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De Primeira: Futebol, Futebol e Futebol

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Set 16

O sonho acabou em Londrina

por Felipe Lessa00h00

No domingo, o Estádio do Café foi tomado por 12 mil torcedores do Londrina. Gente carente de bom futebol, que veio não somente dos bairros da cidade como também dos pequenos municípios que rodeiam os domínios londrinenses. A nostalgia dos tempos em que o Londrina bateu a Chapecoense, nos 3 x 1 válidos pela Taça de Prata de 80, bateu forte. Quem sabe em 2010 não estariam essas mesmas pessoas comemorando um acesso para a segundona do Brasileiro? Não custava sonhar.

O Alviceleste precisava de uma vitória para ficar a duas partidas da Série C. Mas ela não veio. Empatou em 1 x 1 com a equipe catarinense. Disse adeus ao povo que acolheu a equipe como nos tempos em que ela era digna de ser apelidada de Tubarão.

Não houve vaias. Muito menos xingamentos. O torcedor londrinense apenas aplaudiu a honra de cada um dos presentes em campo e voltou para casa de cabeça baixa. Era o que lhes restava, já que os atletas estavam com os salários atrasados. Funcionários e comissão técnica do clube também. Isso fora outros problemas que Peter Silva não resolveu.

Boa parte destes aguardará o pesadelo para voltar a pensar no time. Em fevereiro de 2010 tem Copa do Brasil. Mas no meio do ano, o que espera pelo LEC é a segundona do Paranaense. Por causa disso, alguns ainda esperam a cura da ressaca para pensar em questões do clube, que ainda estão para ser resolvidas. Na quinta-feira (17), conselheiros e diretoria devem se reunir no VGD. Peter Silva descumpriu o acordo com a Justiça do Trabalho e o clube perdeu 15% da renda do jogo contra a Chapecoense.

Questões relacionadas aos gastos e receitas do Londrina também serão debatidas. Ainda existe o receio sobre a prestação de contas de Peter Silva. Todo e qualquer documento a ser mostrado por ele deveria ser minuciosamente analisado pelos conselheiros – inclusive com cópia para imprensa. Não creio que isso ocorra.

E o Tubarão amarga um novo capítulo da pior crise de sua história. Dois grupos de empresários mobilizam-se para assumir o LEC, nas eleições que ocorrerão em novembro.

Um deles é composto por Luiz de Soto, o Luizão. Presidente da Leel, grupo que teve contrato rompido com o LEC sem maiores explicações, é o favorito dos torcedores alvicelestes. Foi presidente da Sede Campestre, hoje abandonada por Peter, e vice do clube na gestão de Agostinho Garrote.

Por outro lado, o empresário Gilberto Ponce afirma que está na disputa. Com apoio de empresários de futebol, entre eles o grupo que comandou o Nacional de Rolandia, ele pretende assumir o LEC. Trata-se de um nome muito cogitado nos bastidores da socialite londrinense (se é que ela existe). Um dos apoiadores supostamente seria o prefeito Barbosa Neto.

Aos torcedores, resta aguardar. Um protesto a ser realizado no calçadão de Londrina está sendo articulado. Todos querem saber se o interventor colocado no clube, por ordem da justiça do trabalho, está cumprindo sua função. Querem cobrar inclusive uma auditoria no LEC, por parte do Ministério Público.

O futebol promete transformar essa cidade em uma praça de guerra política. Esperamos que essa guerra seja para unir quem realmente torce, se preocupa e quer ajudar o Tubarão. Ou então, o último representante vivo do interior do Paraná vai continuar servido apenas de chacota no estado....e para ajudar as finanças de terceiros. Enquanto isso, londrinenses continuam sendo vítimas de um pobre futebol.

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Set 13

A paixão pelo Londrina em quatro rodas

por Felipe Lessa06h45

Sempre que o Corcel I de Marcos Reis da Silva desfila pelas ruas de Londrina, é alvo dos olhares curiosos de pedestres e motoristas. Alguns gritam, outros acenam sorridentes ou até mesmo chegam a desacreditar no que estão vendo. Foi com o veículo modelo 76 que o vidraceiro de 40 anos, conhecido pelo apelido de Migrão, encontrou a melhor forma de homenagear o time de coração: o Londrina Esporte Clube. O carro velho, mas muito bem conservado, é todo estilizado com as cores do Londrina. São 18 tubarões, o mascote do time, pintados na lataria.

Carinhosamente apelidado por amigos como “Tuba Móvel”, o Corcel I de Migrão é a grande atração nos dias de jogo, quando transita pelas redondezas do Estádio do Café, na zona norte de Londrina. O proprietário inclusive deixou de sair para as ruas apenas em ocasiões especiais para ajudar a divulgar o clube.

“Todo mundo gosta e acaba se animando com o Tubarão. Quem olha acha até mesmo que somos funcionários do Londrina. Muito pelo contrário, os diretores do LEC nunca nos procuraram para envolver o carro em alguma ação do clube pela cidade, algo que eu faria com prazer e jamais cobraria”, lamenta.

Para conservar aquele que considera ser seu xodó em bom estado, o carro é religiosamente lavado aos sábados. Por precaução, é o próprio Migrão quem passa água, sabão e encera o veículo. “Dá uma agonia deixar lavando fora, pois nunca se sabe qual o time da pessoa que fará o serviço. Se o cara for cabeça meio fraca, risca meu Tuba Móvel. Aí eu morro”, conta ele, que diariamente também faz pequenas limpezas no seu Corcel. “Tem que conservar, né. Sonhei com essa caranga desde que comecei a torcer pelo LEC. Agora que eu tenho, é pra vida inteira”, enfatiza.

A paixão de Migrão pelo Londrina surgiu em 1976. Após acompanhar uma rodada dupla, onde o time de juniores enfrentou o Matsubara e o profissional duelou contra o Vasco da Gama, no Estádio do Café, o torcedor afirma que jamais abandonou o Tubarão. “Foi quase um casamento. Desde então, o azul e branco faz parte da minha vida. É com o LEC que estou na alegria e nas tristezas, na saúde e na doença. E assim vai ser até o dia que eu morrer”.

Esses laços afetivos foram tão fortes que há três anos Marcos trocou sua antiga motocicleta pelo carro. “Foi uma forma de homenagear o Tubarão e retribuir tantas conquistas que o Alviceleste me deu”.

Para decorar o carro, Marcos pediu ajuda ao amigo Sidney Branco, que saiu de Curitiba, onde mora, só para ornar o Corcel I de Migrão em Londrina. “Ele passou uma semana fazendo as ilustrações sem cobrar nada. Quando tudo ficou pronto, eu queria ficar andando com esse carro pela cidade inteira, sem parar. Gastei horrores de combustível nos primeiros dias, só para mostrar aos londrinenses o quanto eu estava orgulhoso do meu carro do Tubarão. Mas como eu não sei dirigir, quem boléia é a minha namorada”, ressalta.

No volante
Pouco antes de adquirir o Corcel I, Marcos passou a namorar a gerente administrativa Flávia Fernandes Navarro, de 28 anos. Apesar de terem se conhecido nas arquibancadas do Estádio Vitorino Gonçalves Dias, em um jogo contra o Atlético, pelo Campeonato Paranaense, ela conta que ficou um pouco espantada com a idéia de estilizar o carro.

“Na época era algo fora da minha realidade, mas totalmente dentro da dele. Eu apoiei, só que era estranho sair dirigindo um carro totalmente pintado com símbolos e mascotes do Londrina. Muita gente acha que sou doida. Até comentam como que pode uma mulher ser tão fanática por um time de futebol. Eu me espantava. Mas hoje, eu me divirto”, conta Flávia.

Segundo a namorada, Migrão só permite que outra pessoa dirija o Tuba Móvel se for tão fanática pelo LEC quanto ele. “Geralmente sou eu que estou com o carro. Mas o Marcos já deixou alguns amigos da torcida o dirigirem”. A fala de Flávia é completada pela do proprietário: “Tenho que conhecer bem a pessoa e saber que ela vai tomar tanto cuidado com o carro quanto se deve tomar pelo manto alviceleste. Não é algo tão simples assim”, diz.

Apesar das campanhas do Tubarão de hoje não serem como a do Brasileirão de 1977 (quando chegou em quarto lugar e ganhou o apelido de Tubarão em referência ao filme de Steven Spielberg, coqueluche das telas naquele ano) e a do Paranaense de 1992 (quando o clube conquistou o último título de expressão na final caipira contra o União Bandeirante), o vidraceiro afirma que gasta 40% de seu salário com o clube do coração – incluindo o carro.

Compra camisas, quadros, bandeiras e também segue religiosamente o Londrina não só no Estádio do Café. Jogue onde jogar o Tubarão, e o vidraceiro lá estará. Apesar de já ter viajado o Brasil inteiro para acompanhar o Tubarão, Marcos ainda tem receio de colocar seu Corcel I na estrada. “Ultimamente o público do futebol ficou muito violento e ainda tenho medo de ir até o estádio de outro time com meu Tuba Móvel. Nunca agredi, nem joguei uma pedra que seja em alguém. Mas vai saber o que pode acontecer, não é? Qualquer dano nesse carro seria tão doloroso quanto um rebaixamento do time”, explica.

No entanto, não descarta a possibilidade de encarar uma viagem com o carro. “Quem sabe se o Londrina for jogar uma final de campeonato em algum lugar onde as torcidas já terem amizade, aí dá pra encarar esse passeio. Seria um novo orgulho para mim, que gosto de festa, alegria e odeio brigas”, diz.

Sobre o fato de a equipe estar na série D do Campeonato Brasileiro e ter caído para a série B do Paranaense esse ano, Migrão acredita que a reviravolta desse quadro está na própria torcida. “Já passou muito jogador bom por aqui. Eu vi Elber, Paulinho e Carlos Alberto Garcia. Agora estamos nessa situação, lutando para sobreviver. Mas tenho fé de que no dia em que torcedores de verdade assumirem o Londrina, a cidade voltará a apoiar em peso nas arquibancadas”, confia o torcedor.

Para Migrão, que já pedalou 600 quilômetros de bicicleta até Santa Catarina para pagar uma promessa pela conquista da Copa Paraná 2008, agora é o momento de manter a fé para o sucesso do clube na quarta divisão do Brasileirão. No entanto, quando desafiado pela namorada Flávia e por amigos da Falange Azul - organizada do clube - a tirar sua carteira de motorista caso o LEC suba para a Série C do campeonato nacional, ele ainda prefere a precaução.

“Tem que ter calma nessa hora. Eu sou muito ruim de boléia e se eu bato esse carro, ia ficar em depressão eterna. Por enquanto eu prefiro ficar na carona com a namorada ou andando de bicicleta. Mas vamos ver. Quem sabe na reta final do campeonato eu não me anime”, brinca o torcedor.

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Ago 24

O Londrina já pensa na C

por Felipe Lessa09h57

O Londrina perdeu sábado para o São José no Estádio Passo D´Areia, na capital gaúcha, mas segue adiante na Série D do Campeonato Brasileiro. Foi uma partida difícil, dominada pela equipe da zona norte de Porto Alegre. Foi uma classificação tão dramática quanto as histórias de bastidores que norteiam os dias atuais do LEC.

Se logo aos 14 minutos do primeiro tempo o Zequinha marcou, em gol contra do zagueiro Victor, o alento da alcoolizada caravana alviceleste presente nas arquibancadas dava força aos jogadores do Tubarão. Resistiram contra tudo, e a cada carrinho ou dividida ganhavam aplausos dos torcedores. "Só assim para ganhar a Série D. Na raça", dizia o valente treinador Gilberto Pereira.

Nem mesmo a cobrança dos R$10 exclusiva aos torcedores visitantes espantava a festa dos cerca de 100 londrinenses que compareceram ao estádio. Até mesmo o rapper Gabriel, o Pensador, deu o ar de suas graças. Não que tenha se tornado torcedor do Tubarão. Ele desfilava e dava autografos ao lado do não tão bem aclamado presidente Peter Silva, com quem mantém negócios - inclusive empresta dinheiro, que deveria pagar salário de jogadores do Londrina.

Apesar da situação, enquanto a presidência parecia indiferente pelo jogo, o cantor chegou até a gritar “uhhhhh”, no peixinho de Fabinho do Londrina, aos 7 do segundo tempo.

Vencendo por 1 a 0, a equipe da casa se desesperou em busca de novo balanço das redes. Até mesmo seu goleiro partiu para o ataque, nos minutos finais. No entanto, a classificação não veio para os gaúchos.

A simpática torcida do Zequinha não acreditava no que estava vendo. Pareciam sinceramente agonizar pela eliminação do time do bairro. Apesar de boa parte dos presentes terem como clube do coração a dupla Gre-Nal, era nítido que os laços entre São José e sua torcida eram muito estreitos. Com a classificação do Londrina, era um bairro inteiro que parecia chorar.

Apenas os forasteiros londrinenses festejavam. Já no lado de fora da cancha, os torcedores do Tubarão se esforçavam para devastar todo tipo de bebidas que encontrassem pela frente. Cerveja, cachaça e conhaque passaram a ser raros nos bares que rodeiam a região da Avenida Rio São Gonçalo.

Com a saída de ônibus, carros e vans que transportavam os alvicelestes, os gritos de “É, Tubarão” ganharam as ruas de Porto Alegre. Alguns colorados desavisados chamavam os londrinenses de gremistas vagabundos. Os mesmos continuavam a cantar, sem entender nada.

Apenas pensavam nas mais de 15 horas de viagem que teriam pela frente, e no jogo entre Chapecoense x Corinthians Paranaense, domingo, no Índio Condá. Como o jogo terminou empatado, sem gols, o Londrina vai reencontrar a equipe catarinense. Além das partidas na primeira fase, uma vitória para cada lado, as equipes já duelaram em 1980, quando o Tubarão foi campeão da Taça de Prata.

Resumindo: faltam apenas quatro jogos para o Londrina garantir acesso à Série C do Brasileirão. Os problemas internos continuam, novas rifas podem ser feitas se os jogadores precisarem viajar de avião e o presidente Peter Silva continua a não prestar contas. Mesmo assim, os torcedores estão confiantes na vaga. Prometem agora invadir Santa Catarina e lotar o Estádio do Café para empurrar o Tubarão.

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Ago 18

Londrina, amor e ódio, Tubarão e Peter Silva

por Felipe Lessa16h38

Havia mais de 10 anos que o povo londrinense não mantinha tanta sintonia positiva com o Tubarão. A vitória contra o São José-RS, pela rodada inicial do mata-mata na Série D, reverteu a situação e ajudou a esquecer o rebaixamento no Campeonato Paranaense, os escândalos constantes de corrupção e a chacota que haviam feito com que o povo se afastasse do Londrina Esporte Clube. Chegava o momento de perfumar a cidade com o cheiro de naftalina das bandeiras alvicelestes, até então escondidas no fundo do guarda roupa de muitos torcedores.

Nomes de jogadores até então desconhecidos na cidade, como Silvinho, Japinha, Victor, entre outros, já passam a ser lembrados pelos moradores. Vencer por 3 x 1, em um jogo com bolas na trave, gol de carrinho e mais de 6 mil torcedores eufóricos de azul e branco nas arquibancadas, pode ser considerado um ato heróico. Afinal, os jogadores e comissão técnica ainda estão com boa parte dos salários atrasados.

O presidente Peter Silva não explica onde está o dinheiro das receitas do clube. Se não tem, todo mundo quer saber quanto entra e onde está sendo gasto. Após o jogo contra o Zequinha, fala-se que o diretor de futebol, Adriano Coelho, teve que correr às pressas buscar a renda do jogo, para que a grana não caísse “em mãos erradas”. O bom público presente garantiu cerca de R$50 mil para o pagamento de algumas das despesas pendentes no Londrina.

Jogadores não são bobos e estão muito putos. Sabem que enquanto comem o pão que o diabo amassou, tendo que trocar de hotel de tempos em tempos por falta de pagamento, Peter Silva costuma desfilar no granfino Iate Clube de Londrina. Por lá, mesmo com os rumores de que a autoridade máxima do LEC esteja desempregada, as pomposas companhias, mesas regadas de aperitivos e a camisa do Corinthians Paulista não deixam de acompanhar a presidência.

Enquanto isso, para viajar ao Rio Grande do Sul, no jogo de volta, uma televisão de 40 polegadas está sendo rifada pelo diretor de futebol do LEC. A intenção é fretar um ônibus e poder pagar um lanche aos atletas que, apesar das condições absurdas impostas pela gestão Peter Silva, estão se esforçando muito para vencer a Série D.

Os torcedores prometem seguir a condução dos atletas até o território dos pampas, onde juntam-se com o pessoal do Londrina Futebol Clube (equipe amadora de Porto Alegre que surgiu em 73, por homenagem ao Tubarão do norte paranaense), calibram a mente, esticam as pernas e rumam para o campo do Zéquinha. A zona norte da capital gaúcha será local de alento dos londrinenses.

Essas próprias barreiras e atos simbólicos estão sendo o principal combustível de superação dos jogadores alvicelestes. Eles sabem que os torcedores não tem culpa das palhaçadas. Sabem que enquanto Peter reclama do abandono da cidade, as rifas da TV - custa R$100 o número - estão sendo vendidas aos montes pelas ruas londrinenses. Diante das condições, o grupo liderado pelo treinador Gilberto Pereira pode até não conseguir o acesso à Série C, mas, por tudo o que está fazendo, já merece eterna gratidão do povo local. Vão deixar saudades. O mesmo não vale para o presidente Peter Silva, que terá que abandonar o posto em novembro e deve negociar boa parte dos atletas antes do fim de seu mandato.

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Ago 09

Dramática classificação londrinense

por Felipe Lessa19h53

Quando sintonizei o rádio, passavam das 15h. O Londrina estava aquecendo no acanhado vestiário do Estádio Virotão, no Mato Grosso do Sul. Por ali, enfrentaria a Naviraiense, na rodada decisiva da Série D do Brasileiro. Para se classificar, havia necessidade de vitória e de uma ajuda do Chapecoense, que jogaria no Índio Condá, contra o Ypranga de Erechim.

Longe do campo em Naviraí, como também dos amigos londrinenses que se juntavam para escutar o jogo na sede da Falange Azul, nada me resta a não ser organizar meu alento pessoal ao Tubarão. A ausência de arquibancadas ou de parceiros não impediria de que meu quarto se tornasse um reduto de culto ao Londrina esporte Clube. Se classificar na Série D é de extrema importância para a vida do clube. Junto um rádio, umas 30 camisas, bandeiras e livros para torcer e espantar as mandingas que se aproximam do LEC a cada besteira cometida pelo presidente Peter Silva.

A semana foi extremamente conturbada nas dependências do Vitorino Gonçalves Dias. De segunda até sexta, diversas irregularidades cometidas por Peter foram desmascaradas pela imprensa local. Fatos como o de vender direitos da grande revelação sem comunicar ao mesmo, como também ao restante da diretoria do LEC. Fatos como a falsificação de documentos de médicos, o que fez com que a equipe do Dr. Carlos Miguita – que há mais de 30 anos colaborou com o clube – deixasse de prestar serviços ao Alviceleste.

A bomba esteve prestes a explodir na quinta-feira. Cerca de 50 integrantes da Falange foram ao VGD protestar contra Peter Silva. O presidente encerrou um contrato feito com a Leel, empresa composta por torcedores e que estava financiando a base do clube. Ninguém sabe quais as pretensões de Peter, já que segundo ele os cofres estão vazios.

Xingamentos e palavras de ordem criaram um repertório de tensão na Jorge Casone. Os fanáticos pediam a saída de Peter e também a prestação de contas. Peter sequer respondeu. Simplesmente encontrou uma nova saída e nem mesmo conversou com os torcedores. Para piorar, na sexta-feira, não foi feito o pagamento dos jogadores alvicelestes. Há tempos que os atrasos são constantes e a presidência não explica para onde está indo o dinheiro.

Apesar do ambiente desfavorável, a rádio anunciava a chegada de um bom contingente de londrinenses no Virotão, em Naviraí. Dos cerca de 150 pagantes, a Paiquere anunciava que mais da metade era composta por alvicelestes que gritavam: “Para cima, Tubarão!”.

O chamado foi atendido dentro de campo. Mesmo com salários e encargos não depositados pelo presidente Peter Silva, os atletas esqueceram das adversidades impostas por aquele que deveria fazer o contrário. Partiram para cima, como pediram os torcedores.

Aos 11 do 1º tempo, Fabinho marcou o primeiro de pênalti. Antes de se completar o primeiro minuto da segunda etapa, Japa ampliou para o Londrina. Mesmo quando a Naviraiense descontou, as atenções já pareciam estar mais antenadas com o outro jogo da rodada. Na Arena Chapecó, aos 45 do segundo tempo o placar apontava 3 x 3. Borges desperdiçou uma penalidade para o LEC e ninguém se importou.

Mesmo com os locutores catarinenses - que sucederam as transmissões na rádio londrinense após o término do jogo do Tubarão – afirmando que estava tudo bem, a tensão de cada torcedor alviceleste era nítida. Quem não estava perto usava telefone, skype ou msn para torcer em conjunto. Era hora de ter fé. Duas rodadas antes, quando o LEC perdeu para o Ypiranga fora de casa, diziam que estava tudo perdido.

Enquanto eu mirava a quinta bicuda na parede de casa, para conter o nervosismo, os gaúchos pressionavam a Chapecoense. Era momento de desconcentração e xingamentos, mas surge um contra-ataque. Sem escutar o nome de quem fez, ou até mesmo prestar atenção na jogada, escuto o grito de gol. A empolgação londrinense se juntava a do radialista quando ele anunciava: “ÉÉÉÉÉÉ DO VERDÃÃÃÃOOOOOOOOO, é o quarto da Chapecoense!!!! Um presente para todos amigos torcedores do Tubarão do Norte do Paraná!!!”.

Londrina Esporte Clube classificado. Mesmo vivendo a maior crise de sua história, tudo deu certo para o Tubarão. O próximo jogo será contra o São José, líder do grupo 10. A disputa contra os gaúchos será apenas mais uma batalha. Novos dramas devem surgir...

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Ago 04

Corinthianos, sem título de fidelidade

por Felipe Lessa02h25

Quando o empresário Joel Malucelli anunciou a parceria entre o clube que levava o nome de sua família e o Corinthians Paulista, falava-se em ganho de torcida – com base na pesquisa publicada pela Gazeta do Povo, que apontou o time paulista como detentor do maior contingente de torcedores no Paraná.

O nome do clube mudou, permaneceu a bandeira de São Paulo no símbolo da filial, mas as arquibancadas não foram tomadas por uma massa alvinegra. Ironicamente, o que se vê, é um estádio completamente tomado pelo verde.

Não que os rivais palmeirenses tenham decidido comparecer aos jogos da Série D para gorar o Corinthians dos pinheirais, mas pela razão do público quase inexistente. Os dirigentes do clube pelo visto não previram a parceria com a equipe paulista quando, em 2007, foi construído e inaugurado o Eco-Estádio Janguito Malucelli, onde a grama substitui os blocos de cimento nos 6 mil assentos destinados ao público.

A trágica pretensão de conquista por torcedores pode ser vista a partir da comparação dos borderôs publicados nos sites da Federação Paranaense de Futebol (FPF) e Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Ao invés de crescer, a quantidade de pagantes no estádio localizado nas redondezas do parque Barigui, em Curitiba, diminuiu – ou no máximo se manteve.

Na segunda rodada da Série D do Campeonato Brasileiro, o Corinthians Paranaense registrou seu maior público. Um total de 108 testemunhas acompanharam a vitória por 2 x 1, contra o São José (RS). O público foi menor que o recorde do J. Malucelli* no Eco-Estádio, pelo Paranaense 2009. No empate de 0 x 0 contra o Iguaçu, 181 torcedores do Jotinha estiveram presentes.

Quando os números comparam o menor público em cada torneio, o calvário do Timãozinho ocorreu na estréia em casa. Somente 91 espectadores assistiram a vitória contra o Brusque (SC), por 2 a 1, pela Série D. Apenas dois a mais que no confronto contra o Cascavel, pelo estadual, que ficou no 0 x 0.

Sem contar com o apoio das mais de 8 mil pessoas presentes na comunidade do novo clube no orkut,Joel Malucelli também parece ter perdido o carisma dos pouco mais de 600 simpáticos pertencentes da remanescente comunidade do Jotinha na rede social. Eles afirmam que foram traídos. Negam-se a dar apoio ao clube que virou uma mera filial da equipe do estado vizinho – a exemplo do que fez a Fiel Curitiba, torcida do Corinthians Paulista na capital paranaense, que boicotou e disse repudiar a nova agremiação.

Na próxima partida, última rodada da primeira fase na Série D, o Corinthians Paranaense enfrenta o Pelotas em casa. Para se classificar sem depender do resultado do confronto entre Brusque x São José, a filial do Timão terá que vencer a equipe gaúcha. Nessa hora, seria fundamental o apoio dos fiéis torcedores aos funcionários de Joel Malucelli. Mas será que a Fiel paranaense merece o título de fidelidade?

Campeonato Brasileiro de Futebol
Classificação 1ª fase / Grupo 10 - Série D
Pos. Clube PG

1º SÃO JOSÉ/RS 12
2º CORINTHIANS/PR 8
3º BRUSQUE/SC 7
4º PELOTAS/RS 1

*Não foram computados os jogos do Jotinha contra Paraná e Coritiba no Janguito Malucelli, onde predominou a presença dos torcedores "visitantes".

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Jul 05

Voltem sempre

por Felipe Lessa20h33

As cerca de três mil testemunhas que foram ao Estádio do Café voltaram tristes para casa. Atordoadas apenas de lembrar que no palco onde Carlos Alberto Garcia dava seus shows, quem deu o ritmo da peleja foi um baixinho chamado Tatíco. Aos 44 do primeiro tempo, o camisa 10 da Naviraíense precisou apenas de uma brecha para usar a cabeça, esnobando a perdida honra alviceleste. E assim decretou nova derrota do Tubarão, por 1 x 0 – agora, na estréia do Campeonato Brasileiro da Série D.

Antes do jogo, o discurso do prefeito Barbosa Neto deu aos jogadores um clima de unidade municipalista. Falou em harmonia, confiança e apoio. Porém, seu pedido esteve mais perto de ser uma reza do que um ato de confiança. Quem saiu de Londrina rindo a toa foram os políticos sul-matogrossenses: um vereador de Naviraí é chefe da torcida organizada, outro é dirigente do Jacaré do Cone Sul.

Sem a presença do atacante Jayme, esperança londrinense revelada pela base, o povo teve que se contentar com os gols perdidos por Geandro e Rodrigo. O êxtase das bancadas foi ver Silvinho e Japa protagonizarem lances de perigo, boas defesas do goleiro Naldo e até mesmo bolas na trave. Mas a angústia finalmente acabou quando o goleiro Valter tentou ser, sem sucesso, o aríete local. Não deu, chegava a hora do conformismo.

Afinal, se faltou eficiência aos atletas londrinenses, pelo menos a vice-presidência mostrou seu valor e trabalhou bem na tarde de hoje. O cargo é simbolicamente ocupado por Tigrinho, segurança pessoal de Peter Silva. Graças ao bom diretor, não houve problemas de agressões ou xingamentos....permitindo que o presidente voltasse sorridente ao seu confortável lar.

Embora a raça e o suor não tenham faltado ao Tubarão neste jogo de estréia, essas são virtudes que nem sempre alteram placar e pontuação na tabela. Com o empate entre Ypiranga e Chapecoense, o Londrina precisará buscar a superação na cancha dos barrigas verdes, semana que vem. A Falange Azul já prepara caravana, sem se importar que o ato de voltarem tristes para casa tenha virado rotina. Por sorte, eles continuam voltando. No dia que deixarem de voltar, o clube acaba.

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Mai 20

Somos contra o fechamento do Londrina Esporte Clube

por Felipe Lessa20h07

Estão querendo fechar o Londrina em 2009. Montar um novo clube e esquecer todas suadas glórias e conquistas do passado. Querem falir o alviceleste para escapar de auditorias nas contas, seguidas de processos na justiça. Para tal, orquestraram o caos, similar ao funcionalismo público, apenas para privatizar. Enlataram toda história de um Tubarão como se fosse uma sardinha.

Gente que não torce pelo Londrina, não deveria nem mesmo assumir o clube no passado. Queridinhos que batem no peito e falam as abobrinhas de sempre, mas que torcem por qualquer time de São Paulo e por uma boa quantidade de moedas no seu bolso.

Definitivamente, estão matando com o futebol. Estarão matando a história de jogadores como João Neves e Alexandre Bianchi, que por muito tempo defenderam o LEC e têm quantias absurdas a receber. O zagueiro, autor do gol da conquista do estadual, em 92, hoje é carcereiro. Foi praticamente esquecido por “clube” e pela cidade. O segundo está em crise financeira, trabalha pesado como motorista de caminhão e até pouco tempo atrás estava desempregado. Pior: precisou vender diversas fardas de guerras alvicelestes para pagar dívidas.

Esses caras são gente que gosta do clube. Estão certos em cobrar suas dívidas na justiça. Jamais serão taxados de traidores. Estão indignados de saber que não recebiam salários, enquanto seus queridos diretores utilizavam carros novos.

Fechar o clube da cidade é motivo de vergonha, daquelas que nem mesmo um título nacional protagonizado pelo tal Igapó Futebol Clube apagaria de nossa pequena Londrina.

Quero que expliquem a dívida que fez em 94, que segundo boatos, estava na casa de R$1 milhão – e que por causa dela boa parte dos jogadores semifinalistas da Copa São Paulo de tal ano ficou com um excelentíssimo senhor de Ibiporã. Quero que algum doutor explique a dívida de R$200 mil pela quebra de contrato com Rui Barbosa – que me perdoe, pois seu futebol não valia mais que três balas e dois clicletes de multa rescisória. Quero saber onde está o dinheiro do Rafinha. Como um atleta pede dispensa para voltar ao futsal e depois aparece no Coritiba? Tem muitas questões a serem respondidas. Nós queremos as respostas.

Chegou a hora de deixar de hipocrisia. Enquanto Londrina não torcer por um time da cidade, continuará sendo uma cidade pequena e fracassada. Uma cidade que odeia os curitibanos, mas que jamais conseguirá se igualar a eles. E depois ainda falam de bairrismo, protecionismo, etc...

Com essa mentalidade, Londrina merece mesmo é ver futebol pela TV. Isso até o dia em que as grandes emissoras decidirem que para ver futebol na tv TODOS TERÃO QUE PAGAR. Ou acham que a transmissão dos estaduais foi por amor?

Gente de espírito pobre continua sempre pobre. Como o futebol de Londrina. Empobrecido, pela mente pobre, fraca e egoísta dos "empresários QUE FICARAM fortes" às custas do trabalho sujo realizado no alviceleste. E depois falam que Londrina é forte e grande. É uma grande província, que não tem estrutura mental para manter seus bons frutos nos domínios de terras vermelhas. Fechar o Londrina Esporte Clube é um crime contra os honestos que existem na cidade.

Surge aí uma nova versão do Galo Adap. Clube que encheu nossa tradicional e querida cidade rival, Maringá, de lágrimas ao anunciar desistência do Campeonato Paranaense de 2009. Será um time daqueles que quando a cidade mais precisará, pode fechar as portas - desde que haja uma previsão de cálculos e negócios para isso.

Vale ressaltar que o interesse do Malucelli não é fazer Londrina feliz. Nada contra ele, mas é questão de princípios. Quem não impede de o mesmo abandonar nossas terras, quando conveniente, como fez a Adap em Campo Mourão? Assim como fizeram aqueles que já assaltaram as contas do Londrina e que agora mandam recadinhos ao patrício curitibano, ele quer ganhar dinheiro. Nós, os londrinenses, queremos nosso Tubarão novamente. Nosso Paraná pede que não haja impunidade para esse crime contra nosso futebol.

Saiba mais:

http://www.bonde.com.br/bonde.php?id_bonde=1-31-26-90-20090519#comentarios

MANIFESTO DE TORCEDORES, EX-FUNCIONÁRIOS, EX-ATLETAS E DIRETORIA DO G.R.T.O.E.S. FALANGE AZUL CONTRA O FECHAMENTO DO LONDRINA ESPORTE CLUBE

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Mai 08

A Série D em 2009

por Equipe De Primeira16h58

Por Daniel Soares

Aparentemente a Série D acaba de perder um pouco a graça. Pelo menos para mim, que sou da zona oeste carioca. Havia rumores de que o Bangu desistiria de sua vaga conquistada em campo com a sexta colocação no Campeonato Carioca. Não vi nenhuma notícia dando conta da oficialização disso, entretanto, a CBF divulgou no dia 6 a tabela e o regulamento da Série D e o Bangu não está lá. Em seu lugar, entrou a Friburguense, sétima colocada no Estadual. Os outros representantes do estado são o Macaé, quinto colocado no Estadual e o Madureira, terceiro colocado da Copa Rio 2008 (herdou a vaga na Série D do vice-campeão Americano, que por sua vez herdou a vaga na Copa do Brasil 2009 do campeão Nova Iguaçu, que desistiu. A FFERJ recusou o acúmulo).

Outro comentário pertinente é que o regulamento esdrúxulo lembra esquisitices de velhos Campeonatos Cariocas, Libertadores dos anos 80, Brasileirões dos anos 90 e Paranaenses de todos os tempos. Conta com uma incrível fase de mata-mata com 10 clubes, dos quais 8 avançam. Aos fatos:

Primeira fase: Os 40 clubes divididos em 10 quadrangulares. Jogos em turno e returno. Os dois primeiros de cada quadrangular avançam.

Segunda fase: Mata-mata com os 20 clubes classificados. Jogos de ida e volta. Os vencedores das chaves avançam.

Terceira fase: Mata-mata com os 10 clubes classificados. Jogos de ida e volta. Avançam os vencedores de chave mais os três melhores perdedores.

Quarta fase: Os 8 classificados divididos em dois quadrangulares. Os dois primeiros de cada quadrangular avançam.

Semi-finais: Mata-mata com os 4 classificados. Jogos de ida e volta. Avançam os vencedores de chave.

Final: Jogos de ida e volta entre os 2 classificados. O vencedor é campeão.

Os quatro semifinalistas são promovidos à Série C.

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