Marcelo Caldarelli e Aurélio Almeida sonham em se tornar celebridades. São daqueles caras que a todo o momento fazem algo para aparecer, mesmo que seja uma breve tacada pitoresca. No momento do retorno destas duas personalidades, a vida social de Londrina e Grêmio de Maringá voltou a ser bombástica. Deixa rastro em tudo. Quem sabe, também não dá a sentença: Clássico do Café apenas nos bastidores. Esperando ver quem protagoniza a cena mais cômica do futebol paranaense.
O desenhista Mike Judge, se tiver o interesse de entrar no ramo da pelota, talvez poderia retratar um pouco de histórias parecidas com as dos personagens de Galo e Tubarão em novos episódios de Beavis & Butt-Head.
Afinal, as bizarrices cometidas pela dupla remetem o espectador a desconstruir toda imagem do futebol, para depois reconstruí-la. Basta pensar profundamente sobre cada estupidez cometida por pessoas anônimas desesperadas pela vontade de se tornar públicas. Isso aguça o instinto do povo – até quando este resolve copiar um personagem esquisito e colocá-lo em prática no mundo real.
Nem mesmo a mudança no perfil dos dois seria necessária. Bastava que o roteirista do possível desenho mantivesse os jovens bizarros e pervertidos.
Sedentos por descarregar todo fracasso amoroso acumulado em Highland, Beavis & Butt-Head tentariam se aventurar no interiorzão do Paraná. O objetivo seria “se dar bem” no futebol e finalmente faturar uma garota.
Butt-Head pensaria em algo grande. Alguém poderia dizer que ele tinha dom para ser o salvador do futebol paranaense, que havia uma dupla com 6 títulos estaduais, 1 Taça de Prata, 1 Taça Roberto Gomes Pedrosa e uma 4ª colocação na primeira divisão do nacional prestes a realizar fusão, e ele prontamente acreditaria ser a pessoa certa para comandar o time.
Na saída do Burger World, filial norte-pr, o garoto passaria o migué em Beavis,um pseudo-recente-comunista-velho-camarada-de-falcatruagem que numa outra encarnação havia defendido a Seleção Brasileira. “Estamos sem grana no bolso, mas podemos cobrar R$220 de gordinhos e excluídos. Juntamos a grana e faturamos as garotas. Come to Butt-Head, baby. Hoho ohohoho ohohoh”. E assim estava montado um time com tempero de frango e sardinha para a disputa de qualquer campeonato que aparecesse.
Nos vídeos que intercalam cada episódio, histórias do futebol nortista sendo retratadas. Desta vez, Judge colocaria vídeos notáveis do Canal 100 ao invés de clipes, mantendo apenas o saudoso Rock´n´Roll ao fundo. Mudar de canal, ou não, seria a resposta positiva ou negativa para alguma reportagem.
- “ Hehe hehe hehe. Esse time tem sardinhas. A mascote desse time é a fêmea do Tutubarão. Poderia me dar mole”, diria Beavis, estrepado na aconchegante sala de casa. Prontamente ele seria retrucado por Butt-Head.
- “Shut up, Beavis. Sardinha é sua mãe, que nem conhece o VGD e faz parte da chapa presidencial. Hoh ohohoh oh ohoh ohoh”
No audacioso projeto de Beavis & Butt-Head, algumas fêmeas são convidadas a trabalhar em seu time. Seriam gandulas dos jogos, nas tardes dominicais. Excitariam os garotos com os elogios recebidos das arquibancadas.
Na angústia para que tudo dê certo (saia na imprensa), bastaria também contratar um ator global, incendiar o interior com promessas envolvendo celebridades, grandes equipes e dar tiros para o alto. Pronto! Era a chance de juntar influência na cidade sardinha de galinha e faturar. Tom Anderson, Stewart Stevenson e até mesmo o treinador Buzzcut seriam parceiros – acreditando nas pretensões dos garotos em salvar o futebol local.
Com a grana em mãos, os jovens convidam as modelos gandula para um jantar regado a nachos e cervejas trocadas em permuta com contribuintes do clube: o Londringá. No entanto, ao perceber que as geladas não tinham álcool, Beavis degusta uma enorme quantidade de café e açúcar no refeitório do Burger World – local onde ainda trabalha, apesar das moedas do clube sempre serem esquecidas no bolso. Surge o diabo loiro. Ele fica enlouquecido, delirante. Tapa sua cabeça com a camisa e começa a gritar de forma demente, sem se calar: “Great cornolhio! Great cornolhio! Great cornolhio!”
Receosos, os donos da lancheria convocam a polícia. Essa bebida não estava presente no contrato de permuta, por isso Beavis & Butt-Head tomam uma dura e vão em cana. As garotas deixam o recinto e seguem para casa. O dinheiro dos contribuintes é utilizado no pagamento da fiança.
Com sorte, a dupla pensaria em nova chance de reerguer o futebol do norte para faturar alguém. Talvez utilizando cabeças de gado de desconhecidos ou emprestando carros de concessionárias para suposta premiação de bingos picaretas. Com azar, uma dupla de toupeiras poderia levar o caso a sério, imitar os jovens e os dois times fechariam as portas. Mas se Mike Judge gostar da idéia, com sorte ou azar, o Clássico do Café dos dias atuais pelo menos ainda teria suas histórias bizarras, mas no foco do povo. “Hehehe heheh heheh”. “Ho hoh ho h oh oh”.
Sempre que o Corcel I de Marcos Reis da Silva desfila pelas ruas de Londrina, é alvo dos olhares curiosos de pedestres e motoristas. Alguns gritam, outros acenam sorridentes ou até mesmo chegam a desacreditar no que estão vendo. Foi com o veículo modelo 76 que o vidraceiro de 40 anos, conhecido pelo apelido de Migrão, encontrou a melhor forma de homenagear o time de coração: o Londrina Esporte Clube. O carro velho, mas muito bem conservado, é todo estilizado com as cores do Londrina. São 18 tubarões, o mascote do time, pintados na lataria.
Carinhosamente apelidado por amigos como “Tuba Móvel”, o Corcel I de Migrão é a grande atração nos dias de jogo, quando transita pelas redondezas do Estádio do Café, na zona norte de Londrina. O proprietário inclusive deixou de sair para as ruas apenas em ocasiões especiais para ajudar a divulgar o clube.
“Todo mundo gosta e acaba se animando com o Tubarão. Quem olha acha até mesmo que somos funcionários do Londrina. Muito pelo contrário, os diretores do LEC nunca nos procuraram para envolver o carro em alguma ação do clube pela cidade, algo que eu faria com prazer e jamais cobraria”, lamenta.
Para conservar aquele que considera ser seu xodó em bom estado, o carro é religiosamente lavado aos sábados. Por precaução, é o próprio Migrão quem passa água, sabão e encera o veículo. “Dá uma agonia deixar lavando fora, pois nunca se sabe qual o time da pessoa que fará o serviço. Se o cara for cabeça meio fraca, risca meu Tuba Móvel. Aí eu morro”, conta ele, que diariamente também faz pequenas limpezas no seu Corcel. “Tem que conservar, né. Sonhei com essa caranga desde que comecei a torcer pelo LEC. Agora que eu tenho, é pra vida inteira”, enfatiza.
A paixão de Migrão pelo Londrina surgiu em 1976. Após acompanhar uma rodada dupla, onde o time de juniores enfrentou o Matsubara e o profissional duelou contra o Vasco da Gama, no Estádio do Café, o torcedor afirma que jamais abandonou o Tubarão. “Foi quase um casamento. Desde então, o azul e branco faz parte da minha vida. É com o LEC que estou na alegria e nas tristezas, na saúde e na doença. E assim vai ser até o dia que eu morrer”.
Esses laços afetivos foram tão fortes que há três anos Marcos trocou sua antiga motocicleta pelo carro. “Foi uma forma de homenagear o Tubarão e retribuir tantas conquistas que o Alviceleste me deu”.
Para decorar o carro, Marcos pediu ajuda ao amigo Sidney Branco, que saiu de Curitiba, onde mora, só para ornar o Corcel I de Migrão em Londrina. “Ele passou uma semana fazendo as ilustrações sem cobrar nada. Quando tudo ficou pronto, eu queria ficar andando com esse carro pela cidade inteira, sem parar. Gastei horrores de combustível nos primeiros dias, só para mostrar aos londrinenses o quanto eu estava orgulhoso do meu carro do Tubarão. Mas como eu não sei dirigir, quem boléia é a minha namorada”, ressalta.
No volante Pouco antes de adquirir o Corcel I, Marcos passou a namorar a gerente administrativa Flávia Fernandes Navarro, de 28 anos. Apesar de terem se conhecido nas arquibancadas do Estádio Vitorino Gonçalves Dias, em um jogo contra o Atlético, pelo Campeonato Paranaense, ela conta que ficou um pouco espantada com a idéia de estilizar o carro.
“Na época era algo fora da minha realidade, mas totalmente dentro da dele. Eu apoiei, só que era estranho sair dirigindo um carro totalmente pintado com símbolos e mascotes do Londrina. Muita gente acha que sou doida. Até comentam como que pode uma mulher ser tão fanática por um time de futebol. Eu me espantava. Mas hoje, eu me divirto”, conta Flávia.
Segundo a namorada, Migrão só permite que outra pessoa dirija o Tuba Móvel se for tão fanática pelo LEC quanto ele. “Geralmente sou eu que estou com o carro. Mas o Marcos já deixou alguns amigos da torcida o dirigirem”. A fala de Flávia é completada pela do proprietário: “Tenho que conhecer bem a pessoa e saber que ela vai tomar tanto cuidado com o carro quanto se deve tomar pelo manto alviceleste. Não é algo tão simples assim”, diz.
Apesar das campanhas do Tubarão de hoje não serem como a do Brasileirão de 1977 (quando chegou em quarto lugar e ganhou o apelido de Tubarão em referência ao filme de Steven Spielberg, coqueluche das telas naquele ano) e a do Paranaense de 1992 (quando o clube conquistou o último título de expressão na final caipira contra o União Bandeirante), o vidraceiro afirma que gasta 40% de seu salário com o clube do coração – incluindo o carro.
Compra camisas, quadros, bandeiras e também segue religiosamente o Londrina não só no Estádio do Café. Jogue onde jogar o Tubarão, e o vidraceiro lá estará. Apesar de já ter viajado o Brasil inteiro para acompanhar o Tubarão, Marcos ainda tem receio de colocar seu Corcel I na estrada. “Ultimamente o público do futebol ficou muito violento e ainda tenho medo de ir até o estádio de outro time com meu Tuba Móvel. Nunca agredi, nem joguei uma pedra que seja em alguém. Mas vai saber o que pode acontecer, não é? Qualquer dano nesse carro seria tão doloroso quanto um rebaixamento do time”, explica.
No entanto, não descarta a possibilidade de encarar uma viagem com o carro. “Quem sabe se o Londrina for jogar uma final de campeonato em algum lugar onde as torcidas já terem amizade, aí dá pra encarar esse passeio. Seria um novo orgulho para mim, que gosto de festa, alegria e odeio brigas”, diz.
Sobre o fato de a equipe estar na série D do Campeonato Brasileiro e ter caído para a série B do Paranaense esse ano, Migrão acredita que a reviravolta desse quadro está na própria torcida. “Já passou muito jogador bom por aqui. Eu vi Elber, Paulinho e Carlos Alberto Garcia. Agora estamos nessa situação, lutando para sobreviver. Mas tenho fé de que no dia em que torcedores de verdade assumirem o Londrina, a cidade voltará a apoiar em peso nas arquibancadas”, confia o torcedor.
Para Migrão, que já pedalou 600 quilômetros de bicicleta até Santa Catarina para pagar uma promessa pela conquista da Copa Paraná 2008, agora é o momento de manter a fé para o sucesso do clube na quarta divisão do Brasileirão. No entanto, quando desafiado pela namorada Flávia e por amigos da Falange Azul - organizada do clube - a tirar sua carteira de motorista caso o LEC suba para a Série C do campeonato nacional, ele ainda prefere a precaução.
“Tem que ter calma nessa hora. Eu sou muito ruim de boléia e se eu bato esse carro, ia ficar em depressão eterna. Por enquanto eu prefiro ficar na carona com a namorada ou andando de bicicleta. Mas vamos ver. Quem sabe na reta final do campeonato eu não me anime”, brinca o torcedor.
Fluminense apresentou novos uniformes nesta segunda-feira. Detalhe para o número 2, com duas faixas diagonais.
Eis, então, algumas perguntas que surgem.
O Vasco foi o primeiro clube brasileiro a usar faixas diagonais? Os torcedores cruz-maltinos farão piadas sobre a 'cópia'? É verdade que o Vasco adotou esta faixa quando foi treinado por um argentino, que queria homenagear o River Plate? Esse uso dos millonarios tem a ver com o caminho diagonal que os europeus fizeram para chegar ao centro do mundo (Buenos Aires)?
O Peru copiou quem?
A Ponte Preta usava antes do Vasco? E o uso do uniforme alvinegro listrado verticalmente no primeiro título de sua história este ano pode fazer com que os torcedores pensem que a faixa diagonal dá azar? Eu fui influenciado pelo bom momento ponte-pretano ou pelo poder paulista quando ao final da década de 70 eu achava que time preto e branco com faixa diagonal era a Ponte e não o Vasco?
Será que um post com tantas perguntas atrairá bons comentários?
Para ajudar a resgatar e debater o passado do Atlético Paranaense, a torcedora Milene Szaikowski teve a ideia de promover encontros periódicos com torcedores rubro-negros. Chamado de Círculo de História Atleticana, já vai para a quinta edição e os melhores momentos das quatro primeiras reuniões estão relatados no blog http://circuloatleticano.wordpress.com. Para quem quiser saber mais sobre o Furacão, vale a pena a visita para achar posts como este:
O Coronel Os torcedores mais novos talvez não saibam, mas o grito mais marcante da torcida atleticana, foi criado por um torcedor conhecido como Coronel. Ele era um guardador de carro que sempre estava nos jogos do Atlético na Baixada e tornou-se um personagem folclórico das arquibancadas.Em 1988, num dos jogos da final contra o Pinheiros, no Pinheirão, ele pela primeira vez puxou o grito:
A-TLÉ-TICOOOOOOOOOOOO
Começava gritando baixinho e pausadamente, até que aquele grito ia crescendo e se tornava forte. A torcida entrou na onda e o grito pegou. Neste primeiro jogo, foi meia hora pelo menos, gritando A-TLÉ-TICOOOOO sem parar.
Ando com bloqueio e os posts se acumulam no mínimo duas vezes por semana. Mas vi um vídeo agora que nao sai da minha cabeça.
Nesse sábado estava em Lisboa (nao é nada chique passar 14 horas dentro de um ônibus onde é proibido comer e o assento reclina dos 90 até uns 85 graus do chao) jantando com um torcedor do Sporting (nao é o que vocês estao pensando) que nao curte futebol porque nao vê graça em 22 homens correndo atrás de uma bola. Comi arroz e feijao pela primeira vez em três meses e desde entao me afundei em uma depressao saudosista com direito a inveja do povo alagado na Avenida Pompéia. Ele admitia pra mim que o Sporting é o time dos mauricinhos, enquanto eu desenhava na toalha (de papel) da mesa o esquema 3-5-2 do Muricy, e como ele estava experimentando um 4-4-2 esse ano, e o português dizia "por que diabos eu estou falando sobre futebol?" E depois fui mostrar pra ele o esquema tático do Deportivo La Coruña e ele perguntou "quem era o português que jogou lá?". Como eu nao sabia, enviei um SMS para o meu amigo espanhol dizendo "Pregunta urgente: cual fue el portugués que jugó en el Dépor?" (aí acabou meu crédito e hoje tive que correr atrás de orelhao e orelhao aqui também nao funciona).
No dia seguinte, na parada do ônibus noturno sem banheiro sem travesseirinho sem cobertorzinho (preciso dizer que leito nem deve ter traduçao pro espanhol?), o motorista Miguel viu seu Porto empatar com o Benfica em um a um, e eu torcendo pra dar empate mesmo, porque peguei raiva de time grande e quero que os clássicos se explodam (mas domingo o Tricolor vai ganhar e 10% do Morumbi é justo).
Ontem nem vi o que passou porque viajar 12 horas durante a noite num veículo onde se faz um calor infernal em pleno inverno ibérico (ok, nao é a Finlândia, mas faz frio) é sinônimo de nao dormir. Só me lembro que o catalao sentado ao meu lado estuda História da Arte em Santiago de Compostela e odeia o Barcelona e repetiu três vezes que nao sabia qual era a graça de 22 caras correem atrás de uma bola (Ferran, dejaste tu libro en el autobús, yo lo tengo conmigo, si lo quieres avísame, vale?)
E hoje nao consigo ver o jogo contra a Itália (já acabou?) porque o jornal nao tem banda suficiente pro justin.tv. Mas a Globo me deixou ver o gol do Robinho e eu consegui dar replay umas 10 vezes até que recebi o seguinte aviso: "Os direitos de exibição deste conteúdo restringem sua visualização ao território brasileiro". Sorte que os italianos já colocaram o vídeo no YouTube e eu reproduzo aqui porque era esse o tema do meu post.
É óbvia a graça de ver o Robinho correndo atrás da bola perdida pelo Gaúcho, recuperando a maledetta e fazendo três italianos correndo atrás dela feito baratas tontas. Ou é só comigo?
PS1: Andrade e Pauleta sao dois portugueses que se destacaram no Dépor (Pauleta dá um pouco de raiva nos torcedores porque nao jogou bem lá, mas é um craque). Atualmente, Zé Castro veste a camisa 5.
PS2: Meu amigo do SMS diz que o Robinho é um craque sim, mas que só arrisca jogadas como essa quando o time dele está ganhando, e que isso o deixa "hasta los huevos" (um "me deixa por aqui" que nao requer o sinal da mao atravessando a testa). O Djalminha, por sua vez, arriscava o pescoço mesmo num 0 a 0 e é por isso que 95% dos torcedores do Dépor, quando me conhecem, mencionam o nome dele antes da dupla Bebeto-Mauro Silva (esses dois últimos ganham a preferência de quem gosta dos jogadores comportados). Quem concorda levanta a mao.
PS3: Este é o primeiro post fisicamente interativo da história da Internet! Pegue uma caneta marca-texto e desenhe na sua tela todos os "tils" que estao faltando. Tire uma foto da sua tela e a envie para deprimeira(arroba)gmail.com. O primeiro que enviar a imagem com 100% de acertos ganhará um jantar com Felipe Lessa. Um, dois, três... Valendo!
Há uns dois anos (talvez mais ou menos, não lembro), a revista de música Blender publicou uma lista dos 50 maiores malucos do mundo pop.
Li a divertidíssima relação e comecei a esboçar algo do mundo do futebol. Listei alguns nomes, desenvolvi uma meia dúzia e larguei mão.
Semana passada, resgatei a lista aqui no laptop, completei os nomes que faltavam, desenvolvi uma historinha para cada um e, bingo!, fiz o ranking. Que inicialmente eu publiquei em pílulas lá no Arquibancada Virtual e agora solto de uma vez só aqui no DP, com duas alterações após lembranças muito bem-vindas do amigo Juan Saavedra.
50 Maradona O conjunto da obra do argentino é vasto, mas nada supera a agüinha batizada entregue para Branco no Brasil x Argentina da Copa de 90. Merece abrir o ranking.
49 Espíndola O argentino do L.A. Galaxy acaba de ganhar sua credencial de maluco – e de mané. Ao comemorar um gol seu com uma cambalhota, quebrou a perna direita. Pior, o gol foi anulado.
48 Guilherme Trombador e goleador, mostrou todo seu amadorismo como bad boy ao quebrar o braço pulando o muro da concentração.
47 Evaristo de Macedo Excelente contador de histórias, Evaristo tem uma lendária de quando treinava o Corinthians. Com o clube em crise financeira e o dólar nas alturas, reuniu os jogadores para defender o salário “verdinho” de Rincon e Gamarra. Após dizer que os estrangeiros tinham razão em exigir seus direitos, pediu que eles saíssem da sala. Diante apenas dos brasileiros, soltou: “Esses gringos são mercenários pra caralho, hein..”.
46 Carlos Roa Titular da seleção argentina na Copa de 98 e do emergente Mallorca, abandonou a carreira no auge porque sua religião o proibia de trabalhar aos sábados.
45 Nélson Patola Ícone do sofrível Botafogo dos anos 90, o volante ganhou fama por dar uma “vistoriada” nos documentos de Rogerinho, volante do Fluminense.
44 Catê Revelado pelo São Paulo de Telê, teve a grande chance sua carreira ao ser contratado pela Sampdoria, da Itália. Para comemorar a chegada ao calcio, tomou um porre com os novos amigos italianos. Acabou na delegacia.
43 Júnior Baiano Quando jogava pelo São Paulo, conseguiu ser suspenso por gesticular que o árbitro Oscar Roberto Godói estava bêbado apitando um São Paulo x Corinthians.
42 Jardel Gols de cabeça e frases de efeito eram as especialidades do atacante. A ele são atribuídas pérolas como “Clássico é clássico, é vice-versa” e “Quando o jogo esquenta sobe a minha naftalina”.
41 Viola Gente que passa a vida inteira falando de si mesmo em terceira pessoa não pode ser normal.
40 Oséas Escanteio para o Corinthians. Oséas volta para ajudar na marcação na zaga do Palmeiras. Bola na área, Oséas sobe e... manda para o gol. Depois do jogo, o atacante das trancinhas disse ter achado que estava no ataque.
39 Mário Sérgio Por garantia, gostava de ir ao estádio e para a concentração armado, hábito que, dizem, manteve como treinador.
38 Anselmo Entrou na final da Libertadores de 1980, contra o Cobreloa, com um único propósito: acertar um soco no chileno Mario Soto, que havia batido em Zico nos três jogos da final. Cumpriu sua missão. E foi expulso.
37 Djalminha Perdeu a convocação para a Copa de 2002 por dar uma cabeçada em John Toshack, seu técnico no La Coruña.
36 Gilmar Fubá Como se já não bastasse o apelido por causa das mamadeiras de fubá que sua mãe lhe dava quando criança, Gilmar foi alvo de uma disputa inusitada entre Marcelinho Carioca e Vampeta. Durante o dia, ia ao culto religioso com o camisa 7; à noite, caía na balada com o volante. “Era como se eu tivesse um anjinho num ombro e um capetinha no outro”, dizia.
35 Marcinho Artilheiro e ídolo do Flamengo, comandou uma festinha bem animada na região de Belo Horizonte, que terminou com uma prostituta acusando o atacante de agressão e dois divórcios no elenco rubro-negro.
34 Edílson No ápice da rivalidade entre Corinthians e Palmeiras, fez uma série de embaixadinhas na final do Paulistão-99 que transformou o gramado do Morumbi em um ringue de telecatch.
33 Materazzi O zagueirão italiano é um dos maiores carniceiros da história do futebol mundial. Mas entra aqui mesmo por ter conseguido tirar o zen Zidane do sério em uma final de Copa do Mundo, na última partida do craque franco-argelino como profissional.
32 Guilherme e Jajá Companheiros do Coritiba, trocaram socos e pontapés em pleno Maracanã, contra o Flamengo. Acabaram expulsos.
31 Valdiram O atacante que já defendeu Cianorte, Vasco e jogou no futebol português tem também no currículo duas prisões por tentativa de estupro e outro por agressão a uma namorada.
30 Piá Revelado pelo Santos, o meia já esteve preso por tráfico de drogas e foi a julgamento em um júri popular por suposta participação em um assassinato.
29 Renato Gaúcho Prometeu desfilar nu em Copacabana se o Fluminense caísse para a Série B em 96. O Flu caiu – virou a mesa, é verdade --, mas Renato, graças a Deus, não cumpriu a promessa.
28 José Roberto Wright Antes de se tornar um enfadonho comentarista de arbitragem, Wright fez suas maluquices. Nos anos 80, foi apitar um Flamengo x Vasco com um gravador escondido sob o uniforme. Registrou as nada gentis conversas entre árbitro e jogador numa partida de futebol.
27 Cleisson O volante atualmente no Ceará surtou quando descobriu que Palhinha, seu companheiro de Grêmio, tinha um caso com a mulher do goleiro Danrlei. Quando os dois jogavam no Cruzeiro, Palhinha freqüentava a casa de Cleisson, que, por via das dúvidas, deu uma surra no camisa 10.
26 Vampeta Ligeiramente aperitivado, deu uma cambalhota na rampa do Palácio do Planalto durante a recepção do presidente Fernando Henrique aos pentacampeões mundiais de 2002.
25 André Catimba A sua desastrosa comemoração pelo gol do título gaúcho do Grêmio sobre o Internacional, em 1977, é uma das imagens mais famosas do futebol brasileiro. Ao tentar dar uma cambalhota, perdeu a passada do pulo e caiu de peito no chão. Machucado, teve de ser substituído.
24 Ronaldo Sinceramente. Alguém que pega a Cicarelli, a Lívia Lemos, as Ronaldinhas, a Raica e mais uma seleção de modelos e ainda assim sai com três travestis não pode ser considerado normal.
23 Higuita Assinou seu atestado de insanidade ao tentar sair driblando em uma prorrogação de Copa do Mundo – perdeu a bola, levou o gol e a Colômbia foi eliminada. E renovou com a defesa do escorpião, em Wembley. Não satisfeito, já aposentado, recauchutou totalmente a lataria bancado por um programa de tevê do seu país.
22 Domingos Na épica Batalha dos Aflitos, Domigos perdeu o controle ao ser expulso. Possesso com o árbitro Djalma Beltrame, arrancou um batente da porta do vestiário dos Aflitos e saiu quebrando tudo que via pela frente – piá, espelho, banco – aos gritos de “Estão nos roubando”. Precisou ser contido pelos membros da comissão técnica que estavam no vestiário gremista.
21 Matthaus Passou como um furacão pelo Atlético Paranaense em 2006. Em pouco mais de dois meses, brigou com o auxiliar na Ponte da Amizade, apanhou de fotógrafo, curtiu o carnaval carioca, teve uma amizade bem colorida com uma jornalista local e voltou para casa com o rabinho entre as pernas, para tentar salvar o casamento.
20 Serginho Chulapa Fazia gols com a mesma facilidade que se metia em confusões. Foi suspenso por 14 meses por chutas a canela de um bandeirinha, pisou na cabeça de Emerson Leão em um clássico paulista e, já como treinador, bateu duas vezes em jornalistas por não gostar de algumas perguntas feitas por eles.
19 Sílvio Luis O narrador da Band merece lugar nessa lista por uma passagem em sua biografia. Durante as transmissões de jogos do Napoli pelo Campeonato Italiano, nos anos 90, costumava narrar com o zíper da calça aberto e o pênis em uma das mãos. Ele reproduzia cada ação do atacante Careca em campo (caiu para a direita, caiu para a esquerda) em seu órgão sexual.
18 Dulcídio Wanderley Boschilla Com fama de briguento, Dulcídio era certeza de confusão sempre que era escalado para apitar uma partida. Em um Palmeiras x Portuguesa, mandou voltar três vezes um pênalti para a Lusa porque Emerson Leão havia se adiantado (isso nos anos 70!). Em outro jogo do Porco, expulsou todos os jogadores do banco de reservas porque eles estavam reclamando.
17 Cantona Confusões não faltam na vida do ex-craque francês. A maior delas foi dar uma voadora em um torcedor que o xingou enquanto ele deixava o gramado de Old Trafford.
16 Edmundo Uma dúvida paira sobre sua carreira: ganhou o apelido de Animal pelos gols e dribles ou façanhas como bater em um argentino e dar-lhe as costas ou ficar preso em um quarto de hotel por chutar a câmera de um cinegrafista equatoriano?
15 Fowler
Ídolo do Liverpool, o atacante inglês era chegado a algumas bizarrices: indignado por ter marcado a seu favor um pênalti inexistente – e sem conseguir ser ouvido pelo árbitro – errou a cobrança deliberadamente. Em outra ocasião, respondeu às acusações de que era viciado em cocaína “cheirando” a linha de fundo na comemoração de um gol.
14 Marinho Chagas Em campo, Marinho foi um ala antes mesmo de o termo existir no futebol mundial. Fora dele, era freqüentador assíduo de baladas homéricas, quase sempre ao lado do amigo Paulo César Caju. “Tenho 50 anos, mas vivi por 200”, definiu a Bruxa.
13 Josimar Seus dois foguetes de fora da área (contra Irlanda do Norte e Polônia) foram das poucas alegrias brasileiras na Copa de 86. O famoso trio balada-mulheres-dinheiro destruiu sua carreira e atrasou sua vida, mas o nosso camisa 13 está aqui por causa de uma das mais célebres frases do futebol mundial. Questionado sobre o que faria com o motoradio ganho de um emissora de rádio que o elegeu o melhor em campo, não pestanejou: “A moto eu vou vender e o rádio eu vou dar para a minha tia”.
12 Paulo César Caju Baladeiro de primeira, o ex-ponta de Botafogo, Grêmio e seleção brasileira escreveu em sua autobiografia que boa parte do time gaúcho se dopava quando foi campeão da Libertadores e Mundial. Pressionado pelos colegas e sem ter como provar a acusação, retirou o trecho do livro, em um grande mico editorial.
11 Romário Apesar da carreira pródiga em insanidades, Romário entra na lista por uma marotice de quando estava defendendo uma seleção brasileira de base. Ao ver o saguão do hotel ser invadido por turistas, o Baixinho posicionou-se estrategicamente e fez xixi na cabeça dos visitantes.
10 Índio Campeão mundial pelo Internacional, o zagueiro teve uma saída “de outro mundo” do Palmeiras em 2003. No intervalo de um jogo contra o Corinthians, começou a babar uma espuma branca e disse que estava com o diabo no corpo. Foi dispensado.
9 Sculli Sobrinho de um conhecido mafioso italiano, o atacante do Gênoa já chegou a fazer um gol em uma partida que seu clube deveria perder só para ganhar uma fatia do acerto. Também foi acusado de participação em fraude eleitoral e de ameaçar concorrentes em disputas amorososas, tudo em nome da máfia.
8 Heleno de Freitas Em 42, arrumou um tumulto com um jogador do Madureira chamado Lelé (olha a piada pronta) que exigiu a intervenção da polícia para ser resolvido. Por onde passou, arrumou confusão, muitas por conta da sífilis, contraída em suas muitas aventuras amorosas, que o fez morrer sozinho, em um sanatório.
7 Dé Aranha Atacante carioca dos anos 70, era famoso por suas artimanhas para enganar os zagueiros. Em um Bangu x Flamengo, atirou uma pedra de gelo na bola, enganando o zagueiro rubro-negro Reyes. Ele apanhou a bola livre, na área, e mandou para a rede. Também acostumava se abaixar na área em lances de escanteio e pegar um punhado de areia. Quando a bola vinha, ele jogava areia nos olhos do beque adversário e subia livre para cabecear.
6 Montebello Um dos hits do You Tube. Goleiro da Camboriuense, Montebello saiu preso e algemado de campo após uma confusão durante partida de uma divisão menor do futebol de Santa Catarina.
5 Gascoigne O alcoolismo o meteu diversas vezes em clínicas, delegacias e viagens esquisitíssimas. Dia desses, após matar três garrafas de uísque em um pub, garantiu ter recebido um telefonema do papa Bento XVI e feito uma ligação para George W. Bush.
4 Almir Pernambuquinho No livro Eu e o Futebol, se define de forma definitiva. “Quebrei a perna do Hélio, do América. Briguei com o time inteiro do Bangu na decisão do Campeonato Carioca de 1966. Paralisei o Milan num jogo em que o Santos se sagrou bicampeão mundial: dei um chega-pra-lá no Amarildo e chutei a cabeça do goleiro Balzarini. Agredi jogadores de outros times, briguei com tantos que até perdi a conta. Eu fui um marginal do futebol.”
3 Didi Facada Quando jogava no Internacional, foi preso por dar uma facada na stripper que contratou para dançar na festa de aniversário da sua mulher.
2 Paulinho Sumiu do Flamengo alegando que ia para o enterro do próprio filho. A mãe do volante negou, falou que o garoto estava bem. Depois Paulinho disse que o defunto era seu irmão. Novamente foi desmentido pela mãe. Terminou admitindo que o enterro era de um primo próximo. E ficou por isso mesmo.
1 George Best Em uma célebre frase, o ex-jogador do Manchester United definiu seu estilo errante de vida: “Metade do que ganhei eu gastei com mulheres, bebidas e carros. A outra metade eu realmente desperdicei.”
Eric Idle, Graham Chapman, John Cleese, Michael Palin, Terry Gilliam e Terry Jones. Deve haver na blogsfera leitores que pensarão que como estão lendo um blog de futebol, lá vai um post sobre o campeonato inglês a respeito de um time qualquer de tempos imemoriais. Mas prefiro pensar que todo mundo vai matar na cara que o que vem é algo a respeito do que de melhor saiu da Inglaterra desde Charles Chaplin no que diz respeito a humor. Humor de primeira. Humor De Primeira. Estes são os integrantes do Monty Python, um grupo que começou a revolucionar o humor inglês em 5 de outubro de 1969 a partir de um programa da BBC chamado “Monty Python’s Flying Circus”.
Não houve nada parecido antes e é digno de calculadora financeira o número de cópias que houve depois que estes seis ingleses passaram a se apresentar. Após duas temporadas de quadros primorosos, que deixaram os ingleses embasbacados com tanta genialidade, resolveram lançar um longa-metragem para o cinema em 1971 (And Now For Something Completely Different - E Agora Para Algo Completamente Diferente no Brasil) basicamente com quadros refilmados.
Tosco, porém espetacular, hoje é um cult movie. O programa teve apenas mais duas temporadas e em 1975 passou a ser transmitido nos Estados Unidos. Neste mesmo ano, financiado parcialmente com dinheiro de bandas de rock como Led Zeppelin e Pink Floyd, saiu o segundo filme: Monty Python and the Holy Grail (Em Busca do Cálice Sagrado, no Brasil)
Há dezenas de coisas espetaculares neste filme e prefiro insistir para que corram assistir. E digo isso tanto se você ainda não viu quanto se já viu algumas vezes. Este é um filme inteiro, com material exclusivo. Foi um sucesso e pagou com sobras as 150 mil libras que custou.
No ano seguinte, um documentário com apresentações esquentou o sexteto para o que viria três anos depois: Monty Python's Life of Brian (A Vida de Brian, no Brasil). Imagine um rapazinho chamado Brian que nasceu perto de Jesus Cristo e que passa a vida toda sendo confundido com o rapaz da dona Maria. O comentário para este é o mesmo do filme anterior. Levante esta bunð@ daí e vá ver! Vale a pena.
Enquanto filmavam Monty Python's The Meaning of Life (O Sentido da Vida, no Brasil), que seria lançado em 1983, gravaram uma apresentação para uma platéia cheia de sortudos no Hollywood Bowl, em Los Angeles, com os quadros mais famosos no programa da BBC. Este material foi lançado como filme juntamente com algumas imagens de um especial (Monty Python's Fliegender Zirkus) de dois episódios em 1972 produzidos pela ARD TV (Ó só o nome inteiro desta sigla desgraça: Arbeitsgemeinschaft der öffentlich-rechtlichen Rundfunkanstalten der Bundesrepublik Deutschland), da Alemanha Ocidental.
E é de um trecho deste especial da TV alemã que uso como desculpa pra isso tudo ser publicado no De Primeira:
Respondendo à pergunta do título. Alemanha x Grécia pode não ser um clássico, mas este jogo entre alemães e gregos é, sim, um clássico.