13.03.07
Tudo bem!
Rosa queria se casar na primavera, mas se contentou com um casamento no outono. Rosa queria uma lua-de-mel na praia, mas se contentou com uma na cidade. Rosa queria morar no oitavo andar, mas se contentou com o sétimo. E, apesar disso tudo, Rosa segue dizendo tudo bem.
Eu não quero comprar um carro novo, como no anúncio que conta a história de Rosa, mas confesso que nunca me identifiquei tanto com um comercial. Fui durante muito tempo exatamente como ela: seguia dizendo tudo bem para tudo e para todos. Mesmo que, muitas vezes, isso contrariasse tudo o que eu queria.
Quando criança, era um costume abaixar a cabeça e ficar calada, por mais certa que eu estivesse (ou que, pelo menos, achasse que estivesse). Ficava matutando durante horas todas as respostas que poderia ter dado, as caras e bocas que poderia ter feito, todos os escândalos no meio da rua que poderiam ter acontecido (e que sempre morreram dentro de mim). E assim, ia tentando digerir os sapos engolidos, quase sempre sem sucesso. Com o tempo e muito, muito, muito trabalho fui melhorando aos poucos. Parei de aceitar tudo o que os outros diziam, mas confesso que restaram algumas seqüelas. Ainda engulo alguns sapos, ainda me conformo com muita coisa que não deveria. E – eu não me emendo – peço desculpas por tudo.
Por tudo mesmo! Se estou parada na rua e alguém me dá um esbarrão, eu peço desculpas. Se estou caminhando e alguém levanta o pé para eu tropeçar, eu peço desculpas. Se um cliente é extremamente grosso comigo, eu peço desculpas. E a ladainha de “ai, desculpa!”, “me desculpe”, “foi mal aê!” vai se desdobrando, sem ter fim.
É por isso que às vésperas dos meus vinte e sete anos de idade, vou fazer uma listinha de promessas, parecida com as dos outros no revéillon: eu não vou mais me conformar com o meu emprego, eu não vou mais me conformar com a grosseria alheia, eu não vou mais me conformar em ser medíocre. E, finalmente, vou tratar de adotar como mantra aqueles versos iniciais da música “Todo errado”, de Caetano Veloso e Jorge Mautner: “Eu não peço desculpa / Nem peço perdão”. Quer dizer... só de vez em quando.
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Gostei dessa história de ter uma versão paulista (quer dizer, eu acho que é paulista... é paulista?). Essa história de pedir desculpas toda hora é muito ruim. E o pior é que o desculpa escapa que nem soluço! Parece impossível de controlar. O mesmo acontece com os "por favor" e "obrigada".
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Depois de uma fase tardia de revolta/mal-criada, eu conheci o João e consegui achar o meu meio termo.
=P
Você precisa me dar um curso urgentemente, Teca!
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Carol, Tiradentes é uma bela cidade para se renascer.
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Muito legal essa idéia do seu post
Um abraço
Obrigada, Luciana! E, pelo menos pra mim, o que você falou é pura verdade: a quantidade de coisas que eu calo e aceito passivamente... afe! Mas estou tentando melhorar.
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Nossa, como é chato as pessoas saberem q foram grossas e arrogantes conosco e ão fazem o menor esforço para se desculparem muito menos pra reverter o quadro!
sim, são várias as Cris, Marceles, Rosas, Lu etc q se calam diante desses atos permitindo q nunca se tenham fim...
Daí eu pergunto: -Quem foi assim um dia e conseguiu mudar "na boa"? Sem maiores problemas e sem q tenha feito algum acompanhamento ou q lhe digam q está sendo influenciada por alguém? Me faz um favor, aquela q tem a fórmula, distribui q a necessdade é ENORME!
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Me peguei muitas vezes fazendo isso, hj em dia fico me policiando, já criei um botão de "Foda-se" na cabeça, mas as vezes eu esqueço, hehehe.
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