Nov 06
Juntos, nós podemos. Peter dá adeus ao LEC
por Felipe Lessa12h11
Adeus, Peter Silva. Até breve, conselheiros. Foi adiada a eleição do Londrina. Está certo o juiz da 6ª Vara de Trabalho da cidade, Reginaldo Melhado, quando afirma que o LEC vinha sendo “um clube gerido na mais absoluta marginalidade”. Um despacho do Ministério Público (MP), assinado por Melhado, prevê que o interventor judicial Rubens Moretti e o procurador do MP, Heiler Ivens de Souza Natali, apresentem um plano emergencial de administração do Londrina. Vão ter dez dias para isso e por isso não haverá votação neste domingo.
Esse plano prevê a revisão do quadro associativo do Londrina, com anulação dos atos de renúncia a crédito de contribuições dos associados, e a realização de eleições em processo eleitoral devidamente saneado. Também é previsto um projeto de reestruturação administrativa, para implantar democracia e transparência, além de um levantamento da penhora relacionada ao LEC.
Um dos candidatos ao comando do Tubarão e ex-presidente, Marcello Caldarelli, afirmou que já esperava a medida. Esquece ele de comentar os mais de 2 mil títulos remidos doados durante sua gestão. Já o candidato Gilberto Ponce teve cautela e afirmou mudar os conselheiros de sua chapa se a justiça achar necessário.
O certo é que o MP tomou tal atitude depois que a presidência abandonou o clube... VGD, Sede Campestre e o time ficaram abandonados. Torcedores tentaram salvar o clube, a LEEL foi um exemplo, mas foram obscuramente afastados por Peter - que preferiu extinguir a base. Os jogadores “sumiram”. Uns foram parar no Iraty, outros no Juventude. O Londrina vai receber por isso? Ninguém sabe.
Tem também o caso em que foi comprovada falsificação das assinaturas da mãe do atacante Jayme (que o clube perdeu na justiça), como também a de um médico da equipe do Doutor Miguita, que colabora com o clube fazem mais de 30 anos. Questiono: Peter Silva, Cesar Fatel ou Genivaldo Dias. Foi um desses que falsificou? Qual será a sentença ao responsável?
Alias, o presidente Peter Silva também descumpriu o termo de ajuste de conduta firmado com o Ministério Público do Trabalho para o pagamento de ações trabalhistas – depósito de 15% das receitas numa conta judicial.
Graças ao Ministério Público, a farra chegou oficialmente ao conhecimento de todos. O Londrina deve para todo mundo, mas toda cartolagem que chegou no clube desde o início da década de 90 não tem motivos para reclamar do LEC. Afinal, os lucros geralmente vão parar nas “firmas”, os credores no Tuba. É por isso que o juiz classificou o ambiente do clube, ao Jornal de Londrina, como “promíscuo e de completa degeneração ética e moral”.
Bom, tem muita coisa a se falar, mas aos poucos o londrinense vai sentindo que pode novamente a adotar o Londrina para representar a cidade. Não apenas o londrinense, como também muita gente de toda região norte do Paraná, está confiante. Depois de ver capivaras mortas na piscina do clube, ver a camisa alviceleste ser motivo de chacota na própria cidade, saber que iremos perder o Estádio Vitorino Gonçalves Dias e que até mesmo as portas do LEC poderiam ser fechadas, jamais imaginei que diria um dia: Obrigado, Peter. Juntos, nós podemos.
Nov 02
Valmir Gomes é de carne e osso...eu vi
por Felipe Lessa21h51

Quinta-Feira fui até o centro de Curitiba. Minha irmã precisava do carro, e assim eu já agilizava meu deslocamento para o encontro com um amigo que está vendo um esquema de trampo pra mim.
Era cerca de 18hrs, e um acidente na região ajudou a piorar a situação do congestionamento habitual de cada dia. Entre os diversos carros embaralhados, quando o caos estava prestes a acabar, tive meus 2 ou 3 minutos de glória e um bom motivo para sorrir. O mestre Valmir Gomes estava dentro de um carro, dirigindo e falando ao celular.
Primeiro eu o vi pelo retrovisor, atrás do meu meio de locomoção. Fiquei olhando e tive certeza que era a lenda quando estrategicamente dei um jeito de trocar de faixa. Eu estava lado a lado com Valmir Gomes, separado apenas pela estrutura física do veiculo. Baixei a janela e mandei uns berros. Algo tipo "AOOOO, VALMIR. É NÓIS. RIO BRANCO ATÉ MORRER!".
Ele ainda estava no telefone. Deu um sorrisinho, fingiu que não era com ele e continuou conversando. Acho que o chapéu pescador da Seleção Paraguaia (doado posteriormente ao Marcão) que eu estava usando e o óculos na cara devem ter feito ele ficar cabreiro. Talvez pensando que eu era um legítimo estivador do Porto de Paranaguá, estilo os que certa vez tentaram pegar Valmir na Estradinha, dando um rolé na capital. Se pá, ele sentiu vergonha pelo comportamento. O meu, claro.
Mantive a tentativa de contato. Mandei novos berros e dessa fez fui mais ousado. Joguei uma pequena bolinha de papel, feita na hora com uma folha de revista feminina que minha irmã havia esquecido no carro. Tentei jogar no carro dele para chamar atenção, não para atingi-lo, que fique claro. Mas eu errei a disparada. Apesar do trânsito lento, acertei no carro errado. Por sorte, o mestre olhou - mesmo que ainda falando ao telefone.
Fiz um sinal de positivo e dei um sorriso faceiro. Valmir Gomes retribuiu, sorrindo para mim mais uma vez. Infelizmente o congestionamento acabou, perto ali da rua dos fundos do Terminal Guadalupe. Pouco depois a lenda arrancou, caiu fora e sumiu pela urbanização central de nossa terra querida chamada Curitibá. Mas eu o vi ao vivo, sei que ele existe. Uma pena que não tinha ninguém comigo, pra escrever o endereço do De Primeira em um papel e mostrar ou entregar para nosso ídolo representante da crônica esportiva paranaense. Nem dá nada. Pelo menos já sei que ele existe, de carne e osso. Eu vi!
Out 02
O novo coveiro do LEC
por Felipe Lessa17h33
Infeliz e inoportuno o momento em que o ex-gerente de futebol do Londrina Esporte Clube, Adriano Coelho, resolveu desabafar*. Se ele diz que o Tubarão não tem dinheiro, bastava cobrar do presidente a prestação de contas sobre as cifras que entram no clube. No entanto, a palavra prestação de contas jamais fez parte do vocabulário de Peter Silva, o presidente do LEC. O mesmo Adriano preferiu omitir tal questão. Tentar lacrar o caixão do clube que classificou como “defunto” é mais fácil.
Enquanto isso, cinco jogadores “do Londrina” estão em Caxias do Sul. Foram negociados com o Juventude, mas “o Londrina mesmo”, como instituição, não sentiu nem o cheiro do dinheiro de nenhuma dessas negocioações. Adriano questionou o fato publicamente? Isso para não falar dos atletas que o LEC vai perder na justiça por falta de pagamento do FGTS, ficando disponíveis a serem negociados com qualquer clube. Será proposital? O que pensa Adriano sobre isso?
E o caso do Jayme, jovem promessa ao qual o Londrina perdeu os direitos federativos por falta de pagamente do mesmo FGTS? Foi ao comprar parte destes mesmos direitos que o rapper Gabriel, o Pensador, passou a fazer negócios com Peter Silva – ou com o LEC, como diz a reportagem de outubro publicada na Revista Placar. Foi uma história mal contada, repleta de bastidores e possíveis conspirações. Adriano poderia abordar o assunto.
De alguns anos para cá, nem mesmo o conselho deliberativo consegue averiguar documentos que comprovem os gastos e receitas. Teriam poder para destituir qualquer cartola, mas nunca tomaram nenhuma atitude. Talvez por comodismo, talvez por motivos nebulosos. Esse conselho funciona? Mas Adriano não comentou nada em nome da moralização alviceleste.
Alias, o conselho do Londrina parece uma mãe para qualquer dirigente. Enquanto eram feitas denúncias de que atletas de empresários amigos supostamente estariam jogando por ordens de dirigentes, no Campeonato Paranaense 2009, nem mesmo uma palha foi movida para investigar o caso. Enquanto isso, o que se via era o Tubarão sendo rebaixado. Nessa época, Adriano estava fora. Mas se quiser, ele pode falar o que pensa disso. Com certeza ouviu algumas boas nos bastidores do VGD.
Talvez já neste mês de outubro ocorram as eleições presidenciais no Londrina Esporte Clube - um patrimônio do esporte paranaense. Trata-se da pior crise da história do Tubarão, algo que vai se agravar após a disputa da Copa do Brasil que começa em fevereiro (torneio que pode durar apenas um jogo). É na segundona do Paranaense 2010 que o Alviceleste ficará em definitivo fora da vitrine do futebol nacional. Sem calendário, ou com jogos pífios, vai faltar dinheiro. Adriano, com seus conhecimentos futebolísticos, não quer ser voluntário no processo de reestruturação do LEC?
No dia 10 de dezembro deve ser fundado o oportunista Esporte Clube Londrina. Uma reinvenção de um antigo clube amador da cidade orquestrada por Otávio Gianelli, o Limpa-Trilho. Adriano Coelho estará de que lado? Seu patrão, Gilberto Ponce do Grupo Rodinatto, vai ficar de que lado da moeda? Iran Campos, Dorival Paganni, Sérgio Malucelli & Cia farão seus “investimentos” onde?
Com o perdão do clichê, chutar quem já está caído é fácil. Mas as pessoas que realmente se preocupam com o LEC deveriam mesmo era espalhar qualquer tipo de irregularidade cometida por cartolas e dar nome aos bois. Pois diferente dos estimados cartolas, a instituição Londrina Esporte Clube ainda tem o respeito e carinho de todo povo paranaense. No dia que torcedores de verdade, como Carlos Franchello e Murilo Zamboni, assumirem o Tubarão...o defunto ressuscita para se vingar daqueles que um dia o mataram. Adriano, o novo coveiro, também é torcedor?
*Artigo escrito em resposta ao depoimento feito pelo ex-gerente de futebol do LEC, Adriano Coelho, que classificou o Londrina como defunto em uma entrevista para a Rádio Paiquerê.
Out 01
Boxe: O último round de Miguel de Oliveira
por Felipe Lessa03h41

Nenhum jab, gancho ou direto foi aplicado na quase subterrânea escola de Boxe do Londrina Esporte Clube nesta quarta-feira (30/09) que se passou. Os sacos de pancada e os aparadores permaneceram pendurados, mas sem movimentos. Nenhum aluno foi visto pulando cordas na empoeirada sala localizada no Estádio Vitorino Gonçalves Dias. Diante do clima de tristeza, tudo indicava que era algo relacionado com a saúde do idealizador do esporte no norte do Paraná: morreu Miguel de Oliveira, 66 anos.
Apesar de há 72 dias estar internado na UTI, lutando contra problemas renais crônicos e também pulmonares, foi na academia dirigida desde 80 pelo chamado Rei do Boxe Londrinense que apareceram alunos, amigos e admiradores em busca de notícias. Acreditavam que dava.
Afinal, o “Mestre” sempre resistia a tudo dentro e fora dos ringues. Seja como diretor técnico da Federação Paranaense de Pugilismo, treinador ou até mesmo assistente social....a falta de apoio e os problemas nunca foram páreo para ele. Infelizmente dessa vez não deu para Miguel, que nada pôde fazer diante de uma parada cardíaca no Hospital do Coração - um fato que só não é classificado como nocaute pois Oliveira foi daqueles que nunca se deixou nocautear. Com certeza, esses mais de dois meses de luta provaram que ele foi linha de frente até o fim.
Miguel de Oliveira sempre foi um combatente apaixonado pela modalidade que começou a praticar no final dos anos 50, aos 16 de idade. Competia de forma amadora no Rio de Janeiro e de lá saiu na década seguinte para fazer um passeio em Londrina. Ficou até os últimos dias de sua vida.
No início, precisava viajar para assistir e lutar boxe em São Paulo. Mas Miguel estava decidido a ficar em Londrina e no ano de 1975 aceitou o convite do sargento Mauricio Augustinho Pereira para dar aulas e implantar o pugilismo na cidade.
Sua missão foi cumprida ao revelar nomes que vão de Genésio Trindade, Campeão brasileiro e sulamericano nos anos 80, até Edilson Pereira, que há poucos anos levantava o título de campeão nacional amador, pouco antes de se profissionalizar.
Mesmo quem nunca levantou títulos tem bons motivos para agradecer a Miguel. Muitos foram os trabalhos sociais do professor que jamais deixou um aluno, mesmo os diversos em situação de risco, sem treinar por falta de dinheiro - seja para compra de luvas, seja para a mensalidade. Mais de 500 alunos já aprenderam as técnicas com Oliveira, que em julho precisou deixar sua academia com cerca 200 atletas aos cuidados do pupilo Edilson Pereira.
Sua morte gerou comoção na Federação Paulista de Boxe, que passará três dias de luto. Até mesmo o presidente da federação ao qual mantinha divergências ideológicas e políticas, Macaris Livramento, ficou chocado com a morte do rei do Boxe Londrinense. Nem mesmo a Confederação Brasileira de Boxe esqueceu de prestar homenagens a essa personalidade tão confundida (porém que jamais deverá algo em nobreza) com o xará campeão mundial da modalidade. A morte do Mestre foi um golpe baixo contra todos amantes das lutas nos ringues. O gongo final soa às 10 horas desta quinta-feira, quando o corpo será enterrado em Londrina.

*Todos sabemos que esse blog é apenas sobre futebol. Mas devo a homenagem ao Mestre. Miguel sempre me aturou livre de mensalidades quando estive sem emprego. Na minha última ida a Londrina, na semana de LEC x São José pela Série D, fui visitar a academia e me informaram sobre o estado de saúde desse amante do futebol londrinense. Era uma das figuras que jamais faltava ao tradicional Encontro de Boleiros da cidade, além de ser um fanático torcedor do Tubarão. Daqueles que poderiam nem pagar ingresso para ver jogo no VGD, pois bastava olhar pelas janelinhas do boxe que miram dentro do campo....mas que fazia questão de pagar seu ingresso religiosamente para ver o Alviceleste em campo.

Set 13
A paixão pelo Londrina em quatro rodas
por Felipe Lessa06h45

Sempre que o Corcel I de Marcos Reis da Silva desfila pelas ruas de Londrina, é alvo dos olhares curiosos de pedestres e motoristas. Alguns gritam, outros acenam sorridentes ou até mesmo chegam a desacreditar no que estão vendo. Foi com o veículo modelo 76 que o vidraceiro de 40 anos, conhecido pelo apelido de Migrão, encontrou a melhor forma de homenagear o time de coração: o Londrina Esporte Clube. O carro velho, mas muito bem conservado, é todo estilizado com as cores do Londrina. São 18 tubarões, o mascote do time, pintados na lataria.
Carinhosamente apelidado por amigos como “Tuba Móvel”, o Corcel I de Migrão é a grande atração nos dias de jogo, quando transita pelas redondezas do Estádio do Café, na zona norte de Londrina. O proprietário inclusive deixou de sair para as ruas apenas em ocasiões especiais para ajudar a divulgar o clube.
“Todo mundo gosta e acaba se animando com o Tubarão. Quem olha acha até mesmo que somos funcionários do Londrina. Muito pelo contrário, os diretores do LEC nunca nos procuraram para envolver o carro em alguma ação do clube pela cidade, algo que eu faria com prazer e jamais cobraria”, lamenta.
Para conservar aquele que considera ser seu xodó em bom estado, o carro é religiosamente lavado aos sábados. Por precaução, é o próprio Migrão quem passa água, sabão e encera o veículo. “Dá uma agonia deixar lavando fora, pois nunca se sabe qual o time da pessoa que fará o serviço. Se o cara for cabeça meio fraca, risca meu Tuba Móvel. Aí eu morro”, conta ele, que diariamente também faz pequenas limpezas no seu Corcel. “Tem que conservar, né. Sonhei com essa caranga desde que comecei a torcer pelo LEC. Agora que eu tenho, é pra vida inteira”, enfatiza.
A paixão de Migrão pelo Londrina surgiu em 1976. Após acompanhar uma rodada dupla, onde o time de juniores enfrentou o Matsubara e o profissional duelou contra o Vasco da Gama, no Estádio do Café, o torcedor afirma que jamais abandonou o Tubarão. “Foi quase um casamento. Desde então, o azul e branco faz parte da minha vida. É com o LEC que estou na alegria e nas tristezas, na saúde e na doença. E assim vai ser até o dia que eu morrer”.
Esses laços afetivos foram tão fortes que há três anos Marcos trocou sua antiga motocicleta pelo carro. “Foi uma forma de homenagear o Tubarão e retribuir tantas conquistas que o Alviceleste me deu”.
Para decorar o carro, Marcos pediu ajuda ao amigo Sidney Branco, que saiu de Curitiba, onde mora, só para ornar o Corcel I de Migrão em Londrina. “Ele passou uma semana fazendo as ilustrações sem cobrar nada. Quando tudo ficou pronto, eu queria ficar andando com esse carro pela cidade inteira, sem parar. Gastei horrores de combustível nos primeiros dias, só para mostrar aos londrinenses o quanto eu estava orgulhoso do meu carro do Tubarão. Mas como eu não sei dirigir, quem boléia é a minha namorada”, ressalta.
No volante
Pouco antes de adquirir o Corcel I, Marcos passou a namorar a gerente administrativa Flávia Fernandes Navarro, de 28 anos. Apesar de terem se conhecido nas arquibancadas do Estádio Vitorino Gonçalves Dias, em um jogo contra o Atlético, pelo Campeonato Paranaense, ela conta que ficou um pouco espantada com a idéia de estilizar o carro.
“Na época era algo fora da minha realidade, mas totalmente dentro da dele. Eu apoiei, só que era estranho sair dirigindo um carro totalmente pintado com símbolos e mascotes do Londrina. Muita gente acha que sou doida. Até comentam como que pode uma mulher ser tão fanática por um time de futebol. Eu me espantava. Mas hoje, eu me divirto”, conta Flávia.
Segundo a namorada, Migrão só permite que outra pessoa dirija o Tuba Móvel se for tão fanática pelo LEC quanto ele. “Geralmente sou eu que estou com o carro. Mas o Marcos já deixou alguns amigos da torcida o dirigirem”. A fala de Flávia é completada pela do proprietário: “Tenho que conhecer bem a pessoa e saber que ela vai tomar tanto cuidado com o carro quanto se deve tomar pelo manto alviceleste. Não é algo tão simples assim”, diz.
Apesar das campanhas do Tubarão de hoje não serem como a do Brasileirão de 1977 (quando chegou em quarto lugar e ganhou o apelido de Tubarão em referência ao filme de Steven Spielberg, coqueluche das telas naquele ano) e a do Paranaense de 1992 (quando o clube conquistou o último título de expressão na final caipira contra o União Bandeirante), o vidraceiro afirma que gasta 40% de seu salário com o clube do coração – incluindo o carro.
Compra camisas, quadros, bandeiras e também segue religiosamente o Londrina não só no Estádio do Café. Jogue onde jogar o Tubarão, e o vidraceiro lá estará. Apesar de já ter viajado o Brasil inteiro para acompanhar o Tubarão, Marcos ainda tem receio de colocar seu Corcel I na estrada. “Ultimamente o público do futebol ficou muito violento e ainda tenho medo de ir até o estádio de outro time com meu Tuba Móvel. Nunca agredi, nem joguei uma pedra que seja em alguém. Mas vai saber o que pode acontecer, não é? Qualquer dano nesse carro seria tão doloroso quanto um rebaixamento do time”, explica.
No entanto, não descarta a possibilidade de encarar uma viagem com o carro. “Quem sabe se o Londrina for jogar uma final de campeonato em algum lugar onde as torcidas já terem amizade, aí dá pra encarar esse passeio. Seria um novo orgulho para mim, que gosto de festa, alegria e odeio brigas”, diz.
Sobre o fato de a equipe estar na série D do Campeonato Brasileiro e ter caído para a série B do Paranaense esse ano, Migrão acredita que a reviravolta desse quadro está na própria torcida. “Já passou muito jogador bom por aqui. Eu vi Elber, Paulinho e Carlos Alberto Garcia. Agora estamos nessa situação, lutando para sobreviver. Mas tenho fé de que no dia em que torcedores de verdade assumirem o Londrina, a cidade voltará a apoiar em peso nas arquibancadas”, confia o torcedor.
Para Migrão, que já pedalou 600 quilômetros de bicicleta até Santa Catarina para pagar uma promessa pela conquista da Copa Paraná 2008, agora é o momento de manter a fé para o sucesso do clube na quarta divisão do Brasileirão. No entanto, quando desafiado pela namorada Flávia e por amigos da Falange Azul - organizada do clube - a tirar sua carteira de motorista caso o LEC suba para a Série C do campeonato nacional, ele ainda prefere a precaução.
“Tem que ter calma nessa hora. Eu sou muito ruim de boléia e se eu bato esse carro, ia ficar em depressão eterna. Por enquanto eu prefiro ficar na carona com a namorada ou andando de bicicleta. Mas vamos ver. Quem sabe na reta final do campeonato eu não me anime”, brinca o torcedor.
Set 07
Futebol e identidade nacional - parte 1
por Ana Carolina Moreno14h59
Na Espanha, NADA se pensa, discute ou opina sem que alguém leve em consideração o fator "nacionalismo". Que, aqui, não significa o mesmo que no Brasil. Um "nacionalista" gaúcho é um cidadão que quer que o Rio Grande do Sul rompa com o Brasil e forme seu próprio país. Aqui, ele seria considerado "independista", enquanto os "nacionalistas" são os que consideram todas as comunidades autônomas (os "estados" espanhóis) primeiro espanholas, depois galegas, catalãs, valencianas e por aí vai.
O futebol não só não escapa dessa polarização automática, como é um dos principais pivôs de debate. Exemplos não faltam, e um deles apareceu agora há pouco, enquanto eu divagava durante o fechamento do jornal.
Segundo o Globoesporte.com, há exatos 75 anos (7 de setembro de 1934) o Brasil jogou, em Salvador, uma partida contra a seleção de futebol da Galícia. O resultado foi 10 a 4 pra gente (ou melhor, pra vocês, ou sei lá... o Brasil ganhou). Entre todos os jogos que a seleção já disputou em Salvador, foi o que mais teve gols a favor, e gols em contra.
Alguns comentários dos galegos que me escutaram contar essa história:
- A notícia não é que o Brasil ganhou de 10 a 4, e sim que nós conseguimos fazer 4 gols no Brasil! (Joel Santana feelings?)
- Estávamos em desvantagem, muitos jogadores foram fuzilados durante a Guerra Civil. (esse comentário é mentira, a guerra só começou em 1936, mas é fato que muita gente morreu. os jogadores da seleção vasca, por exemplo, estavam jogando no exterior e por isso se salvaram, e ainda aproveitaram para arrecadar dinheiro em jogos para cuidar das vítimas. de qualquer maneira, em 1934 a Espanha era uma república ainda não de todo desesperançada, e só unas anos mais tarde seria totalmente devastada.)
- Tudo bem, mas temos é que promover o jogo de volta pra ver como é que fica o placar final! (não pensem que só porque ganhamos da Argentina na casa dela que ganhar da Galícia vai ser fácil... aqui eles são especialistas em adotar novos cidadãos, eu não me surpreenderia se logo logo Iniesta, Xavi e Casillas vestissem a camisa braca com listras azul claras. é claro que, por outro lado, o mero fato de decidir se a seleção galega deve ser tratada de novo com tanta importância, destaque e autonomia, é um debate que nem esse post, nem mil comentários, nem uma nova guerra civil, poderão esgotar.)
Set 01
Ressurge o Seleto de Paranaguá
por Equipe De Primeira00h22

Por Felipe Lessa e Felipe Oliverote
Na tentativa de reviver a nostalgia dos clássicos Sele-Rio, em Paranaguá, o Clube Atlético Seleto articula sua volta aos campos. Apesar do nascimento em 1926, com o sobrenome Esporte Clube, o eterno rival do Rio Branco ganhou o grande posto em 47, após fusão com o Clube Atlético DNC.
Além do vice-campeonato estadual de 64 (na primeira final do Paranaense sem presença de equipes de Curitiba), a equipe ficou conhecida pelo episódio em que conheceu as habilidades do coronel Serafim Meneghel. O presidente de honra do União Bandeirante deu um tiro na bola, após marcação de uma penalidade para o Seleto contra seu time na Vila Maria.
Para honrar os velhos tempos, a diretoria do Seleto afirma ter se inscrito para disputa a Copa Litoral 2009*. De quebra, faz pressão política e organiza sua estrutura para conseguir uma vaga na Série C do Campeonato Paranaense 2010.
Os planos do time para se reerguer começam a sair do papel desde já. Atletas profissionais da cidade foram contratados, entre eles Willian Carlos, Duda e Baiano. O último citado disputou o estadual pelo Leão da Estradinha e conta com experiência internacional: foi lateral direito do Paok, da Grécia. Voltou por problemas com o empresário.
Desde 1971, quando fechou as portas, é a primeira vez que o rubro negro parnanguara sai do ensaio para voltar ao futebol profissional e começa a montar um time. O fato já preocupa o clube rival, que, nos bastidores, articula a contratação de um goleiro europeu para disputa do Paranaense em 2010.
Os três livros que retratam as vidas da dupla Sele-Rio, dois riobranquistas e um seletense, demonstram um pouco do que é a rivalidade. Em “Um Leão No Meu Caminho”, João Lima chega a descrever o drama do pai que perdeu o filho, pois deixou de comprar os remédios do garoto para ir até o Estádio Nelson Medradas ver o clássico.
Do lado rubro negro, em “Caminhos Percorridos: cincoentenário do Seleto”, Joaquim Tramujas prefere lembrar do futebol profissional que iniciou-se em 1961 e acabou dez anos depois. Fala da união com o DNC, que fortaleceu o clube, e recorda euforicamente da campanha de 1964.
Foi na ocasião que o Seleto venceu a fase disputada pelos clubes da Zona Sul do Campeonato Paranaense. Heroicamente, nomes como Chapadão, Cosminho, Djalma e Saracotê manejaram tão bem a pelota que deixaram para trás Atlético, Coritiba e Ferroviário. Quem também bailou no mesmo grupo foi o rival Rio Branco, que comemorou quando o Seleto parou. Nas finais, caiu diante do então temido Grêmio de Maringá e ficou com o vice-campeonato.
Entre os nomes que fizeram parte da vida do clube, destaque para o atacante Madrake. Ele também passou pelo Leão da Estradinha, nas temporadas de 1964 e 1965. Deixou muitos relatos de bom futebol, vida boemia e malabarismos com a bola. Em 1967, jogou pelo Seleto e o filme se repetiu. Assíduo frequentador de bordéis e mesas de baralho, o atleta sumiu da cidade portuária. Uma lenda parnanguara afirma que ele voltou para Santos. Por lá, morreu assassinado – supostamente em uma invasão de traficantes contra uma “casa de business colombiano”, na zona meretrícia.
Por lembranças como essa, até os dias de hoje existe rivalidade entre famílias riobranquistas e seletenses de Paranaguá. O berço da civilização paranaense aguarda com ansiedade o clássico, pois atualmente os torcedores do Leão dizem que ele só existe quando adeptos do peixe jogam alguma praga contra seu time. Será verdade? Ou são os alvirubros que estão a volta rubro-negra e faziam mandingas? O litoral aguarda com ansiedade.
*Torneio amador que reúne as seleções das 7 cidades do litoral paranaense
Ago 04
Corinthianos, sem título de fidelidade
por Felipe Lessa02h25

Quando o empresário Joel Malucelli anunciou a parceria entre o clube que levava o nome de sua família e o Corinthians Paulista, falava-se em ganho de torcida – com base na pesquisa publicada pela Gazeta do Povo, que apontou o time paulista como detentor do maior contingente de torcedores no Paraná.
O nome do clube mudou, permaneceu a bandeira de São Paulo no símbolo da filial, mas as arquibancadas não foram tomadas por uma massa alvinegra. Ironicamente, o que se vê, é um estádio completamente tomado pelo verde.
Não que os rivais palmeirenses tenham decidido comparecer aos jogos da Série D para gorar o Corinthians dos pinheirais, mas pela razão do público quase inexistente. Os dirigentes do clube pelo visto não previram a parceria com a equipe paulista quando, em 2007, foi construído e inaugurado o Eco-Estádio Janguito Malucelli, onde a grama substitui os blocos de cimento nos 6 mil assentos destinados ao público.

A trágica pretensão de conquista por torcedores pode ser vista a partir da comparação dos borderôs publicados nos sites da Federação Paranaense de Futebol (FPF) e Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Ao invés de crescer, a quantidade de pagantes no estádio localizado nas redondezas do parque Barigui, em Curitiba, diminuiu – ou no máximo se manteve.
Na segunda rodada da Série D do Campeonato Brasileiro, o Corinthians Paranaense registrou seu maior público. Um total de 108 testemunhas acompanharam a vitória por 2 x 1, contra o São José (RS). O público foi menor que o recorde do J. Malucelli* no Eco-Estádio, pelo Paranaense 2009. No empate de 0 x 0 contra o Iguaçu, 181 torcedores do Jotinha estiveram presentes.
Quando os números comparam o menor público em cada torneio, o calvário do Timãozinho ocorreu na estréia em casa. Somente 91 espectadores assistiram a vitória contra o Brusque (SC), por 2 a 1, pela Série D. Apenas dois a mais que no confronto contra o Cascavel, pelo estadual, que ficou no 0 x 0.
Sem contar com o apoio das mais de 8 mil pessoas presentes na comunidade do novo clube no orkut,Joel Malucelli também parece ter perdido o carisma dos pouco mais de 600 simpáticos pertencentes da remanescente comunidade do Jotinha na rede social. Eles afirmam que foram traídos. Negam-se a dar apoio ao clube que virou uma mera filial da equipe do estado vizinho – a exemplo do que fez a Fiel Curitiba, torcida do Corinthians Paulista na capital paranaense, que boicotou e disse repudiar a nova agremiação.
Na próxima partida, última rodada da primeira fase na Série D, o Corinthians Paranaense enfrenta o Pelotas em casa. Para se classificar sem depender do resultado do confronto entre Brusque x São José, a filial do Timão terá que vencer a equipe gaúcha. Nessa hora, seria fundamental o apoio dos fiéis torcedores aos funcionários de Joel Malucelli. Mas será que a Fiel paranaense merece o título de fidelidade?
Campeonato Brasileiro de Futebol
Classificação 1ª fase / Grupo 10 - Série D
Pos. Clube PG
1º SÃO JOSÉ/RS 12
2º CORINTHIANS/PR 8
3º BRUSQUE/SC 7
4º PELOTAS/RS 1
*Não foram computados os jogos do Jotinha contra Paraná e Coritiba no Janguito Malucelli, onde predominou a presença dos torcedores "visitantes".
Jul 31
Saudades do Campusca
por Equipe De Primeira00h31

*Por Daniel Soares
Hoje eu tirei a tarde pra matar as saudades do Campusca. Campo Grande Atlético Clube, o clube do meu bairro. Do estádio, 15 minutos a pé da minha casa. O clube que trazia o Flamengo, o Vasco, o Fluminense e o Botafogo pra jogar aqui pertinho. Todos os craques do futebol carioca até os anos 90 botaram os pés no Estádio Ítalo del Cima, que chegou a ser palco de um Fla x Flu, em 1992, ano em que o Maracanã estava fechado. O estádio que tinha placas de publicidade das lojas aqui da esquina: Roberto Eletrônica, Borracheiro Boca Rica e Auto Escola Jorge. Uma época em que o bairro se envolvia com o clube, que contava com o apoio do comércio local.
Hoje o Roberto se aposentou, foi morar na Costa Verde e sua loja de eletrônica virou uma livraria evangélica. O Borracheiro Boca Rica virou franquia de uma grande rede. Apenas a auto escola prosperou. O Ítalo del Cima está literalmente caindo aos pedaços. Rebocos caindo, infiltrações, vergalhões aparentes, torres de iluminação tombando. Interditado há mais de dois anos.
O Campo Grande AC é um fantasma do que foi. Promovido à primeira divisão carioca nos anos 60, teve seu auge nos anos 80, quando foi campeão da Taça de Prata do Brasileiro em 1982 e tendo disputado a primeira divisão carioca seguidamente até 1992. Rebaixado, foi campeão da segundona em 1993. Lanterna em 1994 não foi rebaixado porque naquele ano não houve rebaixamento. Mas de 1995 o clube não escapou. Depois de quase subir em 1997, penou na segunda divisão até o buraco aumentar com a queda para a terceira divisão em 2002. Nesse tempo o clube viu sua infraestrutura desmoronar, os campos de treinamento virarem casa de funk e pagode - e o bairro se afastar completamente. Ninguém lembrava mais da existência do clube. O futebol do estado foi dominado pelos times de prefeitura do interior e da Baixada, em detrimento dos clubes tradicionais do Subúrbio.
Inusitadamente, o orkut deu uma sobrevida à torcida. Os mais jovens se lembraram que existia um clube no bairro. Mais de mil associados à comunidade, o que passou a render umas 100 pessoas por jogo no estádio. O problema é que, em 2007, o estádio foi interditado e o CGAC foi obrigado a perambular por aí, como cabe a um bom fantasma. Se já era difícil atrair os moradores do bairro para jogos em casa. Imagina em estádios distantes, às 15h de um dia de semana?
Inexplicavelmente, dessa maneira errante, o Campo Grande conseguiu fazer uma incrível campanha de recuperação, ser vice-campeão da terceira divisão carioca de 2008 e ser promovido para a segundona.
De volta após 7 anos, o time faz campanha errante. A disputa é para não cair. Hoje mandou o jogo no Estádio Romário de Souza Faria, o popular Marrentão. O pequeno estádio fica em Xerém, distrito do município de Duque de Caxias, num pé de serra muito verde onde a Região Metropolitana se encontra com a Serrana. A 85km de Campo Grande.
O Marrentão é a casa do Duque de Caxias FC, e ao ve-lo se compreende porque o tricolor da Baixada tem que mandar seus jogos na Série B do Brasileiro no Estádio do América, em outro município. O estádio não tem arquibancadas atrás dos gols e as "cabines" estão inacabadas. Não têm energia elétrica. O gramado é lamentável. Todo um lado estava inexplicavemente encharcado num dia de sol.
O jogo? Foi contra a Portuguesa Carioca, da Ilha do Governador. Encontro outrora comum na primeira divisão. A Portuguesa vem de dias melhores recentes. Disputou a primeira divisão pela última vez em 2006. Tem estádio bem conservado e mais apoio da comunidade local.
Foi 3x1 para os lusos. Teve gol de bicicleta, montinho artilheiro, um zagueiro driblado pela poça d'água e jogadores seguindo orientações da torcida em detrimento das do técnico. Foi divertido, apesar de tudo. Pretendo voltar. Antes que acabe.
*Daniel Soares, formado em economia, tem um texto de deixar macaco velho do jornalismo esportivo envergonhado. Hoje, nos deixou com saudades dos tempos em que o futebol honrava cada letra de sua palavra.
Jul 29
O Brasil odeia armadores
por Equipe De Primeira01h22
Por Raphael Pinheiro
O brasileiro teve de engolir Zidane de vez depois daquele gol de placa sobre o Bayer Leverkusen na final da Champions League. Ali, ele reincidiu e cravou de vez que era dos melhores da história. Mas a despeito deste e de outros feitos, odiamos Zidane. Será? Não é bem assim, dirão os fãs do jogo refinado. Porém, se dependesse de nossos treinadores, ele jamais jogaria com a camisa amarela, se brasileiro fosse.
Nada a ver com o recalque de 98. Há uma suspeita rejeição à figura do armador, esse mítico ser tão desejado e logo em seguida deixado de lado no primeiro sinal de aparecimento - qual foi nosso último titular absoluto que fazia a bola rolar, ditava o ritmo do jogo, cerebral? Zinho? Vixe.
Houve levante considerável para tentar viabilizar Alex ou Juninho Pernambucano a sério nos últimos anos - em vão. Juninhô pediu aposentadoria no momento em que poderia virar finalmente o dono do meio, e o churrasqueiro Alex vai se aposentar sem nem ao menos ter sentido o gostinho da Copa.
Ambos sairão da Europa tendo sido capitães, líderes, venerados em seus clubes, nomes que os torcedores jamais esquecerão. E preparem-se, um terceiro mosqueteiro caminha a passos largos para se juntar ao grupo. Hoje, Diego estreou pela Juventus marcando gol e, segundo relatos, atuando bem. Evoluiu um monte em sua passagem pela Alemanha e tem tudo pra virar um dos principais nomes do Calcio. Corre seríssimo risco de não conferir de perto as vuvuzelas. A reclamação pelo "homem de ligação" sempre será eterna - mas não estamos preparados para aceitar a redução de marcha que isso implica. O Dunga sabe disso. E marotamente, vai esquecendo nosso melhor armador nas convocações.