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De Primeira: Futebol, Futebol e Futebol

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Set 06

La versión Sudaka de G.S. Hooligans?

por Felipe Lessa01h24

Estreou essa semana no Chile o filme Raza Brava. A história é a de um torcedor do Colo-Colo que fica paralítico, mas, mesmo em uma cadeira de rodas, não deixa seu clube de lado e continua a fazer parte da Garra Blanca, a barra (torcida) mais querida e temida de los albos. Espero não ver o sensacionalismo do filme Green Street Hooligans. Ainda não assisti, mas fico na esperança de que a película forneça uma boa documentação sobre os BarraBravas.

Confira o trailer abaixo:

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Ago 27

Profetas de L'alcúdia

por Felipe Lessa19h34

Nesta terça-feira (26), o selecionado brasileiro foi derrotado pelo VillaReal da Espanha, em jogo válido pelo Torneio Internacional L'alcúdia. Ao todo, oito clubes disputaram o torneio sub-20. No grupo A, seleções de Brasil, Uruguai, Rússia e Colômbia. No B, Guarani do Paraguai e três espanhóis: VillaReal, Real Madrid e Valência. Ou seja, uma disputa entre clubes e seleções.

No torneio de L'alcúdia, as seleções estão presentes desde a primeira realização em 84, quando um selecionado de Paris participou. Tratava-se de um pequeno esboço que afirmaria: clubes e seleções são (se tornarão) a mesma coisa, mesmo que na ocasião, o selecionado fosse municipal. Em 86, enfim, surgem os nacionais. Quem deu as caras foi a União Soviética, equipe campeã de tal ano. Deixou para trás equipes como Valência, seleção de Benfica e Sporting de Gijón.

Sem distinções, o futebol clube e o de seleção nacional residem o mesmo espaço. Quase sempre, já que em 2002 o torneio apenas contou com seleções. Em 2007 contou apenas com clubes, três deles brasileiros. Ainda assim, basta ver a lista de campeões, para ver que tudo é colocado no mesmo saco. O peso do título do Chile (98) é o mesmo do Real Madrid (94). Competição visionária que mescla clubes e seleções. Que afirma que vai ser tudo a mesma coisa.

O torneio é visionário pois os selecionados estão se comportando como clubes. Enquanto muitos brasileiros enfrentam problemas para imigrar ilegalmente para Estados Unidos e Inglaterra, tentando a chance de “ser alguém na vida”, a CBF realiza alguns amistosos por lá, deixando o brasileiro pobre de lado, sem poder ver sua seleção, para juntar grana legalmente no lado rico do mundo. Ganhar grana. Mesmo que não seja para contratar ninguém, nem para dar condições para que nossos jogadores fiquem aqui.

Outras seleções também se tornaram internacionais e “contratam” conforme for conveniente. Ao menos eles investem. O povo do Brasil apenas perde por não ver os jogos da seleção no estádio, mas também ganha. Nós brasileiros que já assistimos futebol de seleção pela TV, temos novas opções. Uma delas é torcer por outros brasileiros que nos representam ou representaram em seleções como a portuguesa, japonesa, belga, alemã, entre outras. O último bem sucedido foi Marcos Senna, campeão da Eurocopa 2008, com a Espanha. Vale recordar também que a federação argentina anda reclamando do assédio de croatas contra seus atletas jovens.

Ainda assim, o Brasil não é tão bobo. Desde meados dos anos 90, passou a importar em maior escala. Nossos clubes compram mão de obra dos latino-americanos. Los hermanos no tienen el futbol tão valorizado financeiramente. Comparados com eles, temos capital para importar. Em breve, com a queda do rendimento de nossa seleção, também podemos importar para nossa canarinho. Mas será necessário um trabalho de base.

A naturalização no futebol é algo que já afeta o Brasil desde os anos 30, que tentou ser barrada em 66 e foi novamente aceita no final dos anos 70, quando o jogador poderia atuar apenas um selecionado, contando também as atuações pelas categorias menores. Ou seja, o futebol virou cosmopolita.

Talvez seja paranóia. Talvez não. Vale lembrar dos planos do 6+5 da FIFA, sobre o número de jogadores estrangeiros que cada equipe européia poderia ter. Afinal, clubes como Inter de Milão, Milan e Paris Saint Germain têm convênios para descoberta de talentos estrangeiros fora de seus países, no ninho: África e América Latina.

No contra ponto, dizem que existe um lobby de grandes grupos de investimento junto à FIFA. A intenção seria de acabar com as seleções nacionais. Um reflexo da sociedade, dos processos de trabalho, onde o próprio capital foi precursor da ocasião que torna o futebol cada dia mais internacional. Como diriam os anarquistas, sem bandeiras, nem fronteiras. Mas para isso, teriam que acabar com as nações. O futebol também ajuda a manter o orgulho nacional de países que não lembram de razões para se orgulhar de nada.

Ou seja, é difícil, pois na contra-mão dos libertários, tudo ocorre em função do capital. O capitalismo selvagem que a cada dia atropela nosso povo como um rolo compressor e ataca novamente. Com clubes multimilionários, em especial da anti-brasileira Espanha, contratando a mão de obra de imigrantes brasileiros para o futebol. Apenas para o futebol.

Uma questão complicada e cada vez mais desgraçada. Talvez não tenhamos mais seleção no futuro. Talvez não tenhamos mais craques, já que os empresários exportam tudo. Até mesmo os “meia-boca”. É uma questão ampla. Que toma conta de nossa sociedade, não apenas do futebol. Mas que na questão da peleja, coloca o torneio de L'alcúdia na posição de profetas ao não diferenciar bandeiras clubísticas de bandeiras nacionais. Mesmo que tal posição não seja reconhecida oficialmente (é praticamente impossível que seja).

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Jun 10

Três gols contra o centralismo

por Equipe De Primeira20h41

Por Andrés Orrego Siebert*

Não quero subir no carro da vitória alheia, mas fiquei muito contente pelo triunfo do Everton sobre Colo-Colo na final do campeonato de apertura chileno. Sem dúvida, esta conquista representou três gols à arrogância dos santiaguinos de se acharem o centro do universo.

A conquista da quarta estrela dos ruleteros me fez pensar algumas coisas. A primeira delas (e minha obsessão) é que não se precisa ser um time de Santiago para ser um grande do futebol chileno. Everton demonstrou que, tendo as condições adequadas e um bom treinador, pode-se chegar ao topo.

A segunda é que Viña del Mar precisa construir um novo Estádio Sausalito.

A terça, e final, é que o futebol chileno seria muito diferente se tivesse sido desenvolvido no seu berço, ou seja, no Porto.

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Vamos por partes
O Everton escreveu seu nome como um dos grandes. Seu quarto campeonato o deixa empatado com o Cobreloa, da cidade de Calama, em quantidade de títulos obtidos por equipes "pequenas" ou "de província" como dizem, não sei se de jeito depreciativo ou simplesmente estúpido, os jornalistas de esportes que trabalham na capital.

Desta perspectiva, o time de Nelson Acosta anotou três gols ao centralismo esportivo, e ainda aproveitou para calar a boca das pessoas que pensavam que o Colo Colo seria pentacampeão. Neste momento, só dependerá do clube viñamarino seguir tendo sucesso, sobretudo porque tem a Taça Libertadores pela frente.

Porém, para que o Everton continue levantando taças, é necessário investimento do clube para comprar reforços como do mundo político, pois o Estádio Sausalito não é apto nem para uma final nacional nem para um jogo da Libertadores.

O coliseu viñamarino é estruturalmente deficiente, não tem bons acessos, é inseguro e o fato de estar no cume de um morro permite a pelo menos umas mil pessoas verem os jogos sem pagar pelo ingresso.

Em minha opinião, o Sausalito simplesmente está longe de ser uma boa alternativa para jogos de nível internacional. Mas a solução não é tão complexa, ainda que custosa.

De fato, é essencial que o governo comece a construção de um Estádio Olímpico, Metropolitano ou diretamente um segundo Estádio Nacional. Mas, parece que, no Chile, quem mora fora da capital não é considerado chileno, então seguiremos tendo regiões com muitos recintos mal construídos ou menores na sua envergadura que os de Santiago.

Finalmente, penso que se o futebol chileno tivesse sido desenvolvido nos portos, como foi na sua origem, o Chile teria hoje outro futebol. Sim, porque a primeira associação nacional deste esporte foi fundada perto dos anos 1880 e 1885 em Valparaíso, sob o nome de Football Association of Chile.

Sendo fiéis à história, em Valparaíso disputavam-se três torneios: a Taça Sporting, a Taça Mac Clelland e The League. Isso tudo é muito mais futebol do que se costuma jogar hoje e, o melhor disso, era grátis!

Assim, os primeiros clubes do nascente futebol chileno, todos anglo-porteños, foram o Valparaíso FC, Old Valparaíso, Badminton FC, Mac Kay and Sutherland, Victoria Rangers, La Cruz FC, Valparaíso Wanderers, Unión Edwars FC, Jorge VI FC, Gold Cross, Williamson, National e o mítico Santiago Wanderers. Após os primeiros anos, apareceu o Everton de Viña del Mar, clube que, estranhamente, nasceu em 1909 no Morro Alegre no Porto Principal.

É preciso dizer que não só em Valparaíso desenvolveram-se ligas de futebol, mas também em outros portos, como Talcahuano, no sul, e em Iquique, no norte, que tiveram no século XIX campeonatos deste tipo.

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Mas... que aconteceu?

Segundo a história, o futebol também chegou à capital do Chile. Isso fez que a elite criolla, que morava em Santiago, e os comerciantes (quase todos ingleses), que moravam em Valparaíso, disputarem o domínio do futebol, tal como eles faziam com a política nessa época.

A situação quebrou a Football Association of Chile, e dela nasceram muitas associações menores. Mas o problema acabou no ano 1929, pelo decreto supremo presidencial que criou a Federação de Futebol do Chile, cuja sede fica em Santiago.

Porém, até esse momento, o futebol foi um esporte porteño. De fato, o primeiro estádio foi construído em Valparaíso pelos ingleses no ano 1870.

Prova disso é que a primeira partida inter-cidades do Chile aconteceu em novembro do ano 1893 nos jardins do palácio Cousiño, em Santiago. Nesse dia, porteños e capitalinos lutaram pela vitória e, finalmente, o vencedor foi o Valparaíso FC, que fez sete gols contra dois do Santiago Club.

Além disso, o primeiro encontro internacional de que se tem memória foi jogado na grama do Valparaíso Sporting Club de Viña del Mar. Naquele dia 25 de novembro do 1893, uma seleção natamente porteña enfrentou a Argentina. O resultado final da partida foi 1x1.

Mesmo assim, a Football Association of Chile foi reconhecida pela Fifa em 1913. Porém, a insistência das elites santiaguinas em obter a hegemonia, não só da política, mas também dos esportes, afastou o pais de alcançar um alto desenvolvimento no futebol.

Mas nem tudo é culpa dos aristocratas santiaguinos que feriram gravemente o país, após se imporem como centro do universo. A I Guerra Mundial matou grande parte dos precursores do nosso futebol. Eles foram mortos em combate na defesa da sua pátria, o Reino Unido, e nunca voltaram para Valparaíso.

*Jornalista chileno, vive em Viña del Mar, torce para o U. Católica e aprendeu português com a namorada brasileira.

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