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Nov 13

O caso do treinador elástico e a incrível busca pelo belo

por Álvaro Fagundes00h08

Paulo Autuori afirmou que não acredita que tenha perdido prestígio com a sua saída do Grêmio, mas o único troféu que a sua passagem pelo Olímpico merece é o da mediocridade, afinal 13 vitórias, 12 derrotas e 11 empates são a definição mais pura de mediocridade.
E, para o Grêmio, mais uma vez, não deu certo esmurrar a sua própria imagem no espelho: o nariz não ficou mais bonito nem o time apresentou melhores resultados.
Eu não entendo o porquê - talvez seja o fato de os dirigentes recentes serem sofrido com a hegemonia nos anos 70 do Inter e seus Falcões, Carpegianis e Príncipes Jajás -, mas volta e meia o Grêmio desiste de jogar o seu futebol (força, competitivo, violento, leiam como vocês quiserem) e escolhe um técnico que todo mundo sabe que vai para o outro caminho, que, em geral, é um fracasso.
A convicção não impera nem quando a direção. O time vai de Mano Menezes para Vágner Mancini, pula de Sérgio Cosme para Luiz Felipe, de Celso Roth (com todas restrições que devem ser feitas) para Paulo Autuori, como se houvesse uma necessidade de afirmar “nós conseguimos bons resultados jogando o nosso futebol, mas também podemos ganhar jogando do jeito que vocês querem”.
E a resposta é não, não consegue. E o motivo fundamental, ainda que não único, é que a torcida não aceita, não abraça esses times, há uma rejeição na arquibancada que logo toma conta do gramado.
Isso ajuda a explicar por que nos últimos 25 anos só um técnico de fora do Rio Grande do Sul deu certo no Grêmio. Todos os outros (Luiz Felipe, Mano, Tite, Otacílio Gonçalves e, por que não?, até Cláudio Duarte, Ernesto Guedes e Celso Roth) são gaúchos.
Não que a maioria desses técnicos seja melhor que os Minellis, Autuoris, Sanis, Anjos, Mujicas, Procópios e Lazaronis que passaram pelo Olímpico. Não é, mas eles entenderam e conseguiram colocar em prática o futebol jogado pelo Grêmio.
Sim, colocar em prática, porque de nada adianta o sr. Autuori chegar em Porto Alegre e falar que o time vai jogar com a cara do Grêmio, e não com a dele, se o time um mês depois só fracassa fora de casa e ainda consegue passar um jogo inteiro fazendo dez faltas. A credibilidade - e o campeonato - se perde aí.
Ainda assim, mesmo fadado ao fracasso, ele não poderia ter pedido para sair, mostrando convicção mais elástica do que seus resultados (nenhum dos bons treinadores do país oscila tanto entre um grande título e campanhas medíocres). Quem chega fazendo promessas, e recebendo garantias, de que vai fazer grandes mudanças no clube, de que vai mudar as categorias de base e contrata gente sua para isso não pode abandonar o barco assim, tem que enfrentar o fracasso e ser demitido. Não pode olhar para o espelho, não gostar do que viu e sair zunindo como elástico em atiradeira.

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Out 08

O torcedor atleticano esperava mais contra o Grêmio

por Felipe Lessa01h10

Depois de atuar bem contra o Palmeiras e vencer o Corinthians fora de casa, o torcedor atleticano se encheu de confiança. Uma vitória contra o Grêmio poderia indicar que o rubro-negro terminaria o Brasileirão com tranquilidade. Mas infelizmente não deu, o jogo foi ruim e o placar da noite desta quarta-feira foi 0 x 0 na Arena da Baixada.

O Atlético Paranaense até que tentou impor o ritmo do jogo. Foi para cima e dominou o adversário nos minutos iniciais da partida. Quase marcou com Paulo Baier, em cobrança de falta aos 15 minutos do primeiro tempo. Parou numa bela defesa do goleiro Marcelo.

Depois da maior chance de gol rubro-negra, prevaleceu a antiga técnica dos tricolores: quando não ganha na bola, mata a jogada como der. Ficou barato amarelar apenas Rochemback, Tcheco e Lúcio, já que o grande número de faltas inibiu a equipe atleticana e ajudou o Grêmio a ganhar força no jogo. O time do técnico Paulo Autuori pôde assim avançar o campo de marcação, deixando o Atlético desesperado, muitas vezes sem saber o que fazer com a bola.

No segundo tempo, o Grêmio começou com perigo. Logo aos 2 minutos, Tcheco finta pelo lado direito de Galatto e chuta. Por sorte, Rafael Miranda estava em cima da linha. Apesar da demora, o que deixou a torcida apreensiva, ele manda a pelota para longe da área atleticana.

Contou também para o resultado a atuação de Marcinho. Abaixo do que vinha jogando nas últimas partidas, ele saiu na virada de tempo. Entrou Alex Mineiro que jogou bem e volta a ser cogitado como titular para o jogo contra o Inter, em Porto Alegre. Quem também saiu, pouco depois, foi Márcio Azevedo. Este mancando, vítima da violência dos visitantes.

Alex Sandro entrou bem, articulou a jogada que aos 36 do segundo tempo deixou seu xará de sobrenome Mineiro em posição de girar e fuzilar o goleiro gremista. No rebote, Valência isola a bola nas arquibancadas.

Foi um jogo de certa forma feio de se ver. Faltaram mais oportunidades de gol e até mesmo uma maior presença de jogadores como Jonas e Tcheco pelo lado gremista. Diante do que foi a partida, esse 0 x 0 até que foi um placar justo. O torcedor atleticano esperava mais contra o Grêmio.

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Ago 24

O Londrina já pensa na C

por Felipe Lessa09h57

O Londrina perdeu sábado para o São José no Estádio Passo D´Areia, na capital gaúcha, mas segue adiante na Série D do Campeonato Brasileiro. Foi uma partida difícil, dominada pela equipe da zona norte de Porto Alegre. Foi uma classificação tão dramática quanto as histórias de bastidores que norteiam os dias atuais do LEC.

Se logo aos 14 minutos do primeiro tempo o Zequinha marcou, em gol contra do zagueiro Victor, o alento da alcoolizada caravana alviceleste presente nas arquibancadas dava força aos jogadores do Tubarão. Resistiram contra tudo, e a cada carrinho ou dividida ganhavam aplausos dos torcedores. "Só assim para ganhar a Série D. Na raça", dizia o valente treinador Gilberto Pereira.

Nem mesmo a cobrança dos R$10 exclusiva aos torcedores visitantes espantava a festa dos cerca de 100 londrinenses que compareceram ao estádio. Até mesmo o rapper Gabriel, o Pensador, deu o ar de suas graças. Não que tenha se tornado torcedor do Tubarão. Ele desfilava e dava autografos ao lado do não tão bem aclamado presidente Peter Silva, com quem mantém negócios - inclusive empresta dinheiro, que deveria pagar salário de jogadores do Londrina.

Apesar da situação, enquanto a presidência parecia indiferente pelo jogo, o cantor chegou até a gritar “uhhhhh”, no peixinho de Fabinho do Londrina, aos 7 do segundo tempo.

Vencendo por 1 a 0, a equipe da casa se desesperou em busca de novo balanço das redes. Até mesmo seu goleiro partiu para o ataque, nos minutos finais. No entanto, a classificação não veio para os gaúchos.

A simpática torcida do Zequinha não acreditava no que estava vendo. Pareciam sinceramente agonizar pela eliminação do time do bairro. Apesar de boa parte dos presentes terem como clube do coração a dupla Gre-Nal, era nítido que os laços entre São José e sua torcida eram muito estreitos. Com a classificação do Londrina, era um bairro inteiro que parecia chorar.

Apenas os forasteiros londrinenses festejavam. Já no lado de fora da cancha, os torcedores do Tubarão se esforçavam para devastar todo tipo de bebidas que encontrassem pela frente. Cerveja, cachaça e conhaque passaram a ser raros nos bares que rodeiam a região da Avenida Rio São Gonçalo.

Com a saída de ônibus, carros e vans que transportavam os alvicelestes, os gritos de “É, Tubarão” ganharam as ruas de Porto Alegre. Alguns colorados desavisados chamavam os londrinenses de gremistas vagabundos. Os mesmos continuavam a cantar, sem entender nada.

Apenas pensavam nas mais de 15 horas de viagem que teriam pela frente, e no jogo entre Chapecoense x Corinthians Paranaense, domingo, no Índio Condá. Como o jogo terminou empatado, sem gols, o Londrina vai reencontrar a equipe catarinense. Além das partidas na primeira fase, uma vitória para cada lado, as equipes já duelaram em 1980, quando o Tubarão foi campeão da Taça de Prata.

Resumindo: faltam apenas quatro jogos para o Londrina garantir acesso à Série C do Brasileirão. Os problemas internos continuam, novas rifas podem ser feitas se os jogadores precisarem viajar de avião e o presidente Peter Silva continua a não prestar contas. Mesmo assim, os torcedores estão confiantes na vaga. Prometem agora invadir Santa Catarina e lotar o Estádio do Café para empurrar o Tubarão.

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Jul 31

Inter: Nem a Suruga sem amor à camisa

por Equipe De Primeira00h25


Por Felipe Lessa

No início do ano, o Internacional de Porto Alegre era favorito para ser campeão de tudo. Quando atropelou o Caxias, na final do Gauchão, o time era comparado ao glorioso "Rolo Compressor", de 1940. Até então, a expectativa era de um centenário repleto de taças.

No entanto, a esquadra formada por Taison, Nilmar e D´Alessandro desapontou logo adiante. Copa do Brasil e Recopa foram perdidas. No Brasileiro, uma campanha normal. A torcida acusa os jogadores de corpo mole. Pede raça.

Até mesmo a Guarda Popular, BarraBrava do Inter, está cordial. Permitem que os "boleiros" farreiem na noite, desde que o time entre em campo pra vencer. Afinal, estão com saudades dos jogadores que deram amor à camisa colorada. Pois é, Inter. Se esse amor não voltar, nem mesmo a Suruga* levará.

*Copa Suruga. Competição a ser disputada no Japão, diante do Oita Trinita.

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Jul 23

Grenal a granel

por Equipe De Primeira00h46

Por Felipe Martynetz

Mais, muito mais do que o Gre-Nal de número 377, o jogo do último domingo marcava o centenário do mais antigo clássico do Brasil. No dia 18 de julho de 1909, o Sport-Club Internacional realizava sua primeira partida; e, propositadamente, o adversário escolhido fora o então soberano Gremio Foot-Ball Porto-Alegrense – denotando, assim, uma rivalidade a priori. Não à toa que a sugestão da direção gremista, de usar o “quadro B” do elenco, foi prontamente recusada pelo recém-nascido clube, que pretendia enfrentar a força máxima do rival.

Pecou, por assim dizer, pela ousadia: Gremio 10x0 Internacional.
Um aniversário não é senão um dia a mais, marcado apenas pela formalidade da data, pela curiosidade de se estar completando X anos naquela ocasião. No caso de tão fundamental patrimônio cultural do Rio Grande do Sul, entretanto, os cem anos cumpridos merecem celebração por conta das memórias, saudades e consequente nostalgia que encerram. Um século de história, 377 confrontos, com 141 triunfos colorados, 118 gremistas e 117 empates. Equilíbrio, portanto, é o que não falta. Mas chega de números; vamos à batalha.

A rivalidade é tão acirrada que até os respectivos momentos são semelhantes: tanto Grêmio quanto Inter vêm de recentes traumas – os vermelhos perdendo, em casa, a final da Copa do Brasil para o Corinthians e os azuis sucumbindo, igualmente em casa, na semifinal da Copa Libertadores ante o Cruzeiro. O Brasileirão, dessa forma, apresenta-se a ambos como chance de recuperação. O Grêmio, após sacudir Atlético Paranaense e Corinthians com goleadas (4x1 e 3x0), perdeu para o Coritiba no Couto Pereira, de virada, por 2x1; o Internacional, por sua vez, perdera também em Curitiba, também de virada, mas para o Atlético Paranaense (3x2), reabilitando-se no meio da semana com um 4x2 sobre o decadente Fluminense.

No segundo anel de um Olímpico Monumental (quase) lotado, uma faixa com os onze nomes da formação gremista no primeiro Gre-Nal e, depois do último nome, a expressão “100 anos” – o 1 em azul, o primeiro 0 em preto e o segundo 0 em vermelho, numa bem-humorada alusão ao placar daquele confronto. Leonardo Gaciba dá início à partida, cujos primeiros movimentos mostram um Grêmio sedento por quebrar o tabu de sete jogos – quase dois anos – sem vencer o clássico. O tricolor explora, sobretudo, o lado esquerdo do campo, com boas investidas de Fábio Santos. O direito é, curiosamente, guarnecido por Mário Fernandes com seus tenros 18 anos, que parece imerso numa mescla de nervosismo, ansiedade e precipitação.

Embora apresentasse maior volume de jogo, o Grêmio não era contundente em sua aparente superioridade. O Inter, que tinha o aspirante a coringa Andrezinho em lugar de Magrão na meia cancha, começava a mostrar os dentes, a crescer na partida, a acionar o sempre exuberante potencial de Nilmar. Eis o problema – para o Grêmio, é claro. Aos 24 da primeira etapa, um rebote perdido no primeiro escanteio tricolor desencadeia um contragolpe velocíssimo com Andrezinho, que lança Nilmar, que briga com o marcador, que lhe ganha a bola, que é retomada por Nilmar, que faz uma pintura de gol no Olímpico. Pé canhoto, bola no ângulo de Victor. Nilmaravilha, nós gostamos de você – e têm de gostar mesmo, pois o baixinho foi um autêntico estorvo à defesa gremista o tempo todo.

O Grêmio, notavelmente, sentiu o gol colorado. O time, que perdia o jogo, perdeu o controle das ações e perdeu o ritmo como um todo. Só não perdeu a vontade, personificada especialmente na figura de Souza. A reação não tardou: dez minutos depois, bola para Tcheco, que solta para Souza, que dispara... opa!, dribla Guiñazu e para na falta cometida. Fábio Santos e Souza na bola. Souza p/arte. Não, não é erro de digitação: a cobrança do meia gremista foi, não só para as redes coloradas, mas para a arte. Outro belíssimo gol no Estádio Olímpico. Sou zangado, Souzangado com meu próprio erro – porque, afinal, o gol de Nilmar nascera de uma pequena displicência de Souza, o marcador envolvido no lance. Que atitude: Souza, corajoso, chamou a responsabilidade para si, sofreu a infração e ele mesmo a converteu em gol. Golaço de uma das quatro vértebras da espinha dorsal do atual time, ao lado de Victor, Adílson e Réver.

A última palavra do parágrafo anterior é oportuna para começar a comentar o segundo tempo do clássico. Logo aos dois minutos, escanteio pela esquerda e Réver sobe, quase sobrevoa a zaga colorada e cabeceia rente à trave direita do goleiro Lauro. Um monstro tanto por cima quanto por baixo que, desde o Brasileirão do ano passado, é um dos mais importantes jogadores gremistas – e, de longe, o melhor zagueiro. Aqueles que insistiam em destinar os louros a Léo têm de “réver” seus conceitos: combativo, ágil, veloz e altamente técnico, Réver é essencial à equipe e um dos melhores defensores do Brasil. Foi um dos maiores destaques do Gre-Nal, jogando água no chopp colorado, ou melhor, tirando água do radiador do incansável motorzinho Nilmar.

A principal diferença da segunda para a primeira etapa foi a forma como o Grêmio conseguiu comprimir o Internacional em seu próprio campo. O volume de jogo era maior, as ações eram predominantemente gremistas e os arremates a gol, mais ainda; até Mário Fernandes, ousada aposta de Autuori, passara de nervoso estreante a surpreendente revelação. Com naturalidade, aos 25 minutos, o mérito. Souza cobra escanteio, Réver aproveita o rebote para encher o pé, a bola resvala em Guiñazu, sobra para Maxi López que, de cabeça – como que para coroar sua aguerrida atuação –, vira o placar. Explosão tricolor no Olímpico.

Aos 32, o também aniversariante Herrera, 74 anos mais novo que o Gre-Nal, recebe ótimo passe de Maxi López e carimba a trave direita de Lauro. Ademais, o Grêmio procurava trabalhar a bola para administrar a vitória, ameaçando em eventuais ataques, e o Internacional se esforçava para, ao menos, empatar o jogo – esforço debalde, contudo. Fim de um duelo que, embora nada além do normal, fica marcado como histórico. Fim de uma tarde cujo tradicional céu azul de Porto Alegre prevaleceu sobre o não menos tradicional avermelhado entardecer.

*Torcedor fanático do Grêmio de Porto Alegre, apesar de nascer e morar em Curitiba - e ter sotaque de gaúcho. Sabe tudo de Grêmio, compra tudo do Grêmio e só deixa de vestir a camisa do Grêmio nos momentos em que veste aquele que para ele é um outro manto sagrado: a camisa do Iron Maiden.

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Jul 20

Gre-Nal faz 100 anos, mas não é verdade que ontem foi o 377º embate!

por Equipe De Primeira23h38

Por Airton Gontow

O turista que entra em Porto Alegre pela Freeway se depara com um grande outdoor colocado ao lado da estrada: “S. C. Internacional – campeão do mundo”. Algumas centenas de metros depois, um outro outdoor recebe o visitante: “Bem-vindo à Terra do Campeão do Mundo – Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense”. Já na capital, gaúcha, percebe nas calçadas centenas de pessoas caminhando, mesmo em dia de trabalho, com camisetas gremistas ou coloradas. Se observa um pouco para cima, vê em inúmeras janelas de prédios ou nas fachadas das residências bandeiras azuis e vermelhas, ainda que não seja dia de jogo ou semana decisiva de campeonato.

Quando ruma para o litoral ou para a charmosa Serra Gaúcha, o cenário que encontra é o mesmo. Camisetas nas ruas e bandeiras nas janelas. Se esticar o ouvido, sempre poderá escutar uma criança gaúcha dizendo feliz para os pais: “Contei 27 camisetas e 14 bandeiras do nosso time, contra 23 camisetas e 12 bandeiras deles”.

Isso porque, ao contrário do que a totalidade da mídia brasileira escreve neste final de semana, o grande clássico gaúcho Gre-Nal, que no dia 18 de julho completou 100 anos de existência, não teve neste domingo no estádio Olímpico Monumental o seu 377º. embate. Quem já viu de perto a incrível rivalidade gaúcha sabe ontem foi nada mais nada menos que o 36500º. dia* de confronto entre gremistas e colorados, já que no Rio Grande do Sul o Gre-Nal acontece todos os dias do ano! (* O cálculo do número de dias em 100 anos é aproximado, já multiplicamos por 365 sem considerar o dia a mais dos anos bissextos.)

Segundo disse certa vez o grande cronista Luís Fernando Veríssimo, os gaúchos costumam dizer que “Deus fez o mundo em sete dias, porque precisava do ano para caprichar no Rio Grande”. É, obviamente, um exagero. Mas o povo do Sul não pode ser acusado de bairrismo quando afirma que “o Gre-Nal é o maior clássico do País”

Há poucos meses uma pesquisa realizada entre jornalistas de todo o Brasil pela revista “Trivela”, da Editora Confiança, apontou que clássico do Rio Grande do Sul é, mesmo, o maior do País. Quem percorre os vários estados em coberturas esportivas pôde comprovar que nenhum outro clássico supera o Gre-Nal.

Muitas podem ser as explicações para a rivalidade que divide o Rio Grande entre vermelhos e azuis. Algumas podem ser sociológicas, já que a bipolaridade sempre esteve presente no estado - desde os Maragatos e Chimangos. Mas a principal explicação se encontra no próprio futebol: em nenhum estado dois times se confrontam há tantos anos e com tamanho equilibro de forças (veja o incrível box estatístico ao final deste artigo).

No Rio de Janeiro e, especialmente, em São Paulo, os campeonatos estaduais são mais difíceis e equilibrados, mas as rivalidades são diluídas entre as grandes equipes. Para muitos corintianos, hoje o grande inimigo não é o Palmeiras, mas o São Paulo. O Fla-Flu é o jogo mais charmoso do futebol carioca, Flamengo e Vasco reúnem as maiores torcidas, mas recentemente é Flamengo e Botafogo que protagonizam os grandes embates.

Em Minas, os dois clubes jogam no mesmo estádio e até a década de 60 era o América, não o Cruzeiro, que fazia contra o Galo o chamado “Clássico das Multidões”. Clube de uma das torcidas mais apaixonadas do Brasil, o Atlético – time historicamente mais prejudicado pelas arbitragens no país – está hoje bem atrás do rival em qualquer ranking que se faça. Além disso, quem já esteve no norte de Minas ou mesmo na região de Juiz de Fora sabe que é mais fácil encontrar gente vestindo a camisa de uma equipe carioca que do próprio estado. O mesmo acontece no sul do estado, onde os times paulistas competem de igual pra igual com os mineiros pela preferência da torcida.

Há duas equipes rivais na Bahia. Mas o tricolor tem 43 títulos contra apenas 25 do Vitória. Isso sem contar que equipes como Ypiranga, Botafogo e Galícia também já foram forças consideráveis, com 10, sete e cinco títulos, respectivamente. E apenas o Bahia já conquistou um título nacional. Em Pernambuco, são três times: o Sport, com 38 conquistas, está bem à frente de Santa Cruz (24) e Náutico (21 títulos). As equipes são rivais apenas em competições estaduais. Em Curitiba, são 33 títulos do Coxa contra 22 do Atlético. O Paraná Clube tem sete títulos, que chegam a 11 quando somados aos que seu antecessores – Pinheiros e Colorado – conquistaram. Além disso, no Norte do Paraná a maioria torce para times paulistas, enquanto que no Sul, muitos torcem para gaúchos e paulistas.

Somente no Rio Grande do Sul há uma paridade quase que absoluta entre os dois times. Somente no Rio Grande do Sul os dois rivais disputam acirradamente o predomínio na cidade, no estado, no país, no continente e no mundo. Apenas no Rio Grande é que ou se é azul ou se é vermelho.

Em que outra rivalidade os torcedores de um time procuram tanto desqualificar o título do outro? Para os gremistas, o Inter só ganhou a Libertadores porque a final foi contra um time brasileiro e o Mundial porque o Barcelona estava completamente desfalcado. Para os colorados, o Mundial do Grêmio não vale, porque não foi disputado entre todos os continentes, raciocínio que tiraria de Pelé seus dois títulos mundiais de clube e, ainda, a Copa do Mundo de 58 e 62 da Seleção Brasileira, já que foi disputada apenas por europeus e sul-americanos.

Em que outro estado os comícios do PT teriam bandeiras azuis colorindo a paisagem, já que gremista que é gremista se recusa a erguer uma bandeirinha vermelha? Mesma lógica que explica a profusão de Papais Noeis azuis alegrando os lares gremistas nos dias de Natal. Onde mais aviõezinhos sobrevoam o estádio do inimigo com faixas provocativas, como “Eles (o Inter) estão fora”, em 96, e “Inter – o único campeão de tudo”?

Se mesmo com o texto acima e os números estão a seguir você não conseguir entender direito o que é o Gre-Nal, há uma frase exemplar (creditada ao ex-governador do Rio Grande do Sul e patrono colorado Ildo Meneghetti, mas provavelmente de autoria do jornalista gaúcho Carlos Nobre) que é usada pelos gaúchos para traduzir “perfeitamente” o clássico que acontece hoje e em todos os dias de suas vidas:

“Gre-Nal é...Gre-Nal!”

Mundial

Grêmio 1 título
Inter 1 título

Libertadores da América

Grêmio 2 títulos
Inter 1 título

Copa Sul-Americana

Grêmio 0 título
Inter 1 título

Campeonato Brasileiro

Grêmio 2 títulos
Inter 3 títulos


Copa do Brasil

Grêmio 4 títulos
Inter 1 título

Copa do Sul

Grêmio 1 título
Inter 0 título

Campeonato Gaúcho

Grêmio 35 títulos
Inter 39 títulos

Campeonato de Porto Alegre

Grêmio 29 títulos
Inter 24 títulos

Vice-Mundial

Grêmio 1 vez
Inter 0 vezes


Vice da Libertadores

Grêmio 2 vezes
Inter 1 vezes


Vice do Brasileiro

Grêmio 2 vezes
Inter 2 vezes

Vice da Copa do Brasil

Grêmio 2 vezes
Inter 0 vezes

Rebaixamento para a Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro

Grêmio 2 vezes
Inter 0 vezes

Vitórias em Gre-Nal

Grêmio 118 vezes
Inter 241 vezes

Gols em Gre-Nal

Grêmio 499
Inter 538

Maiores goleadas em Gre-Nal

Grêmio 10 a 0 e 10 a 1
Inter 7 a 0 (maior da era profissional) e 6 a 0


Maior série invicta em Gre-Nal

Grêmio 14 jogos
Inter 17 jogos

Maior sequência de vitórias em Gre-Nal

Grêmio 6 jogos, feito repetido quatro vezes
Inter 5 jogos, feito repetido quatro vezes

Maior artilheiro da história em Gre-Nal

Grêmio Luiz Carvalho - 17 gols em 29 clássicos
Inter Carlitos - 42 gols em 62 clássicos

Maior torcida de Porto Alegre

Grêmio em 1o.
Inter em 2o.

Maior torcida do Rio Grande do Sul

Grêmio em 1o.
Inter em 2o.

Posição no ranking de maior torcida do Brasil

Grêmio em 6o. com 3,5% dos torcedores (6,4 milhões)
Inter em 9o. com 2,6% dos torcedores (4,7 milhões)

Clube de futebol com maior número de sócios no Brasil

Grêmio em 2o. com 55 mil
Inter em 1o. com 100 mil

Maior estádio do Rio Grande do Sul

Grêmio em 2o. com 51 mil lugares no Olímpico Monumental

Inter em 1o. com 58 mil lugares no Gigante da Beira-Rio

Posição do time no ranking da CBF

Grêmio em 1o.
Inter em 8o.

Posição do time no ranking mensal de clubes da Fifa

Grêmio em primeiro entre os clubes brasileiros (10o. lugar)
Inter em 3o. entre os times brasileiros (14o. lugar)


Posição do time no ranking de Todos os Tempos de clubes da Fifa

Grêmio em segundo entre os clubes brasileiros (33o. lugar)
Inter em 9o. entre os times brasileiros (80o. lugar)

Compositor do hino do clube

Lupicínio Rodrigues
Nelson Silva

Início do hino do clube

Até a pé nos iremos, para o que der e vier, mas o certo é que nós estaremos com o Grêmio onde o Grêmio estiver

Glória do desporto nacional, Oh Internacional, que eu vivo a exaltar/Levas a plagas distantes, feitos relevantes/Vives a brilhar

Maiores jogadores da história

Eurico Lara, Airton Pavilhão, Renato Portaluppi e Ronaldinho Gaúcho

Tesourinha, Figueroa, Falcão e Fernandão


Ex-jogador mais conhecido no mundo

Ronaldinho Gaúcho

Dunga

Torcedoras mais conhecidas

Gisele Bundchen e Ana Hickman

Renata Fan e Letícia Birkheuer

Airton Gontow – jornalista e cronista

*Mostrei a um amigo o artigo antes de enviá-lo ao blog. Crítico, ele foi categórico. “Estava equilibrado até o final da ficha, mas o item “Torcedoras mais conhecidas” fez o Grêmio sair levemente vencedor do embate centenário”. Tudo bem. Vou tratar de devolver o equilíbrio à disputa, tão necessário para este artigo e para homenagear os “100 anos de Gre-Nal”. Aí vai: eu sou gremista...Luís Fernando Veríssimo é colorado...

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FutebolFutebol Gaúcho

Jul 01

Não quero crer 12 vezes

por Felipe Lessa01h33

Talvez o Internacional levante o título da Copa do Brasil. Porém, não quero crer que no caso de derrota, na noite de hoje, haja muita festa entre as organizadas do Colorado. Não quero crer que integrantes de torcidas como a Camisa 12 já estejam sendo vistos nas redondezas do Beira Rio vendendo suas cortesias a preços que variam entra R$50 a R$300.

Não quero crer que receberam 500 entradas de brinde da diretoria, mas utilizem apenas 100...e usem o resto para ganhar uma bela noite de quarta-feira. Não quero crer que os próprios integrantes das organizadas terão que pagar por ingressos que vieram de graça. Não quero crer que as canções cantadas enalteçam facções ao invés de heróis de jogo.

Bom, não quero crer que os símbolos utilizados pelos organizados sejam o Che Guevara. Torcedores que são, devem levar bandeiras do Falcão...até mesmo Alexandre Pato. Não quero crer que nos agradecimentos do site da torcida estejam facções aliadas, no lugar daqueles que colaboram para conquistas da instituição.

Não quero crer que eles vão atrás de brigas com organizadas do Corinthians. Não quero crer o contrário também. Não quero crer que brigas ocorram por interferência de integrantes da Independente, do São Paulo.

Não quero crer que a diretoria do Inter não esteja fiscalizando as coisas. Não quero crer que tudo isso seja verdade...

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FutebolFutebol Gaúcho

Jun 25

Qual será a pena?

por Felipe Lessa22h14

A condição de Maxi Lopez ser argentino, branco e jogar no Grêmio de Porto Alegre o coloca como alvo fácil de acusações como as de ontem, no Mineirão. Na ocasião, o cruzeirense Elicarlos afirmou que o hermano tricolor havia o chamado de macaco.

Houve bate boca, empurrões e troca de acusações com direito a bater o cartão na delegacia de polícia – aquele clima sangue nos olhos que só uma Libertadores da América pode oferecer. Tanto o acusado como o denunciante se mantém irredutíveis em seus testemunhos. Um nega, outro afirma. Aquela conversa toda sobre a existência ou não do racismo.

Enquanto isso, nós gostaríamos de saber o que vai acontecer. Trata-se de um caso sério, que vai servir de exemplo para muita gente. Tanto pelo lado positivo, como pelo negativo.

Cito isso por dois motivos. O primeiro é que desde a fundação do Internacional, pelos irmãos Poppe, até os atuais vínculos neonazistas da Geral do Grêmio, esse clube gaúcho já carrega em seu contexto traços polêmicos de exclusão social e racismo.

Maxi Lopez, por sua vez, vêm de uma pátria onde um dos maiores orgulhos é ter sua capital considerada parte européia da América Latina. Isso para não falar nos antigos massacres étnicos na Argentina, que de remanescentes dos negros deixou pouca coisa a se contar. Ao menos, sobrou o brilhante futebol do meio-campista Verón para contar história.

Reforcei a questão dos estereótipos de Grêmio para questionar: e se o jogador cruzeirense estiver mentindo? Talvez o xingamento seja outro, ou até mesmo nem tenha existido. No caso dessa hipótese, se reforçaria na marca Grêmio de Football Porto Alegrense mais uma condenação midiática por atos de intolerância.

Algo a ser bem analisado, pois estão errados aqueles que generalizam o tricolor dos pampas como time dos reacionários. Basta voltar no tempo e lembrar que no mesmo local onde agita a ultra-radical-Geral-do-Grêmio, já esteve presente o ultra-liberal-grupo de-torcedores-da-Coligay. Isso é só para dar um exemplo que toda generalização é burra, em especial no futebol brasileiro.

Mas agora segue o segundo motivo. E se o cruzeirense falar a verdade? O que vai ser feito? Será dado um exemplo aos torcedores, dirigentes, jogadores ou até mesmo pessoas que não gostam de futebol? A função do estado é cumprir aquele slogan do governo Lula: Brasil, um país de todos. E aí? Caso seja verdade, o argentino será expulso das terras tupiniquins da mesma forma como aquele jornalista gringo que chamou nosso presidente de bêbado?

Queremos ver o que a Polícia Civil de Minas Gerais irá fazer. Gostaria de saber se terão peito para não abafar o caso, se vão investigar a fama, idioma, conduta, entre outros fatores dos envolvidos junto aos parentes, vizinhos e conhecidos. Aquele que estiver errado merece ser punido pela atitude. Ou então, o que ocorreu no Mineirão será apenas mais um capítulo de histórias bizarras que rodeiam o futebol, o nosso querido futebol brasileiro.

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Jun 05

Quantos mais terão que morrer?

por Felipe Lessa01h09

Na noite de quarta-feira, uma briga entre torcedores de Vasco e Corinthians terminou com um assassinato e oito pessoas feridas. Cerca de 15 ônibus da Força Jovem do Vasco passavam pela Marginal Tietê, na capital paulista, quando se depararam com um ônibus e alguns carros de corinthianos.

Sem o reconhecimento de “torcida organizada”, não havia escolta para o grupo pertencente a Gaviões da Fiel, denominado Movimento Rua São Jorge, parado por outro grupo de policiais para uma revista – no momento em que também se dirigiam da zona leste ao Pacaembu.

Foi o suficiente para que paus, pedras e barras de ferro estivessem em punhos de “torcedores” para um combate brutal, supostamente iniciado por vascaínos que correram em direção dos donos da casa, em número bem menor. Os 20 batedores da Polícia Militar, que realizavam a escolta, afirmaram que nada puderam fazer até a chegada de reforço. Realmente, o contingente policial era pequeno para acalmar e controlar os mais de 500 vascaínos ali presentes.

Um promotor afirmou que o ataque foi realizado pelos corinthianos. Ele deveria nos responder a razão de não haverem disparos da calibre 12, portada pelos mesmos – já que a policia paulistana não realiza escolta para quem não reconhece como torcida. No mundo das organizadas, se a polícia resolve não escoltar, é cada um por si. A qualquer momento pode ser realizado um ataque rival.

Com isso, o despreparo policial permitiu 15 minutos de violência e um saldo trágico. Algo que torcedores comuns, daqueles que vão ao estádio apenas para ver futebol, jamais teriam vontade de experimentar. Mas que os organizados sabem que pode ocorrer a qualquer momento. Os policiais também.

No final do jogo, ainda houve tempo para que um dos ônibus da “torcida” carioca fosse incendiado. Ficou no prejuízo o motorista que, sem seguro e ainda pagando as parcelas do veículo, não sabe o que fazer da vida.

A promotoria pública de São Paulo agora fala em jogos com torcidas únicas. Mas seria essa a solução? Imagino que um torcedor do Vasco, não pertencente a uma organizada, jamais iria ao Pacaembu com a intenção de defender a bandeira cruzmaltina na porrada, antes ou após eliminação na Copa do Brasil. Simplesmente vive longe, ou até na própria São Paulo, e gostaria de ver seu clube em campo. Eles, e outros tantos torcedores que não querem brigar, para variar serão penalizados? A secretaria de segurança pública paulistana também vai ser investigada? Se a corda arrebentar, dessa vez que não seja somente no lado mais fraco.

Mortes no futebol brasileiro
A violência relacionada com as bancadas do futebol brasileiro chegou ao extremo no dia 17 de junho de 1988. Minutos depois de sair de um bar, próximo ao Parque Antártica, Cléo Sostenes dirigia-se até a sede da torcida Mancha Verde do Palmeiras. Precisava realizar um telefonema, deu alguns passos e foi atingido por três tiros. Os suspeitos do assassinato eram integrantes da Gaviões da Fiel, que antes do ataque teriam assaltado o veículo utilizado para cumprir a missão.

No estádio Nicolau Alayon, localizado na Zona oeste da capital paulista, em janeiro de 1992, ocorre a primeira morte dentro de um estádio. Integrantes da Independente, do São Paulo, arremessaram uma bomba contra a torcida do Corinthians. Rodrigo Gaspari, de 13 anos, morreu ao ser atingido. Ele assistia seu time pela Copa São Paulo de Juniores.

No Pacaembu estádio, pelo mesmo torneio, em 1995, houve a maior briga entre torcidas organizadas do futebol brasileiro. São-paulinos indignados com a perda do título invadem ao gramado para brigar contra palmeirenses que comemoravam a conquista. Uma batalha campal como jamais foi vista em estádios brasileiros é traçada.

Integrantes da torcida Independente aproveitam o grande número de entulhos localizados na região onde estavam para carregarem-se de munição. Mastros de bandeiras também são utilizados no conflito que deixa como vítima o tricolor Marcio Gasparim.

No final dos anos 90, um jovem morreu ao ser atingido por uma bomba após briga entre atleticanos e coxas, em um terminal de Curitiba. Em 2007 um integrante da Jovem Fla morreu após emboscada das torcidas organizadas de Vasco e Botafogo.

No decorrer dos anos, uma das principais bandeiras do Ministério Público foi a extinção das organizadas e a proibição das faixas nos estádios de diversos estados. As organizadas voltaram e os atos violentos continuam acontecendo até hoje em grandes centros como São Paulo, Curitiba, Belém, Natal, Porto Alegre, Recife, Florianópolis, Rio de Janeiro, entre outros.

Falha policial
Em 2005, um integrante da Leões da TUF, do Fortaleza, foi assassinado após perseguição proporcionada por integrantes da torcida Fúria Jovem do Botafogo. O fato ocorreu no Rio de Janeiro, e integrantes da torcida afirmam que a polícia mudou os planos na hora da volta. Um integrante da facção carioca também foi morto na troca de tiros.

São diversas as ocasiões em que integrantes de torcidas organizadas seguem integrantes de grupos rivais para efetuar disparos. Vale deixar a questão: Como essas armas da torcida visitante entraram no Rio de Janeiro? Se a polícia permitiu a troca de tiros na estrada, algo que ocorre constantemente nesse estado, a escolta foi falha? A secretaria de segurança fluminense deveria investigar a questão de “acordos” entre policiais e componentes de organizadas.

Agressões
Não existem estatísticas que provem o contrário, porém, durante conflitos de torcidas é maior o número de feridos ou o detidos? Em uma das ações policiais, uma torcedora do Paraná Clube perdeu a visão – após incidente ocorrido na saída da Arena da Baixada.

Outro incidente que mostra operação policial questionável envolve faixas dos torcedores.Entre os casos mais conhecidos, a ocasião em que policiais paulistanos revistavam a faixa de uma organizada do Cruzeiro, no início dos anos 2000. Não permitiram a entrada da mesma no estádio e horas depois o material apareceu na mão de torcedores do Corinthians, supostos integrantes da Gaviões da Fiel. Um caso similar ocorreu também com o desaparecimento de uma faixa da torcida do São Paulo, na mesma época, durante embarque em um aeroporto da cidade.

Entrevista
Apesar da Guarda Popular do Internacional não ser uma torcida organizada, passa pelos mesmos problemas. Ao viajar, o movimento de torcedores independente de facções depende de escoltas e precisa lidar com o desgosto de torcidas rivais. Por isso, entrevistamos Hierro Martins, um dos organizadores do grupo. Ele fala sobre alguns problemas relacionados as bancadas de futebol e uma possível solução.

DP - Existe solução para a violência no futebol?
Hierro - Existe, sim. E a solução começa por cada um de nós. A conscientização de que violência no futebol não precisa existir é o primeiro passo a ser dado por todos que vivem o futebol, principalmente as lideranças de torcidas - pra ser a melhor, não precisa ser a mais violenta!

DP - Acha que o fim das organizadas vai acabar ou amenizar a violência?
Hierro - Podem acabar com as organizadas. Vão somente acabar com o comando, vão acabar com o elo aliado contra a violência, mas as organizadas não acabarão, as pessoas vão continuar organizadas dentro do estádio de futebol, organizadas e sem comando, onde o que vale é quem dá mais porrada, e não o que um líder recomenda.

Temos o maior exemplo disto no Rio Grande do Sul, onde as maiores torcidas não são organizadas como entidade, mas se organizaram e se agrupam dentro do estádio. No RS, os estádios estavam propícios a se tornarem campo de guerra. Antes das primeíras vítimas fatais aparecerem, a conscientização anti-violência falou mais alto.

DP - Voce falou no elo aliado contra a violência. E nos casos em que esse elo não pretende ser um aliado contra a violência?
Hierro - Se o elo não é aliado contra a violência, ele não tem que existir !

DP - Qual o papel da polícia e poder público para contribuir com a violência?
Hierro - Eu incluo na sua pergunta o papel da grande mídia também. Se ela publicasse e tornasse informativo toda realidade que acontece quando, por exemplo, o poder público não pune quem tem que ser punido, a polícia não previne. Somente dá borrachada

Tem muitas outras coisas que todos nós que vivemos o futebol sabemos que estes órgãos continuam falhando e deixando acontecer errado. A partir do dia que a grande mídia noticiar e informar as falhas e conivências - torcedor escoltado largado na mão de torcida inimiga, faixa de torcida recolhida e depois vendida pra torcida rival e etc - de quem é pago pra prevenir e proteger, toda sociedade saberá e cobrará muito mais. A generalização de marginal não caberá somente ao torcedor. Extorsões, conivências, cacetada e spray de pimenta não conscientiza, só gera violência.

DP - Comente algumas das ações da popular que ajudaram a diminuir os atos de violência
Hierro - A principal de todas foi quando na véspera de um clássico, num churrasco no pátio do Beira-Rio, fomos alvo de disparos de arma de fogo por torcedores rivais. No momento havia um mutirão de preparativos para o clássico (Grenal), onde tinha mulher e crianças ajudando pra fazer a festa do dia seguinte.

O momento era de cólera geral. Passados 15 minutos dos disparos, 4 ou 5 motos chegando com armas pro revide. Era uma coisa que até então nem tinha que perguntar nada para ninguém. Tinha que ir no rival e responder do mesmo jeito. Os presentes esperavam isso, as pessoas no clube sabiam que o barril de pólvora iria explodir, o próprio rival esperava e se escondia com medo da resposta.

Um momento de lucidez caiu sobre 3 de nós e surpreendentemente decretamos: "Ao primeiro disparo contra o rival, acabamos com a torcida !" no dia do clássico apresentamos uma faixa de 25 metros de comprimento - A TORCIDA QUE NÃO USA ARMAS! Fizemos uma passeata na avenida principal do estádio, começamos em 100, depois 150 torcedores. Quando chegamos no portão de acesso do nosso setor já éramos 5 mil torcedores. Todos querem a paz nos estádios, basta praticar!

DP - Já passaram algum problema por evitar brigas?
Hierro - Eu respondo processo no fórum de Porto Alegre, por ter evitado de um torcedor rival encontrado no setor ser espancado talvez até a morte. A suposta "vitima" e o poder público me acusam de não ter sido cordial com o torcedor rival e ter tirado ele do meio do espancamento com força bruta!

DP – Deixe uma mensagem aos leitores do blog
Hierro - A cada dia que se notícia um conflito entre torcidas, eu me entristeço, fico triste. Essas pessoas não deveriam de se orgulhar pelo conflito, por terem participado, por terem colocado o dito "inimigo" pra correr. Elas precisam repensar suas vidas e abrir os olhos para o buraco que estão jogando esta "classe" (torcidas). Nós mesmo, os torcedores, estamos nos derrotando. Em um conflito da torcida "x" contra a torcida "y" não tem vencedor. Só derrotados!

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Jun 03

Parabéns ao Inter, Coxa e cambistas

por Felipe Lessa18h13

Um amigo torcedor do Coritiba foi até o Couto Pereira, na tarde de hoje, comprar ingressos para a semifinal contra o Internacional (RS). Na dificuldade de conseguir entradas, para o jogo válido pela Copa do Brasil, os cambistas fazem festa: R$50 mangos o mais barato direito do torcedor de entrar nas dependências coxas.

Para avacalhar a coisa, os cambistas estão vendendo entradas da Mauá, território alviverde, aos adeptos do time gaúcho. Será que vai dar merda? A diretoria do Coxa já deu o recado: não vai amansar seus torcedores durante o confronto, devido aos problemas que os coritibanos passaram no Beira-Rio. Território propício para merda. Talvez, a polícia evite confronto entre torcedores organizados. Mas a imprudência e o revanchismo poderão criar tumultos entre aqueles que desejam unicamente ver o jogo.

Considerações:
1 - Parabéns aos diretores do Inter, por criar a polêmica. Ninguém mandou deixar torcedores do Coxa abaixo da torcida colorada. Muita gente reclamou ter tomado saquinhos de mijo, pedriscos e até sapatadas na cabeça. Agora quem paga o pato serão os torcedores – que com certeza são aqueles que no jogo passado apenas assistiram o jogo. Os que fizeram merda não teriam coragem de vir até a capital paranaense.

2 – Parabéns aos diretores do Coxa, pela reciprocidade demonstrada nas mensagens aos jornais. É assim que se conquista a tão esperada paz no futebol. Tudo bem que o jogo é de guerra, pode ser esse um dos jogos mais importantes na história do Coritiba. Mas não justifica o risco que está sendo colocado em jogo.

3 – Parabéns aos cambistas, pela responsabilidade social. A integração de torcidas, pela paz, pelo espetáculo, pela glória do futebol é o que tanto queremos. Sabemos que o valor cobrado é maior que o das bilheterias, pois existe todo um trabalho para a humanização dos torcedores nesses aspectos. No caso de confusões, caso esses torcedores do Internacional resolvam comparecer na bancada coxa caracterizados, esses cambistas devem interceder por qualquer incidente. Com certeza a Polícia Civil do Paraná já solicitou também aos cambistas a permissão para se infiltrar e fotografar cada um desses trabalhadores. Claro, com o intuito de depois premiá-los pela iniciativa de integrar torcidas que historicamente não tem vínculos de amizade.

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