Gustavo de Almeida e Marcele Fernandes são cariocas, casados e rubro-negros. Ele tem 40 anos e trabalha de noite. Ela tem 27 anos e trabalha de dia. Os dois se encontram nas poucas folgas que restam, nos posts do blog e, quase sempre, nos sonhos também.
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Marcele Fernandes









17.03.07

Assinando o Pay Per View: parte 1 - Os obstáculos

Geralmente, é ali pelos idos de abril. Uma vez foi março. Mas nunca chega em maio. Estou falando da discussão que acontece uma vez por ano com os casais modernos, pelo menos desde que a maldita TV a cabo chegou para nos dar mais opções e infernizar mais as nossas vidas. Sim, estou falando da discussão sobre assinar ou não o pay-per-view dos jogos do Campeonato Brasileiro. Uma discussão terrível, um debate perigoso, delicado e cheio de nuances.
O ponto principal: a tabela e a forma de disputa tornaram o campeonato grande e chato demais. Sim, é bom que se deixe claro: gosto mesmo é daquela merda de campeonato que classificava oito para uma porrada de jogos vida ou morte. Odeio esse campeonato que o campeão geralmente ainda joga umas duas partidas com time reserva só para constar. E odeio ver alguém ser campeão sem que o vice esteja do outro lado. Mas, enfim, elas sabem, elas sabem que a verdade é uma só: estão condenadas a 38 jogos se aceitarem o PPV.
É claro que eu sou mesmo é viciado em Maracanã no domingo à tarde, mas isso se meu time estiver numa onda boa. Há jogos em que prefiro até o PPV. Mas sem o PPV, nossas mulheres sabem que, caso a gente não compre o ingresso, é possível levar-nos ao batizado do filhinho do vizinho da tia da manicure do mecânico que consertou o carro da irmã delas em 1989. "Ora, você não comprou o ingresso, vamos lá". E vai você para um evento social domingo à tarde, a bermuda com cinto pressionando a barriga, o pequeno rádio com fones de ouvido para ouvir de vez em quando o José Carlos Araujo dizer "quanto tá".
Com o PPV, no entanto, babou tudo. Às 14h o canalha do marido já solta um "benhê, adivinha: fulano vai trazer uma pizza!", referindo-se ao amigo que vem berrar "Gaciba FDP" na janela do casal. Às 15h15, o dia acaba e às 16h30 o marido já está gritando, ao lado dos quatro amigos, que o Roni é uma merda. E o Souza também.
Claro, elas ganham politicamente: com PPV, elas sabem que não tem negócio, a noite de domingo é delas.
A não ser em caso de conquista de título. Aí o domingo é nosso, para comemorar.
Estou desconfiado de que, sendo assim, a Marcele vai perder três domingos em 2007. Carioca, Brasileiro e Libertadores. Quem viver, verá.

por Gustavo de Almeida as 02:53:52

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