Out 16
O Império Sudaca na Copa 2010
por Equipe De Primeira20h30

Por Daniel Soares e Felipe Lessa
O gol de Bolatti contra o Uruguai no final do segundo tempo garantiu não somente a Argentina na Copa do Mundo da África do Sul em 2010. Com a presença dos discípulos de Maradona, ao lado de Brasil, Chile e Paraguai, os sulamericanos formaram uma linha de frente representativa para tomar o velho continente de assalto no combate a ocorrer nas terras de Nelson Mandela.
Caso os uruguaios avancem na repescagem, diante da Costa Rica, a artilharia sudaca terá a força máxima de suas nove conquistas mundiais contra os europeus na disputa pelo maior número de títulos da competição, atualmente empatada. Entre os campeões do velho continente, Itália, Alemanha e Inglaterra estão na lista de representantes da Uefa. São velhos conhecidos de peleja, que fazem valer o ditado de que a Copa não existe apenas para prolongar os feriados brasileiros.
O Brasil garantiu sua classificação com três rodadas de antecedência, vencendo a Argentina no berço de Che Guevara. Apesar da frustrante última jornada, onde entorpecida pela altitude a seleção canarinho perdeu para a Bolívia e depois esbarrou em casa no ferrolho venezuelano, o complexo de vira-latas tão criticado nos tempos de Nélson Rodrigues deu lugar ao otimismo. Após alguns anos desprezada pelo seu povo, a Seleção voltou a ter verdadeiros ícones de identificação nacional como Luís Fabiano, Kaká e Julio Cesar. O escrete de Dunga está praticamente pronto. Ainda assim, precisa aperfeiçoar sua técnica de furar retrancas que deixaram o brasileiro angustiado com outros empates, como a Colômbia e Bolívia em casa.
O segundo posto sulamericano veio com a vitória chilena sobre o Equador. A condição de aríete do artilheiro das eliminatórias com 10 gols, Humberto Suazo, é digna de um possível ensaio de capa no HQ El Condorito - que já ilustrou sua seleção em um passado não muito distante. Junto de Benitez e do Mago Valdivia, o selecionado de El Loco Bielsa fez renascer a nostalgia de 98, quando com Salas e Zamorano demarcavam território no ataque do Chile. No entanto, se o treinador argentino quiser manter o status de herói por las calles de Santiago, problemas defensivos como a desatenção que os fez tomar de 4 do Brasil em Salvador precisam ser solucionados.
Com os mesmos 33 pontos dos chilenos, os paraguaios decepcionaram e ficando com o terceiro lugar. Ao perder para a Colômbia em casa, o time liderado por Salvador Cabañas desperdiçou a chance do simbólico título das Eliminatórias, o combustível que faltava para o êxtase de toda nação. Vestimentas albirojas passaram a figurar no cotidiano de todo país que, apesar do tropeço no final da fase classificatória, pela primeira vez almeja o sonho de vencer a Copa do Mundo. Mas para permanecer sonhando, precisam invocar o espírito que ganhou as ruas e transformou o período da Eliminatória em momentos tão patrióticos quanto aquele início dos anos 30, quando nossos vizinhos derrotaram os bolivianos na Batalla Del Chaco. O Paraguai precisa driblar a incapacidade na hora de definir, evitando que se repita qualquer recordação de 98. Na ocasião, o forte time com Arce, Gamarra e Chilavert caiu diante da França no mata-mata da Copa do Mundo.
O inverso da falta de superação paraguaia na hora de definir foi o que deu aos argentinos a quarta e última vaga direta. A seleção albiceleste penou com a derrota expressiva para a Bolívia fora de casa e o vexame de perder para o Brasil em Rosário. Maradona balançou no cargo de treinador, mas no fim desabafou com alegria. Seu time brigou até o fim para garantir sua vaga sem precisar da repescagem. Apesar da suposta displicência de Messi, valeu o espírito combative de Verón e Palermo. Contra o Peru, em Buenos Aires, por duas vezes passaram perto da tormenta. Cederam o empate no final do jogo, passaram na frente e quase tomaram um gol do meio de campo. Contra o Uruguai, o gol veio apenas no fim. Mas veio, e com a ajuda do Equador ainda permitiu que a Celeste Olímpica de Diego Forlán ainda possa garantir a última vaga do continente para o Mundial, contra o representante da Concacaf.
Vale lembrar que o adversário uruguaio na repescagem será o time de Renê Simões. No jogo contra os EUA, em Washington, a Costa Rica precisava vencer para garantir a vaga no Mundial. Fizeram 2x0 em menos de 30 minutos e passaram a aguardar o fim do jogo. Tomaram um gol no início do segundo tempo e continuaram aguardando o fim do jogo. O castigo veio aos 49m30: empate americano. Com a vitória de Honduras sobre El Salvador, os hondurenhos estão na Copa.

Recordando um passado próximo: nossas participações desde 98
Na Copa do Mundo de 1998 também tínhamos a representação de Brasil, Argentina, Paraguai e Chile. Somava-se a Colômbia. A campanha sulamericana foi a melhor em solo europeu dos últimos 30 anos. Quatro seleções se classificaram para as oitavas. O Paraguai foi eliminado pela França no gol de ouro, conforme comentado acima e Brasil e Chile tiveram que se pegar. 4X1 pra nós. O Brasil terminou vice-campeão e um gol holandês no finzinho evitou que a Argentina nos encontrasse nas semifinais.
Em 2002, Uruguai, Equador e até a Argentina ficaram fora na primeira fase. O Paraguai foi mais uma vez eliminado nas oitavas, daquela vez pela Alemanha. O Brasil seguiu representando a América do Sul até a conquista do título. Em 2006, Brasil e Argentina não passaram das quartas-de-final. O Paraguai decepcionou e ficou em terceiro no seu grupo, perdendo para Inglaterra e Suécia e vencendo apenas Trinidad & Tobago. A boa surpresa foi o Equador, que num início arrasador venceu Polônia e Costa Rica. Depois perdeu duas vezes ao enfrentar duas seleções européias de tradição: a Alemanha (3x0), em jogo que valia a primeira colocação do grupo (o Equador tinha a vantagem do empate) e para a Inglaterra (1x0), nas oitavas-de-final.
Resultados nas 3 últimas Copas:
Brasil
1998 - vice
2x1 Escócia
3x0 Marrocos
1x2 Noruega
4x1 Chile
3x2 Dinamarca
1x1 Holanda (4x2 penaltis)
0x3 França
2002 - Campeão
2x1 Turquia
4x0 China
5x2 Costa Rica
2x0 Bélgica
2x1 Inglaterra
1x0 Turquia
2x0 Alemanha
2006
1x0 Croácia
2x0 Austrália
4x1 Japão
3x0 Gana
0x1 França
Argentina
1998
1x0 Japão
5x0 Jamaica
1x0 Croácia
2x2 Inglaterra (4x3 penaltis)
1x2 Holanda
2002
1x0 Nigéria
0x1 Inglaterra
1x1 Suécia
2006
2x1 Costa do Marfim
6x0 Sérvia-Montenegro
0x0 Holanda
2x1 México
1x1 Alemanha (2x4 penaltis)
Paraguai
1998
0x0 Bulgária
0x0 Espanha
3x1 Nigéria
0x1 França
2002
2x2 África do Sul
1x3 Espanha
3x1 Eslovênia
0x1 Alemanha
2006
0x1 Inglaterra
0x1 Suécia
2x0 Trinidad & Tobago
Chile
1998
2X2 Itália
1x1 Áustria
1x1 Camarões
1x4 Brasil
Uruguai
2002
1x2 Dinamarca
0x0 França
3x3 Senegal
Set 06
Maradona, Maradona, que amargado se te ve...
por Felipe Lessa02h45
Nem mesmo a simbologia de Maradona, Che Guevara e do Estádio Gigante de Arroyito pôde parar a Seleção Brasileira. Pelo contrário: se em 90, criar um ambiente psicologico de guerra deu certo...ontem, não. Foi o combustível de motivação que inflamou o time canarinho e o fez vencer a Argentina por 3 x 1, em Rosário.
Se para los hermanos faltou a pegada típica que todos estamos cansados de repetir, no conjunto visitante a apatia quase não existiu. Mesmo com Robinho viajando apenas a passeio, nomes como Kaká, Luisão, Luís Fabiano e Julio César foram fundamentais para que Messi e Tevez se tornassem simples figurantes.
Dentro de campo, todo clima de guerra que antecedeu a partida foi por água abaixo após pouco mais de 10 minutos do apito inicial. A sonolência argentina prevaleceu e foi fundamental para a marcação dos dois primeiros gols canarinhos. No primeiro, a zaga alviceleste deixou Luisão subir sozinho para marcar. No segundo, ela bateu cabeça. Bastou Luis Fabiano prestar atenção na jogada para fazer o gol no rebote do goleiro Andujar.
Tudo parecia dar certo para o Brasil. Na segunda etapa, até mesmo o gol argentino feito por Dátolo, que viu Julio César adiantado e arriscou de fora da área para balançar as redes, foi bom para a Seleção. Os donos da casa partiram para cima e deram brecha para Kaká mostrar o que pode fazer com a pelota. Esqueceu da misericórdia pregada pelos pastores de sua igreja para lançar Luís Fabiano nas costas do zagueiro. Sem piedade, o fabuloso decretou a sentença tocando por cima do goleiro.
Agora, os argentinos terão que somar pontos importantes em partidas difíceis como contra Paraguai e Uruguai fora de casa. Los hinchas e Maradona amargaram o resultado em silêncio tão triste quanto o tango de Horacio Sanguinetti. Ao Brasil pouco importa os desfalques contra o Chile, na Bahia. Com a seleção classificada para a Copa da África do Sul, o único medo é que falte motivação do escrete brasileiro para a partida. Mas se quiserem jogar bola, o samba continua...
Extra:
Um consolo para los hermanos....
Set 11
Lula and your condemned braSilian people
por Felipe Lessa03h56

Todo imaginário construído depois da vitória contra o Chile foi desconstruído cinco minutos antes de Alfredo Intriago apitar o início de Brasil e Bolívia, em confronto válido pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2010. Quem acreditava que o povo brasileiro realmente havia se fanatizado pela canarinho, errou. Quem acreditava que realmente “nossa” confederação de futebol nos representasse, errou. Quem acreditava que depois da resposta dada ao Lula, que insinuou que os homens da CBF eram mocinhas, os 11 do escrete haviam virado argentinos machões, errou.
Foi uma patifaria grave o que ocorreu no Engenhão, Hell de Janeiro, presenciada por cerca de “30 mil” pessoas. As arquibancadas vazias mostraram que é realmente caro ver "alto nível de futebol”. São 46 mil lugares de capacidade e as cadeiras vagas já mostravam que havia algo de errado, principalmente em relação ao público divulgado. Coisas do tipo: não acredito, pois aqui não tenho vez. Não participo.
E ver o hino nacional ser cantado em uma versão que parecia ser ópera então, foi desrespeito. O brasileiro gosta de sambinha, pagodinho ou até mesmo um sertanejo. Ninguém se identifica com algo que não conhece. Com algo que mesmo visualizado pela televisão soa como falso. Mentiroso. Apesar do jogo ser no "Hell" de Janeiro (prefiro dizer setembro), não haviam "boys" nem "girls" made in Brazil assistindo o jogo (ao menos pela TV, no sofá, no boteco brasuca). Toquem um pagode, amigos.
Mas nada tão mentiroso como os 11 de Dunga. Só citarei nomes aqui para implorar por Kleber Pereira, Alex Mineiro e Keirrison. Do restante não se precisa falar nada. Um bando de no máximo esforçados, premiados com uma vaguinha no time da entidade que “representa” o futebol do Brasil.
Dizer que a Bolívia jogou atrás o tempo todo não justifica nada. Apenas Júlio Baptista parece que se esforçou de fato para inverter a posição derrotada do empate brasileiro. Digo se esforçou na questão de chegar, participar, arriscar, com a qualidade que o levaram a jogar na canarinho.
Já os demais, podem até ter tentado algo. Apenas tentado da forma que horrorizou os olhares do povo brasileiro. Temos um time de estrelas, daquelas que são consideradas maiores apenas por jogarem no futebol internacional. Mas, o que difere um jogador que atua no Brasil de um do futebol estrangeiro? Em tempos de lavagem de dinheiro em cima de jogadores de futebol, nada.
Ao menos se Lula voltasse a mexer com os brios dos incompetentes, a coisa poderia mudar. Mas o nosso comandante não falou nada. E os 11 que empataram com a Bolívia hoje talvez nem entendam mais o português daqueles que gritavam “time sem vergonha” nas esvaziadas cadeiras do João Havelange. Nosso presidente não participou da vida de nossa seleção como Evo Morales que gosta de bater bola com os jogadores.
E se já reclamamos de tantos outros em antigas oportunidades, desta vez vamos jogar a culpa em Lula. Que talvez teve piedade do seu camarada Evo e não deu aquele ânimo extra aos nossos jogadores. Por permitir que o novo reforço do Ipatinga saísse do Rio de Janeiro dando risada das estrelas que já passaram por clubes como Barcelona, Milan e Real Madrid...e talvez por isso esqueceram, olvidaran ou don´t remember daquela boa e velha expressão brasileira: vergonha na cara.
Set 10
La mejor seleción del mundo? Menos, vá.
por Ana Carolina Moreno16h00
Controlem a ansiedade. Uma vitória – convincente ou não – da seleção brasileira hoje contra a Bolívia não apontará que o time, sem sombra de dúvidas, finalmente reencontrou o rumo, seja ele qual for. A vitória contra o fraco Chile não apaga, por exemplo, a derrota inédita contra a fraquíssima Venezuela, mas indica, pelo menos, que a equipe conseguiu fazer sua obrigação de jogar com rapidez, agilidade e em busca do resultado, em vez de falar muito e fazer pouco. Já é uma boa notícia.
Dunga afirmou que a vitória em Santiago foi conseqüência do bom trabalho realizado nos treinos. Não sei se alguém perguntou, em seguida, sobre o que teria causado a derrota contra a Argentina, na China.
Acontece que vencer e perder fazem parte do trabalho, e é isso que parece não entrar na cabeça dos apoiadores do técnico. Ou de seus críticos. O treinador que fizer do Brasil um time absolutamente invencível, hoje em dia, pode entrar na fila de beatificação do Vaticano antes mesmo de morrer.
Ansiosos pelos motivos mais errados possíveis, todos correm para encontrar os fatos irrevogáveis, como se futebol fosse ciência. Embaixo do guarda-chuva da CBF, jogadores, comissão técnica e dirigentes, já habituados à posição institucional-marqueteira da entidade, acreditam piamente que o resultado de domingo já é suficiente para calar a imprensa encrenqueira, tanto a brasileira quanto a chilena.
No primeiro caso, qualquer voz que insistir em opinar representaria automaticamente interesses escusos e, portanto, não mereceria ouvidos. No segundo, é quase triste ver a reação exagerada no vestiário. Como se os hermanos mais afastados, em sua inesgotável ilusão de um dia poderem entrar para a elite do futebol mundial, merecessem tanta atenção pelas manchetes otimistas que ousaram escrever e, pior, como se isso justificasse que os visitantes fossem embora deixando, de presente, um mural pichado com dizeres tão mal-educados quanto falhos gramaticalmente.
Hoje à noite vamos encarar a Bolívia em um Engenhão semi-cheio, ou semi-vazio, dependendo do otimismo do/a leitor/a. Robinho pede que os torcedores compareçam para apoiar. Eu, se estivesse no Rio, aproveitaria a falta das filas que me deixaram fora do Brasil X Uruguai em 2007 e apareceria por lá, mesmo sabendo que o Robinho deve perder mais um ou dois gols praticamente feitos. E que Ronaldinho deve capengar a partir dos 10 minutos do segundo tempo. Mas apostando que Luís Fabiano e Diego farão o suficiente para garantir o placar favorável.
Ganhar em casa do lanterna das eliminatórias, cuja estrela principal - a altitude - não joga fora do país, não é mais do que a obrigação, especialmente depois da primeira vitória fora de casa no torneio classificatório. Se, para manter a motivação, o time vai jogar dardos na foto de Lula durante a preleção ou eleger outro alvo para xingar de FDP para mim pouco importa. Só não venham reclamar de pressão exagerada, caso a zebra amanhã vista verde e amarelo.
Aproveitando a rabugice: Só eu vou reclamar do fato de o Dunga bancar o diplomata e convocar jogadores que ainda atuam na terrinha, mas para deixá-los no banco, usando apenas em caso de suspensão ou contusão dos "titulares europeus"? Atrapalha nosso campeonato por nada. Devolva os caras de uma vez então, que a gente aproveita mais!
Set 01
Kantuta é a Bolívia de chuteiras
por Felipe Lessa22h52

Na Praça Kantuta, localizada na zona norte de São Paulo, ocorre dominicalmente uma feira de bolivianos. E foi para lá, no reduto brasileiro de Evo Morales, que rumamos nós do De Primeira. A culinária típica, as danças folclóricas e as canções regionais bolivianas ditam o ritmo de um ambiente precário de estruturas físicas, que de nada contrasta com a posição social dos filhos da Bolívia que chegam no Brasil em busca de melhor qualidade de vida, mas na ilegalidade acabam se submetendo ao trabalho escravo dos tempos modernos.
Até mesmo as apresentações de dança realizadas no meio da praça acontecem às escuras. Aos redores, centenas de barracas bolivianas. Entre elas, uma especializada na venda de artigos esportivos. Entre camisas, bandeiras e toalhas de clubes como o Bolívar e do centenário The Strongest de La Paz, Aurora e Jorge Wilstermann de Cochabamba, mais a seleção nacional, diversas preciosidades. Daquelas que não se encontram nem nas grandes e reconhecidas firmas especializadas na venda de camisas de futebol.
Da originalidade dos produtos, pouco se pode dizer. Até mesmo pela razão de que os sites oficiais dos clubes citados acima, mais a seleção, estão em construção ou não existem. No entanto, a vendedora afirma que os produtos são de fato bolivianos. Fica somente a dúvida ao pensar: os produtos realmente vieram da terra de Etcheverry ou foram apenas produzidos por bolivianos, imigrantes no Brasil, a mando dos patrões que geralmente são coreanos?
Nas quatro linhas do gramado o futebol boliviano segue a regra. Seus principais jogadores migraram para outras nações em busca de uma melhor qualidade de vida. El Diablo Etcheverry é uma referência. Saiu do Bolívar para o Albacete da Espanha, passou pelo Colo-Colo do Chile, América de Cali da Colômbia até parar no DC United dos Estados Unidos.
Na pátria de Mickey Mouse o craque foi considerado um dos revolucionários da MLS, liga do futebol ianque. Se os gringos gostam dele, os brasileiros carregam certo rancor. Nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 94, Etcheverry comandou o desastre canarinho responsável pela primeira derrota do escrete no torneio.
Outro exemplo de migração é o atacante Marcelo Moreno Martins, considerado o sucessor de El Diablo. Hoje no Shakhtar Donetsk da Ucrânia, Marcelo Martins para os bolivianos, Marcelo Moreno para os brasileiros, foi parar no Vitória da Bahia em 2004. Posteriormente seguiu para o Cruzeiro, de onde foi negociado para a Europa. Da passagem pelo Brasil, surge sua dupla nacionalidade, algo requisitado por tantos compatriotas que não herdaram o mesmo talento para o futebol. O ex-jogador do Oriente Petrolero chegou inclusive a ser um dos poucos atletas estrangeiros a vestir a canarinho, nas categorias de base.
Por último, quem sai de lá vai ser um paraguaio naturalizado boliviano. Pablo Escobar deixa o Strongest e ruma para Minas Gerais, onde vai carregar a dura missão de ajudar o Ipatinga a se livrar do rebaixamento no Campeonato Brasileiro 2008. O atacante, assim como muitos compatriotas, chegou ao Brasil sem visto de trabalho e deve ficar emprestado ao clube mineiro por um ano.
Escobar figura nas surpresas entre os convocados para a seleção boliviana que pelas Eliminatórias da Copa do Mundo vai enfrentar Equador (6) e Brasil (10). Entre os convocados, boa parte atua em casa, embora hajam representes do futebol da Arábia Saudita (Ronald Raldes - Al-Halil), Grécia (Ronald Garcia - Aris (Grecia), Colômbia (Diego Cabrera – Cucuta) e Ucrânia (Marcelo Martins – Shakhtar Donetsk).
Quando o assunto é o selecionado nacional, vale lembrar que existe inclusive uma ameaça de greve por parte dos jogadores, devido a um conflito com a federação local. Os atletas pedem que o governo de Evo Morales e a Federação Boliviana de Futebol (FBF) criem normas e leis que protejam os direitos dos jogadores em seus clubes, com relação a seus contratos e seus seguros médicos.
A crise é forte. Não é maior pois a seleção venceu o Panamá por 1 a 0 no dia 20 de agosto. No entanto, mesmo sem ela, a crise, o maior feito boliviano foi conquistar a Copa América de 63. Outros feitos considerados grandiosos foram o 12º lugar da Copa do Mundo em 1930, a 4a posição no Pan-americano de 2007 e o vice da Copa América, dez anos antes do Pan, em 97. Talvez a crise seja o começo de uma revolução no futebol local, que passou a dar os primeiros passos de melhor organização recentemente.
O campeonato nacional desta nação foi definitivamente profissionalizado em 77. Seus primórdios ocorreram em 1914, com o Strongest levando para casa o Campeonato Amador de La Paz. Este foi o principal torneio até a semi-profissionalização ocorrida em 1950, tendo o Bolívar como vencedor. A partir de 71 o grande torneio foi a Copa Simón Bolívar. Foi o marco que datou o fim do amadorismo em toda a pátria, em torneio ao estilo Copa do Brasil. Seu primeiro vencedor foi o time pelo qual torce El Diablo: o Oriente Petrolero, de Santa Cruz de La Sierra.
Desde a definitiva nacionalização de uma liga profissionalizada do futebol da Bolívia de 1971, o maior vencedor foi o Bolívar. Ao todo a Academia conquistou 16 canecos, o dobro do segundo colocado em títulos, seu rival The Strongest. El Más Fuerte conta com 8.
Na atualidade, o equilibrado campeonato está dividido em dois grupos de seis times. O grupo A conta com o Blooming de Santa Cruz de La Sierra na liderança. Foram quatro vitórias e apenas uma derrota até o momento, marcando 12 pontos. Em seguida aparecem Oriente Petrolero (8), Aurora (7), Real Mamoré (7), Jorge Wilstermann(7) e o laterninha Guabirá (1).
No grupo B, segue o Real Potosí nas cabeças. A equipe potosina venceu três jogos, perdeu dois e segue com nove pontos. Na rabeira aparecem Bolívar (8), La Paz (8), Universitario (8), The Strongest (7). No fim da linha está o San José, com um ponto solitário.
Na primeira rodada do returno, que começa dia 13, o penúltimo colocado do grupo B poderá dar um salto no seu posicionamento. Enfrenta o mais fraco do seu grupo, enquanto o Real vai disputar quem segue para a liderança com o perigoso Universitario, no domingo (14). No outro jogo do grupo, Bolívar e La Paz disputam o derby local tambem com pretensões de chegar na ponta de cima da tabela.
No grupo A, que vai ter sua rodada iniciada no dia 14, tudo corre a favor do Blooming. Vai enfrentar o lanterninha Guabirá em casa. Deve se manter no primeiro lugar, apenas aguardando os resultados do rebolo, onde o Real Mamoré enfrenta o Oriente Petrolero e o clássico de La Paz entre Aurora e Wilstermann.
Serão semanas cheias de emoções. Com certeza, muito existe para se debater em La Paz, Santa Cruz de La Sierra, Cochabamba e claro, na Kantuta, um território ao mesmo tempo boliviano e brasileiro. Território das Salteñas, flautas de pã, malhas andinas, Chincha Villera, suco de Maní (tão adorado pelo Marcão), Bolívar, The Strongest, Aurora, entre tantos outros. Território onde Corinthians, Atlético, Coritiba, Vasco, Grêmio, Palmeiras, Bahia e São Paulos não têm vez.

Ago 06
Os (últimos?) 16 dias da Era Dunga
por Equipe De Primeira00h42
Texto colaborativo produzido a partir dos argumentos levantados na lista de discussão do blog De Primeira.
É aquela velha história. As seleções de futebol da Bélgica, Nova Zelândia e China devem ter deixado escapar algum "oh" educado, uma mistura de medo e emoção, quando descobriram que enfrentariam o Brasil na primeira fase dos Jogos Olímpicos desse ano, que começa amanhã. A amarelinha é respeitada, às vezes até reverenciada, mundo afora. Dentro de casa, porém, a novela é outra. Magia, aqui, é igual soja. Tem de sobra, mas, se nos derem a chance, a gente exporta tudo, até o último grão.
O ambiente hoje é de trégua, em nome do ouro inédito. Os correspondentes, já a postos e aclimatados na China, editam matérias cheias de bom humor e otimismo. Os penteados dos jogadores e os outros esportes olímpicos que lhes agradam ganham vários minutos nos principais telejornais. É a alegria do brasileiro. Ê que beleza! Mas o rabo do olho está sempre virado para aquele homem de cabelos espetados, temperamento arisco e camisas espalhafatosas.
Dunga é (ou deveria ser) o mais interessado na medalha, embora o motivo principal seja egoísta. Se for expulso de Pequim antes da final, no dia 23 de agosto, dificilmente conseguirá rebater apenas com gritos, bufadas e fala grossa as críticas que já vêm sendo construídas desde junho.
A (tentativa) de uma virada de mesa, há quase dois meses, foi liderada pela emissora que o recebera de braços abertos em 2006. Naquela época, o narrador e porta-voz oficial dos interesses dos donos da granatorcedores enaltecia o histórico de liderança do capitão tetracampeão para justificar a escolha de um treinador de primeira viagem para conduzir o time de futebol mais famoso do planeta. Menos de dois anos depois, enquanto via Cabañas enfiar a bola no fundo da rede de Júlio César, já liberado pela cúpulaconsciência, não se cansava de repetir que "a seleção não pode jogar como time pequeno".
Começava a caça ao anão zangado. A cada reportagem "inocente" que "apenas divulgava a informação", a mídia foi construindo o clima para derrubar aquele que supostamente impedia a grandiosidade dos amarelos. Luxemburgo ganhou espaço para suas críticas à situação atual da seleção, e Ronaldinho Gaúcho foi jogado novamente na fogueira de todas as vaidades.
Apenas 53 horas separaram os dois textos a seguir:
22 de junho: Ronaldinho Gaúcho reafirma o desejo de defender o Brasil nas Olimpíadas
"Colocado pelo presidente da CBF como salvação da seleção, o meia Ronaldinho Gaúcho não se esconde da responsabilidade. Em entrevista exclusiva ao programa Esporte Espetacular, o craque afirma que deseja conquistar o ouro inédito para o futebol brasileiro nos Jogos Olímpicos de Pequim." (note que foi Ricardo Teixeira quem disse, e não o jornalista; tudo bem, a escolha de iniciar o texto com essa frase foi do jornalista mesmo, mas semiótica não passa, afinal, de uma teoria)
24 de junho: Zico encontra príncipe herdeiro do Japão; Dunga não aparece
"O príncipe herdeiro do Japão, Naruhito, esteve nesta quinta-feira no Rio de Janeiro, e encontrou Zico, ex-técnico da seleção japonesa. Os dois participaram de um evento no Centro Cultural Banco do Brasi em comemoração aos 100 anos da imigração japonesa. O técnico da seleção brasileira Dunga, que já atuou como jogador no futebol japonês, era esperado, mas não apareceu à confraternização." (Leonardo, Bebeto e tantos outros que tiveram passagem pelo futebol japonês, mas são, como Dunga, menos importantes para os asiáticos do que Zico, foram carinhosamente esquecidos pelo autor da legenda; aliás, qual o objetivo de criar uma página de notícia só para colocar a foto de Zico e o príncipe herdeiro? Hmmm... Melhor não fazer pergunta difícil.)
Este outro exemplo mostra como a edição faz diferença:
16 de junho: Brasil de Dunga precisa vencer Argentina para não ser o pior em pontos corridos
Nosso Napoleão de Almeida, cinco dias depois, colocou a íntegra da performance do "Brasil de Dunga" em uma só planilha, e mostrou que o índice de aproveitamento de pontos é de 70%.
Isso quer dizer que Dunga esteja fazendo um ótimo trabalho? Não.
Criticar a escalação de três volantes é válido, mas apenas se o motivo da crítica for a escalação de três volantes. Mas quem critica os três volantes porque não conseguiu uma entrevista exclusiva com os três volantes não merece sequer que essa frase chegue ao fim.
Dunga enfrentou as bofetadas com uma voadora. Acusou os críticos de o perseguirem injustamente porque, em vez de manter o histórico, tradicional e, para muitos, eterno tratamento global, ele decidiu globalizar o acesso da mídia à seleção brasileira. Disse que foi o único a enfrentar os poderosos da dobradinha Globo/Sportv e acabar com luxos e mimos que atrapalham os jogadores e prejudicavam as demais emissoras. Depois, reclamou que as outras emissoras embarcaram no navio rumo a mais uma "nova era". Deve ter esquecido que, nesse ramo, concorrência tem prioridade sobre informação.
Credencial como treinador não se constrói apenas com o histórico como jogador. O técnico Carlos Caetano é muito diferente – para pior – daquele capitão do tetra. Um de seus principais problemas, porém, já deu sinais de melhoria: a escalação. De nomes desconhecidos e até hoje com justificativas pouco convincentes, como Afonso, à insistência em antigos jogadores da seleção que hoje já não rendem o mesmo, caso de Mineiro, o banco de Dunga sempre levou as piores ferroadas. A lista dos convocados para Pequim, porém, parece ter agradado inclusive os que acham que um bom time, na teoria, nem sempre se realiza em campo.
Especulações à parte, o problema, talvez, seja conceitual. Desde os tempos do quadrado mágico de Parreira, a seleção brasileira se tornou, como alfinetou o Olé, em um amontoado de jogadores. Não adianta chamar os mais talentosos se não há um esquema tático montado antes. Nem todo jogador bom se encaixa em qualquer time, e nem todos mantêm uma boa fase por anos a fio.
Quando teve mais tempo para trabalhar o time, Dunga se deu bem: enfiou três nos hermanos e conquistou a Copa América, mesmo sem as estrelas. Agora, porém, não adianta reclamar da agenda apertada. A pressão das eliminatórias e a necessidade de testar a equipe olímpica impuseram restrições à montagem da lista e fogo nas mangas dos interesseiros.
De um lado, ele é obrigado a reverter as derrotas para Venezuela e Paraguai e classificar o Brasil para a Copa do Mundo de 2010, sob o risco não só de perder o cargo, mas de ter a pele esfolada se for o responsável pela primeira Copa sem a participação brasileira.
Por outro lado, se antes ele desdenhava as Olimpíadas, agora deve – tardiamente – ver no possível triunfo a chance de se firmar como nome de peso à frente de qualquer comissão técnica. Fazer o que ninguém até hoje conseguiu talvez seja a única maneira de tentar manter o apoio do público frente à maior manipuladora da opinião pública.
Calar uma emissora que elege e derruba presidentes, que quer mudar o fuso horário do País para que a nação se encaixe à sua programação, e não o contrário, e que já derrubou treinador muito mais qualificado que Dunga por motivo muito menor, só mesmo se os meninos da amarela voltarem para casa com a dourada.
Jun 21
Carlos Caetano Bledorn Verri: o ídolo que deveria ter parado antes
por Felipe Lessa13h53

Dunga perdeu a chance de parar de ser jogador em 1994, no máximo 1998, depois da Copa da França. Assim como Pelé parou oficialmente pouco após o milésimo gol, Dunga perdeu sua chance em 1994, após levantar a taça do tetra campeonato mundial de futebol, como o rei levantou em 70. Não importa se deveria parar em 94 ou 98, deveria ter parado antes de 1999.
Até lá Dunga sempre foi símbolo de raça, força e virilidade. Mais: Dunga era símbolo de paixão e identidade nacional. O combativo jogagor que começou a carreira no Internacional no início dos anos 80, passou por outros como Vasco e Corinthians e sempre foi destaque nas quatro linhas, além de querido pela torcida fora delas.
Como jogador, Dunga fez história como poucos. Na categoria juniores foi campeão do brasileiro de seleções estaduais Jr, pelo Rio Grande do Sul, em 1981. Em 1984, vice nas olimpíadas de Los Angeles quando, mais uma vez, perdemos pra os franceses. Na verdade, ali ainda era o começo do nosso ciclo de derrotas consecutivas em decisões para tal seleção. Não importa.
Anos mais tarde, Dunga passaria a ser selecionado para o time principal do escrete canarinho. Em 90, Dunga era símbolo de mudanças no time nacional convocado por Sebastião Lazaroni para o mundial da Itália. Era o início de uma geração que comandada por ele, seria tetra nos Estados Unidos, quatro anos mais tarde. E o capitão ainda teve a dura missão de barrar "supostas" farras e noitadas de Romário. Foi companheiro de quarto do baixinho na ocasião. Vejam só! Nem a presença de Romário apagou a estrela de Dunga como herói depois da conquista do campeonato. E Dunga ganhou tanto pelo Brasil, que ainda venceu a Copa América em 89 e 97.
E nem isso fez com que a mesma torcida que sorria em 1994 com o tetra, que em 93 gritava "Dunga, te amo", depois da vitória por 4 a 0 contra a Venezuela, pelas eliminatórias da Copa, respeitasse o antigo ídolo, no jogo contra os argentinos. O empate sem gols contra os hermanos no Mineirão marcou o fim do relacionamento de amor de torcida e Dunga. O coro das arquibancadas dizia: "Adeus Dunga, Adeus Dunga". O capitão de 94, tão louvado pelo mesmo povo brasileiro em tal época, ganhava o título de burro, também gritado em massa nas arquibancadas.
A torcida mineira era incapaz de ver e perceber todas manobras de dentro da CBF. Talvez por desinteresse quando o jogo é realizado em outras regiões, afinal, Dunga também é prejudicado pelo acordo da entidade de Ricardo Teixeira e a Kentaro Group. A empresa organiza e comercializa a Brazil World Tour, ops, amistosos da CBF até 2010, como diz em seu site.
Antes da entrada da Kentaro, como cita a Revista A+ de julho de 2007, na reportagem Chuteira sem pátria, por Marcel Meguizo e Paulo Roberto Conde, “os amistosos da Seleção Brasileira rendiam em média US$ 1 milhão. Hoje, nenhum deles sai por menos de U$2 milhões.
Olha, camarada. Talvez você esteja questionando: "parece fora do contexto falar de Kentaro e CBF, quando o assunto é Dunga". Apenas parece, pois volto a dizer que os responsáveis pelas vaias da torcida mineira contra nosso treinador são CBF e Kentaro. Dunga e a dupla diabólica (as empresas CBF e Kentaro) estão mesmo é colhendo o fruto dos apenas três jogos que o treinador comandou em terras canarinhas. Ganhou um, mas empatou dois, mas no geral a campanha não é ruim, pois ela é boa.
Dunga teve que trabalhar fora de casa, onde comandou a canarinho em 30 partidas e ganhou 19 vezes. Perdeu apenas quatro – Portugal, México, Venezuela e Paraguai - sendo duas recentes. Dos 18 amistosos sob seu comando, cinco foram em Londres, um apenas destes contra a Inglaterra. O jogo contra a Argélia, vencemos por dois a zero, em terras francesas. Para ganhar dinheiro ou acabar com o complexo de perdedores contra os mesmos? Não sei, mas não foi aqui, nem na Argélia. Dunga ainda teve que enfrentar a Turquia na Alemanha.Jogar recentemente nos Estados Unidos.
De fato, a torcida brasileira não conhece o trabalho do Dunga treinador. E por isso xingam. Dunga é culpado? Que nada. Dunga é azarado. Se tivesse parado de jogar futebol em até 98 poderia ser treinador da CBF com menos problemas, apesar da falta de identidade da torcida com o time, e não com ele. Os espectadores dos jogos da CBF não passam de marionetes mongas!
Ainda assim, volto a falar: Dunga deveria ter parado em 98, pois na final do Campeonato Gaúcho de 99, no dia 20 de junho, surgiria o desafeto perfeito para boa parte da impulsiva imprensa brasileira. Falo do real nascimento do Ronaldinho Gaúcho no futebol.
Ronaldinho diz que não odeia Dunga. Mas, no dia 20 de junho de 1999, com seus dribles cometeu o ato de rasgar e jogar fora o currículo profissional do capitão de 94. O irmão de Assis esnobou qualquer forma de respeito ao jogador do Internacional. Um jogo, um chapeuzinho, alguns dribles geniais, consecutivamente explorados pela mídia e o todo durão Dunga virava piada nacional.
A punhalada final veio ontem, 20 de junho de 2008. A CBF passou por cima da autoridade do querido autoritário capitão de 94 e convocou Ronaldinho Gaúcho para a equipe olímpica. Repito que foi no mesmo 20 de junho, agora de 2008. E a imprensa voltava a noticiar o combate de Dunga versus Ronaldinho exaustivamente. Parecia comemorar. Acho que comemorava, pois a globo ama o luxo ($$$), ops, o Luxa.
Resumindo. A CBF, a mídia e o povo estão esquecendo tudo que Dunga fez por nossa seleção, por nosso futebol. Estão destruindo a imagem de alguém que se parasse de jogar futebol em 98, estaria na lista dos eternos mais queridos do Brasil. A ganância da CBF e dois fatos que tiveram Ronaldinho Gaúcho como protagonistas parecem tentar sucumbir com a moral de Dunga...apenas pela razão de que a mídia esquece de contar o restante da história de Carlos Caetano Bledorn Verri, o ídolo que nasceu em 31 de outubro de 1963, no Rio Grande do Sul, em Ijuí. Salve Dunga. Tanto fez nossa torcida sorrir, jogando duro, sem ter samba nos pés.
Dunga em drops
por Equipe De Primeira08h19
30 jogos
19 vitórias
4 derrotas
7 empates
57 gols pró
21 gols contra
Maior seqüência de vitórias: 5 jogos
Maior seqüência de derrotas: 2 jogos
Maior goleada aplicada: 6 x 1 Chile
Pior derrota sofrida: 0 x 2 (Portugal, México, Venezuela e Paraguai)
Freguês: Equador, três derrotas
- A média de gols pró é de 1,9 por partida
- A média de gols sofrida é de 0,7
- O aproveitamento de pontos é de 70%
- Todas as derrotas de Dunga na Seleção foram por 2 x 0
- O melhor momento foi a conquista da Copa América, vencida na final sobre a Argentina, 3 x 0
- O pior momento acontece agora: três jogos sem vitória, duas derrotas seguidas, uma histórica para a Venezuela
- A melhor aposta de Dunga foi no zagueiro Luisão, titular da Seleção
- A pior segue sendo o impagável Afonso Alves
Pérolas de Dunga no site dele (capitaodunga.com.br):
“Depois do Júlio todos os governantes de Roma passaram a ser césares, e "césar" - na Forma de kaiser, tzar, etc. - ficou nome genérico, como um dia "dunga" também será” (Essa é de Luiz Fernando Veríssimo)
“Em 1958 e 1962, o Brasil revelou para o mundo sua inconparável (sic) superioridade futebolística. A seleção que tinha brilhantes talentos criativos como Pelé, Didi e Garrincha, também tinha em jogadores como Djalma Santos, Nilton Santos, Bellini, Mauro e Zito, uma defesa tão eficiente quanto o seu ataque.
A partir daí, o Brasil, pasmo e deslumbrado com a beleza espetacular do futebol arte, por muitos anos esqueceu de defender, muitas vezes tomando tantos gols quanto marcava. Finalmente, a partir de 1989, o Brasil nunca mais foi o mesmo. (...)
A partir desta revolução, que teve Dunga como símbolo, o Brasil chegou em três finais de Copa do Mundo seguidas, em 1994, 1998 e 2002. (...)
Depois de Dunga, (...) volantes (...) brasileiros são exportados como titulares para os maiores clubes da Europa, muitas vezes se destacando como os melhores do mundo em suas posições. Crianças brasileiras tem hoje como ídolos não só jogadores de ataque, como de defesa, algo que antes não acontecia.
(...) A geração Dunga mudou para sempre a cultura do futebol brasileiro para melhor, bem melhor.”
(texto do site oficial do técnico da Seleção)
O que ninguém conhece:
“O Instituto Dunga de Desenvolvimento do Cidadão-IDDC, é uma sociedade civil , sem fins lucrativos, que atua no Rio Grande do Sul na promoção social de crianças, adolescentes, famílias e idosos, através do esporte educacional.O IDDC é integrado por pessoas físicas voluntárias, interessadas no fomento de ações e programas sociais que visem, prioritariamente, o desenvolvimento e a formação do cidadão para a prática do bem comum, solidário e de participação”
(texto do site oficial do técnico da Seleção)
Por Napoleão de Almeida
Jun 15
Uma seleção brasileira, então
por Equipe De Primeira19h13
Por Fabricio Kichalowsky
Quem viu a Seleção Brasileira perder para a Venezuela na outra sexta-feira (também conhecido como O Dia em que o Sargento Garcia prendeu o Zorro) não se surpreendeu com a nova derrota, dessa vez pelas Eliminatórias da Copa do Mundo.
O Paraguai vive seu melhor momento em muitos anos. O time de Cabañas e Roque Santa Cruz é o melhor desde aquele de Gamarra e Chilavert, que na Copa de 98 perderia para a campeã França somente na morte súbita. Pois, contra essa equipe em visível ascenção, líder das Eliminatórias, Dunga colocou um meio-campo com Gilberto Silva, Mineiro e Josué.
Francamente: eu sei, tu sabes, a torcida do Flamengo sabe que, com Gilberto Silva, Mineiro e Josué, não dá. Tá certo, não temos Kaká e os Ronaldos desistiram do futebol faz tempo, mas... Será possível que não há recursos suficientes pra montar uma seleção que, ao menos, pare de dar vexame?
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Vou propor um desafio aqui: garanto, GARANTO que é possível fazer, com jogadores que atuam no Brasil, um time melhor que essa desgraça que temos visto em campo com a Amarelinha.
Quer ver?
– No gol, vou puxar a brasa pro meu assado: gosto do Bruno, do Flamengo e do Felipe, do Corinthians. O próprio Fernando Henrique, do Flu, tem feito partidas excelentes. E se não fosse o grande Marcão, Diego Cavalieri seria titular absoluto do Palmeiras. Pois mesmo com todos esses bons nomes, o meu goleiro seria RENAN, do Colorado.
– Na zaga, igualmente, temos bons nomes. MIRANDA, do São Paulo, seria um deles. Leo, do Grêmio. Índio, do Inter, Bola de Prata da Placar. Outro bom nome do Colorado é Sidnei, revelação das categorias de base. Fábio Luciano, capitão do Fla, também tem feito bonito. Mas o outro escolhido seria THIAGO SILVA, do Flu (e aqui acredito que temos uma unanimidade).
– Laterais... Realmente, aqui temos um problema. Não vejo ninguém espetacular no Brasil, mas vamos combinar que, pra substituir Maicon e Gilberto Silva, não precisa muito. Na direita, quem vem jogando muito faz tempo é LEO MOURA, do Fla. Outro bom nome também vem do Rio: Gabriel, do Flu, figurinha conhecida. Na esquerda, o outro ala do Fla, Juan, tem sido figura importante... mas KLÉBER, do Santos, seria o dono da posição. Como opção, Leandro, do Palmeiras, e Jorge Wagner, do São Paulo.
– Volantes? Temos de sobra. Ou alguém duvida que HERNANES, do São Paulo e RAMIRES, do Cruzeiro, dariam melhor resposta que os que estiveram em campo hoje, contra o Paraguai? Quem tu prefere ver em campo? Josué ou Íbson, do Fla? Quem sabe Arouca? Enfim, acho que tem muita gente por aí jogando mais que esse trio bizarro arranjado pelo Dunga.
– Se alguém se salvou hoje no time do Brasil foi o Diego, único que joga como um verdadeiro meia, chama o jogo pra si, busca a melhor jogada, segura a bola até fazer o passe perfeito... Dá gosto de ver. Mas a proposta é colocar gente que joga no Brasil, certo? Então vamos lá: Wágner, do Cruzeiro, é um bom meia-esquerda. De novo, Jorge Wágner, do São Paulo, aqui na sua posição. Thiago Neves, do Flu, que tal? Na boa, até o Roger tá jogando bola no Grêmio (pra substituir o Josué, ao menos, está). Mas eu iria de FERNANDÃO (desculpem, mas esse cara é o melhor jogador do Brasil desde que veio pro Inter, há 4 anos) e DIEGO SOUZA, do Palmeiras.
– Pra completar, meu ataque começaria por outro colorado: NILMAR. Que formaria uma bela dupla com ADRIANO, o Imperador, que curte umas férias no São Paulo. Alguém duvida que essa dupla arrebentaria com a defesa paraguaia? Pois é.
Listando os 11, então: Renan, Léo Moura, Miranda, Thiago Silva e Kléber; Hernanes, Ramires, Diego Souza e Fernandão; Nilmar e Adriano. Coloca esse time pra jogar as Eliminatórias e eu garanto: feio, a gente não vai fazer. Com esses em campo, COM CERTEZA a gente não perde pra Venezuela.
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E tu, ilustríssimo leitor do De Primeira? Quais seriam os teus 11 titulares da Seleção Brasileira, formada apenas por jogadores que atuam no Brasil, para enfrentar as Eliminatórias?
Jun 06
CBF ou Biro-Biro?
por Felipe Lessa18h06

Daqui a pouco vai ter jogo daquela que a globo chama de seleção brasileira, mas o povo chama de Seleção da CBF ou do Ricardo Teixeira. No site do Lance, agora mesmo (18h) não encontrei chamada de capa sobre o jogo contra a Venezuela, nos Estados Unidos. Na capa do argentino Olé, nada também, embora nos últimos dias eles tenham lembrado que são melhores que os brasileiros, estão melhores no ranking da FIFA e que ganhar o jogo válido pelas eliminatórias é questão de honra. A Gazeta do Povo então, sem dar parecer, falou tudo. Esqueceu dos brazilian boys e mandou logo na capa um memorando do 4º lugar da seleção brasileira feminina no ranking da FIFA. Mandaram bem, o time das mulheres pelo menos ainda é brasileiro.
No Bom Dia Brasil, da Globo, disseram que cerca de 60 mil brasileiros residentes nos EUA vão poder matar a saudade da “seleção”. Sorte dos imigrantes, muitos deles ilegais, que o departamento anti-imigração do Bush despreza os brasileiros como um todo, incluso sua imprensa. Nem devem ter assistido a reportagem, pois se ficassem de olho na telinha, poderiam prender e deportar em grande escala, ainda que a partida esteja mais perto de agradar e dar lazer aos bonados gringos, que aos brasileiros imigrantes.
Bom, eu vou assistir o jogo na TV. Já comprei cervejas, pipocas e cigarros, mas não estou empolgado com a Brazil Tour, nem com a convocação que quase ignora a existência de um Campeonato Brasileiro, pois só chama “gringos”. Vamos ver o que acontece. O clima é de monotonia. A qualquer hora posso mudar de idéia e trocar CBF x Venezuela por Biro-Biro x Maradona, no site da Coca. Talvez eu me sinta melhor representado.