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De Primeira: Futebol, Futebol e Futebol

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Nov 09

6 motivos pro Fluminense torcer pelo rebaixamento

por Felipe Lessa21h25

1. A união
As campanhas motivacionais de Atlético-MG, Corinthians e Vasco provaram que o clube volta fortalecido quando joga uma segundona. E hoje em dia o Flu não tem força alguma. Está mais zoado que os dentes do maluco que fala no Pânico: “oh oh Adriano, ta me ouvindo?”. Jogar a segunda divisão será um ato grande para o tricolor, um TIM (team, em inglês) que quer ser respeitado e grande. Até mesmo aqueles que são meros simpatizantes se tornarão torcedores tão fanáticos quanto os de um clube que não caiu - na luta pela moralização de seu time do coração. Estreitam seus laços, acompanham as notícias e convidam os camaradas da rua a debater questões clubísticas. Em tempos onde torcida sequer tem o direito de dar opinião sobre como tirar sua equipe de uma crise (a diretoria do Flu só escuta marginal de organizada, aqueles que ganham uma porrada de ingressos pra se calarem eternamente), essas mesmas pessoas (os torcedores comuns, aquele que paga de verdade o ingresso e compra produtos oficiais), sem ter abertura política algum nos quadros diretivos, sentem-se responsáveis pela volta de seu clube no próximo ano. A união faz a força.

2. Relevância
Erraram todos jogadores, comissão técnica e diretores do Fluminense ao dizer que a presença dos torcedores nos próximos jogos do Brasileirão é importante. Não digo pela questão de receitas que isso gera ao clube carioca, mas sim por terem deixado explícito que a fase final da Sul-Americana é segundo plano. Essa é a chance do Flu conquistar um título internacional de casa cheia, acabando com o complexo pós vice na Libertadores e dando auto-estima aos tricolores para que pensem grande, sofram (e também façam) uma lavagem cerebral que mostre serem um time grande. Acho que a diretoria do Flu deveria dizer ao torcedor: não vá ao estádio, vamos deixar o time cair e aí vocês voltam na segundona pra nos fazer voltar. O lance é mostrar que não estão nem aí para o Brasileirão (o que, de fato, é a verdade entre diretores tricolores).

3. Poder
As verbas que entram nos caixas de times como o Fluminense são extremamente mais gordas que a dos demais clubes da Segundona. Mesmo recebendo menos da TV, esss clubes tem tanta exposição nacional que podem conquistar receitas maiores que a de equipes regionais da primeira divisão. Com o mínimo de organização, tem tudo para atropelar seus rivais no B-side do Campeonato Brasileiro. Os torcedores ficam confiantes, a diretoria também. Até mesmo a auto-estima dos atletas tende a aumentar, ao ponto de chegar em 2011 como clube favorito ao título, que aprendeu com erros passados e tem sede de mudança. Dá pra iludir legal e fazer uma historinha, filminho, camisa promocional, livro e até roupa de palhaço. Esses caras precisam ser mais ligeiros...

4. Marketing
Timão e Vasco mostraram como se faz. Criaram campanhas publicitárias que ficarão para o resto da vida. Os corintianos viraram bando de loucos apenas por seguir seu time em sua “difícil” trajetória em 2008. Criaram outros bordões como “nunca vou te abandonar”, lançaram isso em camisetas e ainda ganharam grana com a tristeza da fiel, que comprou tudo que podia para ajudar seu clube do coração. No Vasco, o sentimento não acabou, colocaram 76 mil no Maracá em jogo simples contra o Ipatinga e ainda vão ganhar dinheiro com heróis como Carlos Alberto. É isso que precisa o Fluminense, uma nova projeção, uma nova cara, que os faça esquecer de vexames passados. Alias, a exposição do Vasco em programas de televisão chega a ser maior que a de Flu e Fogo. Afinal, está ganhando tudo. O Fluminense tem tudo na mão. Qual o clube brasileiro sem estrutura e organização alguma que teria tudo isso de mão beijada? Só fazer um esquema terceirizado de comunicação e marketing e pronto, tem gente que pode até tirar um por fora com isso.

5. Lavando a alma
O estereótipo do tricolor das laranjeiras é o do time grande que virou pequeno e só voltou para a elite do futebol nacional depois de intervenções políticas. É, isso é verdade. Isso é negativo para a torcida, que diariamente sofre gozações de flamenguistas, botafoguenses e, principalmente, de vascaínos. Sofre e com razão. Cair seria ótimo para o clube. O Flu pode receber todo suporte político para voltar dentro dos campos, basta não ter medo. A situação de hoje é bem diferente dos tempos em que a CBF precisou resgatar o tricolor de elevador da terceira para a primeira divisão. Vasco, Corinthians e Atlético Mineiro deram a sentença. É a hora do Fluminense repensar o peso que tem sua camisa. Alias...faz tempo que ela não pesa nada, mas as emissoras que transmitem o PPV da Segundona querem ajudar (pra manter a Série B varolizada) e os pangões ficam moscando. Não pode. Não dá.

6. Brazil Tour
O Brasil tem uma Série A seletiva. Digo isso em relação aos estados, já que em 2009 são 20 equipes e 6 são paulistas – gente que não está nem aí para o futebol carioca. Dois clubes são mineiros, mas por lá apenas parte do interior gosta de futebol carioca. Em Curitiba, os cariocas também não fazem muito sucesso. Quem vai lá ver jogo são apenas algumas caravanas de Santa Catarina e de Paranaguá. Alias, só tem um time de Santa Catarina na Série A. Outro estado que apóia eles é a Bahia...e por aí vai...é pouco. Mas se jogar a Série B, poderão visitar pontos importantes do Brasil e com grande contingente de pessoas que ama o Fluzão. Brasília, Natal, Floripa, Fortaleza...é muito terreno fértil a ser explorado. Sem falar de jogos contra times pequenos de São Paulo, onde a torcida carioca será predominante e até mesmo a existência de embates no interior do Rio de Janeiro. É a chance de bombar os estádios dentro e fora de casa. E o Flu vai perder a oportunidade?

*Me olvidé (esqueci, no linguajar que não é o do tricolor dos pampas) de hablar (contar) sobre o que se passou com los de Grêmio en la (na) Segundona. Los pibes gremistas achavam a segundona realmente o máximo, quase tão legal quanto a Liber e o Gauchão. Quem quiser ler um pouco mais sobre isso, clique aqui que os parceiros do Impedimento mandaram a letra.

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Out 09

O Flamengo e a reta final do Brasileirão...

por Equipe De Primeira01h11

Por Daniel Soares

Primeiro tempo maluco no Barradão, no jogo Vitória x Flamengo. Pra quem não tomava gol há 6 jogos, tomar dois de bola parada e mais um de contra-ataque foi fogo. E eu que achava que o principal problema seria o ataque formado por Dênis Marques e Zé Roberto. O Zé está em ascensão e jogou muito bem, principalmente no primeiro tempo.

O Dênis Marques só consegue fazer gol quando a bola desvia no zagueiro. Tá com cara de que vai se consagrar no Campeonato Carioca 2010 fazendo muitos gols em cima de Boavista, Resende, Tigres et caterva. Depois de um segundo tempo sonolento, o Flamengo achou um gol aos 46 minutos. O ponto em Salvador acabou sendo lucro dadas as condições do jogo.

Mas o Flamengo continua tendo que vencer todos os quatro jogos que tem em casa (São Paulo, Santos, Goiás e Grêmio), mais o clássico contra o Botafogo (o jogo será no Engenhão) e vencer as três partidas teoricamente mais fáceis fora de casa (Barueri, Náutico e Corinthians) pra continuar com chances de Libertadores. Muito difícil encaixar uma sequência tão regular, mas é possível até os resultados me provem em contrário.

Os outros jogos....

-O Internacional conquistou uma vitória obrigatória no Beira Rio. Nem as vitórias obrigatórias vinham acontecendo. Voltou a ser candidato sério à Libertadores.

-Acabou o fôlego do Jason? O São Paulo empatou com o Coritiba no Morumbi num daqueles momentos do campeonato em que isso é quase entregar a Taça pro adversário. Alias, no final do jogo o travessão salvou o time do Morumbi de perder em casa. E lá vai o Marcelinho Paraíba mantendo o Coxa na Série A. Esqueci de falar, no texto sobre o Fla x Flu, que ele foi um dos reforços que acertaram o Flamengo no segundo semestre de 2008.

-O Fluminense é um condenado à morte. Ainda está vivo, mas aguarda apenas marcarem a data da execução. Dead man walking. Corinthians? Feliz Natal!

-O Santos fez o que tinha que fazer pra ter um pouco de paz e o Sport já tem o veredito. Aguarda apenas a marcação da data, como o tricolor carioca.

-O 0x0 na Arena da Baixada não chegou a ser tão ruim para os dois clubes. O Atlético segue mantendo distância segura do rebaixamento e mantém proximidade da zona da Sulamericana (alguém se importa?). O Grêmio mantém respirando por aparelhos as chances de Libertadores.

-Quantas pessoas terão pago ingresso para assistir o "clássico" Barueri x Santo André? Ninguém precisa de dois clubes paulistas sem torcida na Série A, a não ser os grandes paulistas, que assim ganham um número maior de partidas em casa.

-A Nação Rubro Negra, mais uma vez comovida, agradece os esforços atleticanos e esmeraldinos de dar emoção ao campeonato. O Botafogo respira e ganha confiança. O Cruzeiro se permite sonhar com a Libertadores.

-O São Paulo provavelmente também agradece ao Palmeiras, que com o empate suado de hoje dá ânimo novo ao tricolor após a ducha fria do empate de ontem. Dois empates em 2x2 com times do sul do país.

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Out 06

O que o Flamengo pode fazer neste Brasileiro?

por Equipe De Primeira02h10

Por Daniel Soares

Estive no Maracanã no domingo. No primeiro tempo, a invenção do Andrade de escalar o time no 4-3-3, com Adriano, Dênis Marques e Zé Roberto não deu certo. Com o meio campo todo desarticulado, Adriano mal foi percebido em campo, Dênis Marques só errou e o Zé foi apenas disposição. Desguarnecida, a defesa ficou aberta e permitiu ao Fluminense fazer alguns contra-ataques perigosos. Parecia que a escrita estava mantida: Fla-Flus são jogos duros e equilibrados, independente da posição dos clubes na tabela.

Só que no intervalo o Andrade fez o que devia fazer: sacou o Dênis Marques e colocou o volante Willians no lugar, que além de ser um carrapato e roubar muitas bolas sem fazer falta, tem alguma qualidade no passe, velocidade e faz um bom apoio no ataque caindo pela direita. Com a marcação acertada lá atrás, Pet, Zé Roberto e o próprio Leo Moura tiveram mais liberdade. As várias opções de ataque desarticularam a marcação do Flu, espaços foram abertos e aí foi só tocar no Imperador que ele resolveu. Aos 20 minutos o jogo estava definido, com o Fluminense sem qualquer capacidade de reação.

O momento é bom. O Flamengo virou um time de futebol e ganhou estabilidade. Seis jogos invicto e sem sofrer gols. 14 pontos conquistados em 18 disputados. O problema é a instabilidade do Flamengo em campeonatos longos, que fica evidente desde 2007, quando bons times começaram a ser montados. O time se desmonta no início da janela e só se recompõe no final dela. Naquele ano, depois de freqüentar o rebaixamento durante todo o primeiro turno (com vários jogos a menos por conta do Pan), o time fez uma arrancada histórica e chegou à Libertadores, com o 3º lugar na tabela. Não foi só milagre do Papai Joel. O time montado para a Libertadores e campeão carioca começou o campeonato claudicante, ainda na ressaca da eliminação da Libertadores. Depois perdeu Renato Augusto e Renato Abreu. Foi se recompor apenas no fim do primeiro turno com as chegadas de Fábio Luciano e Ibson.

No primeiro semestre de 2008 o Flamengo montou o seu melhor time em muitos anos. Foi bicampeão carioca com facilidade e só não foi mais longe na Libertadores por causa de um oba-oba tipicamente rubronegro que terminou no vexame histórico contra o América do México no Maracanã. Mesmo assim, começou o Brasileiro de forma espetacular. Na décima rodada liderava com seis pontos de vantagem. Aí perdeu Marcinho e Souza, na janela. E, de novo, só foi se recompor no final da janela, no início do returno. Voltou a atuar bem e a conquistar boas vitórias. Deixou de ir à Libertadores por dois pecados imperdoáveis: empates no Maracanã contra a Portuguesa (2x2) e Goiás (3x3), este último depois de fazer 3x0 no primeiro tempo.

Em 2009, foi tricampeão carioca meio no embalo e na falta de adversários. Fez uma Copa do Brasil meia boca, apesar de ter crescido nos jogos contra o Inter e ter sido eliminado no Beira Rio com um gol no final. Começou o campeonato de forma errática. Adriano deu gás no início, mas fora de forma, alternava atuações boas e ruins. Mesmo assim, o time passou a ter um ataque, que não tinha até ali. Nos 13 jogos com Cuca, conquistou apenas 17 pontos e era o 11º. A entrada do Andrade deu um embalo que durou dois jogos: Santos fora e Atlético Mineiro em casa. Aí começou a sentir a perda de Ibson, que tinha ido embora pouco antes do Cuca, de Émerson que voltou pras Arábias, de Kléberson, estourado pela Estônia e do próprio Adriano, convocado. Nos seis jogos entre 16ª e a 21ª rodadas, o Flamengo viveu sua tradicional fase ruim do final do primeiro turno. Foram 4 pontos conquistados em 18 disputados. Com as chegadas de Álvaro e Maldonado, a defesa se acertou. Adriano entrou em forma e o Pet surpreendentemente entrou em forma e passou a fazer belas partidas.

Agora, vai ter que fazer sua já quase tradicional reação. Pode até chegar na Libertadores. Há muitos jogos difíceis: São Paulo, Goiás, Grêmio, Palmeiras e Atlético Mineiro, estes dois últimos fora de casa. Perderemos o Adriano, convocado, justo contra o São Paulo. Mas a reação é possível. O problema é que com os apagões da janela, o Flamengo perde a chance de disputar o título brasileiro que não vem há 17 anos.

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Ago 07

Que o Léo Moura queime!

por Equipe De Primeira01h41

*por Felipe Oliverote

Arrancaram o couro do Léo Moura por conta dos palavrões dirigidos à torcida do Flamengo após o gol de empate contra o Náutico. O sujeito já não é uma das figuras mais legais do futebol, longe disso, e na bocada de seus 30 anos, o surto de raiva pode mesmo ter sido o que de mais bacana aconteceu na carreira do lateral direito.

Talvez, no caso do flamenguista, a única coisa que poderia entrar na galeria dos acontecimentos que fazem o futebol ser o que é - tudo aquilo que não representa rios de dinheiro, nem toneladas de troféus.

E aí o pessoal que reclama do mecanicismo das respostas dos jogadores posa de tribunal da inquisição ao receber o pedido público de desculpas de Léo Moura - como se o jornalismo esportivo fosse mesmo essa bancada de jurados, pessoas que representam e defendem os valores de uma sociedade ideal.

Engrosso o coro de Mauro Cézar Pereira, da ESPN: o politicamente correto está aleijando o futebol brasileiro, o deixando careta e corporativo(no pior sentido da palavra). Em nome de um ideal de profissionalismo tacanha e na tentativa de produzir, em série, bons moços à lá Kaká, acabamos construindo robôs que, se nunca serviriam como modelo, muito menos representam ídolos.

Por isso, o que sobra é essa carência de figuras que alimentem a mitologia do futebol. Nada mais triste. Nada mais distante da verdade. Nada mais entediante para o torcedor.

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Jul 31

Saudades do Campusca

por Equipe De Primeira00h31

*Por Daniel Soares

Hoje eu tirei a tarde pra matar as saudades do Campusca. Campo Grande Atlético Clube, o clube do meu bairro. Do estádio, 15 minutos a pé da minha casa. O clube que trazia o Flamengo, o Vasco, o Fluminense e o Botafogo pra jogar aqui pertinho. Todos os craques do futebol carioca até os anos 90 botaram os pés no Estádio Ítalo del Cima, que chegou a ser palco de um Fla x Flu, em 1992, ano em que o Maracanã estava fechado. O estádio que tinha placas de publicidade das lojas aqui da esquina: Roberto Eletrônica, Borracheiro Boca Rica e Auto Escola Jorge. Uma época em que o bairro se envolvia com o clube, que contava com o apoio do comércio local.

Hoje o Roberto se aposentou, foi morar na Costa Verde e sua loja de eletrônica virou uma livraria evangélica. O Borracheiro Boca Rica virou franquia de uma grande rede. Apenas a auto escola prosperou. O Ítalo del Cima está literalmente caindo aos pedaços. Rebocos caindo, infiltrações, vergalhões aparentes, torres de iluminação tombando. Interditado há mais de dois anos.

O Campo Grande AC é um fantasma do que foi. Promovido à primeira divisão carioca nos anos 60, teve seu auge nos anos 80, quando foi campeão da Taça de Prata do Brasileiro em 1982 e tendo disputado a primeira divisão carioca seguidamente até 1992. Rebaixado, foi campeão da segundona em 1993. Lanterna em 1994 não foi rebaixado porque naquele ano não houve rebaixamento. Mas de 1995 o clube não escapou. Depois de quase subir em 1997, penou na segunda divisão até o buraco aumentar com a queda para a terceira divisão em 2002. Nesse tempo o clube viu sua infraestrutura desmoronar, os campos de treinamento virarem casa de funk e pagode - e o bairro se afastar completamente. Ninguém lembrava mais da existência do clube. O futebol do estado foi dominado pelos times de prefeitura do interior e da Baixada, em detrimento dos clubes tradicionais do Subúrbio.

Inusitadamente, o orkut deu uma sobrevida à torcida. Os mais jovens se lembraram que existia um clube no bairro. Mais de mil associados à comunidade, o que passou a render umas 100 pessoas por jogo no estádio. O problema é que, em 2007, o estádio foi interditado e o CGAC foi obrigado a perambular por aí, como cabe a um bom fantasma. Se já era difícil atrair os moradores do bairro para jogos em casa. Imagina em estádios distantes, às 15h de um dia de semana?

Inexplicavelmente, dessa maneira errante, o Campo Grande conseguiu fazer uma incrível campanha de recuperação, ser vice-campeão da terceira divisão carioca de 2008 e ser promovido para a segundona.

De volta após 7 anos, o time faz campanha errante. A disputa é para não cair. Hoje mandou o jogo no Estádio Romário de Souza Faria, o popular Marrentão. O pequeno estádio fica em Xerém, distrito do município de Duque de Caxias, num pé de serra muito verde onde a Região Metropolitana se encontra com a Serrana. A 85km de Campo Grande.

O Marrentão é a casa do Duque de Caxias FC, e ao ve-lo se compreende porque o tricolor da Baixada tem que mandar seus jogos na Série B do Brasileiro no Estádio do América, em outro município. O estádio não tem arquibancadas atrás dos gols e as "cabines" estão inacabadas. Não têm energia elétrica. O gramado é lamentável. Todo um lado estava inexplicavemente encharcado num dia de sol.

O jogo? Foi contra a Portuguesa Carioca, da Ilha do Governador. Encontro outrora comum na primeira divisão. A Portuguesa vem de dias melhores recentes. Disputou a primeira divisão pela última vez em 2006. Tem estádio bem conservado e mais apoio da comunidade local.

Foi 3x1 para os lusos. Teve gol de bicicleta, montinho artilheiro, um zagueiro driblado pela poça d'água e jogadores seguindo orientações da torcida em detrimento das do técnico. Foi divertido, apesar de tudo. Pretendo voltar. Antes que acabe.

*Daniel Soares, formado em economia, tem um texto de deixar macaco velho do jornalismo esportivo envergonhado. Hoje, nos deixou com saudades dos tempos em que o futebol honrava cada letra de sua palavra.

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Jun 15

Voltamos a sorrir

por Felipe Lessa04h18

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Jun 11

Pela vitória do Brasil, precisávamos perder

por Felipe Lessa10h27

Nossos vizinhos perderam oportunidade única de vingança pelo extermínio que cometemos na Guerra do Paraguai. De lambuja, poderiam ajudar o futebol canarinho. Uma derrota do Brasil poderia acarretar no início da queda do império. Afinal, Recife é a última base em que Ricardo Teixeira e CBF conseguem manter vestígios ideológicos e sentimentais por seu exército particular.

Toda vez que a amarelinha desembarca no Recife, os aparelhos ideológicos são acionados para reforçar, e forjar, um alienado carinho. Perdeu a graça.

Tudo começou em 93, no mesmo mês de junho, quando a velha guarda de aríetes do RT aplicou devastadora surra nos então humildes desafetos do futebol brasileiro. O Brasil estava vingado da humilhação infernal aplicada pelo diabólico capitão Etcheverry, na boliviana La Paz – quando o imbatível escrete conhecia pela primeira vez o gosto salgado da derrota em uma eliminatória da Copa. Pela primeira vez, havíamos sentido medo de lembrar do mundial.

É por isso que digo: tínhamos tudo para perder felizes. O fato de ver a seleção não entrar de mãos dadas simbolizaria perfeitamente o fim da era Teixeira. A derrota iria mostrar que a união não existe, e que a seleção só será brasileira quando valorizar a aclamação de seu verdadeiro povo. Por isso, eu adoraria ver um Paraguai arrasador.

Apenas para poder analisar a munição da mídia contra o Médici do futebol brasileiro. Um desastre no Arruda teria o valor simbólico da punhalada que toda ditadura merece tomar. Sem falar que ajudaria a aliviar o sentimento de culpa, pelo extermínio que meus compatriotas ajudaram a proporcionar entre 1864 e 1870.

O Duelo
Tomamos o primeiro golpe quando o Ronaldo paraguaio, Cabanas, estufou um balaço para cima de Julio César. Parecia ser a redenção brasileira. Realmente acreditei que iríamos perder. O jogo e também o cabresto.

Porém, quando as estratégias de cada agrupamento foram colocadas na mesa, Dunga levou sorte. Deixou o encargo da missão aos seus comandados – como tudo deve ser no futebol. Na falta de Luís Fabiano, nomeou Robinho. Deu-lhe um pouco mais de autoridade. E foi retribuído com o tiro de empate, ainda no primeiro tempo.

Apesar do combate disputado, a munição paraguaia acabou no segundo tempo. Sem balas, sem pistolas ou estilingues, nada puderam fazer. Quando Nilmar virou o escore do embate, com permissão de Robinho, ficou claro: só haviam matracas do lado de lá da fronteira. Enquanto do lado de cá, o matador colorado consolidava a confiança que Dunga deu ao ex-santista: o pedido para que com ele fosse formada a linha de frente brasileira.

E o Brasil venceu no Arruda. Para a explosão de Ricardo Teixeira, novo alívio de Dunga e o sentimento de dever cumprido por parte dos defensores da CBF. Talvez perdemos pois a munição inimiga ficou em Ciudad del Lest. Os paraguas estão fortes, mas foram humildes. Infelizmente, vão precisar de tempo: para perder a humildade, e ganhar nova oportunidade de deixar o Brasil completamente desmoralizado.

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Mai 12

The King of Perereco

por Equipe De Primeira02h02

Por André Pugliese*

O Vascão está pela boa para contratar o Aloísio, apelidado Chulapa. Nessa sexta-feira, o atacante pinta em São Januário e deve acertar o retorno ao Brasil. Confirmada a transação, garanto: mandou muito bem o clube cruz-maltino.

Sei que tem uma rapaziada numerosa que não curte o Aloísio, posição justificada por um argumento violento: como pode servir um centro-avante que raramente marca gols?

Relaxa, moçada...

De fato, dificilmente ele vai para a rede. No entanto, são poucos os atacantes no futebol mundial capazes de organizar um perereco como o Aloísio. Chulapa na área, bola alçada, só dá zagueiro se estabacando, furada, nêgo chorando, peruca voando, o caos.

"Calma, sei o que tô fazendo

A partir daí, lembrando o ensinamento do Paulo "Larica Total" Oliveira, o "erro é o pai do acerto". São tantas as confusões provocadas pelo camisa 11 que, volta e meia, alguém vai lá e guarda.

Baita trunfo para qualquer equipe - excelente para a Segunda Divisão, aliás - graças ao corpanzil da fera, resistente a todo tipo de abalroagem e fundamental para o cabeceio, mais a grossura de seu futebol. Sim, porque marcar caneludo é tão difícil quanto anular um gênio. Ambos são absolutamente imprevisíveis com a gorducha nos pés.

Quando quem manja vem de mano, você fica na miúda, ligado pois o cara é capaz de tudo. De repente, um milésimo de vacilação e a bola se foi pelo vão...

Já quando o réba aponta (caso do Aloísio), você nem esquenta. Afinal, ele não é capaz de nada. Eis que o cabôco ousa um elástico, a bola bate no calcanhar dele, a tosquêira assusta, bate-rebate, já era...

Deu para sacar o motivo de o Aloísio provocar desespero nos adversários? Se ainda não, comprovem no vídeo abaixo, um belo apanhado de trombadas terminadas em gols do atacante.

*Essa postagem marcou a volta do Blog Jornalista de Merda, lendário meio de comunicação de rua tocado por André Pugliesi e Rodrigo Abud, que agora promete dedicar espaço também ao futebol

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Mai 11

Sopa de perguntas

por Alessandro Manoel17h03

Fluminense apresentou novos uniformes nesta segunda-feira. Detalhe para o número 2, com duas faixas diagonais.

Eis, então, algumas perguntas que surgem.

O Vasco foi o primeiro clube brasileiro a usar faixas diagonais? Os torcedores cruz-maltinos farão piadas sobre a 'cópia'? É verdade que o Vasco adotou esta faixa quando foi treinado por um argentino, que queria homenagear o River Plate? Esse uso dos millonarios tem a ver com o caminho diagonal que os europeus fizeram para chegar ao centro do mundo (Buenos Aires)?

O Peru copiou quem?

A Ponte Preta usava antes do Vasco? E o uso do uniforme alvinegro listrado verticalmente no primeiro título de sua história este ano pode fazer com que os torcedores pensem que a faixa diagonal dá azar? Eu fui influenciado pelo bom momento ponte-pretano ou pelo poder paulista quando ao final da década de 70 eu achava que time preto e branco com faixa diagonal era a Ponte e não o Vasco?

Será que um post com tantas perguntas atrairá bons comentários?

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Mai 03

Campeões pelo Brasil

por Equipe De Primeira23h11

Por Fabrício Kichalowsky

Aos contrários de alguns (muitos?), eu gosto dos campeonatos regionais. Foi através deles que as grandes rivalidades nasceram e cresceram. E, se hoje temos grandes clubes no Brasil é, também, devido às conquistas regionais que fortaleceram os clubes e ajudaram a formar as equipes que fariam história no cenário nacional.

Isso significa que os campeões regionais são candidatos a um título brasileiro? Curiosamente, neste ano sim. Três times vistos como favoritos à Copa do Brasil e ao Brasileirão levantaram a taça nos últimos dias. Sem dúvida, vem aí um Campeonato Brasileiro como há muito não se via.

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Campeonato Gaúcho
Inter 2x1 Grêmio
Inter 8x1 Caxias

No Gauchão, a bem da verdade, não houve final. A disputa foi dividida em duas taças, Fernando Carvalho e Fábio Koff, representando os dois turnos. E o Internacional foi imensamente superior, em todos os sentidos. A primeira taça foi conquistada com mais uma vitória sobre o tradicional rival. A segunda, com um antológico placar de 8 a 1. Com melhor campanha, melhor ataque, melhor defesa e artilheiro do campeonato, o Colorado levou o estadual e começou vitorioso o ano do seu Centenário.

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Campeonato Paulista
Santos 1x3 Corinthians
Corinthians 1x1 Santos

Depois de uma temporada na Segunda Divisão, o Corinthians fez um Paulistão louvável. Enfrentou todos os grandes de São Paulo e venceu-os com autoridade. Na primeira final, na Vila Belmiro, com uma atuação fantástica de Ronaldo que, em dois lances, decidiu o campeonato. Invicto e com um dos maiores atacantes do mundo, o Timão ressurge como um dos grandes times do Brasil, no momento.

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Campeonato Carioca
Botafogo 2x2 Flamengo
Flamengo (4) 2x2 (2) Botafogo

A disputa regional mais equilibrada não poderia terminar de outra forma que não nos pênaltis. Na primeira partida, Maicossuel foi decisivo nos dois gols botafoguenses. Na segunda, Kléberson fez ambos os gols flamenguistas. Mas o nome da decisão carioca acabou sendo o goleiro Bruno que, depois de defender uma penalidade máxima no tempo regulamentar, deu o tricampeonato carioca ao Flamengo com duas defesas na disputa dos pênaltis. Mantida a base do time campeão e com o acréscimo de Adriano, que trocou Milão pelo Rio de Janeiro, o Fla chega ao Brasileirão muito forte.

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Campeonato Mineiro
Cruzeiro 5x0 Atlético
Atlético 1x1 Cruzeiro

O elástico placar de 5 a 0 praticamente decidiu o campeonato a favor do Cruzeiro já na primeira partida. Com jogadores como Kléber, ex-Palmeiras, além de Vágner e Ramirez, entre outros, a Raposa manteve a base forte do ano passado e vai para o Campeonato Brasileiro como um dos candidatos ao título. Assim como em 2008, diga-se de passagem.

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Além desses, Sport (PE), invicto, além de Avaí (SC), Atlético (PR), Goiás (GO) e Vitória (BA) venceram suas disputas regionais e festejaram junto às suas torcidas.

Se vão fazer um bom papel no Brasileirão não se sabe, é provável que não, mas isso de forma alguma diminui suas conquistas em âmbito regional. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. E a festa nas arquibancadas pelo Brasil só demonstra o quanto o torcedor valoriza os campeonatos estaduais.

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