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De Primeira: Futebol, Futebol e Futebol

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Foto ilustrativa

Out 23

Great Cornolhos do futebol paranaense

por Felipe Lessa16h16

Marcelo Caldarelli e Aurélio Almeida sonham em se tornar celebridades. São daqueles caras que a todo o momento fazem algo para aparecer, mesmo que seja uma breve tacada pitoresca. No momento do retorno destas duas personalidades, a vida social de Londrina e Grêmio de Maringá voltou a ser bombástica. Deixa rastro em tudo. Quem sabe, também não dá a sentença: Clássico do Café apenas nos bastidores. Esperando ver quem protagoniza a cena mais cômica do futebol paranaense.

O desenhista Mike Judge, se tiver o interesse de entrar no ramo da pelota, talvez poderia retratar um pouco de histórias parecidas com as dos personagens de Galo e Tubarão em novos episódios de Beavis & Butt-Head.

Afinal, as bizarrices cometidas pela dupla remetem o espectador a desconstruir toda imagem do futebol, para depois reconstruí-la. Basta pensar profundamente sobre cada estupidez cometida por pessoas anônimas desesperadas pela vontade de se tornar públicas. Isso aguça o instinto do povo – até quando este resolve copiar um personagem esquisito e colocá-lo em prática no mundo real.

Nem mesmo a mudança no perfil dos dois seria necessária. Bastava que o roteirista do possível desenho mantivesse os jovens bizarros e pervertidos.

Sedentos por descarregar todo fracasso amoroso acumulado em Highland, Beavis & Butt-Head tentariam se aventurar no interiorzão do Paraná. O objetivo seria “se dar bem” no futebol e finalmente faturar uma garota.

Butt-Head pensaria em algo grande. Alguém poderia dizer que ele tinha dom para ser o salvador do futebol paranaense, que havia uma dupla com 6 títulos estaduais, 1 Taça de Prata, 1 Taça Roberto Gomes Pedrosa e uma 4ª colocação na primeira divisão do nacional prestes a realizar fusão, e ele prontamente acreditaria ser a pessoa certa para comandar o time.

Na saída do Burger World, filial norte-pr, o garoto passaria o migué em Beavis,um pseudo-recente-comunista-velho-camarada-de-falcatruagem que numa outra encarnação havia defendido a Seleção Brasileira. “Estamos sem grana no bolso, mas podemos cobrar R$220 de gordinhos e excluídos. Juntamos a grana e faturamos as garotas. Come to Butt-Head, baby. Hoho ohohoho ohohoh”. E assim estava montado um time com tempero de frango e sardinha para a disputa de qualquer campeonato que aparecesse.

Nos vídeos que intercalam cada episódio, histórias do futebol nortista sendo retratadas. Desta vez, Judge colocaria vídeos notáveis do Canal 100 ao invés de clipes, mantendo apenas o saudoso Rock´n´Roll ao fundo. Mudar de canal, ou não, seria a resposta positiva ou negativa para alguma reportagem.

- “ Hehe hehe hehe. Esse time tem sardinhas. A mascote desse time é a fêmea do Tutubarão. Poderia me dar mole”, diria Beavis, estrepado na aconchegante sala de casa. Prontamente ele seria retrucado por Butt-Head.

- “Shut up, Beavis. Sardinha é sua mãe, que nem conhece o VGD e faz parte da chapa presidencial. Hoh ohohoh oh ohoh ohoh”

No audacioso projeto de Beavis & Butt-Head, algumas fêmeas são convidadas a trabalhar em seu time. Seriam gandulas dos jogos, nas tardes dominicais. Excitariam os garotos com os elogios recebidos das arquibancadas.

Na angústia para que tudo dê certo (saia na imprensa), bastaria também contratar um ator global, incendiar o interior com promessas envolvendo celebridades, grandes equipes e dar tiros para o alto. Pronto! Era a chance de juntar influência na cidade sardinha de galinha e faturar. Tom Anderson, Stewart Stevenson e até mesmo o treinador Buzzcut seriam parceiros – acreditando nas pretensões dos garotos em salvar o futebol local.

Com a grana em mãos, os jovens convidam as modelos gandula para um jantar regado a nachos e cervejas trocadas em permuta com contribuintes do clube: o Londringá. No entanto, ao perceber que as geladas não tinham álcool, Beavis degusta uma enorme quantidade de café e açúcar no refeitório do Burger World – local onde ainda trabalha, apesar das moedas do clube sempre serem esquecidas no bolso. Surge o diabo loiro. Ele fica enlouquecido, delirante. Tapa sua cabeça com a camisa e começa a gritar de forma demente, sem se calar: “Great cornolhio! Great cornolhio! Great cornolhio!”

Receosos, os donos da lancheria convocam a polícia. Essa bebida não estava presente no contrato de permuta, por isso Beavis & Butt-Head tomam uma dura e vão em cana. As garotas deixam o recinto e seguem para casa. O dinheiro dos contribuintes é utilizado no pagamento da fiança.

Com sorte, a dupla pensaria em nova chance de reerguer o futebol do norte para faturar alguém. Talvez utilizando cabeças de gado de desconhecidos ou emprestando carros de concessionárias para suposta premiação de bingos picaretas. Com azar, uma dupla de toupeiras poderia levar o caso a sério, imitar os jovens e os dois times fechariam as portas. Mas se Mike Judge gostar da idéia, com sorte ou azar, o Clássico do Café dos dias atuais pelo menos ainda teria suas histórias bizarras, mas no foco do povo. “Hehehe heheh heheh”. “Ho hoh ho h oh oh”.

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Ago 26

Todo romance dos hooligans

por Felipe Lessa02h17

Em 2005, Hollywood mostrou romanticamente ao mundo que um jogo entre West Ham x Millwall cheira sangue, álcool e violência. Como desde o ano de lançamento do filme Green Street Hooligans as duas equipes ainda não haviam se encontrado, o confronto desta terça-feira, válido pela Copa da Liga Inglesa, serviu para matar a saudade. Nas quatro linhas, foi 3 x 1 para os Hammers. Fora delas, o placar só pode ser computado por quem esteve presente.

Houve invasão de campo, que começou semelhante a uma glorificada cena do filme e terminou em multidão se divertindo nos gramados, diversos feridos e um hammer esfaqueado. Era o velho e cruel hooliganismo voltando a deixar sua marca na região do Upton Park Stadium. Desta vez sem Frodo, do Senhor dos Anéis, os súditos da rainha puderam rever e praticar um pouco da anarquia que parecia estar adormecida na Inglaterra desde a morte dos Sex Pistols, ou até Cass Pennant deixar de lado sua firma de torcedores do West Ham.

Relatos de torcedores indicam que até mesmo os policiais ficaram chocados com as cenas de selvageria e preferiram não se envolver nos tumultos.

Todos haviam esquecido que o ódio entre os Millwall Bushwackers e a Inter City Firm do West Ham é tão sincero quanto o que norteia guerras religiosas no oriente médio. Apesar dessas firmas – espécie de organizada brasileira para ingleses – não representarem o sentimento de todos os torcedores, é nelas onde está mais bem enraizada a lembrança de um conflito que começou antes mesmo da pelota rolar entre as duas equipes, nos tempos em que a rivalidade era entre docas e estivadores da zona leste londrina.

Os clubes surgiram compostos por funcionários de dois estaleiros localizados às margens do Rio Tamisa. Diferenças entre horários de trabalho e falta de unidade de pensamentos entre funcionários também foram ajudaram a criar um clima de rivalidade. Funcionários da Thames Ironworks and Shipbuilding foram responsáveis pela fundação do West Ham, enquanto os da Morton´s Jam se encarregaram de formar o Millwall.

Apesar do pequeno número de confrontos entre os clubes, essas lembranças de intolerância recíproca e dominação de território foram reaquecidas com o filme. Bastava sortearem o confronto e pronto, iria acontecer.

As novas firmas de casuals nunca deixarão de ser o que são. A glorificação de como barbarizavam os velhos hooligans nos anos 70 e 80 trouxe gente nova no pedaço, sedenta por diversão e por aparecer na telinha de cinema.

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Mai 29

Anarquizando a pelota

por Felipe Lessa19h47

Quando os atletas do clube inglês Easton Cowboys and Cowgirls não vestiram seus fardamentos para disputa da partida amistosa contra o Autônomos Futebol Clube, e os times se misturaram, parecia que uma simples pelada de final de semana estava por ocorrer. Algo visualmente desorganizado, sem estruturas, pretensões e com boleiros de habilidades duvidosas. Futebol extremamente amador em Santo André, no ABC Paulista.

A passagem de carros e pedestres, interrompendo peleja disputada na cancha de asfalto, ganhava novas dimensões quando seu contexto era analisado. A Rua Alcides Queirós foi parte integrante de um evento idealizado com o intuito de discutir futebol, política e princípios como a Autogestão, como meio de quebrar os preconceitos da sociedade.

“O futebol de rua é um dos jogos mais anárquicos do mundo. Não por ser desorganizado, mas por ser um jogo de livre acesso para qualquer pessoa, seja homem, mulher, homossexual, criança ou jovem. Todos têm o direito de jogar, sem necessitar de muitos recursos. Basta qualquer coisa redonda e um espaço qualquer”, explica João Borghi, um dos idealizadores do evento.

Os visitantes ingleses foram a grande atração do Anarchy in the UK and ABC, onde puderam, além de jogar bola, compartilhar com os camaradas brasileiros um pouco mais dos princípios norteadores do Easton Cowboys and Cowgirls.

Trata-se de um clube desportivo e social diferenciado, fundado por alguns punks em 1992 e que hoje conta com centenas de adeptos. Apesar de possibilitar a prática de modalidades que vão do futebol ao críquete e basquete, o maior vínculo do Easton é ideológico: não existe a presença de um craque em qualquer um dos times. A vida social de cada integrante e os debates sobre questões e pensamentos libertários são mais importantes que vitórias em qualquer competição.

Um dos orgulhos exaltados pela equipe de Bristol é seu patrocinador: o Plough bar, localizado nas redondezas do território dos cowboys e cowgirls, que o consideram como um segundo lar – mesmo nos minutos de concentração que antecedem as partidas em casa.

Fora de casa
A caravana dos Easton Cowboys e Cowgirls em terras brasileiras foi agitada. Chegaram no dia 16 de maio, participaram de torneio de futsal em verdurada, torceram pelo Santo André no Bruno Daniel, estiveram em debates com presença desde professor da USP até líder da Gaviões da Fiel, questionaram o “futebol negócio”, relacionaram política e futebol, gênero e preconceito, entre outros.

Antes de ir embora das terras tupiniquins, no dia 27, houve uma série de partidas de futebol masculino e feminino contra times como Hermanos de Pelé, Rio Punxxxx e os próprios Autônomos, além de outros times mistos. Por aqui, além do futebol de rua, jogaram em locais como canchas de salão e futebol de areia.

Além da turnê pelo Brasil, excursões inusitadas para o futebol convencional fazem parte do auge do Easton. Foram até Chiapas, no sul do México. Por lá, além de jogarem uma série de torneios contra equipes de futebol zapatistas, auxiliam as comunidades locais com recursos financeiros e voluntários para aplicação de projetos desportivos. Foram eles também a primeira equipe de futebol inglesa a disputar uma partida no território palestino. Outro feito fora de seus domínios é a participação anual da Copa do Mundo AntiRacista, que ocorre na Itália. Literalmente, anarquizaram a pelota.

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Abr 21

Em defesa de Diego Souza

por Jones Rossi06h24

Que tipo de punição merece Diego Souza, meio campo do Palmeiras que surtou no último sábado, já no final do jogo contra o Santos? Depois de uma discussão com o zagueiro santista Domingos, Diego empurrou de leve o adversário, que se jogou no chão como se tivesse sido atingido de verdade. Revoltado com a simulação, o palmeirense foi tomar satisfações e precisou ser detido pelos companheiros. Quando tudo já parecia resolvido, Diego Souza retornou ao campo e deu uma rasteira em Domingos. Você pode ver tudo aqui: http://www.youtube.com/watch?v=FSYsUCjIsoA

No vídeo, uma gravação da Sportv, com narração de Milton Leite e comentários de Mauricio Noriega, no momento da confusão, os dois já pedem uma "punição exemplar" ao meia palmeirense. No calor do momento, nada mais natural. Mas agora é preciso analisar o que aconteceu de fato.

Para começar, Diego Souza não foi violento. Pode ter sido burro, pode ter ficado nervoso além da conta, pode ter exagerado na reação às provocações de Domingos, mas não foi violento. Ficou claro que o empurrão não machucou o zagueiro santista. (E aqui cabe também a defesa de Domingos. Ele fez o certo. Diante do destempero do adversário, fingiu ter sido agredido para ganhar vantagem. Se o juiz caiu nessa, problema do juiz. Como também poderia o árbitro poderia ter visto e punido apenas ele. Calculou os riscos, e foi em frente. Deu certo desta vez. Da próxima, com uma arbitragem atenta, talvez não dê.)

Mas se ficou claro que o empurrão não machucoou Domingos, a rasteira também não passou de um lance circense, ao melhor estilo Trapalhões (veja o vídeo abaixo). Plasticamente deu a impressão de ser algo muito brutal, o que não foi, absolutamente. No primeiro jogo da semifinal do campeonato paulista entre São Paulo e Corinthians, por exemplo, Ronaldo deu uma entrada violentíssima em André Dias http://www.youtube.com/watch?v=9U74Oa8t-6U. Recebeu apenas um cartão amarelo.

Então, se o empurrão e a rasteira que Diego Souza deu em Domingos não passaram de lances que poderiam ter sido protagonizados por Mussum e Zacarias, o que sobra? Há quem diga que Diego criou um clima de beligerância no estádio, inflamando a torcida, que poderia ficar sem controle, estimulada pelas cenas de agressão. Argumento inválido. Cada um é responsável por seus atos. O que Diego fez não é desculpa para ninguém sair por aí batendo na torcida rival. E todos sabemos que as torcidas organizadas nunca precisaram de justificativa para brigar por aí.

Diego, no entanto, deve ser punido. Pela agressão e pela expulsão. Dois, três jogos no máximo. Nada de punição "exemplar". Se for assim, é preciso tirar Ronaldo das finais do Paulista. O que ele fez em André Dias foi bem pior.

Mussum coloca Diego Souza no bolso

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Fev 10

Fragmentos desconexos que se encontram no final

por Ana Carolina Moreno20h02

Ando com bloqueio e os posts se acumulam no mínimo duas vezes por semana. Mas vi um vídeo agora que nao sai da minha cabeça.

Nesse sábado estava em Lisboa (nao é nada chique passar 14 horas dentro de um ônibus onde é proibido comer e o assento reclina dos 90 até uns 85 graus do chao) jantando com um torcedor do Sporting (nao é o que vocês estao pensando) que nao curte futebol porque nao vê graça em 22 homens correndo atrás de uma bola. Comi arroz e feijao pela primeira vez em três meses e desde entao me afundei em uma depressao saudosista com direito a inveja do povo alagado na Avenida Pompéia. Ele admitia pra mim que o Sporting é o time dos mauricinhos, enquanto eu desenhava na toalha (de papel) da mesa o esquema 3-5-2 do Muricy, e como ele estava experimentando um 4-4-2 esse ano, e o português dizia "por que diabos eu estou falando sobre futebol?" E depois fui mostrar pra ele o esquema tático do Deportivo La Coruña e ele perguntou "quem era o português que jogou lá?". Como eu nao sabia, enviei um SMS para o meu amigo espanhol dizendo "Pregunta urgente: cual fue el portugués que jugó en el Dépor?" (aí acabou meu crédito e hoje tive que correr atrás de orelhao e orelhao aqui também nao funciona).

No dia seguinte, na parada do ônibus noturno sem banheiro sem travesseirinho sem cobertorzinho (preciso dizer que leito nem deve ter traduçao pro espanhol?), o motorista Miguel viu seu Porto empatar com o Benfica em um a um, e eu torcendo pra dar empate mesmo, porque peguei raiva de time grande e quero que os clássicos se explodam (mas domingo o Tricolor vai ganhar e 10% do Morumbi é justo).

Ontem nem vi o que passou porque viajar 12 horas durante a noite num veículo onde se faz um calor infernal em pleno inverno ibérico (ok, nao é a Finlândia, mas faz frio) é sinônimo de nao dormir. Só me lembro que o catalao sentado ao meu lado estuda História da Arte em Santiago de Compostela e odeia o Barcelona e repetiu três vezes que nao sabia qual era a graça de 22 caras correem atrás de uma bola (Ferran, dejaste tu libro en el autobús, yo lo tengo conmigo, si lo quieres avísame, vale?)

E hoje nao consigo ver o jogo contra a Itália (já acabou?) porque o jornal nao tem banda suficiente pro justin.tv. Mas a Globo me deixou ver o gol do Robinho e eu consegui dar replay umas 10 vezes até que recebi o seguinte aviso: "Os direitos de exibição deste conteúdo restringem sua visualização ao território brasileiro". Sorte que os italianos já colocaram o vídeo no YouTube e eu reproduzo aqui porque era esse o tema do meu post.

É óbvia a graça de ver o Robinho correndo atrás da bola perdida pelo Gaúcho, recuperando a maledetta e fazendo três italianos correndo atrás dela feito baratas tontas. Ou é só comigo?

PS1: Andrade e Pauleta sao dois portugueses que se destacaram no Dépor (Pauleta dá um pouco de raiva nos torcedores porque nao jogou bem lá, mas é um craque). Atualmente, Zé Castro veste a camisa 5.

PS2: Meu amigo do SMS diz que o Robinho é um craque sim, mas que só arrisca jogadas como essa quando o time dele está ganhando, e que isso o deixa "hasta los huevos" (um "me deixa por aqui" que nao requer o sinal da mao atravessando a testa). O Djalminha, por sua vez, arriscava o pescoço mesmo num 0 a 0 e é por isso que 95% dos torcedores do Dépor, quando me conhecem, mencionam o nome dele antes da dupla Bebeto-Mauro Silva (esses dois últimos ganham a preferência de quem gosta dos jogadores comportados). Quem concorda levanta a mao.

PS3: Este é o primeiro post fisicamente interativo da história da Internet! Pegue uma caneta marca-texto e desenhe na sua tela todos os "tils" que estao faltando. Tire uma foto da sua tela e a envie para deprimeira(arroba)gmail.com. O primeiro que enviar a imagem com 100% de acertos ganhará um jantar com Felipe Lessa. Um, dois, três... Valendo!

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Nov 02

Primeiro os pretos, depois os pobres, agora os gays

por Felipe Lessa19h50

João Emanuel Carneiro está entrando para a história do futebol brasileiro de forma inusitada. Apesar de uma carreira repleta de títulos, Emanuel ainda não havia marcado gols e também não escreveu especificamente sobre o esporte. No entanto, com a cena apresentada 30 de outubro em A Favorita, Rede Globo, o nobre autor foi protagonista de mais um duro golpe para a quebra de paradigmas no futebol brasileiro.

Aproveitando da credibilidade e alcance de uma novela da Globo, o autor de renomados filmes como Central do Brasil (1998) e Castelo ra-tim-bum (1999), mais novelas como Cobras & Lagartos (2006) e Da cor do pecado (2004), apresentou uma cena que chocou e irritou muitos torcedores.

Apresentou Armandinho (Iran Malfitano), um personagem homossexual, saltitante e revoltado com o presente que Halley (Cauã Reymond) comprou para o seu futuro filho: uma camisa do Corinthians. Acontece que personagem gay que recentemente oficializou um casamento de fachada com a corinthiana Maria do Céu (Débora Seco) e oficiosamente seria o pai da criança ficou desgostoso com a idéia de manipularem a opção clubística da criança, afinal ele é são-paulino.

Pela cena, o autor foi de certa forma massacrado. Muitos torcedores do tricolor paulistano estão indignados. Os adeptos de outras equipes caíram em gargalhadas. Alguns jornalistas chamaram injustamente João Emanuel de preconceituoso por reforçar o estereotipo gay do torcedor do São Paulo. No entanto, a opção do autor foi a mais correta possível. De forma alguma pareceu preconceituosa.

Emanuel aproveitou e poderá aproveitar ainda mais o estereótipo do “bambi” tricolor para conscientizar parte da população brasileira que ainda não aceita o cidadão gay tanto no futebol como na sociedade. É o princípio da mudança no tricolor, já que os torcedores organizados do mesmo São Paulo Futebol Clube se sentem envergonhados com a condição de ter entre seus 11 combatentes um suposto homossexual, Richarlyson.

Apesar das dificuldades o personagem gay, tanto em novelas como na vida real, está conseguindo quebrar os estereótipos e preconceitos. Muitos homossexuais não brincam de bonecas, passam batom ou usam roupas femininas. Apesar de um maior apego ao fino trato, boa culinária, viagens exóticas, logicamente existem aqueles que gostam de futebol, do esporte, e não das pernas masculinas.

Nem mesmo as torcidas organizadas brasileiras fogem da regra. Em passado não muito distante, entre os anos 70 e 80, torcidas de times tradicionais se formaram pelo público gay. Apesar de ser contra a segmentação da sociedade, criar uma organizada segmentada foi uma necessidade para Flagay (Flamengo), Gayrani (Guarani) e Coligay (Grêmio). Dentro de uma facção “comum” estes torcedores teriam que se esconder. Nas suas novas “firmas” não.

Talvez pelo reflexo de ontem, dos tempos da segmentação, hoje já existe uma pequena aceitação aos gays em torcidas organizadas. A maioria das torcidas recriminam, mas a Esquadrão Vilanovense, do Vila Nova de Goiás, é um exemplo diferenciado. Seu presidente Mario Abrão Júnior é homossexual e está conseguindo impor o espaço da luta contra o preconceito dentro da entidade ao qual ele representa.

Estes com certeza têm uma visão diferenciada daquela que afirma que o autor da novela é preconceituoso quando apresenta um personagem homossexual e são-paulino. Afinal, o pessoal do Vila convive com presidente e alguns componentes gays em arquibancadas, viagens, cervejadas e bate papos sobre futebol.

Trata-se de gente que não é são-paulina, gosta de futebol e já se acostumou com a diversidade na sua vida social. E com a novela e esse o papel do autor. É trazer o debate, o conflito, a busca da aceitação...a quebra das mesmas barreiras que já tentaram barrar pobres e negros do futebol brasileiro.

A quebra das barreiras sempre foi conquistada por aqui pois o futebol brasileiro é peculiar, é único. Fugimos da regra. Nosso histórico não é de branquelos, engomados e machões atrás de uma pelota. Por aqui, demos exemplo fora de campo. Dentro dele também. Temos Kaká, o menino branco bom de bola do Morumbi. Tivemos Arthur Friendenreich, o filho de um israelita alemão com a mulata brasileira que marcou 1329 gols, entre eles o que deu o título do sul-americano de 1919 ao Brasil. Tivemos Pelé, o negro da técnica e física impecável, o rei dos reis do futebol. Temos referências das classes ricas. Das classes pobres. E por fim, quem sabe um dia não surge um asiático, indígena, um boliviano....um homossexual de renome em nosso futebol.

O Brasil está na linha de frente de todas as diferenças sociais. No entanto, mesmo com todas as diferenças brasileiras, é um país que sempre ajusta tudo ao seu jeito brasileiro. Ajusta tudo para que as coisas sejam mais dignas e iguais para todos. E os perturbados que se acomodem. Se o recado enviado no dia 30 de outubro for mantido, mais uma barreira será derrubada no Brasil....Por aqui o esporte além de perder a característica burguesa, ganhou cor e novos adeptos. João Emanuel Carneiro tem sua parcela de responsabilidade no processo. Cabe agora ao Estado punir os infratores.

Lembre-se:
Torcedores e jogadores homossexuais existem ou podem existir em todos os times. Além do São Paulo, Flamengo, Grêmio e Guarani, o próximo clube a ser notícia na ala gay pode ser o seu. Pode ser o Corinthians, o Palmeiras, o Vasco, o Fluminense, o Atlético Mineiro. Qualquer um pode ser o time dos gays.

Saiba Mais:

Coligay - Organizada do Grêmio

PM identifica movimento neonazista em torcida do Grêmio - Clique aqui

Flamengo tem a maior torcida gay do Brasil - Clique aqui

Torcedores do Flamengo são acusados de homofobia e racismo - Clique aqui

Torcedores do Coritiba na Parada Gay - clique aqui

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Out 08

A resposta de Biro Biro a Ronaldinho

por Jones Rossi22h24

Obra do mestre Leandro Pinheiro, vulgo Batata, membro ausente do De Primeira desde tempos imemoriais.

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Jun 23

Além do futebol

por Jones Rossi00h21

O Fortaleza não anda lá muito bem, mas não poderia estar melhor representado nas telas. O documentário em curta-metragem "Loucos de futebol", do diretor cearense Halder Gomes, registra 23 minutos da torcida do Fortaleza, time do coração de Gomes.

Até aí, nada de diferente ao que muita gente já fez, mas, assim como um craque bate diferente na bola, o talento de Halder Gomes se sobressai dando uma visão única do ato de torcer, sob a ótica do povo cearense, também talentoso por natureza.

A câmera de Halder começa com planos gerais e aéreos do Castelão, apresentando a grandeza do estádio ao espectador. Aos poucos, porém, Halder passa a focalizar o torcedor (in)comum, artigo fácil entre o povão do Fortaleza. Cada depoimento é uma pérola, graças aos personagens bem escolhidos por Halder, que aparece em vários momentos na arquibancada, sofrendo pelo time.

O filme mostra alguns planos impressionantes do Castelão tomado de gente. Parece o Maracanã. Parece o Canal 100 mostrando a torcida, mas com mais sensibilidade. Há um momento, coisa de cineasta habilidoso, em que Halder baixa o som ambiente e filma o rosto dos torcedores durante o jogo apenas com uma trilha incidental ao fundo. As expressões de alegria e sofrimento entram e saem de foco na hora certa, mostrando o drama pessoal de cada torcedor naquele momento. Nunca vi a essência do futebol - o microcosmo de que se compõe cada partida - tão bem retratado. É mais ou menos o que Philip Parreno e Douglas Gordon fizeram com Zidane no filme "Zidane, um retrato do século XXI". Só que Halder guardou tal distinção para o torcedor.

É bom falar aqui um pouco sobre Halder Gomes. Professor de artes marciais, com R$ 150 mil reais, sem ajuda do governo, rodou o filme "Sunland Heat", filmado parte em Los Angeles e parte no Ceará contando com a ajuda de atores que conheceu quando foi dublê em Hollywood. Vendeu o filme para vários países e ano passado foi convidado, com um orçamento de US$ 1 milhão, a rodar "The Morgue", filme de terror com gente como Bill Cobbs e Heather Donahue, atriz principal de "A Bruxa de Blair".

Torcedor do Fortaleza, teve um primo morto no Rio de Janeiro pela torcida organizada do Botafogo, em uma emboscada. É para ele que Halder dedica o filme.

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Jun 20

Demitir ou não demitir Dunga? Essa é questão?

por Jones Rossi20h00

Os mesmos jornalistas que louvaram quando ele entrou no comando da Seleção agora pedem sua cabeça em público. Nunca se falou tanto em "fritura" e demissão quanto agora, depois do empate contra a Argentina.

Até Galvão Bueno deixou de vender o peixe como habitualmente faz e criticou publicamente Dunga. Atualmente, não há maior sintoma de desprestígio para um técnico de Seleção do que ser defenestrado por Galvão Bueno, sempre porta-voz de interesses maiores.

Talvez por isso Dunga tenha vindo a público e dado uma das melhores entrevistas que já vi um técnico de Seleção conceder. Falou mal até da Rede Globo. Alguns trechos esclarecedores:

"Estou puto, mas estou tranqüilo. Sei que querem a minha cabeça."

"Queira ou não queira, a poderosa manda e os caras que trabalham para ela acham que mandam. Não digo que seja a TV Globo, mas alguns profissionais que trabalham lá e estavam acostumados com privilégios e não têm mais. Lá nos Estados Unidos, vieram pedir para entrevistar um jogador à uma da manhã. Disse não. Eles foram à loucura. Um câmera ficou dizendo que ia falar com A, B ou C, mas falei que não. Não tenho culpa se os caras chegaram atrasados em três dos quatro treinos que dei. Não é meu problema se o cara perdeu a hora passeando no shopping."

"O que fiz foi atender o que 95% da mídia pediu e 100% da população brasileira queria: coloquei ordem, acabei com a festa que foi na Copa do Mundo de 2006."

"Estou atendendo o que o meu patrão determinou."

"Os caras que a vida toda reclamaram dos privilégios de uma emissora, agora se juntam com ela para meter o pau."

"O Ricardo (Teixeira) recebe relatórios de tudo o que vamos fazer, quem convocamos, porque convocamos, qual o nosso objetivo. Funciona como uma empresa."

"Eu quero contar com os melhores. Não sou maluco. Não sou doente."

"Seleção é pressão. O jogador tem que dizer “tenho cinco, dez minutos para jogar e vou dentro”. Viu o Anderson? Como ele entrou contra o Paraguai?"

"Eu estou na seleção porque sempre achei que seleção não é escolha, é missão. Estou tranqüilo. Aquilo que me propus a fazer, renovação e o fim das mordomias de alguns setores da mídia, estou fazendo."

Gostei da entrevista do Dunga. Acho que ele ainda pode dar certo na Seleção. Falar em título mundial é até injusto no momento. Mas quando foi preciso, na Copa América, ele ganhou.

Agora veja o vídeo abaixo, que descolei no site do Idelber. É sobre a mídia esportiva argentina, mas cairia como uma luva na brasileira. Não deixem de ver, tem até legenda.

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Jun 11

Estado da arte

por Equipe De Primeira02h32

Por Raphael Pinheiro (agradecendo ao Léo Aquino pelo vídeo!)

A Copa de 2006 deu a dica, e de dois anos pra cá tivemos a confirmação: há um novo perfil de jogador no mercado, provavelmente o que há de mais moderno na classe. Dos jogadores mais lembrados como destaques daquele Mundial, vários eram volantes - técnicos como Pirlo, viris como Vieira, rápidos como Maxi Rodríguez e versáteis, muito versáteis, como o alemão Torsten Frings (foto acima). O jogador do Werder Bremen começou sua carreira como segundo atacante, e a cada clube que defendeu depois (Borussia Dortmund, Bayern) foi recuando, recuando, até voltar ao Bremen - que o revelou - e se tornar dog fighter de seu clube e da seleção alemã. É preciso nos desarmes, eficiente no passe, apresenta-se à frente quando necessário e arremata bem. Não bastasse isso, exerce forte liderança junto a seus colegas. E improvavelmente, este perfil virou moda, caracterizando alguns dos jogadores mais interessantes da atualidade.

É o caso do português João Moutinho. Capitão do Sporting Lisboa com apenas 21 anos, o garoto é o atual camisa 10 dos Tugas. Foi um dos melhores em campo na estréia de Portugal na Eurocopa, mostrando ter raciocínio rápido na jogada do segundo gol. Ocupando a faixa de campo que fora de Maniche, demonstra mais elegância e desenvoltura que seu antecessor quando corre por todas as partes do campo. A vizinha Espanha também produziu o seu, Cesc Fàbregas, atacante de origem, declarado volante quando alçado ao profissional do Arsenal, hoje inclassificável. Um tremendo armador que usa a camisa 4 em seu clube, e a 10 na Fúria. E aos 21 anos, também uma liderança latente por onde passa. Da França, vem Mathieu Flamini, que começa a cavar seu espaço nos Bleus. Legal, mas o Brasil está nessa? Técnica, versatilidade e aplicação a nosso favor? Acredite se quiser, sim! E veio de onde menos se esperava.

* 5 fatos que você deveria saber sobre Anderson:

1) Ele é melhor que Kléberson
2) Ele é um mágico no meio-campo
3) Ele trata bem até as prostitutas
4) Ele põe Fàbregas no chinelo

OK, o quinto fato é que essas não são opiniões exatamente minhas, e sim a letra de um divertido grito de guerra, inventado pela torcida do Manchester United em homenagem ao herói da batalha dos Aflitos. Anderson é um dos novos xodós dos Red Devils, entrando regularmente nas partidas e começando outras tantas até mesmo como titular. É uma das alternativas a sucessor de Paul Scholes, combativo na faixa central e se apresentando bem à frente. Quando o garoto surgiu, já era muito habilidoso. Bom no drible, rápido, incisivo, fazendo o Grêmio sonhar com um novo Ronaldinho. A torcida, muito macha, não quis saber de fazer musiquinha e tratou de tacar esta etiqueta em sua testa. Menos de 18 anos nas costas, o ego sobe, afasta do time, vai vender ou não vai? Vai pra Portugal, onde leva um tempo pra se adaptar, dando uma certa volta por cima, apesar de se manter como um bom jogador low-profile - e claro, nenhum Ronaldinho.

Foi preciso um tremendo veterano, Sir Alex Ferguson, bater o olho e transformar um rebelde meia ofensivo numa de suas mais novas criações, e que deixaria qualquer gremista orgulhoso: um meia que marca, passa, dribla e chuta com propriedade. Brasileiro tem horror a ver um atacante se transformar em volante, alguns problemas em se render a jogadores muito táticos, mas seria legal celebrarmos a inclusão do Brasil no rol dos nomes mais completos que rodam por aí - e que vão incomodar ainda por muitos anos. A versatilidade incubada de Anderson acena com boas chances para que haja outros craques modernos por aí. Tomara.

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