1.03.07
Os anos e os anos em Copacabana

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Já passavam das três da tarde quando eu consegui ir almoçar. Não tinha nada de diferente em Copacabana, nada que indicasse o aniversário da cidade. O termômetro continuava bem acima dos 30oC, as pessoas caminhavam normalmente, o trânsito seguia enlouquecido. Coloquei os fones de ouvido e fui caminhando até o restaurante, a poucos quarteirões do trabalho, escutando alguma música que não consigo me lembrar qual é.
Escolhi salada, massa e carne, pesei o prato, pedi um suco de laranja e me sentei numa das mesas coletivas. O salão não estava cheio. Um senhor de cabelos brancos tocava Águas de Março num teclado. Vários idosos almoçavam. Muitos sozinhos, alguns acompanhados. Uma criança com menos de um ano chorava no colo da mãe, a algumas mesas à frente da minha. Duas senhoras, beirando os oitenta anos de idade, almoçavam juntas a poucos passos, sozinhas em uma mesa para oito pessoas perto da porta. Uma delas se levanta, vai até o senhor tecladista, cochicha alguma coisa e volta para a mesa, com um sorriso matreiro no rosto.
O senhor continua com Águas de Março. Demora alguns minutos para terminar e inicia o Parabéns para você. Algumas pessoas em volta olham, procurando quem faz aniversário. Poucas batem palmas e cantam. Quatro, especificamente: uma das funcionárias, de avental e cabelos presos num coque; uma senhora de cabelos vermelhos, por volta dos setenta anos, que parou junto da porta; um turista, que almoçava sozinho num canto do salão; e, finalmente, a senhora que tinha soprado o pedido no ouvido do tecladista. Ela canta e bate palmas com delicadeza, uma delicadeza que eu não consigo descrever. E olha com doçura para a sua acompanhante, que sorri sem jeito, com lágrimas nos olhos. Com lágrimas nos olhos, como eu.
Feliz Aniversário, meninas.
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Adorei o blog!! Com certeza já está na minha lista de favoritos!
Um beijão!
Gabi
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Mais importante que a dimensão socio-econômica de Copacabana é a emoção transmitida no último parágrafo, onde não foram só vocês os que choraram. ( ao fundo de "Sentimental eu sou, eu sou demais...)
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Beijos,
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continuem fazendo essas reportagens que vcs irão dar um ibópe imenso.
parabéns para todos os autores dessa reportagem gustavo e marcele.
vcs estão na minha lista de favoritos.
amei!!!!!!!!!!!!!!
beijos e abraços
maisa.
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