, seguramente um dos meus 10 filmes de horror preferidos (aguardem esta lista). Minha intenção era conquistar o voto de Teca e vencer a resistência de Marcele para filmes desta natureza. João votou sim, Teca votou sim, mas quando Marcele chiou, Teca voltou ao plenário e mudou o voto para NÃO. E por aí vai. Derrotados, eu e João nos limitamos a comentar o desastre rubro-negro da quarta-feira anterior contra o Defensor, cada um com sua visão do episódio.
Nos dedicamos a contar histórias trágicas de família e de assombração, depois do jantar. João bem que avisou: as histórias da Teca são mais assustadoras do que A PROFECIA.
Teca nos classifica, a mim e ao João, como nerds. Acha que tanto eu como ele somos gigantescos reservatórios de Cultura Pop. Se é por isto, sou menos nerd que o João, que sabe diálogos inteiros da série Guerra nas Estrelas. Eu só costumo me gabar de lembrar perfeitamente o local em que a Princesa Leia Organa ficou presa no primeiro filme: no Bloco de Detenção AA-23. No dia em que lhe perguntei isso, João não demorou nem mesmo meio segundo para responder. O fato é que todos eles, aliás, nós quatro, temos nosso quinhão de cultura pop meio inútil, algo como saber o nome da cantora da série Ally McBeal (Vonda Shepard) ou lembrar que já existiram séries boas que não emplacaram, tal e qual Boston Public, Chicago Hope e Keen Eddie.
Teca é dessas pessoas riquíssimas (não no sentido financeiro) também, e conta a lenda que foi dela a idéia de tocar a Marcha Imperial no casamento deles. Vocês sabem, a musiquinha que sempre acompanha o Darth Vader. Não lembrou? Veja abaixo:
Agora, só um detalhe, para que todos possam entender por quê o programa Woody Allen com Teca e João dá tão certo: nós quatro nos casamos no mesmo dia, 30 de julho de 2005. Um brinde!
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Url: http://minhocasdateca.blogspot.com
PPPMas não foi a Marcha Imperial, foi o Tema da Cerimônia das Medalhas, do final do Guerra nas Estrelas ... bem mais ...er... matrimonial do que a Marcha Imperial
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Edmundo,Você não está com a Profecia... Está com o Uma vez no oeste! Ou algum outro épico desses, eu não estou lembrada. Mas se você já esqueceu, Houston, we have a problem!
E o NN comprou uma caixa com todos "A Profecia". Que eu não vou ver, claro, pelo menos pelos próximos cinco anos.
Beijos,
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"Depois de vinte anos de trabalhos e estranhas aventuras, Ulisses, filho de Laertes, volta à sua Ítaca. Com a espada de ferro e com o arco executa a devida vingança. Atónita até ao medo, Penélope não se atreve a reconhecê-lo e alude, para o provar, a um segredo que partilham ambos e mais ninguém: a do seu tálamo comum, que nenhum dos mortais pode mover, porque a oliveira com que foi talhado o liga à terra. Esta é a história que se lê no livro vigésimo terceiro da Odisseia." J.L. Borges
"Mulher, na verdade disseste uma palavra dolorosa!
Quem é que mudou o lugar da minha cama? Difícil seria
até para quem tivesse grande perícia, a não ser que tenha
vindo um deus, que facilmente a colocou noutro lugar.
Mas não há homem vivo entre os mortais, ainda que jovem,
que fosse capaz de tirar de lá a cama, pois um sinal notável foi
incorporado na cama trabalhada que eu (e mais ninguém!) fiz.
Dentro do pátio crescia uma oliveira verdejante,
forte e vigorosa, cujo tronco se assemelhava a uma coluna.
Em torno dela construí o quarto nupcial, até que o completei
com pedras bem justas e por cima pus um telhado. "
Homero in Odisseia, Canto XXIII, 105, 170.
E é a coisa mais linda que existe, um Ulisses meu, uma cama feita com madeira pesada prá mim. E lá no 101, na Urca, no nosso quarto de janelas fixas, que tem um a altar de cimento (desses de casa de praia da região dos lagos) onde a gente despejou um colchão, dormindo quase ao nível do mar, deitada en 'la cueva' que não dá NUNCA a lugar nenhum, suspirava de saudades da minha maloca de janelas verdes e com cama homérica. Um dia, mí gaucho Gardel (que não é italiano de jeito nenhum, é criollo) prometeu: vai nos fazer outra cama acima do chão, quando a gente se mudar de la cueva. Nós nos mudamos de la 'cueva', temos um quarto enorme e Ricardo não fez outra cama. Se resignou a comprar aquele apoio de baixo. Serve, já que tem grandes proporções e entra uma claridade quer me dá a certeza de que não somos vampiros de jeito nenhum.
By the way: Vocês lembram da cama do Jack Nicholson nas 'Bruxas de Eastwick? Da Lucrécia Bórgia!... Ai que latifúndio!
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