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De Primeira: Futebol, Futebol e Futebol

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Out 23

Great Cornolhos do futebol paranaense

por Felipe Lessa16h16

Marcelo Caldarelli e Aurélio Almeida sonham em se tornar celebridades. São daqueles caras que a todo o momento fazem algo para aparecer, mesmo que seja uma breve tacada pitoresca. No momento do retorno destas duas personalidades, a vida social de Londrina e Grêmio de Maringá voltou a ser bombástica. Deixa rastro em tudo. Quem sabe, também não dá a sentença: Clássico do Café apenas nos bastidores. Esperando ver quem protagoniza a cena mais cômica do futebol paranaense.

O desenhista Mike Judge, se tiver o interesse de entrar no ramo da pelota, talvez poderia retratar um pouco de histórias parecidas com as dos personagens de Galo e Tubarão em novos episódios de Beavis & Butt-Head.

Afinal, as bizarrices cometidas pela dupla remetem o espectador a desconstruir toda imagem do futebol, para depois reconstruí-la. Basta pensar profundamente sobre cada estupidez cometida por pessoas anônimas desesperadas pela vontade de se tornar públicas. Isso aguça o instinto do povo – até quando este resolve copiar um personagem esquisito e colocá-lo em prática no mundo real.

Nem mesmo a mudança no perfil dos dois seria necessária. Bastava que o roteirista do possível desenho mantivesse os jovens bizarros e pervertidos.

Sedentos por descarregar todo fracasso amoroso acumulado em Highland, Beavis & Butt-Head tentariam se aventurar no interiorzão do Paraná. O objetivo seria “se dar bem” no futebol e finalmente faturar uma garota.

Butt-Head pensaria em algo grande. Alguém poderia dizer que ele tinha dom para ser o salvador do futebol paranaense, que havia uma dupla com 6 títulos estaduais, 1 Taça de Prata, 1 Taça Roberto Gomes Pedrosa e uma 4ª colocação na primeira divisão do nacional prestes a realizar fusão, e ele prontamente acreditaria ser a pessoa certa para comandar o time.

Na saída do Burger World, filial norte-pr, o garoto passaria o migué em Beavis,um pseudo-recente-comunista-velho-camarada-de-falcatruagem que numa outra encarnação havia defendido a Seleção Brasileira. “Estamos sem grana no bolso, mas podemos cobrar R$220 de gordinhos e excluídos. Juntamos a grana e faturamos as garotas. Come to Butt-Head, baby. Hoho ohohoho ohohoh”. E assim estava montado um time com tempero de frango e sardinha para a disputa de qualquer campeonato que aparecesse.

Nos vídeos que intercalam cada episódio, histórias do futebol nortista sendo retratadas. Desta vez, Judge colocaria vídeos notáveis do Canal 100 ao invés de clipes, mantendo apenas o saudoso Rock´n´Roll ao fundo. Mudar de canal, ou não, seria a resposta positiva ou negativa para alguma reportagem.

- “ Hehe hehe hehe. Esse time tem sardinhas. A mascote desse time é a fêmea do Tutubarão. Poderia me dar mole”, diria Beavis, estrepado na aconchegante sala de casa. Prontamente ele seria retrucado por Butt-Head.

- “Shut up, Beavis. Sardinha é sua mãe, que nem conhece o VGD e faz parte da chapa presidencial. Hoh ohohoh oh ohoh ohoh”

No audacioso projeto de Beavis & Butt-Head, algumas fêmeas são convidadas a trabalhar em seu time. Seriam gandulas dos jogos, nas tardes dominicais. Excitariam os garotos com os elogios recebidos das arquibancadas.

Na angústia para que tudo dê certo (saia na imprensa), bastaria também contratar um ator global, incendiar o interior com promessas envolvendo celebridades, grandes equipes e dar tiros para o alto. Pronto! Era a chance de juntar influência na cidade sardinha de galinha e faturar. Tom Anderson, Stewart Stevenson e até mesmo o treinador Buzzcut seriam parceiros – acreditando nas pretensões dos garotos em salvar o futebol local.

Com a grana em mãos, os jovens convidam as modelos gandula para um jantar regado a nachos e cervejas trocadas em permuta com contribuintes do clube: o Londringá. No entanto, ao perceber que as geladas não tinham álcool, Beavis degusta uma enorme quantidade de café e açúcar no refeitório do Burger World – local onde ainda trabalha, apesar das moedas do clube sempre serem esquecidas no bolso. Surge o diabo loiro. Ele fica enlouquecido, delirante. Tapa sua cabeça com a camisa e começa a gritar de forma demente, sem se calar: “Great cornolhio! Great cornolhio! Great cornolhio!”

Receosos, os donos da lancheria convocam a polícia. Essa bebida não estava presente no contrato de permuta, por isso Beavis & Butt-Head tomam uma dura e vão em cana. As garotas deixam o recinto e seguem para casa. O dinheiro dos contribuintes é utilizado no pagamento da fiança.

Com sorte, a dupla pensaria em nova chance de reerguer o futebol do norte para faturar alguém. Talvez utilizando cabeças de gado de desconhecidos ou emprestando carros de concessionárias para suposta premiação de bingos picaretas. Com azar, uma dupla de toupeiras poderia levar o caso a sério, imitar os jovens e os dois times fechariam as portas. Mas se Mike Judge gostar da idéia, com sorte ou azar, o Clássico do Café dos dias atuais pelo menos ainda teria suas histórias bizarras, mas no foco do povo. “Hehehe heheh heheh”. “Ho hoh ho h oh oh”.

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Out 08

O que começa no campo de futebol, morre no campo

por Felipe Lessa18h30

Depois de vencer de virada o Sóesporte, por 2 x 1 no Estádio Cleto Marques Luz, em Maceió, as jogadoras do Cesmac se viram obrigadas a partir para uma nova batalha. Dessa vez, nada válida pelo Campeonato Alagoano de Futebol Feminino como o jogo da tarde desta quarta-feira (7/9). Provocações durante os 90 minutos do rolar da pelota proporcionaram uma espécie de prorrogação previamente anunciada, sendo o árbitro Anderson Fernandes um dos acusados: pela negligência.

O pau comeu. Ou melhor, as diferenças e qualquer covardia dentro de campo foram tiradas a limpo. Sem armas e sem vandalismo. Queriam apenas um acerto de contas e nada mais. Na mão, ou no máximo com as travas da chuteira, como prega o simbólico código de conduta do futebol. O que nasce no gramado, morre ali. Fim de papo.

O clímax de toda cena está no momento em que a número 3 do Alviceleste Cesmac estava fora de combate. No meio da lavação de roupa suja, ela parece ter sido intimidada por uma jogadora da equipe Amarelão Sóesporte. Sua adversária retira a chuteira e, com ela em punhos, agride uma garota do Cesmac aplicando friamente a chuteirada. Sim, usou seu calçado para bater na outra atleta com as travas.

E então, a personagem do dia, nossa camisa 3 que parecia tranquila e contente com sua única voadora em uma adversária, supostamente toma gosto pela boa e velha ultraviolência. Sem dever nada àquela praticada por gente como Alex e seus Druggies.

A defensora começa a distribuir socos e pontapés. Bica uma, bica duas, corre atrás de outra. Estava ensandecida. Tenta atingir a rival com nova voadora. Até mesmo um garoto, provavelmente irmão de alguma das meninas, tenta separar a treta. Resultado: leva de cara um tabefe na orelha.

Sem polícia ou ambulância no estádio, quem caiu em combate precisou aguardar tudo terminar para ir ao hospital. Wítala, do Sóesporte, foi um exemplo. Levou um chute no rosto e precisou ser transferida para cuidados médicos em uma clínica de saúde.

Para fechar com chave de ouro, a mídia noticiou o confronto nacionalmente. Mesmo o poderoso Globo Esporte relatou como lamentável o ocorrido. Era a primeira vez que a Alviceleste ganhava destaque no site do programa. No restante, restavam apenas estatísticas. Ou seja, o todo-poderoso meio de comunicação falhou. Preferiu omitir a constante falta de ambulância e policiamento nos jogos, e até mesmo a estrutura deste campeonato, para punir as atletas por resolverem tudo como deve ser resolvido.

A Federação Alagoana de Futebol também resolveu dar destaque para a briga em seu site. Incrível a moralidade, já que o presidente da mesma federação é acusado de orquestrar um espancamento contra dois jornalistas que cobriam a partida entre Asa de Arapicara x América Mineiro, em setembro deste ano, pela Série C do Brasileirão.

Uma baita hipocrisia culpar essas meninas por resolverem seus desentendimentos de forma honesta. A violência ocorreu, mas sem a covardia das vangloriadas gangues de torcidas organizadas que se municiam até mesmo de armas de fogo para realização de tocaias contra facções rivais. Essas garotas são apenas vítimas, que inclusive chegaram a se retratar e pedir desculpas em seu blog oficial. Foram comparadas ao mesmo nível de gente que apenas se utiliza do esporte para praticar violência e ganhar dinheiro. Mas recurso é o que mais falta no desprezado futebol feminino. Essas meninas sempre sonharam com o dia que iriam aparecer na grande mídia. Sonhavam en receber devido reconhecimento por seu futebol. Mas estão sendo tratadas como marginais, o que não são.

E como a briga acabou, podemos voltar a falar de futebol. O Blog De Primeira realizou contato inicial com o time do Cesmac em seu Orkut oficial. Tentaremos descobrir também quem é a guerreira combatente Camisa 3. Pretendemos acompanhar, desde já, a trajetória do glorioso Alviceleste na Copa Brasil de futebol feminino. Depois de detonarem o Potiguar por 3 x 1 em casa, elas enfiaram 4 x 1 no Rio Grande do Norte. Estão classificadas e no dia 22 de outubro enfrentam as meninas do São Francisco da Bahia no Estádio Nelson Feijó, em Alagoas. Outra destaque do time é Karine, que com 2 gols na competição balançou as redes o mesmo número de vezes que renomadas como Marta e Cristiano, do Santos. Com os votos de apoio do Blog de Primeira: Avante, Cesmac Futebol Feminino! Rumo ao título nacional.

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Set 13

A paixão pelo Londrina em quatro rodas

por Felipe Lessa06h45

Sempre que o Corcel I de Marcos Reis da Silva desfila pelas ruas de Londrina, é alvo dos olhares curiosos de pedestres e motoristas. Alguns gritam, outros acenam sorridentes ou até mesmo chegam a desacreditar no que estão vendo. Foi com o veículo modelo 76 que o vidraceiro de 40 anos, conhecido pelo apelido de Migrão, encontrou a melhor forma de homenagear o time de coração: o Londrina Esporte Clube. O carro velho, mas muito bem conservado, é todo estilizado com as cores do Londrina. São 18 tubarões, o mascote do time, pintados na lataria.

Carinhosamente apelidado por amigos como “Tuba Móvel”, o Corcel I de Migrão é a grande atração nos dias de jogo, quando transita pelas redondezas do Estádio do Café, na zona norte de Londrina. O proprietário inclusive deixou de sair para as ruas apenas em ocasiões especiais para ajudar a divulgar o clube.

“Todo mundo gosta e acaba se animando com o Tubarão. Quem olha acha até mesmo que somos funcionários do Londrina. Muito pelo contrário, os diretores do LEC nunca nos procuraram para envolver o carro em alguma ação do clube pela cidade, algo que eu faria com prazer e jamais cobraria”, lamenta.

Para conservar aquele que considera ser seu xodó em bom estado, o carro é religiosamente lavado aos sábados. Por precaução, é o próprio Migrão quem passa água, sabão e encera o veículo. “Dá uma agonia deixar lavando fora, pois nunca se sabe qual o time da pessoa que fará o serviço. Se o cara for cabeça meio fraca, risca meu Tuba Móvel. Aí eu morro”, conta ele, que diariamente também faz pequenas limpezas no seu Corcel. “Tem que conservar, né. Sonhei com essa caranga desde que comecei a torcer pelo LEC. Agora que eu tenho, é pra vida inteira”, enfatiza.

A paixão de Migrão pelo Londrina surgiu em 1976. Após acompanhar uma rodada dupla, onde o time de juniores enfrentou o Matsubara e o profissional duelou contra o Vasco da Gama, no Estádio do Café, o torcedor afirma que jamais abandonou o Tubarão. “Foi quase um casamento. Desde então, o azul e branco faz parte da minha vida. É com o LEC que estou na alegria e nas tristezas, na saúde e na doença. E assim vai ser até o dia que eu morrer”.

Esses laços afetivos foram tão fortes que há três anos Marcos trocou sua antiga motocicleta pelo carro. “Foi uma forma de homenagear o Tubarão e retribuir tantas conquistas que o Alviceleste me deu”.

Para decorar o carro, Marcos pediu ajuda ao amigo Sidney Branco, que saiu de Curitiba, onde mora, só para ornar o Corcel I de Migrão em Londrina. “Ele passou uma semana fazendo as ilustrações sem cobrar nada. Quando tudo ficou pronto, eu queria ficar andando com esse carro pela cidade inteira, sem parar. Gastei horrores de combustível nos primeiros dias, só para mostrar aos londrinenses o quanto eu estava orgulhoso do meu carro do Tubarão. Mas como eu não sei dirigir, quem boléia é a minha namorada”, ressalta.

No volante
Pouco antes de adquirir o Corcel I, Marcos passou a namorar a gerente administrativa Flávia Fernandes Navarro, de 28 anos. Apesar de terem se conhecido nas arquibancadas do Estádio Vitorino Gonçalves Dias, em um jogo contra o Atlético, pelo Campeonato Paranaense, ela conta que ficou um pouco espantada com a idéia de estilizar o carro.

“Na época era algo fora da minha realidade, mas totalmente dentro da dele. Eu apoiei, só que era estranho sair dirigindo um carro totalmente pintado com símbolos e mascotes do Londrina. Muita gente acha que sou doida. Até comentam como que pode uma mulher ser tão fanática por um time de futebol. Eu me espantava. Mas hoje, eu me divirto”, conta Flávia.

Segundo a namorada, Migrão só permite que outra pessoa dirija o Tuba Móvel se for tão fanática pelo LEC quanto ele. “Geralmente sou eu que estou com o carro. Mas o Marcos já deixou alguns amigos da torcida o dirigirem”. A fala de Flávia é completada pela do proprietário: “Tenho que conhecer bem a pessoa e saber que ela vai tomar tanto cuidado com o carro quanto se deve tomar pelo manto alviceleste. Não é algo tão simples assim”, diz.

Apesar das campanhas do Tubarão de hoje não serem como a do Brasileirão de 1977 (quando chegou em quarto lugar e ganhou o apelido de Tubarão em referência ao filme de Steven Spielberg, coqueluche das telas naquele ano) e a do Paranaense de 1992 (quando o clube conquistou o último título de expressão na final caipira contra o União Bandeirante), o vidraceiro afirma que gasta 40% de seu salário com o clube do coração – incluindo o carro.

Compra camisas, quadros, bandeiras e também segue religiosamente o Londrina não só no Estádio do Café. Jogue onde jogar o Tubarão, e o vidraceiro lá estará. Apesar de já ter viajado o Brasil inteiro para acompanhar o Tubarão, Marcos ainda tem receio de colocar seu Corcel I na estrada. “Ultimamente o público do futebol ficou muito violento e ainda tenho medo de ir até o estádio de outro time com meu Tuba Móvel. Nunca agredi, nem joguei uma pedra que seja em alguém. Mas vai saber o que pode acontecer, não é? Qualquer dano nesse carro seria tão doloroso quanto um rebaixamento do time”, explica.

No entanto, não descarta a possibilidade de encarar uma viagem com o carro. “Quem sabe se o Londrina for jogar uma final de campeonato em algum lugar onde as torcidas já terem amizade, aí dá pra encarar esse passeio. Seria um novo orgulho para mim, que gosto de festa, alegria e odeio brigas”, diz.

Sobre o fato de a equipe estar na série D do Campeonato Brasileiro e ter caído para a série B do Paranaense esse ano, Migrão acredita que a reviravolta desse quadro está na própria torcida. “Já passou muito jogador bom por aqui. Eu vi Elber, Paulinho e Carlos Alberto Garcia. Agora estamos nessa situação, lutando para sobreviver. Mas tenho fé de que no dia em que torcedores de verdade assumirem o Londrina, a cidade voltará a apoiar em peso nas arquibancadas”, confia o torcedor.

Para Migrão, que já pedalou 600 quilômetros de bicicleta até Santa Catarina para pagar uma promessa pela conquista da Copa Paraná 2008, agora é o momento de manter a fé para o sucesso do clube na quarta divisão do Brasileirão. No entanto, quando desafiado pela namorada Flávia e por amigos da Falange Azul - organizada do clube - a tirar sua carteira de motorista caso o LEC suba para a Série C do campeonato nacional, ele ainda prefere a precaução.

“Tem que ter calma nessa hora. Eu sou muito ruim de boléia e se eu bato esse carro, ia ficar em depressão eterna. Por enquanto eu prefiro ficar na carona com a namorada ou andando de bicicleta. Mas vamos ver. Quem sabe na reta final do campeonato eu não me anime”, brinca o torcedor.

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Abr 20

O futebol nas grandes cidades do Paraná

por Equipe De Primeira22h25

por Leonardo Bonassoli

Dia 25 de março de 2009. O Londrina, mesmo vencendo o Coritiba por 2 a 1, no VGD, caía para a Segundona do Paranense pela segunda vez desde 1998. Não só pela tradição do Tubarão que o fato chamou a atenção, pois caía também naquele momento o principal time da segunda maior cidade do Paraná, terceira do Sul do Brasil. Ao mesmo tempo, era rebaixado o Foz do Iguaçu, que é da quarta cidade do estado. O que será que acontece com o futebol das cidades paranaenses com mais de 100 mil habitantes? Vou destrinchar um pouco de cada uma dessas 16 cidades, segundo estimativa de julho de 2008 do IBGE, para que seja discutida a situação da bola em alguns destes municípios.

Curitiba, com mais de 1,8 milhão de habitantes, é, disparada, a maior cidade do estado. Se contar os 3,1 milhões de habitantes na Região Metropolitana, a capital tem cerca de um terço da população do Paraná. Futebolisticamente, neste ano, a participação foi quase proporcional, com quatro das 15 equipes saindo da cidade. E o título ficará na cidade, principal centro econômico, industrial, comercial e político. A dupla Atletiba, que representa setores de massa da sociedade curitibana em diversos estratos sociais e o J. Malucelli, clube sem apelo popular, mas que representa um importante grupo econômico/político do estado, são os candidatos ao título, faltando duas rodadas para o fim. Outro time da cidade, o Paraná Clube, sem chances no estadual, também possui representatividade social e econômica, como os dois principais coirmãos, mas em escala um pouco reduzida.

Londrina tem mais de 500 mil habitantes e não conseguiu manter seu principal clube, o tradicional Londrina, na elite do Paranaense. É uma cidade relativamente nova (1929) e que sofreu um grande surto de colonização com o café, cujas riquezas resultaram no grande momento do LEC nos anos 70 e 80, com últimos suspiros na década de 90. Más administrações tiraram o time com maior potencial do interior do Paraná da rota do sucesso. Londrina também tem a Portuguesa Londrinense, pouco representativa na sociedade local. Por ser um local de colonização recente, como maior parte do Norte do Paraná, os clubes da cidade acabam por concorrer com os times paulistas. Caso isso não ocorresse, provavelmente mais empresários locais se interessariam em apoiar o Tubarão e mais torcedores, além do que costuma ser a maior média de público do interior, compareceriam, gerando um círculo virtuoso na cidade, que já foi denominada a Capital Mundial do Café.

Maringá, com mais de 330 mil habitantes, sequer teve time na primeira divisão deste ano, pois o Galo/Adap desistiu antes do início. A cidade não se encontrou futebolísticamente depois da paralisação do Grêmio Maringá, cuja marca havia caído nas mãos do empresário Aurélio Almeida. O Maringá iguatemi, time de empresários, não empolgou e virou saco de pancadas na Segundona. O Grêmio Maringá, com grupo de empresários tenta se reerguer a partir da Terceirona. Resta saber se Maringá, cidade mais nova que Londrina (Londrina é do Norte Novo e Maringá, mais ao oeste, do Norte Novíssimo), voltará aos dias de glória em que merecia respeito até do Santos de Pelé. O problema de Maringá é similar ao de Londrina, cidade rival no "Clássico do Café", o maior do interior do Paraná. Inclusive as duas cidades cresceram pelo mesmo motivo.

Foz do Iguaçu, no Extremo Oeste, fronteira com o Paraguai, tem quase 320 mil habitantes, e ficou muito tempo sem representante na elite do futebol. Teve o Foz, antigo Auritânia, como representante neste ano, mas acabou sendo rebaixado na temporada de estreia.Tradicionalmente, a cidade sempre teve dificuldades em manter os times de futebol, bastando ver o retrospecto histórico dos times. Tende a ser um time gangorra, pois os apoios financeiros não são os mais polpudos.

Ponta Grossa, com pouco mais de 310 mil habitantes, tem um dos clubes mais antigos do estado, o Operário Ferroviário, que consegue lotar o Germano Krüger em jogos da Segunda Divisão. Nos últimos anos, sempre acontecia algo para o time não subir, praticamente um Charlie Brown liderando a prova e errando a curva da pista ao sonhar acordado com o reconhecimento da Garota Ruiva. Potencial para subir neste ano o Fantasma tem, mas precisa transformar a energia potencial em energia cinética.

Cascavel, pouco mais de 290 mil habitantes, é um caso curioso. O time, no caso o Cascavel Recreativo, tem enfrentado problemas financeiros há pelo menos duas temporadas, mas mesmo assim se mantém na elite a duras penas. Merece um estudo de caso de como sobreviver no caos e com os cofres no vermelho. A cidade jpa teve um título estadual em 1980, quando o então Cascavel dividiu o título com o Colorado de Curitiba, que deu origem ao Paraná Clube. Atualmente está muito longe de poder repetir a façanha.

São José dos Pinhais, mais de 270 mil habitantes, e Colombo, pouco mais de 240 mil, estão na região metropolitana de Curitiba e sofrem forte influência econômica e cultural da capital. Colombo nunca colocou time na principal divisão do estado e atualmente não tem time profissional ativo. São José dos Pinhais já hospedou por muitos anos o Malutrom, atual J. Malucelli, e em uma temporada o Real Brasil. Curiosamente, a cidade, conhecida antigamente como "Capital dos Moranguinhos", teve duas equipes na última temporada da Terceirona Estadual: o São José e o Juventud, sendo que este último tem o CT no Extremo Sul de Curitiba. Curiosamente, São José dos Pinhais é um importante polo automobilístico inclusive nacionalmente.

Guarapuava, com mais de 170 mil habitantes, não sabe o que é colocar um time na primeira divisão do Paraná há mais de uma década. Nenhum time está ativo na cidade. Todo ano fala-se do retorno do Batel, o último time que representou o município (outros foram o Grêmio Oeste e o Guarapuava), porém, até agora, nada aconteceu de concreto.

Paranaguá e seus quase 140 mil habitantes abrigam o Rio Branco, um dos veteranos do futebol paranaense. O time se segura com dificuldade na Primeira Divisão e tenta traçar planos para o Centenário que está próximo. Esbarra na falta de dinheiro, pois a cidade gira praticamente sobre o porto, tanto que teve que fazer parceria com o Trieste, clube amador de Curitiba, para ter jogadores suficientes.

Apucarana, com pouco mais de 120 mil pessoas, tinha tradicionalmente o Apucarana, clube com uniforme similar ao São Paulo e que foi a melhor equipe do interior em 1997. Em 1998, o time, que era presidido por Jesus Vicentini, fechou as portas. A cidade só voltou a ter equipe profissional quando o Roma saiu de Barueri e aportou por lá. Porém, agora, o Roma está longe da primeira divisão estadual e nunca foi a força que esperava ter, ainda mais tendo se originado de um campeão da Copa São Paulo. É próxima a Londrina e tem história de crescimento entrelaçada com ela.

Pinhais e Araucária, ambas com população pouco acima dos 115 mil moradores, ficam também na região metropolitana de Curitiba. Cresceram em parte pela proximidade com a capital, embora Araucária seja um importante polo industrial e Pinhais tenha IDH similar a Curitiba. Futebolísticamente, nunca estiveram na elite, embora Araucária já tivesse abrigado clubes de divisões inferiores. Pinhais foi emancipada de Piraquara apenas em 1992, o que talvez, junto com o fato de ficar cerca de 15 minutos distante do Centro de Curitiba, explique a falta de tradição da cidade no futebol profissional.

Toledo, também na casa dos 115 mil habitantes, teve antigamente um clube com o nome da cidade que fez bom papel até os anos 90. Depois teve a aventura do Império Toledo, do empresário Aurélio Almeida, que debandou para a capital deixando as dívidas na cidade. Em 2005, um grupo apoiado pela Cervejaria Colonia e pela Work, empresa de recursos humanos, resultando no Toledo Colonia Work, atual clube da cidade, que foi o melhor do interior no ano de 2008 e neste ano, mesmo com a parceria com o São Paulo, brigou apenas para não cair. O apelido do time é javali, uma alusão ao porco, principal produto da cidade, importante polo suinocultor, ao lado da cultura da soja. A suinocultura é tão importante para Toledo que o grande evento turístico da cidade é a famosa Festa do Porco no Rolete.

Campo Largo, que ultrapassou a marca dos 110 mil habitantes -- assim como são José dos Pinhais, Colombo, Araucária e Pinhais -- sofre influência da capital, por estar na região metropolitana. A Capital da Louça e da Cerâmica nunca teve representantes na elite estadual, embora alguns times da cidade já tenham participado das divisões inferiores.

E finalmente, Arapongas, e seus 101 mil moradores, cidade próxima a Londrina e que faz parte do mesmo processo colonizatório. O clube com mesmo nome da cidade tem alguma tradição estadual, embora sem muitos resultados significativos. Depois de um tempo de inatividade, disputou a Terceirona de 2008 e subiu para Segunda Divisão. O time é gerido por Adir Leme, empresário que por algumas vezes cuidou do futebol do Londrina. Se voltará à elite é outra história, pois a Série Prata é pródiga em surpresas. Ou você acha ver o Real Brasil ter chego em campo à elite é algo normal?

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Fev 01

O modo como posts surgem

por Alessandro Manoel15h15

Em Curitiba é bem raro as pessoas saberem de cabeça qual o número das linhas de ônibus que pegam. E o número 666 é o de uma linha chamada Novo Mundo. Talvez seja piada do pessoal da Urbs (empresa municipal curitibana que gerencia o transporte público local) com o número da besta e um mundo novo para apavorar quem acredita nestas coisas. Vai saber.

O ponto é que a gente se acostuma e não repara que algumas coisas podem ser algo engraçado para outros mesmo sendo comuns em nosso mundinho particular. Este assunto já chegou perto de ser abordado em posts sobre a Terceirona do Brasileirão. Em 2008 havia a minha torcida para que Brasil de Pelotas e Holanda-AM. Se acontecesse certamente alguma matéria da Placar iria ligar o confronto entre os dois times e um dos três jogos entre as seleções em copas (1974, 1994 e 1998) Quem seria o Van der Saar amazônico? O Cruyff do Pulmão do Mundo??

Enquanto eu pensava no 666 que passeia em direção ao sul curitibano, lembrei de dois confrontos no campeonato paranaense. Fox do Iguaçu x Iguaçu (de União da Vitória) e Paraná x Paranavaí. Pra paranaenses é comum. Será que a distância os nossos amigos de Belém acham isso engraçado?Lembro também que O Havelange uma vez estava em Curitiba e foi convencido a assistir a Atlético x Paraná Clube. Um repórter foi lá perguntar o que o rapaz achava do confronto e ele soltou um “estou satisfeito em acompanhar o jogo entre Paraná e Paranaense”. Mas também tivemos Engenheiro Beltrão x Francisco Beltrão.

Em São Paulo é engraçado o jogo entre Noroeste e Oeste. Será este o futuro clássico Rosa-dos-ventos? Os torcedores do Oeste vão tirar sarro porque o Noroeste é um mero ponto colateral e irão levar ao estádio uma bandeira com o dom Odilo Pedro Scherer? Uma pena que não temos mais um afastamento necessário pra sorrir em um confronto São Paulo x Paulista. Sem falar na quantidade de santos presentes.

A série A2 nos traz o clássico maniqueísta Rio Preto x Rio Branco com o Rio Claro chegando pra dizer que a mistura é que ganha jogo. Atlético Sorocaba x São Bento ainda é um dérbi mais legal, confesso. O fato é que o Bandeirante vai subir pra série A2 só pra invadir Sertãozinho. Ou talvez Nacional e Internacional subam junto e transfiram este jogo inusitado pra uma divisão mais chique. Monte Azul x Pão de Açúcar deveria estar no mesmo grupo.

À primeira vista, os cariocas só têm a nos oferecer América x Americano, que estão em divisões diferentes. Mas na terceira divisão há um clube que consegue fazer um “autoclássico”. O alvinegro Associação Esporte Clube Rio São Paulo. Rio São Paulo! E misturando tudo, há o Boavista da primeira divisão com o Bela Vista da terceira. Por sinal esta divisão carioca conta com times de nomes bem sugestivos: Semeando Cidadania Futebol Clube, Rubro Social Esporte Clube, Futuro Bem Próximo Atlético Clube e Fênix 2005 Futebol Clube.

E preparem-se. Guarani x Tupi se enfrentam no próximo dia 8 em Divinópolis. E dia 14 jogam Social x Democrata. Aliás, Democrata de Governador Valadares x Democrata de Sete Lagoas é bem comum por lá. Pena que atualmente este último está no Módulo II (a série B local).

Só consegui forçar a barra no Catarinense com Videira x Figueirense, que estão em divisões diferentes. O Gauchão tem como destaque a quantidade incrível de Esporte/Sport Clube/Club (Oito na principal e seis na segunda). Mato Grosso do Sul devia arrumar um par a altura para a Associação Atlética das Moreninhas. Operário x Comercial parece muito sem graça diante disso.

Preciso que algum leitor baiano nos ajude a confirmar se está correta a informação que tirei do site da Federação Baiana de Futebol sobre a existência de um time chamado Botafogo Esporte Clube e OUTRO chamado Botafogo Sport Clube. De qualquer forma dá para montar Serrano x Serrinha com Monte Rey querendo entrar na briga. Pernambuco tem três Ferroviários: Clube Ferroviário do Recife, Ferroviário Esporte Clube de Serra Talhada e Ferroviário Esporte Clube do Cabo.

Vou parar por aqui pra não ficar um post grande demais. Você, leitor, pode apontar novos jogos alternativos entre equipes de um mesmo estado. É que se for pra colocar jogos de times de qualquer lugar aí o céu é o limite e Chapadão x Chapadinha é imitar demais o Léo Aquino...

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Jan 21

Este é o fim do futebol como o conhecemos. E não me sinto bem

por Jones Rossi03h52

O futebol se parece um pouco com a política. Às vezes mais do que a gente gostaria. Quando a comunidade não está interessada em seus próprios rumos, quem toma conta são os políticos desonestos e corruptos. No futebol, quando cidades inteiras deixam de se importar com seus times para adorar o que vem de fora, empresários e espertalhões invadem o galinheiro antes que se possa dizer "categoria de base".

Por isso os estaduais são o que são. Meia dúzia de times com alguma tradição contra ex-times de tradição transformados em entrepostos de venda. Até o suposto melhor campeonato estadual do país, o Paulista, está recheado de times que não fazem o mínimo sentido: Guaratinguetá, Ituano, Paulista, São Caetano e por aí vai. Jogos às quartas-feiras de madrugada, estádios que se parecem entre si, torcidas tão vibrantes quanto um jogo de bocha com seu tio de 80 anos. Este é o Paulista. Imagine os outros.

Poucos vão concordar, mas campeonato estadual é o Gaúcho. Por um motivo simples. O interior ainda concentra times que têm conexão com a comunidade. Quem já foi para o interior gaúcho sabe como as cidades e a população valorizam seus times, mesmo que não sejam grandes coisas. E aí está a diferença para o interior paulista e paranaense, nos quais a população prefere torcer pela TV por times que no máximo irão ver no estádio uma vez na vida.

Qual o sentido em morar em Maringá e torcer pelo Corinthians e não pelo Grêmio Maringá (quando este existia)? Por que o Corinthians (ou São Paulo, Palmeiras, o time não vem ao caso) vence mais que o Maringá? Pô, mas é óbvio que vence e sempre vencerá. Mas deixem que os paulistanos cuidem do Corinthians. Torcer para um time local representa afirmar uma identidade própria, não importada, que faça sentido e tenha relação com o lugar em que você mora. Aos poucos, criam-se tradições, os domingos no estádio, as vitórias heróicas, aquele título duramente conquistado, o choro pelo rebaixamento.

Uma das histórias mais bonitas que escutei e não sei se é verdade, mas que cala fundo quando eu penso no Grêmio Maringá, é a de um torcedor do Atlético-PR que escutava todo o pré-jogo e desligava o rádio quando a partida começava. "Para mim basta saber que o Atlético existe", explicava. Para mim, bastaria saber que o Grêmio existe e começaria neste fim de semana mais um Campeonato Paranaense. Nem isso eu tenho.

Por isso, os campeonatos estaduais têm que acabar. Não faz sentido os clubes que têm relação com a torcida, ainda são grandes e têm força, disputarem um campeonato apenas para dar sobrevida, e principalmente grana, a times cujas próprias cidades já os abandonaram. Por causa do estadual, a aberração dos infernos Corinthians Paranaense vai ganhar alguns meses de destaque e pode provocar estragos duradouros no futebol paranaense. Por causa dos estaduais, os empresários conseguem colocar jogadores meia-boca na vitrine a preços baixos, em Guaratinguetás da vida. Na quarta divisão do Campeonato Brasileiro estes times só seriam motivo de piada, como realmente são, embora de vez em quando um ou dois abortos da natureza escapem e cheguem à Primeira Divisão.

(Pensando bem, seria até engraçado ver um dia o Corinthians Paranaense, que queiram ou não, é administrado por profissionais, gente que é dona de instituições financeiras, ganhando do Corinthians original, tocado por amadores e mal-intencionados. Será que o acordo tem alguma cláusula impedindo os dois de frequentarem a mesma divisão?)

Voltando ao assunto. A grande alternativa são os regionais: Rio-SP, Sul-Minas, Nordestão. Mas as federações jamais permitiriam perder o poder. Cada federação representa um voto e a CBF dificilmente bateria de frente com elas. A verdade é que a Federação de Futebol de Roraima é tão ou mais importante aos olhos da CBF que o Flamengo, que joga o estadual para sustentar o Nova Iguaçu e o Cabofriense, ao passo que clubes tradicionais como o América-RJ, Bangu, Madureira e Goytacaz fade away.

Trocando em miúdos, não há solução por enquanto. Se o presidente de um clube campeão brasileiro já me disse que sugeriu a volta da Sul-Minas e foi impossível convencer clubes como Cruzeiro a tomarem parte, é porque estes clubes também caminham para o inevitável apequenamento. Talvez o futuro seja assim mesmo. No lugar do Toledo, uma franquia do São Paulo. No lugar do Goiânia, cria-se o Corinthians Goianiense. Extingua-se o CSA em favor do Flamengo Alagoano - até porque Corinthians eles já têm. E o Brasil do "Bahia, minha porra", do "Santa é lindo", do "A-tlé-ti-co" e do "Vamo, vamo, Inter"; do Brasil de Claudio Milar, do Remo e do Sampaio Correa, dará lugar a um único coro unânime: "somos um bando de loucos". E estaremos cheios de razão. Seremos loucos e idiotas.

E assim espero ter encerrado minha série lacrimosa sobre essa porcaria toda que se tornou o futebol. Ainda há esperança, Kaká disse não ao Manchester City. E disse pelos motivos certos. Pode ser que o vento tenha mudado direção. Não conto com isso, mas não custa sonhar.

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Dez 07

Kukín e Eu

por Equipe De Primeira02h17

por Leonardo Bonassoli

2000 era o ano. Tardes vazias se espalhavam, talvez pela primeira vez e última vez muitos anos. "Oficina vazia, cabeça do diabo", diria alguém errando o ditado como a Magda do Sai de Baixo, que estava em voga na época, exceto se estiver sendo traído pela minha memória-fantasia.

A outra ponta do contexto do início da história: estrangeiros. Vivemos atualmente com uma boa presença de estrangeiros no futebol brasileiro. Antes, tivemos alguns picos. No Atlético Paranaense, houve uma série de estrangeiros que começou com o uruguaio Matosas no início de 1996. Naquela época, só dois estrangeiros por equipe podiam ser relacionados. Depois do sucesso de Nowak e Piekarski, o Atlético Paranaense resolveu trazer dois jogadores de uma mesma nacionalidade para o clube: os peruanos Abel Augusto Lobatón Espejo e Carlos Antonio Flores Murillo.

Lobatón foi o que mais deu certo. Não que o centroavante fosse um primor técnico (longe disso). O que aconteceu foi o fato de ter feito um gol em Atletiba na primeira de suas duas curtas passagens pelo time da Baixada.

Já Flores, que carregava a alcunha de "Kukín", pouco jogou pelo Furacão. Aí que o primeiro e o segundo parágrafos se encontram: eu vi ele jogar no dia 27 de outubro de 2000, na Arena da Baixada, num amistoso entre um mistão do Atlético e equipe do Juventus de São Paulo. A Copa João Havelange, em disputa na época, tinha número ímpar de times, o que fazia com que os times tivessem folgas na tabela. Este amistoso foi em uma das folgas.

Foi uma partida fraca tecnicamente (um time reserva contra um que estava a milhas da elite). Bentinho, com a 9 do CAP, perdeu gols a rodo. Tanta gente jogou que depois do número 18 começaram a repetir os números das camisas. E com a 8 entra o herói de nossa história. Ele joga alguns minutos, com bons passes e antecipações no meio. Jogador mais clássico e que jogava de primeira passes açucarados e antevia movimentos. Nada para impedir um empate em 2 gols contra o Juventus, que não deperdiçou suas chances.

Pouco tempo disso, ele retornou para o Sport Boys, clube de origem, sendo que a alegação foi de "problemas pessoais". Passei a acompanhar alguns passos deste jogador, entre os mais obscuros da história recente do clube (Roland Tüske está no mesmo nível). Clube atrás de clube. Resgatei uma frase dele: "é so a gente beber duas garrafas que já dizem que estamos nos embebedando", para entender um pouco do perfil polêmico do atleta.

No Unión Huaral, após sair do clube, disparou: "esses dirigentes não entendem de futebol. Com exceção de 2 ou 3, eles só entendem de frango". Foi nessa passagem pelo Huaral que aconteceu a lendária foto da comunidade Futebol Alternativo do orkut. E seguia o polêmico Kukín de clube em clube.

No Villa del Mar, da Segundona, Flores foi acusado de entrar em luta corporal no vestiário com o treinador, sob a alegação de não ter gostado de ser substituído. Entre sumidas e aparecidas seguiu nosso "herói".

Há alguns anos, surgiu a notícia de que Carlos Flores esteve internado numa clínica para se curar de dependência química. Era realmente mais um bom jogador que poderia ter ido mais longe se não fossem os vícios e confusões. A lista não é pequena e cada um conhece dezena de casos.

Mas incrivelmente ele "fugia" de competições internacionais, pois neste troca-troca de times ele sempre parava em clube que não disputava nem Libertadores, nem Sulamericana. Tudo até este ano, quando o Sport Ancash disputou a Sulamericana com Flores envergando a camisa 10. Foi meu reencontro com o futebol dele (desta vez pela TV). Era o dia 24 de setembro, e numa partida sonolenta, Ancash e Palmeiras ficaram no zero a zero na cidade de Lima. Todas as bolas paradas eram de Flores e muitas levaram perigo ao gol do goleiro Marcos. O peruano sentiu um pouco os 34 anos de idade, mas mesmo com a mobilidade reduzida mostrou lances de habilidade como um cruzamento de beach soccer.

Ele viria para o Brasil depois de oito anos. Mas alegaram que ele não teria tomado uma vacina, sendo barrado. Outros diziam que na verdade era um problema com a FIFA, pois Flores tinha ultrapassado o limite de times que poderia defender no período de um ano. Ele não pôde jogar uma partida oficial aqui no Brasil.

O jogo que vi dele teve um público pequeno. Alguns brasileiros viram pela TV o jogo recente dele. Tem uma anedota de música que Indie é aquele que tem uma banda que só ele conhece. Eu tenho um jogador que eu fui um dos poucos a ver em atuação num estádio do Brasil. Seria eu um indie do futebol?

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Set 23

Malucos da bola

por Leonardo Mendes Jr.09h53

Há uns dois anos (talvez mais ou menos, não lembro), a revista de música Blender publicou uma lista dos 50 maiores malucos do mundo pop.

Li a divertidíssima relação e comecei a esboçar algo do mundo do futebol. Listei alguns nomes, desenvolvi uma meia dúzia e larguei mão.

Semana passada, resgatei a lista aqui no laptop, completei os nomes que faltavam, desenvolvi uma historinha para cada um e, bingo!, fiz o ranking. Que inicialmente eu publiquei em pílulas lá no Arquibancada Virtual e agora solto de uma vez só aqui no DP, com duas alterações após lembranças muito bem-vindas do amigo Juan Saavedra.

Ah, sim. Aqui está a lista da Blender.

50 Maradona
O conjunto da obra do argentino é vasto, mas nada supera a agüinha batizada entregue para Branco no Brasil x Argentina da Copa de 90. Merece abrir o ranking.

49 Espíndola
O argentino do L.A. Galaxy acaba de ganhar sua credencial de maluco – e de mané. Ao comemorar um gol seu com uma cambalhota, quebrou a perna direita. Pior, o gol foi anulado.

48 Guilherme
Trombador e goleador, mostrou todo seu amadorismo como bad boy ao quebrar o braço pulando o muro da concentração.

47 Evaristo de Macedo
Excelente contador de histórias, Evaristo tem uma lendária de quando treinava o Corinthians. Com o clube em crise financeira e o dólar nas alturas, reuniu os jogadores para defender o salário “verdinho” de Rincon e Gamarra. Após dizer que os estrangeiros tinham razão em exigir seus direitos, pediu que eles saíssem da sala. Diante apenas dos brasileiros, soltou: “Esses gringos são mercenários pra caralho, hein..”.

46 Carlos Roa
Titular da seleção argentina na Copa de 98 e do emergente Mallorca, abandonou a carreira no auge porque sua religião o proibia de trabalhar aos sábados.

45 Nélson Patola
Ícone do sofrível Botafogo dos anos 90, o volante ganhou fama por dar uma “vistoriada” nos documentos de Rogerinho, volante do Fluminense.

44 Catê
Revelado pelo São Paulo de Telê, teve a grande chance sua carreira ao ser contratado pela Sampdoria, da Itália. Para comemorar a chegada ao calcio, tomou um porre com os novos amigos italianos. Acabou na delegacia.

43 Júnior Baiano
Quando jogava pelo São Paulo, conseguiu ser suspenso por gesticular que o árbitro Oscar Roberto Godói estava bêbado apitando um São Paulo x Corinthians.

42 Jardel
Gols de cabeça e frases de efeito eram as especialidades do atacante. A ele são atribuídas pérolas como “Clássico é clássico, é vice-versa” e “Quando o jogo esquenta sobe a minha naftalina”.

41 Viola
Gente que passa a vida inteira falando de si mesmo em terceira pessoa não pode ser normal.

40 Oséas
Escanteio para o Corinthians. Oséas volta para ajudar na marcação na zaga do Palmeiras. Bola na área, Oséas sobe e... manda para o gol. Depois do jogo, o atacante das trancinhas disse ter achado que estava no ataque.

39 Mário Sérgio
Por garantia, gostava de ir ao estádio e para a concentração armado, hábito que, dizem, manteve como treinador.

38 Anselmo
Entrou na final da Libertadores de 1980, contra o Cobreloa, com um único propósito: acertar um soco no chileno Mario Soto, que havia batido em Zico nos três jogos da final. Cumpriu sua missão. E foi expulso.

37 Djalminha
Perdeu a convocação para a Copa de 2002 por dar uma cabeçada em John Toshack, seu técnico no La Coruña.

36 Gilmar Fubá
Como se já não bastasse o apelido por causa das mamadeiras de fubá que sua mãe lhe dava quando criança, Gilmar foi alvo de uma disputa inusitada entre Marcelinho Carioca e Vampeta. Durante o dia, ia ao culto religioso com o camisa 7; à noite, caía na balada com o volante. “Era como se eu tivesse um anjinho num ombro e um capetinha no outro”, dizia.

35 Marcinho
Artilheiro e ídolo do Flamengo, comandou uma festinha bem animada na região de Belo Horizonte, que terminou com uma prostituta acusando o atacante de agressão e dois divórcios no elenco rubro-negro.

34 Edílson
No ápice da rivalidade entre Corinthians e Palmeiras, fez uma série de embaixadinhas na final do Paulistão-99 que transformou o gramado do Morumbi em um ringue de telecatch.

33 Materazzi
O zagueirão italiano é um dos maiores carniceiros da história do futebol mundial. Mas entra aqui mesmo por ter conseguido tirar o zen Zidane do sério em uma final de Copa do Mundo, na última partida do craque franco-argelino como profissional.

32 Guilherme e Jajá
Companheiros do Coritiba, trocaram socos e pontapés em pleno Maracanã, contra o Flamengo. Acabaram expulsos.

31 Valdiram
O atacante que já defendeu Cianorte, Vasco e jogou no futebol português tem também no currículo duas prisões por tentativa de estupro e outro por agressão a uma namorada.

30 Piá
Revelado pelo Santos, o meia já esteve preso por tráfico de drogas e foi a julgamento em um júri popular por suposta participação em um assassinato.

29 Renato Gaúcho
Prometeu desfilar nu em Copacabana se o Fluminense caísse para a Série B em 96. O Flu caiu – virou a mesa, é verdade --, mas Renato, graças a Deus, não cumpriu a promessa.

28 José Roberto Wright
Antes de se tornar um enfadonho comentarista de arbitragem, Wright fez suas maluquices. Nos anos 80, foi apitar um Flamengo x Vasco com um gravador escondido sob o uniforme. Registrou as nada gentis conversas entre árbitro e jogador numa partida de futebol.

27 Cleisson
O volante atualmente no Ceará surtou quando descobriu que Palhinha, seu companheiro de Grêmio, tinha um caso com a mulher do goleiro Danrlei. Quando os dois jogavam no Cruzeiro, Palhinha freqüentava a casa de Cleisson, que, por via das dúvidas, deu uma surra no camisa 10.

26 Vampeta
Ligeiramente aperitivado, deu uma cambalhota na rampa do Palácio do Planalto durante a recepção do presidente Fernando Henrique aos pentacampeões mundiais de 2002.

25 André Catimba
A sua desastrosa comemoração pelo gol do título gaúcho do Grêmio sobre o Internacional, em 1977, é uma das imagens mais famosas do futebol brasileiro. Ao tentar dar uma cambalhota, perdeu a passada do pulo e caiu de peito no chão. Machucado, teve de ser substituído.

24 Ronaldo
Sinceramente. Alguém que pega a Cicarelli, a Lívia Lemos, as Ronaldinhas, a Raica e mais uma seleção de modelos e ainda assim sai com três travestis não pode ser considerado normal.

23 Higuita
Assinou seu atestado de insanidade ao tentar sair driblando em uma prorrogação de Copa do Mundo – perdeu a bola, levou o gol e a Colômbia foi eliminada. E renovou com a defesa do escorpião, em Wembley. Não satisfeito, já aposentado, recauchutou totalmente a lataria bancado por um programa de tevê do seu país.

22 Domingos
Na épica Batalha dos Aflitos, Domigos perdeu o controle ao ser expulso. Possesso com o árbitro Djalma Beltrame, arrancou um batente da porta do vestiário dos Aflitos e saiu quebrando tudo que via pela frente – piá, espelho, banco – aos gritos de “Estão nos roubando”. Precisou ser contido pelos membros da comissão técnica que estavam no vestiário gremista.

21 Matthaus
Passou como um furacão pelo Atlético Paranaense em 2006. Em pouco mais de dois meses, brigou com o auxiliar na Ponte da Amizade, apanhou de fotógrafo, curtiu o carnaval carioca, teve uma amizade bem colorida com uma jornalista local e voltou para casa com o rabinho entre as pernas, para tentar salvar o casamento.

20 Serginho Chulapa
Fazia gols com a mesma facilidade que se metia em confusões. Foi suspenso por 14 meses por chutas a canela de um bandeirinha, pisou na cabeça de Emerson Leão em um clássico paulista e, já como treinador, bateu duas vezes em jornalistas por não gostar de algumas perguntas feitas por eles.

19 Sílvio Luis
O narrador da Band merece lugar nessa lista por uma passagem em sua biografia. Durante as transmissões de jogos do Napoli pelo Campeonato Italiano, nos anos 90, costumava narrar com o zíper da calça aberto e o pênis em uma das mãos. Ele reproduzia cada ação do atacante Careca em campo (caiu para a direita, caiu para a esquerda) em seu órgão sexual.

18 Dulcídio Wanderley Boschilla
Com fama de briguento, Dulcídio era certeza de confusão sempre que era escalado para apitar uma partida. Em um Palmeiras x Portuguesa, mandou voltar três vezes um pênalti para a Lusa porque Emerson Leão havia se adiantado (isso nos anos 70!). Em outro jogo do Porco, expulsou todos os jogadores do banco de reservas porque eles estavam reclamando.

17 Cantona
Confusões não faltam na vida do ex-craque francês. A maior delas foi dar uma voadora em um torcedor que o xingou enquanto ele deixava o gramado de Old Trafford.

16 Edmundo
Uma dúvida paira sobre sua carreira: ganhou o apelido de Animal pelos gols e dribles ou façanhas como bater em um argentino e dar-lhe as costas ou ficar preso em um quarto de hotel por chutar a câmera de um cinegrafista equatoriano?

15 Fowler

Ídolo do Liverpool, o atacante inglês era chegado a algumas bizarrices: indignado por ter marcado a seu favor um pênalti inexistente – e sem conseguir ser ouvido pelo árbitro – errou a cobrança deliberadamente. Em outra ocasião, respondeu às acusações de que era viciado em cocaína “cheirando” a linha de fundo na comemoração de um gol.

14 Marinho Chagas
Em campo, Marinho foi um ala antes mesmo de o termo existir no futebol mundial. Fora dele, era freqüentador assíduo de baladas homéricas, quase sempre ao lado do amigo Paulo César Caju. “Tenho 50 anos, mas vivi por 200”, definiu a Bruxa.

13 Josimar
Seus dois foguetes de fora da área (contra Irlanda do Norte e Polônia) foram das poucas alegrias brasileiras na Copa de 86. O famoso trio balada-mulheres-dinheiro destruiu sua carreira e atrasou sua vida, mas o nosso camisa 13 está aqui por causa de uma das mais célebres frases do futebol mundial. Questionado sobre o que faria com o motoradio ganho de um emissora de rádio que o elegeu o melhor em campo, não pestanejou: “A moto eu vou vender e o rádio eu vou dar para a minha tia”.

12 Paulo César Caju
Baladeiro de primeira, o ex-ponta de Botafogo, Grêmio e seleção brasileira escreveu em sua autobiografia que boa parte do time gaúcho se dopava quando foi campeão da Libertadores e Mundial. Pressionado pelos colegas e sem ter como provar a acusação, retirou o trecho do livro, em um grande mico editorial.

11 Romário
Apesar da carreira pródiga em insanidades, Romário entra na lista por uma marotice de quando estava defendendo uma seleção brasileira de base. Ao ver o saguão do hotel ser invadido por turistas, o Baixinho posicionou-se estrategicamente e fez xixi na cabeça dos visitantes.

10 Índio
Campeão mundial pelo Internacional, o zagueiro teve uma saída “de outro mundo” do Palmeiras em 2003. No intervalo de um jogo contra o Corinthians, começou a babar uma espuma branca e disse que estava com o diabo no corpo. Foi dispensado.

9 Sculli
Sobrinho de um conhecido mafioso italiano, o atacante do Gênoa já chegou a fazer um gol em uma partida que seu clube deveria perder só para ganhar uma fatia do acerto. Também foi acusado de participação em fraude eleitoral e de ameaçar concorrentes em disputas amorososas, tudo em nome da máfia.

8 Heleno de Freitas
Em 42, arrumou um tumulto com um jogador do Madureira chamado Lelé (olha a piada pronta) que exigiu a intervenção da polícia para ser resolvido. Por onde passou, arrumou confusão, muitas por conta da sífilis, contraída em suas muitas aventuras amorosas, que o fez morrer sozinho, em um sanatório.

7 Dé Aranha
Atacante carioca dos anos 70, era famoso por suas artimanhas para enganar os zagueiros. Em um Bangu x Flamengo, atirou uma pedra de gelo na bola, enganando o zagueiro rubro-negro Reyes. Ele apanhou a bola livre, na área, e mandou para a rede. Também acostumava se abaixar na área em lances de escanteio e pegar um punhado de areia. Quando a bola vinha, ele jogava areia nos olhos do beque adversário e subia livre para cabecear.

6 Montebello
Um dos hits do You Tube. Goleiro da Camboriuense, Montebello saiu preso e algemado de campo após uma confusão durante partida de uma divisão menor do futebol de Santa Catarina.

5 Gascoigne
O alcoolismo o meteu diversas vezes em clínicas, delegacias e viagens esquisitíssimas. Dia desses, após matar três garrafas de uísque em um pub, garantiu ter recebido um telefonema do papa Bento XVI e feito uma ligação para George W. Bush.

4 Almir Pernambuquinho
No livro Eu e o Futebol, se define de forma definitiva. “Quebrei a perna do Hélio, do América. Briguei com o time inteiro do Bangu na decisão do Campeonato Carioca de 1966. Paralisei o Milan num jogo em que o Santos se sagrou bicampeão mundial: dei um chega-pra-lá no Amarildo e chutei a cabeça do goleiro Balzarini. Agredi jogadores de outros times, briguei com tantos que até perdi a conta. Eu fui um marginal do futebol.”

3 Didi Facada
Quando jogava no Internacional, foi preso por dar uma facada na stripper que contratou para dançar na festa de aniversário da sua mulher.

2 Paulinho
Sumiu do Flamengo alegando que ia para o enterro do próprio filho. A mãe do volante negou, falou que o garoto estava bem. Depois Paulinho disse que o defunto era seu irmão. Novamente foi desmentido pela mãe. Terminou admitindo que o enterro era de um primo próximo. E ficou por isso mesmo.

1 George Best
Em uma célebre frase, o ex-jogador do Manchester United definiu seu estilo errante de vida: “Metade do que ganhei eu gastei com mulheres, bebidas e carros. A outra metade eu realmente desperdicei.”

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Ago 15

Bar da escória

por Felipe Lessa23h40

Fosse no domingo, fosse na quarta-feira, os bares do Estádio do Café tinham seus clientes fixos. No ambiente, Malta quente, muita gente, sol na cara, lua descarada, idosos, vândalos, famílias e bêbados. Conhecido o cenário básico, ao lado trabalhavam as churrasqueiras improvisadas, para a venda de espetinho, para cuidar do aroma da festa. Nada sofisticado.

Dois dos bares eram especiais. Os do final da arquibancada descoberta, ao lado do matagal. Mais precisamente, em cima das arquibancadas descobertas. O cheiro horrível do banheiro logo ao lado nem era notado pelos adeptos. Talvez por isso fosse raro ver garotas no local.

O boteco, ou melhor, os caras que chegavam nele, eram machistas ao extremo? Talvez um pouco, ou bastante, grosseiros. E na falta de las chicas era melhor pensar em Londrina, cornetear, improvisar algo, escalar, debater ou elogiar o futebol da casa.

Os porres do João Neves, que nem no Londrina estava mais jogando, foram diversas vezes culpados pela péssima atuação do clube. Em momentos de profecia, muitos reclamavam da atual situação do Tuba, mas, olhavam com carinho para atacantes como o Agnaldo, artilheiro da Copa São Paulo de Juniores em 94 e que foi parar até mesmo no Corinthians, para a alegria de alguns presentes.

Marcos Severo, atacante do início dos anos 90, era outro querido pelos alvicelestes do bar. “Ele tromba, empurra, não dribla, mas faz gols”. Se os camaradas dos bares do Café fossem um pouco mais cultos, diriam que o esforçado atacante era o Mario Kempes londrinense.

A cornetagem rolava solta. Imagine um personagem crítico, semelhante ou mais ácido que o falecido e folclórico ex-presidente do LEC, Murilo Zamboni. Imagine cerca de 100 destes, reunidos em um boteco, no intervalo do primeiro para o segundo tempo, bebendo sem parar. Degustando cervejas que de tão ruins ou quentes que estavam, precisavam ser arremessadas em outros torcedores.

Os cornetas esperavam ou bebiam suas cervejas metralhando o time, da mesma forma como o eterno Zamboni fazia na televisão. A diferença era que o ex-presidente foi um fanático torcedor do Tubarão. Os corneteiros mantinham o Londrina no coração, mas, no caso de alguns, era um amor promíscuo, de quem também amava aos Palmeiras, Corinthians e São Paulos da vida.

Os bate bocas eram inevitáveis. As rodas geralmente abriam nos intervalos, quando o movimento era maior. O pau comia. Os torcedores do Londrina não admitiam que um tranqueira qualquer xingasse seu time. Apenas eles xingam. Nada mais.

Ainda mais se falando de tranqueiras com camisas do Santos, uma torcida que antes de conhecer a Robinho e Diego, era tão sofrida quanto a do Tubarão. Aproveitavam e marcavam rumo nos jogos do Londrina apenas para pensar que o Peixe não estava frito. Xingavam e por isso apanhavam.

Se os PM’s chegassem, durante muitas vezes, quem trocou soco agora se abraçava. O tom do branco, da paz da gente ordeira de Londrina, como canta o hino do LEC, dava lugar ao vermelho do sangue. Mas no final, geralmente um acobertava ao outro. Finalizavam o quebra bebendo cerva quente.

Em 15 ou 20 minutos, de tudo acontecia. De tudo poderia acontecer, pois, se os bêbados resolvessem que fariam um protesto para agredir um árbitro qualquer depois do jogo, assim seria feito. Valdir Festugato que o diga.

Depois de uma partida válida pelo Campeonato Paranaense, dos meados dos anos 90, foi dali que começou um motim para pegá-lo na saída. O bar da escória era instrumento de mobilização social no Londrina. E passados os 15 minutos de lanche, todos voltavam para os seus lugares. Para beber cerveja quente, comer amendoim, batucar e gritar pelo time local. Ou, para xingar alguém, tramar alguma merda...

*Parte da série Clubes, povos e campos de futebol

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Jul 23

Bindi

por Equipe De Primeira23h20

por Leonardo Bonassoli

Chego na tarde desta quarta na redação do jornal. Arrumo minhas coisas, vou cobrir J. Malucelli x Metropolitano. Dou uma lida rápida em alguns sites que eu tenho como referência. Algo estava diferente e não era bom.

Num site, vejo um post falando da perda do grande Luiz Fernando Bindi, pareço não acreditar, olho em outro, em outro e em outro. Trinta e cinco anos apenas. Somos tão jovens. De maneira tão repentina, o coração de Luiz Fernando pregou uma peça nele na tarde/noite de terça-feira.

35 anos. Todo tempo era pouco. Se soubéssemos que iria embora tão rápido... Luiz Fernando Bindi, jornalista e geógrafo foi um dos grandes colaboradores da comunidade Futebol Alternativo, que iniciei. Tinha grandes histórias, algumas até pessoais, contando que ele tinha um antepassado de San Marino. Quem me dera que ele pudesse jogar futebol por San Marino.

Além disso, entre outras as atividades que ele desenvolvia, duas me chamavam a atenção. a primeira o www.distintivos.com.br - site em que compartilhava a maior coleção de distintivos do Brasil, quiçá do Mundo. Outra era o fato de que, sempre antes das competições internacionais, fazia um guia de pronúncia de nomes de atletas, sempre pesquisando com embaixadas, falantes das línguas etc. Um brilhante trabalho de pesquisa.

Não cheguei a falar pessoalmente com ele, pois nossos contatos foram eletrônicos. Mas sempre era solícito quando necessitava e bastante amigável no convívio no mundo virtual. Como disse Filipe Oliveira em meu scrap, "Deus é danado, tava cansado de discutir futebol com a mesma turma mala e levou um cara foda pro lado dele. Enquanto isso a gente segue nosso rumo aqui."

Texto em homenagem a Luiz Fernando Bindi *05/12/1972 - +22/07/2008.

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