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De Primeira: Futebol, Futebol e Futebol

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Fev 10

Fragmentos desconexos que se encontram no final

por Ana Carolina Moreno20h02

Ando com bloqueio e os posts se acumulam no mínimo duas vezes por semana. Mas vi um vídeo agora que nao sai da minha cabeça.

Nesse sábado estava em Lisboa (nao é nada chique passar 14 horas dentro de um ônibus onde é proibido comer e o assento reclina dos 90 até uns 85 graus do chao) jantando com um torcedor do Sporting (nao é o que vocês estao pensando) que nao curte futebol porque nao vê graça em 22 homens correndo atrás de uma bola. Comi arroz e feijao pela primeira vez em três meses e desde entao me afundei em uma depressao saudosista com direito a inveja do povo alagado na Avenida Pompéia. Ele admitia pra mim que o Sporting é o time dos mauricinhos, enquanto eu desenhava na toalha (de papel) da mesa o esquema 3-5-2 do Muricy, e como ele estava experimentando um 4-4-2 esse ano, e o português dizia "por que diabos eu estou falando sobre futebol?" E depois fui mostrar pra ele o esquema tático do Deportivo La Coruña e ele perguntou "quem era o português que jogou lá?". Como eu nao sabia, enviei um SMS para o meu amigo espanhol dizendo "Pregunta urgente: cual fue el portugués que jugó en el Dépor?" (aí acabou meu crédito e hoje tive que correr atrás de orelhao e orelhao aqui também nao funciona).

No dia seguinte, na parada do ônibus noturno sem banheiro sem travesseirinho sem cobertorzinho (preciso dizer que leito nem deve ter traduçao pro espanhol?), o motorista Miguel viu seu Porto empatar com o Benfica em um a um, e eu torcendo pra dar empate mesmo, porque peguei raiva de time grande e quero que os clássicos se explodam (mas domingo o Tricolor vai ganhar e 10% do Morumbi é justo).

Ontem nem vi o que passou porque viajar 12 horas durante a noite num veículo onde se faz um calor infernal em pleno inverno ibérico (ok, nao é a Finlândia, mas faz frio) é sinônimo de nao dormir. Só me lembro que o catalao sentado ao meu lado estuda História da Arte em Santiago de Compostela e odeia o Barcelona e repetiu três vezes que nao sabia qual era a graça de 22 caras correem atrás de uma bola (Ferran, dejaste tu libro en el autobús, yo lo tengo conmigo, si lo quieres avísame, vale?)

E hoje nao consigo ver o jogo contra a Itália (já acabou?) porque o jornal nao tem banda suficiente pro justin.tv. Mas a Globo me deixou ver o gol do Robinho e eu consegui dar replay umas 10 vezes até que recebi o seguinte aviso: "Os direitos de exibição deste conteúdo restringem sua visualização ao território brasileiro". Sorte que os italianos já colocaram o vídeo no YouTube e eu reproduzo aqui porque era esse o tema do meu post.

É óbvia a graça de ver o Robinho correndo atrás da bola perdida pelo Gaúcho, recuperando a maledetta e fazendo três italianos correndo atrás dela feito baratas tontas. Ou é só comigo?

PS1: Andrade e Pauleta sao dois portugueses que se destacaram no Dépor (Pauleta dá um pouco de raiva nos torcedores porque nao jogou bem lá, mas é um craque). Atualmente, Zé Castro veste a camisa 5.

PS2: Meu amigo do SMS diz que o Robinho é um craque sim, mas que só arrisca jogadas como essa quando o time dele está ganhando, e que isso o deixa "hasta los huevos" (um "me deixa por aqui" que nao requer o sinal da mao atravessando a testa). O Djalminha, por sua vez, arriscava o pescoço mesmo num 0 a 0 e é por isso que 95% dos torcedores do Dépor, quando me conhecem, mencionam o nome dele antes da dupla Bebeto-Mauro Silva (esses dois últimos ganham a preferência de quem gosta dos jogadores comportados). Quem concorda levanta a mao.

PS3: Este é o primeiro post fisicamente interativo da história da Internet! Pegue uma caneta marca-texto e desenhe na sua tela todos os "tils" que estao faltando. Tire uma foto da sua tela e a envie para deprimeira(arroba)gmail.com. O primeiro que enviar a imagem com 100% de acertos ganhará um jantar com Felipe Lessa. Um, dois, três... Valendo!

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Jan 22

Futebol Dourado

por Equipe De Primeira08h31

Por Felipe Rodrigues
Nas últimas semanas, os interessados por futebol acompanharam a novela que se transformou as negociações entre Manchester City e Milan para decidir o futuro do craque-bom moço Kaká. Os ingleses, nadando em dinheiro, fizeram uma proposta indecente em tempos de crise aos rossoneros: malas recheadas de milhões de euros em troca de um dos melhores jogadores da atualidade.

Pelas últimas notícias, sabemos que Kaká, que deu a última palavra na negociação, não trocou o tradicional Milan pelo obscuro City − boatos indicam que agora quem ronda a casa milanesa é o Real Madrid − preferindo a estabilidade de uma carreira vitoriosa à ilusão do pote de ouro. A decisão do atleta, que não tem nada de bobo em todo essa história, caminha pela contramão do espírito que tomou conta do futebol nas últimas décadas: a ganância conseqüente de cifras surreais, muitas vezes de fontes duvidosas, que praticamente aboliu a paixão, o amor à camisa e, em último caso, o senso de realidade de dirigentes e jogadores.

Os torcedores, os mais sinceros representantes de uma estrutura corrupta e nebulosa chamada futebol, são os que mais sofrem com todos esses acontecimentos que, aos poucos, transformam um esporte de massa em um entretenimento de elite.

Toda esta introdução é um resumo do que eu, um simples apreciador do futebol, penso sobre o atual momento do esporte. Mesmo assim, uma paradoxal esperança surge quando sentimos a pele arrepiar ao som das canções de idolatria que ecoam das arquibancadas. Foi o que senti em uma recente visita a Buenos Aires.

Engana-se quem acha os conterrâneos de Kaká os mais ardorosos amantes do esporte que já foi sinônimo de Brasil. Os nossos hermanos, sempre eles, estão anos luz à frente de nós, pobres pentacampeões, quando o assunto é fanatismo. E ele tem nome e sobrenome: Diego Armando Maradona ou, simplesmente, Deus.

Pelé, o atleta do século, nunca terá o que "Díos" tem. A face estampada em camisetas, muros e placas. O nome pichado em tapumes e prédios abandonados, a malandragem e a ironia do histórico gol de mão transformada em heroísmo. Escândalos e excessos não têm a mínima importância se forem cometidos por Dom Diego. Ele é a encarnação do futebol no país vizinho, que presenciei num jogo beneficente na Bombonera, a elegante casa do Boca Juniors.

A partida era em prol de uma instituição de caridade. Em campo, duas equipes recheadas de craques argentinos do passado e do presente. Nas arquibancadas, quase lotadas, um público que cantava e vibrava independente do teor da partida. Crianças penduradas nos alambrados, gritos esfuziantes e uma emoção difícil de descrever. Não era o futebol dos milhões. Era apenas futebol. E Deus estava lá, onipresente, aplaudido de pé, idolatrado.

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Nov 10

Soberania em risco

por Felipe Lessa00h10

Todo poder de fogo das consideradas grandes equipes brasileiras está em risco. Aproveitado que o preço entre procurar a matéria prima é o mesmo do produto pronto, em algumas situações o ato é demasiado vantajoso, o Milan resolveu invadir o Brasil.

O rubro-negro milanês estará promovendo em dezembro uma série de peneiradas recreativas em terras que já foram canarinhas. Trata-se de um fenômeno interessante, já que boa parte dos garotos brasileiros sempre sonhou em jogar ou viver o dia-a-dia de um grande clube.

Além de poder encontrar novas pérolas brazileiras, ainda ajudam a catequizar toda a criançada. São poucas as equipes “pequenas” que conseguem manter as pratas da casa em campo. Poucas conseguem fidelizar novos torcedores. Na primeira oportunidade, os melhores acabam nas mãos de empresários e grandes nomes do cenário nacional. Agora internacional. Já os "torcedores", trocam o clube da casa pelo da telinha da Globo na primeira oportunidade. Afinal, é sonegada qualquer forma de informação dos vermes da bola.

E o Milan por aqui é o bumerangue que volta na testa de clubes como o São Paulo, Palmeiras, Flamengo, entre outros. Estarão provando do próprio veneno. Sofrendo com um duro golpe do capitalismo. Tudo o que foi feito para manter a soberania dos "mais queridos" está sendo derrubado pelo capital. Quem sabe um dia desses nós não ligamos a TV na Globo e damos de cara com Kaká versus Adriano, no Campeonato Italiano. É o processo de evolução natural, pois já estão fazendo o trabalho de base por aqui. Nossos tiranos que se cuidem!

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Jul 17

Lava mais branco

por Jones Rossi17h59

E se o futebol, afinal, não passar de um grande campeonato de lavagem de dinheiro? Nós idiotas, vamos aos estádios torcer por jogadores que vão para a 2ª divisão da J-League ou para algum time do Catar. Reclamamos, nos indignamos, mas a vida continua e arranjamos novos ídolos. Mas tem coisa errada aí. E atualmente nada parece se encaixar.

Algumas notícias da última semana podem não ter relação entre si, mas fazem todo o sentido quando analisadas em conjunto. Jô, aquele Jô, que era do Corinthians e estava na Rússia, foi vendido ao Manchester City pelo equivalente a R$ 60 milhões. Ronaldinho Gaúcho foi para o Milan por R$ 52,5 milhões. No futebol atual, Jô vale mais que Ronaldinho Gaúcho.

Claro, há alguns atenuantes. O próprio City tentou comprar Gaúcho por um valor maior que o despendido com Jô. Em busca de prestígio, Ronaldinho preferiu ir para o Milan por um valor menor. Mas nada disso esconde a verdade: atualmente Jô vale mais que Ronaldinho Gaúcho.

Mais coisas estranhas. O blog do Paulinho levantou que nos últimos anos o Sochaux tentou comprar Betão, Fábio Ferreira e agora finalmente está levando Carlão. Os três eram atletas do Corinthians e as transações seriam intermediadas pelo mega-empresário israelense Pini Zahavi, amigo de Kia Joorabchian, da infame MSI. Há de se pensar? Por que o time francês faz tanta questão de possuir um zagueiro corintiano, a ponto de insistir por três anos e desembolsar R$ 1,2 milhão por Carlão?

E os clubes árabes que levam os chinelinhos do futebol brasileiro a preços astronômicos? E os jogadores que não fariam parte do elenco do Piraporinha da Serra, mas vivem pulando de clube em clube, sempre com contratos vantajosos? Atualmente, percebam, os piores jogadores têm os melhores empresários.

Não teria o futebol se tornado o meio mais fácil de lavar dinheiro em grandes quantidades sem levantar suspeitas?

Apesar da FIFA fazer um joguinho de cena e sempre afirmar que está atrás da origem de todo este dinheiro que circula de maneira irracional neste circuito Norte-Sul (o delegado Protógenes Queiroz, da Polícia Federal, o homem que prendeu Daniel Dantas, é um dos encarregados das investigações da entidade no Brasil), não se sabe de um único caso de comprovada malversação de recursos em algum clube importante no que tange a transferência de jogadores. A busca, por enquanto, não deu em nada.

Mesmo assim, vamos aos estádios aplaudir e chorar pelo que pode não passar de um jogo viciado no qual apenas alguns ganham de verdade. E, quando menos esperamos, acordamos em um mundo em que Jô vale mais que Ronaldinho Gaúcho.

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Jun 16

Porque a Itália vai ganhar a EURO 2008

por Equipe De Primeira13h15

Por Napoleão de Almeida

Está escrito: a Itália vai ganhar a Eurocopa deste ano, a EURO 2008. Só não vê quem não quer. E estou escrevendo antes para que ninguém diga depois que sou engenheiro de obras prontas.

E não, não me baseio nos craques italianos tampouco no fato da Azzurra ser a atual campeã do Mundo. Minha certeza é com base histórica.

A Itália só ganha competições em que está desacreditada. É histórico. O time vai, capenga, se classificando fase após fase. E quando chega a hora, papa o pessoal.

E a hora chegou, nesta terça, contra a freguês (deles) França.

Para chegar a essa conclusão, fiz um resgate no tempo e olhei as campanhas dos grandes títulos italianos.

Arquivo EFE

O primeiro foi o Mundial de 1934, jogado em casa. E mesmo assim, para a vaga ser confirmada contra a Espanha, só em um jogo extra. E o título, apenas após a prorrogação. Sofrido, como os italianos gostam. Veja a campanha:

1934
7 x 1 EUA
1 x 1 Espanha
1 x 0 Espanha (jogo extra para desempate)
1 x 0 Austria
1 x 1 Tchecoslováquia (1 x 0 prorrogação)

Arquivo Folha Imagem

Em 1938, os italianos viajaram até a vizinha França para levar o Bi. Foi talvez o único em que a Itália não sofreu. Talvez, porque a classificação contra a Noruega veio na prorrogação. Depois, passeio nos donos da casa, alguma dificuldade para derrotar a briosa Seleção Brasileira (é, naquele tempo tínhamos brio) e uma surra na Hungria.

1938
1 x 1 Noruega (1 x 0 prorrogação)
3 x 1 França
2 x 1 Brasil
4 x 2 Hungria

Arquivo Getty Images

Em 1968, a Itália venceu a Eurocopa. Na época, eram apenas dois jogos, semifinais e finais. E em se tratando de Itália, tinha que ser diferente. O time se enroscou na URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Nota: você sabe o significado de URSO? Responda nos comentários que eu confirmo depois) e só se classificou por... sorteio! Na final, contra a Iugoslávia, novo empate. A UEFA achou feio dar a taça em novo sorteio e realizou um jogo extra. Aí sim, a Azzurra ganhou um jogo. E a taça.

1968
0 x 0 URSS (sorteio)
1 x 1 Iugoslávia
2 x 0 Iugoslávia (jogo extra para desempate)

Apesar da força e da tradição do futebol italiano (foi vice em 1970 na Copa do Mundo), a Squadra Azzurra passou um cortado até voltar a vencer. E foi em 1982, pra nossa tristeza. A primeira fase foi a mais capenga possível. O time se enroscou em “potências” como Polônia, Peru e Camarões e só se classificou porque fez um gol a mais que os africanos. Mas dali em diante, depois da já tradicional capengada, surrou três gigantes: Argentina, Brasil (sim, éramos gigantes) e Alemanha. O que parecia ruço virou Rossi.

Arquivo Folha Imagem

1982
0 x 0 Polônia
1 x 1 Peru
1 x 1 Camarões (classificação nos gols pró: 2 contra 1)
2 x 1 Argentina
3 x 2 Brasil
2 x 0 Polônia
3 x 1 Alemanha

Mais dois novos vices (Copa 94 e EURO 2000) e a Itália ganhava o Mundo pela quarta vez em 2006. Fácil? Nada. A primeira fase parecia baba, mas o time se enroscou nos EUA e teve que correr para tirar a República Tcheca (eterno quase) no confronto direto. Nas oitavas, um pênalti mandrake contra a Austrália permitiu novo avanço (ou avanzo, como queiram). Depois de uma lambada na Ucrânia, um confronto emocionante com a Alemanha em território inimigo. E uma vitória sensacional na prorrogação. Na final, contra os franceses, era batata: mesmo com Zidane (até a cabeçada), iria dar Itália. E foi nos pênaltis, pra não ser fácil – como sempre.

2006
2 x 0 Gana
1 x 1 EUA
2 x 0 Rep. Tcheca
1 x 0 Austrália
3 x 0 Ucrânia
0 x 0 Alemanha (2 x 0 prorrogação)
1 x 1 França (5 x 3 pênaltis)

Em 2008, a Euro está no papo. Depois de uma sova da Holanda e do enrosco na Romênia, chegou a hora. Vou cantar a pedra: o time faz 1 x 0 na França, suado, e conta com o empate entre a quase desinteressada Holanda e a aplicada Romênia: 2 x 2. O segundo lugar colocará a Itália contra a Espanha. E não terá Casillas, Xabi Alonso ou Fernando Torres que segure a camisa italiana: 3 x 1 com autoridade. Em paralelo, a Holanda, ainda iluminada, surra a retranqueira Suécia, 4 x 0. Na semi, a Laranja Mecânica vai voltar a ser Amarela Emperrada: 2 x 1 Itália. E virá a final. Até lá, Portugal já terá sucumbido ante a poderosa Alemanha. A decisão será praticamente em território teuto. E mesmo assim, nos pênaltis, após um 1 x 1 arrastado durante o jogo e a prorrogação, a Itália será campeã. Anotem aí a campanha.

2008
0 x 3 Holanda
1 x 1 Romênia
17/06 vs. França (1 x 0)
22/06 vs. Espanha (3 x 1)
26/06 vs. Holanda (2 x 1)
29/06 vs. Alemanha (1 x 1, 4 x 2 pênaltis)

Duvidam?

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Mai 25

Ah, Itália!

por Equipe De Primeira15h46

Aperitivo deste domingo MULTIFACETADO pelo país: garota de bíquini invade o treino da Seleção Italiana, que se prepara para a Eurocopa.

Depois da rodada apareçam por aqui para conferir os comentários pertinentes de nosso time de colunistas. Napoleão comentará o jogo entre os Atléticos, em Curitiba, e Ana Carolina Moreno já deve estar no Morumbi para conferir São Paulo x Coritiba, neste emblemático domingo de Parada GLBT na capital paulista. Felipe Lessa, regado a muita Cerpa sem álcool, também deve aparecer para relatar alguma treta no meio futebolístico nacional.

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Futebol Italiano

Fev 11

Uma tarde/noite voando pelo mundo

por Equipe De Primeira00h38

Eis que eu ganhei asas e saí voando pelo mundo do futebol...

Sobrevoei a Itália...

...E vi o jovem Paloschi estreando pelo Milan e no primeiro toque na bola decidir a partida. Um lindo chute de primeira. Lembrou um certo Dagoberto, que entrou certa vez numa partida e arrancou para fazer um gol tão logo que entrou.

Passando pela Inglaterra...

...Não vi nada de bola na rede entre Chelsea e Liverpool...

Sobrevoei Curitiba...

...E vi um jogo cheio de emoções e decidido em cima do laço por Marcelo Ramos. O Londrina mostrou que é o Grande do Interior e - se deixar a irregularidade de lado - tem tudo para fazer um campeonato digno de sua história. O Atlético segue 100%.

Dei uma passadinha em Maringá...

...E vi o Galo Adap fazer dois gols em dois minutos, ampliar o marcador e no segundo tempo tomar dois gols do Cianorte do mesmo jeito que fez...

Aí fui passar por São Paulo...

... E vi um clássico disputado e que acabou com tórridas cenas de amor entre Adriano e Domingos... Acho que foi isso... Pois voei alto demais nesta hora para entender tudo, pois minhas asas me levaram para outro lugar...

Fui levado para a Espanha...

Vi um massacre merengue. Sete gols no Valladolid... E pensei: o Raul que dava show não tinha barba?

Minhas asas atravessaram o Mundo e sobrevoaram a Ilha da Magia...

...e quem fez mágica foi o Figueira, ao vencer o clássico por 3 a 0 e dar a liderança de bandeja para o Criciúma...

E passei pelo Rio...

...Mas quanta água... Era um toró (o evento meteorológico, não o jogador)... Depois, disso, uma chuva de gols no Fla-Flu, iniciada por Kléberson e respondida intempestivamente por Thiago Neves e completada por Maurício. O Fluminense lavou a alma e a chuva tratou de lavar o corpo...

Nos Pampas estive voando...

...Vendo a rodada acabar com Gre-Nal nas segundas posições e um Inter líder... o de Santa Maria...

E na última volta...

... Vi o Duque de Caxias fechar a fase de grupos da Taça Guanabara ao bater o Volta Redonda por 1 a 0... Pode não ser nada, mas pode fazer diferença na briga contra a degola, pois com essa definição caótica da FERJ de não ter jogo de time grande fora do Rio, tirar pontos deles virou tarefa hercúlea, portanto, vitória fora vale ouro...

...Eis que tive que devolver minhas asas, com o corpo tomado pelo cansaço, esperando outro dia ter a chance de outra jornada...

Leonardo Bonassoli utilizou as asas neste post

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Nov 18

"O futebol italiano perdeu credibilidade"

por Leonardo Mendes Jr.01h06


A realização da penúltima rodada das Eliminatórias da Eurocopa de 2008, ontem, deu um respiro providencial ao futebol italiano, sem futebol doméstico neste fim de semana. Sete dias depois da morte do torcedor Gabrielle Sandri, que desencadeou uma onda de violência em toda a Itália, que resultou no cancelamento de três jogos, governo e Federação de Futebol do país europeu estudam maneiras de como controlar os ultra – facção mais violenta dos tifosi.

Emílson Cribari, de 26 anos, paranaense de Cambará, com vida estabelecida em Londrina e há dez anos na Itália, acompanhou de dentro a trágica rodada do domingo passado. Zagueiro da Lazio, time do coração de Sandri, participou da reunião em que os jogadores do time romano decidiram não ir a campo enfrentar a Internazionale, em Milão – pouco depois, a Federação Italiana oficializou o cancelamento da partida.

Na sexta-feira, Cribari conversou com o De Primeira por telefone. Deu detalhes da decisão dos jogadores de não ir a campo, reconheceu que a credibilidade do futebol italiano tem sido constantemente abalada nos últimos meses e não poupou críticas a Kaká, que cogita deixar o Milan por causa da violência. Também falou sobre seus sonhos, desde jogar no Santiago Bernabéu, que irá realizar no começo de dezembro, à esperança de defender a seleção brasileira e jogar pelo Flamengo, seu clube do coração.

Haveria condições de se disputar uma partida de futebol na Itália neste fim de semana?
A nossa profissão é jogar futebol e a gente ia a campo para vencer. Mas me preocupa qual seria o clima entre torcida e policiais. Se tivesse rodada nesse fim de semana, a Federação provavelmente não deixaria a torcida entrar, como já fez outras vezes.

Você esteve no funeral do Gabrielle Sandri. Qual era o clima entre os torcedores?
Foi uma coisa positiva na tragédia. Ultra da Lazio, da Roma e de outras cidades se misturaram para homenageá-lo. Os pais do Garielle pediram que fosse um dia de luto, mas sem violência. Houve respeito, um clima amigável. O Totti e treinador da Roma (Luciano Spaletti) foram ao enterro, uma coisa muito bonita. A rivalidade entre as duas torcidas é enorme, mas eles deram a demonstração de que tem que ser uma rivalidade sadia, que fique apenas dentro de campo.

Como foi a reação entre vocês, jogadores, à morte do Sandri? Partiu da equipe a decisão de não enfrentar a Inter?
Estávamos reunidos almoçando antes de ir para o San Siro. Gabrielle era amigo do De Silvestre (lateral-esquerdo da Lazio) e logo a gente entendeu que tinha sido uma coisa grave. Pensamos que era erro do policial, mas depois descobrimos que não foi erro casual. O policial mirou no carro do Gabrielle, se tratou de algo muito grave. Decidimos não entrar em campo antes mesmo da Federação determinar a suspensão. Por respeito à torcida não entramos em campo, pois muitos dos nossos fãs já tinham voltado para Roma. Toda a rodada deveria ter sido adiada. Foi um erro do governo e da Federação (manter a rodada). Evitaria o que aconteceu em Bérgamo.

A revolta dos torcedores no fim de semana foi realmente porque se parou o campeonato pela morte de um policial e não se parou pela morte de um fã, ou houve algum outro motivo para a revolta?
Houve falta de respeito por um torcedor morto, a atitude foi diferente de quando morreu o policial. Em fevereiro, a morte dele parou o campeonato, então por que não parar com a morte do torcedor? Por isso a rebelião contra polícia.

Vai ser possível entrar em campo tranqüilo no próximo fim de semana sabendo que a arquibancada pode explodir a qualquer momento?
Em princípio sim. Se a gente souber que tem briga ou guerra entre polícia e torcida, é normal que o futebol fique em segundo plano. Mas esperamos que isso não aconteça.

O que você acha que deve ser feito pelo governo italiano para coibir a violência?
Na Itália como no Brasil precisa existir leis e que elas sejam cumpridas. É necessário haver punições graves. O torcedor tem que ter medo de enfrentar um policial, de fazer bagunça no estádio. É o que acontece na Inglaterra. Se o torcedor arrumar confusão, é preso e até banido dos estádios. Estou percebendo que, na Itália, o governo prefere promover a reeducação dos torcedores, a partir dos mais novos, na escola. Existe a Curva, existem os ultra, mas não são todos violentos. Não é justo punir todos pela atitude de poucos.

No último ano e meio a Itália sofreu com calciocaos, dois casos de morte violenta, além de inúmero distúrbios, e a média de público tem caído ano a ano. O país ainda pode ser visto como um modelo de futebol organizado?
Perdeu muita credibilidade nos últimos anos e temos consciência disso. A Federação é consciente disso, tem muita coisa para melhorar. Os estádios são muito velhos, antigos. É como se tivesse parado no tempo. A gente vê jogos na Inglaterra, por exemplo, onde os estádios são bonitos, modernos, como deveriam ser aqui para que a Itália voltasse a ser um modelo.

O Kaká disse que pensa em deixar a Itália se a violência não diminuir. Acha que a violência faz a Itália deixar de ser um mercado atraente?
Não se pode pensar que aqui é o inferno, o fim do mundo. Existe algo para melhorar, mas também há muitas coisas positivas. Kaká sabe que a situação no nosso país não é muito melhor. Ele não deveria usar a violência como desculpa para sair da Itália ou do Milan. Muita gente aqui na Itália pensa que ele pretende usar (a violência) como meio de fuga. Ele falou que está preocupado com a família, mas a preocupação no Brasil é maior.

Como é a sua relação com os ultra da Lazio, que são apontados como de extrema direita? Já teve algum problema por ser estrangeiro?
Não tenho relacionamento muito íntimo. Só mesmo no domingo nos jogos. Domingo eles me aplaudem, me dão força, um carinho que foi crescendo com o tempo. Nunca tive nenhum problema por ser estrangeiro.

Você já está há dez anos na Itália. Já se considera mais italiano do que brasileiro?
Muito pelo contrário. Nasci em Cambará, sou de Londrina, minha família está ali e estou construindo minha vida em Londrina. Sou 100% brasileiro.

Chegou a receber alguma sondagem para defender a seleção italiana?
Duas vezes. Sempre recusei. Tenho a esperança de um dia ser convocado para a seleção brasileira.

A Lazio está em segundo no seu grupo da Liga dos Campeões, faltando um jogo com o Olimpiacos e outro com o Real Madrid. Quais resultados vocês imaginam que precisam para se classificar? É possível bater o Real no Bernabéu?
A gente está concentrado no jogo com Olimpiacos. Será uma final para a gente, com vitória não dependemos mais de ninguém. É somar os três pontos e ir para Bernabéu fazer um amistoso, conhecer aquele estádio maravilhoso e jogar contra todas aquelas estrelas.

A Lazio teve muitos problemas financeiros, mas se reergueu e montou um time forte, mesmo sem muitas estrelas. Como foi essa reconstrução do clube?
Tudo se deve à política e o projeto do novo presidente de valorizar jogadores com valores morais, bons, mas sem estrela, sem gastar exageros em salários e um treinador muito bom e um grupo forte. Graças a Deus sempre conseguimos surpreender. Neste anos estamos com um pouco de dificuldade em conseguir manter o mesmo nível nas duas competições (Liga dos Campeões e Italiano). No campeonato estamos um pouco abaixo na tabela. Mas nos classificando na Liga, poderemos nos concentrar e repetir a mesma classificação do ano passado.

Como tem sido essa temporada de contusões para você?
Tive uma contusão muito grave no rosto, quebrei a mandíbula, mas já passou. De 18 jogos, joguei 16 até agora. Não fiquei muito fora. Estou contente com desempenho até agora.

Ainda sonha jogar pelo Brasil e ser reconhecido aqui ou vê sua carreira apenas na Itália?
Eu saí com 17 anos de casa, nunca joguei no Campeonato Brasileiro. Então a intenção é voltar e jogar num grande time do futebol brasileiro. Já está começando a pesar ficar dez anos fora de casa. Enquanto estiver crescendo, pretendo ficar aqui. Decaindo um pouco, penso em voltar.

Sonha em defender algum clube especial?
Sou flamenguista desde criança, então sonho vestir a camisa do Flamengo. Meu pai é santista, também quero realizar o sonho dele de me ver jogando no Santos.

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Nov 17

Grande Safra e Suas Sementes

por Equipe De Primeira14h06

Um bom time começa por um bom goleiro (e acaba num mau ponta esquerda, como diria aquela piadinha do Nego Pessoa). E a afirmação tem sido a tônica do futebol brasileiro com a atual geração de jovens e bons goleiros como Felipe (Corinthians), Bruno (Flamengo), Diego Cavalieri (Palmeiras), Tiago (Portuguesa), entre outros. Em vários clubes, temos bons e jovens goleiros aguardando uma chance e o goleiro brasileiro virou - a exemplo dos demais jogadores - produto de exportação até para a Itália - país com uma excelente média no nível dos goleiros e que tem brasileiros na meta de três de seus principais clubes.

Mas como o goleiro brasileiro chegou a tal nível de excelência? Eu respondo que é a junção de dois fatores: sistema de treinamento e mudanças nas regras.

Antes da década de 1980, era um tanto raro achar goleiro brasileiro no nível dos estrangeiros. Foi pelo final da década de 1970, que começou o treinamento específico para goleiros, trabalhando características como reflexos, característica símbolo do arqueiro nacional. O treinamento específico de goleiros começou a dar resultado em meados dos anos 80 com o primeiro goleiro brasileiro considerado de nível internacional: Taffarel, curiosamente um ex-jogador de vôlei (do tempo que não tinha nem líbero). Depois dele, veio a geração de Dida, Marcos e Rogério Ceni e agora a de Júlio César, Doni, Hélton e cia. Criou-se uma cultura de goleiros brasileiros, moldados pelo sistema genuinamente brasileiro.

Agora, sistema a parte, o que falei de mudança de regras é o seguinte: depois do fracasso ofensivo da Copa de 1990, a FIFA resolveu acabar com o recuo de bola para o goleiro com o intuito de fazer a boal ficar mais tempo em jogo e de dar mais gols por partida. Bola recuada com pé, o goleiro passou a ter que se virar sem as mãos. Alguns brasileiros não se davam bem, mas a média de nossos goleiros neste quesito é boa, sendo que até o Taffarel, criado antes da nova regra, fazia suas graças e dava algumas treinadas de ponta-esquerda (está certo que isso foi numa fase dele encostado no clube). Dida tem dificuldades até porque estava subido de categoria quando a "nova" regra entrou em ação. Os novos goleiros já são completamente condicionados a sair jogando e sabe como é que é brasileiro com bola no pé...

Defendido por Leonardo Bonassoli

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Nov 13

Futebol apodrecido

por Equipe De Primeira12h30

O título até pode sugerir mais uma merecida ripada na cartolagem brasileira. Mas dessa vez o alvo é sempre elogiado pela sua organização futebol italiano.

Às notícias sobre a onda de violência na Bota no domingo seguiram-se invariavelmente na imprensa nacional dois comentários baseados em lugares-comuns: os ultra de lá são similares aos organizados daqui; lá a história não vai acabar em pizza. Duas bobagens. Se não inteiras, ao menos pela metade. Com honestidade relativa, torcedores violentos, estádios apodrecidos e uma média de público que só faz despencar, a Itália definitivamente deixou de ser exemplo de futebol organizado.

O futebol italiano mostrou sua vocação para pizzaiolo no calciocaos. Apesar da louvável iniciativa de cassar dois títulos da Juventus – algo inimaginável no Brasil –, as demais punições foram sendo abrandadas no calor da celebração pelo quarto título mundial da Azzurra.

A Juventus, que começou condenada a cair de divisão e iniciar a Série B devendo 30 pontos, acabou “apenas” com o rebaixamento compulsório. Fiorentina, Lazio e Milan tiveram suas pontuações negativas reduzidas e, por pouco, não ganharam uns pontinhos de brinde. Para os rossonere ainda se criou um caminho – com a anuência da Uefa – para disputar a Liga dos Campeões. Gentileza que os milanistas retribuíram com a conquista do título.

A tendência da Justiça amolecer diante dos feitos da seleção dentro de campo não é o único traço comum entre o futebol italiano e o brasileiro. Os estádios de lá são tão sucateados quanto os de cá.

Exceto o Estádio Olímpico de Turim, erguido para a Olimpíada de Inverno, disputada no ano passado, as demais praças esportivas italianas estão caindo aos pedaços. As menos obsoletas foram reformadas (Olímpico de Roma, San Siro, Luigi Ferraris) ou construídas (Delle Alpi) para a Copa do Mundo de 90, e lá se vão 17 anos. Neste período, só para lembrar, ingleses e japoneses/ coreanos criaram novos parâmetros para estádio, seja em termos de segurança/conforto ou modernidade/praticidade.

Pior para os estádios que ficaram fora do Mundial. Estão presos à Idade Média. O Atleti Azzurri, de Bérgamo, por exemplo, tem de “moderno” só aquelas proteções de acrílico perfeitas para matar torcedor esmagado que foram quebradas na bicuda pelos ultra da Atalanta. Parte das arquibancadas é, na verdade, estrutura metálica que quase não se vê mais em estádio brasileiro. Aqui em Curitiba, por exemplo, só é usada no carnaval da Cândido de Abreu.

É nesses castelinhos medievais que ficam entocados o maior problema do futebol italiano na atualidade. Os ultra juntam o que há de pior na história do país: a idelogia fascista de Mussolini e a estrutura e o modus operandi da Máfia. Como tempero, “treinamentos” com os hooligans ingleses e um ódio da polícia que só faz crescer desde que o oficial Filipo Ratice foi morto no clássico Catania x Palermo, no ano passado.

Foi esse ódio da polícia que provocou os distúrbios de domingo. A lógica dos ultra é: se o campeonato parou porque um policial foi morto, porque não parou porque um torcedor foi morto? Sem encontrar explicações para o dilema, os hooligans italianos saíram quebrando tudo que viram pela frente: câmeras de tevê, a sede do Comitê Olímpico Italiano, carros, ônibus e até invadiram um quartel da polícia. Roteiro de violência que faz os temidos Gaviões da Fiel parecem um bando de moleques rebeldes perto dos italianos.

Só tiveram tal ousadia porque a estrutura do futebol lhe permite. A Folha de hoje traz dois ótimos exemplos do poder dos ultra. Na Lazio, Claudio Lotito teve a mulher ameaçada e foi aconselhado pelos ultra a vender o clube quando cortou as regalias (ingresso e ajuda de custo) da facção. Na Roma, o velório do principal chefe da torcida – hoje uma das mais violentas da Europa – foi acompanhado por jogadores como Totti, capitão e camisa 10 da equipe.

Também foi por pressão dos ultra que o governo local engavetou um pacote de medidas para aumentar a segurança nos estádios, em 2005. Agora, a Itália só tem duas soluções: adotar o rigor inglês no combate à violência ou deixar que o monstro que ajudou a alimentar engula o futebol no país.

Postado por Leonardo Mendes Júnior

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