La mejor seleción del mundo? Menos, vá.
por Ana Carolina Moreno16h00
Controlem a ansiedade. Uma vitória – convincente ou não – da seleção brasileira hoje contra a Bolívia não apontará que o time, sem sombra de dúvidas, finalmente reencontrou o rumo, seja ele qual for. A vitória contra o fraco Chile não apaga, por exemplo, a derrota inédita contra a fraquíssima Venezuela, mas indica, pelo menos, que a equipe conseguiu fazer sua obrigação de jogar com rapidez, agilidade e em busca do resultado, em vez de falar muito e fazer pouco. Já é uma boa notícia.
Dunga afirmou que a vitória em Santiago foi conseqüência do bom trabalho realizado nos treinos. Não sei se alguém perguntou, em seguida, sobre o que teria causado a derrota contra a Argentina, na China.
Acontece que vencer e perder fazem parte do trabalho, e é isso que parece não entrar na cabeça dos apoiadores do técnico. Ou de seus críticos. O treinador que fizer do Brasil um time absolutamente invencível, hoje em dia, pode entrar na fila de beatificação do Vaticano antes mesmo de morrer.
Ansiosos pelos motivos mais errados possíveis, todos correm para encontrar os fatos irrevogáveis, como se futebol fosse ciência. Embaixo do guarda-chuva da CBF, jogadores, comissão técnica e dirigentes, já habituados à posição institucional-marqueteira da entidade, acreditam piamente que o resultado de domingo já é suficiente para calar a imprensa encrenqueira, tanto a brasileira quanto a chilena.
No primeiro caso, qualquer voz que insistir em opinar representaria automaticamente interesses escusos e, portanto, não mereceria ouvidos. No segundo, é quase triste ver a reação exagerada no vestiário. Como se os hermanos mais afastados, em sua inesgotável ilusão de um dia poderem entrar para a elite do futebol mundial, merecessem tanta atenção pelas manchetes otimistas que ousaram escrever e, pior, como se isso justificasse que os visitantes fossem embora deixando, de presente, um mural pichado com dizeres tão mal-educados quanto falhos gramaticalmente.
Hoje à noite vamos encarar a Bolívia em um Engenhão semi-cheio, ou semi-vazio, dependendo do otimismo do/a leitor/a. Robinho pede que os torcedores compareçam para apoiar. Eu, se estivesse no Rio, aproveitaria a falta das filas que me deixaram fora do Brasil X Uruguai em 2007 e apareceria por lá, mesmo sabendo que o Robinho deve perder mais um ou dois gols praticamente feitos. E que Ronaldinho deve capengar a partir dos 10 minutos do segundo tempo. Mas apostando que Luís Fabiano e Diego farão o suficiente para garantir o placar favorável.
Ganhar em casa do lanterna das eliminatórias, cuja estrela principal - a altitude - não joga fora do país, não é mais do que a obrigação, especialmente depois da primeira vitória fora de casa no torneio classificatório. Se, para manter a motivação, o time vai jogar dardos na foto de Lula durante a preleção ou eleger outro alvo para xingar de FDP para mim pouco importa. Só não venham reclamar de pressão exagerada, caso a zebra amanhã vista verde e amarelo.
Aproveitando a rabugice: Só eu vou reclamar do fato de o Dunga bancar o diplomata e convocar jogadores que ainda atuam na terrinha, mas para deixá-los no banco, usando apenas em caso de suspensão ou contusão dos "titulares europeus"? Atrapalha nosso campeonato por nada. Devolva os caras de uma vez então, que a gente aproveita mais!
Kantuta é a Bolívia de chuteiras
por Felipe Lessa22h52

Na Praça Kantuta, localizada na zona norte de São Paulo, ocorre dominicalmente uma feira de bolivianos. E foi para lá, no reduto brasileiro de Evo Morales, que rumamos nós do De Primeira. A culinária típica, as danças folclóricas e as canções regionais bolivianas ditam o ritmo de um ambiente precário de estruturas físicas, que de nada contrasta com a posição social dos filhos da Bolívia que chegam no Brasil em busca de melhor qualidade de vida, mas na ilegalidade acabam se submetendo ao trabalho escravo dos tempos modernos.
Até mesmo as apresentações de dança realizadas no meio da praça acontecem às escuras. Aos redores, centenas de barracas bolivianas. Entre elas, uma especializada na venda de artigos esportivos. Entre camisas, bandeiras e toalhas de clubes como o Bolívar e do centenário The Strongest de La Paz, Aurora e Jorge Wilstermann de Cochabamba, mais a seleção nacional, diversas preciosidades. Daquelas que não se encontram nem nas grandes e reconhecidas firmas especializadas na venda de camisas de futebol.
Da originalidade dos produtos, pouco se pode dizer. Até mesmo pela razão de que os sites oficiais dos clubes citados acima, mais a seleção, estão em construção ou não existem. No entanto, a vendedora afirma que os produtos são de fato bolivianos. Fica somente a dúvida ao pensar: os produtos realmente vieram da terra de Etcheverry ou foram apenas produzidos por bolivianos, imigrantes no Brasil, a mando dos patrões que geralmente são coreanos?
Nas quatro linhas do gramado o futebol boliviano segue a regra. Seus principais jogadores migraram para outras nações em busca de uma melhor qualidade de vida. El Diablo Etcheverry é uma referência. Saiu do Bolívar para o Albacete da Espanha, passou pelo Colo-Colo do Chile, América de Cali da Colômbia até parar no DC United dos Estados Unidos.
Na pátria de Mickey Mouse o craque foi considerado um dos revolucionários da MLS, liga do futebol ianque. Se os gringos gostam dele, os brasileiros carregam certo rancor. Nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 94, Etcheverry comandou o desastre canarinho responsável pela primeira derrota do escrete no torneio.
Outro exemplo de migração é o atacante Marcelo Moreno Martins, considerado o sucessor de El Diablo. Hoje no Shakhtar Donetsk da Ucrânia, Marcelo Martins para os bolivianos, Marcelo Moreno para os brasileiros, foi parar no Vitória da Bahia em 2004. Posteriormente seguiu para o Cruzeiro, de onde foi negociado para a Europa. Da passagem pelo Brasil, surge sua dupla nacionalidade, algo requisitado por tantos compatriotas que não herdaram o mesmo talento para o futebol. O ex-jogador do Oriente Petrolero chegou inclusive a ser um dos poucos atletas estrangeiros a vestir a canarinho, nas categorias de base.
Por último, quem sai de lá vai ser um paraguaio naturalizado boliviano. Pablo Escobar deixa o Strongest e ruma para Minas Gerais, onde vai carregar a dura missão de ajudar o Ipatinga a se livrar do rebaixamento no Campeonato Brasileiro 2008. O atacante, assim como muitos compatriotas, chegou ao Brasil sem visto de trabalho e deve ficar emprestado ao clube mineiro por um ano.
Escobar figura nas surpresas entre os convocados para a seleção boliviana que pelas Eliminatórias da Copa do Mundo vai enfrentar Equador (6) e Brasil (10). Entre os convocados, boa parte atua em casa, embora hajam representes do futebol da Arábia Saudita (Ronald Raldes - Al-Halil), Grécia (Ronald Garcia - Aris (Grecia), Colômbia (Diego Cabrera – Cucuta) e Ucrânia (Marcelo Martins – Shakhtar Donetsk).
Quando o assunto é o selecionado nacional, vale lembrar que existe inclusive uma ameaça de greve por parte dos jogadores, devido a um conflito com a federação local. Os atletas pedem que o governo de Evo Morales e a Federação Boliviana de Futebol (FBF) criem normas e leis que protejam os direitos dos jogadores em seus clubes, com relação a seus contratos e seus seguros médicos.
A crise é forte. Não é maior pois a seleção venceu o Panamá por 1 a 0 no dia 20 de agosto. No entanto, mesmo sem ela, a crise, o maior feito boliviano foi conquistar a Copa América de 63. Outros feitos considerados grandiosos foram o 12º lugar da Copa do Mundo em 1930, a 4a posição no Pan-americano de 2007 e o vice da Copa América, dez anos antes do Pan, em 97. Talvez a crise seja o começo de uma revolução no futebol local, que passou a dar os primeiros passos de melhor organização recentemente.
O campeonato nacional desta nação foi definitivamente profissionalizado em 77. Seus primórdios ocorreram em 1914, com o Strongest levando para casa o Campeonato Amador de La Paz. Este foi o principal torneio até a semi-profissionalização ocorrida em 1950, tendo o Bolívar como vencedor. A partir de 71 o grande torneio foi a Copa Simón Bolívar. Foi o marco que datou o fim do amadorismo em toda a pátria, em torneio ao estilo Copa do Brasil. Seu primeiro vencedor foi o time pelo qual torce El Diablo: o Oriente Petrolero, de Santa Cruz de La Sierra.
Desde a definitiva nacionalização de uma liga profissionalizada do futebol da Bolívia de 1971, o maior vencedor foi o Bolívar. Ao todo a Academia conquistou 16 canecos, o dobro do segundo colocado em títulos, seu rival The Strongest. El Más Fuerte conta com 8.
Na atualidade, o equilibrado campeonato está dividido em dois grupos de seis times. O grupo A conta com o Blooming de Santa Cruz de La Sierra na liderança. Foram quatro vitórias e apenas uma derrota até o momento, marcando 12 pontos. Em seguida aparecem Oriente Petrolero (8), Aurora (7), Real Mamoré (7), Jorge Wilstermann(7) e o laterninha Guabirá (1).
No grupo B, segue o Real Potosí nas cabeças. A equipe potosina venceu três jogos, perdeu dois e segue com nove pontos. Na rabeira aparecem Bolívar (8), La Paz (8), Universitario (8), The Strongest (7). No fim da linha está o San José, com um ponto solitário.
Na primeira rodada do returno, que começa dia 13, o penúltimo colocado do grupo B poderá dar um salto no seu posicionamento. Enfrenta o mais fraco do seu grupo, enquanto o Real vai disputar quem segue para a liderança com o perigoso Universitario, no domingo (14). No outro jogo do grupo, Bolívar e La Paz disputam o derby local tambem com pretensões de chegar na ponta de cima da tabela.
No grupo A, que vai ter sua rodada iniciada no dia 14, tudo corre a favor do Blooming. Vai enfrentar o lanterninha Guabirá em casa. Deve se manter no primeiro lugar, apenas aguardando os resultados do rebolo, onde o Real Mamoré enfrenta o Oriente Petrolero e o clássico de La Paz entre Aurora e Wilstermann.
Serão semanas cheias de emoções. Com certeza, muito existe para se debater em La Paz, Santa Cruz de La Sierra, Cochabamba e claro, na Kantuta, um território ao mesmo tempo boliviano e brasileiro. Território das Salteñas, flautas de pã, malhas andinas, Chincha Villera, suco de Maní (tão adorado pelo Marcão), Bolívar, The Strongest, Aurora, entre tantos outros. Território onde Corinthians, Atlético, Coritiba, Vasco, Grêmio, Palmeiras, Bahia e São Paulos não têm vez.

Os bons tempos voltaram?
por Equipe De Primeira22h57

Em 1983, ano que o Flamengo foi campeão brasileiro, a média de público do time foi de 63 mil pessoas. Parece inacreditável. Pois nesta quinta-feira (04), 68 mil pessoas foram ao Maracanã ver o rubro-negro contra o São Paulo. A média do time após o Pan ultrapassa as 40 mil pessoas. Para melhorar, o pentacampeão Flamengo bateu o São Paulo por 1 a 0, gol de Ibson, ironizado na edição de hoje do diário Lance!
Ainda nesta quinta, o Inter empatou com o Figueirense em Florianópolis. Com apenas 37 pontos, o Inter está adiando faz tempo a reação. Pode ser surpreendido. E, em Natal, o Paraná conseguiu perder pela segunda vez no mesmo campeonato para o América-RN.
Na quarta-feira, o Atlético-PR ganhou do Botafogo, que caminha célere à Série B. Já vejo as mais bisonhas desculpas dadas pelos alvinegros em caso de rebaixamento. O Palmeiras venceu o Náutico e prolongou a ilusão de Libertadores por mais uma rodada. Acabará na Sul-Americana.
O Corinthians empatou no Rio contra o Fluminense por obra de Felipe. O goleiro corintiano fez pelo menos duas defesas inacreditáveis. Em breve os comentaristas do eixo exigirão sua convocação obrigatória por Dunga.
E o Cruzeiro perdeu mais uma no Mineirão e mostrou que nunca foi candidato ao título. Se tivesse vencido Figueira e Santos hoje a diferença para o São Paulo seria de apenas seis pontos, com a possibilidade de diminuir para três no confronto direto. Como o São Paulo irremediavelmente perderá para o Atlético-PR em Curitiba na última rodada, o campeonato até poderia ter alguma graça no confronto pelo título. Parabéns, Cruzeiro, por arruinar o Brasileiro 2007.
Parabéns ao Vasco também, pela derrota em casa para o Juventude.
Para terminar, deixo a imagem de tio Evo Morales participando de um amistoso contra a Seleção Boliviana.

Postado por Jones Rossi