O Flamengo e a reta final do Brasileirão...
por Equipe De Primeira01h11
Por Daniel Soares
Primeiro tempo maluco no Barradão, no jogo Vitória x Flamengo. Pra quem não tomava gol há 6 jogos, tomar dois de bola parada e mais um de contra-ataque foi fogo. E eu que achava que o principal problema seria o ataque formado por Dênis Marques e Zé Roberto. O Zé está em ascensão e jogou muito bem, principalmente no primeiro tempo.
O Dênis Marques só consegue fazer gol quando a bola desvia no zagueiro. Tá com cara de que vai se consagrar no Campeonato Carioca 2010 fazendo muitos gols em cima de Boavista, Resende, Tigres et caterva. Depois de um segundo tempo sonolento, o Flamengo achou um gol aos 46 minutos. O ponto em Salvador acabou sendo lucro dadas as condições do jogo.
Mas o Flamengo continua tendo que vencer todos os quatro jogos que tem em casa (São Paulo, Santos, Goiás e Grêmio), mais o clássico contra o Botafogo (o jogo será no Engenhão) e vencer as três partidas teoricamente mais fáceis fora de casa (Barueri, Náutico e Corinthians) pra continuar com chances de Libertadores. Muito difícil encaixar uma sequência tão regular, mas é possível até os resultados me provem em contrário.
Os outros jogos....
-O Internacional conquistou uma vitória obrigatória no Beira Rio. Nem as vitórias obrigatórias vinham acontecendo. Voltou a ser candidato sério à Libertadores.
-Acabou o fôlego do Jason? O São Paulo empatou com o Coritiba no Morumbi num daqueles momentos do campeonato em que isso é quase entregar a Taça pro adversário. Alias, no final do jogo o travessão salvou o time do Morumbi de perder em casa. E lá vai o Marcelinho Paraíba mantendo o Coxa na Série A. Esqueci de falar, no texto sobre o Fla x Flu, que ele foi um dos reforços que acertaram o Flamengo no segundo semestre de 2008.
-O Fluminense é um condenado à morte. Ainda está vivo, mas aguarda apenas marcarem a data da execução. Dead man walking. Corinthians? Feliz Natal!
-O Santos fez o que tinha que fazer pra ter um pouco de paz e o Sport já tem o veredito. Aguarda apenas a marcação da data, como o tricolor carioca.
-O 0x0 na Arena da Baixada não chegou a ser tão ruim para os dois clubes. O Atlético segue mantendo distância segura do rebaixamento e mantém proximidade da zona da Sulamericana (alguém se importa?). O Grêmio mantém respirando por aparelhos as chances de Libertadores.
-Quantas pessoas terão pago ingresso para assistir o "clássico" Barueri x Santo André? Ninguém precisa de dois clubes paulistas sem torcida na Série A, a não ser os grandes paulistas, que assim ganham um número maior de partidas em casa.
-A Nação Rubro Negra, mais uma vez comovida, agradece os esforços atleticanos e esmeraldinos de dar emoção ao campeonato. O Botafogo respira e ganha confiança. O Cruzeiro se permite sonhar com a Libertadores.
-O São Paulo provavelmente também agradece ao Palmeiras, que com o empate suado de hoje dá ânimo novo ao tricolor após a ducha fria do empate de ontem. Dois empates em 2x2 com times do sul do país.
O que o Flamengo pode fazer neste Brasileiro?
por Equipe De Primeira02h10

Por Daniel Soares
Estive no Maracanã no domingo. No primeiro tempo, a invenção do Andrade de escalar o time no 4-3-3, com Adriano, Dênis Marques e Zé Roberto não deu certo. Com o meio campo todo desarticulado, Adriano mal foi percebido em campo, Dênis Marques só errou e o Zé foi apenas disposição. Desguarnecida, a defesa ficou aberta e permitiu ao Fluminense fazer alguns contra-ataques perigosos. Parecia que a escrita estava mantida: Fla-Flus são jogos duros e equilibrados, independente da posição dos clubes na tabela.
Só que no intervalo o Andrade fez o que devia fazer: sacou o Dênis Marques e colocou o volante Willians no lugar, que além de ser um carrapato e roubar muitas bolas sem fazer falta, tem alguma qualidade no passe, velocidade e faz um bom apoio no ataque caindo pela direita. Com a marcação acertada lá atrás, Pet, Zé Roberto e o próprio Leo Moura tiveram mais liberdade. As várias opções de ataque desarticularam a marcação do Flu, espaços foram abertos e aí foi só tocar no Imperador que ele resolveu. Aos 20 minutos o jogo estava definido, com o Fluminense sem qualquer capacidade de reação.
O momento é bom. O Flamengo virou um time de futebol e ganhou estabilidade. Seis jogos invicto e sem sofrer gols. 14 pontos conquistados em 18 disputados. O problema é a instabilidade do Flamengo em campeonatos longos, que fica evidente desde 2007, quando bons times começaram a ser montados. O time se desmonta no início da janela e só se recompõe no final dela. Naquele ano, depois de freqüentar o rebaixamento durante todo o primeiro turno (com vários jogos a menos por conta do Pan), o time fez uma arrancada histórica e chegou à Libertadores, com o 3º lugar na tabela. Não foi só milagre do Papai Joel. O time montado para a Libertadores e campeão carioca começou o campeonato claudicante, ainda na ressaca da eliminação da Libertadores. Depois perdeu Renato Augusto e Renato Abreu. Foi se recompor apenas no fim do primeiro turno com as chegadas de Fábio Luciano e Ibson.
No primeiro semestre de 2008 o Flamengo montou o seu melhor time em muitos anos. Foi bicampeão carioca com facilidade e só não foi mais longe na Libertadores por causa de um oba-oba tipicamente rubronegro que terminou no vexame histórico contra o América do México no Maracanã. Mesmo assim, começou o Brasileiro de forma espetacular. Na décima rodada liderava com seis pontos de vantagem. Aí perdeu Marcinho e Souza, na janela. E, de novo, só foi se recompor no final da janela, no início do returno. Voltou a atuar bem e a conquistar boas vitórias. Deixou de ir à Libertadores por dois pecados imperdoáveis: empates no Maracanã contra a Portuguesa (2x2) e Goiás (3x3), este último depois de fazer 3x0 no primeiro tempo.
Em 2009, foi tricampeão carioca meio no embalo e na falta de adversários. Fez uma Copa do Brasil meia boca, apesar de ter crescido nos jogos contra o Inter e ter sido eliminado no Beira Rio com um gol no final. Começou o campeonato de forma errática. Adriano deu gás no início, mas fora de forma, alternava atuações boas e ruins. Mesmo assim, o time passou a ter um ataque, que não tinha até ali. Nos 13 jogos com Cuca, conquistou apenas 17 pontos e era o 11º. A entrada do Andrade deu um embalo que durou dois jogos: Santos fora e Atlético Mineiro em casa. Aí começou a sentir a perda de Ibson, que tinha ido embora pouco antes do Cuca, de Émerson que voltou pras Arábias, de Kléberson, estourado pela Estônia e do próprio Adriano, convocado. Nos seis jogos entre 16ª e a 21ª rodadas, o Flamengo viveu sua tradicional fase ruim do final do primeiro turno. Foram 4 pontos conquistados em 18 disputados. Com as chegadas de Álvaro e Maldonado, a defesa se acertou. Adriano entrou em forma e o Pet surpreendentemente entrou em forma e passou a fazer belas partidas.
Agora, vai ter que fazer sua já quase tradicional reação. Pode até chegar na Libertadores. Há muitos jogos difíceis: São Paulo, Goiás, Grêmio, Palmeiras e Atlético Mineiro, estes dois últimos fora de casa. Perderemos o Adriano, convocado, justo contra o São Paulo. Mas a reação é possível. O problema é que com os apagões da janela, o Flamengo perde a chance de disputar o título brasileiro que não vem há 17 anos.
Que o Léo Moura queime!
por Equipe De Primeira01h41
*por Felipe Oliverote
Arrancaram o couro do Léo Moura por conta dos palavrões dirigidos à torcida do Flamengo após o gol de empate contra o Náutico. O sujeito já não é uma das figuras mais legais do futebol, longe disso, e na bocada de seus 30 anos, o surto de raiva pode mesmo ter sido o que de mais bacana aconteceu na carreira do lateral direito.
Talvez, no caso do flamenguista, a única coisa que poderia entrar na galeria dos acontecimentos que fazem o futebol ser o que é - tudo aquilo que não representa rios de dinheiro, nem toneladas de troféus.
E aí o pessoal que reclama do mecanicismo das respostas dos jogadores posa de tribunal da inquisição ao receber o pedido público de desculpas de Léo Moura - como se o jornalismo esportivo fosse mesmo essa bancada de jurados, pessoas que representam e defendem os valores de uma sociedade ideal.
Engrosso o coro de Mauro Cézar Pereira, da ESPN: o politicamente correto está aleijando o futebol brasileiro, o deixando careta e corporativo(no pior sentido da palavra). Em nome de um ideal de profissionalismo tacanha e na tentativa de produzir, em série, bons moços à lá Kaká, acabamos construindo robôs que, se nunca serviriam como modelo, muito menos representam ídolos.
Por isso, o que sobra é essa carência de figuras que alimentem a mitologia do futebol. Nada mais triste. Nada mais distante da verdade. Nada mais entediante para o torcedor.