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De Primeira: Futebol, Futebol e Futebol

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Ago 26

Todo romance dos hooligans

por Felipe Lessa02h17

Em 2005, Hollywood mostrou romanticamente ao mundo que um jogo entre West Ham x Millwall cheira sangue, álcool e violência. Como desde o ano de lançamento do filme Green Street Hooligans as duas equipes ainda não haviam se encontrado, o confronto desta terça-feira, válido pela Copa da Liga Inglesa, serviu para matar a saudade. Nas quatro linhas, foi 3 x 1 para os Hammers. Fora delas, o placar só pode ser computado por quem esteve presente.

Houve invasão de campo, que começou semelhante a uma glorificada cena do filme e terminou em multidão se divertindo nos gramados, diversos feridos e um hammer esfaqueado. Era o velho e cruel hooliganismo voltando a deixar sua marca na região do Upton Park Stadium. Desta vez sem Frodo, do Senhor dos Anéis, os súditos da rainha puderam rever e praticar um pouco da anarquia que parecia estar adormecida na Inglaterra desde a morte dos Sex Pistols, ou até Cass Pennant deixar de lado sua firma de torcedores do West Ham.

Relatos de torcedores indicam que até mesmo os policiais ficaram chocados com as cenas de selvageria e preferiram não se envolver nos tumultos.

Todos haviam esquecido que o ódio entre os Millwall Bushwackers e a Inter City Firm do West Ham é tão sincero quanto o que norteia guerras religiosas no oriente médio. Apesar dessas firmas – espécie de organizada brasileira para ingleses – não representarem o sentimento de todos os torcedores, é nelas onde está mais bem enraizada a lembrança de um conflito que começou antes mesmo da pelota rolar entre as duas equipes, nos tempos em que a rivalidade era entre docas e estivadores da zona leste londrina.

Os clubes surgiram compostos por funcionários de dois estaleiros localizados às margens do Rio Tamisa. Diferenças entre horários de trabalho e falta de unidade de pensamentos entre funcionários também foram ajudaram a criar um clima de rivalidade. Funcionários da Thames Ironworks and Shipbuilding foram responsáveis pela fundação do West Ham, enquanto os da Morton´s Jam se encarregaram de formar o Millwall.

Apesar do pequeno número de confrontos entre os clubes, essas lembranças de intolerância recíproca e dominação de território foram reaquecidas com o filme. Bastava sortearem o confronto e pronto, iria acontecer.

As novas firmas de casuals nunca deixarão de ser o que são. A glorificação de como barbarizavam os velhos hooligans nos anos 70 e 80 trouxe gente nova no pedaço, sedenta por diversão e por aparecer na telinha de cinema.

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Jul 17

Lava mais branco

por Jones Rossi17h59

E se o futebol, afinal, não passar de um grande campeonato de lavagem de dinheiro? Nós idiotas, vamos aos estádios torcer por jogadores que vão para a 2ª divisão da J-League ou para algum time do Catar. Reclamamos, nos indignamos, mas a vida continua e arranjamos novos ídolos. Mas tem coisa errada aí. E atualmente nada parece se encaixar.

Algumas notícias da última semana podem não ter relação entre si, mas fazem todo o sentido quando analisadas em conjunto. Jô, aquele Jô, que era do Corinthians e estava na Rússia, foi vendido ao Manchester City pelo equivalente a R$ 60 milhões. Ronaldinho Gaúcho foi para o Milan por R$ 52,5 milhões. No futebol atual, Jô vale mais que Ronaldinho Gaúcho.

Claro, há alguns atenuantes. O próprio City tentou comprar Gaúcho por um valor maior que o despendido com Jô. Em busca de prestígio, Ronaldinho preferiu ir para o Milan por um valor menor. Mas nada disso esconde a verdade: atualmente Jô vale mais que Ronaldinho Gaúcho.

Mais coisas estranhas. O blog do Paulinho levantou que nos últimos anos o Sochaux tentou comprar Betão, Fábio Ferreira e agora finalmente está levando Carlão. Os três eram atletas do Corinthians e as transações seriam intermediadas pelo mega-empresário israelense Pini Zahavi, amigo de Kia Joorabchian, da infame MSI. Há de se pensar? Por que o time francês faz tanta questão de possuir um zagueiro corintiano, a ponto de insistir por três anos e desembolsar R$ 1,2 milhão por Carlão?

E os clubes árabes que levam os chinelinhos do futebol brasileiro a preços astronômicos? E os jogadores que não fariam parte do elenco do Piraporinha da Serra, mas vivem pulando de clube em clube, sempre com contratos vantajosos? Atualmente, percebam, os piores jogadores têm os melhores empresários.

Não teria o futebol se tornado o meio mais fácil de lavar dinheiro em grandes quantidades sem levantar suspeitas?

Apesar da FIFA fazer um joguinho de cena e sempre afirmar que está atrás da origem de todo este dinheiro que circula de maneira irracional neste circuito Norte-Sul (o delegado Protógenes Queiroz, da Polícia Federal, o homem que prendeu Daniel Dantas, é um dos encarregados das investigações da entidade no Brasil), não se sabe de um único caso de comprovada malversação de recursos em algum clube importante no que tange a transferência de jogadores. A busca, por enquanto, não deu em nada.

Mesmo assim, vamos aos estádios aplaudir e chorar pelo que pode não passar de um jogo viciado no qual apenas alguns ganham de verdade. E, quando menos esperamos, acordamos em um mundo em que Jô vale mais que Ronaldinho Gaúcho.

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Jun 26

Por dentro da máquina de propaganda do Chelsea

por Equipe De Primeira13h02

Por Terry Daley*

"Esse deve ser o seu emprego dos sonhos, aposto que seu pai está bem orgulhoso de você" é a primeira coisa que quase todo mundo me disse depois de descobrir que eu estava trabalhando como redator nas publicações oficiais do Chelsea Football Club. Para os olhares sem reação eu explicava que o dinheiro era terrível, as pessoas acima de mim não tinham idéia do que os torcedores queriam da publicação deles, não ligavam para o que eles diziam e tinham menos idéia ainda do que se fazia uma boa revista, e que a falta de criatividade latente não estava ajudando em nada minha carreira e minha redação. A resposta era a mesma quase todas as vezes: "Mas ainda assim, é o Chelsea né? Deve ser seu emprego dos sonhos. E o que aconteceu com o Mourinho hein? Você deve saber algo. Vai, conta pra gente."

Capa da revista do Chelsea

É fácil ver porque as pessoas pensariam que trabalhar dentro do clube que você apoiou apaixonadamente pela melhor parte de 15 anos seria o tipo de emprego que faria sua família orgulhosa, especialmente se quase todos os parentes fossem torcedores do Chelsea, mas a realidade do emprego era algo completamente diferente.

A primeira coisa que se deve levar em mente é que a equipe da revista nem sequer trabalha realmente para o Chelsea, já que nós não éramos pagos pelo clube. Na verdade, éramos empregados de uma editora que fora contratada para produzir todas as publicações do Chelsea, incluindo a revista e a programação do Chelsea, o livro do ano, o guia para a mídia, a newsletter da equipe, a programação do campeonato juvenil e qualquer coisa que o clube decidia que faríamos, geralmente de última hora.

Ao mesmo tempo, a editora tinha um contrato com a Liga de Futebol que tínhamos que cumprir, ou seja, na semana antes da final da Carling Cup eu tinha que sub-editar um artigo de Henry Winter realmente medonho sobre Joe Cole para a programação que começava com a seguinte pérola: "Se a bola pudesse falar, ela flertaria com Joe Cole." Eu não sei não, mas tenho certeza que a bola não piscaria seus cílios na mesma maneira espevitada que o loverman aqui. O engraçado foi que o jornal The Independent revelou depois que ele ficou tão ultrajado com a minha ‘censura’ em seu artigo que exigiu que seu nome fosse tirado do texto. Eu posso imaginá-lo socando, de modo semelhante a um nazista, suas mãos com luvas de couro na mesa em uma "führia" borbulhante, mas no fim ele me deve uma cerveja por fazer de sua carta de amor algo legível.

O outro problema em ter dois chefes é que, enquanto estávamos trabalhando nos mesmo escritórios que o departamento de mídia no Shed End, só éramos parte da 'Família Chelsea' quando era conveniente para eles. Por exemplo, se houvesse uma peça de bobeira exaustiva de marketing que precisava ser produzida, ela era jogada na nossa mesa no meio de um dia com fechamento duplo, mas quando era hora de distribuir ingressos para a final da Liga dos Campeões, para a qual o clube estava pagando para sua equipe ir, ouvíamos "ooh, desculpem, vocês não são funcionários do Chelsea. Não podem vir." Quando isso aconteceu o clube reverteu sua decisão, só para que a equipe da revista pudesse ser ordenada a ficar no Reino Unido para produzir a programação das partidas. Ainda bem que, nessa época, eu já tinha saído e feito meus próprios planos de ir a Moscou.

Conseqüentemente havia um sentimento de isolamento do que acontecia no clube e o que se traduzir dentro do trabalho que fazíamos para eles. Não ajudou o fato de praticamente não haver criatividade ou liberdade de expressão em quase todos os textos que escrevíamos. O editor-chefe, que checava as páginas antes do envio à gráfica mas freqüentemente acrescentava peças e gramática atroz e hífens desnecessários – defensor-central? – atrapalhava o processo tantas vezes ao fazer as mudanças mais patéticas que qualquer coisa que pudesse ser considerada crítica ao clube ou aos jogadores era apagada. Até em matérias sobre partidas os jogadores tinham “má sorte” em errar o chute por muitos metros, e quase qualquer menção de cartões vermelhos e amarelos era terminantemente proibida, apenas quando era para reclamar incessantemente dos árbitros.

As páginas de cartas, que haviam sido uma ótima fonte de diálogo entre o clube e os torcedores na Bridge News e na Onside – as revistas mais pobrezinhas, mas muito mais informativas que precederam as publicações mais novas e brilhosas –, se tornaram pouco mais que folhetos de propaganda, informando sua audiência do quão fantástico o Chelsea era em todos os aspectos. Foi uma estratégia que levou a recebermos um monte de correspondência “trazida pela cegonha”.

Nem me fale do nosso padrão, que dizia "Inter Milão", e não "Inter" ou "Internazionale", e "Sporting Lisboa", e não "Sporting Club De Portugal". Ou da vez em que nos disseram para não publicar uma reportagem sobre uma corrida beneficente que ajudaria a entidade Cancer Research, porque eles não eram CLIC Sargent (o parceiro oficial de caridades do Chelsea) e, portanto, eram uma "caridade de câncer rival".

Por causa de tudo isso, o que o Chelsea faz é um produto sanitizado que padroniza sua audiência e desencoraja a conversa com os torcedores, algo que eu tinha ouvido inúmeras vezes antes de me unir à equipe, e algo que eu rapidamente percebi não ser uma preocupação do clube. Eles não se importam se os torcedores gostam ou não, contanto que eles possam vender o último lançamento da Samsung (a página de Tecnologia, que apenas mostrava resenhas de produtos das empresas afiliadas ao clube, era um exemplo especialmente sem-vergonha disso) ou da Megastore. A leitura desses textos te dá uma idéia do quanto o clube mudou nos últimos cinco anos. Em vez de falar aos seus torcedores já existentes diretamente, eles estão tentando atrair novos fãs com fotos grandes das estrelas do time como parte de sua estratégia global. É uma mudança de prioridades desconcertante, mas muito previsível.

O exemplo mais extremo disso foi a saída de José Mourinho do clube. Naquele dia eu tive que me desviar de inúmeras equipes de TV e rádio no caminho do trabalho, mas quando cheguei ao escritório era como se nada tivesse acontecido. Estávamos completamente insulados de qualquer coisa acontecendo do lado de fora. Quaisquer questões sobre o que estava se passando eram anuladas, e nossa única comunicação era com os releases de imprensa oficiais do clube. Meu telefone não parava de tocar com pessoas querendo saber sobre a história, mas era capaz de eu ter ainda menos idéia do que eles – pelo menos eles estavam vendo o que a TV divulgava. Essencialmente, o clube nos disse: "Calem a boca, vocês não precisam saber o que aconteceu. Ah, e podem arrumar o CV do Avram Grant pra gente? Ele é o novo manager. Valeu."

Assim, enquanto eu me sentia mais como um redator de comunicação corporativa do que um jornalista, eu consegui ter uma idéia do nível de arrogância e orgulho que infestam o clube. O que é conhecido como a "Bolha Chelsea" envolve o departamento de mídia, isolando seus habitantes do mundo exterior e sugando todo o bom senso deles, além de reprimir qualquer criatividade e pensamento individual, semelhante a uma paródia ruim do filme "The Prisoner". Para se ter uma idéia do quanto eles se levam a sério, eles enviaram um e-mail a todos os funcionários sobre o novo chefe de mídia que dizia:

"Estou honrado de anunciar que Steve Atkins se juntará ao clube como Chefe de Mídia [note a letra maiúscula do cargo] em Junho..."
"Steve é atualmente o Sub-Secretário de Imprensa da Embaixada Britânica em Washington..."
"Steve será um acréscimo fantástico ao nosso time, já que ele traz consigo uma rica experiência em Washington lidando com assuntos complicados e as personalidades com maior exposição em um nível diário midiático estratégico, pró-ativo e reativo. Isso faz dele ideal para o Chelsea, onde enfrentamos nossos desafios cotidianos e a longo prazo." [Clube de futebol sem perspectiva.]

Por que eles precisam de alguém que já lidou com a imprensa e política internacionais no palco do mundo para dizer a Martin Samuel que ele precisa manter sua boca metade homem, metade wookie** fechada e que não, Brian Woolnough, você não pode perguntar sobre a noitada escandalosa do Jogador X, só ele pode responder sobre isso. É suficiente dizer que nós não tínhamos permissão para perguntar.

Então é isso. Trabalhar para o seu time pode ser uma experiência muito decepcionante, especialmente se o seu clube tenha se tornado mais uma marca corporativa do que uma equipe de futebol, e se afastado mais do seu núcleo de torcedores a cada temporada que passa, como resultado. Ah, e antes que me perguntem, não, eu realmente não sei o que aconteceu com o Mourinho. Perguntem ao Brian Woolnough.

*Publicado originalmente no site inglês Pitch Invasion, um dos melhores do mundo sobre futebol, e cedido gentilmente para o De Primeira. Traduzido por Ana Carolina Moreno.
**espécie de fera do filme Guerra nas Estrelas

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Jun 11

Estado da arte

por Equipe De Primeira02h32

Por Raphael Pinheiro (agradecendo ao Léo Aquino pelo vídeo!)

A Copa de 2006 deu a dica, e de dois anos pra cá tivemos a confirmação: há um novo perfil de jogador no mercado, provavelmente o que há de mais moderno na classe. Dos jogadores mais lembrados como destaques daquele Mundial, vários eram volantes - técnicos como Pirlo, viris como Vieira, rápidos como Maxi Rodríguez e versáteis, muito versáteis, como o alemão Torsten Frings (foto acima). O jogador do Werder Bremen começou sua carreira como segundo atacante, e a cada clube que defendeu depois (Borussia Dortmund, Bayern) foi recuando, recuando, até voltar ao Bremen - que o revelou - e se tornar dog fighter de seu clube e da seleção alemã. É preciso nos desarmes, eficiente no passe, apresenta-se à frente quando necessário e arremata bem. Não bastasse isso, exerce forte liderança junto a seus colegas. E improvavelmente, este perfil virou moda, caracterizando alguns dos jogadores mais interessantes da atualidade.

É o caso do português João Moutinho. Capitão do Sporting Lisboa com apenas 21 anos, o garoto é o atual camisa 10 dos Tugas. Foi um dos melhores em campo na estréia de Portugal na Eurocopa, mostrando ter raciocínio rápido na jogada do segundo gol. Ocupando a faixa de campo que fora de Maniche, demonstra mais elegância e desenvoltura que seu antecessor quando corre por todas as partes do campo. A vizinha Espanha também produziu o seu, Cesc Fàbregas, atacante de origem, declarado volante quando alçado ao profissional do Arsenal, hoje inclassificável. Um tremendo armador que usa a camisa 4 em seu clube, e a 10 na Fúria. E aos 21 anos, também uma liderança latente por onde passa. Da França, vem Mathieu Flamini, que começa a cavar seu espaço nos Bleus. Legal, mas o Brasil está nessa? Técnica, versatilidade e aplicação a nosso favor? Acredite se quiser, sim! E veio de onde menos se esperava.

* 5 fatos que você deveria saber sobre Anderson:

1) Ele é melhor que Kléberson
2) Ele é um mágico no meio-campo
3) Ele trata bem até as prostitutas
4) Ele põe Fàbregas no chinelo

OK, o quinto fato é que essas não são opiniões exatamente minhas, e sim a letra de um divertido grito de guerra, inventado pela torcida do Manchester United em homenagem ao herói da batalha dos Aflitos. Anderson é um dos novos xodós dos Red Devils, entrando regularmente nas partidas e começando outras tantas até mesmo como titular. É uma das alternativas a sucessor de Paul Scholes, combativo na faixa central e se apresentando bem à frente. Quando o garoto surgiu, já era muito habilidoso. Bom no drible, rápido, incisivo, fazendo o Grêmio sonhar com um novo Ronaldinho. A torcida, muito macha, não quis saber de fazer musiquinha e tratou de tacar esta etiqueta em sua testa. Menos de 18 anos nas costas, o ego sobe, afasta do time, vai vender ou não vai? Vai pra Portugal, onde leva um tempo pra se adaptar, dando uma certa volta por cima, apesar de se manter como um bom jogador low-profile - e claro, nenhum Ronaldinho.

Foi preciso um tremendo veterano, Sir Alex Ferguson, bater o olho e transformar um rebelde meia ofensivo numa de suas mais novas criações, e que deixaria qualquer gremista orgulhoso: um meia que marca, passa, dribla e chuta com propriedade. Brasileiro tem horror a ver um atacante se transformar em volante, alguns problemas em se render a jogadores muito táticos, mas seria legal celebrarmos a inclusão do Brasil no rol dos nomes mais completos que rodam por aí - e que vão incomodar ainda por muitos anos. A versatilidade incubada de Anderson acena com boas chances para que haja outros craques modernos por aí. Tomara.

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Mai 22

O fim dos super técnicos

por Jones Rossi03h15

A era dos super técnicos chegou ao fim. Os jogos desta quarta-feira, sejam os da Libertadores, Copa do Brasil, ou Liga dos Campeões, trataram de pôr fim à falácia dos grandes técnicos, nós táticos, e outras baboseiras. Sai vencedora a tese de quem acha que técnico não ganha jogo. Como vem acontecendo já há algum tempo, os jogadores voltaram a ser os astros principais do espetáculo, em detrimento dos engravatados da casamata.

Comecemos pelo duelo entre Fluminense e São Paulo. “Não tem explicação”, não se cansava de repetir aos repórteres, até com certo conformismo, o técnico Muricy Ramalho, após a dolorida derrota por 3 a 1 para o time de João de Deus. Ele até quis insinuar uma queda de rendimento após a expulsão de Joílson, mas um técnico confessar que seu time depende de Joílson é mais um indício de que o pessoal que senta no banco de reservas não está mais com nada.

Assim como no primeiro jogo, Renato Gaúcho fez tudo errado e deu tudo certo. Equivocado, apostou no seu mantra pessoal como treinador: “a melhor defesa é o ataque”. No Maracanã, tirou Arouca para colocar Dôdo e o Fluminense simplesmente apagou em campo. Não vinha bem e ainda tomou o gol de empate do São Paulo. Não fosse o frangaço de Rogério – e nessas horas devemos chamar as coisas pelo nome certo, aquilo foi um frangaço – o Fluminense estaria errando passes até agora na intermediária do Maraca.

Sem tática nenhuma, somente no abafa, o Fluminense conseguiu a vitória pelo placar que o classificou às semifinais da Libertadores. Uma vitória principalmente de um atacante que é mortal perto da área: Washington. De forma alguma foi uma vitória que possa ser atribuída a Renato, que não soube colocar seu time em campo com a eficiência necessária para criar chances de derrotar o São Paulo. Confundiu ofensividade com o povoamento de atacantes na área adversária. Pois os gols só saíram porque o meio campo – relegado por Renato - resolveu funcionar.

Do outro lado, Muricy deve viver novamente um período de constestação, como nos últimos dois anos, ao ser batido pelo Inter e pelo Grêmio na Libertadores. Depois ganhou dois Brasileiros, mas pode colocar na conta da filosofia de trabalho da diretoria são-paulina. Dentro dessa máquina bem ajeitada, Muricy é uma peça que não atrapalha. Mas não é um super técnico.

Outro time que se garante por sua filosofia é o Boca Juniors. Quem é Carlos Ischia, seu técnico? Ex-assistente do legendário Carlos Bianchi, um dos últimos espécimes da era dos super técnicos (não por acaso praticamente aposentado), Ischia teve uma passagem pra lá de medíocre no Rosario Central antes de assumir o todo poderoso Boca após a saída do questionado Miguel Angel Russo. Alguém aí teria coragem de colocar na conta dele a vitória por 3 a 0 sobre o Atlas, no México? Foi um atacante grandalhão e meio desengonçado como Washington, Palermo, que decidiu a partida. O mérito de Ischia é reconhecer que “os adversários se assustam com o Boca”. Um técnico do Boca não precisa saber mais nada além disso. E mesmo que não tenha técnico, o Boca sempre jogará assim, cheio de gana de vencer, porque assim é o Boca e não há técnico que mude isto.

Ney Franco, que nunca chegou a ser um super técnico, mas teve seus bons momentos, tentou mudar a filosofia de jogo do Atlético. De um time até certo ponto suicida, que se lançava ao ataque desde o minuto inicial de jogo, principalmente na Baixada, o Atlético virou um Ipatinga no modo de agir em campo. Franco não durou sequer dois jogos no Brasileiro. E com razão.

Dos últimos expoentes da era dos super técnicos que continuam na ativa, apenas um está em alta. Mas, assim como Bianchi, está perto da aposentadoria. Alex Ferguson, técnico do Manchester, campeão europeu pela terceira vez, a segunda sob seu comando (a primeira vez foi em 1999), já se apressou em desmentir sua saída. Mas ninguém crê em mais nove anos à frente do clube, do qual sempre foi mais um “manager” que um técnico no estilo tradicional. E para fortalecer o argumento do fim dos técnicos superstars, quem levou o Chelsea à final não foi o egocêntrico José Mourinho, e sim o discreto Avram Grant, que passou a maior parte de sua vida dirigindo times como o Maccabi Haifa e FC Haka.

Sobram na lista os antagônicos Luís Felipe Scolari e Vanderlei Luxemburgo. Felipão talvez seja o único a ainda ostentar pose de um mega star, capaz de colocar Cristiano Ronaldo na linha, trocar socos com adversários e fazer de Portugal uma seleção sempre forte. Pois Luxemburgo não é nem sombra do que já foi. Paulo Vinicius Coelho já detectou isto em uma coluna publicada no Lance! do ano passado na qual reputava a Luxemburgo o título de EX-melhor técnico do Brasil. Desde então, o lugar ficou vago. Talvez seja melhor assim.

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Mai 14

International post about CBF games

por Felipe Lessa17h43

Para o delírio da torcida da CBF, logo mais teremos três games (partidas) dessa seleção. No final do mês, dia 31, o combate será contra o Canadá, em "Seattle". No dia 6 de junho, em uma partida quase “latino-americana”, o time da CBF enfrenta a Venezuela, em “Boston”. Os dois são Friendly games (amistosos).

Milagrosamente em terras brasileiras (in Brazil), pelas eliminatórias da World Cup (Copa do Mundo), acontece a terceira partida da CBF. Será dia 18 de junho contra a Argentina (Argentina), no Big Mineiro Stadium (Mineirão). E como alegria de pobre dura pouco, o presidente da CBF (The Boss), Ricardo Teixeira, convoca seu público e comenta sobre o valor do ticket (ingresso), que deve ser alto. "O torcedor sabe que temos (Nota do Editor: a CBF/Nike tem) uma seleção cara, com um custo muito alto”, finaliza.

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Mar 09

Didi - Arsene antes de Arsene

por Equipe De Primeira22h06

por Leonardo Bonassoli

Arsene Wenger é conhecido pelo seu trabalho ao moldar jovens jogadores e transformá-los em equipes vencedoras. Com seu olho clínico, ele localiza promessas pelo mundo e faz com que elas venham a alinhar no Arsenal, que pode ser considerado hoje como o Anti-Milan, por ter poucos jogadores experientes e trabalhar tendo como referência, por exemplo, Francesc Fabregas, de apenas 20 anos e uma Copa do Mundo disputada no currículo.

Poucos sabem que Arsene Wenger tem um precursor brasileiro. Aliás, precursor, brasileiro e que é mais conhecido como craque brilhante que como treinador. Na verdade, precisei ler há alguns anos (uns cinco, para ser exato) o livro "De Letra" do Carlos Alberto Pessôa para conhecer a figura de Didi - o Gênio da Folha-Seca como treinador.

O time emblemático dele foi o River Plate (hoje seria impensável um brasileiro treinando um dos gigantes argentinos). Ele foi parar lá depois de treinar o Peru nas Eliminatórias da Copa de 1970 e despachar a Argentina na própria Argentina (é... a Colômbia de 1993 não era tão novidade assim). Chegando nos millonarios, sentiu hostilidade dos líderes e decidiu, com coragem, que não queria jogadores de mais idade no time, só garotos.

Eis que Didi saiu pelas categorias de base Argentina a dentro e saiu com dezenas de garotos promissores. Todos na casa dos 17 e 18 anos. "Joguem para mim", disse ele e aí começou a lendária passagem argentina do craque. Era 1971 e essa era "el equipo de Didi", de certo modo parecido com o Arsenal de hoje na forma da montagem da equipe.

Formar uma equipe jovem é coragem e Didi teve assim como Wenger está tendo. A vantagem que Didi falava era de que os jovens não têm as manias dos mais experientes e são mais facilmente moldáveis ao estilo de jogo que quer se implantar. Bingo, é assim que Arsene Wenger está fazendo e - em menor escala - Alex Ferguson começa a fazer no Manchester United com Anderson e Nani para substituir Scholes e Giggs, respectivamente.

E isso pode ter começado com "el equipo de Didi", tecnologia do Mercosul.

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Fev 11

Uma tarde/noite voando pelo mundo

por Equipe De Primeira00h38

Eis que eu ganhei asas e saí voando pelo mundo do futebol...

Sobrevoei a Itália...

...E vi o jovem Paloschi estreando pelo Milan e no primeiro toque na bola decidir a partida. Um lindo chute de primeira. Lembrou um certo Dagoberto, que entrou certa vez numa partida e arrancou para fazer um gol tão logo que entrou.

Passando pela Inglaterra...

...Não vi nada de bola na rede entre Chelsea e Liverpool...

Sobrevoei Curitiba...

...E vi um jogo cheio de emoções e decidido em cima do laço por Marcelo Ramos. O Londrina mostrou que é o Grande do Interior e - se deixar a irregularidade de lado - tem tudo para fazer um campeonato digno de sua história. O Atlético segue 100%.

Dei uma passadinha em Maringá...

...E vi o Galo Adap fazer dois gols em dois minutos, ampliar o marcador e no segundo tempo tomar dois gols do Cianorte do mesmo jeito que fez...

Aí fui passar por São Paulo...

... E vi um clássico disputado e que acabou com tórridas cenas de amor entre Adriano e Domingos... Acho que foi isso... Pois voei alto demais nesta hora para entender tudo, pois minhas asas me levaram para outro lugar...

Fui levado para a Espanha...

Vi um massacre merengue. Sete gols no Valladolid... E pensei: o Raul que dava show não tinha barba?

Minhas asas atravessaram o Mundo e sobrevoaram a Ilha da Magia...

...e quem fez mágica foi o Figueira, ao vencer o clássico por 3 a 0 e dar a liderança de bandeja para o Criciúma...

E passei pelo Rio...

...Mas quanta água... Era um toró (o evento meteorológico, não o jogador)... Depois, disso, uma chuva de gols no Fla-Flu, iniciada por Kléberson e respondida intempestivamente por Thiago Neves e completada por Maurício. O Fluminense lavou a alma e a chuva tratou de lavar o corpo...

Nos Pampas estive voando...

...Vendo a rodada acabar com Gre-Nal nas segundas posições e um Inter líder... o de Santa Maria...

E na última volta...

... Vi o Duque de Caxias fechar a fase de grupos da Taça Guanabara ao bater o Volta Redonda por 1 a 0... Pode não ser nada, mas pode fazer diferença na briga contra a degola, pois com essa definição caótica da FERJ de não ter jogo de time grande fora do Rio, tirar pontos deles virou tarefa hercúlea, portanto, vitória fora vale ouro...

...Eis que tive que devolver minhas asas, com o corpo tomado pelo cansaço, esperando outro dia ter a chance de outra jornada...

Leonardo Bonassoli utilizou as asas neste post

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Jan 31

Nem só de Iron vivem os Hammers

por Felipe Lessa21h59

Se você ouviu falar que sexta-feira (25/01) e sábado (26/01) tocou em São Paulo uma banda de rock que apóia um time de futebol inglês chamado West Ham United, o que vai pensar? Ohh meu deus, o show do Iron Maiden foi antecipado?

Se a resposta for sim, você errou. Quem se apresentou no Hangar 110 foi o Cockney Rejects. Para quem não conhece, a banda é inglesa, toca punk rock e foi formada no final dos anos 70, por torcedores fanáticos pelo West Ham, clube da zona leste londrina onde atuou recentemente Carlitos Tevez, ex-Corinthians.

Entre seus sons, badaladas músicas como “Police Car”, que canta sobre um cara que além de gostar de Punk Rock e Sham (69), vai “passear” (leia-se em cana) de camburão no jogo do West Ham. Outra muito conhecida é “I'm Forever Blowing Bubbles”, o hino do West Ham que virou hit muito antes de sua massificação, após a exibição do filme Green Street Hooligans (2005).

A versão dos Cockney Rejects alcançou as paradas de sucesso durante a caminhada do West Ham rumo a vitória, na final da copa da Inglaterra, no início do verão de 1980.

Muita Treta
Posteriormente, a banda ficou conhecida não apenas na Inglaterra, como no mundo, pela fama de encrenqueiros, devido aos muitos problemas enfrentados durante suas apresentações, afinal, não eram muito queridos em bairros pertencentes a equipes rivais de Londres e até mesmo outras cidades.

Quando tocavam, o pau quebrava. Uma das especialidades da banda liderada pelos irmãos Mickey e Jeff Geggus, exímios boxeadores, era descer do palco para literalmente trocar socos e ponta-pés com torcedores de outros times. Como resultado destes quebra-quebras, dentes voando, cabeças rachadas e, um orgulho muito grande em pertencer a Inter City Firm, torcida do clube que apóiam.

Ainda assim, a violência futebolística foi o que deixou os Rejects muito tempo fora do cenário musical. Em um show na cidade de Birmingham, lotado por torcedores do time local cantando hinos de sua equipe, houveram alguns insultos aos rejeitados de cockney.

No decorrer das provocações, alguém arremessou um copo, que acertou Vince Riordan, o então baixista da banda. Foi a gota d’água para que o guitarrista Mickey mergulhasse na platéia mandando a nocaute o autor da façanha. A partir de então o pau comeu, e somente com ajuda dos seguranças a banda conseguiu sair do local.

De brinde, Mickey tomou um corte na cabeça e precisou ser hospitalizado para aplicação de nove pontos. O que ele não contava era que além de ter que pular a janela do segundo andar, para fugir de amigos do rapaz que ele havia batido, toda aparelhagem da banda fosse roubada pela platéia. Em São Paulo não foi diferente. No show, nada de mais, estava mais vazio que o esperado.

Mas na quinta-feira (24/01) os rejeitados de Cockney botaram pra fuder. Depois de serem tirados pra “gringos otários”, por um grupo de playboys, partiram pro plano B da coisa. O resultado todos conhecemos...Oh meu deus, os hooligans invadiram o Brazil.
rejects em partida do santos

Curiosidades:
*Entre tretas, punk rock e West Ham, a banda Cockney Rejects começou em 1979, parou 1985, tentou voltar de 87 até 91, mas retornou definitivamente apenas em 1999, com nova formação que agora conta com Mickey Geggus (guitarra) e Jeff Geggus (vocal), além de Tony Van Frater (baixo) e Andrew Laing. Eles são influenciados musicalmente por grupos punks como Sex Pistols e Cock Sparrer.

*O West Ham United Football Club foi fundado em 1895 por trabalhadores de um estaleiro localizado no rio Tâmisa, em Londres, com o nome de Ironworks F.C. Qual o nome da empresa que deu nome ao time? Thames Ironworks and Shipbuilding Co. Mandei bem!

*O nome West Ham foi adotado em 1900.

*O tema "I'm Forever Blowing Bubbles", datado de 1920, foi extraído do musical “The Passing Show” of 1918.

*Se você é metaleiro, tudo bem, vou falar de Iron Maiden. Steve Harris, baixista e fundador da banda torce pelo West Ham, todos sabemos. Dizem que já jogou nas categorias de base do time na década de 70. Outra ligação da banda com os hammers fica no sexto disco de estúdio, o “Somewhere in Time”. O placar de 7 x 3 supostamente indica a goleada dos Irons, antigo apelido dos hammers, sobre o Arsenal.

Quer conhecer mais sobre os Cockney Rejects?
Escute os sons da banda no My space
Vídeos que não passam na MTV? You tube
Web site - http://www.cockneyrejects.net/

Se você é metaleiro...No choramingues! contente-se com:
http://ironmaidenbrasil.com

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Jan 11

O novo estádio do Portsmouth

por Jones Rossi17h46

Anunciado em abril do ano passado, o estádio abaixo será a nova casa do Portsmouth a partir de agosto de 2011. Projetado pelo estúdio de arquitetura suíço Herzog & de Meuron, responsáveis pelo Museu Tate de Londres e pelo estádio do Bayern, o Alianz Arena, deve começar a ser construído ainda este ano. O único problema é que a capacidade será de apenas 36 mil pessoas, e por isso o estádio não poderá abrigar a final da Libertadores, ao contrário dos sólidos Couto Pereira, Fonte Nova e Morumbi.

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