Verde, com um belo dedão no meio e logo acima uma foto que, via de regra, é extremamente tosca. Na minha, por exemplo, tirei com a parte de cima de um terno que caberia com tranqüilidade em um jovem de 14 anos, em dia com o seu físico. Mas ela está na minha carteira, com meu número de registro e pode salvar a minha vida em um geral policial. Esta é minha identidade.
Na sua apresentação, no Real Madri, o português Cristiano Ronaldo, acabou perdendo a sua.
Ao se apresentar para mais de 85 mil pessoas, com a camisa 9, com a inscrição “RONALDO” as costa, o jogador eleito pela FIFA como melhor do mundo em 2008 deu a grande furada da sua carreira.
O sistema de numeração fixa já uma realidade na Europa, Estados Unidos e começa a ganhar corpo no Brasil. São Paulo, Corinthians e Coritiba já adotaram esse sistema.
Nos Estados Unidos, inclusive, muitas equipes de basquete aposentam o números dos seus grandes jogadores. O Boston Celtics, maior vencedor da Liga de Basquete Americana (NBA), já aposentou 22 números até o momento.
Na Europa, em sua passagem pelo Manchester United, David Beckham marcou época com a camisa 7 no costado, e isso alavancou as vendas da mesma e a mesma situação acontece em várias outras equipes, com o seu respectivo astro. Em Milão o número 22 domina a maior parte das arquibancadas em jogos do Milan, Na Bombonera impera o 10, com o nome do argentino ROMAN e por aí vai.
Ao apresentar a grande contratação da temporada mundial, com um ar de Déjà vu, o Real Madri perde e perde também o jogador. Ganha o pioneiro, que hoje desfila pelo Pacaembu, pela Pink Elephant e por alguns motéis do Rio de Janeiro.
A simples presença da letra “C”, nessa mesma camisa, já daria um novo ar para a festa e poderia eternizar o seu usuário.
Hoje o Barça joga em Roma contra o Manchester United pela final da Liga dos Campeões. Eu vivo na Espanha há 203 dias e torci pelo Barcelona apenas durante os últimos 45 minutos da semi-final contra o Chelsea. Mas me sinto tao “culé” quanto os azulgranas que rondam a minha cidade deportivista e se acham o “crème de la crème” do futebol mundial. Até a meia-noite, claro, quando me deitarei enviando pensamentos positivos rumo ao Tricolaço em Belo Horizonte.
Enfim, chega de enrolação. Aqui estão os motivos que eu encontrei para te convencer a anunciar a Unicef no peito hoje, nem que seja por 90 minutos. Sim, você mesmo, que lê todos os textos sobre a morte do futebol, escritos pelo fatalista Jones Rossi, sobre as estatísticas do fundo do baú, cozinhadas pelo robótico Daniel Soares, sobre o futebol gaúcho, publicizadas pelo gremista Fabrício Kichalowsky (hehehe zoeira!) e sobre as curiosidades mais interessantes das arquibancadas paranenses que Felipe Lessa, o hooligan mais fofinho do mundo, descobre durante as suas andanças. No fim, você vai perceber que são motivos pouco contundentes. O que importa mesmo é o primeiro.
1. Como é que você não vai torcer para o futebol mais bonito da atualidade? É a chance de todos nós, que sofremos com o tal do futebol de resultado, eficiente, essa coisa sem graça que acontece em 90% dos jogos, mais feia que basquete. A vitória do Barcelona da temporada 2008-2009 é a prova cabal de que dá para ser os dois. Da seleção brasileira do Mundial de 1982 à holandesa da Eurocopa de 2008, se sentirão vingados todos os times que engrenaram, que nos fizeram babar, que todos queriam que ganhassem e que no final perderam o troféu, mas ganharam um espacinho no nosso coração. Isso não é coisa de mulherzinha, você sabe muito bem qual é esse pedacinho mole do seu coração, onde estão guardadas todas as jogadas inacreditáveis que já envolveram um punhado de grama, uma bola suja, alguns pares de chuteira, uma rede de nylon e os seus olhos marejantes. Depois não venha reclamar dos retranqueiros, do chuveirinho, da tal “falta do meia de ligação”, expressão obrigatória no currículo de qualquer corneteiro que se preze. Senta no sofá e aproveita o espetáculo.
2. O Barcelona nunca conseguiu a façanha do “triplete” (ganhar a Liga Espanhola, a Copa do Rei e a Liga dos Campeões), e poderia finalmente entrar para a seleta lista de equipes que, em uma só temporada, paparam os principais títulos que disputaram: Ela inclui, até agora, o Celtic de Glasgow, o Ajax de Amsterdam, o PSV Eindhoven e o próprio Manchester United. Ok, não é assim uma elite tão poderosa... Mas o Madrid não está lá. E isso já é motivação suficiente.
3. Daniel Alves está contundido, o que significa que os cruzamentos na área do Manchester United não se convertirão automaticamente em lateral ou tiro de meta. Ou seja, mais chance de gol.
4. Estão falando por aqui que este é o confronto entre os cracaços Messi e Cristiano Ronaldo. No jornal de hoje, o especial da partida literalmente considerou os outros jogadores como “o resto do time”. O primeiro tem na mente a principal fonte de sua genialidade. Vê o jogo como poucos e domina a técnica com leveza e precisão. O segundo faz mágica porque tem um físico tremendo. Messi ainda não ganhou o título de melhor do mundo. No ano passado, achei que ele merecia mais do que o Cristiano Ronaldo. Nessa temporada, ele andou fraquejando um pouco. Mas na final contra o Athletic de Bilbao reascendeu, e tem tudo para manter meu voto de confiança hoje.
5. Henry ou Rooney? Nem tem o que dizer, né? É o Pernalonga contra um Elmer Fudd cabeludo.
6. Iniesta e Anderson? Veja o tamanho da multa rescisória de cada um. E o corte de cabelo. (ok ok, esse é o tipo de comentário que eu jurei nunca fazer... retiro o que disse, cabelo é cabelo, não faz diferença nem na posição de impedimento).
7. Xavi ou Park? Tudo bem... Talvez o primeiro instinto seria escolher a maquininha sul-coreana em comparação com o veterano catalão. Mas esse é o tipo de jogo que não se ganhará em jogadas individuais, mas sim em um esforço do grupo. Xavi é uma das peças principais da engrenagem mais encaixada da Europa.
8. Ferguson anda dizendo que não vai cometer o mesmo erro do Chelsea e montar um paredão pra receber os tiros do Barcelona. Mas... Quem vai ser louco de ir para cima em vez de cuidar da retaguarda em um jogo desses? Só quem tem Henry, Messi e Eto’o na mesma manga, convenhamos.
9. O motivo são-paulino que não poderia faltar: se o Barça ganhar, em dezembro reencontraremos nossos fregueses depois de 16 anos.
10. Até a Nike, que fornece o uniforme dos dois times, está torcendo pro Barcelona... No site oficial, o destaque está bem neutro, com fotos idênticas dos jogadores comemorando gols (a que está lá no começo do texto). Mas eu passei meia hora revirando o YouTube e nao encontrei nenhuma produção da Nike em homenagem ao Manchester por ocasiao da final. Do Barça, tem uma, e é das boas, para quem anda acompanhando toda a temporada desse grupo fabuloso:
O texto já acabou, mas quem está com tempo livre e quer se aquecer para o jogo pode ver esses dois vídeos criados por fãs com os hinos dos times. Nesse caso, as duas canções perdem igual, a do Barça só é tragável a partir do ponto 1’50’’ do vídeo, e a do Manchester, que espero não ser o hino oficial, mas parece ser a mais famosa, é impressionantemente juvenil.
O ex-Malutrom vai virar Corinthians. Uma parceria entre o time paranaense e o paulista vai elminar intermediários. Você, que faz parte da maioria do povo do meu Paraná e torce para o Sport Club Corinthians Paulista, poderá vibrar com o Sport Clube Corinthians Paranaense, provável futuro nome do atual J. Malucelli. Tudo vai se definir em uma reunião, terça-feira, entre as diretorias dos dois clubes, em São Paulo.
Como jogada de marketing, sim, é genial. Ou no mínimo era prevista, já que há alguns anos existem pesquisas demonstrando que a torcida do Corinthians é a maior do Paraná. A do Palmeiras é maior que a do Coritiba e Grêmio-RS e Inter não fazem feio. OS dois últimos times já tentaram emplacar filiais na segundona do Paranaense, mas a Federação Paranaense de Futebol não os deixou levar adiante a sandice, que provavelmente acabaria com qualquer chance dos times da capital ganharem torcida na região sudoeste do estado.
Mas é justamente por ser uma boa jogada empresarial que é desprezível aos olhos do torcedor e atenta contra o espírito do futebol - se é que ainda lhe resta um. Times de futebol, no sentido tradicional, representam a vontade de um grupo de pessoas, de uma comunidade. O Coritiba, o Atlético e o Paraná, mesmo este sendo fruto de fusões, são expressões comuns dos curitibanos em diferentes regiões da cidade e em diferentes épocas do século XX. Se a população de São José dos Pinhais amasse o Corinthians e resolvesse fundar um time inspirado no Corinthians estaria tudo bem. Seria a vontade da comunidade, assim como existe o América de Natal e o América Mineiro, fundados na esteira da popularidade do América do Rio, difundida pelas rádios cariocas.
O caso do Corinthians Paranaense é tão errado de tantas formas que parece aqueles filmes em o mundo vai acabar se o sujeito que viajou no tempo encontrar a si mesmo: o universo vai implodir e acabar em um buraco negro. Imagine se, em um cenário extremamente prejudicial ao futebol paranaense, o Corinthianstrom dos Malucelli chega à Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro e se vê diante do velho Corinthians de Sócrates e Marcelinho Carioca. Isso pode acontecer até antes, agora em 2009, já que o J. Malucelli está na Copa do Brasil. Lembram das dúvidas que despertou o jogo entre Juventude e Palmeiras, ambos patrocinados pela Parmalat, no Campeonato Brasileiro de 1995, em Caxias? Tudo isso seria fichinha perto da relação entre SCCP e SCCPR.
Há entretanto, algumas coisas boas nesta história. A criação de uma cria de um time paulista no quintal do trio-de-ferro de Curitiba pode ser um momento definidor no futebol paranaense. Como um Pearl Harbour futebolístico, atacados quando descansavam mediocremente em suas redes, os times paranaenses podem acordar e tomar as providências para minorar os prejuízos, porque certamente o monstrinho dos Malucelli vai provocar estragos.
E a idéia de criar um time por motivos meramente comerciais - que já vem acontecendo de forma mascarada, mas vem acontecendo, vide Ipatinga, São Caetano, Desportivo Brasil da Traffic, entre outros - põe fim a qualquer ilusão que possamos ter em relação ao futebol atual, se é que o temos. O rei está nu e todo o teatro do futebol já não faz mais sentido existir. Mesmo times tradicionais como o Londrina, Guarani e Santa Cruz foram alugados para empresários, que fizeram o que bem entenderam. Nenhum destes clubes mudou para melhor.
O Grêmio Maringá - ótimo exemplo - foi destruído pelo futebol dito moderno, vítima de um capitalismo tão selvagem que acabou por matar a própria fonte de subsistência.
Mesmo clubes gigantes como o Corinthians correm risco. Qualquer um que ande pelas ruas de São Paulo vê mais camisas do Milan que de qualquer outro clube paulistano. O que impede o time italiano de criar uma filial na maior cidade da América do Sul, um mercado de 20 milhões de pessoas e bilhões de dólares? O Milan Camp já vem acontecendo há dois anos sob as barbas dos nossos dirigentes. Mas não é assim que caminha a humanidade?
Religiosamente, todos os dias, me inspiro para o ofício, qualquer que seja, procurando o melhor do futebol na Diosa del Dia (Olé), Triboladas (Tribuna do Paraná) ou em alguma das Musas do Brasileirão (Globo Esporte). A intenção é compensar o que se via nos jogos do Londrina Esporte Clube no final dos 80 e início dos 90.
Nas redondezas do Café ou VGD, as poucas que ousavam dar as caras eram tão feias que a única vontade que você tinha era de agredir, da mesma forma como fazia João Neves aos atacantes inimigos.
Essas bem poucas que arriscavam marcar presença, eram funcionárias de alguém, barangas carentes encontradas no fim do forró - que por não ter o que fazer passaram a simpatizar com o LEC - ou no máximo, filhas de algum torcedor. Ainda assim o bom, velho e verdadeiro torcedor do Londrina sempre soube o perigo que era levar uma “calcinha” ao estádio. A torcida era de fato animalesca e primitiva. E mesmo com as devassas horríveis, não se deixava quieto.
Mas com umas latas de cerveja na mente, tudo mudava. Não se partia para o ataque em público, no estádio, mas nas viagens com a organizada do clube a coisa mudava. Nas escondidas, no escuro do ônibus velho e algumas vezes com atletas dentro, era soco e grito. Desta vez sem agressão. Até mesmo eu, na pré-adolescência, me dei bem (MENOS, FELIPE...com tranqueiras feias nunca se dá bem).
E se a coisa estava feia, o panorama começou a mudar quando o ex-presidente Marcelo Cardarelli contratou algumas modelos gandulas, em 95/96. Até mesmo uma delicia, irmã de uma gostosa da minha escola, estava nessa. Mas o contrato com a agência foi quebrado alguns meses depois, retirando de cena não somente as beldades, como também o treinador Nuno Leal Maia, a última celebridade do Londrina.
Para arrumar o meio de campo e não frustrar os torcedores, Caldarelli resolveu escolher a dedo novas garotas. Foi um fiasco. Se antes a delícia da escola estava envolvida, entre as Caldaretes estava uma das mais zoadas meninas da vila. Uma baranga que entraria fácil na categoria daquelas carentes que se envolviam nos jogos.
Como a tendência é valorizar toda vitória conquistada em um combate árduo, hoje minha vida melhorou. Não só a minha. Talvez a sua também. Conheci um site chamado Football Babes. Para ele (o site) - ou eles (torcedores) – as modelos se deixam clicar trajando camisas de diversos times.
Às vezes elas não usam nenhuma. Tudo bem que alguns podem reclamar da fidelidade com o clube do coração. No entanto, a promiscuidade dos trapos aqui é de contexto diferente e aceitável. É pelo bem da nação futebolística. Afinal, não é apenas nos jogos do Londrina que existe um problema grave relacionado ao futebol e garotas bonitas.
A era dos super técnicos chegou ao fim. Os jogos desta quarta-feira, sejam os da Libertadores, Copa do Brasil, ou Liga dos Campeões, trataram de pôr fim à falácia dos grandes técnicos, nós táticos, e outras baboseiras. Sai vencedora a tese de quem acha que técnico não ganha jogo. Como vem acontecendo já há algum tempo, os jogadores voltaram a ser os astros principais do espetáculo, em detrimento dos engravatados da casamata.
Comecemos pelo duelo entre Fluminense e São Paulo. “Não tem explicação”, não se cansava de repetir aos repórteres, até com certo conformismo, o técnico Muricy Ramalho, após a dolorida derrota por 3 a 1 para o time de João de Deus. Ele até quis insinuar uma queda de rendimento após a expulsão de Joílson, mas um técnico confessar que seu time depende de Joílson é mais um indício de que o pessoal que senta no banco de reservas não está mais com nada.
Assim como no primeiro jogo, Renato Gaúcho fez tudo errado e deu tudo certo. Equivocado, apostou no seu mantra pessoal como treinador: “a melhor defesa é o ataque”. No Maracanã, tirou Arouca para colocar Dôdo e o Fluminense simplesmente apagou em campo. Não vinha bem e ainda tomou o gol de empate do São Paulo. Não fosse o frangaço de Rogério – e nessas horas devemos chamar as coisas pelo nome certo, aquilo foi um frangaço – o Fluminense estaria errando passes até agora na intermediária do Maraca.
Sem tática nenhuma, somente no abafa, o Fluminense conseguiu a vitória pelo placar que o classificou às semifinais da Libertadores. Uma vitória principalmente de um atacante que é mortal perto da área: Washington. De forma alguma foi uma vitória que possa ser atribuída a Renato, que não soube colocar seu time em campo com a eficiência necessária para criar chances de derrotar o São Paulo. Confundiu ofensividade com o povoamento de atacantes na área adversária. Pois os gols só saíram porque o meio campo – relegado por Renato - resolveu funcionar.
Do outro lado, Muricy deve viver novamente um período de constestação, como nos últimos dois anos, ao ser batido pelo Inter e pelo Grêmio na Libertadores. Depois ganhou dois Brasileiros, mas pode colocar na conta da filosofia de trabalho da diretoria são-paulina. Dentro dessa máquina bem ajeitada, Muricy é uma peça que não atrapalha. Mas não é um super técnico.
Outro time que se garante por sua filosofia é o Boca Juniors. Quem é Carlos Ischia, seu técnico? Ex-assistente do legendário Carlos Bianchi, um dos últimos espécimes da era dos super técnicos (não por acaso praticamente aposentado), Ischia teve uma passagem pra lá de medíocre no Rosario Central antes de assumir o todo poderoso Boca após a saída do questionado Miguel Angel Russo. Alguém aí teria coragem de colocar na conta dele a vitória por 3 a 0 sobre o Atlas, no México? Foi um atacante grandalhão e meio desengonçado como Washington, Palermo, que decidiu a partida. O mérito de Ischia é reconhecer que “os adversários se assustam com o Boca”. Um técnico do Boca não precisa saber mais nada além disso. E mesmo que não tenha técnico, o Boca sempre jogará assim, cheio de gana de vencer, porque assim é o Boca e não há técnico que mude isto.
Ney Franco, que nunca chegou a ser um super técnico, mas teve seus bons momentos, tentou mudar a filosofia de jogo do Atlético. De um time até certo ponto suicida, que se lançava ao ataque desde o minuto inicial de jogo, principalmente na Baixada, o Atlético virou um Ipatinga no modo de agir em campo. Franco não durou sequer dois jogos no Brasileiro. E com razão.
Dos últimos expoentes da era dos super técnicos que continuam na ativa, apenas um está em alta. Mas, assim como Bianchi, está perto da aposentadoria. Alex Ferguson, técnico do Manchester, campeão europeu pela terceira vez, a segunda sob seu comando (a primeira vez foi em 1999), já se apressou em desmentir sua saída. Mas ninguém crê em mais nove anos à frente do clube, do qual sempre foi mais um “manager” que um técnico no estilo tradicional. E para fortalecer o argumento do fim dos técnicos superstars, quem levou o Chelsea à final não foi o egocêntrico José Mourinho, e sim o discreto Avram Grant, que passou a maior parte de sua vida dirigindo times como o Maccabi Haifa e FC Haka.
Sobram na lista os antagônicos Luís Felipe Scolari e Vanderlei Luxemburgo. Felipão talvez seja o único a ainda ostentar pose de um mega star, capaz de colocar Cristiano Ronaldo na linha, trocar socos com adversários e fazer de Portugal uma seleção sempre forte. Pois Luxemburgo não é nem sombra do que já foi. Paulo Vinicius Coelho já detectou isto em uma coluna publicada no Lance! do ano passado na qual reputava a Luxemburgo o título de EX-melhor técnico do Brasil. Desde então, o lugar ficou vago. Talvez seja melhor assim.
Há um certo cavalheirismo russo ao receber as torcidas estrangeiras em solo pátrio. E na final maior do futebol interclubes europeu deste ano, pode se dizer que os russos estão babando. Coloquem-se no lugar deles. Moscou irá receber cerca de 45 mil torcedores ingleses e os torcedores moscovitas querem o seu quinhão.
Desde a decisão de quem seriam os semifinalistas eles estão se comunicando com os possíveis rivais que iriam disputar a Liga dos Campeões no gramado do Стадион Лужники para o animado encontro no lado de fora do estádio que inaugurou a Olimpíada em Moscou. Naquele mesmo lugar em que o urso Misha chorou ao final dos Jogos.
A coisa toda funciona assim (e é assim em qualquer jogo contra estrangeiros): Os locais se organizam no orkut deles: http://vkontakte.ru/ para marcar todos os detalhes da porradaria em grandes proporções. Como a Uefa tem uma certa predileção por colocar alemães e russos na mesma chave, o resultado é que a pancadaria é homérica. Imaginem centenas de russos unidos para darem porrada em centenas de alemães. Agora coloque um zero a mais na equação e está organizada a peleja.
A expectativa entre os russos é grande já que é mais raro os ingleses, inventores do futebol e da pancadaria organizada com o futebol como desculpa esfarrapada, irem até Moscou e é uma espécie de sonho de consumo dar porrada em milhares de ingleses bêbados e prontos para o que der e vier.
O Стадион Лужники é ideal para estes encontros. Ele é afastado de tudo, há espaço suficiente para que esta turba se enfrentar e o metrô pára na frente. As autoridades russas sabem de tudo e pouco se importam e é isso o que importa para os ingleses, que já assumiram o compromisso. E já se sabe que entre ingleses haverá briga. Uma diversão só, não?
Ajuda muito o fato de que o jogo será vetado para os torcedores russos. Ou seja. Toda a energia será focada na briga. Os pulmões não precisarão gritar por noventa minutos os gritos de guerra usuais e depois dá para descansar no Rio Moscou, que passa bem pertinho. Com 20 graus positivos a vida é boa.
Para uma melhor localização, aqui está uma visão de cima. As letras 'M' em vermelho mostram as estações de metrô. Não haverá separação alguma entre as torcidas. O trecho cinza é uma avenida que separa o complexo olímpico da rapa:
Para a turma roqueira. Este estádio, de propriedade da Prefeitura de Moscou, foi o primeiro a receber uma banda de rock. O Scorpions se apresentou aí em 1990. E ainda era União Soviética. O time que manda seus jogos neste lugar é o Torpedo, um time sem torcida e sem dinheiro e que vive na primeira divisão russa meio que por milagre (último título foi em 1976!). Ninguém gosta do estádio e só sobrou o coitado do time. Ao menos ele tem um site em inglês: http://www.torpedo.ru/
Já na final da outra competição européia entre clubes uma semana antes, que será no estádio do Manchester City, entre o peterburjets Zenit e o Rangers, de Glasgow, 30 mil da boa terra de São Peterburgo querem usufruir da gentileza em solo inglês. Se pensar bem tudo combina, até.
Eu, de minha parte, prefiro ser jurado de uma competição de roupa de banho que existe por lá. Apenas moças russas de boa índole e que qualquer turista encontra no dia-a-dia em Moscou: http://foto.mail.ru/catalog/bikini/1x.html
* Em alfabeto latino, seria Poshli na draku. Mas pra falar é assim, ó: Paxlí ná drakú. Traduzindo pro português: "Venham para a briga". Malditos russos que não têm uma boa palavra para que eu traduzisse isso como "Venham pra porrada"...
Continuamos com nossa saga. Abdicando de nossas férias nas Ilhas Gregas somente para adular nossos mimados leitores, que não têm o que fazer no final de ano a não ser opinar em nossas listas, hoje segue os melhores e piores do ano ao redor do Mundo. Sempre conte com a opinião parcial e nada isenta do De Primeira. Só para revolucionar as coisas por aqui, vamos começar pelos piores.
Troféu Espanha de amarelão
Ronaldinho Gaúcho, não satisfeito em não fazer nada pela Seleção, agora também amarela no Barça
Troféu Real Madri de investimentos milionários que não dão em nada Shakhtar Donetsk : investiu uma grana e não pegou nem Copa da Uefa. E depois todos os contratados foram embora.
Troféu Ronaldinho Gaúcho de amarelada na Seleção Inglaterra, que foi eliminada em casa por um time qualquer do Leste europeu
Troféu Botafogo de queda de rendimento Momento efêmero do futebol escocês, que tentou o pulo do gato, estava contaminando até os clubes (Rangers 3x0 Lyon) e no fim foi só um sopro. Conferir se volta a se repetir o desempenho nas eliminatórias da Copa...
Troféu América-RN de qualidade Áustria: a seleção é tão ruim que houve levante de torcedores para que não participasse do Euro, dando espaço a outra seleção. Sendo time-sede, pega muito mal.
Troféu Dercy Gonçalves de lucidez mental Oliver Kahn, caduco, metendo o pau justamente nos caras que estão carregando o Bayern nas costas. Tomou um gancho da diretoria
Melhores
Troféu persistência A superação da Internazionale, um time que passou mais de uma década sem convencer e agora demonstra segurança sem paralelo no continente. Único grande invicto de todas as ligas ainda.
Troféu cabaço perdido 2 Kaká melhor do mundo, conseqüência inevitável como sendo o único que se salva no Milan.
Troféu Retorno A seleção alemã, que voltou a se sentir grande depois da copa do mundo e se classificou facilmente para a Euro.
Troféu Revelação Fàbregas, que possivelmente vai se firmar como um espanhol que não amarela.
Troféu Muhammad Ali de pugilismo
Escreverem este post Raphael Pinheiro e Jones Rossi
Dediquei parte da quarta-feira passada a ver Fenerbahçe x PSV, pela Liga dos Campeões da Uefa. Aos 25 do primeiro tempo, o jogo estava chato, 0 a 0. Alex tinha uma atuação daquelas de dar raiva – disperso, sumido, desinteressado. Aos 35, o Fener já vencia por 2 a 0 e Alex era o melhor em campo.
Nesses dez minutos, Alex iniciou a jogada do primeiro gol com um passe para a ponta direita, enfiou uma bola de primeira entre os zagueiros para que o segundo fosse marcado e por centímetros não fez o terceiro, em um toque sutil que encobriu e desesperou Gomes. Resumindo: Alex acabou com o jogo.
Impossível não cair na dúvida comum sobre o meia: por que Alex nunca teve a chance de se firmar na seleção? O único período duradouro dele com a amarelinha foi entre 99 e 2002, quando liderou a seleção olímpica ao lado de Ronaldinho no vexame em Sydney e esteve sempre presente no time principal, seja com Luxemburgo, Leão ou Felipão. Foi surpreendentemente preterido por Kaká e depois por Ricardinho – no corte de Emerson – da lista que foi à Ásia.
Como resposta, fez uma temporada genial pelo Cruzeiro, em 2003. De lá para cá, nenhum jogador fez um ano tão brilhante e vitorioso no futebol nacional como ele.
Em 2004, na última chance que recebeu na seleção, foi o jogador mais constante da Copa América. Difícil achar um gol daquela campanha que não tenha passado pelo pé do camisa 10, capitão do time.
Depois, Alex nunca mais foi lembrado. E fez falta. Na Copa, Parreira só tinha em Robinho um jogador no banco capaz de, com seu talento, definir a partida em um lance isolado. Ou você esperava isso de Ricardinho e Fred?
Sob o comando de Dunga, é inacreditável que com tantas oportunidades a jogadores de qualidade questionável não sobre uma pontinha para Alex. Não digo que ele deva ser titular – Ronaldinho e Kaká estão entre os melhores do mundo, é loucura deixá-los fora da seleção.
Mas Alex passa, lança, chuta, bate falta e até cabeceia melhor que Diego. Tem na perna direita mais talento que o ogro Júlio Baptista no corpo inteiro. E, bem, não vou perder tempo comparando ele com Daniel Carvalho e Dudu Cearense, que também foram chamados por Dunga. E não dá nem para dizer que o camisa 20 fica escondido por jogar na Turquia. Afinal, o Fener passa a toda hora na Liga dos Campeões. Duro é encontrar jogo do Heerenveen ou do Shakhtar na tevê.
O mais angustiante é que Alex já tem 30 anos e se torna cada vez mais real que ele encerre sua brilhante carreira sem disputar uma Copa do Mundo. Uma injustiça com Alex. Um crime contra o bom futebol.
Overlapping da Liga dos Campeões (ou como tentar acreditar em times pequenos)
por Equipe De Primeira06h43
Quanto vale um rodízio? Digo, sem picanha no alho - vamos falar de jogadores, mesmo. Vale mais um Liverpool titubeante na mão do que um Fenerbahçe voando? Ok, chamada a atenção, é interessante notar que pouca gente lembra que o Fener é o time do Zico (e se ele estivesse na lanterna do grupo, certamente seria classificado como "o fracasso de um técnico brasileiro tentando sobreviver na selva da LC"). Mais interessante ainda é a arrumação da equipe turca, que parece ter recebido bem a adição de Roberto Carlos e segue contando com Alex em alta forma. Sem falar no caldeirão. Bem que seria legal vê-los nas semifinais - e se o próprio Liverpool,com seu capacitado porém inflacionado elenco, foi abrindo caminho a fórceps na temporada passada, por que não aconteceria agora com os canários?
Faltam só dois jogos para cada time se despedir da Liga dos Campeões em 2007. Olhando a classificação, separa-se a intenção da ação: além dos turcos citados, fica a torcida para Glasgow Rangers, Shakhtar Donetsk, Rosenborg e Olympique Marseille - equipes cientes de que precisam atuar no 120% para seguir em frente, mesmo já contando com boas colocações. Começa a parecer inconcebível uma quinta semifinal seguida para o Milan, que joga de forma cada vez mais horrorosa.
Donos da competição: entre Messi e Fàbregas, quem arrisca dizer qual a melhor contratação? Messi é excepcional, mas confesso que ver o catalão no meu time, jogando a bola que demonstra, seria sensacional - atacante de origem, vice-artilheiro da Premiership, Cesc é o tipo de jogador que o Brasil não consegue (e parece não ter interesse em) fabricar. Falando grosseiramente, acho que nosso equivalente mais próximo é Elano (que por vezes é escalado como centroavante no Man City). Mesmo assim, nunca passará de escadinha por aqui. Quem sabe Rafa Benítez, se um dia assumir a Fúria, consegue o bendito "one step further" com a liderança e habilidade do craque do Arsenal. Isso se ele tirar o rodízio da cabeça - melhor ficarmos só com a picanha no alho, mesmo.
(Raphael Pinheiro, autor do texto, é analista de sistemas e torcedor do Paysandu. Mas campeonato melhor que esse aí, não tem.)