Mar 31
Cass: a história do grande hooligan negro
por Felipe Lessa00h05

Negro, órfão de família jamaicana e adotado por um casal branco da zona leste de Londres, Cass Pennant viveu uma história contextualizada pela discriminação racial iniciada nos primórdios de sua infância. Sensações que sentiu na pele desde o ambiente escolar até o dia em que foi levado pela primeira vez por seu pai adotivo ao pub de torcedores do West Ham.
Em contrapartida, o jovem cresceu. E uma das formas de reconhecimento e aceitação deste filho de imigrantes na sociedade foram os socos e botinadas, em nome do amor pela bandeira azul-grená dos Hammers.
O filme, baseado na biografia do protagonista, aponta cenas clássicas desta que é considerada a grande subcultura marginal relacionada ao futebol. Trata-se de um passeio pela história da Inter City Firm, famoso grupo de adeptos do West Ham United, na pessoa de um de seus principais integrantes: Cass.
Seu apelido foi herdado da admiração por outro negro. Muhammad Ali-Haj, nascido Cassius Marcellus Clay Jr, de onde surgia o apelido Cass. Era uma forma de reconhecimento do garoto que odiava ser chamado pelo nome, Carol, devido ao bullying na escola.
Cerca de 2 metros de altura, braços pesados e a valentia de um guerreiro das ruas foram as marcas de Cass, um homem que ganhou e também perdeu com a complexa vida de um hooligan com origens jamaicanas.
Entre os saldos do brigador de rua que teve seu auge nos anos 80, muito sangue derramado, uma carreira promissora de escritor hooliganista, o assassinato da mãe adotiva cometido por inimigos, diversos ferimentos a favor e contra, além de duas prisões - a última delas, por assassinato.
O sucesso do filme, lançado em 2008, surge no ano seguinte. Mesmo tratando-se de uma produção independente, esteve entre os mais assistidos da terra da rainha.
Nada a se estranhar, já que ninguém melhor que Cass, presente nos bastidores do roteiro de GSH, para dar a verdadeira fidelidade ao filme que conta sua trajetória de vida, sempre entrelaçada com ICF, Hools e WHU. Resumindo: todos aqueles que se basearam em Green Street Hooligans (2005) para saber um pouco do que é hooliganismo inglês e firmas casuals, já podem substituir tais referências.
Bibliografia indicada de Cass Pennant:
Congratulations You Have Just Met the ICF
Terrace Legends – escrito em conjunto com Martin King
Top Boys: True Stories of Football's Hardest Men
Cass
Want Some Aggro
Rolling With The 6.57 Crew
Good Afternoon Gentlemen, The Name's Bill Gardner
30 Years of Hurt! For Queen and Country
Confira o trailer:
Jan 11
Mais sangue derramado....na televisão
por Felipe Lessa22h05

A selvageria continua. Com sangue, brigas e futebol, sem o Frodo do Senhor dos Anéis, agora contracenado em uma penitenciária, em breve será lançado o Green Street II. Confira um pouco dos socos e pontapés da continuação do filme que descreveu uma história de culto à violência, romance pela bandeira, alegria e tragédia colocando como protagonista a Inter City Firm, torcida organizada do West Ham United da Inglaterra.
Nov 02
Primeiro os pretos, depois os pobres, agora os gays
por Felipe Lessa19h50
João Emanuel Carneiro está entrando para a história do futebol brasileiro de forma inusitada. Apesar de uma carreira repleta de títulos, Emanuel ainda não havia marcado gols e também não escreveu especificamente sobre o esporte. No entanto, com a cena apresentada 30 de outubro em A Favorita, Rede Globo, o nobre autor foi protagonista de mais um duro golpe para a quebra de paradigmas no futebol brasileiro.
Aproveitando da credibilidade e alcance de uma novela da Globo, o autor de renomados filmes como Central do Brasil (1998) e Castelo ra-tim-bum (1999), mais novelas como Cobras & Lagartos (2006) e Da cor do pecado (2004), apresentou uma cena que chocou e irritou muitos torcedores.
Apresentou Armandinho (Iran Malfitano), um personagem homossexual, saltitante e revoltado com o presente que Halley (Cauã Reymond) comprou para o seu futuro filho: uma camisa do Corinthians. Acontece que personagem gay que recentemente oficializou um casamento de fachada com a corinthiana Maria do Céu (Débora Seco) e oficiosamente seria o pai da criança ficou desgostoso com a idéia de manipularem a opção clubística da criança, afinal ele é são-paulino.
Pela cena, o autor foi de certa forma massacrado. Muitos torcedores do tricolor paulistano estão indignados. Os adeptos de outras equipes caíram em gargalhadas. Alguns jornalistas chamaram injustamente João Emanuel de preconceituoso por reforçar o estereotipo gay do torcedor do São Paulo. No entanto, a opção do autor foi a mais correta possível. De forma alguma pareceu preconceituosa.
Emanuel aproveitou e poderá aproveitar ainda mais o estereótipo do “bambi” tricolor para conscientizar parte da população brasileira que ainda não aceita o cidadão gay tanto no futebol como na sociedade. É o princípio da mudança no tricolor, já que os torcedores organizados do mesmo São Paulo Futebol Clube se sentem envergonhados com a condição de ter entre seus 11 combatentes um suposto homossexual, Richarlyson.
Apesar das dificuldades o personagem gay, tanto em novelas como na vida real, está conseguindo quebrar os estereótipos e preconceitos. Muitos homossexuais não brincam de bonecas, passam batom ou usam roupas femininas. Apesar de um maior apego ao fino trato, boa culinária, viagens exóticas, logicamente existem aqueles que gostam de futebol, do esporte, e não das pernas masculinas.
Nem mesmo as torcidas organizadas brasileiras fogem da regra. Em passado não muito distante, entre os anos 70 e 80, torcidas de times tradicionais se formaram pelo público gay. Apesar de ser contra a segmentação da sociedade, criar uma organizada segmentada foi uma necessidade para Flagay (Flamengo), Gayrani (Guarani) e Coligay (Grêmio). Dentro de uma facção “comum” estes torcedores teriam que se esconder. Nas suas novas “firmas” não.
Talvez pelo reflexo de ontem, dos tempos da segmentação, hoje já existe uma pequena aceitação aos gays em torcidas organizadas. A maioria das torcidas recriminam, mas a Esquadrão Vilanovense, do Vila Nova de Goiás, é um exemplo diferenciado. Seu presidente Mario Abrão Júnior é homossexual e está conseguindo impor o espaço da luta contra o preconceito dentro da entidade ao qual ele representa.
Estes com certeza têm uma visão diferenciada daquela que afirma que o autor da novela é preconceituoso quando apresenta um personagem homossexual e são-paulino. Afinal, o pessoal do Vila convive com presidente e alguns componentes gays em arquibancadas, viagens, cervejadas e bate papos sobre futebol.
Trata-se de gente que não é são-paulina, gosta de futebol e já se acostumou com a diversidade na sua vida social. E com a novela e esse o papel do autor. É trazer o debate, o conflito, a busca da aceitação...a quebra das mesmas barreiras que já tentaram barrar pobres e negros do futebol brasileiro.
A quebra das barreiras sempre foi conquistada por aqui pois o futebol brasileiro é peculiar, é único. Fugimos da regra. Nosso histórico não é de branquelos, engomados e machões atrás de uma pelota. Por aqui, demos exemplo fora de campo. Dentro dele também. Temos Kaká, o menino branco bom de bola do Morumbi. Tivemos Arthur Friendenreich, o filho de um israelita alemão com a mulata brasileira que marcou 1329 gols, entre eles o que deu o título do sul-americano de 1919 ao Brasil. Tivemos Pelé, o negro da técnica e física impecável, o rei dos reis do futebol. Temos referências das classes ricas. Das classes pobres. E por fim, quem sabe um dia não surge um asiático, indígena, um boliviano....um homossexual de renome em nosso futebol.
O Brasil está na linha de frente de todas as diferenças sociais. No entanto, mesmo com todas as diferenças brasileiras, é um país que sempre ajusta tudo ao seu jeito brasileiro. Ajusta tudo para que as coisas sejam mais dignas e iguais para todos. E os perturbados que se acomodem. Se o recado enviado no dia 30 de outubro for mantido, mais uma barreira será derrubada no Brasil....Por aqui o esporte além de perder a característica burguesa, ganhou cor e novos adeptos. João Emanuel Carneiro tem sua parcela de responsabilidade no processo. Cabe agora ao Estado punir os infratores.
Lembre-se:
Torcedores e jogadores homossexuais existem ou podem existir em todos os times. Além do São Paulo, Flamengo, Grêmio e Guarani, o próximo clube a ser notícia na ala gay pode ser o seu. Pode ser o Corinthians, o Palmeiras, o Vasco, o Fluminense, o Atlético Mineiro. Qualquer um pode ser o time dos gays.
Saiba Mais:
Coligay - Organizada do Grêmio

PM identifica movimento neonazista em torcida do Grêmio - Clique aqui
Flamengo tem a maior torcida gay do Brasil - Clique aqui
Torcedores do Flamengo são acusados de homofobia e racismo - Clique aqui
Torcedores do Coritiba na Parada Gay - clique aqui
Set 23
Alemanha x Grécia é um clássico?
por Alessandro Manoel01h35
Eric Idle, Graham Chapman, John Cleese, Michael Palin, Terry Gilliam e Terry Jones. Deve haver na blogsfera leitores que pensarão que como estão lendo um blog de futebol, lá vai um post sobre o campeonato inglês a respeito de um time qualquer de tempos imemoriais. Mas prefiro pensar que todo mundo vai matar na cara que o que vem é algo a respeito do que de melhor saiu da Inglaterra desde Charles Chaplin no que diz respeito a humor. Humor de primeira. Humor De Primeira. Estes são os integrantes do Monty Python, um grupo que começou a revolucionar o humor inglês em 5 de outubro de 1969 a partir de um programa da BBC chamado “Monty Python’s Flying Circus”.
Não houve nada parecido antes e é digno de calculadora financeira o número de cópias que houve depois que estes seis ingleses passaram a se apresentar. Após duas temporadas de quadros primorosos, que deixaram os ingleses embasbacados com tanta genialidade, resolveram lançar um longa-metragem para o cinema em 1971 (And Now For Something Completely Different - E Agora Para Algo Completamente Diferente no Brasil) basicamente com quadros refilmados.
Tosco, porém espetacular, hoje é um cult movie. O programa teve apenas mais duas temporadas e em 1975 passou a ser transmitido nos Estados Unidos. Neste mesmo ano, financiado parcialmente com dinheiro de bandas de rock como Led Zeppelin e Pink Floyd, saiu o segundo filme: Monty Python and the Holy Grail (Em Busca do Cálice Sagrado, no Brasil)
Há dezenas de coisas espetaculares neste filme e prefiro insistir para que corram assistir. E digo isso tanto se você ainda não viu quanto se já viu algumas vezes. Este é um filme inteiro, com material exclusivo. Foi um sucesso e pagou com sobras as 150 mil libras que custou.
No ano seguinte, um documentário com apresentações esquentou o sexteto para o que viria três anos depois: Monty Python's Life of Brian (A Vida de Brian, no Brasil). Imagine um rapazinho chamado Brian que nasceu perto de Jesus Cristo e que passa a vida toda sendo confundido com o rapaz da dona Maria. O comentário para este é o mesmo do filme anterior. Levante esta bunð@ daí e vá ver! Vale a pena.
Enquanto filmavam Monty Python's The Meaning of Life (O Sentido da Vida, no Brasil), que seria lançado em 1983, gravaram uma apresentação para uma platéia cheia de sortudos no Hollywood Bowl, em Los Angeles, com os quadros mais famosos no programa da BBC. Este material foi lançado como filme juntamente com algumas imagens de um especial (Monty Python's Fliegender Zirkus) de dois episódios em 1972 produzidos pela ARD TV (Ó só o nome inteiro desta sigla desgraça: Arbeitsgemeinschaft der öffentlich-rechtlichen Rundfunkanstalten der Bundesrepublik Deutschland), da Alemanha Ocidental.
E é de um trecho deste especial da TV alemã que uso como desculpa pra isso tudo ser publicado no De Primeira:
Respondendo à pergunta do título. Alemanha x Grécia pode não ser um clássico, mas este jogo entre alemães e gregos é, sim, um clássico.
Set 06
La versión Sudaka de G.S. Hooligans?
por Felipe Lessa01h24
Estreou essa semana no Chile o filme Raza Brava. A história é a de um torcedor do Colo-Colo que fica paralítico, mas, mesmo em uma cadeira de rodas, não deixa seu clube de lado e continua a fazer parte da Garra Blanca, a barra (torcida) mais querida e temida de los albos. Espero não ver o sensacionalismo do filme Green Street Hooligans. Ainda não assisti, mas fico na esperança de que a película forneça uma boa documentação sobre os BarraBravas.
Confira o trailer abaixo:
Jun 23
Além do futebol
por Jones Rossi00h21

O Fortaleza não anda lá muito bem, mas não poderia estar melhor representado nas telas. O documentário em curta-metragem "Loucos de futebol", do diretor cearense Halder Gomes, registra 23 minutos da torcida do Fortaleza, time do coração de Gomes.
Até aí, nada de diferente ao que muita gente já fez, mas, assim como um craque bate diferente na bola, o talento de Halder Gomes se sobressai dando uma visão única do ato de torcer, sob a ótica do povo cearense, também talentoso por natureza.
A câmera de Halder começa com planos gerais e aéreos do Castelão, apresentando a grandeza do estádio ao espectador. Aos poucos, porém, Halder passa a focalizar o torcedor (in)comum, artigo fácil entre o povão do Fortaleza. Cada depoimento é uma pérola, graças aos personagens bem escolhidos por Halder, que aparece em vários momentos na arquibancada, sofrendo pelo time.
O filme mostra alguns planos impressionantes do Castelão tomado de gente. Parece o Maracanã. Parece o Canal 100 mostrando a torcida, mas com mais sensibilidade. Há um momento, coisa de cineasta habilidoso, em que Halder baixa o som ambiente e filma o rosto dos torcedores durante o jogo apenas com uma trilha incidental ao fundo. As expressões de alegria e sofrimento entram e saem de foco na hora certa, mostrando o drama pessoal de cada torcedor naquele momento. Nunca vi a essência do futebol - o microcosmo de que se compõe cada partida - tão bem retratado. É mais ou menos o que Philip Parreno e Douglas Gordon fizeram com Zidane no filme "Zidane, um retrato do século XXI". Só que Halder guardou tal distinção para o torcedor.
É bom falar aqui um pouco sobre Halder Gomes. Professor de artes marciais, com R$ 150 mil reais, sem ajuda do governo, rodou o filme "Sunland Heat", filmado parte em Los Angeles e parte no Ceará contando com a ajuda de atores que conheceu quando foi dublê em Hollywood. Vendeu o filme para vários países e ano passado foi convidado, com um orçamento de US$ 1 milhão, a rodar "The Morgue", filme de terror com gente como Bill Cobbs e Heather Donahue, atriz principal de "A Bruxa de Blair".
Torcedor do Fortaleza, teve um primo morto no Rio de Janeiro pela torcida organizada do Botafogo, em uma emboscada. É para ele que Halder dedica o filme.
Abr 21
A Palavra Errada
por Equipe De Primeira17h10
por Leonardo Bonassoli
A palavra errada num ambiente específico pode trazer problemas. Isso aconteceu certa feita com dois amigos meus.
Jorge Takao Saito - hoje na Nova Zelândia - fazia um documentário (muito bom por sinal) sobre torcedores de futebol, como seu TCC em Jornalismo. Como fiel escudeiro dele, ajudando a filmar e a carregar as coisas, Jackson Sardá, que está em Israel e fez 30 anos no último dia 18. Ambos foram para a Sede da Império, levando os equipamentos de vídeo e a missão de achar algum torcedor Coxa ferrenho na sede da torcida.
Fisicamente, os dois são o que chamamos de baixinhos. Em uma briga aleatória, pouca gente apostaria neles, até pelo gênio dos dois, gente boníssima, aparentemente sem a fagulha violenta que acompanha os grandes brigões da história da humanidade.
Eis que eles chegam no recinto e Jorge faz a pergunta que poderia ter custado a integridade física dos dois:
- Poderia falar com algum torcedor fanático¹ do Coritiba?
Sem que ele tivesse tempo de perceber seu ato falho, levanta um sujeito espadaúdo, de uns 2 metros de altura, três de largura e cara de poucos amigos, que aponta o dedo para a face de Saito e vaticina:
- Aqui não tem fanático nenhum, aqui é a Império!!!
Com certeza, deve ter passado o filme da vida pelos olhos de nossos heróis, mas ficou por isso mesmo, o trabalho pôde ser desenvolvido e eles estão por aí espalhados pelo mundo para contar essa história.
---
1: Para os não iniciados em Futebol Paranaense, eu explico que Fanáticos é o nome justamente da principal torcida organizada do grande arqui-rival figadal do Coritiba: o Atlético.
Fev 14
Papai bate um bolão
por Jones Rossi01h34

Desde 'Fuga para a vitória' que os americanos não faziam um filme tão idiota e engraçado sobre futebol. 'Kicking & screaming' é o título original de 'Papai bate um bolão', filme que traz Will Ferrell e Robert Duvall nos papéis principais.
Produzido por Judd Apatow, atualmente considerado um gênio em Hollywood por causa de filmes como 'O virgem de 40 anos' (não estamos falando de nenhum dos coxanautas) e 'Ligeiramente grávidos', o filme traz todas as piadas imbecis que os americanos podem fazer sobre o soccer. Claro, graças a Will Ferrell, a maior parte delas funciona.
Sempre considerado um loser por seu pai (Robert Duvall), Ferrell acaba virando o treinador dos Tigers, que vem a ser o time de futebol da piazada do bairro. Ele ganha ajuda de Mike Ditka, famoso nos Estados Unidos por ser ídolo de algum esporte jogado com uma bola não redonda ou com as mãos. Espertamente, Ditka recruta dois garotos italianos para o time, que finalmente passa a vencer. O lema do time se torna "passe para os italianos".
Aí vem aquelas cenas de futebol tipicamente feitas por americanos, com todo tipo de sortilégio malabarístico nas jogadas, como bicicletas e embaixadinhas, ou traquinagens à la Didi Mocó Sonrisépio Colesterol Novalgino Mufumbo. São, evidentemente, as melhores partes do filme.
Conforme os Tigers de Ferrell avançam, eles ficam mais perto da final contra os Gladiators, do personagem de Duvall. Nesta parte o filme chega ao ápice, com Ferrell perdendo o psicológico. A cena da preleção do jogo semifinal é absurdamente boa, com Ferrel mostrando o lado Grêmio-RS de jogar futebol, orientando a molecada a dar carrinho por trás na altura do joelho, quebrar a clavícula e outras jogadas filosoficamente pertencentes à escola gaúcha do ludopédio.
É claro que rola uma mensagem final ao estilo He-Man sobre vencedores e perdedores, mas nada que abale o resultado de uma película de tão boa qualidade. Destaque ainda para a cena em flashback na qual Pelé, durante jogo no Cosmos, chuta a bola na arquibancada.
Site oficial e trailer do filme
Mais Will Ferrel aqui
Dez 27
Fome de bola
por Jones Rossi12h08

Sabe aquela velha história de que existem poucos filmes nacionais que tratem de futebol? Pois bem, não é verdade. A prova é o livro "Fome de bola – cinema e futebol no Brasil" (Imprensa Oficial, 486 pgs, R$ 9), do crítico de cinema do jornal O Estado de S. Paulo e torcedor do Santos ("não perco um jogo na Vila Belmiro") Luiz Zanin Oricchio. "Eu quis exatamente investigar a fundo essa questão. E fiquei agradavelmente surpreso com a extensão e qualidade da nossa produção cinematográfica relacionada com futebol", disse.
Para Zanin, a extensa produção tem aumentado nos últimos anos. "O futebol está recebendo atenção maior dos cineastas, que perceberam a importância simbólica e material que ele tem." Um exemplo citado é o filme "O ano em que meus pais saíram de férias", que, apesar de não ter o futebol como tema central, tem como pano de fundo a Copa de 1970. A história é adaptada de um conto de Luiz Schwarcz, "Minha vida de goleiro".
Em seu livro, Zanin derruba o mito da falta de produção cinematográfica listando uma série de filmes, que surpreendentemente começa em 1907, com a filmagem da entrega das taças aos campeões paulistas de futebol, um documentário em curta-metragem que mostra o São Paulo Athletic Club, campeão daquele ano. Até 1950, os documentários, na verdade cinejornais que seriam os precursores dos nossos programas e transmissões esportivas, eram maioria. Mas a partir da tragédia de 1950 o futebol se tornou tema também de filmes de ficção e ganhou importância dentro das tramas.
Santos, Pelé e Seleção Brasileira se tornam assuntos recorrentes. Em "O assalto", de 1962, a história começa com um garoto que quer ver Pelé jogar de qualquer jeito. No mesmo ano e no ano seguinte, ainda foram feitos os filmes "O rei Pelé", "Santos Futebol Clube, campeão do mundo" e "Garrincha, alegria do povo". Este último, segundo Zanin, é - ao lado de "Futebol", de João Moreira Salles, e "Subterrâneos do futebol", de Maurice Capovilla - o melhor documentário sobre futebol brasileiro já realizado. "São filmes mais sociológicos, que tentam entender qual é a função social do futebol".
O livro ainda traz entrevistas com cineastas fundamentais como João Moreira Salles, do já citado "Futebol" e Djalma Limongi Batista, de "Asa branca", entre outros. Ugo Giorgetti, diretor de Boleiros I e II, também foi entrevistado. "Giorgetti é um grande contador de casos do futebol, coisa que ele faz melhor do que ninguém. E nesse segundo 'Boleiros' ele dá um passo adiante em relação ao primeiro, e ele trata desta questão do futebol globalizado, que é o futebol que tira os craques brasileiros e leva para o exterior."
Mas se a produção está aumentando, por que o público não corresponde? "Pelé eterno" levou apenas 250 mil pessoas ao cinema, quando eram esperadas pelo menos duas milhões. Zanin explica o fenômeno repetindo uma história contada a ele pelo cineasta e produtor Luiz Carlos Barreto. "Uma vez ele tentou vender um filme de futebol para a Inglaterra, um país de gente tão fanática pelo esporte como os brasileiros, e ouviu a seguinte explicação do distribuidor: o homem, durante toda a semana, lê sobre futebol no jornal , ouve futebol no rádio e vê futebol na TV. Quando chega o final de semana, quem escolhe o cinema é a mulher, que já não agüenta mais futebol, vê o futebol como um inimigo. Mas eu vou ao estádio e pela quantidade de mulheres acho que isso está mudando."
Texto publicado originalmente no blog Extracampo
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Gené, um brasileiro. Parte 2
Futebol em Cuba: um esporte de laboratório
Nov 13
O Caminho dos campeões
por Equipe De Primeira11h48
A Portuguesa, adversária do Coritiba hoje à noite, busca seu segundo acesso na temporada. No primeiro semestre, passou da Série A-2 para a A-1 do Campeonato Paulista. Retorno que ganhou documentário, produzido pela Quero-Quero Filmes, O Caminho dos Campeões, e que merecerá versão estendida em 2008 para concorrer em festivais de cinema.
Não vou entrar no mérito de quão patético é fazer um filme para celebrar a volta da segunda para a primeira divisão estadual. Mostra como é chatinha e pequeneninha a tal da Lusinha.
Valor fuebolístico à parte, o vídeo parece ser bacana, como mostra o teaser aí embaixo. Graças a Vágner Benazzi, rei do acesso no futebol paulista e técnico da Lusa. Em entrevista à Folha de S. Paulo há dois meses, o diretor Eduardo Barioni o chamou de "Brando de Osasco".
Deixando os exageros de lado, Benazzi é o personagem central dessa Lusa. A alma de um time forte, jovem e que chega junto sim. A intensidade do treinador é tamanha que seus palavrões obrigaram o filme a ser enquadrado como inadequado para menores de 12 anos.
Onde quero chegar com isso tudo? Benazzi poderia ter sido o técnico do Coritiba neste ano. Esteve muito perto de acertar com o Coxa, mas preferiu renovar com a Portuguesa, clube que havia livrado da Série C do Brasileiro no ano passado. O que mostra como a atual diretoria conseguiu queimar o filme Alviverde nos anos da desgraça de 2005 e 2006.
Benazzi certamente teria dado certo no Coritiba. Afinal, sua essência é a mesma de René Simões. Sabe unir o grupo, trazer o torcedor para o seu lado e montar um time bom o bastante para subir sem muito susto. A diferença está no estilo. Sairia o ar acadêmico do Robin Williams da Baixada Fluminense, entraria a paixão do Brando de Osasco.
Postado por Leonardo Mendes Júnior (ih, esqueci a senha!)