Gustavo de Almeida e Marcele Fernandes são cariocas, casados e rubro-negros. Ele tem 40 anos e trabalha de noite. Ela tem 27 anos e trabalha de dia. Os dois se encontram nas poucas folgas que restam, nos posts do blog e, quase sempre, nos sonhos também.
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Marcele Fernandes









26.02.07

O eterno campo de batalha entre homem e mulher

De cada 10 textos pop escritos sobre a relação homem e mulher, garanto que pelo menos quatro são sobre futebol e a rejeição que elas têm ao nosso fanatismo. Vide a filmografia do setor - o ótimo Febre de Bola (Fever Pitch), baseado no livro homônimo do Nick Hornby, é talvez a obra mais emblemática.
Na verdade, eu diria que Febre de Bola e Despedida em Las Vegas são dois filmes que abordam o amor feminino, acima de tudo: aquele que é pelo homem na íntegra, calcado um pouco na tolerância, outro tanto nas lembranças dos antepassados. Em Despedida..., a linda Elisabeth Shue faz de tudo para aturar o beberrão Nicholas Cage, que só pensa em se matar de tanta birita. Uma das cenas mais comoventes é aquela em que ela dá de presente ao personagem de Nicholas uma garrafinha prateada, daquelas de levar em festa de crente. Bem como é tocante ver a namorada de Colin Firth cedendo de vez aos apelos de uma final com o Arsenal e torcendo para que tudo dê certo.
Muita gente é contra esse tipo de coisa, na verdade, principalmente mulheres. Vêm com o discurso de que "o namoro ou o casamento são coisas da vida madura, e o homem tem que amadurecer junto". Em resumo, querem mudar o sujeito. Nem imaginam que se aquele cara tão legal que elas amam é legal justamente porque conseguiu um tricampeonato estadual com gol no último minuto ou ouviu um zagueiro marcar um gol de cabeça decisivo no maior rival. Não tenham dúvidas: eu seria uma pessoa pior do que sou hoje se Petkovic não tivesse nascido e não estivesse aqui no Hemisfério Sul no dia 27 de maio de 2001. Isso só para citar um exemplo.
Há também o tipo de mulher que tenta colocar seu amor à prova, como se estivesse concorrendo. Estas não entendem que só há uma maneira de concorrer com o amor de um homem por seu clube: montando um outro clube e pedindo para ele torcer. E, claro, vai perder. Afinal, até o Zico tentou fazer isso com nós, rubro-negros, montando o CFZ. Não conseguiu. No dia em que acontecer um Flamengo x CFZ, não estou nem aí pro Zico.
O amor de um homem por seu clube fica encaixado em uma outra parte do coração. O projetista concebeu aquele espaço para colocar apenas este amor. Assim como o amor por uma mulher é um lugar todo especial. Quem mistura os dois em algum buraco, cria uma salada de aberrações.
Minha mulher - que agora está no trabalho, enquanto eu me arrumo para começar a pensar em sair de casa - foi uma bênção para mim. Não é fanática, mas vai ao Maracanã numa boa e acompanha razoavelmente o Mengão Cósmico. Às vezes se desliga, mas não enche o saco.
Neste domingo, dia da semifinal da Taça Guanabara, tentei de todo modo fazer o papel de marido sem clube. Propus praia, propus cinema, tentei de tudo. Ela chegava a aceitar alguma coisa, mas dava preguiça. Aí, dormiu.
Acionei o bonde sinistro que se formava - afinal, futebol é esporte coletivo. Para assistir um jogo decisivo, é necessário ter pelo menos dois confrades ao lado a fim de poder berrar e ser ouvido. E ouvir berros.
Até que aconteceu o ponto máximo de horror que pode alcançar uma partida de futebol: a disputa de pênaltis.
Minha mulher, nesta hora, estava aqui no Portal do Interney vendo como a gente pode fazer para dar uma melhorada no nosso Eclipse. Pênalti após pênalti, berros após berros até os gritos de "Ih, fudeu, o Souza apareceu, oi". E ela calma, plácida. Minutos mais tarde, se vira para mim e pergunta: "Mas teve disputa de pênalti?"
Eu realmente amo minha mulher e acho que tive muita, mas muita sorte em encontrá-la neste mundo tão grande.

por Gustavo de Almeida as 13:24:12

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Comentários:


Seus comentários

Nome: tina oiticica harris
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Puxa, agora estou curiosa para saber quem estava jogando contra o Flamengo. Como o meu Botafogo campeão não anda bem das pernas, acho que deve ter sido, sei lá. Ilumina aê? Sou a exceção que justifica a tua regra. Gosto muito de futebol, fui muito de geraldina com meus amigos e namorados.
Tua estórinha lembra o Chico Buarque, "eu sou funcionário, ela é bailarina..."

Quem jogava contra o Flamengo era o Vasco. Estavam decidindo quem ia para a final da Taça Guanabara. Eu acho...
Marcele
26.02.07 @ 19:19
Nome: Ricardo Schott
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confesso que também nunca saquei a que veio esse cfz...
28.02.07 @ 10:27
Nome: waldyr bulhoes
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Grande Gustavo!
Seu texto expressa tudo aquilo que sinto e vivo, tanto que copiei e colei em um e-mail e mandei para minha "namorida". Para ela entender o que sente um torcedor, sobretudo nós rubro-negros, quando é apaixonado pelo seu time.
Seu texto é completo.
Parabéns!
Saudações a todos!
Se você for FLAMENGO, Deus te abençoe. Se não for, Deus te perdoe.
08.11.07 @ 11:12

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