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De Primeira: Futebol, Futebol e Futebol

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Nov 20

LEC: O Leilão da sede campestre é o punhal nas costas do povo

por Felipe Lessa14h26

Justo quando o Londrina Esporte Clube entregou sua sede campestre ao povo, ela será leiloada. O martelo pode ser batido hoje, às 14 horas. A tristeza toma conta do ambiente, pois o clube social havia se tornado referência de respeito da liberdade individual e coletiva. Tem jovem que ainda está na sede, preocupado. A reflexão é grande, pois desde a democratização (ou abandono, para os ingênuos) não havia mais cobrança de títulos, mensalidades ou carteirinhas. Bastava não ter medo de ser feliz e desfrutar de tudo aquilo que o governador Moisés Lupion deixou de presente para a cidade.

O primeiro sinal de alento foi a transparência. Os documentos não foram jogados fora, como falaram alguns maldosos especuladores. Toda papelada estava ali, logo ao lado da piscina, livre para consultas de todos. Afinal, o LEC é o clube do povo, e o povo tem o direito de saber o que acontece no clube. Se no futebol, conselho e diretoria escondem tudo o que ocorre, o povo tomou para si a sede campestre e mostrou como se faz. Do povo não se deve guardar segredos.

Os últimos jovens a se divertir na sede campestre mostram que havia consciência social no Londrina Esporte Clube. A sede era de todos, local onde o único pecado atendia pelo nome preconceito. E assim, a garotada aproveitava brisa e vibe do momento para beijar deliciosamente suas latas de refrigerante, puxando saborosos tragos da criptonita existente dentro delas. Tardes refrescantes.

Essa garotada não precisava mais se deslocar do Jardim Bandeirantes, Leonor e região até o Vale do Rubi, Lago Igapó ou qualquer outro ponto desagradável para alegria e relaxamento. A nobre mocidade agora tinha portas abertas no LEC. Se os outros clubes sociais da cidade são excludentes, o LEC havia quebrado a regra. Bastava ter compaixão com o prazer do próximo e cair pra dentro.

As rodinhas de amigos eram bem divertidas. Todo mundo unido, compartilhando pertences, rindo muito. Ouvindo zumbidos dos dos dos dos dos dos causados pelo consumo de alguma vitamina na na na na na nos gramados dos dos dos do do LEC QUI QUI QUI QUI QUI....

Nos campos de futebol deixados de herança (abandonados) pela antiga e reacionária diretoria do clube, as latas de cola e os vidros de benzina até hoje enfeitam os gramados. A quantidade é extremamente maior que a de garrafas d´água deixadas pelos antigos juniores após os treinos. Afinal, esses jovens frequentadores do LEC baforavam tão empolgados quanto os cheiradores homenageados pelos Ramones no censurado hino “Carbona is not glue”.

No imaginário dessa juventude, talvez a expectativa de mandar uma tabelinha com o Elber. Nos anos 90, era ele quem mandava no pedaço. Virou lenda. Quem sabe algum dos malucos que hoje deitam e rolam por esses campinhos não conseguem chegar na mesma Europa onde o cara mais considerado das antigas chegou. Ao menos em suas viagens particulares, eles andavam conseguindo.

Quem por último frequentou o LEC também se revolta ao escutar que a vida do clube morreu. Basta ver as camisinhas jogadas pelo piso destruído do antigo refeitório, os sinais de que mesmo a vida sexual não apenas existe. Ela evoluiu, surrou o velho moralismo e o expulsou destes domínios.

Nos anos 70, ver meninas nadando e tomando banho de sol vestindo os clássicos maiôs era o auge da sexualidade no clube. Na modernidade de agora, é só levar acompanhante, disposição e escolher o local adequado para a prática do amor carnal. Cada ambiente fica livre para quem ali chegar, optando por um local ou outro de acordo com interesses e posições necessárias para o orgasmo. O clube social do Londrina é mente aberta, não reprime ninguém.

A liberdade é tanta que algumas capivaras decidiram passar o resto de suas vidas na piscina do clube. Morreram e os corpos foram retirados depois das almas chegarem ao plano superior. Em decisão coletiva, foi definido que mamãe e três filhotes de capivara seriam os últimos a nadar nessa que foi a primeira piscina olímpica do Paraná.

O respeito a essas capivaras é digno. Estavam protestando, pois sabiam que o espaço do povo será roubado. Vai ser entregue aos burgueses. Na tarde desta sexta-feira, 20 de novembro, devem bater o martelo. Hoje, ainda tem algum transtornado vagando pelas dependências da sede campestre. A tristeza é geral, pois foram os reacionários dirigentes do Londrina que esculacharam as dívidas do clube. Justo quando o povo assume, ele acaba, para pagar dívidas feitas por quem enriqueceu com o futebol. Com isso, é a odiada burguesia que vai respirar aqueles ares muito em breve. O sonho acabou, os dias serão mais duros a parir de amanhã.

*As fotos são reais, cortesia de Rafael Pio.
**Ninguém deu lance. A sede campestre voltará a ser leiloada apenas em 2010.

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Nov 06

Juntos, nós podemos. Peter dá adeus ao LEC

por Felipe Lessa12h11

Adeus, Peter Silva. Até breve, conselheiros. Foi adiada a eleição do Londrina. Está certo o juiz da 6ª Vara de Trabalho da cidade, Reginaldo Melhado, quando afirma que o LEC vinha sendo “um clube gerido na mais absoluta marginalidade”. Um despacho do Ministério Público (MP), assinado por Melhado, prevê que o interventor judicial Rubens Moretti e o procurador do MP, Heiler Ivens de Souza Natali, apresentem um plano emergencial de administração do Londrina. Vão ter dez dias para isso e por isso não haverá votação neste domingo.

Esse plano prevê a revisão do quadro associativo do Londrina, com anulação dos atos de renúncia a crédito de contribuições dos associados, e a realização de eleições em processo eleitoral devidamente saneado. Também é previsto um projeto de reestruturação administrativa, para implantar democracia e transparência, além de um levantamento da penhora relacionada ao LEC.

Um dos candidatos ao comando do Tubarão e ex-presidente, Marcello Caldarelli, afirmou que já esperava a medida. Esquece ele de comentar os mais de 2 mil títulos remidos doados durante sua gestão. Já o candidato Gilberto Ponce teve cautela e afirmou mudar os conselheiros de sua chapa se a justiça achar necessário.

O certo é que o MP tomou tal atitude depois que a presidência abandonou o clube... VGD, Sede Campestre e o time ficaram abandonados. Torcedores tentaram salvar o clube, a LEEL foi um exemplo, mas foram obscuramente afastados por Peter - que preferiu extinguir a base. Os jogadores “sumiram”. Uns foram parar no Iraty, outros no Juventude. O Londrina vai receber por isso? Ninguém sabe.

Tem também o caso em que foi comprovada falsificação das assinaturas da mãe do atacante Jayme (que o clube perdeu na justiça), como também a de um médico da equipe do Doutor Miguita, que colabora com o clube fazem mais de 30 anos. Questiono: Peter Silva, Cesar Fatel ou Genivaldo Dias. Foi um desses que falsificou? Qual será a sentença ao responsável?

Alias, o presidente Peter Silva também descumpriu o termo de ajuste de conduta firmado com o Ministério Público do Trabalho para o pagamento de ações trabalhistas – depósito de 15% das receitas numa conta judicial.

Graças ao Ministério Público, a farra chegou oficialmente ao conhecimento de todos. O Londrina deve para todo mundo, mas toda cartolagem que chegou no clube desde o início da década de 90 não tem motivos para reclamar do LEC. Afinal, os lucros geralmente vão parar nas “firmas”, os credores no Tuba. É por isso que o juiz classificou o ambiente do clube, ao Jornal de Londrina, como “promíscuo e de completa degeneração ética e moral”.

Bom, tem muita coisa a se falar, mas aos poucos o londrinense vai sentindo que pode novamente a adotar o Londrina para representar a cidade. Não apenas o londrinense, como também muita gente de toda região norte do Paraná, está confiante. Depois de ver capivaras mortas na piscina do clube, ver a camisa alviceleste ser motivo de chacota na própria cidade, saber que iremos perder o Estádio Vitorino Gonçalves Dias e que até mesmo as portas do LEC poderiam ser fechadas, jamais imaginei que diria um dia: Obrigado, Peter. Juntos, nós podemos.

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Out 23

Great Cornolhos do futebol paranaense

por Felipe Lessa16h16

Marcelo Caldarelli e Aurélio Almeida sonham em se tornar celebridades. São daqueles caras que a todo o momento fazem algo para aparecer, mesmo que seja uma breve tacada pitoresca. No momento do retorno destas duas personalidades, a vida social de Londrina e Grêmio de Maringá voltou a ser bombástica. Deixa rastro em tudo. Quem sabe, também não dá a sentença: Clássico do Café apenas nos bastidores. Esperando ver quem protagoniza a cena mais cômica do futebol paranaense.

O desenhista Mike Judge, se tiver o interesse de entrar no ramo da pelota, talvez poderia retratar um pouco de histórias parecidas com as dos personagens de Galo e Tubarão em novos episódios de Beavis & Butt-Head.

Afinal, as bizarrices cometidas pela dupla remetem o espectador a desconstruir toda imagem do futebol, para depois reconstruí-la. Basta pensar profundamente sobre cada estupidez cometida por pessoas anônimas desesperadas pela vontade de se tornar públicas. Isso aguça o instinto do povo – até quando este resolve copiar um personagem esquisito e colocá-lo em prática no mundo real.

Nem mesmo a mudança no perfil dos dois seria necessária. Bastava que o roteirista do possível desenho mantivesse os jovens bizarros e pervertidos.

Sedentos por descarregar todo fracasso amoroso acumulado em Highland, Beavis & Butt-Head tentariam se aventurar no interiorzão do Paraná. O objetivo seria “se dar bem” no futebol e finalmente faturar uma garota.

Butt-Head pensaria em algo grande. Alguém poderia dizer que ele tinha dom para ser o salvador do futebol paranaense, que havia uma dupla com 6 títulos estaduais, 1 Taça de Prata, 1 Taça Roberto Gomes Pedrosa e uma 4ª colocação na primeira divisão do nacional prestes a realizar fusão, e ele prontamente acreditaria ser a pessoa certa para comandar o time.

Na saída do Burger World, filial norte-pr, o garoto passaria o migué em Beavis,um pseudo-recente-comunista-velho-camarada-de-falcatruagem que numa outra encarnação havia defendido a Seleção Brasileira. “Estamos sem grana no bolso, mas podemos cobrar R$220 de gordinhos e excluídos. Juntamos a grana e faturamos as garotas. Come to Butt-Head, baby. Hoho ohohoho ohohoh”. E assim estava montado um time com tempero de frango e sardinha para a disputa de qualquer campeonato que aparecesse.

Nos vídeos que intercalam cada episódio, histórias do futebol nortista sendo retratadas. Desta vez, Judge colocaria vídeos notáveis do Canal 100 ao invés de clipes, mantendo apenas o saudoso Rock´n´Roll ao fundo. Mudar de canal, ou não, seria a resposta positiva ou negativa para alguma reportagem.

- “ Hehe hehe hehe. Esse time tem sardinhas. A mascote desse time é a fêmea do Tutubarão. Poderia me dar mole”, diria Beavis, estrepado na aconchegante sala de casa. Prontamente ele seria retrucado por Butt-Head.

- “Shut up, Beavis. Sardinha é sua mãe, que nem conhece o VGD e faz parte da chapa presidencial. Hoh ohohoh oh ohoh ohoh”

No audacioso projeto de Beavis & Butt-Head, algumas fêmeas são convidadas a trabalhar em seu time. Seriam gandulas dos jogos, nas tardes dominicais. Excitariam os garotos com os elogios recebidos das arquibancadas.

Na angústia para que tudo dê certo (saia na imprensa), bastaria também contratar um ator global, incendiar o interior com promessas envolvendo celebridades, grandes equipes e dar tiros para o alto. Pronto! Era a chance de juntar influência na cidade sardinha de galinha e faturar. Tom Anderson, Stewart Stevenson e até mesmo o treinador Buzzcut seriam parceiros – acreditando nas pretensões dos garotos em salvar o futebol local.

Com a grana em mãos, os jovens convidam as modelos gandula para um jantar regado a nachos e cervejas trocadas em permuta com contribuintes do clube: o Londringá. No entanto, ao perceber que as geladas não tinham álcool, Beavis degusta uma enorme quantidade de café e açúcar no refeitório do Burger World – local onde ainda trabalha, apesar das moedas do clube sempre serem esquecidas no bolso. Surge o diabo loiro. Ele fica enlouquecido, delirante. Tapa sua cabeça com a camisa e começa a gritar de forma demente, sem se calar: “Great cornolhio! Great cornolhio! Great cornolhio!”

Receosos, os donos da lancheria convocam a polícia. Essa bebida não estava presente no contrato de permuta, por isso Beavis & Butt-Head tomam uma dura e vão em cana. As garotas deixam o recinto e seguem para casa. O dinheiro dos contribuintes é utilizado no pagamento da fiança.

Com sorte, a dupla pensaria em nova chance de reerguer o futebol do norte para faturar alguém. Talvez utilizando cabeças de gado de desconhecidos ou emprestando carros de concessionárias para suposta premiação de bingos picaretas. Com azar, uma dupla de toupeiras poderia levar o caso a sério, imitar os jovens e os dois times fechariam as portas. Mas se Mike Judge gostar da idéia, com sorte ou azar, o Clássico do Café dos dias atuais pelo menos ainda teria suas histórias bizarras, mas no foco do povo. “Hehehe heheh heheh”. “Ho hoh ho h oh oh”.

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Out 15

Os bastidores da disputa eleitoral no Londrina

por Felipe Lessa16h47

Ao escolher quem será o próximo presidente do Londrina Esporte Clube, no dia 8 de novembro, os associados irão traçar definitivamente o futuro do Tubarão. O Alviceleste passa pela pior crise de sua história e pela primeira vez foi cogitada publicamente a intenção de fechar as portas do clube para criação de um novo time, este propriedade de empresários locais que atuam na venda de jogadores e com o compromisso único de dar lucro aos seus investidores.

Até agora as duas atuais chapas são uma incógnita para o torcedor desacreditado de tantas promessas, falta de transparência, sumiço de jogadores e pelo desastre da gestão Peter Silva. Gilberto Ponce e Marcelo Caldarelli, atuais pretendentes ao cargo máximo do Londrina, no momento apenas movimentam os bastidores para uma disputa baseada em incertezas.

Na base de Ponce o grande triunfo está no apoio do prefeito Barbosa Neto. Caldarelli, por sua vez, conta com a força de um suposto legado dos mais de 2 mil títulos remidos distribuídos na cidade durante sua gestão como presidente alviceleste. Ambos recusaram o apoio do atual presidente, Peter Silva, para as eleições.

Raio X dos candidatos:

Gilberto Ponce
É empresário e foi ligado ao grupo Royal Players, que faz o agenciamento da carreira de jogadores de futebol - era sócio de Persius Sampaio, questionado ex-diretor do Tubarão. Nas recentes visitas que fez em alguns setores representativos do Tubarão, ele alega ter deixado o ramo para dedicar-se exclusivamente ao Grupo Rodinato, uma indústria de comércios e ferragens.

Com o apoio do prefeito Barbosa Neto, Ponce é o escolhido para administrar o projeto desenvolvido por Antônio Carlos Gomes, responsável pelo processo de reestruturação do Atlético Paranaense.

A chapa Novo Londrina tem aspectos positivos como a reaproximação de diversos segmentos locais, que vão de empresas londrinenses, Rádio Paiquerê, torcida Falange Azul e até mesmo promotores de justiça envolvidos na prestação de contas sobre as dívidas trabalhistas do LEC.

Atuar na venda da Sede Campestre do Londrina também é uma das apostas do projeto da chapa. A meta é que o clube receba valores acima das dívidas estipuladas em cerca de R$ 6 milhões e assim comece uma vida nova.

Ponce também ganhou pontos ao vetar a presença de empresários de jogadores na reunião que apresentou o projeto do professor Antônio Carlos. Ainda assim, nomes como o de Sérgio Malucelli e Iran Campos foram comentados no encontro.

O principal ponto negativo é a substituição da sede do clube do Estádio Vitorino Gonçalves Dias para o Estádio do Café. A prefeitura tem intenção de vender o terreno do VGD para uma construtora local. Há também o interesse em remodelar o Café, para que o campo possa servir de treinamento para alguma das seleções que disputarem a Copa do Mundo de 2014. A nova possibilidade de terceirização do clube também é questionada pela torcida.

Marcelo Caldarelli
Presidiu o Londrina na gestão 96/97, é empresário no ramo da hotelaria e agencia jogadores de futebol. Durante os jogos da Série D do Brasileiro, protagonizou mini-comícios nas cadeiras cobertas do Estádio do Café e se auto-proclamou o nome mais indicado para assumir a frente do Tubarão.

No entanto, pode ter sua candidatura impugnada pelo Conselho Deliberativo após ter recebido o título de Persona Non Grata no LEC, devido a sua passagem como diretor da Portuguesa Londrinense. O polêmico Caldarelli caiu no desgosto dos alvicelestes ao tentar trocar o nome da Portuguesinha para Grande Londrina, ironizando o antigo clube ao qual agora tenta presidir novamente: “Será o Grande Londrina contra o pequeno”, dizia.

No legado de Caldarelli, folclores como a promessa de pagamento aos atletas com cabeças de gado que sequer estavam em seu nome, a contratação do ator global Nuno Leal Maia, as modelos gandulas e o episódio em Jandaia do Sul em que o ex-presidente disparou com seu revolver calibre 38 para cima, na tentativa de conter os ânimos da torcida rival.

Apesar de inovador, Marcelo Caldarelli é apontado junto de Peter Silva como uma das piores gestores do Londrina Esporte Clube. A dispensa de diversos funcionários alavancou as dívidas trabalhistas do LEC e a distribuição da grande quantidade de títulos remidos pela cidade tornou o clube social praticamente insustentável, sendo essa uma das justificativas da atual gestão para fechar as portas da sede campestre.

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Out 02

O novo coveiro do LEC

por Felipe Lessa17h33

Infeliz e inoportuno o momento em que o ex-gerente de futebol do Londrina Esporte Clube, Adriano Coelho, resolveu desabafar*. Se ele diz que o Tubarão não tem dinheiro, bastava cobrar do presidente a prestação de contas sobre as cifras que entram no clube. No entanto, a palavra prestação de contas jamais fez parte do vocabulário de Peter Silva, o presidente do LEC. O mesmo Adriano preferiu omitir tal questão. Tentar lacrar o caixão do clube que classificou como “defunto” é mais fácil.

Enquanto isso, cinco jogadores “do Londrina” estão em Caxias do Sul. Foram negociados com o Juventude, mas “o Londrina mesmo”, como instituição, não sentiu nem o cheiro do dinheiro de nenhuma dessas negocioações. Adriano questionou o fato publicamente? Isso para não falar dos atletas que o LEC vai perder na justiça por falta de pagamento do FGTS, ficando disponíveis a serem negociados com qualquer clube. Será proposital? O que pensa Adriano sobre isso?

E o caso do Jayme, jovem promessa ao qual o Londrina perdeu os direitos federativos por falta de pagamente do mesmo FGTS? Foi ao comprar parte destes mesmos direitos que o rapper Gabriel, o Pensador, passou a fazer negócios com Peter Silva – ou com o LEC, como diz a reportagem de outubro publicada na Revista Placar. Foi uma história mal contada, repleta de bastidores e possíveis conspirações. Adriano poderia abordar o assunto.

De alguns anos para cá, nem mesmo o conselho deliberativo consegue averiguar documentos que comprovem os gastos e receitas. Teriam poder para destituir qualquer cartola, mas nunca tomaram nenhuma atitude. Talvez por comodismo, talvez por motivos nebulosos. Esse conselho funciona? Mas Adriano não comentou nada em nome da moralização alviceleste.

Alias, o conselho do Londrina parece uma mãe para qualquer dirigente. Enquanto eram feitas denúncias de que atletas de empresários amigos supostamente estariam jogando por ordens de dirigentes, no Campeonato Paranaense 2009, nem mesmo uma palha foi movida para investigar o caso. Enquanto isso, o que se via era o Tubarão sendo rebaixado. Nessa época, Adriano estava fora. Mas se quiser, ele pode falar o que pensa disso. Com certeza ouviu algumas boas nos bastidores do VGD.

Talvez já neste mês de outubro ocorram as eleições presidenciais no Londrina Esporte Clube - um patrimônio do esporte paranaense. Trata-se da pior crise da história do Tubarão, algo que vai se agravar após a disputa da Copa do Brasil que começa em fevereiro (torneio que pode durar apenas um jogo). É na segundona do Paranaense 2010 que o Alviceleste ficará em definitivo fora da vitrine do futebol nacional. Sem calendário, ou com jogos pífios, vai faltar dinheiro. Adriano, com seus conhecimentos futebolísticos, não quer ser voluntário no processo de reestruturação do LEC?

No dia 10 de dezembro deve ser fundado o oportunista Esporte Clube Londrina. Uma reinvenção de um antigo clube amador da cidade orquestrada por Otávio Gianelli, o Limpa-Trilho. Adriano Coelho estará de que lado? Seu patrão, Gilberto Ponce do Grupo Rodinatto, vai ficar de que lado da moeda? Iran Campos, Dorival Paganni, Sérgio Malucelli & Cia farão seus “investimentos” onde?

Com o perdão do clichê, chutar quem já está caído é fácil. Mas as pessoas que realmente se preocupam com o LEC deveriam mesmo era espalhar qualquer tipo de irregularidade cometida por cartolas e dar nome aos bois. Pois diferente dos estimados cartolas, a instituição Londrina Esporte Clube ainda tem o respeito e carinho de todo povo paranaense. No dia que torcedores de verdade, como Carlos Franchello e Murilo Zamboni, assumirem o Tubarão...o defunto ressuscita para se vingar daqueles que um dia o mataram. Adriano, o novo coveiro, também é torcedor?

*Artigo escrito em resposta ao depoimento feito pelo ex-gerente de futebol do LEC, Adriano Coelho, que classificou o Londrina como defunto em uma entrevista para a Rádio Paiquerê.

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Out 01

Boxe: O último round de Miguel de Oliveira

por Felipe Lessa03h41

Nenhum jab, gancho ou direto foi aplicado na quase subterrânea escola de Boxe do Londrina Esporte Clube nesta quarta-feira (30/09) que se passou. Os sacos de pancada e os aparadores permaneceram pendurados, mas sem movimentos. Nenhum aluno foi visto pulando cordas na empoeirada sala localizada no Estádio Vitorino Gonçalves Dias. Diante do clima de tristeza, tudo indicava que era algo relacionado com a saúde do idealizador do esporte no norte do Paraná: morreu Miguel de Oliveira, 66 anos.

Apesar de há 72 dias estar internado na UTI, lutando contra problemas renais crônicos e também pulmonares, foi na academia dirigida desde 80 pelo chamado Rei do Boxe Londrinense que apareceram alunos, amigos e admiradores em busca de notícias. Acreditavam que dava.

Afinal, o “Mestre” sempre resistia a tudo dentro e fora dos ringues. Seja como diretor técnico da Federação Paranaense de Pugilismo, treinador ou até mesmo assistente social....a falta de apoio e os problemas nunca foram páreo para ele. Infelizmente dessa vez não deu para Miguel, que nada pôde fazer diante de uma parada cardíaca no Hospital do Coração - um fato que só não é classificado como nocaute pois Oliveira foi daqueles que nunca se deixou nocautear. Com certeza, esses mais de dois meses de luta provaram que ele foi linha de frente até o fim.

Miguel de Oliveira sempre foi um combatente apaixonado pela modalidade que começou a praticar no final dos anos 50, aos 16 de idade. Competia de forma amadora no Rio de Janeiro e de lá saiu na década seguinte para fazer um passeio em Londrina. Ficou até os últimos dias de sua vida.

No início, precisava viajar para assistir e lutar boxe em São Paulo. Mas Miguel estava decidido a ficar em Londrina e no ano de 1975 aceitou o convite do sargento Mauricio Augustinho Pereira para dar aulas e implantar o pugilismo na cidade.

Sua missão foi cumprida ao revelar nomes que vão de Genésio Trindade, Campeão brasileiro e sulamericano nos anos 80, até Edilson Pereira, que há poucos anos levantava o título de campeão nacional amador, pouco antes de se profissionalizar.

Mesmo quem nunca levantou títulos tem bons motivos para agradecer a Miguel. Muitos foram os trabalhos sociais do professor que jamais deixou um aluno, mesmo os diversos em situação de risco, sem treinar por falta de dinheiro - seja para compra de luvas, seja para a mensalidade. Mais de 500 alunos já aprenderam as técnicas com Oliveira, que em julho precisou deixar sua academia com cerca 200 atletas aos cuidados do pupilo Edilson Pereira.

Sua morte gerou comoção na Federação Paulista de Boxe, que passará três dias de luto. Até mesmo o presidente da federação ao qual mantinha divergências ideológicas e políticas, Macaris Livramento, ficou chocado com a morte do rei do Boxe Londrinense. Nem mesmo a Confederação Brasileira de Boxe esqueceu de prestar homenagens a essa personalidade tão confundida (porém que jamais deverá algo em nobreza) com o xará campeão mundial da modalidade. A morte do Mestre foi um golpe baixo contra todos amantes das lutas nos ringues. O gongo final soa às 10 horas desta quinta-feira, quando o corpo será enterrado em Londrina.

*Todos sabemos que esse blog é apenas sobre futebol. Mas devo a homenagem ao Mestre. Miguel sempre me aturou livre de mensalidades quando estive sem emprego. Na minha última ida a Londrina, na semana de LEC x São José pela Série D, fui visitar a academia e me informaram sobre o estado de saúde desse amante do futebol londrinense. Era uma das figuras que jamais faltava ao tradicional Encontro de Boleiros da cidade, além de ser um fanático torcedor do Tubarão. Daqueles que poderiam nem pagar ingresso para ver jogo no VGD, pois bastava olhar pelas janelinhas do boxe que miram dentro do campo....mas que fazia questão de pagar seu ingresso religiosamente para ver o Alviceleste em campo.

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Set 16

O sonho acabou em Londrina

por Felipe Lessa00h00

No domingo, o Estádio do Café foi tomado por 12 mil torcedores do Londrina. Gente carente de bom futebol, que veio não somente dos bairros da cidade como também dos pequenos municípios que rodeiam os domínios londrinenses. A nostalgia dos tempos em que o Londrina bateu a Chapecoense, nos 3 x 1 válidos pela Taça de Prata de 80, bateu forte. Quem sabe em 2010 não estariam essas mesmas pessoas comemorando um acesso para a segundona do Brasileiro? Não custava sonhar.

O Alviceleste precisava de uma vitória para ficar a duas partidas da Série C. Mas ela não veio. Empatou em 1 x 1 com a equipe catarinense. Disse adeus ao povo que acolheu a equipe como nos tempos em que ela era digna de ser apelidada de Tubarão.

Não houve vaias. Muito menos xingamentos. O torcedor londrinense apenas aplaudiu a honra de cada um dos presentes em campo e voltou para casa de cabeça baixa. Era o que lhes restava, já que os atletas estavam com os salários atrasados. Funcionários e comissão técnica do clube também. Isso fora outros problemas que Peter Silva não resolveu.

Boa parte destes aguardará o pesadelo para voltar a pensar no time. Em fevereiro de 2010 tem Copa do Brasil. Mas no meio do ano, o que espera pelo LEC é a segundona do Paranaense. Por causa disso, alguns ainda esperam a cura da ressaca para pensar em questões do clube, que ainda estão para ser resolvidas. Na quinta-feira (17), conselheiros e diretoria devem se reunir no VGD. Peter Silva descumpriu o acordo com a Justiça do Trabalho e o clube perdeu 15% da renda do jogo contra a Chapecoense.

Questões relacionadas aos gastos e receitas do Londrina também serão debatidas. Ainda existe o receio sobre a prestação de contas de Peter Silva. Todo e qualquer documento a ser mostrado por ele deveria ser minuciosamente analisado pelos conselheiros – inclusive com cópia para imprensa. Não creio que isso ocorra.

E o Tubarão amarga um novo capítulo da pior crise de sua história. Dois grupos de empresários mobilizam-se para assumir o LEC, nas eleições que ocorrerão em novembro.

Um deles é composto por Luiz de Soto, o Luizão. Presidente da Leel, grupo que teve contrato rompido com o LEC sem maiores explicações, é o favorito dos torcedores alvicelestes. Foi presidente da Sede Campestre, hoje abandonada por Peter, e vice do clube na gestão de Agostinho Garrote.

Por outro lado, o empresário Gilberto Ponce afirma que está na disputa. Com apoio de empresários de futebol, entre eles o grupo que comandou o Nacional de Rolandia, ele pretende assumir o LEC. Trata-se de um nome muito cogitado nos bastidores da socialite londrinense (se é que ela existe). Um dos apoiadores supostamente seria o prefeito Barbosa Neto.

Aos torcedores, resta aguardar. Um protesto a ser realizado no calçadão de Londrina está sendo articulado. Todos querem saber se o interventor colocado no clube, por ordem da justiça do trabalho, está cumprindo sua função. Querem cobrar inclusive uma auditoria no LEC, por parte do Ministério Público.

O futebol promete transformar essa cidade em uma praça de guerra política. Esperamos que essa guerra seja para unir quem realmente torce, se preocupa e quer ajudar o Tubarão. Ou então, o último representante vivo do interior do Paraná vai continuar servido apenas de chacota no estado....e para ajudar as finanças de terceiros. Enquanto isso, londrinenses continuam sendo vítimas de um pobre futebol.

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Set 13

A paixão pelo Londrina em quatro rodas

por Felipe Lessa06h45

Sempre que o Corcel I de Marcos Reis da Silva desfila pelas ruas de Londrina, é alvo dos olhares curiosos de pedestres e motoristas. Alguns gritam, outros acenam sorridentes ou até mesmo chegam a desacreditar no que estão vendo. Foi com o veículo modelo 76 que o vidraceiro de 40 anos, conhecido pelo apelido de Migrão, encontrou a melhor forma de homenagear o time de coração: o Londrina Esporte Clube. O carro velho, mas muito bem conservado, é todo estilizado com as cores do Londrina. São 18 tubarões, o mascote do time, pintados na lataria.

Carinhosamente apelidado por amigos como “Tuba Móvel”, o Corcel I de Migrão é a grande atração nos dias de jogo, quando transita pelas redondezas do Estádio do Café, na zona norte de Londrina. O proprietário inclusive deixou de sair para as ruas apenas em ocasiões especiais para ajudar a divulgar o clube.

“Todo mundo gosta e acaba se animando com o Tubarão. Quem olha acha até mesmo que somos funcionários do Londrina. Muito pelo contrário, os diretores do LEC nunca nos procuraram para envolver o carro em alguma ação do clube pela cidade, algo que eu faria com prazer e jamais cobraria”, lamenta.

Para conservar aquele que considera ser seu xodó em bom estado, o carro é religiosamente lavado aos sábados. Por precaução, é o próprio Migrão quem passa água, sabão e encera o veículo. “Dá uma agonia deixar lavando fora, pois nunca se sabe qual o time da pessoa que fará o serviço. Se o cara for cabeça meio fraca, risca meu Tuba Móvel. Aí eu morro”, conta ele, que diariamente também faz pequenas limpezas no seu Corcel. “Tem que conservar, né. Sonhei com essa caranga desde que comecei a torcer pelo LEC. Agora que eu tenho, é pra vida inteira”, enfatiza.

A paixão de Migrão pelo Londrina surgiu em 1976. Após acompanhar uma rodada dupla, onde o time de juniores enfrentou o Matsubara e o profissional duelou contra o Vasco da Gama, no Estádio do Café, o torcedor afirma que jamais abandonou o Tubarão. “Foi quase um casamento. Desde então, o azul e branco faz parte da minha vida. É com o LEC que estou na alegria e nas tristezas, na saúde e na doença. E assim vai ser até o dia que eu morrer”.

Esses laços afetivos foram tão fortes que há três anos Marcos trocou sua antiga motocicleta pelo carro. “Foi uma forma de homenagear o Tubarão e retribuir tantas conquistas que o Alviceleste me deu”.

Para decorar o carro, Marcos pediu ajuda ao amigo Sidney Branco, que saiu de Curitiba, onde mora, só para ornar o Corcel I de Migrão em Londrina. “Ele passou uma semana fazendo as ilustrações sem cobrar nada. Quando tudo ficou pronto, eu queria ficar andando com esse carro pela cidade inteira, sem parar. Gastei horrores de combustível nos primeiros dias, só para mostrar aos londrinenses o quanto eu estava orgulhoso do meu carro do Tubarão. Mas como eu não sei dirigir, quem boléia é a minha namorada”, ressalta.

No volante
Pouco antes de adquirir o Corcel I, Marcos passou a namorar a gerente administrativa Flávia Fernandes Navarro, de 28 anos. Apesar de terem se conhecido nas arquibancadas do Estádio Vitorino Gonçalves Dias, em um jogo contra o Atlético, pelo Campeonato Paranaense, ela conta que ficou um pouco espantada com a idéia de estilizar o carro.

“Na época era algo fora da minha realidade, mas totalmente dentro da dele. Eu apoiei, só que era estranho sair dirigindo um carro totalmente pintado com símbolos e mascotes do Londrina. Muita gente acha que sou doida. Até comentam como que pode uma mulher ser tão fanática por um time de futebol. Eu me espantava. Mas hoje, eu me divirto”, conta Flávia.

Segundo a namorada, Migrão só permite que outra pessoa dirija o Tuba Móvel se for tão fanática pelo LEC quanto ele. “Geralmente sou eu que estou com o carro. Mas o Marcos já deixou alguns amigos da torcida o dirigirem”. A fala de Flávia é completada pela do proprietário: “Tenho que conhecer bem a pessoa e saber que ela vai tomar tanto cuidado com o carro quanto se deve tomar pelo manto alviceleste. Não é algo tão simples assim”, diz.

Apesar das campanhas do Tubarão de hoje não serem como a do Brasileirão de 1977 (quando chegou em quarto lugar e ganhou o apelido de Tubarão em referência ao filme de Steven Spielberg, coqueluche das telas naquele ano) e a do Paranaense de 1992 (quando o clube conquistou o último título de expressão na final caipira contra o União Bandeirante), o vidraceiro afirma que gasta 40% de seu salário com o clube do coração – incluindo o carro.

Compra camisas, quadros, bandeiras e também segue religiosamente o Londrina não só no Estádio do Café. Jogue onde jogar o Tubarão, e o vidraceiro lá estará. Apesar de já ter viajado o Brasil inteiro para acompanhar o Tubarão, Marcos ainda tem receio de colocar seu Corcel I na estrada. “Ultimamente o público do futebol ficou muito violento e ainda tenho medo de ir até o estádio de outro time com meu Tuba Móvel. Nunca agredi, nem joguei uma pedra que seja em alguém. Mas vai saber o que pode acontecer, não é? Qualquer dano nesse carro seria tão doloroso quanto um rebaixamento do time”, explica.

No entanto, não descarta a possibilidade de encarar uma viagem com o carro. “Quem sabe se o Londrina for jogar uma final de campeonato em algum lugar onde as torcidas já terem amizade, aí dá pra encarar esse passeio. Seria um novo orgulho para mim, que gosto de festa, alegria e odeio brigas”, diz.

Sobre o fato de a equipe estar na série D do Campeonato Brasileiro e ter caído para a série B do Paranaense esse ano, Migrão acredita que a reviravolta desse quadro está na própria torcida. “Já passou muito jogador bom por aqui. Eu vi Elber, Paulinho e Carlos Alberto Garcia. Agora estamos nessa situação, lutando para sobreviver. Mas tenho fé de que no dia em que torcedores de verdade assumirem o Londrina, a cidade voltará a apoiar em peso nas arquibancadas”, confia o torcedor.

Para Migrão, que já pedalou 600 quilômetros de bicicleta até Santa Catarina para pagar uma promessa pela conquista da Copa Paraná 2008, agora é o momento de manter a fé para o sucesso do clube na quarta divisão do Brasileirão. No entanto, quando desafiado pela namorada Flávia e por amigos da Falange Azul - organizada do clube - a tirar sua carteira de motorista caso o LEC suba para a Série C do campeonato nacional, ele ainda prefere a precaução.

“Tem que ter calma nessa hora. Eu sou muito ruim de boléia e se eu bato esse carro, ia ficar em depressão eterna. Por enquanto eu prefiro ficar na carona com a namorada ou andando de bicicleta. Mas vamos ver. Quem sabe na reta final do campeonato eu não me anime”, brinca o torcedor.

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Set 02

LEC: Acabou a cerveja, mas a esbórnia continua

por Equipe De Primeira03h55

POR FELIPE LESSA

Londrina Esporte Clube e Ministério Público do Paraná devem assinar na tarde de hoje um termo que impede a venda de bebidas alcoólicas nos jogos com mando do Tubarão. Segundo o site do MP, a medida serviria para “propiciar maior segurança e bem-estar aos torcedores, bem como contribuir para a redução da violência”. No entanto, o que já é feito pela atual gestão para trazer essa segurança aos torcedores?

Em 2007, durante o trabalho, o repórter Sérgio Ribeiro foi espancado após uma partida no VGD. Teve fratura no nariz e um dente foi quebrado pelo agressor, um dos seguranças contratados pelo presidente Peter Silva para “propiciar maior segurança e bem-estar” no estádio. Nada foi feito com o protagonista da violência, que sumiu, como se nada ocorresse...sem passar pelo bafômetro. Apenas para recordar, eram tempos em que a diretoria de um homem só estava contra a imprensa.

O bem-estar também é esquecido quando falta água e refrigerante para os torcedores. Esse fato ocorreu na última partida em casa, contra o São José-RS. No mesmo jogo, válido pelo Campeonato Brasileiro Série D, boa parte dos 6 mil torcedores que foram ao Estádio do Café se assustaram na hora de ir ao banheiro. Precisaram voltar até a arquibancada e apelar para o papel higiênico utilizado na festa da torcida organizada. Houve gente que preferiu ir embora para casa, pois as privadas estavam todas sujas e não havia sinalizações indicativas para higiene do local.

Falta também no Londrina um programa para os harmonização dos torcedores, apesar de nunca ter sido feito uma pesquisa relacionada com as brigas – que raramente existem – nos jogos do Tubarão. Policia Militar, diretoria do LEC, Ministério Público e torcida organizada poderiam sentar para definir o que fazer com aqueles que vão com camisas de outros times para o estádio. É um começo, embora o estudo seja necessário.

É melhor começar logo. Muita coisa ainda precisa ser realizada. Falta também um projeto de Sócio Torcedor. Falta transparência. Falta diálogo com a torcida – já que os adeptos constantemente são vetados de reuniões do clube. Falta um sistema de identificação de torcedores. Falta dar aquela conferida para ver se pequenas garrafas de wisky não estão entrando com os convidados nas cadeiras cativas. Mas acabar com a cerveja do povão é mais fácil....e ainda pode render alguma promoção pessoal no portifólio.

OFF:
Sugestão de leitura ao presidente Peter Silva e promotoria do Ministério Público do Paraná em Londrina
http://www.culture.gov.uk/images/publications/footballtaskforcereport.pdf

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Ago 24

O Londrina já pensa na C

por Felipe Lessa09h57

O Londrina perdeu sábado para o São José no Estádio Passo D´Areia, na capital gaúcha, mas segue adiante na Série D do Campeonato Brasileiro. Foi uma partida difícil, dominada pela equipe da zona norte de Porto Alegre. Foi uma classificação tão dramática quanto as histórias de bastidores que norteiam os dias atuais do LEC.

Se logo aos 14 minutos do primeiro tempo o Zequinha marcou, em gol contra do zagueiro Victor, o alento da alcoolizada caravana alviceleste presente nas arquibancadas dava força aos jogadores do Tubarão. Resistiram contra tudo, e a cada carrinho ou dividida ganhavam aplausos dos torcedores. "Só assim para ganhar a Série D. Na raça", dizia o valente treinador Gilberto Pereira.

Nem mesmo a cobrança dos R$10 exclusiva aos torcedores visitantes espantava a festa dos cerca de 100 londrinenses que compareceram ao estádio. Até mesmo o rapper Gabriel, o Pensador, deu o ar de suas graças. Não que tenha se tornado torcedor do Tubarão. Ele desfilava e dava autografos ao lado do não tão bem aclamado presidente Peter Silva, com quem mantém negócios - inclusive empresta dinheiro, que deveria pagar salário de jogadores do Londrina.

Apesar da situação, enquanto a presidência parecia indiferente pelo jogo, o cantor chegou até a gritar “uhhhhh”, no peixinho de Fabinho do Londrina, aos 7 do segundo tempo.

Vencendo por 1 a 0, a equipe da casa se desesperou em busca de novo balanço das redes. Até mesmo seu goleiro partiu para o ataque, nos minutos finais. No entanto, a classificação não veio para os gaúchos.

A simpática torcida do Zequinha não acreditava no que estava vendo. Pareciam sinceramente agonizar pela eliminação do time do bairro. Apesar de boa parte dos presentes terem como clube do coração a dupla Gre-Nal, era nítido que os laços entre São José e sua torcida eram muito estreitos. Com a classificação do Londrina, era um bairro inteiro que parecia chorar.

Apenas os forasteiros londrinenses festejavam. Já no lado de fora da cancha, os torcedores do Tubarão se esforçavam para devastar todo tipo de bebidas que encontrassem pela frente. Cerveja, cachaça e conhaque passaram a ser raros nos bares que rodeiam a região da Avenida Rio São Gonçalo.

Com a saída de ônibus, carros e vans que transportavam os alvicelestes, os gritos de “É, Tubarão” ganharam as ruas de Porto Alegre. Alguns colorados desavisados chamavam os londrinenses de gremistas vagabundos. Os mesmos continuavam a cantar, sem entender nada.

Apenas pensavam nas mais de 15 horas de viagem que teriam pela frente, e no jogo entre Chapecoense x Corinthians Paranaense, domingo, no Índio Condá. Como o jogo terminou empatado, sem gols, o Londrina vai reencontrar a equipe catarinense. Além das partidas na primeira fase, uma vitória para cada lado, as equipes já duelaram em 1980, quando o Tubarão foi campeão da Taça de Prata.

Resumindo: faltam apenas quatro jogos para o Londrina garantir acesso à Série C do Brasileirão. Os problemas internos continuam, novas rifas podem ser feitas se os jogadores precisarem viajar de avião e o presidente Peter Silva continua a não prestar contas. Mesmo assim, os torcedores estão confiantes na vaga. Prometem agora invadir Santa Catarina e lotar o Estádio do Café para empurrar o Tubarão.

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