Out 09
O Flamengo e a reta final do Brasileirão...
por Equipe De Primeira01h11
Por Daniel Soares
Primeiro tempo maluco no Barradão, no jogo Vitória x Flamengo. Pra quem não tomava gol há 6 jogos, tomar dois de bola parada e mais um de contra-ataque foi fogo. E eu que achava que o principal problema seria o ataque formado por Dênis Marques e Zé Roberto. O Zé está em ascensão e jogou muito bem, principalmente no primeiro tempo.
O Dênis Marques só consegue fazer gol quando a bola desvia no zagueiro. Tá com cara de que vai se consagrar no Campeonato Carioca 2010 fazendo muitos gols em cima de Boavista, Resende, Tigres et caterva. Depois de um segundo tempo sonolento, o Flamengo achou um gol aos 46 minutos. O ponto em Salvador acabou sendo lucro dadas as condições do jogo.
Mas o Flamengo continua tendo que vencer todos os quatro jogos que tem em casa (São Paulo, Santos, Goiás e Grêmio), mais o clássico contra o Botafogo (o jogo será no Engenhão) e vencer as três partidas teoricamente mais fáceis fora de casa (Barueri, Náutico e Corinthians) pra continuar com chances de Libertadores. Muito difícil encaixar uma sequência tão regular, mas é possível até os resultados me provem em contrário.
Os outros jogos....
-O Internacional conquistou uma vitória obrigatória no Beira Rio. Nem as vitórias obrigatórias vinham acontecendo. Voltou a ser candidato sério à Libertadores.
-Acabou o fôlego do Jason? O São Paulo empatou com o Coritiba no Morumbi num daqueles momentos do campeonato em que isso é quase entregar a Taça pro adversário. Alias, no final do jogo o travessão salvou o time do Morumbi de perder em casa. E lá vai o Marcelinho Paraíba mantendo o Coxa na Série A. Esqueci de falar, no texto sobre o Fla x Flu, que ele foi um dos reforços que acertaram o Flamengo no segundo semestre de 2008.
-O Fluminense é um condenado à morte. Ainda está vivo, mas aguarda apenas marcarem a data da execução. Dead man walking. Corinthians? Feliz Natal!
-O Santos fez o que tinha que fazer pra ter um pouco de paz e o Sport já tem o veredito. Aguarda apenas a marcação da data, como o tricolor carioca.
-O 0x0 na Arena da Baixada não chegou a ser tão ruim para os dois clubes. O Atlético segue mantendo distância segura do rebaixamento e mantém proximidade da zona da Sulamericana (alguém se importa?). O Grêmio mantém respirando por aparelhos as chances de Libertadores.
-Quantas pessoas terão pago ingresso para assistir o "clássico" Barueri x Santo André? Ninguém precisa de dois clubes paulistas sem torcida na Série A, a não ser os grandes paulistas, que assim ganham um número maior de partidas em casa.
-A Nação Rubro Negra, mais uma vez comovida, agradece os esforços atleticanos e esmeraldinos de dar emoção ao campeonato. O Botafogo respira e ganha confiança. O Cruzeiro se permite sonhar com a Libertadores.
-O São Paulo provavelmente também agradece ao Palmeiras, que com o empate suado de hoje dá ânimo novo ao tricolor após a ducha fria do empate de ontem. Dois empates em 2x2 com times do sul do país.
Jun 25
Qual será a pena?
por Felipe Lessa22h14
A condição de Maxi Lopez ser argentino, branco e jogar no Grêmio de Porto Alegre o coloca como alvo fácil de acusações como as de ontem, no Mineirão. Na ocasião, o cruzeirense Elicarlos afirmou que o hermano tricolor havia o chamado de macaco.
Houve bate boca, empurrões e troca de acusações com direito a bater o cartão na delegacia de polícia – aquele clima sangue nos olhos que só uma Libertadores da América pode oferecer. Tanto o acusado como o denunciante se mantém irredutíveis em seus testemunhos. Um nega, outro afirma. Aquela conversa toda sobre a existência ou não do racismo.
Enquanto isso, nós gostaríamos de saber o que vai acontecer. Trata-se de um caso sério, que vai servir de exemplo para muita gente. Tanto pelo lado positivo, como pelo negativo.
Cito isso por dois motivos. O primeiro é que desde a fundação do Internacional, pelos irmãos Poppe, até os atuais vínculos neonazistas da Geral do Grêmio, esse clube gaúcho já carrega em seu contexto traços polêmicos de exclusão social e racismo.
Maxi Lopez, por sua vez, vêm de uma pátria onde um dos maiores orgulhos é ter sua capital considerada parte européia da América Latina. Isso para não falar nos antigos massacres étnicos na Argentina, que de remanescentes dos negros deixou pouca coisa a se contar. Ao menos, sobrou o brilhante futebol do meio-campista Verón para contar história.
Reforcei a questão dos estereótipos de Grêmio para questionar: e se o jogador cruzeirense estiver mentindo? Talvez o xingamento seja outro, ou até mesmo nem tenha existido. No caso dessa hipótese, se reforçaria na marca Grêmio de Football Porto Alegrense mais uma condenação midiática por atos de intolerância.
Algo a ser bem analisado, pois estão errados aqueles que generalizam o tricolor dos pampas como time dos reacionários. Basta voltar no tempo e lembrar que no mesmo local onde agita a ultra-radical-Geral-do-Grêmio, já esteve presente o ultra-liberal-grupo de-torcedores-da-Coligay. Isso é só para dar um exemplo que toda generalização é burra, em especial no futebol brasileiro.
Mas agora segue o segundo motivo. E se o cruzeirense falar a verdade? O que vai ser feito? Será dado um exemplo aos torcedores, dirigentes, jogadores ou até mesmo pessoas que não gostam de futebol? A função do estado é cumprir aquele slogan do governo Lula: Brasil, um país de todos. E aí? Caso seja verdade, o argentino será expulso das terras tupiniquins da mesma forma como aquele jornalista gringo que chamou nosso presidente de bêbado?
Queremos ver o que a Polícia Civil de Minas Gerais irá fazer. Gostaria de saber se terão peito para não abafar o caso, se vão investigar a fama, idioma, conduta, entre outros fatores dos envolvidos junto aos parentes, vizinhos e conhecidos. Aquele que estiver errado merece ser punido pela atitude. Ou então, o que ocorreu no Mineirão será apenas mais um capítulo de histórias bizarras que rodeiam o futebol, o nosso querido futebol brasileiro.
Jun 01
Saudade da Sul-Minas
por Jones Rossi11h58
Entre 1999 e 2002 os times paranaenses pareciam no caminho certo. O Atlético ganhou a Seletiva para a Libertadores (99), fez uma primeira fase fantástica no torneio continental e só foi eliminado nos pênaltis (2000), dando a impressão que poderia ir mais longe. No mesmo ano, o Paraná Clube ganhou o modulo amarelo sobre o São Caetano e quase despachou o Vasco do Campeonato Brasileiro, o famigerado Torneio João Havelange. Em 2001, o Atlético foi campeão brasileiro. Mas o Coritiba chegou a semifinal da Copa do Brasil e a final da Sul-Minas. Em 2002 seria a vez do Atlético disputar - e perder - a final contra o Cruzeiro, não sem antes aplicar uma goleada de 5 a 1 sobre o Grêmio no Olímpico.
Com adversários fortes - Grêmio, Inter, Cruzeiro, Atlético-MG, Coritiba, Figueirense, Paraná e até, na época, o América-MG - o torneio Sul-Minas não deixava os times paranaenses se iludirem. Era uma senhora preparação para o que viria no Campeonato Brasileiro. Mas acabou. Certa vez, entrevistando Mario Celso Petraglia, em 2007, perguntei o porquê da Sul-Minas ter sido extinta. A resposta: por puro interesse da TV, que ainda prefere os terríveis estaduais. E por covardia dos clubes, que não tiveram a coragem de enfrentar as emissoras. Times do tamanho do Cruzeiro acharam por bem não aborrecer as tvs. E deu no que deu.
O fim da Copa Nordeste teve efeito semelhante para os times nordestinos. O regional fortíssimo deu lugar aos velhos estaduais, que estão caindo de podre, dominados por times de empresário. Não há mais romantismo nenhum, como alguns querem fazer crer. Enquanto isso, os times do Sudeste ficam cada vez mais fortes, impulsionados pela grana da TV e pela complacência do governo com as enormes dívidas trabalhistas contraídas em décadas de má administração.
Para nós só restam esmolas. E os estaduais, para alegrar os bobos por pelo menos um final de semana.
Mai 03
Campeões pelo Brasil
por Equipe De Primeira23h11
Por Fabrício Kichalowsky
Aos contrários de alguns (muitos?), eu gosto dos campeonatos regionais. Foi através deles que as grandes rivalidades nasceram e cresceram. E, se hoje temos grandes clubes no Brasil é, também, devido às conquistas regionais que fortaleceram os clubes e ajudaram a formar as equipes que fariam história no cenário nacional.
Isso significa que os campeões regionais são candidatos a um título brasileiro? Curiosamente, neste ano sim. Três times vistos como favoritos à Copa do Brasil e ao Brasileirão levantaram a taça nos últimos dias. Sem dúvida, vem aí um Campeonato Brasileiro como há muito não se via.
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Campeonato Gaúcho
Inter 2x1 Grêmio
Inter 8x1 Caxias
No Gauchão, a bem da verdade, não houve final. A disputa foi dividida em duas taças, Fernando Carvalho e Fábio Koff, representando os dois turnos. E o Internacional foi imensamente superior, em todos os sentidos. A primeira taça foi conquistada com mais uma vitória sobre o tradicional rival. A segunda, com um antológico placar de 8 a 1. Com melhor campanha, melhor ataque, melhor defesa e artilheiro do campeonato, o Colorado levou o estadual e começou vitorioso o ano do seu Centenário.
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Campeonato Paulista
Santos 1x3 Corinthians
Corinthians 1x1 Santos
Depois de uma temporada na Segunda Divisão, o Corinthians fez um Paulistão louvável. Enfrentou todos os grandes de São Paulo e venceu-os com autoridade. Na primeira final, na Vila Belmiro, com uma atuação fantástica de Ronaldo que, em dois lances, decidiu o campeonato. Invicto e com um dos maiores atacantes do mundo, o Timão ressurge como um dos grandes times do Brasil, no momento.
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Campeonato Carioca
Botafogo 2x2 Flamengo
Flamengo (4) 2x2 (2) Botafogo
A disputa regional mais equilibrada não poderia terminar de outra forma que não nos pênaltis. Na primeira partida, Maicossuel foi decisivo nos dois gols botafoguenses. Na segunda, Kléberson fez ambos os gols flamenguistas. Mas o nome da decisão carioca acabou sendo o goleiro Bruno que, depois de defender uma penalidade máxima no tempo regulamentar, deu o tricampeonato carioca ao Flamengo com duas defesas na disputa dos pênaltis. Mantida a base do time campeão e com o acréscimo de Adriano, que trocou Milão pelo Rio de Janeiro, o Fla chega ao Brasileirão muito forte.
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Campeonato Mineiro
Cruzeiro 5x0 Atlético
Atlético 1x1 Cruzeiro
O elástico placar de 5 a 0 praticamente decidiu o campeonato a favor do Cruzeiro já na primeira partida. Com jogadores como Kléber, ex-Palmeiras, além de Vágner e Ramirez, entre outros, a Raposa manteve a base forte do ano passado e vai para o Campeonato Brasileiro como um dos candidatos ao título. Assim como em 2008, diga-se de passagem.
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Além desses, Sport (PE), invicto, além de Avaí (SC), Atlético (PR), Goiás (GO) e Vitória (BA) venceram suas disputas regionais e festejaram junto às suas torcidas.
Se vão fazer um bom papel no Brasileirão não se sabe, é provável que não, mas isso de forma alguma diminui suas conquistas em âmbito regional. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. E a festa nas arquibancadas pelo Brasil só demonstra o quanto o torcedor valoriza os campeonatos estaduais.
Fev 01
O modo como posts surgem
por Alessandro Manoel15h15
Em Curitiba é bem raro as pessoas saberem de cabeça qual o número das linhas de ônibus que pegam. E o número 666 é o de uma linha chamada Novo Mundo. Talvez seja piada do pessoal da Urbs (empresa municipal curitibana que gerencia o transporte público local) com o número da besta e um mundo novo para apavorar quem acredita nestas coisas. Vai saber.
O ponto é que a gente se acostuma e não repara que algumas coisas podem ser algo engraçado para outros mesmo sendo comuns em nosso mundinho particular. Este assunto já chegou perto de ser abordado em posts sobre a Terceirona do Brasileirão. Em 2008 havia a minha torcida para que Brasil de Pelotas e Holanda-AM. Se acontecesse certamente alguma matéria da Placar iria ligar o confronto entre os dois times e um dos três jogos entre as seleções em copas (1974, 1994 e 1998) Quem seria o Van der Saar amazônico? O Cruyff do Pulmão do Mundo??
Enquanto eu pensava no 666 que passeia em direção ao sul curitibano, lembrei de dois confrontos no campeonato paranaense. Fox do Iguaçu x Iguaçu (de União da Vitória) e Paraná x Paranavaí. Pra paranaenses é comum. Será que a distância os nossos amigos de Belém acham isso engraçado?Lembro também que O Havelange uma vez estava em Curitiba e foi convencido a assistir a Atlético x Paraná Clube. Um repórter foi lá perguntar o que o rapaz achava do confronto e ele soltou um “estou satisfeito em acompanhar o jogo entre Paraná e Paranaense”. Mas também tivemos Engenheiro Beltrão x Francisco Beltrão.
Em São Paulo é engraçado o jogo entre Noroeste e Oeste. Será este o futuro clássico Rosa-dos-ventos? Os torcedores do Oeste vão tirar sarro porque o Noroeste é um mero ponto colateral e irão levar ao estádio uma bandeira com o dom Odilo Pedro Scherer? Uma pena que não temos mais um afastamento necessário pra sorrir em um confronto São Paulo x Paulista. Sem falar na quantidade de santos presentes.
A série A2 nos traz o clássico maniqueísta Rio Preto x Rio Branco com o Rio Claro chegando pra dizer que a mistura é que ganha jogo. Atlético Sorocaba x São Bento ainda é um dérbi mais legal, confesso. O fato é que o Bandeirante vai subir pra série A2 só pra invadir Sertãozinho. Ou talvez Nacional e Internacional subam junto e transfiram este jogo inusitado pra uma divisão mais chique. Monte Azul x Pão de Açúcar deveria estar no mesmo grupo.
À primeira vista, os cariocas só têm a nos oferecer América x Americano, que estão em divisões diferentes. Mas na terceira divisão há um clube que consegue fazer um “autoclássico”. O alvinegro Associação Esporte Clube Rio São Paulo. Rio São Paulo! E misturando tudo, há o Boavista da primeira divisão com o Bela Vista da terceira. Por sinal esta divisão carioca conta com times de nomes bem sugestivos: Semeando Cidadania Futebol Clube, Rubro Social Esporte Clube, Futuro Bem Próximo Atlético Clube e Fênix 2005 Futebol Clube.
E preparem-se. Guarani x Tupi se enfrentam no próximo dia 8 em Divinópolis. E dia 14 jogam Social x Democrata. Aliás, Democrata de Governador Valadares x Democrata de Sete Lagoas é bem comum por lá. Pena que atualmente este último está no Módulo II (a série B local).
Só consegui forçar a barra no Catarinense com Videira x Figueirense, que estão em divisões diferentes. O Gauchão tem como destaque a quantidade incrível de Esporte/Sport Clube/Club (Oito na principal e seis na segunda). Mato Grosso do Sul devia arrumar um par a altura para a Associação Atlética das Moreninhas. Operário x Comercial parece muito sem graça diante disso.
Preciso que algum leitor baiano nos ajude a confirmar se está correta a informação que tirei do site da Federação Baiana de Futebol sobre a existência de um time chamado Botafogo Esporte Clube e OUTRO chamado Botafogo Sport Clube. De qualquer forma dá para montar Serrano x Serrinha com Monte Rey querendo entrar na briga. Pernambuco tem três Ferroviários: Clube Ferroviário do Recife, Ferroviário Esporte Clube de Serra Talhada e Ferroviário Esporte Clube do Cabo.
Vou parar por aqui pra não ficar um post grande demais. Você, leitor, pode apontar novos jogos alternativos entre equipes de um mesmo estado. É que se for pra colocar jogos de times de qualquer lugar aí o céu é o limite e Chapadão x Chapadinha é imitar demais o Léo Aquino...
Jan 26
Perguntas da segunda
por Ana Carolina Moreno12h35
Perdão
Como é que, em 7 de agosto de 2008, eu pedi ao Large Hadron Collider (aquela máquina capaz de recriar o Big Bang) que, se não provocasse o fim do mundo, pelo menos levasse o Washington pra bem longe da minha frente, e hoje coloquei uma foto dele no meu plano de fundo?
Ou é ou não é
Se o jornalista tem uma fonte em off dizendo que o Cruzeiro vai ganhar Kléber mais 14 milhões do Dínamo, em troca do Guilherme, porque escreve que o valor é uma mera especulação? Nem preciso dizer quem é, mas avisa a gente que você tem a fonte, ora. E, se é uma mera especulação, o que ela tá fazendo em destaque na notícia?
Ou é ou não é (2)
E eu aqui achando que o Kléber valesse mais do que isso, pro Palmeiras perder tanto tempo tentando segurá-lo... Ou será que o Guilherme é que tá inflado?
Acontece com todos
Por que o melhor jogador do mundo, habitualmente um cara tranquilo e "buena onda", ficaria com inveja do triângulo amoroso Milan-Kaká-City? Messi precisava mesmo dizer que não se espantaria se o Barcelona te largasse no futuro, igual fez com o Ronaldinho? O clube está fazendo história, a última coisa de que precisa é de gente reclamando com a barriga cheia. Fora que, se algum dia o Barça pensar em te largar, pode ter certeza que o polígono amoroso que surgirá daí vai ter cifras muito mais obscenas que as do Kaká.
Jan 21
Este é o fim do futebol como o conhecemos. E não me sinto bem
por Jones Rossi03h52
O futebol se parece um pouco com a política. Às vezes mais do que a gente gostaria. Quando a comunidade não está interessada em seus próprios rumos, quem toma conta são os políticos desonestos e corruptos. No futebol, quando cidades inteiras deixam de se importar com seus times para adorar o que vem de fora, empresários e espertalhões invadem o galinheiro antes que se possa dizer "categoria de base".
Por isso os estaduais são o que são. Meia dúzia de times com alguma tradição contra ex-times de tradição transformados em entrepostos de venda. Até o suposto melhor campeonato estadual do país, o Paulista, está recheado de times que não fazem o mínimo sentido: Guaratinguetá, Ituano, Paulista, São Caetano e por aí vai. Jogos às quartas-feiras de madrugada, estádios que se parecem entre si, torcidas tão vibrantes quanto um jogo de bocha com seu tio de 80 anos. Este é o Paulista. Imagine os outros.
Poucos vão concordar, mas campeonato estadual é o Gaúcho. Por um motivo simples. O interior ainda concentra times que têm conexão com a comunidade. Quem já foi para o interior gaúcho sabe como as cidades e a população valorizam seus times, mesmo que não sejam grandes coisas. E aí está a diferença para o interior paulista e paranaense, nos quais a população prefere torcer pela TV por times que no máximo irão ver no estádio uma vez na vida.
Qual o sentido em morar em Maringá e torcer pelo Corinthians e não pelo Grêmio Maringá (quando este existia)? Por que o Corinthians (ou São Paulo, Palmeiras, o time não vem ao caso) vence mais que o Maringá? Pô, mas é óbvio que vence e sempre vencerá. Mas deixem que os paulistanos cuidem do Corinthians. Torcer para um time local representa afirmar uma identidade própria, não importada, que faça sentido e tenha relação com o lugar em que você mora. Aos poucos, criam-se tradições, os domingos no estádio, as vitórias heróicas, aquele título duramente conquistado, o choro pelo rebaixamento.
Uma das histórias mais bonitas que escutei e não sei se é verdade, mas que cala fundo quando eu penso no Grêmio Maringá, é a de um torcedor do Atlético-PR que escutava todo o pré-jogo e desligava o rádio quando a partida começava. "Para mim basta saber que o Atlético existe", explicava. Para mim, bastaria saber que o Grêmio existe e começaria neste fim de semana mais um Campeonato Paranaense. Nem isso eu tenho.
Por isso, os campeonatos estaduais têm que acabar. Não faz sentido os clubes que têm relação com a torcida, ainda são grandes e têm força, disputarem um campeonato apenas para dar sobrevida, e principalmente grana, a times cujas próprias cidades já os abandonaram. Por causa do estadual, a aberração dos infernos Corinthians Paranaense vai ganhar alguns meses de destaque e pode provocar estragos duradouros no futebol paranaense. Por causa dos estaduais, os empresários conseguem colocar jogadores meia-boca na vitrine a preços baixos, em Guaratinguetás da vida. Na quarta divisão do Campeonato Brasileiro estes times só seriam motivo de piada, como realmente são, embora de vez em quando um ou dois abortos da natureza escapem e cheguem à Primeira Divisão.
(Pensando bem, seria até engraçado ver um dia o Corinthians Paranaense, que queiram ou não, é administrado por profissionais, gente que é dona de instituições financeiras, ganhando do Corinthians original, tocado por amadores e mal-intencionados. Será que o acordo tem alguma cláusula impedindo os dois de frequentarem a mesma divisão?)
Voltando ao assunto. A grande alternativa são os regionais: Rio-SP, Sul-Minas, Nordestão. Mas as federações jamais permitiriam perder o poder. Cada federação representa um voto e a CBF dificilmente bateria de frente com elas. A verdade é que a Federação de Futebol de Roraima é tão ou mais importante aos olhos da CBF que o Flamengo, que joga o estadual para sustentar o Nova Iguaçu e o Cabofriense, ao passo que clubes tradicionais como o América-RJ, Bangu, Madureira e Goytacaz fade away.
Trocando em miúdos, não há solução por enquanto. Se o presidente de um clube campeão brasileiro já me disse que sugeriu a volta da Sul-Minas e foi impossível convencer clubes como Cruzeiro a tomarem parte, é porque estes clubes também caminham para o inevitável apequenamento. Talvez o futuro seja assim mesmo. No lugar do Toledo, uma franquia do São Paulo. No lugar do Goiânia, cria-se o Corinthians Goianiense. Extingua-se o CSA em favor do Flamengo Alagoano - até porque Corinthians eles já têm. E o Brasil do "Bahia, minha porra", do "Santa é lindo", do "A-tlé-ti-co" e do "Vamo, vamo, Inter"; do Brasil de Claudio Milar, do Remo e do Sampaio Correa, dará lugar a um único coro unânime: "somos um bando de loucos". E estaremos cheios de razão. Seremos loucos e idiotas.
E assim espero ter encerrado minha série lacrimosa sobre essa porcaria toda que se tornou o futebol. Ainda há esperança, Kaká disse não ao Manchester City. E disse pelos motivos certos. Pode ser que o vento tenha mudado direção. Não conto com isso, mas não custa sonhar.
Dez 13
Depois da queda...
por Equipe De Primeira20h58
por Leonardo Bonassoli
...o coice? Quem sabe? Dos quatro times que caíram para a Série B em 2007, apenas o Corinthians voltou direto. Juventude, Paraná e América-RN estacionam pelo menos um ano na Segundona. Menos mau para o Paraná e principalmente o América, que flertaram até com um rebaixamento para a Terceirona. Prova que a Série B não é tão fácil quanto se imagina.
Até por isso vou tentar dar uma de Mãe Dinah e prever o que poderá acontecer com cada um dos rebaixados deste Brasileirão.
Figueirense - 44 pontos
Em 2008 foi do êxtase (janeiro) ao fracasso (dezembro). A saída do clube é mesclar garotos da base campeã da Copa São Paulo de 2008 com alguns bons nomes a serem prospectados. Pintado chegou tarde demais neste ano, quando o time finalmente engrenou depois de um troca-troca desenfreado de treinadores. Meu palpite é que brigue para subir, mas que não seja aquela bola cantada que foi o Corinthians.
Vasco - 40 pontos
Corinthians 2008? Tem chances. O Vasco costuma subir bons garotos da base e tem cacife para atrair bons jogadores, pelo menos para os padrões da Série B. Além disso, os novos contratos de patrocínio ajudarão na recuperação do time, que sofre com a terra arrasada por Eurico Miranda. Talvez seja uma campanha mais próxima do Atlético Mineiro. Vamos ver o que Dinamite e Dorival Júnior irão fazer.
Portuguesa - 38 pontos
Tem tudo para não subir de primeira. Sinceramente mostra ter problemas estruturais no clube. Corre por fora.
Ipatinga - 35 pontos
Para quem foi rebaixado no Campeonato Mineiro, o Tigre do Vale do Aço até que foi bem. Muitos esperavam um América de Natal Reloaded, mas conseguiu fazer o dobro de pontos e arrancou alguns resultados importantes. Terá uma temporada dupla de Segundona em 2009. No Módulo II do Mineiro, deverá subir com facilidade. Na Série B do Brasileirão, tem pinta de meio de tabela. Lembrando que o Ipatinga refez a parceria com o Cruzeiro e terá alguns jogadores da base cruzeirense por empréstimo. Curiosidade: a base do Tigre só vai até o juvenil (por enquanto). Nos juniores, entra a parceria com o Cruzeiro, que cedeu 20 jogadores desta faixa de idade.
Ago 14
A decadência dos pequenos grandes clubes brasileiros
por Felipe Lessa00h09
Villa Nova e Uberlândia em Minas, Londrina e Grêmio de Maringá no Paraná, Campo Grande, América e Bangu no Rio de Janeiro, Internacional de Limeira, União de Araras e Juventus em São Paulo e Tuna Luso no Pará. São clubes que carregam em suas histórias algo muito importante em comum. Foram destaque no cenário nacional e sonharam com o dia que seriam grandes.
Alguns foram vice, outros campeões, mas hoje não carregam distinções. Todos dependem de calendário improvisado pelas federações locais para continuar jogando. Alguns, até mesmo dispensam tal calendário extra, por falta de dinheiro.
A falta de grana é fruto de dois fatores. O primeiro fica pela administração amadora destes clubes. O segundo é a Lei Pelé (9.615/98), que favorece empresários e clubes empresas.
Para tentar dialogar e debater sobre o segundo problema, dirigentes de clubes e federações estiveram reunidos terça-feira, em Brasília. Na Câmara dos Deputados, eles analisaram e opinaram em assuntos sobre possíveis mudanças na Lei Pelé.
No que vai dar, não sabemos. Mas, para você não pensar que certos clubes já morreram, o De Primeira preparou um pequeno guia dos desesperados. Saiba um pouco mais sobre os clubes que já sonharam em ser grandes, no entanto, hoje, fora do campeonato nacional, lutam para não cair no esquecimento.

Londrina Esporte Clube/PR - Campeão da Taça de Prata em 1980, quarto colocado na elite do brasileiro em 77 e três vezes o melhor do estadual. Tais campanhas não impedem um saldo devedor que supera R$5 milhões. Para tentar se salvar e viver, a diretoria do time precisou realizar uma parceria com um empresário paulista. O novo dono cuida de todos acordos do clube, inclusive da venda de atletas. O empresário salvador da pátria fica com mais de 80% da arrecadação do Tubarão, que vai disputar a Copa Paraná com intenção de se classificar para a Quarta Divisão do Brasileiro em 2009. Atualmente, o grande feito do antigo clube de Elber é a torcida. Os alvicelestes se aquecem para o torneio regional jogando na Time Mania, fazendo do LEC o maior do interior do Brasil nas apostas.
Site: www.londrinaesporteclube.com.br

Grêmio de Maringá/PR - O saldo negativo nas contas fez com que o clube mudasse de nome. Sem dinheiro, mas com esperança de voltar a ser o grande Galo Guerreiro que bateu no Santos e foi vencedor do Torneio dos Campeões da CBD em 68, diretores entregaram o clube ao "empresário" Aurélio Almeida. O homem que, por interesses pessoais tentou fazer Maringá esquecer dos três campeonatos paranaenses, foi defenestrado, surgindo o Galo, novo time da cidade. O novo clube, apesar de ter toda a simpatia dos antigos adeptos do Grêmio e de toda a cidade canção, ainda luta para conquistar receitas e voltar forte ao cenário nacional. No segundo semestre de 2008, o Galo vai ficar parado, aguardando novidades sobre o paranaense 2009. Vai investir nos times de base.
Site: www.galomaringa.com.br

Internacional de Limeira/SP - Foi o primeiro clube paulista a levar o caneco para o interior do Estado, em 86. Já em 88, o alvinegro conquistaria a segunda divisão do campeonato brasileiro, batendo o Náutico. Hoje, longe da fama, o Leão de Limeira fechou uma parceria com um empresário carioca. O novo dono da bola enviou um treinador para comandar a equipe no Sub-20 estadual 2008 e futuramente, na A3 paulista. Pelo jeito, ainda vai demorar para que o Limeirão, com capacidade para 40 mil pessoas, volte a lotar para fazer festas em preto e branco. Os torcedores andam desanimados.
Site: www.internacionaldelimeira.com.br

União São João de Araras/SP - Dos decadentes, é o mais recente a vencer um campeonato importante. Em 1996, o ex-clube de Roberto Carlos, venceu a 2ª Divisão do Brasileiro. Hoje atua apenas pela Copa Paulista, e está fazendo feio. Na 5ª rodada estava em 6º do grupo 3, sem nenhuma vitória. Em 2009 vai disputar o Campeonato Paulista pela A-2.
Site: www.uniaosaojoao.com

Juventus/SP - O Moleque Travesso levou a segunda divisão do campeonato brasileiro para a Mooca em 1983, ao bater no que viraria tri-vice-campeão do torneio, o CSA de Alagoas. Na atualidade, disputa a Copa Paulista. Na condição de terceiro colocado de seu grupo, o Juve empatou sua última partida com o São José em casa, na Rua Javari.
Site: www.juventus.com.br

Tuna Luso/PA - Os cruz-maltinos do norte conquistaram a segundona do Campeonato Brasileiro em 1985. Carregam nas costas 10 campeonatos paraenses. No ano passado, na condição de vice estaduais, disputaram a C do brasileiro. Em 2008, o fiasco veio com a penúltima posição no estadual. Fiasqueira legitimada com a goleada de 5 a 1 para o Paysandu, na rodada final.
Site: www.tunaluso.net

Villa Nova/MG - O primeiro campeão da segundona nacional, em 1980, completou o centenário em 2008. Foi uma grande festa mensal, que rendeu selo nos correios, hino cantado por banda de rock e amistoso contra o Flamengo. A equipe se prepara para fazer bonito na Taça Minas Gerais e venceu um jogo treino contra o América por 1 a 0. O Leão do Bonfim comemora sua presença na mídia, embora, na posição de campeão nacional, merece lugar bem mais digno.
Site: www.villanovamg.com.br

Uberlândia/MG - O Periquito do triângulo mineiro foi o melhor da segunda divisão do Brasileiro em 1984. Em 2007, o verdão de Minas chegou a contratar Viola, com a missão de fazer Uberlândia sorrir. Mas, atualmente os torcedores reclamam da ausência de Sheslon e Pedro Paulo para a estréia contra o Tupi. O jogo será válido pela Taça Minas Gerais. E faz tempo que o Periquito está em baixa. Tanto que precisa comemorar conquista Sub-21 do Atlético Mineiro na Holanda, com participação de sete jogadores do time do alviverde, que em 2009, volta ao campeonato da elite mineira. Foi vice-campeão da segundona estadual. O América Mineiro foi o vencedor.
Site: www.uberlandiaec.com.br

Bangu/RJ - Em 1985, o time do bicheiro Castor de Andrade deu show no brasileiro da primeira divisão. Apenas não passou pelo Coritiba, nas penalidades, com um maracanã completamente lotado. O campeonato carioca foi parar em Moça Bonita duas vezes. Atualmente, o show acabou. O clube implora por uma parceria. Ainda assim, vai bem na segundona local. No seu último confronto, o Bangu que era líder, foi derrotado em casa pelo Miguel Couto. Mas foi uma zebra.
Site: www.bangu.net

Campo Grande/RJ - O Campusca foi campeão da segundona do brasileiro em 1982, mas seu time de maior sucesso foi o de 91. Na ocasião, o clube contou com Roberto Dinamite e Cláudio Adão. Falando em ídolos, (W)Vanderley Luxemburgo começou sua carreira no alvinegro, em 1983. Seu principal rival é o Bangu. Atualmente o clube se encontra na terceira divisão carioca.
Site?

*América/RJ – O campeão dos campeões de 1982 quase tirou o São Paulo do brasileiro de 86. Trata-se de um dos mais tradicionais clubes do Brasil, que inspirado pelos feitos do Bangu em 85, se agigantou diante do tricolor do Morumbi. O São Paulo se classificou pela contagem mínima, privilegiado por ter Careca em seu elenco, um dos maiores centro-avantes que nossa pátria já viu jogar. Foi a última grande campanha do Diabo. Atualmente, o time de Tim Maia sumiu do mapa. Em 2008, conseguiu a proeza de ser rebaixado no Campeonato Carioca.
Site: www.americafootballclub.com
*Juan Saavedra colaborou c/ o América/RJ
Jul 25
Taça Belo Horizonte nas oitavas
por Felipe Lessa17h00

Neste final de semana vão ser disputadas as partidas das oitavas de final da Taça Belo Horizonte de Futebol Júnior. Entre os paranaenses no torneio, o Atlético, duas vezes campeão da BH, e o Londrina. Destes, o primeiro caiu fora e o segundo prossegue.
A equipe da capital dos pinheirais duelou com Grêmio, Santos, Amparense, Fabril e Bela Vista, mas ficou de fora. Perdeu a queda de braço para Santos e Bela Vista, nas demais, empatou. Fim de contas: saiu banguelas, sem ganhar de ninguém.
Já o conterrâneo nortista do rubro-negro, o Tubarãozinho, conseguiu dar suas mordidas. Mordeu Bahia, Real Minas e finalizou o turno enfiando cinco no Eligê. Perdeu apenas para Internacional e Betim, ocupando a segunda posição do grupo. Na segunda fase, o Londrina agora vai disputar vaga com as crias do terrão, o Corinthians. Entre os destaques da equipe de Claudinho, estão os atacantes Laílton e Ramón, o lateral Negreti e o zagueiro Victor.
Taça BH - Sub20
Criada em 1985, a Taça Belo Horizonte de juniores sempre recebeu o título de segunda competição de maior importância nas categorias de base do futebol brasileiro. Perdia apenas para a Copa São Paulo de Futebol Júnior.
Em 2008, 40 clubes divididos em sete chaves disputaram a Taça BH. Um pouco mais de 25 times com destaque na categoria, mais alguns mineiros, que oferecem seus estádios para sediar jogos e ganham de brinde uma vaga. Ainda assim, nada comparado com a copinha paulista, que virou grande exposição de peças para leilão, um negócio que engordou os olhos do empresariado que montam seus times apenas para disputar o torneio. Um exemplo está no Roma Barueri, campeão da Copa SP de 2001. E onde está esse time? Migrou para Apucarana pouco depois da conquista. De fato, a Taça BH está se tornando o melhor campeonato brasileiro de juniores.
Mineirinhos são os maiores campeões
Quem mais levou a Taça BH para casa foram os próprios mineiros, sempre imponentes nas categorias de base. Cruzeiro faturou 5. Atlético MG levou 3. Ainda existe espaço para o América MG, uma vez campeão. Os últimos ganhadores do torneio e maiores ganhadores fora da terra do uai, pastel de queijo e garapa, foram o Atlético Paranaense, em 2006 e o Flamengo, em 2007.
Todos os jogos das oitavas:
Corinthians/SP x Londrina/PR
Grêmio/RS x Goiás/GO
Internacional/RS x Santo André/SP
Figueirense/SC x Botafogo/RJ
Santos/SP x Madureira/RJ
Cruzeiro/MG x Flamengo/RJ
Fluminense/RJ x Atlético/MG
Vespasiano/MG x América/MG