Out 27
O prefeito tem culpa sim
por Jones Rossi15h56
A morte de João Henrique Mendes Xavier Vianna, 21 anos, também é culpa do prefeito de Curitiba, Beto Richa. O mesmo Beto Richa que gosta de posar em fotos com membros das torcidas organizadas. Também é culpa do governador. E também é culpa do secretário de segurança e principalmente do ineficaz Ministério Público, um órgão decorativo no que se refere à violência cometida pelas organizadas.
Além da morte de João, houve alguma novidade no pós-Atletiba de domingo? Dezenas de ônibus depredados, brigas na periferia, bombas no estádio. Tudo isso constitui um roteiro previsível em dia de Atletiba. Então, por que nada foi feito? Por que nenhuma precaução foi tomada? Por que os culpados por vandalismos e agressões de outros Atletibas não estão presos ou ao menos impedidos de ir aos estádios?
Vamos dar nome aos bois - ou aos burros. Começando pelo Ministério Público, que não faz cumprir o Estatuto do Torcedor. A lei manda que envolvidos em atos violentos nos estádios sejam proibidos de frequentar estádios em dia de jogo. Têm de ficar na delegacia. Não é isso o que acontece. Houve uma iniciativa isolada da justiça em São José dos Pinhais e só. O MP também teve a chance de extinguir as torcidas organizadas no Paraná. Preferiu passar a mão na cabeça e exaltar supostos programas sociais realizados por elas. Normalmente os promotores aparecem depois de eventos trágicos como o que aconteceu com o João para propor alguma solução mirabolante e que os faça ganhar destaque na mídia.
Passemos ao governo do estado. Claramente a secretaria de segurança não considera o Atletiba um problema. Ou, se considera, toma medidas inócuas para prevenir e controlar os estragos. A Polícia Militar não prende ninguém, nunca. É só fazer o levantamento e ver quantas pessoas estão na cadeia por eventos violentos relacionados ao Atletiba. Arrisco dizer, sem medo de errar: ninguém. É como se portadores de camisas de torcidas organizadas tivessem um salvo-conduto para tocar o terror. Sabem que não serão presos. Pior fica quando a Polícia Militar resolve dar combate. Sai por aí batendo em inocentes. Em um Atlético x Paraná, a PM cegou com um tiro de borracha uma menina que foi ao estádio com o namorado. E existe um setor de inteligência na Polícia Civil, que se infiltre nas torcidas organizadas e saiba quem são os bandidos lá dentro? Se não existe, deveria existir. Se existe, devem estar pastando na grama dos estádios paranaenses em busca de pistas.
E, finalmente, o prefeito galã, o carinha que curte posar ao lado dos membros das torcidas que aprontam essas atrocidades. Um cara que surfou na onda da Copa 2014 sem ter movido um dedo para levá-la para Curitiba. Mas, que na hora de procurar soluções para o flagelo do Atletiba, preferiu não fazer nada. É inconcebível que diante de todas as informações que se têm sobre o que acontece em dia de clássico o prefeito simplesmente lave as mãos. Se o que falo está errado, que a assessoria da Prefeitura me envie a agende de compromissos dele antes do clássico e mostre o que ele fez para evitar a barbárie de domingo. Publicarei aqui no blog.
Gostaria de ver ele posar hoje, dia 27 de outubro de 2009, com a mesma cara sorridente ao lado dos organizados da Império - ou Fanáticos, ou Fúria, ou qualquer uma dessas facções. Em um mundo no qual os dividendos políticos valem mais que a moral, mortes como a de João Henrique continuarão acontecendo. E daqui a dez anos, em um Atletiba qualquer, tudo estará igual.
PS: Alô, pessoal que defende clássicos de uma torcida só. Vou mais além. Está na hora de simplesmente acabar com os clássicos. Sim. Sem mais Atletibas. Extinguam o clássico até que todas as providências que evitem as barbáries sejam tomadas. Quando vereadores pegos usando armas estejam na cadeia. Quando quem se envolver em brigas nunca mais pise novamente nos estádios. Aí o Atletiba pode voltar. Até, deve ser adotado o W.O. obrigatório nos clássicos. Já começam sem os eventuais pontos do clássico no Campeonato Brasileiro. Quem sabe assim aprendem.
Feliz, prefeito? pt. 2
por Equipe De Primeira03h06

A foto acima mostra um torcedor do Coritiba desmaiado na calçada e seu carro tombado ao fundo. Segundo relatos de integrantes da comunidade do orkut onde a imagem foi postada, ela é resultado de um incidente entre organizadas de Coxa e Atlético no dia do clássico. A briga ocorreu na região leste de Curitiba.
Parabéns, prefeito. Um já morreu. Por pouco não aumentam as estatísticas.
Out 09
O Flamengo e a reta final do Brasileirão...
por Equipe De Primeira01h11
Por Daniel Soares
Primeiro tempo maluco no Barradão, no jogo Vitória x Flamengo. Pra quem não tomava gol há 6 jogos, tomar dois de bola parada e mais um de contra-ataque foi fogo. E eu que achava que o principal problema seria o ataque formado por Dênis Marques e Zé Roberto. O Zé está em ascensão e jogou muito bem, principalmente no primeiro tempo.
O Dênis Marques só consegue fazer gol quando a bola desvia no zagueiro. Tá com cara de que vai se consagrar no Campeonato Carioca 2010 fazendo muitos gols em cima de Boavista, Resende, Tigres et caterva. Depois de um segundo tempo sonolento, o Flamengo achou um gol aos 46 minutos. O ponto em Salvador acabou sendo lucro dadas as condições do jogo.
Mas o Flamengo continua tendo que vencer todos os quatro jogos que tem em casa (São Paulo, Santos, Goiás e Grêmio), mais o clássico contra o Botafogo (o jogo será no Engenhão) e vencer as três partidas teoricamente mais fáceis fora de casa (Barueri, Náutico e Corinthians) pra continuar com chances de Libertadores. Muito difícil encaixar uma sequência tão regular, mas é possível até os resultados me provem em contrário.
Os outros jogos....
-O Internacional conquistou uma vitória obrigatória no Beira Rio. Nem as vitórias obrigatórias vinham acontecendo. Voltou a ser candidato sério à Libertadores.
-Acabou o fôlego do Jason? O São Paulo empatou com o Coritiba no Morumbi num daqueles momentos do campeonato em que isso é quase entregar a Taça pro adversário. Alias, no final do jogo o travessão salvou o time do Morumbi de perder em casa. E lá vai o Marcelinho Paraíba mantendo o Coxa na Série A. Esqueci de falar, no texto sobre o Fla x Flu, que ele foi um dos reforços que acertaram o Flamengo no segundo semestre de 2008.
-O Fluminense é um condenado à morte. Ainda está vivo, mas aguarda apenas marcarem a data da execução. Dead man walking. Corinthians? Feliz Natal!
-O Santos fez o que tinha que fazer pra ter um pouco de paz e o Sport já tem o veredito. Aguarda apenas a marcação da data, como o tricolor carioca.
-O 0x0 na Arena da Baixada não chegou a ser tão ruim para os dois clubes. O Atlético segue mantendo distância segura do rebaixamento e mantém proximidade da zona da Sulamericana (alguém se importa?). O Grêmio mantém respirando por aparelhos as chances de Libertadores.
-Quantas pessoas terão pago ingresso para assistir o "clássico" Barueri x Santo André? Ninguém precisa de dois clubes paulistas sem torcida na Série A, a não ser os grandes paulistas, que assim ganham um número maior de partidas em casa.
-A Nação Rubro Negra, mais uma vez comovida, agradece os esforços atleticanos e esmeraldinos de dar emoção ao campeonato. O Botafogo respira e ganha confiança. O Cruzeiro se permite sonhar com a Libertadores.
-O São Paulo provavelmente também agradece ao Palmeiras, que com o empate suado de hoje dá ânimo novo ao tricolor após a ducha fria do empate de ontem. Dois empates em 2x2 com times do sul do país.
Jul 29
Punição desviada e impunidade
por Equipe De Primeira21h49
Por Ricardo Campelo
No último clássico estadual entre Atlético x Coritiba, alguns torcedores proporcionaram cenas lamentáveis dentro do estádio. Arremesso de bombas, cadeiras e até de azulejos deixaram alguns feridos e todos os demais aterrorizados. Os incidentes duraram praticamente todo o intervalo do jogo (cerca de quinze minutos) sem nenhuma resposta ou coerção eficiente por parte da polícia presente.
Ao final do jogo, o árbitro relatou os acontecimentos na súmula da partida. Em tempo recorde, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva apresentou sua decisão: punição a Atlético e Coritiba, que perderam mando de campo e terão que pagar multas de, respectivamente, R$ 20.000,00 e 10.000,00. Ambos os clubes recorreram, mas tudo parece se encaminhar para a manutenção da pena.
Compreensivelmente, muitos dos – verdadeiros – torcedores de Atlético e Coritiba classificaram como justa a condenação imposta. Ninguém gosta de presenciar violência, e a ausência de punição proporcionaria uma inaceitável sensação de insegurança para quem quer apenas torcer por seu time.
O próprio Código Brasileiro de Justiça Desportiva é que estabelece punições deste tipo. Seu art. 213 determina que as entidades que abrigam jogos em suas praças devem tomar medidas para prevenir e reprimir situações de violência, como esta que ocorreu na Baixada. E o mesmo artigo prevê a possibilidade de punição do time visitante pelos atos de sua torcida – muito embora se saiba que não há nenhuma medida ao alcance de seus dirigentes capaz de evitar estes incidentes.
Particularmente, considero este tipo de punição (ou sua própria previsão) injusta. Não vejo formas eficazes que os clubes possam adotar para evitar totalmente este tipo de ocorrência. Me parece utópico imaginar que os seguranças contratados pelos mandantes irão revistar integralmente o corpo de todos os torcedores, impedindo que estes ingressem no estádio com artefatos perigosos. Aliás, creio que não demorará para que elementos passem a se infiltrar em torcidas adversárias para promover atos de arruaça com o intuito provocar a punição desportiva ao clube rival do seu. Mas não é isso que quero debater.
Minha intenção não é discutir se a punição aos clubes é justa. Mas sim se ela é suficiente. Veja-se bem: marginais ingressaram em um estádio de futebol e arremessaram bombas e azulejos contra a torcida adversária, onde estavam pessoas comuns, que nada tinham a ver com o conflito. E nós estamos a achar suficiente “puni-los” meramente com a subtração de mandos de campo do seu time?
Parece-me um total absurdo, e esta situação é, sim, de impunidade. Estes elementos praticaram crimes de, no mínimo, lesão corporal (talvez tentativa de homicídio). Para este tipo de conduta, o Código Penal prevê prisão. Isto mesmo, pena privativa de liberdade. Esta é a condenação que deve incidir para estas práticas, e não meras perdas de mando de campo. Estamos diante de fatos que demandam coerção na esfera criminal, independente do que ocorre na esfera desportiva.
Alguns defendem que este tipo de punição é eficiente, pois faz com que os demais torcedores, preocupados com possíveis prejuízos para o clube que torcem, policiem e delatem a conduta dos arruaceiros. Como se esta atribuição fosse minha, sua, nossa, e não da polícia. Ora, se alguém ameaça arremessar-me um azulejo na cabeça, eu quero que a polícia me proteja, e não o colega de arquibancada do agressor.
Portanto, me preocupa esta sensação de saciedade que tenho visto, por parte de muitos, com a punição imposta a Atlético e Coritiba. As dezenas de marginais que provocaram a algazarra no Atletiba continuam soltos, impunes, aguardando nova oportunidade para se confrontarem. Não estão pouco aí para o fato de que seus clubes foram prejudicados, pois para eles a preocupação não é o futebol, e sim a violência. Isso tem nome: impunidade, com a qual infelizmente estamos tão acostumados a conviver no Brasil.
A César o que é de César: a polícia é a responsável por reprimir estes crimes. Ela é que deve ser cobrada. Assim, cabe a pergunta: alguém foi preso neste incidente?
Jun 15
Voltamos a sorrir
por Felipe Lessa04h18


Jun 08
Por que o futebol paranaense vai tão mal?
por Equipe De Primeira17h56
Uma conversa sobre o futebol paranaense, que está vivendo uma crise terrível. Este não é um textão corrido, nos moldes tradicionais. Abaixo estão algumas ideias e diagnósticos feitos pela equipe do blog em nossa lista de discussão.
Ricardo Sabbag diz:
"Li este post aqui no blog do Léo Mendes: http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/blog/arquibancadavirtual?id=894445
mas vou comentar "publicamente", pra quem quiser entrar na discussão.
Os clubes paranaenses - como a maioria dos brasileiros - não sabem ser profissionais. Têm arroubos de profissionalismo, mas, no fundo, são vítimas de politicagem de determinadas facções de conselheiros, que vão se alternando no poder. Quem assume dá voz aos seus e comete os mesmos erros de sempre. Os dirigentes são incapazes de estabelecer uma relação profissional com sua atividade e prejudicam o futuro do clube com suas atitudes intempestivas.
No caso do Coxa, Moro e Vialle foram, sem dúvida, os melhores diretores de futebol que passaram ali na última década. Mas cometeram seus excessos. O "problema" dos contratos de Keirrisson, Mancha e Marlos, por exemplo, foi resultado direto daquela administração. E ambos foram pródigos e contratar jogador de prateleira. Basta lembrar do elenco do Coxa que caiu em 2005. Uma vergonha.
A atual administração, que parece minimamente mais séria que a anterior, comete os mesmos erros do passado. Não sabe profissionalizar a gestão do futebol, ficando refém das vontades de um ou outro diretor mais próximo do comando. O que acontece quando um técnico está na corda bamba? Quem decide? O presidente? O diretor de futebol? O presidente após consultar os diretores mais próximos? Ora, toda essa gente é amadora. Tomam decisões no calor da emoção. O exemplo maior, no caso do Coxa, foi a demissão de Jamelli seguida da de Ivo Wortmann. Demonstra o total descompromisso com qualquer ideia de planejamento para o ano. Resultado: falta comando para resolver os problemas imediatos do time, e a consequência é essa que estamos vendo.
Podemos apontar o mesmo problema com os departamentos de marketing. Sucessivas campanhas de arrecadação de sócios que jogam fora o que foi construído anteriormente. Ou seja: o cara fidelizado hoje pode se "desfidelizar" na próxima gestão. Isso é de uma burrice tremenda. Outra: incapacidade de conquistar contratos de patrocínio. Nem preciso me aprofundar nisso, basta ver o que temos aí. Não se constitui uma fonte de renda, não se valoriza o espaço da camisa etc.
Mas o ponto principal é que nada disso vai mudar enquanto não houve uma alteração profunda nos estatutos dos clubes. E isso não deve acontecer tão logo. Até lá, seremos vítima do bom ou mau desempenho de quem estiver ocupando o trono. É o caso do Atlético. Malucelli pode ser bem intencionado, mas não está apresentando resultados. Então de quê adianta a boa intenção?
Ricardo Sabbag Zipperer
interney.net/blogs/pandorga"
Jones Rossi diz:
A solução é se endividar
"Eu gostaria de concordar com tudo o que vc e o Léo escreveram. Mas tudo o que vocês disseram se aplica a praticamente TODOS os clubes do Brasil. Talvez somente o São Paulo seja diferente. O resto é igual ou PIOR. Não dá para falar que Flamengo, Corinthians ou Grêmio sejam melhores administrados. Tem algum clube por aí, fora o São Paulo, que seja exemplo para alguém? E até o São Paulo está numa draga terrível. Com este elenco, há dez anos, o São Paulo seria uma piada. Mas, enfim, se sustenta. O problema de Coxa e Atlético é falta de crédito. Financeiramente falando. Eles não têm como se endividar. As grandes empresas crescem fazendo dívidas. Gigantes. Enormes. É uma política que funciona para o Flamengo, para o Corinthians. Mesmo assim com ressalvas. O Flamengo passou anos lutando apenas para não cair. E o Corinthians caiu.
Não é uma política que possa ser seguida por todos os clubes. O São Paulo não a segue porque sabe que se daria mal em pouco tempo. E a dupla Atletiba simplesmente não tem condições de implantar essa política, pelo menos por enquanto. O Atlético deveria ter feito isto logo depois do título brasileiro de 2001. Contratar grandes jogadores para ganhar um bi ou um tri nacional, reforçar a marca, e depois se segurar com a base, o que é arriscado. Mas os títulos proporcionariam mais grana. Um time tricampeão brasileiro teria mais poder para pedir grana à TV e negociar patrocínios mais altos. Daria para fazer em 2001, aproveitando a onda em cima do time moderno, da Arena e do CT "de Primeiro Mundo", e o resto da papagaiada que seria útil para atrais jogadores e técnicos em ascensão, com vontade de vencer. Mas não dá para fazer hoje.
O que pode ser feito hoje? Não dá para endividar-se como o Flamengo ou Corinthians, que paga mais de 1 milhão por mês ao Ronaldo. Mas um Paulo Baier aqui, um técnico de ponta ali, um jovem promissor ali podem vir se tudo for feito com critério. Trazer gente que está dando certo, como o Marcelinho Paraíba, mesmo que seja caro. Marcinho e outras babas vindas do futebol português, como Julio Cesar, não dá.
Não sei de fato o que Atlético e Coritiba podem fazer. Não sou administrador e acho bem complicado achar que temos as respostas para lidar com algo tão imprevisível quanto o futebol. Você pode contratar o Marcinho e ele simplesmente não jogar nada. Ou achar o Kleber no Moto Clube e ele se tornar artilheiro do Brasileiro. Não vejo nada em termos administrativos que os clubes paranaenses façam de pior que os rivais para que estejam tão mal. No fundo, acho que é falta de dinheiro. Que se resolve com patrocínio forte (Unimed), parceiro forte (Traffic) ou dívidas (Flamengo e Corinthians). Mas se endividar para não cair não é vantagem. Tem de se endividar para ser campeão. Para depois aumentar o próprio valor de mercado. Senão é melhor cair para a segunda e reduzir os custos com futebol até pintar uma boa geração. Isso pensando pelo lado frio dos negócios. O diabo é convencer a torcida."
O publicitário Leandro Pinheiro dá seu pitaco:
"Vou falar um pouco do meu ramo: construção de marca.
Acho que o Atlético jogou no lixo 3 chances de ouro para dar um puta upgrade na sua marca (o que resulta em dim-dim, bufunfa, $$$):
brasileirão 2001, vice-brasileirão 2004 e vice-libertadores 2005.
Nestes momentos, principalmente 2005 a marca Atlético estava mto, mas mto em alta.
Respeitada, etc.
Teria que ter sido feito um trabalho de marketing muito mais sólido, mais simpático, de aproximação, criativo.
Ao contrário, começou a arrogância. Junto com uma queda impressionante no desempenho do time.
Tiro no pé."
O economista Daniel Soares comenta:
"As grandes empresas funcionam com crédito. Só que, em geral, contratam créditos em cima de estudos de viabilidade. Se vai investir R$100 milhões na ampliação de uma unidade, tem na mão um estudo dos diversos cenários possíveis de futuro com as respectivas expectativas de retorno. O ideal é que com o retorno previsto, seja possível rolar a dívida, pagar as contas, distribuir lucros e contratar novos financiamentos. Isso de modo geral. Há na economia capitalista muitas variáveis sobre as quais uma empresa não tem controle. Às vezes dá errado e o cenário previsto muda. Na segunda metade dos anos 1990, por exemplo, muita gente começou a se endividar em dólar. O real estava sobrevalorizado pela política cambial do governo, pela primeira vez em muito tempo o câmbio era estável no Brasil e os juros internacionais eram muito mais baixos que os nacionais, com os bancos pedindo pelo amor de Deus pra emprestar dinheiro. Só que uma empresa em particular não tem o controle da política cambial do governo (às vezes nem o governo tem, mas isso é outra história...). Em janeiro de 1999 a crise cambial estourou, o dólar pulou de R$1,20 pra R$1,80 em duas semanas e quem tinha se endividado muito em dólar viu sua dívida crescer 50% de uma hora pra outra.
No caso dos nossos clubes, Flamengo e Corinthians à frente, o endividamento é feito sem nenhum planejamento ou critério. Pelo menos critério financeiro. Um critério básico é que endividamento só deve ser feito para financiar investimentos, ou seja, para pagar por coisas que darão retorno no futuro. O retorno futuro garante a rolagem da dívida. Quem se endivida para fazer custeio, ou seja, para pagar contas que vão se repetir todo mês, tende a se emburacar cada vez mais. E nossos clubes pegam empréstimo para pagar os funcionários...
Outra coisa é que a maior parte do endividamento dos clubes parece não ser com instituições financeiras das quais contrataram créditos (digo parece porque não olhei o balanço de ninguém pra escrever isso, parto da percepção que temos com o noticiário), mas surge a partir da quebra de contratos acertados. Tipo comprar o Gamarra e não pagar. Acertar salário milionário com o Pet e não pagar, e assim por diante. Dívida gerada a partir de quebra de contratos. Que gera perda de credibilidade. E sem credibilidade não se consegue fechar novos contratos, assim por diante.
E mesmo que se tenha critério, estudo de viabilidade, gente profissional do ramo, etc, o futebol consegue ser mais imprevisível que o capitalismo. Investimento em clube grande é construção de estádio/CT e contratação de jogadores/técnicos de peso. Um estádio grande e bonito nas mãos de um clube que não consegue empolgar sua torcida para ir no estádio come mais dinheiro do que gera (vide Botafogo e seu Engenhão, que veio praticamente de graça). Sem falar que construção de estádio e de CT não dão retorno em curto prazo, a pressão da torcida pesa e tal. E um jogador/técnico pode simplesmente não dar certo. Mas é claro que com tudo isso que eu escrevi no início deste parágrafo, nossos clubes poderiam estar bem melhor estruturados."
Jun 03
Parabéns ao Inter, Coxa e cambistas
por Felipe Lessa18h13
Um amigo torcedor do Coritiba foi até o Couto Pereira, na tarde de hoje, comprar ingressos para a semifinal contra o Internacional (RS). Na dificuldade de conseguir entradas, para o jogo válido pela Copa do Brasil, os cambistas fazem festa: R$50 mangos o mais barato direito do torcedor de entrar nas dependências coxas.
Para avacalhar a coisa, os cambistas estão vendendo entradas da Mauá, território alviverde, aos adeptos do time gaúcho. Será que vai dar merda? A diretoria do Coxa já deu o recado: não vai amansar seus torcedores durante o confronto, devido aos problemas que os coritibanos passaram no Beira-Rio. Território propício para merda. Talvez, a polícia evite confronto entre torcedores organizados. Mas a imprudência e o revanchismo poderão criar tumultos entre aqueles que desejam unicamente ver o jogo.
Considerações:
1 - Parabéns aos diretores do Inter, por criar a polêmica. Ninguém mandou deixar torcedores do Coxa abaixo da torcida colorada. Muita gente reclamou ter tomado saquinhos de mijo, pedriscos e até sapatadas na cabeça. Agora quem paga o pato serão os torcedores – que com certeza são aqueles que no jogo passado apenas assistiram o jogo. Os que fizeram merda não teriam coragem de vir até a capital paranaense.
2 – Parabéns aos diretores do Coxa, pela reciprocidade demonstrada nas mensagens aos jornais. É assim que se conquista a tão esperada paz no futebol. Tudo bem que o jogo é de guerra, pode ser esse um dos jogos mais importantes na história do Coritiba. Mas não justifica o risco que está sendo colocado em jogo.
3 – Parabéns aos cambistas, pela responsabilidade social. A integração de torcidas, pela paz, pelo espetáculo, pela glória do futebol é o que tanto queremos. Sabemos que o valor cobrado é maior que o das bilheterias, pois existe todo um trabalho para a humanização dos torcedores nesses aspectos. No caso de confusões, caso esses torcedores do Internacional resolvam comparecer na bancada coxa caracterizados, esses cambistas devem interceder por qualquer incidente. Com certeza a Polícia Civil do Paraná já solicitou também aos cambistas a permissão para se infiltrar e fotografar cada um desses trabalhadores. Claro, com o intuito de depois premiá-los pela iniciativa de integrar torcidas que historicamente não tem vínculos de amizade.
Jun 01
Saudade da Sul-Minas
por Jones Rossi11h58
Entre 1999 e 2002 os times paranaenses pareciam no caminho certo. O Atlético ganhou a Seletiva para a Libertadores (99), fez uma primeira fase fantástica no torneio continental e só foi eliminado nos pênaltis (2000), dando a impressão que poderia ir mais longe. No mesmo ano, o Paraná Clube ganhou o modulo amarelo sobre o São Caetano e quase despachou o Vasco do Campeonato Brasileiro, o famigerado Torneio João Havelange. Em 2001, o Atlético foi campeão brasileiro. Mas o Coritiba chegou a semifinal da Copa do Brasil e a final da Sul-Minas. Em 2002 seria a vez do Atlético disputar - e perder - a final contra o Cruzeiro, não sem antes aplicar uma goleada de 5 a 1 sobre o Grêmio no Olímpico.
Com adversários fortes - Grêmio, Inter, Cruzeiro, Atlético-MG, Coritiba, Figueirense, Paraná e até, na época, o América-MG - o torneio Sul-Minas não deixava os times paranaenses se iludirem. Era uma senhora preparação para o que viria no Campeonato Brasileiro. Mas acabou. Certa vez, entrevistando Mario Celso Petraglia, em 2007, perguntei o porquê da Sul-Minas ter sido extinta. A resposta: por puro interesse da TV, que ainda prefere os terríveis estaduais. E por covardia dos clubes, que não tiveram a coragem de enfrentar as emissoras. Times do tamanho do Cruzeiro acharam por bem não aborrecer as tvs. E deu no que deu.
O fim da Copa Nordeste teve efeito semelhante para os times nordestinos. O regional fortíssimo deu lugar aos velhos estaduais, que estão caindo de podre, dominados por times de empresário. Não há mais romantismo nenhum, como alguns querem fazer crer. Enquanto isso, os times do Sudeste ficam cada vez mais fortes, impulsionados pela grana da TV e pela complacência do governo com as enormes dívidas trabalhistas contraídas em décadas de má administração.
Para nós só restam esmolas. E os estaduais, para alegrar os bobos por pelo menos um final de semana.
Mai 28
E o Magrão?
por Leonardo Mendes Jr.23h08
A choradeira correu forte pelo vestiário principal do Beira-Rio. Tite, com o talento de um ator principiante de Malhação, por pouco não chorou ao lamentar a contusão de Nilmar produzida pelos predadores de verde e branco. Predador que Vitória Piffero identificou rapidamente: era Carlinhos Paraíba. Compreensível com aquela cabeleira e a carinha que Deus lhe deu e o Diabo esculpiu.
Quem apenas viu as entrevistas coloradas após o jogo de quarta-feira ficou com a impressão de uma carnificina promovida pelo Coritiba, que elegeu Nilmar, o lesionado, como mártir. Teoria que rapidamente desmancha como óstia em boca de beata.
Nos números, o Inter bateu mais. 20 a 15, segundo estatística do gauchíssimo Clic RBS. No qualitativo, até Nilmar reconheceu que não houve maldade de Felipe no lance que lesionou seu quadril.
No comparativo a coisa começa a complicar para o Colorado. O que dizer de Magrão? Se a bola está nos pés do adversário, Magrão está deitado, aplicando um de seus carrinhos assassinos. Preste atenção no próximo jogo. Se a disputa é pelo alto, seu cotovelo nervoso logo sai à caça de um nariz, uma garganta ou qualquer osso adversário.
Guiñazu, suspenso no Beira-Rio, também na alivia. Não é maldoso como Magrão, mas pega firme. Sandro, o novato, aprendeu rapidinho com os companheiros. Não perde a viagem, chega firme, vai para o choque. Algo normal no futebol. O Coritiba joga assim. O Inter joga assim. É o futebol do Sul. Tite e Piffero sabem disso desde que nasceram.
Mas, claro, é muito mais cômodo posar como o time habilidoso que apanha dos botinudos para condicionar a arbitragem.
Mai 20
Viva!
por Jones Rossi17h44
Um dias após a prisão de Graboski, a Império Alviverde publicou em seu site uma nota de esclarecimento escrita por Papagaio, presidente dos uniformizados coxas. Veja abaixo:
Nota de esclarecimento...
Eu, como Presidente da Império Alviverde não concordo com muitas coisas que tem acontecido ultimamente nos jogos de futebol, tanto não concordo que nos dias 05/05 e 14/05 me reuni com representantes das torcidas de Atlético e Paraná Clube para buscarmos soluções para acabarmos com o problema da violência no futebol.
Na última segunda feira, dia 18/05 liguei para o Ministério Público, falei com o Sr. Maximiliano Ribeiro Deliberador que é Promotor de Justiça para agendarmos uma reunião para apresentarmos as propostas que foram estabelecidas na reunião do dia 05/05 e 14/05, ficou marcado para quinta feira dia 21/05 as 15 hs esta reunião.
No dia 16/05, antes do jogo entre Coritiba x Santo André, conversei com o Delegado da Policia Civil, Dr Clóvis Galvão, o mesmo solicitou cerca de 10 camisas da Império para que seus agentes possam infiltrar-se entre os torcedores, concordei prontamente com a solicitação do Delegado, assim que receber o oficio da Policia Civil estarei enviando as referidas camisas.
Destaco ainda, que desde 2001 quando assumi a Presidência da Torcida Império Alviverde, os índices de vandalismo diminuíram sensivelmente, tanto no quesito briga entre torcidas, bem como no número de Ônibus danificados, conforme números da própria Urbs.
No ano de 2005 desenvolvi o projeto Torcida Social, onde ajudamos várias instituições carentes de nossa Cidade, essas ações podem ser acompanhadas pelo site www.torcidasocial.com.br.
Sobre o Vice-Presidente da Império, no que se refere à parte profissional, não tenho nada a reclamar, no tocante a sua detenção no dia 19/05, cabe a justiça julgar o caso.
Quero salientar que por 2 vezes a COPE esteve fazendo batidas em nossa sede e em nenhuma das situações encontraram qualquer objeto ilícito dentro do recinto.
Moramos em um País com leis claras e com penas previstas tanto no código civil como no criminal, portanto nenhum cidadão esta acima da lei, também consta que todo cidadão responde pelos seus atos, tanto civil como criminalmente.
Autor/Fonte: Luiz Fernando Corrêa (Papagaio)
Publicação: 20/05/2009
Dá para comentar bastante coisa, mas vou me ater ao terceiro parágrafo. Reproduzo-o novamente aqui:
No dia 16/05, antes do jogo entre Coritiba x Santo André, conversei com o Delegado da Policia Civil, Dr Clóvis Galvão, o mesmo solicitou cerca de 10 camisas da Império para que seus agentes possam infiltrar-se entre os torcedores, concordei prontamente com a solicitação do Delegado, assim que receber o oficio da Policia Civil estarei enviando as referidas camisas.
Não é genial? É preciso elogiar a perspicácia, a astúcia e a sagacidade da "polícia do meu Paraná", como diria o mestre Alborguetti, Dalborga para os chegados. Como ninguém pensou nisto antes: solicitar à torcida organizada os uniformes da... própria torcida organizada?
E que não se deixe passar despercebida outra ideia sensacional gerada na terra das araucárias: por que não avisar o presidente da torcida organizada que será objeto de investigação que agentes serão infiltrados entre os torcedores?
Não quero crer que Papagaio, de posse de tais informações, tomasse qualquer atitude que pudesse atrapalhar tão sólidas investigações conduzidas pelo Dr. Clóvis, como alertar os membros de sua torcida da presença dos agentes ou mesmo enviar uniformes alterados que fossem facilmente identificáveis, assim entregando os policiais "disfarçados".
Enfim, a se acreditar nas palavras tão bem redigidas pelo psitacídeo (meu corretor ortográfico tentou alterar psitacídeo para psicopata, mas que corretor vagabundo que tenho) alviverde, Dr. Clóvis Galvão empalidece outras mentes brilhantes do cenário paranaense - e quiçá nacional - com sua argúcia sem limites. Se todos os policiais paranaenses fossem como ele, Curitiba jamais estaria na frente de São Paulo no ranking das capitais mais violentas do País. Folgo em saber que meu Paraná está em boas mãos.
Vamos nos ufanar deste momento histórico para as investigações policiais. Viva Graboski, viva Papagaio, viva Dr. Clóvis, viva Curitiba, viva o Paraná!