Out 24
Não fosse esta mania de colônia...
por Equipe De Primeira02h09
Por Adriano Santi
Poderíamos ter em Curitiba uma sede de Copa do Mundo com dois estádios. Além das mágoas pessoais dos dirigentes da CBF com estado, a falta de apoio que se dá ao Atlético de muita gente do estado, pelo ciúme, por torcer por outro time e não esquecendo principalmente, que a Arena já é um estádio quase concluído, onde o valor a ser gasto seria bem menor e portanto, o "jabá", o superfaturamento de eventuais verbas federais seria quase impossível de existir, um novo Couto Pereira ou qualquer que seja o nome do estádio no futuro, apresentado como mais um local para os jogos seria muito bom pra cidade.
Acho que eu já li ou ouvi alguém falando isto, me perdoe, não lembro quem. E que tipo de torcedor escreve isto. Mas como o time de futebol não paga minhas contas...
Quem sabe uma sede que com dois estádios pudesse receber mais fases da Copa. Não ficasse limitada aos jogos entre Paraguai e Gana, China e Romênia. E olha que o futebol do Paraguai pode até valer a pena, mas, com um estádio, Curitiba deverá ser uma sede com quase nada interessante pra ver, ainda mais pensando no quanto deverá custar o ingresso de cada jogo.
A Arena já pode ser uma vitrine do que pode ser feito com qualidade na cidade e no Alto da Glória poderíamos ter mais uma praça moderna.
Mas não, como pode o outro time dizer que foi sede da Copa do Mundo, aquele timinho...aquela gentinha. Como se não tivemos familiares e bons amigos que torcem e vivem a realidade do "outro" time.
O Rio de Janeiro certamente usará os dois estádios, Maracanã e Engenhão, justo. São Paulo, o Morumbi e quem sabe mais um estádio, aí começa a briga da grana, sem esquecer que em geral reformar é mais caro, ou pelo menos, dificulta a fiscalização do que foi gasto.
Mas não, na província não pode, só na sede da capitania. Imagine o que aqueles colonos, polacos e outros tipos vão fazer. Sim, vão fazer de tudo pra que o estádio “deles”, não receba a Copa. Nem que para isto seja preciso apoiar outras cidades. Vão fazer de tudo para desvalorizar a escolha, reforcando o que infelizmente deve acontecer, jogos de menor importância.
Vão fazer de tudo pra provar que continuam sendo... colonos.
Ago 22
Cobras de Moçambique X Agulha de Guiné-Conacri
por Equipe De Primeira00h15
Por Umberto Dissenha Junior
O domingo, 23 de novembro de 2003, prometia. Seu Vasco, um amigo moçambicano, veio me buscar com sua van para irmos assistir Moçambique e Guiné-Conacri (no Brasil apenas Guiné, em Moçambique insere-se o nome da capital, Conacri, para diferenciar da vizinha Guiné Bissau), pelas eliminatórias da Copa do Mundo. Grande estádio da Machava lotado. No jogo de ida Guiné havia ganhado por 1 a 0, fazendo com que os Mambas* precisassem de uma vitória por dois gols de diferença.
Os dois melhores jogadores de Moçambique chamavam-se Dário e Tico-Tico. Dário era um meia atacante, que jogava pelo Acadêmica de Portugal, e Tico-Tico um atacante que joga pelo Cosmos (não tenho certeza se era esse mesmo o nome do time) da África do Sul.
Bola rolando, jogo iniciado. Moçambique começa pressionando, mas sem objetividade. Consegue, em torno dos 15 minutos, um chute raspando a trave esquerda do guarda-redes de Guiné. Minutos depois, no primeiro lance de perigo de Guiné, o goleiro moçambicano Antoninho solta a bola nos pés de um atacante adversário, que com um chute na gaveta, abre o placar. O jogo continua, Moçambique pressiona, mas como o goleiro da casa continua o mesmo, quem leva mais perigo acaba sendo Guiné, que faz mais 2 gols ainda no primeiro tempo.

Segunda etapa inicia-se com a troca do goleiro de Moçambique. No entanto, primeiro lance de perigo de Guiné sai o quarto gol no arqueiro gorducho que agora estava em campo. Logo em seguida, ainda enquanto o time de Guiné comemorava, uma bagunça começa atrás da meta. A torcida de Moçambique vai à loucura com aquilo e eu não entendia nada. Bem, o fato é que, depois disso, o craque moçambicano, Dário, fez três gols e encheu a todos de esperança, que não foi confirmada com o final do jogo. Moçambique 3 x 4 Guiné.
Na segunda-feira posterior, assisti um programa de esportes que apresentava uma reportagem sobre o jogo. Finalmente fiquei sabendo o que havia acontecido após o quarto gol. O goleiro da Guiné fez uma macumba no campo, enterrando uma agulha de cerca de 20 cm no gol que ele próprio defendia. Um gandula descobriu, desenterrou a agulha e fez um estardalhaço no próprio campo junto a jornalistas e outros que ali estavam e acabou chegando na torcida, que fez toda aquela cena.
No programa esportivo, alguns torcedores foram entrevistados. Alguns queriam que a federação moçambicana de futebol intervisse na FIFA sobre o resultado do jogo, alegando MACUMBA INDEVIDA. Acreditem se quiser?! O mais interessante é que depois da agulha retirada, Moçambique fez 3 gols..... ui!!!
*Mambas - cobra venenosa desta região africana. Foi feito um concurso para dar um apelido à seleção, e o que ganhou foi Mambas.
Ago 06
Os (últimos?) 16 dias da Era Dunga
por Equipe De Primeira00h42
Texto colaborativo produzido a partir dos argumentos levantados na lista de discussão do blog De Primeira.
É aquela velha história. As seleções de futebol da Bélgica, Nova Zelândia e China devem ter deixado escapar algum "oh" educado, uma mistura de medo e emoção, quando descobriram que enfrentariam o Brasil na primeira fase dos Jogos Olímpicos desse ano, que começa amanhã. A amarelinha é respeitada, às vezes até reverenciada, mundo afora. Dentro de casa, porém, a novela é outra. Magia, aqui, é igual soja. Tem de sobra, mas, se nos derem a chance, a gente exporta tudo, até o último grão.
O ambiente hoje é de trégua, em nome do ouro inédito. Os correspondentes, já a postos e aclimatados na China, editam matérias cheias de bom humor e otimismo. Os penteados dos jogadores e os outros esportes olímpicos que lhes agradam ganham vários minutos nos principais telejornais. É a alegria do brasileiro. Ê que beleza! Mas o rabo do olho está sempre virado para aquele homem de cabelos espetados, temperamento arisco e camisas espalhafatosas.
Dunga é (ou deveria ser) o mais interessado na medalha, embora o motivo principal seja egoísta. Se for expulso de Pequim antes da final, no dia 23 de agosto, dificilmente conseguirá rebater apenas com gritos, bufadas e fala grossa as críticas que já vêm sendo construídas desde junho.
A (tentativa) de uma virada de mesa, há quase dois meses, foi liderada pela emissora que o recebera de braços abertos em 2006. Naquela época, o narrador e porta-voz oficial dos interesses dos donos da granatorcedores enaltecia o histórico de liderança do capitão tetracampeão para justificar a escolha de um treinador de primeira viagem para conduzir o time de futebol mais famoso do planeta. Menos de dois anos depois, enquanto via Cabañas enfiar a bola no fundo da rede de Júlio César, já liberado pela cúpulaconsciência, não se cansava de repetir que "a seleção não pode jogar como time pequeno".
Começava a caça ao anão zangado. A cada reportagem "inocente" que "apenas divulgava a informação", a mídia foi construindo o clima para derrubar aquele que supostamente impedia a grandiosidade dos amarelos. Luxemburgo ganhou espaço para suas críticas à situação atual da seleção, e Ronaldinho Gaúcho foi jogado novamente na fogueira de todas as vaidades.
Apenas 53 horas separaram os dois textos a seguir:
22 de junho: Ronaldinho Gaúcho reafirma o desejo de defender o Brasil nas Olimpíadas
"Colocado pelo presidente da CBF como salvação da seleção, o meia Ronaldinho Gaúcho não se esconde da responsabilidade. Em entrevista exclusiva ao programa Esporte Espetacular, o craque afirma que deseja conquistar o ouro inédito para o futebol brasileiro nos Jogos Olímpicos de Pequim." (note que foi Ricardo Teixeira quem disse, e não o jornalista; tudo bem, a escolha de iniciar o texto com essa frase foi do jornalista mesmo, mas semiótica não passa, afinal, de uma teoria)
24 de junho: Zico encontra príncipe herdeiro do Japão; Dunga não aparece
"O príncipe herdeiro do Japão, Naruhito, esteve nesta quinta-feira no Rio de Janeiro, e encontrou Zico, ex-técnico da seleção japonesa. Os dois participaram de um evento no Centro Cultural Banco do Brasi em comemoração aos 100 anos da imigração japonesa. O técnico da seleção brasileira Dunga, que já atuou como jogador no futebol japonês, era esperado, mas não apareceu à confraternização." (Leonardo, Bebeto e tantos outros que tiveram passagem pelo futebol japonês, mas são, como Dunga, menos importantes para os asiáticos do que Zico, foram carinhosamente esquecidos pelo autor da legenda; aliás, qual o objetivo de criar uma página de notícia só para colocar a foto de Zico e o príncipe herdeiro? Hmmm... Melhor não fazer pergunta difícil.)
Este outro exemplo mostra como a edição faz diferença:
16 de junho: Brasil de Dunga precisa vencer Argentina para não ser o pior em pontos corridos
Nosso Napoleão de Almeida, cinco dias depois, colocou a íntegra da performance do "Brasil de Dunga" em uma só planilha, e mostrou que o índice de aproveitamento de pontos é de 70%.
Isso quer dizer que Dunga esteja fazendo um ótimo trabalho? Não.
Criticar a escalação de três volantes é válido, mas apenas se o motivo da crítica for a escalação de três volantes. Mas quem critica os três volantes porque não conseguiu uma entrevista exclusiva com os três volantes não merece sequer que essa frase chegue ao fim.
Dunga enfrentou as bofetadas com uma voadora. Acusou os críticos de o perseguirem injustamente porque, em vez de manter o histórico, tradicional e, para muitos, eterno tratamento global, ele decidiu globalizar o acesso da mídia à seleção brasileira. Disse que foi o único a enfrentar os poderosos da dobradinha Globo/Sportv e acabar com luxos e mimos que atrapalham os jogadores e prejudicavam as demais emissoras. Depois, reclamou que as outras emissoras embarcaram no navio rumo a mais uma "nova era". Deve ter esquecido que, nesse ramo, concorrência tem prioridade sobre informação.
Credencial como treinador não se constrói apenas com o histórico como jogador. O técnico Carlos Caetano é muito diferente – para pior – daquele capitão do tetra. Um de seus principais problemas, porém, já deu sinais de melhoria: a escalação. De nomes desconhecidos e até hoje com justificativas pouco convincentes, como Afonso, à insistência em antigos jogadores da seleção que hoje já não rendem o mesmo, caso de Mineiro, o banco de Dunga sempre levou as piores ferroadas. A lista dos convocados para Pequim, porém, parece ter agradado inclusive os que acham que um bom time, na teoria, nem sempre se realiza em campo.
Especulações à parte, o problema, talvez, seja conceitual. Desde os tempos do quadrado mágico de Parreira, a seleção brasileira se tornou, como alfinetou o Olé, em um amontoado de jogadores. Não adianta chamar os mais talentosos se não há um esquema tático montado antes. Nem todo jogador bom se encaixa em qualquer time, e nem todos mantêm uma boa fase por anos a fio.
Quando teve mais tempo para trabalhar o time, Dunga se deu bem: enfiou três nos hermanos e conquistou a Copa América, mesmo sem as estrelas. Agora, porém, não adianta reclamar da agenda apertada. A pressão das eliminatórias e a necessidade de testar a equipe olímpica impuseram restrições à montagem da lista e fogo nas mangas dos interesseiros.
De um lado, ele é obrigado a reverter as derrotas para Venezuela e Paraguai e classificar o Brasil para a Copa do Mundo de 2010, sob o risco não só de perder o cargo, mas de ter a pele esfolada se for o responsável pela primeira Copa sem a participação brasileira.
Por outro lado, se antes ele desdenhava as Olimpíadas, agora deve – tardiamente – ver no possível triunfo a chance de se firmar como nome de peso à frente de qualquer comissão técnica. Fazer o que ninguém até hoje conseguiu talvez seja a única maneira de tentar manter o apoio do público frente à maior manipuladora da opinião pública.
Calar uma emissora que elege e derruba presidentes, que quer mudar o fuso horário do País para que a nação se encaixe à sua programação, e não o contrário, e que já derrubou treinador muito mais qualificado que Dunga por motivo muito menor, só mesmo se os meninos da amarela voltarem para casa com a dourada.
Jul 29
Dunga é o cara!
por Equipe De Primeira10h24
por Chrystian Grassi
Para qualquer jornalista, a realização vem quando seu trabalho é reconhecido e você tem a oportunidade de fazer uma grande matéria. As grandes matérias nem sempre envolvem grandes personalidades, porém, qual jornalista não gostaria de ter como entrevistado Carlos Caetano Bledorn Verri, mais conhecido como Dunga, o técnico da Seleção Brasileira de Futebol.
Na coluna desta semana me inspirei nos grandes tablóides ingleses que publicam entrevistas fictícias, inventam fatos apenas pra vender jornal, criar polêmicas. Então resolvi fazer o mesmo e entrevistar o “Coach” Dunga.
Segue na integra.
CHRYSTIAN: Dunga, é mesmo verdade que quem escolhe e faz as suas roupas é sua filha? Você não se envergonha de usá-las?
DUNGA: É sim, ela tem muito bom gosto, me sinto muito elegante vestindo as suas criações.
CHRYSTIAN: Te marcou negativamente a “Era Dunga”?
DUNGA: Bah, tchê, de forma alguma, aquela geração foi vitoriosa, conquistamos a copa do mundo e tenho certeza que brilhamos mais que a geração de 82, que não ganhou nada. O que o Zico ganhou na seleção? Nós fomos Tetra!
CHRYSTIAN: É verdade que você segurou o baixinho Romário todos os dias na concentração, e que com seus conselhos o “Peixe” foi o melhor jogador daquela copa?
DUNGA: Bah, sem dúvida, fui eu e o Taffarel, que somos gaúchos disciplinados que colocamos o Romário nos eixos. Sem este trabalho psicológico o Brasil não teria conquistado aquela copa, foi justamente nesta ocasião que descobri que eu daria pra um bom técnico.
CHRYSTIAN: E você se inspirou em quem como treinador?
DUNGA: Bah, tive muitos professores, mas sem dúvida o que mais me marcou, em quem eu me espelho é o Parreira.
CHRYSTIAN: Por que o Parreira, por causa da copa de 94?
DUNGA: Não só por ter sido o seu capitão, mas também pelo estilo durão e teimoso, sou assim, muito convicto e não aceito palpites.
CHRYSTIAN: Bem, estamos às vésperas das Olimpíadas, e logo teremos a Copa, você se sente pressionado pela imprensa?
DUNGA: De maneira nenhuma, tenho certeza do excelente trabalho que estou fazendo, e vocês da mídia não sabem o que se passa dentro das quatro linhas, eu já vivi lá e sei o que é melhor.
CHRYSTIAN: Em relação às convocações, é você quem descobre jogadores como o Afonso, ou tem indicação de empresários?
DUNGA: Que nada, eu acompanho todos os campeonatos da Europa, e me impressionei pela técnica do Afonso Alves.
CHRYSTIAN: E o Campeonato Brasileiro?
DUNGA: Bah índio veio! Assim vocês querem demais, se nossos melhores jogadores estão lá fora, pra que eu perder tempo em ver jogos dos clubes daqui? Deixa os empresários se interessarem por estes jogadores que despontam por aqui, aí eu os convoco pra seleção.
CHRYSTIAN: Mas daí não fica muito evidente que tem gente levando dinheiro nestas convocações, ou os empresários entendem mais de futebol que vocês?
DUNGA: Que é isso! Nós somos preparados e não precisamos destas coisas, é por isso que não dá pra falar com a imprensa brasileira, vocês acham que tem sempre outros interesses. Não quero mais falar sobre isso, vamos voltar a falar das belas roupas que minha filha faz.
Bem, esta foi a melhor entrevista fictícia do Dunga. Quem sabe na semana que vem eu entreviste o Ricardo Teixeira.
Chrystian Grassi é jornalista e amigo do De Primeira
Jul 21
Rivaldo, o craque incompreendido
por Leonardo Mendes Jr.20h56

Daniel e Guilherme, dois amigos das antigas, têm ódio mortal por Rivaldo. Corintianos que são, certamente têm raiva pelo magrão ter trocado o Parque São Jorge pelo Palestra Itália. E ainda por cima ter carimbado um título brasileiro do Palmeiras sobre o Curintia.
Pois só a mágoa da traição para que alguém de boa fé como o Daniel e o Guilherme não gostem do Rivaldo. Se mais alguém não gosta, que me desculpe a franqueza, mas bom sujeito não é, é ruim da cabeça ou doente do pé.
Como só acompanhei o Zico com os joelhos estourados, não tenho dúvida em afirmar: Rivaldo é o melhor camisa 10 brasileiro que vi jogar. E só não digo que é o melhor do mundo porque recebi a graça de ver, mesmo pela tevê, Maradona e Zidane no auge. O resto, é coadjuvante.
Neto? Insuperável na bola parada, mas limitado pelo que lhe sobrava na barriga e faltava na cabeça. Ronaldinho? Uma foca amestrada, quase nada mais do que isso. Kaká? Um puro sangue, mas longe de ser um legítimo camisa 10.
Rivaldo tem classe, visão de jogo, poder de finalização. É o que se chama de falso lento. Parece estar se arrastando em campo, mas de repente aumenta a passada, deixa o zagueiro, ergue a cabeça e fuzila o goleiro.
Foi o melhor jogador brasileiro em duas Copas do Mundo. A atuação dele contra a Dinamarca, em 98, foi das melhores exibições individuais de um jogador em Copa do Mundo nos últimos tempos.
Em 2002, foi brilhante do primeiro ao último jogo, com momentos de genialidade contra Inglaterra, Bélgica e mesmo na final, com a Alemanha, que ele jogou machucado.
Não foi o melhor no primeiro Mundial porque havia Zidane. E não foi no segundo porque o burro colégio eleitoral votou em sua maioria em Oliver Kahn, em uma vergonha do futebol mundial.
Se tivesse ido à terceira Copa, talvez o fim da nossa seleção fosse mais digno. Rivaldo seria um reserva de luxo, alguém para entrar em campo e mudar o jogo. Um Zidane brasileiro para combater o Zizou legítimo.
Agora, Rivaldo curte seu último ano de contrato na Grécia. Já avisou que volta para encerrar a carreira no Palmeiras.
Torço para que volte logo. Será um prazer ver Rivaldo jogando novamente no Brasil. Quem sabe até aqui por Curitiba, enfrentando o Coxa, o Atlético ou o Paraná.
Talvez atuando no país Rivaldo receba da imprensa e dos fãs um tratamento digno da sua importância, da sua genialidade. Pois Rivaldo não namora modelo atrás de 15 minutos de fama. Não abre sua casa para revista de fofoca. Não dá tapinha nas costas de comentarista. Seu marketing é a bola, e nada mais. Pena que para muita gente isso não seja o bastante.
Jun 27
Oportunismo
por Equipe De Primeira06h45
por Napoleão de Almeida
E lá se vão 50 anos do primeiro título mundial do Brasil no futebol. É festa pra lá, festa pra cá. Tudo muito justo, tudo muito bonito. Até que o presidente da República, Lula, sai como justiceiro dos heróis de 1958: vai criar uma aposentadoria especial para Pelé, Zagallo & cia.
É até cruel ler o primeiro parágrafo e pensar que Pelé e Zagallo precisam de aposentadoria especial. Evidente que não e não é para eles, bem sucedidos na vida, que isso será criado. É para os demais, até os anônimos, que na Suécia estavam e são tão importantes quanto a dupla citada na conquista. Todos merecem serem exaltados. Ajudaram a livrar o Brasil da tal “síndrome de vira-lata”. Não é esse o problema.
O problema está no fato de o contribuinte ter que bancar esse ônus. Você, leitor, será responsável por manter essa aposentadoria especial – se ela sair da promessa. O valor, diante do montante que o INSS arrecada (e utiliza mal) é irrisório. Mas essa pica não é sua, como diria o capitão da PM do RJ em “Tropa de Elite”. Essa pica é da CBF.
Sim, a multimilionária CBF, instituição privada, mas que tem isenção de impostos; que fatura milhões nas costas das conquistas da Seleção e destes atletas, que arrecada uma fortuna da Nike graças à história do futebol brasileiro. Que, afinal, foi quem empregou os campeões de 1958 à época e sequer pôde dar assistência a muitos (fora Zagallo) nos últimos 50 anos!
Lula, no alto do esquecimento de seus dias de militante, aproveita as festas para abraçar campeões menos ilustres, como Oreco e Moacyr (que, confesso, nem sei se estão vivos) e anuncia que irá corrigir uma injustiça histórica “com quem ajudou a exaltar o nome do Brasil no Mundo”. Pois que cobre de Ricardo Teixeira e da cúpula da CBF os prêmios que os campeões justamente merecem! E que se lembre dos campeões de 1962 antes de 2012 para que tudo não seja visto como na realidade é: um baita oportunismo eleitoreiro.
E que se lembre dos vice-campeões mundiais de 1950. E dos de 1998, que ainda são jovens, mas vão envelhecer. Assim como a Seleção de 1982, que também exalta até hoje o nome do País lá fora. Sem falar nos super-campeões de 1970, 1994 e 2002, heróis nacionais de igual forma. E que Lula faça justiça, mas não com o dinheiro do povo e sim cobrando quem tem condições e obrigação de ajudar esse pessoal todo: a CBF!
E se o assunto são nossos campeões mundiais, que não nos esqueçamos dos bi-campeões mundiais de basquete entre 1959 e 1963, heróis que num esporte hoje jogado às traças (menos pelo técnico Moncho Monsalve, espanhol que parece estar montando uma seleção com brios e sem os medalhões da NBA) fizeram o Brasil chegar ao topo. Coincidentemente na mesma época dos campeões mundiais de futebol.
E que Lula não queira por na conta do povo mais essa. Que faça a CBB bancar a aposentadoria destes herois. A CBB, que sucateou o basquete brasileiro e tem obrigação de reergue-lo. E que o presidente fiscalize a Timemania, que invista em educação e esporte nas cidades, que não permita a tresloucada lavagem de dinheiro que se anuncia nas construções dos estádios para a Copa de 2014.
Que esse país tome vergonha na cara e crie logo brios. Até porque estamos todos de saco cheio de termos ídolos e heróis apenas no esporte e na literatura e poucos bons exemplos no comando da nação.
Jun 21
Carlos Caetano Bledorn Verri: o ídolo que deveria ter parado antes
por Felipe Lessa13h53

Dunga perdeu a chance de parar de ser jogador em 1994, no máximo 1998, depois da Copa da França. Assim como Pelé parou oficialmente pouco após o milésimo gol, Dunga perdeu sua chance em 1994, após levantar a taça do tetra campeonato mundial de futebol, como o rei levantou em 70. Não importa se deveria parar em 94 ou 98, deveria ter parado antes de 1999.
Até lá Dunga sempre foi símbolo de raça, força e virilidade. Mais: Dunga era símbolo de paixão e identidade nacional. O combativo jogagor que começou a carreira no Internacional no início dos anos 80, passou por outros como Vasco e Corinthians e sempre foi destaque nas quatro linhas, além de querido pela torcida fora delas.
Como jogador, Dunga fez história como poucos. Na categoria juniores foi campeão do brasileiro de seleções estaduais Jr, pelo Rio Grande do Sul, em 1981. Em 1984, vice nas olimpíadas de Los Angeles quando, mais uma vez, perdemos pra os franceses. Na verdade, ali ainda era o começo do nosso ciclo de derrotas consecutivas em decisões para tal seleção. Não importa.
Anos mais tarde, Dunga passaria a ser selecionado para o time principal do escrete canarinho. Em 90, Dunga era símbolo de mudanças no time nacional convocado por Sebastião Lazaroni para o mundial da Itália. Era o início de uma geração que comandada por ele, seria tetra nos Estados Unidos, quatro anos mais tarde. E o capitão ainda teve a dura missão de barrar "supostas" farras e noitadas de Romário. Foi companheiro de quarto do baixinho na ocasião. Vejam só! Nem a presença de Romário apagou a estrela de Dunga como herói depois da conquista do campeonato. E Dunga ganhou tanto pelo Brasil, que ainda venceu a Copa América em 89 e 97.
E nem isso fez com que a mesma torcida que sorria em 1994 com o tetra, que em 93 gritava "Dunga, te amo", depois da vitória por 4 a 0 contra a Venezuela, pelas eliminatórias da Copa, respeitasse o antigo ídolo, no jogo contra os argentinos. O empate sem gols contra os hermanos no Mineirão marcou o fim do relacionamento de amor de torcida e Dunga. O coro das arquibancadas dizia: "Adeus Dunga, Adeus Dunga". O capitão de 94, tão louvado pelo mesmo povo brasileiro em tal época, ganhava o título de burro, também gritado em massa nas arquibancadas.
A torcida mineira era incapaz de ver e perceber todas manobras de dentro da CBF. Talvez por desinteresse quando o jogo é realizado em outras regiões, afinal, Dunga também é prejudicado pelo acordo da entidade de Ricardo Teixeira e a Kentaro Group. A empresa organiza e comercializa a Brazil World Tour, ops, amistosos da CBF até 2010, como diz em seu site.
Antes da entrada da Kentaro, como cita a Revista A+ de julho de 2007, na reportagem Chuteira sem pátria, por Marcel Meguizo e Paulo Roberto Conde, “os amistosos da Seleção Brasileira rendiam em média US$ 1 milhão. Hoje, nenhum deles sai por menos de U$2 milhões.
Olha, camarada. Talvez você esteja questionando: "parece fora do contexto falar de Kentaro e CBF, quando o assunto é Dunga". Apenas parece, pois volto a dizer que os responsáveis pelas vaias da torcida mineira contra nosso treinador são CBF e Kentaro. Dunga e a dupla diabólica (as empresas CBF e Kentaro) estão mesmo é colhendo o fruto dos apenas três jogos que o treinador comandou em terras canarinhas. Ganhou um, mas empatou dois, mas no geral a campanha não é ruim, pois ela é boa.
Dunga teve que trabalhar fora de casa, onde comandou a canarinho em 30 partidas e ganhou 19 vezes. Perdeu apenas quatro – Portugal, México, Venezuela e Paraguai - sendo duas recentes. Dos 18 amistosos sob seu comando, cinco foram em Londres, um apenas destes contra a Inglaterra. O jogo contra a Argélia, vencemos por dois a zero, em terras francesas. Para ganhar dinheiro ou acabar com o complexo de perdedores contra os mesmos? Não sei, mas não foi aqui, nem na Argélia. Dunga ainda teve que enfrentar a Turquia na Alemanha.Jogar recentemente nos Estados Unidos.
De fato, a torcida brasileira não conhece o trabalho do Dunga treinador. E por isso xingam. Dunga é culpado? Que nada. Dunga é azarado. Se tivesse parado de jogar futebol em até 98 poderia ser treinador da CBF com menos problemas, apesar da falta de identidade da torcida com o time, e não com ele. Os espectadores dos jogos da CBF não passam de marionetes mongas!
Ainda assim, volto a falar: Dunga deveria ter parado em 98, pois na final do Campeonato Gaúcho de 99, no dia 20 de junho, surgiria o desafeto perfeito para boa parte da impulsiva imprensa brasileira. Falo do real nascimento do Ronaldinho Gaúcho no futebol.
Ronaldinho diz que não odeia Dunga. Mas, no dia 20 de junho de 1999, com seus dribles cometeu o ato de rasgar e jogar fora o currículo profissional do capitão de 94. O irmão de Assis esnobou qualquer forma de respeito ao jogador do Internacional. Um jogo, um chapeuzinho, alguns dribles geniais, consecutivamente explorados pela mídia e o todo durão Dunga virava piada nacional.
A punhalada final veio ontem, 20 de junho de 2008. A CBF passou por cima da autoridade do querido autoritário capitão de 94 e convocou Ronaldinho Gaúcho para a equipe olímpica. Repito que foi no mesmo 20 de junho, agora de 2008. E a imprensa voltava a noticiar o combate de Dunga versus Ronaldinho exaustivamente. Parecia comemorar. Acho que comemorava, pois a globo ama o luxo ($$$), ops, o Luxa.
Resumindo. A CBF, a mídia e o povo estão esquecendo tudo que Dunga fez por nossa seleção, por nosso futebol. Estão destruindo a imagem de alguém que se parasse de jogar futebol em 98, estaria na lista dos eternos mais queridos do Brasil. A ganância da CBF e dois fatos que tiveram Ronaldinho Gaúcho como protagonistas parecem tentar sucumbir com a moral de Dunga...apenas pela razão de que a mídia esquece de contar o restante da história de Carlos Caetano Bledorn Verri, o ídolo que nasceu em 31 de outubro de 1963, no Rio Grande do Sul, em Ijuí. Salve Dunga. Tanto fez nossa torcida sorrir, jogando duro, sem ter samba nos pés.
Dunga em drops
por Equipe De Primeira08h19
30 jogos
19 vitórias
4 derrotas
7 empates
57 gols pró
21 gols contra
Maior seqüência de vitórias: 5 jogos
Maior seqüência de derrotas: 2 jogos
Maior goleada aplicada: 6 x 1 Chile
Pior derrota sofrida: 0 x 2 (Portugal, México, Venezuela e Paraguai)
Freguês: Equador, três derrotas
- A média de gols pró é de 1,9 por partida
- A média de gols sofrida é de 0,7
- O aproveitamento de pontos é de 70%
- Todas as derrotas de Dunga na Seleção foram por 2 x 0
- O melhor momento foi a conquista da Copa América, vencida na final sobre a Argentina, 3 x 0
- O pior momento acontece agora: três jogos sem vitória, duas derrotas seguidas, uma histórica para a Venezuela
- A melhor aposta de Dunga foi no zagueiro Luisão, titular da Seleção
- A pior segue sendo o impagável Afonso Alves
Pérolas de Dunga no site dele (capitaodunga.com.br):
“Depois do Júlio todos os governantes de Roma passaram a ser césares, e "césar" - na Forma de kaiser, tzar, etc. - ficou nome genérico, como um dia "dunga" também será” (Essa é de Luiz Fernando Veríssimo)
“Em 1958 e 1962, o Brasil revelou para o mundo sua inconparável (sic) superioridade futebolística. A seleção que tinha brilhantes talentos criativos como Pelé, Didi e Garrincha, também tinha em jogadores como Djalma Santos, Nilton Santos, Bellini, Mauro e Zito, uma defesa tão eficiente quanto o seu ataque.
A partir daí, o Brasil, pasmo e deslumbrado com a beleza espetacular do futebol arte, por muitos anos esqueceu de defender, muitas vezes tomando tantos gols quanto marcava. Finalmente, a partir de 1989, o Brasil nunca mais foi o mesmo. (...)
A partir desta revolução, que teve Dunga como símbolo, o Brasil chegou em três finais de Copa do Mundo seguidas, em 1994, 1998 e 2002. (...)
Depois de Dunga, (...) volantes (...) brasileiros são exportados como titulares para os maiores clubes da Europa, muitas vezes se destacando como os melhores do mundo em suas posições. Crianças brasileiras tem hoje como ídolos não só jogadores de ataque, como de defesa, algo que antes não acontecia.
(...) A geração Dunga mudou para sempre a cultura do futebol brasileiro para melhor, bem melhor.”
(texto do site oficial do técnico da Seleção)
O que ninguém conhece:
“O Instituto Dunga de Desenvolvimento do Cidadão-IDDC, é uma sociedade civil , sem fins lucrativos, que atua no Rio Grande do Sul na promoção social de crianças, adolescentes, famílias e idosos, através do esporte educacional.O IDDC é integrado por pessoas físicas voluntárias, interessadas no fomento de ações e programas sociais que visem, prioritariamente, o desenvolvimento e a formação do cidadão para a prática do bem comum, solidário e de participação”
(texto do site oficial do técnico da Seleção)
Por Napoleão de Almeida
Abr 13
E Agora?
por Equipe De Primeira11h54
por Leonardo Bonassoli
O Atlético Paranaense resolveu cobrar pelos direitos de transmissão de rádio de seus jogos. Quinze Paus cada jogo. Para isso alegou o artido 42 do Estatuto do Torcedor, que versa sobre direitos de imagem.
Olha, pode ser justo cobrar os direitos das rádios, pois elas lucram com os jogos, mas o valor de 15 mil reais é irreal. É mais caro que jogo de Copa do Mundo. Se cinco rádios no Brasil puderem pagar, é muito. Se uma rádio em Curitiba conseguir pagar, é muito.
O rádio brasileiro perdeu muito espaço com a televisão, tendo dificuldade para se manter com os atuais patrocínios. As rádios estão contendo despesas com pessoal e muitas caindo na mão de grupos religiosos, especialmente no AM.
Se os valores fossem realistas, o chiado do setor da imprensa teria sido bem menor. A propósito, o ponto correto da legislação para embasar isso é o princípio do Direito de Arena, que pertence aos dois times que jogam. O Atlético, em algum lugar do eixo tempo no passado, já tinha ganho uma ação nesse gênero (se alguém estiver com base de dados para isso, pode me soprar quando foi isso, mas acho que foi nos anos 80).
Se isso for manobra para o clube ter uma rádio própria e ter exclusividade, é um jogo muito sujo, sórdido, pois é simplesmente matar a concorrência com métodos desleais (leal é ganhar na qualidade). Se for rádio web apenas, simplesmente matou os planos de crescimento do time, pois é pouca gente que tem equipamento para isso.
Não foi muito inteligente adotar esta medida sozinho, sem outros clubes, pois pode significar a perda de potenciais torcedores, especialmente fora de Curitiba, causar desemprego em massa nas rádios locais, e quebrar os Sistemas de Comunicação locais, mas provavelmente o caminho a ser tomado pelas rádios é o da justiça ou o do boicote, aí novamente a corda vai arrebentar do lado mais fraco: o do torcedor. Além disso, passa uma imagem de arrogância do clube, uma espécie de Efeito Vasco/Eurico, que perde potenciais torcedores por conta do cartola.
Agora resta descobrir os próximos capítulos desta novela, que não passará pelo rádio, só pelo pay-per-view. Estão todos pagando para ver...
Nov 29
Vereda Tropical
por Equipe De Primeira11h26

A bola rebate na área e o esperado gol corintiano sai. Os milhares de torcedores do "Timão" comemoram como nunca. Tudo isso foi mostrado na transmissão de ontem da Rede Globo. Mas o autor do gol corintiano era Luca, personagem de Mario Gomes na novela Vereda Tropical. Entre os torcedores estavam Lucélia Santos e Jonas Torres, o bacana de Armação Ilimitada.
Cenas da novela foram exibidas no intervalo da partida entre Corinthians e Vasco, ontem, no Pacaembu. Talvez fosse uma forma indireta da Globo mostrar seu desejo em manter o futebol brasileiro sob controle, transformá-lo em um mundinho sem surpresas como acontece em suas novelas. Infelizmente, para a emissora e para o Corinthians, não há roteirista que dê jeito neste enredo torto que é o futebol brasileiro.
Corinthians não tem Luca, mas tem Lulinha, que renovou seu contrato por U$ 50 milhões, 20 milhões a mais do valor pelo qual Robinho foi para o Real Madri. Lulinha jamais fez gol como profissional pelo Corinthians. Ontem, contra o Vasco, mais uma vez passou em branco. Quando valerá Finazzi?

A novela não prevista pela Globo teve um capítulo na Bahia. Sete pessoas morreram só para atrapalhar a Copa de 2014. O governador da Bahia, Jaques Wagner - que alguns apontam como provável sucessor de Lula - já encontrou a solução para o problema. Vai construir com dinheiro público uma nova Arena de R$ 350 milhões no lugar da Fonte Nova, que será demolida. Cada morto renderá à família R$ 25 mil. É o preço de um baiano pobre no mercado de seguros.
No fim das contas, talvez a Globo tenha razão. O futebol brasileiro sempre foi uma novela, mas nela quem se dá bem é o vilão.
Postado por Jones Rossi