Quando o empresário Joel Malucelli anunciou a parceria entre o clube que levava o nome de sua família e o Corinthians Paulista, falava-se em ganho de torcida – com base na pesquisa publicada pela Gazeta do Povo, que apontou o time paulista como detentor do maior contingente de torcedores no Paraná.
O nome do clube mudou, permaneceu a bandeira de São Paulo no símbolo da filial, mas as arquibancadas não foram tomadas por uma massa alvinegra. Ironicamente, o que se vê, é um estádio completamente tomado pelo verde.
Não que os rivais palmeirenses tenham decidido comparecer aos jogos da Série D para gorar o Corinthians dos pinheirais, mas pela razão do público quase inexistente. Os dirigentes do clube pelo visto não previram a parceria com a equipe paulista quando, em 2007, foi construído e inaugurado o Eco-Estádio Janguito Malucelli, onde a grama substitui os blocos de cimento nos 6 mil assentos destinados ao público.
A trágica pretensão de conquista por torcedores pode ser vista a partir da comparação dos borderôs publicados nos sites da Federação Paranaense de Futebol (FPF) e Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Ao invés de crescer, a quantidade de pagantes no estádio localizado nas redondezas do parque Barigui, em Curitiba, diminuiu – ou no máximo se manteve.
Na segunda rodada da Série D do Campeonato Brasileiro, o Corinthians Paranaense registrou seu maior público. Um total de 108 testemunhas acompanharam a vitória por 2 x 1, contra o São José (RS). O público foi menor que o recorde do J. Malucelli* no Eco-Estádio, pelo Paranaense 2009. No empate de 0 x 0 contra o Iguaçu, 181 torcedores do Jotinha estiveram presentes.
Quando os números comparam o menor público em cada torneio, o calvário do Timãozinho ocorreu na estréia em casa. Somente 91 espectadores assistiram a vitória contra o Brusque (SC), por 2 a 1, pela Série D. Apenas dois a mais que no confronto contra o Cascavel, pelo estadual, que ficou no 0 x 0.
Na próxima partida, última rodada da primeira fase na Série D, o Corinthians Paranaense enfrenta o Pelotas em casa. Para se classificar sem depender do resultado do confronto entre Brusque x São José, a filial do Timão terá que vencer a equipe gaúcha. Nessa hora, seria fundamental o apoio dos fiéis torcedores aos funcionários de Joel Malucelli. Mas será que a Fiel paranaense merece o título de fidelidade?
Campeonato Brasileiro de Futebol Classificação 1ª fase / Grupo 10 - Série D Pos. Clube PG 1º SÃO JOSÉ/RS 12 2º CORINTHIANS/PR 8 3º BRUSQUE/SC 7 4º PELOTAS/RS 1
*Não foram computados os jogos do Jotinha contra Paraná e Coritiba no Janguito Malucelli, onde predominou a presença dos torcedores "visitantes".
A praga pessimista que persegue o Jones Rossi e lhe inspira a escrever posts quase semanais sobre o fim do futebol me infectou. Antes fosse uma gripe – de qualquer tipo – para poder ficar em casa descansando. Deviam inventar essas máscaras pra gente se proteger das más notícias em relação ao futebol. Aí vão as da última semana, e por favor notem que todas são provocadas por quem não está dentro das quatro linhas:
Conmebol constipada e a diretoria do SPFC aproveitando, seguindo o exemplo geral do mundo mundial Ok, o A(H1N1) foi uma lástima, pegou o México de surpresa e o pânico desmedido se espalhou pelo mundo todo. Tudo bem não querer sujeitar os jogadores brasileiros e uruguaios ao risco de jogar uma partida ao ar livre em um ambiente aglomerado (a única recomendação dos médicos, aliás, é evitar as multidões, a máscara não serve para nada). Agora, é um grande sinal de fracasso da entidade ser incapaz de encontrar um outro estádio no continente inteiro para hospedar essas duas partidas.
Ficam dizendo que o tema não tem nada a ver com futebol e é verdade. Mas usam esse argumento como maneira de fugir da responsabilidade. Deveriam ter vergonha na cara. As diretorias dos clubes mexicanos também não querem ajudar. Antes já estavam resignadas a jogar fora do país, mas a idéia de fazer apenas um jogo desagradou e eles agora querem ou México ou nada. Se o próprio governo mexicano, que está lidando muito bem com o surto epidêmico, fechou estádios, restaurantes e escolas, não há motivo para essa atitude radical, até porque os jogadores de fora do México não devem ser obrigados a jogar no país morrendo de medo. Entendo que o medo é um tanto exagerado, mas enfim, com a saúde não se brinca.
A diretoria do São Paulo não sei bem o que anda fazendo. Achei muito razoável o jogo ser no Couto Pereira (depois que outros países fecharam suas portas). Na minha opinião, o São Paulo deveria ter ido atrás de conseguir um estádio para o jogo de ida. Jogar as duas no Morumbi, ou fazer apenas um jogo em casa, para mim, é tirar proveito de que o outro time está em situação delicada. Aproveitar que a Conmebol está dando um nó nas pernas e se classificar para a próxima fase sem nem pisar no campo é pura sacanagem. Vocês podem dizer que todos os clubes reagiriam igual e é bem verdade, pois cada um só se importa consigo, e um clube nunca consegue fazer pressão suficiente sobre uma entidade com infra-estrutura e ego inchados.
Exemplo: a maldita taça de bolinhas, que todos os clubes diziam que deveria ser do Flamengo, aí todos passaram anos sem pensar nisso e, na hora que o assunto voltou à tona, cada um foi cuidar do seu umbigo. Agora que São Paulo já tem quatro casos de gripe, quero ver se ela se espalha sem controle, começa a matar quem já tinha outros problemas respiratórios, espalha pânico. O que dirá o Tricolor se chega uma semi-final contra o Boca (nem vi a tabela, não sei se há chance) e a Conmebol diz que vai ser jogo único na Bombonera? Atchim?
Série D Vide o post do Daniel imediatamente abaixo. Se a gente considera (com razão) que o Avaí é um time pequeno, imagina se alguém vai ligar pro que acontece com o Macaé... O Brasil é a Veneza do futebol, vai submergindo de pouco em pouco até desaparecer por completo.
Quando torcer demais pode voltar como um bumerangue na testa Aconteceu nessa semana na Alemanha, quando faltavam sete minutos pra acabar a partida contra o Werder Bremen e o Hamburguer garantia, em casa, sua vaga na semi-final da Copa da Uefa. Uma bola ia perdida na linha de fundo e o zagueiro do Hamburguer foi salvar do escanteio e mandá-la pro goleiro começar a jogada. Quando ele foi chutar, a bola “tropeçou” numa bola de papel, o jogador furou o chute e lá foi a pelota pra escanteio. O futuro imeditado você já adivinhou né? O Werder Bremen cruzou, marcou e se classificou para a final.
Podia ter sido uma poça d’água, o vento ou qualquer outro fenômeno natural. Mas não, foi a beleza da mão humana. A bola de papel, pelo que dizem, fazia parte de uma grande coreografia dos torcedores do Hamburguer para a partida. O time já havia ganhado de um a zero no jogo de ida e começaram o de volta com um pé na final. A gente acha que aquele monte de papel higiênico que os latino-americanos despejam no campo do adversário (que no segundo tempo vira o campo do anfitrião), mas pelo visto nem é preciso tanto para mudar o destino da bola.
Não ganhar no Estádio do Café é um triunfo para o Londrina. Os adversários sabem que podem chamar o templo da agonia alviceleste de casa, um lugar zen onde se pode meditar diante da frieza e tranquilidade. Já para o tubarão, (em especial seus torcedores que infelizmente não sabem jogar, nem dirigir um time de futebol) o estádio é uma parceira frígida, fria e sonolenta. Praticamente uma morfética assexuada.
E o vazio dos poucos adeptos que insistem que devem torcer pelo clube da cidade nortista já virou angustiante. Antes, ainda sobrava espaço e tempo para espernear, xingar ou reclamar. Hoje, não existe mais isso. Todos se conformaram.
O presidente e seus amiguinhos já não precisam mais ficar com aquelas explicações repetitivas do tipo: “Se você tem um Fusca e uma BMW, vai querer andar em qual?”
Porém, o LEC não tem moeda para colocar gasolina na sucateada BMW da prefeitura. Quanto mais para manter Seus reparos. Quem, graças ao Londrina, pode andar de BMW não é o time de futebol. Até mesmo para arrumar o fuscão alviceleste foi preciso de grana da torcida, que mobilizou empresários e bancou a reforma do Estádio Vitorino Gonçalves Dias.
Em vão, já que a Polícia Militar vetou a cancha pela presença de alguns entulhos que, segundo os torcedores, ainda estavam sendo retirados. A PM foi irredutível em uma possível negociação. Talvez por má vontade. Ou então, o que não seria surpreendente, pela falta de credibilidade do LEC. O único presente ganho pelos torcedores desde 93, graças aos presidentes dos últimos 20 anos.
Se você acredita em uma visão do inferno, mas imagina que nada pode fazer e se acostumou com isso, tenho certeza: deve ser torcedor do Tubarão. Viu seu time perder em casa para o Nacional de Rolândia por 3 a 0. Não chora, nem comemora qualquer resultado deste narcotizado clube de futebol. Apenas se acostumou a viver aborrecido.
Torcer sem emoção virou rotina nas redondezas da Avenida Henrique Mansano. Acabou a vergonha. Acabou a piedade dos dirigentes com os torcedores. Por isso, também acabou o interesse da cidade pelo time de futebol. Assim sendo, o estádio que foi construído para vibrar de casa cheia o tubarão na primeira divisão do nacional em 77, agora está sendo utilizado para aborrecer os adeptos que já não choram, nem protestam mais, na esvaziada casa dos adversários.
O jogo Pouco se tem para falar sobre a vitória do Nacional em Londrina. Meio de campo e zaga simplesmente dormiram. A zaga permitiu que dois jogadores do NAC ficassem batendo papo e sambando sozinhos na pequena área londrinense. Sofrer o gol de Geandro, aos 40 do primeiro tempo, foi uma questão de honra.
Para o segundo (Leandro, aos 40 do segundo tempo) e o terceiro gol (Paulinho, aos 46), não há muito o que se dizer. O número de testemunhas pagantes foi 2.019.
Retrospecto Café x VGD *Por Auber Silva
2007 - Campeonato Paranaense e Copa Paraná – VGD Pontos conquistados: 41/60. 68% de aproveitamento.
20 jogos 11 vitórias 8 empates 1 derrota
2008 - Campeonato Paranaense e Copa Paraná – CaféPontos conquistados: 26/45. 57% de aproveitamento.
15 jogos 7 vitórias 5 empates 3 derrotas
Transparência? Torcedores do Londrina reclamam que a promessa de transparência não está sendo cumprida. Não sabem quanto se paga por patrocínio, a lista de jogadores está desatualizada e os assuntos do clube continuam sendo exclusividade dos proprietários.
Poderíamos ter em Curitiba uma sede de Copa do Mundo com dois estádios. Além das mágoas pessoais dos dirigentes da CBF com estado, a falta de apoio que se dá ao Atlético de muita gente do estado, pelo ciúme, por torcer por outro time e não esquecendo principalmente, que a Arena já é um estádio quase concluído, onde o valor a ser gasto seria bem menor e portanto, o "jabá", o superfaturamento de eventuais verbas federais seria quase impossível de existir, um novo Couto Pereira ou qualquer que seja o nome do estádio no futuro, apresentado como mais um local para os jogos seria muito bom pra cidade.
Acho que eu já li ou ouvi alguém falando isto, me perdoe, não lembro quem. E que tipo de torcedor escreve isto. Mas como o time de futebol não paga minhas contas...
Quem sabe uma sede que com dois estádios pudesse receber mais fases da Copa. Não ficasse limitada aos jogos entre Paraguai e Gana, China e Romênia. E olha que o futebol do Paraguai pode até valer a pena, mas, com um estádio, Curitiba deverá ser uma sede com quase nada interessante pra ver, ainda mais pensando no quanto deverá custar o ingresso de cada jogo.
A Arena já pode ser uma vitrine do que pode ser feito com qualidade na cidade e no Alto da Glória poderíamos ter mais uma praça moderna. Mas não, como pode o outro time dizer que foi sede da Copa do Mundo, aquele timinho...aquela gentinha. Como se não tivemos familiares e bons amigos que torcem e vivem a realidade do "outro" time.
O Rio de Janeiro certamente usará os dois estádios, Maracanã e Engenhão, justo. São Paulo, o Morumbi e quem sabe mais um estádio, aí começa a briga da grana, sem esquecer que em geral reformar é mais caro, ou pelo menos, dificulta a fiscalização do que foi gasto.
Mas não, na província não pode, só na sede da capitania. Imagine o que aqueles colonos, polacos e outros tipos vão fazer. Sim, vão fazer de tudo pra que o estádio “deles”, não receba a Copa. Nem que para isto seja preciso apoiar outras cidades. Vão fazer de tudo para desvalorizar a escolha, reforcando o que infelizmente deve acontecer, jogos de menor importância.
Vão fazer de tudo pra provar que continuam sendo... colonos.
Terceira idade em crise: Rio Branco abusado, mudo e manco
por Felipe Lessa00h07
Na segunda-feira, o Rio Branco de Paranaguá comemorou seus 95 anos. Comemoração tímida, celebrada por menos de 50 pessoas. É a situação do terceiro clube mais antigo do Paraná em atividade. É o joguete da política que tomou conta do clube.
Nas eleições totalmente confusas, devem disputar as duas vertentes políticas da cidade. Na situação, cogita-se o nome do vice-prefeito, Fabiano Elias. O braço direito do chefe da city, José Baka Filho. Na oposição, Marquinho Roque. Vereador opositor em Paranaguá, ex-presidente do leão e filho do ex-prefeito, Mário Roque, o maior inimigo de Baka.
No Leão que já foi da estradinha, a política também entra em cena para denunciar imprudências. O novo estádio, o Carangueijão, está abandonado e completamente irregular. Das 20 mil que poderiam ir ao estádio, de acordo com a capacidade anunciada na inauguração, em 2004, só pouco mais de 9 mil poderão torcer pela equipe parnanguara.
A denúncia foi feita pelo vereador Alceu Chaves, na câmara dos vereadores de Paranaguá, e dias depois confirmada pela Gazeta do Povo. Sem ter estradinha para jogar, o Rio Branco vai ter que dar jeito nas rachaduras, infiltrações e merdas de pombo que tomam conta do local.
Para a sorte do público vermelho e Branco ainda existe a parceria com a fundação de esportes. Com o 11 versus 11 parado dez meses por ano, é o futsal que dita as regras da casa e promete vaga na série ouro do Paraná. É pouco para um clube de tamanha tradição como o Rio Branco, filho nobre do berço da civilização do Paraná. Abusado pela política, calado nas arquibancadas e manco pelas circunstâncias da vida.
Controlem a ansiedade. Uma vitória – convincente ou não – da seleção brasileira hoje contra a Bolívia não apontará que o time, sem sombra de dúvidas, finalmente reencontrou o rumo, seja ele qual for. A vitória contra o fraco Chile não apaga, por exemplo, a derrota inédita contra a fraquíssima Venezuela, mas indica, pelo menos, que a equipe conseguiu fazer sua obrigação de jogar com rapidez, agilidade e em busca do resultado, em vez de falar muito e fazer pouco. Já é uma boa notícia.
Dunga afirmou que a vitória em Santiago foi conseqüência do bom trabalho realizado nos treinos. Não sei se alguém perguntou, em seguida, sobre o que teria causado a derrota contra a Argentina, na China.
Acontece que vencer e perder fazem parte do trabalho, e é isso que parece não entrar na cabeça dos apoiadores do técnico. Ou de seus críticos. O treinador que fizer do Brasil um time absolutamente invencível, hoje em dia, pode entrar na fila de beatificação do Vaticano antes mesmo de morrer.
Ansiosos pelos motivos mais errados possíveis, todos correm para encontrar os fatos irrevogáveis, como se futebol fosse ciência. Embaixo do guarda-chuva da CBF, jogadores, comissão técnica e dirigentes, já habituados à posição institucional-marqueteira da entidade, acreditam piamente que o resultado de domingo já é suficiente para calar a imprensa encrenqueira, tanto a brasileira quanto a chilena.
No primeiro caso, qualquer voz que insistir em opinar representaria automaticamente interesses escusos e, portanto, não mereceria ouvidos. No segundo, é quase triste ver a reação exagerada no vestiário. Como se os hermanos mais afastados, em sua inesgotável ilusão de um dia poderem entrar para a elite do futebol mundial, merecessem tanta atenção pelas manchetes otimistas que ousaram escrever e, pior, como se isso justificasse que os visitantes fossem embora deixando, de presente, um mural pichado com dizeres tão mal-educados quanto falhos gramaticalmente.
Hoje à noite vamos encarar a Bolívia em um Engenhão semi-cheio, ou semi-vazio, dependendo do otimismo do/a leitor/a. Robinho pede que os torcedores compareçam para apoiar. Eu, se estivesse no Rio, aproveitaria a falta das filas que me deixaram fora do Brasil X Uruguai em 2007 e apareceria por lá, mesmo sabendo que o Robinho deve perder mais um ou dois gols praticamente feitos. E que Ronaldinho deve capengar a partir dos 10 minutos do segundo tempo. Mas apostando que Luís Fabiano e Diego farão o suficiente para garantir o placar favorável.
Ganhar em casa do lanterna das eliminatórias, cuja estrela principal - a altitude - não joga fora do país, não é mais do que a obrigação, especialmente depois da primeira vitória fora de casa no torneio classificatório. Se, para manter a motivação, o time vai jogar dardos na foto de Lula durante a preleção ou eleger outro alvo para xingar de FDP para mim pouco importa. Só não venham reclamar de pressão exagerada, caso a zebra amanhã vista verde e amarelo.
Aproveitando a rabugice: Só eu vou reclamar do fato de o Dunga bancar o diplomata e convocar jogadores que ainda atuam na terrinha, mas para deixá-los no banco, usando apenas em caso de suspensão ou contusão dos "titulares europeus"? Atrapalha nosso campeonato por nada. Devolva os caras de uma vez então, que a gente aproveita mais!
O domingo, 23 de novembro de 2003, prometia. Seu Vasco, um amigo moçambicano, veio me buscar com sua van para irmos assistir Moçambique e Guiné-Conacri (no Brasil apenas Guiné, em Moçambique insere-se o nome da capital, Conacri, para diferenciar da vizinha Guiné Bissau), pelas eliminatórias da Copa do Mundo. Grande estádio da Machava lotado. No jogo de ida Guiné havia ganhado por 1 a 0, fazendo com que os Mambas* precisassem de uma vitória por dois gols de diferença.
Os dois melhores jogadores de Moçambique chamavam-se Dário e Tico-Tico. Dário era um meia atacante, que jogava pelo Acadêmica de Portugal, e Tico-Tico um atacante que joga pelo Cosmos (não tenho certeza se era esse mesmo o nome do time) da África do Sul.
Bola rolando, jogo iniciado. Moçambique começa pressionando, mas sem objetividade. Consegue, em torno dos 15 minutos, um chute raspando a trave esquerda do guarda-redes de Guiné. Minutos depois, no primeiro lance de perigo de Guiné, o goleiro moçambicano Antoninho solta a bola nos pés de um atacante adversário, que com um chute na gaveta, abre o placar. O jogo continua, Moçambique pressiona, mas como o goleiro da casa continua o mesmo, quem leva mais perigo acaba sendo Guiné, que faz mais 2 gols ainda no primeiro tempo.
Segunda etapa inicia-se com a troca do goleiro de Moçambique. No entanto, primeiro lance de perigo de Guiné sai o quarto gol no arqueiro gorducho que agora estava em campo. Logo em seguida, ainda enquanto o time de Guiné comemorava, uma bagunça começa atrás da meta. A torcida de Moçambique vai à loucura com aquilo e eu não entendia nada. Bem, o fato é que, depois disso, o craque moçambicano, Dário, fez três gols e encheu a todos de esperança, que não foi confirmada com o final do jogo. Moçambique 3 x 4 Guiné.
Na segunda-feira posterior, assisti um programa de esportes que apresentava uma reportagem sobre o jogo. Finalmente fiquei sabendo o que havia acontecido após o quarto gol. O goleiro da Guiné fez uma macumba no campo, enterrando uma agulha de cerca de 20 cm no gol que ele próprio defendia. Um gandula descobriu, desenterrou a agulha e fez um estardalhaço no próprio campo junto a jornalistas e outros que ali estavam e acabou chegando na torcida, que fez toda aquela cena.
No programa esportivo, alguns torcedores foram entrevistados. Alguns queriam que a federação moçambicana de futebol intervisse na FIFA sobre o resultado do jogo, alegando MACUMBA INDEVIDA. Acreditem se quiser?! O mais interessante é que depois da agulha retirada, Moçambique fez 3 gols..... ui!!!
*Mambas - cobra venenosa desta região africana. Foi feito um concurso para dar um apelido à seleção, e o que ganhou foi Mambas.
Fosse no domingo, fosse na quarta-feira, os bares do Estádio do Café tinham seus clientes fixos. No ambiente, Malta quente, muita gente, sol na cara, lua descarada, idosos, vândalos, famílias e bêbados. Conhecido o cenário básico, ao lado trabalhavam as churrasqueiras improvisadas, para a venda de espetinho, para cuidar do aroma da festa. Nada sofisticado.
Dois dos bares eram especiais. Os do final da arquibancada descoberta, ao lado do matagal. Mais precisamente, em cima das arquibancadas descobertas. O cheiro horrível do banheiro logo ao lado nem era notado pelos adeptos. Talvez por isso fosse raro ver garotas no local.
O boteco, ou melhor, os caras que chegavam nele, eram machistas ao extremo? Talvez um pouco, ou bastante, grosseiros. E na falta de las chicas era melhor pensar em Londrina, cornetear, improvisar algo, escalar, debater ou elogiar o futebol da casa.
Os porres do João Neves, que nem no Londrina estava mais jogando, foram diversas vezes culpados pela péssima atuação do clube. Em momentos de profecia, muitos reclamavam da atual situação do Tuba, mas, olhavam com carinho para atacantes como o Agnaldo, artilheiro da Copa São Paulo de Juniores em 94 e que foi parar até mesmo no Corinthians, para a alegria de alguns presentes.
Marcos Severo, atacante do início dos anos 90, era outro querido pelos alvicelestes do bar. “Ele tromba, empurra, não dribla, mas faz gols”. Se os camaradas dos bares do Café fossem um pouco mais cultos, diriam que o esforçado atacante era o Mario Kempes londrinense.
A cornetagem rolava solta. Imagine um personagem crítico, semelhante ou mais ácido que o falecido e folclórico ex-presidente do LEC, Murilo Zamboni. Imagine cerca de 100 destes, reunidos em um boteco, no intervalo do primeiro para o segundo tempo, bebendo sem parar. Degustando cervejas que de tão ruins ou quentes que estavam, precisavam ser arremessadas em outros torcedores.
Os cornetas esperavam ou bebiam suas cervejas metralhando o time, da mesma forma como o eterno Zamboni fazia na televisão. A diferença era que o ex-presidente foi um fanático torcedor do Tubarão. Os corneteiros mantinham o Londrina no coração, mas, no caso de alguns, era um amor promíscuo, de quem também amava aos Palmeiras, Corinthians e São Paulos da vida.
Os bate bocas eram inevitáveis. As rodas geralmente abriam nos intervalos, quando o movimento era maior. O pau comia. Os torcedores do Londrina não admitiam que um tranqueira qualquer xingasse seu time. Apenas eles xingam. Nada mais.
Ainda mais se falando de tranqueiras com camisas do Santos, uma torcida que antes de conhecer a Robinho e Diego, era tão sofrida quanto a do Tubarão. Aproveitavam e marcavam rumo nos jogos do Londrina apenas para pensar que o Peixe não estava frito. Xingavam e por isso apanhavam.
Se os PM’s chegassem, durante muitas vezes, quem trocou soco agora se abraçava. O tom do branco, da paz da gente ordeira de Londrina, como canta o hino do LEC, dava lugar ao vermelho do sangue. Mas no final, geralmente um acobertava ao outro. Finalizavam o quebra bebendo cerva quente.
Em 15 ou 20 minutos, de tudo acontecia. De tudo poderia acontecer, pois, se os bêbados resolvessem que fariam um protesto para agredir um árbitro qualquer depois do jogo, assim seria feito. Valdir Festugato que o diga.
Depois de uma partida válida pelo Campeonato Paranaense, dos meados dos anos 90, foi dali que começou um motim para pegá-lo na saída. O bar da escória era instrumento de mobilização social no Londrina. E passados os 15 minutos de lanche, todos voltavam para os seus lugares. Para beber cerveja quente, comer amendoim, batucar e gritar pelo time local. Ou, para xingar alguém, tramar alguma merda...
Estádio de futebol é local de culto, paixão, análise, lazer e fervor. Algumas vezes, existe a figura do torcedor. Mas também existe a figura do espectador. Cada um acompanha uma partida de futebol do seu jeito, como pode, como quer. Cada cidade, cada time, cada campo, cada temporada conta com elementos que carregam e recheiam culturas únicas e características peculiares.
Com a intenção de apresentar ao nosso leitor um pouco do que é a relação pessoa, estádio e clube de futebol, o De Primeira lança em breve a série Clubes, povos e campos de futebol. A intenção é apresentar ao leitor um pouco das características de freqüentadores de alguns estádios brasileiros.
A primeira postagem da série vai ser sobre o povo do Estádio Joaquim Américo, campo do Clube Atlético Paranaense relatado em Arena da Baixada, do caldeirão ao micro-ondas. Em breve postagens sobre a casa do Londrina, União Bandeirante, Operário de Ponta Grossa, Paraná Clube e Coritiba.
Se você quer sugerir algum estádio, clube ou cidade do Brasil, nos envie um e-mail com fotos, dados e informações. Se você está curioso, aguarde e participe!
Ao som dos batuques do samba na tradicional e antiga organizada do Londrina Esporte Clube, a Sangue Azul, jamais imaginava que o ritmo do futebol poderia ser trilhado pelo Rock’n’Roll. Uma das razões para o meu pensamento, ficava pelo contexto histórico das organizadas brasileiras. Elas nasceram uniformizadas e com charangas de animação, nos anos 40, com fortes ligações no carnaval do Rio de Janeiro.
E na cabeça adolescente, que beirava dos 13 para os 14 anos, que ainda rumava para seus primeiros passos em danceterias e botecos da cidade do norte paranaense, uma questão. Eu não conseguia associar os mesmos cabeludos ou punks que comigo no sábado passavam a noite bebendo destilados baratos e ouvindo Ramones, Clash ou AC/DC, com os tiozinhos que, nas tardes ensolaradas de domingo, dividiam espaço nas arquibancadas cantando pelo alviceleste.
De fato, por ser um moleque, magrelo, xarope e ranhento, meu circulo de amizades na torcida dificilmente passava de uma tia de terceiro grau que era uma das fundadoras da torcida, em 77, além de seus amigos, de mesma época. De fato, eu estava em situação diferenciada no ambiente, pois a maioria dos cerca de 200 integrantes seguia a mesma linhagem.
Tudo bem que ser amigo deste pessoal que beirava a terceira idade, mas que era completamente insano, era bacana. Poderia ajudar em alguns problemas com desafetos de idade mais avançada que a minha. Mas, o interesse do momento era sair na caçada de garotas, novos sons e alguma moeda para o álcool, degustado sem apreciação, apenas para manter a loucura.
Semanas antes, eu era quase uma criança, que a poucos, ainda era obrigada a freqüentar ambientes religiosos com a família. Um infanto-juvenil que dava seus primeiros passos rumo aos mais diversos ambientes rueiros, aos ônibus madrugueiros, e claro, aos goles de cachaça. Meus amigos estavam na mesma.
Quando a grana de qualquer serviço prestado para terceiros caia em mãos, eu já sabia onde gastar. E foi nessa que fiz amizade com alguns outros porra loucas, que seguiam a mesma caminhada. Eu já pensava em esquecer do futebol. Na idade das incertezas, o Londrina por pouco não ficou de lado. Foi quando resolvi sair para um destes rolês com uma camisa do clube.
Para ser sincero, não foi nada feito para demonstrar amor ao pequeno grande time de uma cidade rodeada por torcedores de clubes paulistas. Com a surrada camisa dos Ramones na lavanderia, a contra gosto, quem apareceu na frente foi a do tubarão. Como era antiga, poderia servir bem para a ocasião. E assim o azul e branco se mesclou ao visu de calça jeans desbotada na água sanitária e o tênis All Star sujo, com as conhecidas terras vermelhas do norte paranaense.
De fato, eu preferia estar com a camisa do quarteto norte-americano marcado pelo 1,2,3,4 na pele. Mas, no fim das contas, o jogo virou para 5,6,7 e até 8, ao meu favor. Quando chego no boteco, alguns dos camaradas abrem um sorriso e disparam. “Você torce mesmo para o Londrina ou está pagando um pau com a peita?”. No ar das boas vindas, logo mando um “ihhh, meu irmão. Aqui é Sangue Azul desde criancinha”. O que não era mentira.
Estava legitimada minha aceitação. Era hora de beber para cacete, sem precisar pagar uma dose que fosse. Eu deveria apenas contar um pouco das histórias contadas por minha tia e já estava bom. Ao longo do papo, umas cachaças com refrigerante, umas goladas de Rabo de Galo para atrair as perversas e muita troca de idéias sobre a arte da peleja nos gramados, as brigas de torcida, bebedeiras nas arquibancadas, as excursões.
Tudo que eu escutava entre os tiozinhos era cuidadosamente repassado aos meus camaradas, que empolgados, logo se dizem torcedores do LEC. Diziam ser daqueles que rumavam aos estádios com radinhos e bandeiras do clube, assim como eu. Diante do sucesso do papo, trataram logo de intimar para um encontro no domingo. Dia dos atormentados-pequenos-magrelos-desajustados comparecerem em peso no Estádio Vitorino Gonçalves Dias.
Quem diria. Eu quase abandonei o clube que traçou toda minha infância em troca das noitadas de Punk Rock e agora descobria que era possível unir o útil ao agradável. E para o VGD fomos, no dia seguinte, em uma turma de oito. Eu estava acostumado a ficar na Sangue, localizada nos primeiros espaços da entrada do posto, pela Jorge Casoni.
Por aí poderíamos bem admirar melhor as Caldaretes, umas modelos gandulas que o louco do Caldarelli, ex-presidente do Londrina, havia contratado, fruto de uma parceria com um dos patrocinadores do clube.
Mas quando chegamos lá, um dos camaradas, alguns meses mais velho e respeitado, o Leandro, já citava. “Que nada, vamos na Falange. Olha o visu dos caras. Caveiras nas camisas, bandeiras do Iron Maiden, uns caras tatuados. Talvez seja mais a nossa cara. Por ali ficam menos garotas gandulas, mas sempre tem uma ou outra. E outra coisa. Minas como essas não dão mole para moleques como a gente”.
De fato, eu fiquei um pouco desanimado em escutar a realidade sobre as garotas gandulas que sempre encarei, e muitas vezes, chamei de gostosas ou safadas. Mas, sabendo que era verdade, e que mesmo assim, poderia trocar a vista de um jogo geralmente truncado para mirar a bunda formosa de pelo menos uma das caldaretes, seguimos na direção do pessoal da Falange.
Essa organizada era consideravelmente menor que a antiga. Mas seus cerca de 30 ou 40 integrantes faziam questão de manter a parte do meio para o fundo das descobertas do VGD sonorizadas. Era a disposição das gargantas de adolescentes alguns anos acima da gente e que também gostavam de ouvir uma barulheira, seja no estádio, seja no radinho de casa.
Tudo bem. Os caras, em boa parte, chegavam ao seu extremo quando ouviam Iron Maiden. A maioria deles curtia mais eram sons como Pink Floyd, Nazareth e Raul Seixas, coisa que minha turma nunca foi de gostar. Mas, assim pelo menos descobri que não era ilusão a ligação entre o Rock’n’Roll e o futebol. Alguns anos depois, quando os meus antigos amigos do Punk Rock sumiram, eu ainda continuei na torcida. Cheguei inclusive a fazer a carteira de associado, em 98.
Uma coisa que passei a reparar foi que na Falange, os caras gostavam tanto de bandas como Raul Seixas e AC/DC, que estas viraram bandeiras presentes nas arquibancadas, junto com as antigas do Iron Maiden. E nessa linha, descubro que diversas organizadas dedicavam bandeiras unindo as cores do seu clube ao Rock’n’Roll.
Entre elas a Império do Coritiba, com algumas bandeiras com a estampa do Eddie, fora outra do AC/DC. A Jovem do Vasco tinha como mascote o próprio Eddie, enquanto a Fanáticos do Atlético tem bandeiras com as imagens do Raul, a logo do Slayer e uma grande bandeira do MotoRocker, o antigo AC/DC cover. Nas torcidas de Newell's Old Boys da Argentina e Nacional de Medellin da Colômbia, fitei pela TV bandeiras do Ozzy Osbourne.
E a partir disso, descobri que a torcida do Atlético Paranaense, rival dos tiozinhos da Sangue Azul, mas amiga dos moleques da Falange, era outra organizada ligada ao som das guitarras distorcidas. Descobri que no começo dos anos 90, estes já transformaram Another Bricky in the Wall do Pink Floyd em hit. Um ataque ao pudor dos coxa-brancas, cantado não apenas por rockeiros, como também por crianças, mulheres, engravatados e idosos.
E dos rubro-negros, ainda surge das arquibancadas o “Dá-lheeeee, Dá-lhe, Dá-lhe oooooo, Dá-lhe Atlético, Dá-lhe Atlético, Dá-lhe, Dá-lhe oooooooooo”. Essa canção, poucos sabem, inclusive grande parte dos integrantes da Fanáticos, virou hino de uma das mais conhecidas bandas de Punk Rock, o Vanilla Muffins, da Suíça. Não copiaram a letra, mas sim, o ritmo, que deve ter vindo de inspiração das gargantas de alguma ultra européia.
Na Europa é muito comum uma banda de Rock não apenas gostar de futebol, como também dedicar temas para o esporte, ou, copiar sons das arquibancadas trocando as palmas das mãos pelos acordes distorcidos e pesados de guitarra e baixo. Um exemplo está no som Punk dos Cockney Rejects, de Londres.
Torcedores fanáticos do West Ham que decidiram cantar sobre seu clube e ganhavam de brinde uma penca de problemas com outras torcidas, principalmente em seus shows fora de casa. Parte de seu repertório era copiado de canções de arquibancada dos Hammers, nos anos 70. De forma mais moderada, nos dias de hoje, existe na Inglaterra exemplos de bandas como os The Dead Shores, que mesclam um som que varia entre o Punk Rock e o experimental.
Na versão metal, o Tankard é exemplo na Alemanha. A banda participou de coletâneas de Hooligan Rock, adora cantar sobre bebidas alcoólicas e seu vocalista é fanático pelo Eintracht Frankfurt. A retribuição veio do convite feito pelo clube para que a banda tocasse na abertura de um jogo.
Na Espanha, boas bandas como Los Nikis, Matadero e Gol Nord são as referências. Os primeiros tocam Punk Rock ao estilo Ramones. Ficaram conhecidos por ter uma ou duas músicas que citam a polêmica torcida do Real Madrid, a Ultras Sur. A segunda banda toca metal e canta fanatismo sobre o Sporting Gijon. A terceira é clássica. Mescla o Punk Rock com hinos de estádio, e canta em homenagem ao Llevant de Valência.
Das terras argentinas, cita-se o Doble Fuerza, banda influenciada pelos Rejects ingleses. Do Brasil, Flicts, Mão de Ferro e até mesmo o Skank, que gravou vídeo clipe no Mineirão com as presenças das organizadas Máfia Azul e Galoucura, de Cruzeiro e Atlético de Minas.
Nesse tempo todo, cheguei inclusive a conhecer um garoto que participou do clipe. Conheci bastante gente ligada simultaneamente ao Rock’n’Roll e ao futebol. Inclusive, um amigo meu sempre presente em shows de Hard Core é um dos fundadores da organizada do Paraná Clube. Outro bom contato fora da torcida do Londrina é o de um adepto fanático do Atlético de Goiânia.
Isso que eu já ouvi falar de certos idiotas que o futebol e o Rock não combinavam, pois geravam brigas nos shows e nos bares. De fato, o que gera brigas são babacas que utilizam o futebol como escape para fazer besteiras.Estes geralmente mexem com a pessoa errada e tomam seus prejuízos. Gostar de Rock e de futebol, pelo contrário, é um beneficio. Torcedores espertos e que gostam de Rock geralmente estão mais ocupados em beber, fazer amizades, curtir um som e claro, pulando em cima de garotas, no fino trato, ao som de um clássico, grosseiro e distorcido Rock'n'Roll.