Out 24
Blitz na peixaria do Globoesporte.com
por Ana Carolina Moreno19h42
Vender o peixe da empresa é uma coisa (aliás, uma coisa infelizmente necessária), mas o Alexandre Abreu passou um pouco dos limites da sem-vergonhice.
Eis o texto que publicou no blog Conexão Gontijo na última sexta-feira (link direto):
O reconhecimento internacional da Musa do Brasileirão
A edição britânica da revista “FourFourTwo” descobriu e se encantou com a promoção “Musa do Brasileirão”. A revista dedicou uma página de sua última edição a falar sobre a promoção que agita este site. Todas as etapas da competição foram explicadas e uma foto foi para publicada para que o leitor tivesse uma completa idéia do evento, que já está virando uma tradição no futebol brasileiro. A ultima campeã foi dissecada pela publicação, que fez questão de mostrar o grande esforço das candidatas. A “FourFourTwo” é a maior multinacional das revistas de futebol em todo mundo; são seis edições além da matriz e a brasileira começou a circular no ano de 2009, podendo ser encontrada em todo o território nacional.
Estaria tudo muito bem, não fossem as incongruências que, espero, tenham sido fruto da falta de conhecimento do idioma e da situação da revista em questão. Porque me custaria aceitar que o GE necessita agir com tanta falta de rigor jornalístico.
O estilo "assessoria de imprensa", para mim, é inaceitável, mas se ele quiser, que o use à vontade. "Descobriu e se encantou"? "uma foto foi para(sic.) publicada para que o leitor tivesse uma completa idéia do evento"? "fez questão de mostrar o esforço das candidatas"? Só lamento.
Agora, mentira já é demais. E duas no mesmo texto, para distorcer os fatos e dizer que esse concurso já está virando "tradição no futebol brasileiro"?
A revista não se encantou com coisa nenhuma. Como os próprios leitores comentaram no blog do GE, a publicação ridiculariza o concurso e brinca com todos os possíveis esteriótipos brasileiros. Me diz o que Carnaval tem a ver com a Musa do Brasileirão? A própria linha fina, um dos elementos de primeira leitura da página, usa a expressão "a frankly exploitive competition", que em português se traduz por "uma competição francamente exploratória". Outro elemento de destaque é a legenda no topo da página: "E o vencedor é... todos os machos com sangue quente do mundo inteiro". Não é a mulher que vence, Alexandre Abreu.
Ela só não é mais direta para não atacar frontalmente o absurdo machismo praticado pelo Globo Esporte nessa competição, que para começar nem é uma competição. O regulamento diz claramente que é a equipe do GE quem escolhe as finalistas, ou seja, a mocinha inocente que compra mil biquinis com as cores do suposto time do coração e pede para os amigos produzirem ensaios sensuais caseiros é só massa de manobra para aumentar a audiência do site. A vencedora do concurso em 2007, por exemplo, já tinha feito curso de manequim, títulos de miss e acumulava no currículo aparições na novela global Marmelad... quero dizer, Malhação.
Mas voltemos à reportagem... Se por "bizarre challenges" (desafios bizarros) Alexandre de Abreu presume que o repórter Celso de Campos Jr. quis explicar o concurso passo a passo, para que o leitor tivesse a idéia completa do evento, eu diria que seria só uma versão resumida, mas que dá sim para pintar a imagem da competição. Os destaques da reportagem, que afirma que não é preciso muito mais do que um top rasgado para ganhar a contenda: um torneio de bambolê, usado "justificar o zoom de um minuto em cada garota chacoalhando os seus bens", o talento de cada candidata em sambar sobre salto alto e biquini característico da fantasia carnavalesca (é essa parte da tradição futebolística?), e, claro, o desfile em traje de festa, ainda que o autor ache estranho que a maioria delas pareça mais uma assistente de palco de um mágico do que uma mulher vestida para uma festa elegante.
Pelo nome, você já deve saber que Celso de Campos Jr. é brasileiro. Ele é jornalista formado pela Cásper Líbero e, entre outros trabalhos, publicou uma biografia de Adoniran Barbosa, depois de três anos de pesquisa. Celso é correspondente da 4-4-2 inglesa há anos, além de colaborar com outras publicações internacionais sobre futebol. Portanto, ele conhece o tema, conhece o público da revista lá fora e sabe muito bem que imagem as pessoas têm das brasileiras: mulheres pouco cultas que usam pouca roupa porque aqui faz calor e também porque é a única maneira de elas chegarem a ser algo na vida. Não é à tôa que ele guarda para o final de seu texto as aspas da mãe da vencedora da última edição: "esse título mudará nossas vidas", para depois concluir que é ainda mais chocante ouvir da menina vencedora que ela é virgem e está se guardando para o casamento. Tanta hipocrisia depois de tanta submissão choca as pessoas do mundo desenvolvido. Mas parece que ao GE só importa vender seu peixe. Seja ele fresco ou podre.
Abaixo a página escaneada da reportagem.
PS: A Four-Four-Two, apesar de ter bastante renome internacionalmente, bem que tentou publicar uma edição verdadeiramente brasileira, mas hoje se limita a circular traduções de textos produzidos lá fora.
Out 23
Great Cornolhos do futebol paranaense
por Felipe Lessa16h16

Marcelo Caldarelli e Aurélio Almeida sonham em se tornar celebridades. São daqueles caras que a todo o momento fazem algo para aparecer, mesmo que seja uma breve tacada pitoresca. No momento do retorno destas duas personalidades, a vida social de Londrina e Grêmio de Maringá voltou a ser bombástica. Deixa rastro em tudo. Quem sabe, também não dá a sentença: Clássico do Café apenas nos bastidores. Esperando ver quem protagoniza a cena mais cômica do futebol paranaense.
O desenhista Mike Judge, se tiver o interesse de entrar no ramo da pelota, talvez poderia retratar um pouco de histórias parecidas com as dos personagens de Galo e Tubarão em novos episódios de Beavis & Butt-Head.
Afinal, as bizarrices cometidas pela dupla remetem o espectador a desconstruir toda imagem do futebol, para depois reconstruí-la. Basta pensar profundamente sobre cada estupidez cometida por pessoas anônimas desesperadas pela vontade de se tornar públicas. Isso aguça o instinto do povo – até quando este resolve copiar um personagem esquisito e colocá-lo em prática no mundo real.
Nem mesmo a mudança no perfil dos dois seria necessária. Bastava que o roteirista do possível desenho mantivesse os jovens bizarros e pervertidos.
Sedentos por descarregar todo fracasso amoroso acumulado em Highland, Beavis & Butt-Head tentariam se aventurar no interiorzão do Paraná. O objetivo seria “se dar bem” no futebol e finalmente faturar uma garota.
Butt-Head pensaria em algo grande. Alguém poderia dizer que ele tinha dom para ser o salvador do futebol paranaense, que havia uma dupla com 6 títulos estaduais, 1 Taça de Prata, 1 Taça Roberto Gomes Pedrosa e uma 4ª colocação na primeira divisão do nacional prestes a realizar fusão, e ele prontamente acreditaria ser a pessoa certa para comandar o time.
Na saída do Burger World, filial norte-pr, o garoto passaria o migué em Beavis,um pseudo-recente-comunista-velho-camarada-de-falcatruagem que numa outra encarnação havia defendido a Seleção Brasileira. “Estamos sem grana no bolso, mas podemos cobrar R$220 de gordinhos e excluídos. Juntamos a grana e faturamos as garotas. Come to Butt-Head, baby. Hoho ohohoho ohohoh”. E assim estava montado um time com tempero de frango e sardinha para a disputa de qualquer campeonato que aparecesse.
Nos vídeos que intercalam cada episódio, histórias do futebol nortista sendo retratadas. Desta vez, Judge colocaria vídeos notáveis do Canal 100 ao invés de clipes, mantendo apenas o saudoso Rock´n´Roll ao fundo. Mudar de canal, ou não, seria a resposta positiva ou negativa para alguma reportagem.
- “ Hehe hehe hehe. Esse time tem sardinhas. A mascote desse time é a fêmea do Tutubarão. Poderia me dar mole”, diria Beavis, estrepado na aconchegante sala de casa. Prontamente ele seria retrucado por Butt-Head.
- “Shut up, Beavis. Sardinha é sua mãe, que nem conhece o VGD e faz parte da chapa presidencial. Hoh ohohoh oh ohoh ohoh”
No audacioso projeto de Beavis & Butt-Head, algumas fêmeas são convidadas a trabalhar em seu time. Seriam gandulas dos jogos, nas tardes dominicais. Excitariam os garotos com os elogios recebidos das arquibancadas.
Na angústia para que tudo dê certo (saia na imprensa), bastaria também contratar um ator global, incendiar o interior com promessas envolvendo celebridades, grandes equipes e dar tiros para o alto. Pronto! Era a chance de juntar influência na cidade sardinha de galinha e faturar. Tom Anderson, Stewart Stevenson e até mesmo o treinador Buzzcut seriam parceiros – acreditando nas pretensões dos garotos em salvar o futebol local.
Com a grana em mãos, os jovens convidam as modelos gandula para um jantar regado a nachos e cervejas trocadas em permuta com contribuintes do clube: o Londringá. No entanto, ao perceber que as geladas não tinham álcool, Beavis degusta uma enorme quantidade de café e açúcar no refeitório do Burger World – local onde ainda trabalha, apesar das moedas do clube sempre serem esquecidas no bolso. Surge o diabo loiro. Ele fica enlouquecido, delirante. Tapa sua cabeça com a camisa e começa a gritar de forma demente, sem se calar: “Great cornolhio! Great cornolhio! Great cornolhio!”
Receosos, os donos da lancheria convocam a polícia. Essa bebida não estava presente no contrato de permuta, por isso Beavis & Butt-Head tomam uma dura e vão em cana. As garotas deixam o recinto e seguem para casa. O dinheiro dos contribuintes é utilizado no pagamento da fiança.
Com sorte, a dupla pensaria em nova chance de reerguer o futebol do norte para faturar alguém. Talvez utilizando cabeças de gado de desconhecidos ou emprestando carros de concessionárias para suposta premiação de bingos picaretas. Com azar, uma dupla de toupeiras poderia levar o caso a sério, imitar os jovens e os dois times fechariam as portas. Mas se Mike Judge gostar da idéia, com sorte ou azar, o Clássico do Café dos dias atuais pelo menos ainda teria suas histórias bizarras, mas no foco do povo. “Hehehe heheh heheh”. “Ho hoh ho h oh oh”.
Mai 29
Anarquizando a pelota
por Felipe Lessa19h47

Quando os atletas do clube inglês Easton Cowboys and Cowgirls não vestiram seus fardamentos para disputa da partida amistosa contra o Autônomos Futebol Clube, e os times se misturaram, parecia que uma simples pelada de final de semana estava por ocorrer. Algo visualmente desorganizado, sem estruturas, pretensões e com boleiros de habilidades duvidosas. Futebol extremamente amador em Santo André, no ABC Paulista.
A passagem de carros e pedestres, interrompendo peleja disputada na cancha de asfalto, ganhava novas dimensões quando seu contexto era analisado. A Rua Alcides Queirós foi parte integrante de um evento idealizado com o intuito de discutir futebol, política e princípios como a Autogestão, como meio de quebrar os preconceitos da sociedade.
“O futebol de rua é um dos jogos mais anárquicos do mundo. Não por ser desorganizado, mas por ser um jogo de livre acesso para qualquer pessoa, seja homem, mulher, homossexual, criança ou jovem. Todos têm o direito de jogar, sem necessitar de muitos recursos. Basta qualquer coisa redonda e um espaço qualquer”, explica João Borghi, um dos idealizadores do evento.
Os visitantes ingleses foram a grande atração do Anarchy in the UK and ABC, onde puderam, além de jogar bola, compartilhar com os camaradas brasileiros um pouco mais dos princípios norteadores do Easton Cowboys and Cowgirls.
Trata-se de um clube desportivo e social diferenciado, fundado por alguns punks em 1992 e que hoje conta com centenas de adeptos. Apesar de possibilitar a prática de modalidades que vão do futebol ao críquete e basquete, o maior vínculo do Easton é ideológico: não existe a presença de um craque em qualquer um dos times. A vida social de cada integrante e os debates sobre questões e pensamentos libertários são mais importantes que vitórias em qualquer competição.
Um dos orgulhos exaltados pela equipe de Bristol é seu patrocinador: o Plough bar, localizado nas redondezas do território dos cowboys e cowgirls, que o consideram como um segundo lar – mesmo nos minutos de concentração que antecedem as partidas em casa.
Fora de casa
A caravana dos Easton Cowboys e Cowgirls em terras brasileiras foi agitada. Chegaram no dia 16 de maio, participaram de torneio de futsal em verdurada, torceram pelo Santo André no Bruno Daniel, estiveram em debates com presença desde professor da USP até líder da Gaviões da Fiel, questionaram o “futebol negócio”, relacionaram política e futebol, gênero e preconceito, entre outros.
Antes de ir embora das terras tupiniquins, no dia 27, houve uma série de partidas de futebol masculino e feminino contra times como Hermanos de Pelé, Rio Punxxxx e os próprios Autônomos, além de outros times mistos. Por aqui, além do futebol de rua, jogaram em locais como canchas de salão e futebol de areia.
Além da turnê pelo Brasil, excursões inusitadas para o futebol convencional fazem parte do auge do Easton. Foram até Chiapas, no sul do México. Por lá, além de jogarem uma série de torneios contra equipes de futebol zapatistas, auxiliam as comunidades locais com recursos financeiros e voluntários para aplicação de projetos desportivos. Foram eles também a primeira equipe de futebol inglesa a disputar uma partida no território palestino. Outro feito fora de seus domínios é a participação anual da Copa do Mundo AntiRacista, que ocorre na Itália. Literalmente, anarquizaram a pelota.
Jan 28
A potência catarina e o futebol
por Felipe Lessa17h00
Contrariando ao que todos falam, discordo quando o Campeonato Catarinense é classificado como fraco. Sinceramente, uma iniciativa dos vizinhos me deixou babando mais do que o normal. Já que babei na Miss Paranaguá, que entrou em campo com o Rio Branco, no domingo...não custa nada reconhecer algumas glórias de nossos irmãos sulistas.
Talvez, se o chefe da Futpar não estivesse tão preocupado em estampar o símbolo do Corinthians no coração dos Malucelli, as mulheres poderam ser bem incorporadas ao futebol paranaense (como já sugeriu nosso amigo Leo Mendes Jr ou próximo de algo que já ocorreu em Londrina, com as Tubaretes - modelos gandula que davam mais alegria ao espetáculo).
Voltando às belezas catarinenses, segue abaixo a escalação (que infelizmente chegou até mim sem nome, endereço e telefone)da melhor seleção estadual de todos os tempos: Avaí, Metropolitano de Blumenau, Chapecoense, Figueirense, Cidade Azul de Tubarão, Joinville, Criciúma, Atletico Ibirama, Marcílio Dias de Itajaí e Brusque - os 10 bons motivos para acreditar no potencial barriga verde.

Nov 02
Primeiro os pretos, depois os pobres, agora os gays
por Felipe Lessa19h50
João Emanuel Carneiro está entrando para a história do futebol brasileiro de forma inusitada. Apesar de uma carreira repleta de títulos, Emanuel ainda não havia marcado gols e também não escreveu especificamente sobre o esporte. No entanto, com a cena apresentada 30 de outubro em A Favorita, Rede Globo, o nobre autor foi protagonista de mais um duro golpe para a quebra de paradigmas no futebol brasileiro.
Aproveitando da credibilidade e alcance de uma novela da Globo, o autor de renomados filmes como Central do Brasil (1998) e Castelo ra-tim-bum (1999), mais novelas como Cobras & Lagartos (2006) e Da cor do pecado (2004), apresentou uma cena que chocou e irritou muitos torcedores.
Apresentou Armandinho (Iran Malfitano), um personagem homossexual, saltitante e revoltado com o presente que Halley (Cauã Reymond) comprou para o seu futuro filho: uma camisa do Corinthians. Acontece que personagem gay que recentemente oficializou um casamento de fachada com a corinthiana Maria do Céu (Débora Seco) e oficiosamente seria o pai da criança ficou desgostoso com a idéia de manipularem a opção clubística da criança, afinal ele é são-paulino.
Pela cena, o autor foi de certa forma massacrado. Muitos torcedores do tricolor paulistano estão indignados. Os adeptos de outras equipes caíram em gargalhadas. Alguns jornalistas chamaram injustamente João Emanuel de preconceituoso por reforçar o estereotipo gay do torcedor do São Paulo. No entanto, a opção do autor foi a mais correta possível. De forma alguma pareceu preconceituosa.
Emanuel aproveitou e poderá aproveitar ainda mais o estereótipo do “bambi” tricolor para conscientizar parte da população brasileira que ainda não aceita o cidadão gay tanto no futebol como na sociedade. É o princípio da mudança no tricolor, já que os torcedores organizados do mesmo São Paulo Futebol Clube se sentem envergonhados com a condição de ter entre seus 11 combatentes um suposto homossexual, Richarlyson.
Apesar das dificuldades o personagem gay, tanto em novelas como na vida real, está conseguindo quebrar os estereótipos e preconceitos. Muitos homossexuais não brincam de bonecas, passam batom ou usam roupas femininas. Apesar de um maior apego ao fino trato, boa culinária, viagens exóticas, logicamente existem aqueles que gostam de futebol, do esporte, e não das pernas masculinas.
Nem mesmo as torcidas organizadas brasileiras fogem da regra. Em passado não muito distante, entre os anos 70 e 80, torcidas de times tradicionais se formaram pelo público gay. Apesar de ser contra a segmentação da sociedade, criar uma organizada segmentada foi uma necessidade para Flagay (Flamengo), Gayrani (Guarani) e Coligay (Grêmio). Dentro de uma facção “comum” estes torcedores teriam que se esconder. Nas suas novas “firmas” não.
Talvez pelo reflexo de ontem, dos tempos da segmentação, hoje já existe uma pequena aceitação aos gays em torcidas organizadas. A maioria das torcidas recriminam, mas a Esquadrão Vilanovense, do Vila Nova de Goiás, é um exemplo diferenciado. Seu presidente Mario Abrão Júnior é homossexual e está conseguindo impor o espaço da luta contra o preconceito dentro da entidade ao qual ele representa.
Estes com certeza têm uma visão diferenciada daquela que afirma que o autor da novela é preconceituoso quando apresenta um personagem homossexual e são-paulino. Afinal, o pessoal do Vila convive com presidente e alguns componentes gays em arquibancadas, viagens, cervejadas e bate papos sobre futebol.
Trata-se de gente que não é são-paulina, gosta de futebol e já se acostumou com a diversidade na sua vida social. E com a novela e esse o papel do autor. É trazer o debate, o conflito, a busca da aceitação...a quebra das mesmas barreiras que já tentaram barrar pobres e negros do futebol brasileiro.
A quebra das barreiras sempre foi conquistada por aqui pois o futebol brasileiro é peculiar, é único. Fugimos da regra. Nosso histórico não é de branquelos, engomados e machões atrás de uma pelota. Por aqui, demos exemplo fora de campo. Dentro dele também. Temos Kaká, o menino branco bom de bola do Morumbi. Tivemos Arthur Friendenreich, o filho de um israelita alemão com a mulata brasileira que marcou 1329 gols, entre eles o que deu o título do sul-americano de 1919 ao Brasil. Tivemos Pelé, o negro da técnica e física impecável, o rei dos reis do futebol. Temos referências das classes ricas. Das classes pobres. E por fim, quem sabe um dia não surge um asiático, indígena, um boliviano....um homossexual de renome em nosso futebol.
O Brasil está na linha de frente de todas as diferenças sociais. No entanto, mesmo com todas as diferenças brasileiras, é um país que sempre ajusta tudo ao seu jeito brasileiro. Ajusta tudo para que as coisas sejam mais dignas e iguais para todos. E os perturbados que se acomodem. Se o recado enviado no dia 30 de outubro for mantido, mais uma barreira será derrubada no Brasil....Por aqui o esporte além de perder a característica burguesa, ganhou cor e novos adeptos. João Emanuel Carneiro tem sua parcela de responsabilidade no processo. Cabe agora ao Estado punir os infratores.
Lembre-se:
Torcedores e jogadores homossexuais existem ou podem existir em todos os times. Além do São Paulo, Flamengo, Grêmio e Guarani, o próximo clube a ser notícia na ala gay pode ser o seu. Pode ser o Corinthians, o Palmeiras, o Vasco, o Fluminense, o Atlético Mineiro. Qualquer um pode ser o time dos gays.
Saiba Mais:
Coligay - Organizada do Grêmio

PM identifica movimento neonazista em torcida do Grêmio - Clique aqui
Flamengo tem a maior torcida gay do Brasil - Clique aqui
Torcedores do Flamengo são acusados de homofobia e racismo - Clique aqui
Torcedores do Coritiba na Parada Gay - clique aqui
Set 12
O melhor do futebol
por Felipe Lessa22h28

Religiosamente, todos os dias, me inspiro para o ofício, qualquer que seja, procurando o melhor do futebol na Diosa del Dia (Olé), Triboladas (Tribuna do Paraná) ou em alguma das Musas do Brasileirão (Globo Esporte). A intenção é compensar o que se via nos jogos do Londrina Esporte Clube no final dos 80 e início dos 90.
Nas redondezas do Café ou VGD, as poucas que ousavam dar as caras eram tão feias que a única vontade que você tinha era de agredir, da mesma forma como fazia João Neves aos atacantes inimigos.
Essas bem poucas que arriscavam marcar presença, eram funcionárias de alguém, barangas carentes encontradas no fim do forró - que por não ter o que fazer passaram a simpatizar com o LEC - ou no máximo, filhas de algum torcedor. Ainda assim o bom, velho e verdadeiro torcedor do Londrina sempre soube o perigo que era levar uma “calcinha” ao estádio. A torcida era de fato animalesca e primitiva. E mesmo com as devassas horríveis, não se deixava quieto.
Mas com umas latas de cerveja na mente, tudo mudava. Não se partia para o ataque em público, no estádio, mas nas viagens com a organizada do clube a coisa mudava. Nas escondidas, no escuro do ônibus velho e algumas vezes com atletas dentro, era soco e grito. Desta vez sem agressão. Até mesmo eu, na pré-adolescência, me dei bem (MENOS, FELIPE...com tranqueiras feias nunca se dá bem).
E se a coisa estava feia, o panorama começou a mudar quando o ex-presidente Marcelo Cardarelli contratou algumas modelos gandulas, em 95/96. Até mesmo uma delicia, irmã de uma gostosa da minha escola, estava nessa. Mas o contrato com a agência foi quebrado alguns meses depois, retirando de cena não somente as beldades, como também o treinador Nuno Leal Maia, a última celebridade do Londrina.
Para arrumar o meio de campo e não frustrar os torcedores, Caldarelli resolveu escolher a dedo novas garotas. Foi um fiasco. Se antes a delícia da escola estava envolvida, entre as Caldaretes estava uma das mais zoadas meninas da vila. Uma baranga que entraria fácil na categoria daquelas carentes que se envolviam nos jogos.
Como a tendência é valorizar toda vitória conquistada em um combate árduo, hoje minha vida melhorou. Não só a minha. Talvez a sua também. Conheci um site chamado Football Babes. Para ele (o site) - ou eles (torcedores) – as modelos se deixam clicar trajando camisas de diversos times.
Às vezes elas não usam nenhuma. Tudo bem que alguns podem reclamar da fidelidade com o clube do coração. No entanto, a promiscuidade dos trapos aqui é de contexto diferente e aceitável. É pelo bem da nação futebolística. Afinal, não é apenas nos jogos do Londrina que existe um problema grave relacionado ao futebol e garotas bonitas.
Set 11
Nojo, nojo infinito
por Adriano Brandão20h31

Nova fórmula do Paranaense 2009 será com pontos corridos
Êba! Pontos corridos!
Êba nada. Calma lá. Veja só como será:
. turno único (!) com 16 equipes;
. 8 equipes passam para a segunda fase (!!);
. pontos extras (!!!) para os dois primeiros colocados da primeira fase começarem com vantagem (!!!) a segunda fase.
Não gostei. Sugiro a seguinte fórmula para 2010:
. na primeira fase, 16 times divididos em dois grupos organizados alfabeticamente. Os times do grupo 1 (A-K) jogam em turno, returno e re-returno. Já os times do grupo 2 (L-Z) jogam em turno único;
. para disputar a segunda fase, classificam-se os 15 melhores da primeira. Valem os pontos obtidos através da média ponderada entre jogos disputados e pontos conquistados. O desempate é feito, respectivamente, pela quantidade de cartões amarelos, pela quantidade de vezes que seus jogadores foram citados na imprensa e, enfim, pelo saldo de gols. Gols marcados fora de casa valem o triplo; gols de pênalti valem metade; gols de falta valem o dobro, mas só se o INSS do clube estiver em dia. O último colocado disputará um jogo repescagem contra o primeiro, em campo neutro. Se ganhar ou empatar, todos os times se classificam;
. na segunda fase, os times são divididos em três grupos, de acordo com a quantidade de cores do uniforme. O grupo 1 joga contra o grupo 2 em turno e returno. Os times do grupo 3 jogam entre si nas quartas à noite e com os times do grupo 2 nos domingos à tarde. Os critérios de desempate são os mesmos da primeira fase, mas invertidos. Notem que o regulamento não diz claramente o que significa "invertido";
. para as semi-finais, classificam-se Atlético, Coritiba, Paraná e o melhor time do interior. Atlético e Coritiba jogam um contra Paraná e outro contra o time do interior. Para que a final seja um Atletiba, as semi-finais são disputadas quantas vezes for necessário.
Que tal?
Jul 30
Entre goles e gritos, futebol e Rock’n’Roll
por Felipe Lessa01h16

Ao som dos batuques do samba na tradicional e antiga organizada do Londrina Esporte Clube, a Sangue Azul, jamais imaginava que o ritmo do futebol poderia ser trilhado pelo Rock’n’Roll. Uma das razões para o meu pensamento, ficava pelo contexto histórico das organizadas brasileiras. Elas nasceram uniformizadas e com charangas de animação, nos anos 40, com fortes ligações no carnaval do Rio de Janeiro.
E na cabeça adolescente, que beirava dos 13 para os 14 anos, que ainda rumava para seus primeiros passos em danceterias e botecos da cidade do norte paranaense, uma questão. Eu não conseguia associar os mesmos cabeludos ou punks que comigo no sábado passavam a noite bebendo destilados baratos e ouvindo Ramones, Clash ou AC/DC, com os tiozinhos que, nas tardes ensolaradas de domingo, dividiam espaço nas arquibancadas cantando pelo alviceleste.
De fato, por ser um moleque, magrelo, xarope e ranhento, meu circulo de amizades na torcida dificilmente passava de uma tia de terceiro grau que era uma das fundadoras da torcida, em 77, além de seus amigos, de mesma época. De fato, eu estava em situação diferenciada no ambiente, pois a maioria dos cerca de 200 integrantes seguia a mesma linhagem.
Tudo bem que ser amigo deste pessoal que beirava a terceira idade, mas que era completamente insano, era bacana. Poderia ajudar em alguns problemas com desafetos de idade mais avançada que a minha. Mas, o interesse do momento era sair na caçada de garotas, novos sons e alguma moeda para o álcool, degustado sem apreciação, apenas para manter a loucura.
Semanas antes, eu era quase uma criança, que a poucos, ainda era obrigada a freqüentar ambientes religiosos com a família. Um infanto-juvenil que dava seus primeiros passos rumo aos mais diversos ambientes rueiros, aos ônibus madrugueiros, e claro, aos goles de cachaça. Meus amigos estavam na mesma.
Quando a grana de qualquer serviço prestado para terceiros caia em mãos, eu já sabia onde gastar. E foi nessa que fiz amizade com alguns outros porra loucas, que seguiam a mesma caminhada. Eu já pensava em esquecer do futebol. Na idade das incertezas, o Londrina por pouco não ficou de lado. Foi quando resolvi sair para um destes rolês com uma camisa do clube.
Para ser sincero, não foi nada feito para demonstrar amor ao pequeno grande time de uma cidade rodeada por torcedores de clubes paulistas. Com a surrada camisa dos Ramones na lavanderia, a contra gosto, quem apareceu na frente foi a do tubarão. Como era antiga, poderia servir bem para a ocasião. E assim o azul e branco se mesclou ao visu de calça jeans desbotada na água sanitária e o tênis All Star sujo, com as conhecidas terras vermelhas do norte paranaense.
De fato, eu preferia estar com a camisa do quarteto norte-americano marcado pelo 1,2,3,4 na pele. Mas, no fim das contas, o jogo virou para 5,6,7 e até 8, ao meu favor. Quando chego no boteco, alguns dos camaradas abrem um sorriso e disparam. “Você torce mesmo para o Londrina ou está pagando um pau com a peita?”. No ar das boas vindas, logo mando um “ihhh, meu irmão. Aqui é Sangue Azul desde criancinha”. O que não era mentira.
Estava legitimada minha aceitação. Era hora de beber para cacete, sem precisar pagar uma dose que fosse. Eu deveria apenas contar um pouco das histórias contadas por minha tia e já estava bom. Ao longo do papo, umas cachaças com refrigerante, umas goladas de Rabo de Galo para atrair as perversas e muita troca de idéias sobre a arte da peleja nos gramados, as brigas de torcida, bebedeiras nas arquibancadas, as excursões.
Tudo que eu escutava entre os tiozinhos era cuidadosamente repassado aos meus camaradas, que empolgados, logo se dizem torcedores do LEC. Diziam ser daqueles que rumavam aos estádios com radinhos e bandeiras do clube, assim como eu. Diante do sucesso do papo, trataram logo de intimar para um encontro no domingo. Dia dos atormentados-pequenos-magrelos-desajustados comparecerem em peso no Estádio Vitorino Gonçalves Dias.
Quem diria. Eu quase abandonei o clube que traçou toda minha infância em troca das noitadas de Punk Rock e agora descobria que era possível unir o útil ao agradável. E para o VGD fomos, no dia seguinte, em uma turma de oito. Eu estava acostumado a ficar na Sangue, localizada nos primeiros espaços da entrada do posto, pela Jorge Casoni.
Por aí poderíamos bem admirar melhor as Caldaretes, umas modelos gandulas que o louco do Caldarelli, ex-presidente do Londrina, havia contratado, fruto de uma parceria com um dos patrocinadores do clube.
Mas quando chegamos lá, um dos camaradas, alguns meses mais velho e respeitado, o Leandro, já citava. “Que nada, vamos na Falange. Olha o visu dos caras. Caveiras nas camisas, bandeiras do Iron Maiden, uns caras tatuados. Talvez seja mais a nossa cara. Por ali ficam menos garotas gandulas, mas sempre tem uma ou outra. E outra coisa. Minas como essas não dão mole para moleques como a gente”.
De fato, eu fiquei um pouco desanimado em escutar a realidade sobre as garotas gandulas que sempre encarei, e muitas vezes, chamei de gostosas ou safadas. Mas, sabendo que era verdade, e que mesmo assim, poderia trocar a vista de um jogo geralmente truncado para mirar a bunda formosa de pelo menos uma das caldaretes, seguimos na direção do pessoal da Falange.
Essa organizada era consideravelmente menor que a antiga. Mas seus cerca de 30 ou 40 integrantes faziam questão de manter a parte do meio para o fundo das descobertas do VGD sonorizadas. Era a disposição das gargantas de adolescentes alguns anos acima da gente e que também gostavam de ouvir uma barulheira, seja no estádio, seja no radinho de casa.
Tudo bem. Os caras, em boa parte, chegavam ao seu extremo quando ouviam Iron Maiden. A maioria deles curtia mais eram sons como Pink Floyd, Nazareth e Raul Seixas, coisa que minha turma nunca foi de gostar. Mas, assim pelo menos descobri que não era ilusão a ligação entre o Rock’n’Roll e o futebol. Alguns anos depois, quando os meus antigos amigos do Punk Rock sumiram, eu ainda continuei na torcida. Cheguei inclusive a fazer a carteira de associado, em 98.
Uma coisa que passei a reparar foi que na Falange, os caras gostavam tanto de bandas como Raul Seixas e AC/DC, que estas viraram bandeiras presentes nas arquibancadas, junto com as antigas do Iron Maiden. E nessa linha, descubro que diversas organizadas dedicavam bandeiras unindo as cores do seu clube ao Rock’n’Roll.
Entre elas a Império do Coritiba, com algumas bandeiras com a estampa do Eddie, fora outra do AC/DC. A Jovem do Vasco tinha como mascote o próprio Eddie, enquanto a Fanáticos do Atlético tem bandeiras com as imagens do Raul, a logo do Slayer e uma grande bandeira do MotoRocker, o antigo AC/DC cover. Nas torcidas de Newell's Old Boys da Argentina e Nacional de Medellin da Colômbia, fitei pela TV bandeiras do Ozzy Osbourne.
E a partir disso, descobri que a torcida do Atlético Paranaense, rival dos tiozinhos da Sangue Azul, mas amiga dos moleques da Falange, era outra organizada ligada ao som das guitarras distorcidas. Descobri que no começo dos anos 90, estes já transformaram Another Bricky in the Wall do Pink Floyd em hit. Um ataque ao pudor dos coxa-brancas, cantado não apenas por rockeiros, como também por crianças, mulheres, engravatados e idosos.
E dos rubro-negros, ainda surge das arquibancadas o “Dá-lheeeee, Dá-lhe, Dá-lhe oooooo, Dá-lhe Atlético, Dá-lhe Atlético, Dá-lhe, Dá-lhe oooooooooo”. Essa canção, poucos sabem, inclusive grande parte dos integrantes da Fanáticos, virou hino de uma das mais conhecidas bandas de Punk Rock, o Vanilla Muffins, da Suíça. Não copiaram a letra, mas sim, o ritmo, que deve ter vindo de inspiração das gargantas de alguma ultra européia.
Na Europa é muito comum uma banda de Rock não apenas gostar de futebol, como também dedicar temas para o esporte, ou, copiar sons das arquibancadas trocando as palmas das mãos pelos acordes distorcidos e pesados de guitarra e baixo. Um exemplo está no som Punk dos Cockney Rejects, de Londres.
Torcedores fanáticos do West Ham que decidiram cantar sobre seu clube e ganhavam de brinde uma penca de problemas com outras torcidas, principalmente em seus shows fora de casa. Parte de seu repertório era copiado de canções de arquibancada dos Hammers, nos anos 70. De forma mais moderada, nos dias de hoje, existe na Inglaterra exemplos de bandas como os The Dead Shores, que mesclam um som que varia entre o Punk Rock e o experimental.
Na versão metal, o Tankard é exemplo na Alemanha. A banda participou de coletâneas de Hooligan Rock, adora cantar sobre bebidas alcoólicas e seu vocalista é fanático pelo Eintracht Frankfurt. A retribuição veio do convite feito pelo clube para que a banda tocasse na abertura de um jogo.
Na Espanha, boas bandas como Los Nikis, Matadero e Gol Nord são as referências. Os primeiros tocam Punk Rock ao estilo Ramones. Ficaram conhecidos por ter uma ou duas músicas que citam a polêmica torcida do Real Madrid, a Ultras Sur. A segunda banda toca metal e canta fanatismo sobre o Sporting Gijon. A terceira é clássica. Mescla o Punk Rock com hinos de estádio, e canta em homenagem ao Llevant de Valência.
Das terras argentinas, cita-se o Doble Fuerza, banda influenciada pelos Rejects ingleses. Do Brasil, Flicts, Mão de Ferro e até mesmo o Skank, que gravou vídeo clipe no Mineirão com as presenças das organizadas Máfia Azul e Galoucura, de Cruzeiro e Atlético de Minas.
Nesse tempo todo, cheguei inclusive a conhecer um garoto que participou do clipe. Conheci bastante gente ligada simultaneamente ao Rock’n’Roll e ao futebol. Inclusive, um amigo meu sempre presente em shows de Hard Core é um dos fundadores da organizada do Paraná Clube. Outro bom contato fora da torcida do Londrina é o de um adepto fanático do Atlético de Goiânia.
Isso que eu já ouvi falar de certos idiotas que o futebol e o Rock não combinavam, pois geravam brigas nos shows e nos bares. De fato, o que gera brigas são babacas que utilizam o futebol como escape para fazer besteiras.Estes geralmente mexem com a pessoa errada e tomam seus prejuízos. Gostar de Rock e de futebol, pelo contrário, é um beneficio. Torcedores espertos e que gostam de Rock geralmente estão mais ocupados em beber, fazer amizades, curtir um som e claro, pulando em cima de garotas, no fino trato, ao som de um clássico, grosseiro e distorcido Rock'n'Roll.
Jul 02
Caminhos para a diversidade: Coritiba, yeah! yeah!
por Felipe Lessa16h59

Domingo foi dia de Atletiba, terminou 1 a 1 no Joaquim Américo. Domingo foi dia de tretas, e no Terminal do Fazendinha, um atleticano perdeu os cinco dedos, após a explosão de uma bomba, decorrente de um confronto entre adeptos dos grandes clubes da capital paranaense. Domingo foi dia da Parada da Diversidade, a popular parada Gay que ocorre ano após ano no centro de Curitiba. E não é que os torcedores do coxa ficaram revoltados?
Sim, revoltados. Depois que alguns rapazes decidiram mostrar o seu orgulho pelo coxa na comemoração, devidamente trajados com uniformes da equipe, a galera do verdão ficou indignada com a postura dos mesmos.
Qual é a razão de tanta raiva, coxarada? Para que tanto ódio? Vocês acham que torcer pelo Coritiba é sinônimo de masculinidade? Parem! Nos tempos de hoje, torcer para time nenhum é sinônimo de masculinidade, e em um evento que, de acordo com os organizadores, movimentou a presença de mais de 100 mil pessoas, com certeza bem mais que os três coxas focados na foto marcaram presença, como também paranistas e rubro-negros.
E tem outra. Não adianta tentar organizar represálias contra os garotos. Não adianta. Tendência é tendência. E não é simplesmente manter o argumento de um torcedor coxa, que dizia ontem pelas ruas do centro de Curitiba: “vamos acabar com isso. Se não vira festa”. Para ele eu respondo. Vira nada, amigão.
O que vai acontecer é apenas que os coxa-brancas vão sair de cima do muro e viver em harmonia. Não adianta dizer também que homossexualidade no futebol é coisa nova. Memoráveis e antigas torcidas como a Coligay, do Grêmio, e a Flagay, do Mengo carioca, estão aí para provar o contrário.
O respeitado presidente do St. Pauli da Alemanha também. Trata-se de Corny Littmann, militante gay. Chefe de um dos times que apesar de pequeno em títulos, é grande em torcedores e consideração no mundo todo. Tudo pela proposta liberal do clube, não apenas na questão da sexualidade, ou pelo posicionamento anti-fascista da equipe. É a chance do coxa se promover.
E digo mais. Não adianta “arrepiar” os caras e dizer, “não usem a camisa da império!”. O movimento gay curitibano, representado pelo Grupo Dignidade, tem tanta força, que se haver represálias, eles não teriam medo algum de organizar uma nova parada da diversidade, fora de época, na frente da sede da Império.
O resultado seria algo similar como ocorreu no Shopping Frei Caneca, em São Paulo. Depois que um casal gay foi expulso do recinto, por trocar chamegos na praça de alimentação, o movimento gay deu o troco. Voltou lá em peso. Dia após dia. E hoje, até mesmo devem "agradecer" pela intolerância do segurança. Com o fato puderam mostrar a representatividade e união da classe, que não é mais expulsa do recinto. É respeitada e convidada a se encontrar no shopping!
Portanto, atentem-se torcedores do Coritiba. Homofobia está virando crime previsto em lei. E se realmente cumprirem a promessa de reprimir os garotos do coxa que estavam na passeata gay....eles invadem o Couto Pereira. Nem que para isso seja preciso trocar as cores do verdão pela do arco-íris.
Jun 10
VIVA O COXA!, PARTE 2
por Equipe De Primeira15h10
por Napoleão de Almeida
Ainda sobre Suzana Pitelli, o blogueiro Marcus Vinícius, do Jornal do Estado, matou a charada sobre quem permitiu que a bela dama posasse nua no Couto Pereira.
Confira aqui.