Fev 01
O modo como posts surgem
por Alessandro Manoel15h15
Em Curitiba é bem raro as pessoas saberem de cabeça qual o número das linhas de ônibus que pegam. E o número 666 é o de uma linha chamada Novo Mundo. Talvez seja piada do pessoal da Urbs (empresa municipal curitibana que gerencia o transporte público local) com o número da besta e um mundo novo para apavorar quem acredita nestas coisas. Vai saber.
O ponto é que a gente se acostuma e não repara que algumas coisas podem ser algo engraçado para outros mesmo sendo comuns em nosso mundinho particular. Este assunto já chegou perto de ser abordado em posts sobre a Terceirona do Brasileirão. Em 2008 havia a minha torcida para que Brasil de Pelotas e Holanda-AM. Se acontecesse certamente alguma matéria da Placar iria ligar o confronto entre os dois times e um dos três jogos entre as seleções em copas (1974, 1994 e 1998) Quem seria o Van der Saar amazônico? O Cruyff do Pulmão do Mundo??
Enquanto eu pensava no 666 que passeia em direção ao sul curitibano, lembrei de dois confrontos no campeonato paranaense. Fox do Iguaçu x Iguaçu (de União da Vitória) e Paraná x Paranavaí. Pra paranaenses é comum. Será que a distância os nossos amigos de Belém acham isso engraçado?Lembro também que O Havelange uma vez estava em Curitiba e foi convencido a assistir a Atlético x Paraná Clube. Um repórter foi lá perguntar o que o rapaz achava do confronto e ele soltou um “estou satisfeito em acompanhar o jogo entre Paraná e Paranaense”. Mas também tivemos Engenheiro Beltrão x Francisco Beltrão.
Em São Paulo é engraçado o jogo entre Noroeste e Oeste. Será este o futuro clássico Rosa-dos-ventos? Os torcedores do Oeste vão tirar sarro porque o Noroeste é um mero ponto colateral e irão levar ao estádio uma bandeira com o dom Odilo Pedro Scherer? Uma pena que não temos mais um afastamento necessário pra sorrir em um confronto São Paulo x Paulista. Sem falar na quantidade de santos presentes.
A série A2 nos traz o clássico maniqueísta Rio Preto x Rio Branco com o Rio Claro chegando pra dizer que a mistura é que ganha jogo. Atlético Sorocaba x São Bento ainda é um dérbi mais legal, confesso. O fato é que o Bandeirante vai subir pra série A2 só pra invadir Sertãozinho. Ou talvez Nacional e Internacional subam junto e transfiram este jogo inusitado pra uma divisão mais chique. Monte Azul x Pão de Açúcar deveria estar no mesmo grupo.
À primeira vista, os cariocas só têm a nos oferecer América x Americano, que estão em divisões diferentes. Mas na terceira divisão há um clube que consegue fazer um “autoclássico”. O alvinegro Associação Esporte Clube Rio São Paulo. Rio São Paulo! E misturando tudo, há o Boavista da primeira divisão com o Bela Vista da terceira. Por sinal esta divisão carioca conta com times de nomes bem sugestivos: Semeando Cidadania Futebol Clube, Rubro Social Esporte Clube, Futuro Bem Próximo Atlético Clube e Fênix 2005 Futebol Clube.
E preparem-se. Guarani x Tupi se enfrentam no próximo dia 8 em Divinópolis. E dia 14 jogam Social x Democrata. Aliás, Democrata de Governador Valadares x Democrata de Sete Lagoas é bem comum por lá. Pena que atualmente este último está no Módulo II (a série B local).
Só consegui forçar a barra no Catarinense com Videira x Figueirense, que estão em divisões diferentes. O Gauchão tem como destaque a quantidade incrível de Esporte/Sport Clube/Club (Oito na principal e seis na segunda). Mato Grosso do Sul devia arrumar um par a altura para a Associação Atlética das Moreninhas. Operário x Comercial parece muito sem graça diante disso.
Preciso que algum leitor baiano nos ajude a confirmar se está correta a informação que tirei do site da Federação Baiana de Futebol sobre a existência de um time chamado Botafogo Esporte Clube e OUTRO chamado Botafogo Sport Clube. De qualquer forma dá para montar Serrano x Serrinha com Monte Rey querendo entrar na briga. Pernambuco tem três Ferroviários: Clube Ferroviário do Recife, Ferroviário Esporte Clube de Serra Talhada e Ferroviário Esporte Clube do Cabo.
Vou parar por aqui pra não ficar um post grande demais. Você, leitor, pode apontar novos jogos alternativos entre equipes de um mesmo estado. É que se for pra colocar jogos de times de qualquer lugar aí o céu é o limite e Chapadão x Chapadinha é imitar demais o Léo Aquino...
Jan 21
Este é o fim do futebol como o conhecemos. E não me sinto bem
por Jones Rossi03h52
O futebol se parece um pouco com a política. Às vezes mais do que a gente gostaria. Quando a comunidade não está interessada em seus próprios rumos, quem toma conta são os políticos desonestos e corruptos. No futebol, quando cidades inteiras deixam de se importar com seus times para adorar o que vem de fora, empresários e espertalhões invadem o galinheiro antes que se possa dizer "categoria de base".
Por isso os estaduais são o que são. Meia dúzia de times com alguma tradição contra ex-times de tradição transformados em entrepostos de venda. Até o suposto melhor campeonato estadual do país, o Paulista, está recheado de times que não fazem o mínimo sentido: Guaratinguetá, Ituano, Paulista, São Caetano e por aí vai. Jogos às quartas-feiras de madrugada, estádios que se parecem entre si, torcidas tão vibrantes quanto um jogo de bocha com seu tio de 80 anos. Este é o Paulista. Imagine os outros.
Poucos vão concordar, mas campeonato estadual é o Gaúcho. Por um motivo simples. O interior ainda concentra times que têm conexão com a comunidade. Quem já foi para o interior gaúcho sabe como as cidades e a população valorizam seus times, mesmo que não sejam grandes coisas. E aí está a diferença para o interior paulista e paranaense, nos quais a população prefere torcer pela TV por times que no máximo irão ver no estádio uma vez na vida.
Qual o sentido em morar em Maringá e torcer pelo Corinthians e não pelo Grêmio Maringá (quando este existia)? Por que o Corinthians (ou São Paulo, Palmeiras, o time não vem ao caso) vence mais que o Maringá? Pô, mas é óbvio que vence e sempre vencerá. Mas deixem que os paulistanos cuidem do Corinthians. Torcer para um time local representa afirmar uma identidade própria, não importada, que faça sentido e tenha relação com o lugar em que você mora. Aos poucos, criam-se tradições, os domingos no estádio, as vitórias heróicas, aquele título duramente conquistado, o choro pelo rebaixamento.
Uma das histórias mais bonitas que escutei e não sei se é verdade, mas que cala fundo quando eu penso no Grêmio Maringá, é a de um torcedor do Atlético-PR que escutava todo o pré-jogo e desligava o rádio quando a partida começava. "Para mim basta saber que o Atlético existe", explicava. Para mim, bastaria saber que o Grêmio existe e começaria neste fim de semana mais um Campeonato Paranaense. Nem isso eu tenho.
Por isso, os campeonatos estaduais têm que acabar. Não faz sentido os clubes que têm relação com a torcida, ainda são grandes e têm força, disputarem um campeonato apenas para dar sobrevida, e principalmente grana, a times cujas próprias cidades já os abandonaram. Por causa do estadual, a aberração dos infernos Corinthians Paranaense vai ganhar alguns meses de destaque e pode provocar estragos duradouros no futebol paranaense. Por causa dos estaduais, os empresários conseguem colocar jogadores meia-boca na vitrine a preços baixos, em Guaratinguetás da vida. Na quarta divisão do Campeonato Brasileiro estes times só seriam motivo de piada, como realmente são, embora de vez em quando um ou dois abortos da natureza escapem e cheguem à Primeira Divisão.
(Pensando bem, seria até engraçado ver um dia o Corinthians Paranaense, que queiram ou não, é administrado por profissionais, gente que é dona de instituições financeiras, ganhando do Corinthians original, tocado por amadores e mal-intencionados. Será que o acordo tem alguma cláusula impedindo os dois de frequentarem a mesma divisão?)
Voltando ao assunto. A grande alternativa são os regionais: Rio-SP, Sul-Minas, Nordestão. Mas as federações jamais permitiriam perder o poder. Cada federação representa um voto e a CBF dificilmente bateria de frente com elas. A verdade é que a Federação de Futebol de Roraima é tão ou mais importante aos olhos da CBF que o Flamengo, que joga o estadual para sustentar o Nova Iguaçu e o Cabofriense, ao passo que clubes tradicionais como o América-RJ, Bangu, Madureira e Goytacaz fade away.
Trocando em miúdos, não há solução por enquanto. Se o presidente de um clube campeão brasileiro já me disse que sugeriu a volta da Sul-Minas e foi impossível convencer clubes como Cruzeiro a tomarem parte, é porque estes clubes também caminham para o inevitável apequenamento. Talvez o futuro seja assim mesmo. No lugar do Toledo, uma franquia do São Paulo. No lugar do Goiânia, cria-se o Corinthians Goianiense. Extingua-se o CSA em favor do Flamengo Alagoano - até porque Corinthians eles já têm. E o Brasil do "Bahia, minha porra", do "Santa é lindo", do "A-tlé-ti-co" e do "Vamo, vamo, Inter"; do Brasil de Claudio Milar, do Remo e do Sampaio Correa, dará lugar a um único coro unânime: "somos um bando de loucos". E estaremos cheios de razão. Seremos loucos e idiotas.
E assim espero ter encerrado minha série lacrimosa sobre essa porcaria toda que se tornou o futebol. Ainda há esperança, Kaká disse não ao Manchester City. E disse pelos motivos certos. Pode ser que o vento tenha mudado direção. Não conto com isso, mas não custa sonhar.
Dez 19
A era dos "profissionais"
por Leonardo Mendes Jr.18h15
No começo da semana escrevi que Carlinhos Paraíba poderia ser o ala-armador pelo lado esquerdo no Coritiba de Ivo Wortmann. Pois parece que o Ivo nem terá a chance de testar essa opção.
O Palmeiras está negociando a aquisição de Carlinhos Paraíba. O roteiro é aquele que já vimos tantas vezes que provoca até náusea. Clube comprador acerta tudo com o empresário, que diz só faltar o acerto com o clube vendedor. O comprador é um grande time, mas o vendedor também e só haverá negócio se for bom para as duas partes e para o jogador e blábláblá… Ah, claro, enquanto isso o jogador fica isolado, sem atender o telefone, esperando que alguém decida o seu futuro sem incomodá-lo.
Carlinhos Paraíba é um exemplo perfeito do jogador de futebol atual. Surgiu no Santa Cruz, fez grandes partidas por lá. Aí, quando achou que seu futebol era grande demais para o Mundão do Arruda, pediu para sair.
Veio para o Coritiba. E a história se repetiu. Grandes atuações, gols, passes, carrinhos na lateral para inflamar a torcida... Tornou-se um dos reis do Couto Pereira. Que, claro, se tornou pequeno demais para seu futebol.
Agora está próximo do Palmeiras. Logo estará no Palestra Itália. Irá encantar a todos por lá, afinal, é um grande jogador. Possivelmente terá algum problema com Luxemburgo mais ou menos na época em que perceber que sua bola é grande demais para o Brasil. Então, vai para um clube periférico da Europa ou para o Oriente Médio, ganhará um bom dinheiro, fará boas partidas, até achar que é hora de partir mais uma vez, seguir para um centro mais condizente com seu futebol.
Carlinhos é assim. Dezenas de jogadores hoje em dia são assim. É o tal “profissionalismo”. Pura bobagem.
Não passam de garotas de programa de chuteiras, que usam seus encantos para seduzir o próximo cliente, dizem que eles são os maiorais e, quando se dão por satisfeitas, colocam o dinheiro no bolso e correm para o banheiro tirar da boca o gosto de quem se enganou com suas juras de amor eterno.
Ago 07
Furacão ressurge e Timbu é devastado na noite dos desesperados
por Felipe Lessa06h57

O clima relativamente frio, contemplado pela chuva que caiu antes das 20h30, propiciou ambiente perfeito para um jogo de desesperados na noite desta quarta-feira, na Arena da Baixada. Atlético Paranaense e Náutico duelaram em Curitiba, buscando mais que três pontos na tabela.
A ambição de ambas equipes era escapar do rebolo do rebaixamento e iniciar uma reconquista da moral de seus brasões, tanto com os torcedores, como também entre o próprio amontoado de jogadores. Tratava-se de uma tarefa difícil, onde os mais radicais arriscavam empate, ou então, um placar magro, chorado, sem favorito ou zebra.
A desesperança tanto fez parte do evento, que dos 17 mil associados do rubro-negro, pouco mais de 12 mil se dirigiram ao Joaquim Américo para acompanhar o jogo.
O Atlético ficou quatro jogos sem ganhar. Em casa, perdeu para o Botafogo e ficou no empate com o Figueirense. Fora, foi derrotado por Vitória e Sport.
Tais resultados haviam ajudado a colocar o rubro-negro no G-4 de baixo, o que causou a queda do treinador, Roberto Fernandes, do diretor de futebol de futebol, Alberto Maculan, e de Antônio Carlos Gomes, do departamento de fisiologia.
E na entrada interina de Tico, no comando da equipe, mais Edinho Nazareth, na direção de futebol, o time venceu. Para os que têm fé, por ajuda divina. Para os que preferem a razão, pelas conversas que os novos comandantes tiveram com os jogadores, pela forma como colocaram o Atlético para jogar.
Terminou 2 a 0 , com gols de Rafael Moura, aos 18 do primeiro tempo, e Danilo, aos 36 da etapa final. O placar deu uma leve afrouxada na corda que estava no pescoço de dirigentes, jogadores e, em especial, torcedores. O atleticano de arquibancada além de não encher os bolsos com as receitas do clube, ainda paga mensalidade para aceitar as piadas de torcedores do rival, o Coritiba, que divide a 5a posição do campeonato nacional com o Vitória, depois de na mesma quarta-feira, bater no Vasco em São Januário.
Mas tudo bem, o Atlético promete agora partir para a reconquista de espaço. Contou com a volta de Kelly, subiu para a 14a posição com 20 pontos, voltou a vencer no Joaquim Américo e mandou o Náutico para a ribanceira da ZR, completando oito partidas sem levar os três pontos para os Aflitos. O Atleticano, ontem ao menos, sorriu um pouco, ao saber que o alvirubro de Recife está tão desesperado que foi buscar ajuda psicológica.
Mais. O atleticano pode sorrir sabendo que tem no gol a segurança de Galatto, que mais uma vez fez belas defesas. O torcedor sorri por saber que tem um novo ídolo, mais um goleiro, que a exemplo do último grande arqueiro, Ricardo Pinto, veio de fora para se consagrar na equipe da Rua Buenos Aires.
A alegria atleticana fica na esperança da fé em Chico, cria da casa, considerado por torcedores e imprensa, o melhor em campo na partida de quarta. Tudo bem que a situação atleticana não é das melhores. No entanto, repito. A torcida voltou a sorrir. Está feliz da vida. Pediu até mesmo um "fica, Tico".
A esperança agora é seguir o exemplo do coxa e bater nos cariocas, na 19a rodada do Campeonato Brasileiro. Para tal, a equipe vai contar com a presença do artilheiro rubro-negro na competição, Alan Bahia, que executou goleiros rivais por 5 vezes. O volante não jogou contra o Náutico, pois cumpria suspensão pelo terceiro cartão amarelo. A torcida rubro-negra ficou tão feliz que nem chegou a comentar nada sobre a provável extinção da cerveja com álcool nas arquibancadas. Chegou a hora do time se reencontrar. Vencer o Flamengo que está em crise, no Rio de Janeiro, virou obrigação. Se não, o desespero continua.
Jun 12
TV Globo falsifica o áudio do futebol para agradar corinthianos
por Equipe De Primeira15h18
Por Julio Moreira*
'Não pára, não pára, não pára!' Este era o canto da torcida organizada do Corinthians que se ouvia ontem à noite, durante o início da transmissão do jogo pela TV Globo. Pelo menos aqui em São Paulo.
Mas veja, o Estádio da Ilha do Retiro tem capacidade para 36 mil pessoas, das quais 35 mil eram torcedores do Sport e apenas 1000 torciam para o Corinthians. Como então o canto da torcida era corintiano?
Tecnologia e engenharia de som. O áudio foi captado e divido em 3 canais - o do narrador, o da torcida do Corinthians e o geral do estádio. Então, o diretor técnico aumenta o volume do canal da torcida do Corinthians e diminui o volume geral do estádio. Isto cria no telespectador a falsa idéia de que a torcida no estádio é do Corinthians e ajuda a audiência, aqui em Sao Paulo, onde a maioria da população é corinthiana.
Esta forcinha da técnica durou até o primeiro gol do Sport, pois então, a esmagadora torcida do Sport foi ao delírio e aí não houve técnica que ajudasse o torcedor do Timão. Ainda mais depois do segundo gol.
A transmissão do futebol é uma operação JORNALÍSTICA, realizada pelo departamento de jornalismo esportivo. Não se pode falsear o áudio do estádio. Nao é ficção, não é dramaturgia. É jornalismo.
A TV Globo foi convidada pelo Comitê Gestor das Olimpíadas de Pequim para gerar as imagens do Vôlei de Praia. Este convite foi feito pela sua reconhecida competência técnica. Não pode, ou melhor, não deve, colocar em risco este reconhecimento para turbinar a audiência de um jogo. É pequeno, não precisa.
*Julio Moreira é colunista do site especializado em mídia e publicidade Blue Bus e cedeu gentilmente este artigo ao De Primeira.
Mai 20
Tempo de Bob?
por Equipe De Primeira11h29
por Leonardo Bonassoli
Segundo informações que começam a pulular pela manhã, Roberto Fernandes, 37 anos, teria proposta para ser o novo futuro ex-treinador do Atlético.
O programa Bom Dia Esportivo, da TV Guararapes, retransmissora da Band em Recife, veiculou uma informação de que o treinador do Náutico, atual líder do Campeonato Brasileiro, estaria trocando a Rosa e Silva pela Estrada do Ganchinho.
Segundo a Rádio Globo/CBN, o treinador deverá dar uma entrevista coletiva em Pernambuco, às 15h, podendo confirmar seu desligamento do Náutico e sua contratação pelo Atlético Paranaense.
Sinceramente: uma aposta num treinador jovem e com alguns resultados expressivos no futebol nordestino.
Update (11h40): segue singela lista de clubes treinados por Mr. Bob Fernandes: Unibol, Primavera de Indaiatuba, Independente de Limeira, Londrina, Guaratinguetá, Anapolina, São Bento de Sorocaba, União São João, Ceará, Vila Nova, Santo André, Ituano, Brasiliense e Náutico.
Mai 01
Sport, Romerito e as sapecadas da humildade
por Felipe Lessa00h44

Sport e Palmeiras duelaram pela Copa do Brasil em ritmo distinto. O alviverde paulista dormiu em campo. De seu lado, Valdivia não fez nada, além de tomar cartão amarelo. O reserva Denílson entrou, fez firula, gesticula e perdeu gol feito, quando seu time conhecia os finalmentes do jogo. E o super Luxa? Tentou, trocou, inverteu posições, mas no fim, culpou o árbitro Heber Roberto Lopes, talvez pela atuação molenga de sua equipe.
Do outro lado do campo, na Ilha do Retiro, vimos a equipe de Nelsinho Baptista disposta, dividindo cada bola. Uma equipe unida e que não se abateu nem mesmo em jogar com um a menos no segundo tempo, a partir da expulsão de Everton. O Sport jogou em ritmo de decisão.
Os mais de 34 mil torcedores presentes viram um craque humilde, que antes de deitar e rolar com permissão da zaga palmeirense, ainda arranjava tempo para pedir a camisa do goleiro Marcos, ídolo não apenas do verdão. Enquanto todos perguntam o nome da celebridade do jogo, os rubro-negros respondem, das arquibancadas. “É, Romerito. É, Romerito”, o herói de quarta.
E não se precisa dizer mais nada. Diante da displicente defesa adversária, Romerito encontrou espaço para marcar um, dois, três e ainda deixou o porco de quatro quando em jogada de mestre, lançou para Dutra que livre, na ponta esquerda, fuzilou o goleiro Marcos.
Não havia mais o que fazer. Nem mesmo o gol verde e branco anotado pelo anulado Alex Mineiro, nos tempos em que o jogo estava empatado em 1 a 1, aliviava o choro da torcida, que pressentia a derrota, o salto alto. Não dava mesmo.
Os jogadores do Sport finalizaram o jogo com o dever cumprido. Permitiram que sua torcida voltasse para casa feliz, gritando e tremulando suas bandeiras. E os torcedores sonham em ver o campeão pernambucano também mandar na Copa do Brasil, onde o próximo combatente será o Internacional de Porto Alegre.
Abr 07
O futebol não vai acabar
por Jones Rossi03h02

Foto do Flickr de Rebecca Rosell
É quase impossível não ser pessimista com o atual estado das coisas no futebol, com os times de empresários, com a seleção brasileira para inglês ver, com a violência nos estádios. Na coluna deste domingo no caderno de esportes do Estadão, Ugo Giorgetti lembrou de quase tudo isso, mas também lembrou que desde sua infância – nos tempos de Pelé garoto - já ouve as mesmas lamúrias que continuamos a repetir hoje em dia – tempos de Romário idoso.
Eu mesmo venho usando este espaço para bradar, como um profeta louco e barbudo, o iminente fim do futebol, vilipendiado por vis mercantilistas, usurários da paixão popular. O que eu e muitos esquecemos é que há uma grande parte do futebol que foge do controle de CBFs e FIFAs, e não se submete aos caprichos da TVs, sempre no afã de transformar tudo em espetáculo, em resumir o futebol em malabarismos de Robinho.
Neste final de semana, enquanto o Corinthians tinha as músicas de sua torcida organizada legendadas para apreciação nacional, e Rogério Ceni contava pela milésima vez com as benesses da arbitragem, um garoto de Limoeiro, cidade distante 77 km de Recife, mostrava por que o futebol jamais vai acabar.
Jogavam no estádio José Vareda, em Limoeiro, Centro Limoeirense e Petrolina pelo torneio da morte do Campeonato Pernambucano. Jogando em casa, o Centro perdia por 1 a 0. O goleiro quis arriscar subir até a área adversário para virar herói. Pois o cruzamento não chegou a sua cabeça. Não seria uma grande tragédia, já que a bola acabou sobrando para o zagueiro do Centro, que poderia colocá-la para a lateral, dar um bicão para frente ou mesmo sacar uma peixeira e esvaziá-la ali mesmo. Qualquer coisa, menos o que ele de fato fez: sem atentar que o goleiro ainda cumpria o caminho de volta até sua meta, estando ainda no meio campo, resolveu recuar a bola para absolutamente ninguém, ou melhor, para o atacante do Petrolina, que fez o segundo e definitivo gol da partida.
No final do jogo – louvo a Globo por ter registrado o momento – um garoto passa pelo goleiro, abre os braços e bronqueia com a fúria juvenil de um jovem torcedor fustigado pela derrota de seu time, a fúria que só uma criança é capaz de ter em seu modo autêntico e invulgar. O tipo de sentimento que se esvai depois que o mundo faz conosco seu trabalho sujo e começa a matar nossa alma aos poucos, a golpes de mediocridade e futebol espanhol na TV.
Um dia este garoto andará por aí com uma camisa do Barcelona, torcerá pela Seleção jogando seu milésimo amistoso em Dubai, e vibrará por algum time da moda no Brasil. Mas sempre haverá o domingo em que ele foi apenas um garoto chateado com a derrota do Centro Limoeirense, quando o futebol ainda era jogado por onze jogadores, com um trave de cada lado. Por que, no fundo, tirando chuteiras atômicas, times-empresa, times da moda e russos milionários, o futebol sempre será isso: uma bola, duas traves e alguns moleques sem nada o que fazer depois da escola.
Fev 25
De olho nos lanternas
por Equipe De Primeira00h56
por Leonardo Bonassoli
Pouca gente lembra deles antes da hora em que caem (embora muitos reajam antes do cataclisma). Aproveitando isso, vou falar brevemente de alguns lanternas dos Campeonatos Estaduais.
Alagoas - Penedense
É engraçado. O Campeonato Alagoano é tão equilibrado que o Penedense, time de pior campanha do certame, ficou distante apenas 3 pontos da zona de classificação de seu grupo. Sete pontos em 8 jogos. O estadual tem um regulamento igual ao do Rio, mas com 5 times em cada grupo. O negócio é tão equilibrado que é matematicamente possível um time ganhar o turno agora, não fazer nada no segundo, ter pontuação para cair e ganhar a final do certame. Seria no mínimo engraçado. Isso significa que ainda dá para o Penedense se recuperar, pois não há um abismo técnico grande entre os ponteiros e os lanternas.
São Paulo - Rio Preto e Rio Claro
Para alguns, um bom nome para uma dupla sertaneja. Ambas as equipes têm 8 pontos e apresentam uma no rendimento nas últimas rodadas. Ambas as equipes têm problemas de rendimento ofensivo e a defesa está na média dos times da parte debaixo da tabela. Curiosamente, apenas três pontos separam os dois rios da saída da zona de rebaixamento, prova que o campeonato está bem nivelado ali embaixo e qualquer descuido de quem circunda a área é risco de queda.
Bahia - Poções
Cinco pontinhos em 14 jogos e quatro distante da porta de fora da zona de rebaixamento. A coisa está realmente complicada para o Poções, clube formador de Liédson. O rendimento ofensivo do time é pífio e a defesa tem números desastrosos. Em média, a equipe sofre pouco mais de dois gols a cada jogo e demora em média quase dois jogos para fazer um tento. É pouco para quem quer fugir da degola.
Rio de Janeiro - América
Triste para um time com tal tradição. Nem sombra dos bons times dos dois últimos anos. Um pontinho em sete jogos. Troca-troca de treinadores, receita certa para cair. Disparada a pior defesa do campeonato, tomando 25, o que significa que toma em média cerca de 3,5 gols por partida. O América tem que mudar muito, senão será comida de leões...
Rio Grande do Sul - 15 de Novembro
15=0. Sete jogos e nenhum ponto. Só três gols feitos. Nem sombra do time que incomodou até na Copa do Brasil nos últimos anos. Campo Bom é uma cidade com dinheiro, assim como o 15, só que o 15 investiu mal neste ano e agora pode ser tarde demais.
Distrito Federal - Unaí
O time de Minas, mas que fica no "entorno" de Brasília, fez apenas um pontinho em seis jogos. O ataque é o segundo melhor da competição, mas a defesa... ai a defesa... é de longe a mais vazada do certame. Vai precisar de alguém para fechar o furo, antes que a represa arrebente de vez.
Minas Gerais - Uberaba
Dois pontos em 5 jogos, pior ataque e pior defesa. Seria pior se só dois pontinhos não separassem o time do Triângulo da Porta da Zona. Está tudo indefinido, até porque o Mineiro começou mais tarde que os outros campeonatos.
Paraná - Portuguesa
A Lusa Londrinense de Cambé já trocou de técnico, dispensou e depois recontratou jogador e nessa brincadeira tem cinco pontos em 12 jogos, o segundo pior ataque e a segunda pior defesa. Por cima, ficou longe quatro pontos da fuga, faltando três rodadas para o fim... Água no pescoço e vem a dúvida se o time conseguirá um milagre.
Santa Catarina - Cidade Azul
Fechou o primeiro turno com seis pontos, mas nenhuma vitória. Vive problemas financeiros crônicos. O ataque é produtivo fazendo 22 gols em 11 jogos, mais que todos os outros times do quinto lugar para baixo, mas a defesa tomou 31 gols e é a pior do certame, comparável com o décimo colocado Juventus. A sorte do time de Tubarão é que não ficou longe do pelotão e pode até se recuperar no segundo turno, desde que tampe os furos de sua peneira, digo, defesa.
Espírito Santo - Pinheiros
Quatro pontos em nove jogos e quatro de distância do primeiro time logo acima na classificação. O pior ataque do campeonato (junto com Serra e Colatinense que estão nomeio da tabela) e a segunda pior defesa. Engraçado que sofreu apenas dois gols a mais que a Colatinense (6º). Coisas do futebol, pois vale mais pontos que gols.
Goiás - Canedense
Outro da máxima "ataque que não funciona, defesa que tudo passa". Cinco pontos em 9 jogos, pior ataque disparado e segunda pior defesa do certame.
Pernambuco - Sete de Setembro
No equilíbrio de Pernambuco, pode reagir facilmente com seus 6 pontos em 11 jogos, o ataque é o pior, mas empatado com o Porto e a defesa foi menos vazada que o terceiro colocado Serrano (no que pese a goleada que andou tomando).
Ceará - Uniclinic
Perdeu todas. O segredo é a pior defesa disparada da competição, já que o ataque não fica tão longe dos demais. São dez derrotas em dez jogos. Um novo Íbis, agora no vizinho Ceará? Quem sabe...
Mato Grosso - Palmeiras
No mastodôntico (inchado é pouco) campeonato de Mato Grosso, o Palmeiras é o único zerado. Cinco jogos e nada, só a pior defesa, que sofreu 16 gols. E é a defesa o ponto fraco do time, cujo ataque fez 8 gols, estando na média do grupo (só o Jaciara destoa com 17 gols feitos).
Jan 16
A bizarra fórmula do campeonato pernambucano de 2008
por Equipe De Primeira12h50
Por Maurício Targino
Eu li, não acreditei e até pensei em não dar atenção. Mas foi impossível ficar indiferente ao título do post. Não vou tentar explicá-la, nem me dar ao trabalho de escrever sobre, vou em grande parte "controlcêcontrolvêzar" o Blog do Torcedor, do jornalista Marcelo Cavalcante. Com alguns cortes e remendos, claro.
Primeira fase
A competição começará com três quadrangulares, com jogos em turno e returno, encabeçados por Náutico, Santa Cruz e Sport. Por meio de sorteio houve a distribuição dos outros componentes dos grupos, que obedeceu a critérios geográficos, pois Pernambuco se divide em quatro regiões. Saindo da praia em direção ao interior do estado: Litoral (onde estão os chamados grandes clubes), Zona da Mata (o Vera Cruz, de Vitória de Santo Antão, o Centro Limoeirense, de Limoeiro e o Sete de Setembro, de Garanhuns*), Agreste (o Central e o Porto, de Caruaru e o Ypiranga, de Santa Cruz do Capibaribe) e Sertão (o Serrano, de Serra Talhada, o Petrolina e o Salgueiro, das cidades de mesmo nome). Os grupos do campeonato têm um representante de cada região.
Grupo A – Náutico, Serrano, Porto e Centro Limoeirense
Grupo B – Santa Cruz, Petrolina, Ypiranga e Vera Cruz
Grupo C – Sport, Salgueiro, Central e Sete de Setembro
*Obs: Garanhuns fica no Agreste, mas a Federação Pernambucana de Futebol "realocou" Garanhuns para a Zona da Mata.
Segunda fase
Outros três quadrangulares serão formados, também com partidas em turno e returno, de acordo com a classificação geral das equipes na primeira fase. Porém, Náutico, Sport e Santa Cruz voltam a ser cabeças de chave, seguindo o cruzamento abaixo:
Grupo D – Náutico, 6º lugar, 9º lugar e 12º lugar
Grupo E – Santa Cruz, 5º lugar, 8º lugar e 11º lugar
Grupo F – Sport, 4º lugar, 7º lugar e 10º lugar
O maior pontuador na soma dos dois quadrangulares será decretado o campeão do 1º turno. Em caso de empate, o vencedor será conhecido de acordo com os critérios de desempate da competição. O campeão e os outros cinco maiores pontuadores serão classificados para o hexagonal (2º turno). Os seis piores vão compor o “hexagonal da morte”, que indicará os dois rebaixados para a segunda divisão de 2009.
Perguntas: Por que o Sport tem que enfrentar os times de melhor desempenho? Afinal de contas, o quarto colocado terá obtido mais pontos que o quinto, que por sua vez terá feito mais que o sexto, e assim por diante, do sétimo ao nono e do décimo ao décimo segundo. E como fica caso algum dos cabeças de chave não ficar em primeiro no seu grupo?
Hexagonal (2º turno)
As seis equipes de melhor rendimento da competição vão jogar entre si também em jogos de ida e volta. Se ao final um mesmo time conquistar os dois turnos, será decretado automaticamente o campeão. Se outra agremiação conquistar a fase, haverá uma final, em jogos de ida e volta. Em relação às outras seis equipes – as do "hexagonal da morte" – caem para a segunda divisão as duas piores. Somente para este grupo, os pontos do 1º turno serão somados, computando-se, portanto, a classificação final.
Conclusão preliminar: serão no mínimo 12 rodadas sem clássicos, todo o primeiro turno. Sem contar que a julgar pelo desempenho do ano passado, o Santa Cruz estaria disputando o hexagonal da morte no segundo turno e o Náutico passaria bem perto...
A justificativa do presidente da Federação Pernambucana de Futebol foi que os campeonatos de 2005 e 2007 não tiveram "graça", pois respectivamente Santa e Sport conquistaram os dois turnos com facilidade.
Quem entender que explique.