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De Primeira: Futebol, Futebol e Futebol

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Foto ilustrativa

Mai 11

10

por Equipe De Primeira14h06

Do Flickr de Daniel Klein

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FutebolArtes

Mar 22

Futebol, paixão e insanidade

por Felipe Lessa21h22

Mantos sagrados
Ocorreu sábado (21), em Curitiba, o maior encontro de colecionadores de camisa do Brasil. Com 40 participantes, mais os visitantes, foram expostas até mesmo relíquias usadas por Pelé, Vavá, entre outros grandes nome do futebol. Para obter as preciosidades, houve gente que desembolsou valores acima de R$ 1 mil reais. Um dos objetivos dos organizadores é de, em breve, formar uma associação, como já ocorre em países como Argentina e Inglaterra.

Santistas insanos
Neymar e Ronaldo já haviam sido ofuscados por Dentinho, durante a vitória corinthiana contra o Santos, por 1 a 0. Indignados, creio que por isso, os torcedores resolveram tentar aparecer mais que os jogadores. O pau comeu e o saldo foi de torcedores e policiais machucados. A treta ocorreu depois de um início de tumulto entre seguidores de ambos os times, que arremessavam copos e objetos uns contra os outros, quando a Polícia Militar foi acionada. Sem medo algum dos policiais, os torcedores santistas foram para cima. Até mesmo o presidente do Peixe, Marcelo Teixeira, é acusado de incitar o tumulto. Ele nega.

Degola paranaense
Seis equipes paranaenses ainda correm risco de rebaixamento no Estadual 2009. Londrina, Iguaçu, Toledo, Cascavel, Engenheiro Beltrão e Foz do Iguaçu são os candidatos. Até o momento, os três primeiros a serem citados ficam com a ingrata vaga na segundona do Campeonato Paranaense. O Tubarão, fritando mais do que sardinha em pastelaria chinesa, enfrenta o Coxa em casa. Já o time de União da Vitória, tenta dar seus últimos suspiros contra o paraná, em Curitiba. No jogo dos desesperados, o Porco enfrenta o time da fronteira, no 14 de Dezembro. Outro em situação perigosa é o Engenheiro, que dependendo da combinação de resultados pode cair. E pior. Enfrentará o furacão, que precisa se reabilitar, na Arena. Aperta coração!

tormenta sobre a farda atleticana
A marca que já é a grande tormenta dos vascaínos, pretende aprontar também em Curitiba. Como consta no Arquibancada Virtual, do camarada Leo Mendes Jr, a Champs pretende substituir a Umbro no Atlético. Trata-se do mais novo pesadelo dos torcedores rubro-negros. Que desgraça!

Miguxês alviveiiid?
Repararam na camisa que o Palmeiras jogou contra o Guaratinguetá, pelo Campeonato Paulista 2009? Letras e números “54M5UN6” substituíram o Samsung. Que proposta essa do patrocinador, heim. Creio que que seja algo pala agladar akelix ki exclevem aximmmmmmmmmmm.

Retrô desprezível
Essa saiu no blog do Antônio Bordallo. Pelo visto, os simpatizantes do nazismo estão tentando utilizar da boa fama das camisas retrô para fazer propaganda. Algumas camisas da seleção alemã, dos tempos de Adolf Hitler, podem ser compradas na internet. Imagine a alegria de um judeu ao ver um infeliz utilizando a camiseta. Creio que algo será feito para conter a onda de preconceito que pode ser protagonizado pela camisa. A primeira atitude deve ser barrar a comercialização, como já foi feito com a Fiorentina, que tentou esconder algumas suásticas em uma de suas camisas dos anos 90.

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Jan 28

A potência catarina e o futebol

por Felipe Lessa17h00

Contrariando ao que todos falam, discordo quando o Campeonato Catarinense é classificado como fraco. Sinceramente, uma iniciativa dos vizinhos me deixou babando mais do que o normal. Já que babei na Miss Paranaguá, que entrou em campo com o Rio Branco, no domingo...não custa nada reconhecer algumas glórias de nossos irmãos sulistas.

Talvez, se o chefe da Futpar não estivesse tão preocupado em estampar o símbolo do Corinthians no coração dos Malucelli, as mulheres poderam ser bem incorporadas ao futebol paranaense (como já sugeriu nosso amigo Leo Mendes Jr ou próximo de algo que já ocorreu em Londrina, com as Tubaretes - modelos gandula que davam mais alegria ao espetáculo).

Voltando às belezas catarinenses, segue abaixo a escalação (que infelizmente chegou até mim sem nome, endereço e telefone)da melhor seleção estadual de todos os tempos: Avaí, Metropolitano de Blumenau, Chapecoense, Figueirense, Cidade Azul de Tubarão, Joinville, Criciúma, Atletico Ibirama, Marcílio Dias de Itajaí e Brusque - os 10 bons motivos para acreditar no potencial barriga verde.

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Jan 08

Manual do boleiro....o assassino do futebol

por Felipe Lessa19h58

Segue na íntegra um manual secreto encontrado no perfil de orkut de pelo menos 11 jogadores (boleiros). É o pacto que decreta o fim do futebol brasileiro! Acabou o amor pelo clube. Acabou a raça. Acabou a tradição.

Confira o protocolo da tragédia:
Boleiro não joga, desfila.
Boleiro não domina a bola, bota a criança para dormir.
Boleiro não conversa, resenha.
Boleiro não aluga, resenha com as minas.
Boleiro não treina, ensina.
Boleiro não faz fundamento, ensaia.
Boleiro não comemora gol, acena para a torcida.
Boleiro não se machuca, fica contundido.
Boleiro não é metido, só anda na ponta do pé.
Boleiro não é cumprimentado, ele é aplaudido.
Boleiro não corre, faz a bola correr!
Boleiro não dribla, apenas ignora o adversário.
Boleiro não mete mala, tem seu estilo próprio.
Boleiro não tem amigos, tem parcerias.
Boleiro não toca, dá um tapa.
Boleiro não joga, dá show.
Boleiro não menti, dá migué.
Boleiro não humilha, apenas mostra a verdade para o adversário.
Boleiro não chuta, coloca.
Boleiro não corre, corta caminho porque quem corre é a bola.
Boleiro não é intelectual, é fera.

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Dez 16

Os heróis famosos e anônimos da saga corintiana na Série B

por Equipe De Primeira18h02

Campanha impecável levou o Corinthians de volta à Série A

Por Mauricio Stycer, colunista do IG

Entre os vários "livros de oportunidade" escritos na esteira da volta do Corinthians à Série A do Brasileiro, "A saga corintiana", de Luis Augusto Simon (Publisher, 136 págs, R$ 27), a ser lançado nesta quarta-feira, no Bar Boleiros, em São Paulo, chama a atenção por focar não apenas os conhecidos heróis, mas uma série de personagens secundários ou anônimos da epopéia.

Menon, como é conhecido, é desses jornalistas esportivos capazes de encontrar histórias interessantes para contar não apenas entre os vencedores, mas também em personagens menos óbvios ao redor do universo que cerca a competição. Em duas oportunidades que editei matérias suas, no "Lance!" e na "CartaCapital", tive o prazer de ler reportagens diferentes, pouco óbvias, sobre figuras esquecidas, derrotadas ou à margem do glamour que cerca o esporte no mundo de hoje.

O seu relato, jogo a jogo, da passagem do Corinthians pela Série B, em 2008, não poderia ser diferente. A primeira figura a aparecer no livro é Monga, "um enorme gavião de aproximadamente 1,90 m e 180 quilos", que colocou o dedo na cara do presidente corintiano, Andrés Sanches, no dia seguinte à queda para a segunda divisão, e disse: "Não adianta ficar culpando a antiga diretoria porque você fazia parte dela também."

Sanches, conta Menon, só não atendeu um pedido dos torcedores (que queriam a cabeça de Antonio Carlos, nomeado diretor de futebol), mas dispensou todos os jogadores que a Fiel exigiu ver longe do Corinthians após o fracasso em 2007 (Gustavo Nery, Vampeta, Iran, Betão, Zelão e Fábio Brás, entre outros).

A contratação de Mano Menezes – dois dias depois de o técnico ter dirigido o Grêmio no empate em 1 a 1 que selou a queda do Corinthians – é o primeiro passo acertado rumo à volta, que ocorreria um ano depois. Mano trouxe Herrera, personagem que Menon trata com carinho, apesar da eficiência duvidosa e da fama, na Argentina, de "quase gol" – o personagem que sempre aparece nas fotos abraçando o companheiro, mas raramente é o autor do gol.

Enquanto o goleiro Felipe ("muito bom de marketing") e o atacante Lulinha ("estava onde não devia estar" em 2007) são personagens que alternaram altos e baixos ao longo deste ano, a trajetória do atacante Dentinho é a que mais se aproxima do conto de fadas que o futebol dos dias de hoje promete.

Bruno Bonfim, nascido em 1989, virou Dentinho aos 12 anos, quando começou a se destacar no futebol. Contrário a apelidos, Paulo Cesar Carpegiani, um dos técnicos do Corinthians em 2007, pediu que ele voltasse a usar o nome de batismo. No início de 2008, porém, o craque resolveu voltar a ser chamado pelo apelido. Nas palavras de Menon, foi a melhor contratação do Corinthians em 2008. "Chegou Dentinho e saiu Bruno Bonfim".

"Botei na cabeça que 2008 vai ser um grande ano para mim e estou me preparando para isso. Em casa, pego um pente e faço de conta que é um microfone para aprender a dar entrevistas. A minha namorada me ajuda", disse o atacante. Ao final do ano, Dentinho contabilizava 24 gols marcados – 14 pela Copa do Brasil. Seus pais, cujos nomes (Adonis e Eunice) estão tatuados em seus braços, eram funcionários de um orfanato. Hoje, moram em um apartamento comprado pelo filho

A crônica de cada partida da Série B é temperada por observações laterais, mas muito perspicazes, de Menon, como na vitória do Corinthians por 4 a 1 sobre o Barueri, no primeiro turno:

"A vista de quem está sentado em uma das cabines de imprensa da Arena Barueri é impressionante. Basta abaixar um poucos os olhos para se ver um estádio moderno, projetado para abrigar algum jogo da Copa do Mundo de 2014. Sonho que não vai se realizar, é lógico. Quando os olhos estão mirando as arquibancadas em frente, o que se vê é uma enorme favela, que leva à pergunta inevitável: não haveria nada mais importante a se fazer em Barueri do que um estádio de futebol? Ou outra questão: vale a pena manter um time de futebol com muita verba oficial?"

Outro herói anônimo da saga corintiana é Rafael Santos Silva, o Dog. Tinha 25 anos quando viu o time cair para a segunda divisão e prometeu acompanhar todos os jogos na Série B. Dog assistiu os 20 primeiros. No domingo, um dia após a vitória sobre o CRB por 2 a 1 em Maceió, foi fazer um passeio em uma praia, distante 66 km da capital, caiu no mar, afogou-se e morreu. O presidente do Corinthians, registra Menon, foi ao enterro de Dog. Os pais do jovem, para cumprir a promessa dele, assistiram os demais 18 jogos do time na Série B.

Há outros personagens fascinantes nesta epopéia. Gente como René, goleiro do Barueri e sócio número 20.070 da Gaviões da Fiel. Ou L., 18 anos, interno da Fundação Casa, ex-Febem, que assistiu ao lado do ex-craque Zé Maria a vitória sobre o Ceará por 2 a 0, jogo que garantiu a volta do Corinthians à Série A com seis rodadas de antecedência. Enfim, num ano que tinha tudo para ser uma página a ser esquecida, o Corinthians venceu 45 partidas – foi o time brasileiro que mais venceu – e transformou sua saga num evento memorável, que este livro ajudará a eternizar na memória do torcedor.

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Dez 12

Mantos, nem tanto, sagrados...

por Felipe Lessa00h50

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Nov 02

Primeiro os pretos, depois os pobres, agora os gays

por Felipe Lessa19h50

João Emanuel Carneiro está entrando para a história do futebol brasileiro de forma inusitada. Apesar de uma carreira repleta de títulos, Emanuel ainda não havia marcado gols e também não escreveu especificamente sobre o esporte. No entanto, com a cena apresentada 30 de outubro em A Favorita, Rede Globo, o nobre autor foi protagonista de mais um duro golpe para a quebra de paradigmas no futebol brasileiro.

Aproveitando da credibilidade e alcance de uma novela da Globo, o autor de renomados filmes como Central do Brasil (1998) e Castelo ra-tim-bum (1999), mais novelas como Cobras & Lagartos (2006) e Da cor do pecado (2004), apresentou uma cena que chocou e irritou muitos torcedores.

Apresentou Armandinho (Iran Malfitano), um personagem homossexual, saltitante e revoltado com o presente que Halley (Cauã Reymond) comprou para o seu futuro filho: uma camisa do Corinthians. Acontece que personagem gay que recentemente oficializou um casamento de fachada com a corinthiana Maria do Céu (Débora Seco) e oficiosamente seria o pai da criança ficou desgostoso com a idéia de manipularem a opção clubística da criança, afinal ele é são-paulino.

Pela cena, o autor foi de certa forma massacrado. Muitos torcedores do tricolor paulistano estão indignados. Os adeptos de outras equipes caíram em gargalhadas. Alguns jornalistas chamaram injustamente João Emanuel de preconceituoso por reforçar o estereotipo gay do torcedor do São Paulo. No entanto, a opção do autor foi a mais correta possível. De forma alguma pareceu preconceituosa.

Emanuel aproveitou e poderá aproveitar ainda mais o estereótipo do “bambi” tricolor para conscientizar parte da população brasileira que ainda não aceita o cidadão gay tanto no futebol como na sociedade. É o princípio da mudança no tricolor, já que os torcedores organizados do mesmo São Paulo Futebol Clube se sentem envergonhados com a condição de ter entre seus 11 combatentes um suposto homossexual, Richarlyson.

Apesar das dificuldades o personagem gay, tanto em novelas como na vida real, está conseguindo quebrar os estereótipos e preconceitos. Muitos homossexuais não brincam de bonecas, passam batom ou usam roupas femininas. Apesar de um maior apego ao fino trato, boa culinária, viagens exóticas, logicamente existem aqueles que gostam de futebol, do esporte, e não das pernas masculinas.

Nem mesmo as torcidas organizadas brasileiras fogem da regra. Em passado não muito distante, entre os anos 70 e 80, torcidas de times tradicionais se formaram pelo público gay. Apesar de ser contra a segmentação da sociedade, criar uma organizada segmentada foi uma necessidade para Flagay (Flamengo), Gayrani (Guarani) e Coligay (Grêmio). Dentro de uma facção “comum” estes torcedores teriam que se esconder. Nas suas novas “firmas” não.

Talvez pelo reflexo de ontem, dos tempos da segmentação, hoje já existe uma pequena aceitação aos gays em torcidas organizadas. A maioria das torcidas recriminam, mas a Esquadrão Vilanovense, do Vila Nova de Goiás, é um exemplo diferenciado. Seu presidente Mario Abrão Júnior é homossexual e está conseguindo impor o espaço da luta contra o preconceito dentro da entidade ao qual ele representa.

Estes com certeza têm uma visão diferenciada daquela que afirma que o autor da novela é preconceituoso quando apresenta um personagem homossexual e são-paulino. Afinal, o pessoal do Vila convive com presidente e alguns componentes gays em arquibancadas, viagens, cervejadas e bate papos sobre futebol.

Trata-se de gente que não é são-paulina, gosta de futebol e já se acostumou com a diversidade na sua vida social. E com a novela e esse o papel do autor. É trazer o debate, o conflito, a busca da aceitação...a quebra das mesmas barreiras que já tentaram barrar pobres e negros do futebol brasileiro.

A quebra das barreiras sempre foi conquistada por aqui pois o futebol brasileiro é peculiar, é único. Fugimos da regra. Nosso histórico não é de branquelos, engomados e machões atrás de uma pelota. Por aqui, demos exemplo fora de campo. Dentro dele também. Temos Kaká, o menino branco bom de bola do Morumbi. Tivemos Arthur Friendenreich, o filho de um israelita alemão com a mulata brasileira que marcou 1329 gols, entre eles o que deu o título do sul-americano de 1919 ao Brasil. Tivemos Pelé, o negro da técnica e física impecável, o rei dos reis do futebol. Temos referências das classes ricas. Das classes pobres. E por fim, quem sabe um dia não surge um asiático, indígena, um boliviano....um homossexual de renome em nosso futebol.

O Brasil está na linha de frente de todas as diferenças sociais. No entanto, mesmo com todas as diferenças brasileiras, é um país que sempre ajusta tudo ao seu jeito brasileiro. Ajusta tudo para que as coisas sejam mais dignas e iguais para todos. E os perturbados que se acomodem. Se o recado enviado no dia 30 de outubro for mantido, mais uma barreira será derrubada no Brasil....Por aqui o esporte além de perder a característica burguesa, ganhou cor e novos adeptos. João Emanuel Carneiro tem sua parcela de responsabilidade no processo. Cabe agora ao Estado punir os infratores.

Lembre-se:
Torcedores e jogadores homossexuais existem ou podem existir em todos os times. Além do São Paulo, Flamengo, Grêmio e Guarani, o próximo clube a ser notícia na ala gay pode ser o seu. Pode ser o Corinthians, o Palmeiras, o Vasco, o Fluminense, o Atlético Mineiro. Qualquer um pode ser o time dos gays.

Saiba Mais:

Coligay - Organizada do Grêmio

PM identifica movimento neonazista em torcida do Grêmio - Clique aqui

Flamengo tem a maior torcida gay do Brasil - Clique aqui

Torcedores do Flamengo são acusados de homofobia e racismo - Clique aqui

Torcedores do Coritiba na Parada Gay - clique aqui

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Out 19

O underground mantém o ídolo

por Felipe Lessa03h53

Hoje de chuteiras penduradas, o ídolo veste all star, tem bagagem de quatro overdoses, simpatia pela geração hippie, afeto pelas drogas e muitos gols pelo Corinthians e Seleção Brasileira. No entanto, Walter Casagrande Júnior ainda bambeia na condição de convocado para a história dos anti-heróis do futebol mundial.

Para se juntar ao time craques como Diego Maradona, George Best e Paul Gascoigne, Casa ainda precisa lutar para manter sua reputação futebolística e acabar com essa história de se apresentar como viciado redimido.

Hoje (19-10), entrevistado no Altas Horas, da Globo, o matador deu indícios que merece vaga no seleto grupo dos malvadões do futebol. Disse que gosta de viver nos limites, gostaria de ser Jim Morrison* e precisa ir semanalmente ao consultório médico. “Sou dependente químico e desde menino tive uma atração pelas drogas”, é o que disse Walter.

Apesar de todo o bombardeio da moralidade, espero que o Casão não se entregue. Continue em contato com os roqueiros moderados do Titãs. Fale mais da sempre falada Democracia Corinthiana. Lembre das glórias com a indisciplina que o permitia ser matador nato, como foi no campeonato paulista de 1982. Fale da diferença entre jogar no desconhecido São Francisco, da Bahia, e ser campeão da Copa da Itália pelo tradicional Torino.

Casagrande é craque e não precisa dar explicação. Jogadores como Walter existiram para fazer a alegria dos torcedores. Mitos folclóricos existem para serem venerados, mesmo quando degenerados. Nós torcemos! Um brinde ao Casão.

* Vocalista do The Doors, filho de uma família conservadora, especula-se que o astro do rock morreu após overdose de heroína. Seu grupo é conhecido pelas clássicas notas de "Light my fire" e "Riders on the storm".

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Out 08

Um templo à altura do nosso futebol

por Jones Rossi10h46

Entrada principal do Pacaembu, em São Paulo

Dono do melhor futebol do mundo, pródigo em títulos e craques, ao Brasil ainda faltava um lugar onde a história vencedora de nossos Pelés e Garrinchas fosse contada. Com a inauguração do Museu do Futebol, na última segunda-feira, no estádio do Pacaembu, em São Paulo, a lacuna foi finalmente preenchida.

Com três pavimentos incrustados de maneira quase imperceptível na imponente entrada do estádio, em uma área de 6.900 m2, um pouco menor que o campo do Maracanã, a intenção do museu, nas palavras de Leonel Kaz, curador e idealizador de boa parte de suas atrações, é “mostrar a história do Brasil no século 20 através do futebol.”

Houve também a preocupação em guardar um espaço para o time do coração dos visitantes, mesmo os que moram fora de São Paulo. Todos os times que já participaram alguma vez do Campeonato Brasileiro estão presentes de alguma forma. Nem os extintos Colorado e Pinheiros foram esquecidos. A primeira visão ao entrar no museu são três paredes com fotos que retratam desde times de botão até propagandas antigas estreladas por jogadores de futebol, passando por flâmulas e escudos diversos. Coritiba, Atlético e Paraná aparecem três vezes nos quadros pendurados, contando para o Tricolor uma flâmula do E.C. Água Verde. O Londrina também está lá.

Pelé onipresente

Mas a maior atração do andar térreo é a exposição “As Marcas do Rei”, dedicada a Pelé, sempre tratado nos textos com pronome pessoal em letra maiúscula: “Ele”. Não faltam objetos pessoais de Pelé, como o cartão de inscrição na Copa de 1962, uma bola de meia que lhe foi dada de presente pelos amigos de infância e os uniformes do Bauru Atlético Clube, o Baquinho, clube no qual começou a jogar, e da seleção, com o qual foi campeão mundial em 1958. Não faltam nem as capas dos discos gravados pelo Rei em parceria com Elis Regina e Sérgio Mendes e fones para escutar o disco “Ginga”, com canções compostas e interpretadas por Pelé. Na saída, uma estátua de cera em tamanho real mostra Pelé com o uniforme completo da Seleção de 70. E no segundo piso, um vídeo do Rei exibido em um telão recebe os visitantes em português, inglês e espanhol. Quase onipresente, Ele ainda divide com Garrincha uma atração no terceiro piso.

A parte com potencial mais polêmico do museu está na entrada do segundo pavimento. Ali são projetadas em painéis translúcidos as imagens dos 25 maiores jogadores brasileiros de todos os tempos, segundo os consultores do museu.

“Todo mundo votou nos Anjos Barrocos (nome da atração) para chegar numa lista”, conta o jornalista Marcelo Duarte, autor do Guia dos Curiosos. Os encontros feitos parte em São Paulo e parte no Rio de Janeiro reuniram especialistas como o próprio Marcelo, Juca Kfouri, Celso Unzelte e João Máximo. Pelé e Garrincha são presenças óbvias na lista, que ainda conta com os tricampeões Gilmar, Gerson, Jairzinho, Tostão, Carlos Alberto Torres e Rivellino; os pioneiros de 1958 Didi, Djalma Santos, Nilton Santos, Vavá e Zagallo; os tetracampeões Bebeto, Romário e Taffarel; os pentacampeões Ronaldo (também tetra), Ronaldinho, Rivaldo e Roberto Carlos; e craques que nunca venceram a Copa do Mundo, como Zico, Sócrates, Falcão, Julinho Botelho e Zizinho.

Logo adiante, em um misto de homenagem aos goleadores e narradores, gols históricos podem ser ouvidos nas vozes de locutores como Ary Barroso, Fiori Gigliotti e Osmar Santos. No mesmo salão, gols escolhidos por 30 personalidades são exibidos em telões. As duas atrações são das poucas inacabadas do museu: funcionam, mas ainda não é possível escolher qual gol escutar ou ver. Em breve, garante Kaz, a opção estará disponível.

A sensação de subir ao terceiro pavimento é parecida com a de entrar em um estádio em dia de clássico. Em uma área imediatamente abaixo da arquibancada do Pacaembu, vários telões com o som no volume máximo reproduzem os gritos das 30 maiores torcidas do país, incluindo os três grandes da capital: Atlético, Coritiba e Paraná.

“Fiquei deslumbrado. A vibração e a sensação ali são muito boas”, diz o palmeirense Luciano Martins, de 37 anos, que foi ao museu com o filho Rafael, de 11. “A gente aprende a ter respeito pelos outros times. É um espaço ecumênico”, afirma o corintiano Avelino de Sousa Filipe, 38 anos, que foi acompanhado da filha Amanda, de 7 anos.

Cultura e futebol

A partir dali, cultura e futebol se misturam. A história da chegada e desenvolvimento do futebol no Brasil é mostrada com mais de 400 fotografias retratando também os costumes do país entre o final do século 19 e começo do século 20. O museu também alçou Domingos da Guia e Leônidas da Silva à condição de “heróis da cultura nacional”, ao lado do pintor Cândido Portinari e do escritor Mário de Andrade.

Na sala das Copas do Mundo, as fotos dos jogadores e títulos mundiais dividem espaço com momentos históricos, como a chegada do Homem à Lua ou a morte de Ayrton Senna. “As pessoas falam sobre as fotos, se lembram. Há uma riqueza oral que o museu passa. Não é um museu para ficar parado, mudo. Não é ficar olhando uma escultura grega sem entender nada”, teoriza Leonel Kaz.

Pênalti a 115 km/h

As atrações do terceiro pavimento são ligadas por uma passarela que tem vista para toda a praça Charles Miller, onde fica o estádio. Depois de passar por ela, várias placas trazem números e curiosidades sobre o futebol, como a partida com o maior número de jogadores expulsos ou a maior goleada de todos os tempos, além de frases folclóricas.

A frase “Quem nasce Barcímio Sicupira nunca pega apelido”, dita pelo maior artilheiro da história do Atlético, estampa uma das placas.

Antes da saída há atrações que dão mais a impressão de se tratar de um parque de diversões do que de um museu. Uma exibição em três dimensões de Ronaldinho, que gravou especialmente para o museu, realizando jogadas e truques. E um goleiro virtual, projetado em uma parede, que tenta defender pênaltis cobrados pelos visitantes. Um sensor mede a velocidade do chute. O mais rápido atingiu 115 km/hora.

Inaugurado na segunda-feira, o museu foi aberto ao público na quarta-feira, quando registrou 600 visitantes. Na sexta-feira, o número já tinha saltado para 984. A organização do museu espera ter os mesmos 40 mil por mês do Museu da Língua Portuguesa, que também fica em São Paulo.

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Set 23

Alemanha x Grécia é um clássico?

por Alessandro Manoel01h35

Eric Idle, Graham Chapman, John Cleese, Michael Palin, Terry Gilliam e Terry Jones. Deve haver na blogsfera leitores que pensarão que como estão lendo um blog de futebol, lá vai um post sobre o campeonato inglês a respeito de um time qualquer de tempos imemoriais. Mas prefiro pensar que todo mundo vai matar na cara que o que vem é algo a respeito do que de melhor saiu da Inglaterra desde Charles Chaplin no que diz respeito a humor. Humor de primeira. Humor De Primeira. Estes são os integrantes do Monty Python, um grupo que começou a revolucionar o humor inglês em 5 de outubro de 1969 a partir de um programa da BBC chamado “Monty Python’s Flying Circus”.

Não houve nada parecido antes e é digno de calculadora financeira o número de cópias que houve depois que estes seis ingleses passaram a se apresentar. Após duas temporadas de quadros primorosos, que deixaram os ingleses embasbacados com tanta genialidade, resolveram lançar um longa-metragem para o cinema em 1971 (And Now For Something Completely Different - E Agora Para Algo Completamente Diferente no Brasil) basicamente com quadros refilmados.

Tosco, porém espetacular, hoje é um cult movie. O programa teve apenas mais duas temporadas e em 1975 passou a ser transmitido nos Estados Unidos. Neste mesmo ano, financiado parcialmente com dinheiro de bandas de rock como Led Zeppelin e Pink Floyd, saiu o segundo filme: Monty Python and the Holy Grail (Em Busca do Cálice Sagrado, no Brasil)

Há dezenas de coisas espetaculares neste filme e prefiro insistir para que corram assistir. E digo isso tanto se você ainda não viu quanto se já viu algumas vezes. Este é um filme inteiro, com material exclusivo. Foi um sucesso e pagou com sobras as 150 mil libras que custou.

No ano seguinte, um documentário com apresentações esquentou o sexteto para o que viria três anos depois: Monty Python's Life of Brian (A Vida de Brian, no Brasil). Imagine um rapazinho chamado Brian que nasceu perto de Jesus Cristo e que passa a vida toda sendo confundido com o rapaz da dona Maria. O comentário para este é o mesmo do filme anterior. Levante esta bunð@ daí e vá ver! Vale a pena.

Enquanto filmavam Monty Python's The Meaning of Life (O Sentido da Vida, no Brasil), que seria lançado em 1983, gravaram uma apresentação para uma platéia cheia de sortudos no Hollywood Bowl, em Los Angeles, com os quadros mais famosos no programa da BBC. Este material foi lançado como filme juntamente com algumas imagens de um especial (Monty Python's Fliegender Zirkus) de dois episódios em 1972 produzidos pela ARD TV (Ó só o nome inteiro desta sigla desgraça: Arbeitsgemeinschaft der öffentlich-rechtlichen Rundfunkanstalten der Bundesrepublik Deutschland), da Alemanha Ocidental.

E é de um trecho deste especial da TV alemã que uso como desculpa pra isso tudo ser publicado no De Primeira:

Respondendo à pergunta do título. Alemanha x Grécia pode não ser um clássico, mas este jogo entre alemães e gregos é, sim, um clássico.

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