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De Primeira: Futebol, Futebol e Futebol

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Jan 21

Este é o fim do futebol como o conhecemos. E não me sinto bem

por Jones Rossi03h52

O futebol se parece um pouco com a política. Às vezes mais do que a gente gostaria. Quando a comunidade não está interessada em seus próprios rumos, quem toma conta são os políticos desonestos e corruptos. No futebol, quando cidades inteiras deixam de se importar com seus times para adorar o que vem de fora, empresários e espertalhões invadem o galinheiro antes que se possa dizer "categoria de base".

Por isso os estaduais são o que são. Meia dúzia de times com alguma tradição contra ex-times de tradição transformados em entrepostos de venda. Até o suposto melhor campeonato estadual do país, o Paulista, está recheado de times que não fazem o mínimo sentido: Guaratinguetá, Ituano, Paulista, São Caetano e por aí vai. Jogos às quartas-feiras de madrugada, estádios que se parecem entre si, torcidas tão vibrantes quanto um jogo de bocha com seu tio de 80 anos. Este é o Paulista. Imagine os outros.

Poucos vão concordar, mas campeonato estadual é o Gaúcho. Por um motivo simples. O interior ainda concentra times que têm conexão com a comunidade. Quem já foi para o interior gaúcho sabe como as cidades e a população valorizam seus times, mesmo que não sejam grandes coisas. E aí está a diferença para o interior paulista e paranaense, nos quais a população prefere torcer pela TV por times que no máximo irão ver no estádio uma vez na vida.

Qual o sentido em morar em Maringá e torcer pelo Corinthians e não pelo Grêmio Maringá (quando este existia)? Por que o Corinthians (ou São Paulo, Palmeiras, o time não vem ao caso) vence mais que o Maringá? Pô, mas é óbvio que vence e sempre vencerá. Mas deixem que os paulistanos cuidem do Corinthians. Torcer para um time local representa afirmar uma identidade própria, não importada, que faça sentido e tenha relação com o lugar em que você mora. Aos poucos, criam-se tradições, os domingos no estádio, as vitórias heróicas, aquele título duramente conquistado, o choro pelo rebaixamento.

Uma das histórias mais bonitas que escutei e não sei se é verdade, mas que cala fundo quando eu penso no Grêmio Maringá, é a de um torcedor do Atlético-PR que escutava todo o pré-jogo e desligava o rádio quando a partida começava. "Para mim basta saber que o Atlético existe", explicava. Para mim, bastaria saber que o Grêmio existe e começaria neste fim de semana mais um Campeonato Paranaense. Nem isso eu tenho.

Por isso, os campeonatos estaduais têm que acabar. Não faz sentido os clubes que têm relação com a torcida, ainda são grandes e têm força, disputarem um campeonato apenas para dar sobrevida, e principalmente grana, a times cujas próprias cidades já os abandonaram. Por causa do estadual, a aberração dos infernos Corinthians Paranaense vai ganhar alguns meses de destaque e pode provocar estragos duradouros no futebol paranaense. Por causa dos estaduais, os empresários conseguem colocar jogadores meia-boca na vitrine a preços baixos, em Guaratinguetás da vida. Na quarta divisão do Campeonato Brasileiro estes times só seriam motivo de piada, como realmente são, embora de vez em quando um ou dois abortos da natureza escapem e cheguem à Primeira Divisão.

(Pensando bem, seria até engraçado ver um dia o Corinthians Paranaense, que queiram ou não, é administrado por profissionais, gente que é dona de instituições financeiras, ganhando do Corinthians original, tocado por amadores e mal-intencionados. Será que o acordo tem alguma cláusula impedindo os dois de frequentarem a mesma divisão?)

Voltando ao assunto. A grande alternativa são os regionais: Rio-SP, Sul-Minas, Nordestão. Mas as federações jamais permitiriam perder o poder. Cada federação representa um voto e a CBF dificilmente bateria de frente com elas. A verdade é que a Federação de Futebol de Roraima é tão ou mais importante aos olhos da CBF que o Flamengo, que joga o estadual para sustentar o Nova Iguaçu e o Cabofriense, ao passo que clubes tradicionais como o América-RJ, Bangu, Madureira e Goytacaz fade away.

Trocando em miúdos, não há solução por enquanto. Se o presidente de um clube campeão brasileiro já me disse que sugeriu a volta da Sul-Minas e foi impossível convencer clubes como Cruzeiro a tomarem parte, é porque estes clubes também caminham para o inevitável apequenamento. Talvez o futuro seja assim mesmo. No lugar do Toledo, uma franquia do São Paulo. No lugar do Goiânia, cria-se o Corinthians Goianiense. Extingua-se o CSA em favor do Flamengo Alagoano - até porque Corinthians eles já têm. E o Brasil do "Bahia, minha porra", do "Santa é lindo", do "A-tlé-ti-co" e do "Vamo, vamo, Inter"; do Brasil de Claudio Milar, do Remo e do Sampaio Correa, dará lugar a um único coro unânime: "somos um bando de loucos". E estaremos cheios de razão. Seremos loucos e idiotas.

E assim espero ter encerrado minha série lacrimosa sobre essa porcaria toda que se tornou o futebol. Ainda há esperança, Kaká disse não ao Manchester City. E disse pelos motivos certos. Pode ser que o vento tenha mudado direção. Não conto com isso, mas não custa sonhar.

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Nov 25

O futebol acabou (Eu não falei isso antes?)

por Jones Rossi00h14

Marquinhos, do Vitória, foi contratado pela Traffic. Vai para o Palmeiras, ano que vem. Então resolveu, desde já, vestindo as cores do Vitória, usar uma chuteira VERDE, em homenagem ao PALMEIRAS, seu futuro clube. Sentiu o drama?

Pois bem, não acaba aí. O guri vai enfrentar neste fim de semana, ainda pelo Vitória, o Palestra. Se jogar bem e ajudar a vencer, deixa o Palmeiras e a si mesmo de fora da Libertadores de 2009, como argumentou Juca Kfouri, sempre bancando o paladino da ética, mas desta vez cheio de razão, em seu blog.

Na boa, isso é pior que Palmeiras x Juventude nos tempos de Parmalat.

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Jul 11

Solidão de Fonte Nova

por Equipe De Primeira23h17

Por Bruno Cartaxo*

Por mais que eu tente evitar, quase sempre acabo em um textinho saudoso falando da velha Fonte. Sei que a valorização do passado e a busca de situações na memória são mecanismos de rotina nas crônicas que a gente lê por aí, mas quando o assunto é Fonte Nova, não dá para resistir. Assim como a torcida mais apaixonada e maltratada do Brasil, as palavras teimam em aparecer naquelas arquibancadas, ilustrando algumas das minhas melhores lembranças.

Nessa semana, me senti deprimido, me senti sozinho. Acontece com todo mundo de vez em quando. Mas essa solidão era uma solidão diferente. Era solidão de Fonte Nova (esse termo fui eu quem batizei). E a saudade que apareceu dessa vez não era dos fatos e jogos mais marcantes.

Era das coisas mais simples, que parecem pequenas, mas têm influência profunda no sentimento de todo tricolor. Saudade de pegar minha bandeira enrolada no cantinho do armário. Saudade do caminho da minha casa até o estádio. Saudade de ficar procurando vaga no Jardim Baiano. Saudade dos guardadores de carro gente boa. Saudade de tomar uma cervejinha na padaria de Seu Antônio e Aguiar. Saudade de pegar fila para comprar ingresso. Saudade de reclamar da demora e falta de troco dos guichês. Saudade da resenha, ali na frente da Telemar.

Saudade de Jorge, o porteiro da Especial. De Roberta, do bar. De Robgol, do sorvete na lata. Do maluco do amendoim torrado. Saudade da pipoca no saquinho de plástico, da cerveja quente, do cheirinho de xixi. Saudade de comprar 3 pacotes de amedoim cozido e dividir com o resto da galera. Saudade de ficar tentando equilibrar 3 copões de plástico nas mãos para trazer a cerveja dos amigos. Saudade de gritar um gol ali em pé, de comemorar junto, de xingar os jogadores, o juiz, Arthuzinho e Maracajá.

Saudade de jogar o resto da cerveja fora só para abraçar os amigos na hora do gol. Saudade de ficar nervoso olhando para o relógio. Saudade de virar o rosto para a piscina da Fonte Nova só para não olhar a falta cobrada pelo time adversário. Saudade dos amigos de Fonte, daquela galera que a gente gosta de graça, mas só via em dia de jogo. Saudade das piadas de Boca de Flor, de Bruninho, da galera do Bahiano, do pessoal da Pequena Notável. Saudade de sentir a vibração da torcida, o côro da Bamor, o batuque da Povão. Saudade de perguntar “o gol foi de quem?”, “Tá marcando o tempo?” ou “ Quem é essa carniça?”.

Saudade da brisa de Nazaré no rosto no meio do segundo tempo. Saudade do grito de Borabaêa. Saudade de voltar puto chutando tudo pelo caminho. Saudade de voltar feliz, ansioso para ligar o rádio no carro. Saudade do engarrafamento na volta para a casa. Saudade de ver meu time dentro das quatro linhas do campo, mas fora das quatro linhas da tela da TV.

Saudade...

uma saudade que prova que cada jogo ali, até o que parecia mais insignificante, sempre foi recheado de “coisinhas” que a gente nunca vai esquecer.

*Bruno Cartaxo escreve para o blog Bora Bahêêêa, minha porra!, que cedeu o texto ao De Primeira.

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