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De Primeira: Futebol, Futebol e Futebol

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Jun 25

Qual será a pena?

por Felipe Lessa22h14

A condição de Maxi Lopez ser argentino, branco e jogar no Grêmio de Porto Alegre o coloca como alvo fácil de acusações como as de ontem, no Mineirão. Na ocasião, o cruzeirense Elicarlos afirmou que o hermano tricolor havia o chamado de macaco.

Houve bate boca, empurrões e troca de acusações com direito a bater o cartão na delegacia de polícia – aquele clima sangue nos olhos que só uma Libertadores da América pode oferecer. Tanto o acusado como o denunciante se mantém irredutíveis em seus testemunhos. Um nega, outro afirma. Aquela conversa toda sobre a existência ou não do racismo.

Enquanto isso, nós gostaríamos de saber o que vai acontecer. Trata-se de um caso sério, que vai servir de exemplo para muita gente. Tanto pelo lado positivo, como pelo negativo.

Cito isso por dois motivos. O primeiro é que desde a fundação do Internacional, pelos irmãos Poppe, até os atuais vínculos neonazistas da Geral do Grêmio, esse clube gaúcho já carrega em seu contexto traços polêmicos de exclusão social e racismo.

Maxi Lopez, por sua vez, vêm de uma pátria onde um dos maiores orgulhos é ter sua capital considerada parte européia da América Latina. Isso para não falar nos antigos massacres étnicos na Argentina, que de remanescentes dos negros deixou pouca coisa a se contar. Ao menos, sobrou o brilhante futebol do meio-campista Verón para contar história.

Reforcei a questão dos estereótipos de Grêmio para questionar: e se o jogador cruzeirense estiver mentindo? Talvez o xingamento seja outro, ou até mesmo nem tenha existido. No caso dessa hipótese, se reforçaria na marca Grêmio de Football Porto Alegrense mais uma condenação midiática por atos de intolerância.

Algo a ser bem analisado, pois estão errados aqueles que generalizam o tricolor dos pampas como time dos reacionários. Basta voltar no tempo e lembrar que no mesmo local onde agita a ultra-radical-Geral-do-Grêmio, já esteve presente o ultra-liberal-grupo de-torcedores-da-Coligay. Isso é só para dar um exemplo que toda generalização é burra, em especial no futebol brasileiro.

Mas agora segue o segundo motivo. E se o cruzeirense falar a verdade? O que vai ser feito? Será dado um exemplo aos torcedores, dirigentes, jogadores ou até mesmo pessoas que não gostam de futebol? A função do estado é cumprir aquele slogan do governo Lula: Brasil, um país de todos. E aí? Caso seja verdade, o argentino será expulso das terras tupiniquins da mesma forma como aquele jornalista gringo que chamou nosso presidente de bêbado?

Queremos ver o que a Polícia Civil de Minas Gerais irá fazer. Gostaria de saber se terão peito para não abafar o caso, se vão investigar a fama, idioma, conduta, entre outros fatores dos envolvidos junto aos parentes, vizinhos e conhecidos. Aquele que estiver errado merece ser punido pela atitude. Ou então, o que ocorreu no Mineirão será apenas mais um capítulo de histórias bizarras que rodeiam o futebol, o nosso querido futebol brasileiro.

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Jun 21

Muricy na Seleção

por Ana Carolina Moreno07h58

Para consertar o que está quebrado no SPFC, Juvenal Juvencio se desfez da única coisa que era ao mesmo tempo BOA e CONSISTENTE. Sim, porque a lista de coisas consistentes, recorrentes, sólidas e estáveis, mas também RUINS, continua firme e forte. Encabeçada por dois itens que, a meu ver, são a base que alimenta os demais problemas: uma política de contratações irresponsável e uma postura elitista e arrogante em relação a tudo e a todos, incluindo, o que é pior, a própria torcida.

À diretoria do São Paulo, eu recomendaria um pouco mais de coerência. Todo ano dizem que a Libertadores é o principal objetivo. Em inglês, há uma frase que diz "put your money where your mouth is", que em português, poderia ser facilmente traduzido para um alto e contundente "TRUCO!". Ou o SPFC acredita piamente que ganha a Libertadores o time que for mais otimista, ou está blefando.

Seria prudente, além disso, parar de ficar repetindo que é irresponsabilidade gastar uma fortuna na contratação de um jogador. Todo mundo sabe da importância da austeridade financeira e concorda com isso. Não é preciso ir à Oscar Freire toda semana. Mas também não é o caso de sair pechinchando pela 25 de Março à procura de especiais "dois por um" durante a liquidação de janeiro.

Ao Muricy, desejo toda a sorte do mundo, mesmo sabendo que sorte é bobagem para uma pessoa que conquistou seu espaço com muito esforço, respeito e, acima de tudo, um baita talento. Se ele está triste agora, imagino que seja por causa do amor que sente pelo clube (um amor recíproco, diga-se de passagem). Mas aposto que respira aliviado agora que não precisa mais aturar a teimosia cega de Juvenal.

Começo agora o movimento "Muricy na Seleção". Por uma derrota feia, tragicômica, histórica do Brasil hoje contra a Itália, para que a fila ande e o meu rabugento favorito possa rechear as 22 amarelinhas com um time do carvalho e ganhar mais um hexa inédito.

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Mai 27

Raio X do Daniel: Quartas-de-final, Libertadores 2009

por Equipe De Primeira12h11

Por Daniel Soares

Grêmio x Caracas

Histórico do Grêmio FBPA na Libertadores
Títulos: 1983 e 1995
Finais disputadas: 1983, 1984, 1995 e 2007
Edições entre os 4 primeiros*: 1983, 1984, 1995, 1996, 2002 e 2007
Última campanha: 2007 (vice-campeão)

Histórico do Caracas FC na Libertadores
Títulos: nenhum
Finais disputadas: nenhuma
Edições entre os 4 primeiros*: nenhuma
Última campanha: 2008 (eliminado na fase de grupos)

Encontros pela Libertadores:
Confronto inédito na competição.

Últimas partidas:
Confronto inédito em partidas oficiais.

São Paulo x Cruzeiro

Histórico do São Paulo FC na Libertadores
Títulos: 1992, 1993 e 2005
Finais disputadas: 1974, 1992, 1993, 1994, 2005 e 2006
Edições entre os 4 primeiros*: 1972, 1974, 1992, 1993, 1994, 2004, 2005 e 2006
Última campanha: 2008 (eliminado nas quartas-de-final)

Histórico do Cruzeiro EC na Libertadores
Títulos: 1976 e 1997
Finais disputadas: 1976, 1977 e 1997
Edições entre os 4 primeiros*: 1967, 1976, 1977 e 1997
Última campanha: 2008 (eliminado nas oitavas-de-final)

Confrontos na competição:
Confronto inédito na competição.

Últimas partidas (Série A Brasileiro 2008):
Cruzeiro 1x1 São Paulo, em Belo Horizonte
São Paulo 2x0 Cruzeiro, em São Paulo

Defensor x Estudiantes

Histórico do Defensor SC
Títulos: nenhum
Finais disputadas: nenhuma
Edições entre os 4 primeiros*: nenhuma
Última participação: 2007 (eliminado nas quartas-de-final)

Histórico do C Estudiantes de La Plata na Libertadores
Títulos: 1968, 1969 e 1970
Finais disputadas: 1968, 1969, 1970 e 1971
Edições entre os 4 primeiros*: 1968, 1969, 1970, 1971 e 1983
Última participação: 2008 (eliminado nas oitavas-de-final)

Confrontos pela Libertadores:
Confronto inédito pela competição.

Últimas partidas:
Confronto inédito em competições oficiais.

Nacional x Palmeiras

Histórico do C Nacional de Fútbol na Libertadores
Títulos: 1971, 1980 e 1988
Finais disputadas: 1964, 1967, 1969, 1971, 1980 e 1988
Edições entre os 4 primeiros*: 1962, 1964, 1967, 1969, 1971, 1972, 1980, 1981, 1983, 1984 e 1988
Última participação: 2008 (eliminado nas oitavas-de-final)

Histórico da SE Palmeiras na Libertadores
Títulos: 1999
Finais disputadas: 1961, 1968, 1999 e 2000
Edições entre os 4 primeiros*: 1961, 1968, 1971, 1999, 2000 e 2001
Última participação: 2006 (eliminado nas oitavas-de-final)

Confrontos pela Libertadores:

Fase Semifinal 1971
Palmeiras 0x3 Nacional, em São Paulo
Nacional 3x1 Palmeiras, em Montevidéu

Fase de Grupos 1973
Palmeiras 1x1 Nacional, em São Paulo
Nacional 1x2 Palmeiras, em Montevidéu

Últimas partidas (Copa Mercosul 1998 Fase de Grupos):
Nacional 0x5 Palmeiras, em Montevidéu
Palmeiras 3x1 Nacional, em São Paulo

* Em 1966, 1967 e entre 1971 e 1987 a fase semifinal foi disputada no formato de grupos. O critério de escolha dos 4 primeiros colocados foi ter conquistado um dos dois primeiros lugares de cada grupo semifinal.

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Mai 09

Gripe, comodidade, pequenez e uma bola de papel

por Equipe De Primeira17h19

Por Ana Carolina Moreno

A praga pessimista que persegue o Jones Rossi e lhe inspira a escrever posts quase semanais sobre o fim do futebol me infectou. Antes fosse uma gripe – de qualquer tipo – para poder ficar em casa descansando. Deviam inventar essas máscaras pra gente se proteger das más notícias em relação ao futebol. Aí vão as da última semana, e por favor notem que todas são provocadas por quem não está dentro das quatro linhas:

Conmebol constipada e a diretoria do SPFC aproveitando, seguindo o exemplo geral do mundo mundial
Ok, o A(H1N1) foi uma lástima, pegou o México de surpresa e o pânico desmedido se espalhou pelo mundo todo. Tudo bem não querer sujeitar os jogadores brasileiros e uruguaios ao risco de jogar uma partida ao ar livre em um ambiente aglomerado (a única recomendação dos médicos, aliás, é evitar as multidões, a máscara não serve para nada). Agora, é um grande sinal de fracasso da entidade ser incapaz de encontrar um outro estádio no continente inteiro para hospedar essas duas partidas.

Ficam dizendo que o tema não tem nada a ver com futebol e é verdade. Mas usam esse argumento como maneira de fugir da responsabilidade. Deveriam ter vergonha na cara.
As diretorias dos clubes mexicanos também não querem ajudar. Antes já estavam resignadas a jogar fora do país, mas a idéia de fazer apenas um jogo desagradou e eles agora querem ou México ou nada. Se o próprio governo mexicano, que está lidando muito bem com o surto epidêmico, fechou estádios, restaurantes e escolas, não há motivo para essa atitude radical, até porque os jogadores de fora do México não devem ser obrigados a jogar no país morrendo de medo. Entendo que o medo é um tanto exagerado, mas enfim, com a saúde não se brinca.

A diretoria do São Paulo não sei bem o que anda fazendo. Achei muito razoável o jogo ser no Couto Pereira (depois que outros países fecharam suas portas). Na minha opinião, o São Paulo deveria ter ido atrás de conseguir um estádio para o jogo de ida. Jogar as duas no Morumbi, ou fazer apenas um jogo em casa, para mim, é tirar proveito de que o outro time está em situação delicada. Aproveitar que a Conmebol está dando um nó nas pernas e se classificar para a próxima fase sem nem pisar no campo é pura sacanagem. Vocês podem dizer que todos os clubes reagiriam igual e é bem verdade, pois cada um só se importa consigo, e um clube nunca consegue fazer pressão suficiente sobre uma entidade com infra-estrutura e ego inchados.

Exemplo: a maldita taça de bolinhas, que todos os clubes diziam que deveria ser do Flamengo, aí todos passaram anos sem pensar nisso e, na hora que o assunto voltou à tona, cada um foi cuidar do seu umbigo. Agora que São Paulo já tem quatro casos de gripe, quero ver se ela se espalha sem controle, começa a matar quem já tinha outros problemas respiratórios, espalha pânico. O que dirá o Tricolor se chega uma semi-final contra o Boca (nem vi a tabela, não sei se há chance) e a Conmebol diz que vai ser jogo único na Bombonera? Atchim?

Série D
Vide o post do Daniel imediatamente abaixo. Se a gente considera (com razão) que o Avaí é um time pequeno, imagina se alguém vai ligar pro que acontece com o Macaé... O Brasil é a Veneza do futebol, vai submergindo de pouco em pouco até desaparecer por completo.

Quando torcer demais pode voltar como um bumerangue na testa
Aconteceu nessa semana na Alemanha, quando faltavam sete minutos pra acabar a partida contra o Werder Bremen e o Hamburguer garantia, em casa, sua vaga na semi-final da Copa da Uefa. Uma bola ia perdida na linha de fundo e o zagueiro do Hamburguer foi salvar do escanteio e mandá-la pro goleiro começar a jogada. Quando ele foi chutar, a bola “tropeçou” numa bola de papel, o jogador furou o chute e lá foi a pelota pra escanteio. O futuro imeditado você já adivinhou né? O Werder Bremen cruzou, marcou e se classificou para a final.

Podia ter sido uma poça d’água, o vento ou qualquer outro fenômeno natural. Mas não, foi a beleza da mão humana. A bola de papel, pelo que dizem, fazia parte de uma grande coreografia dos torcedores do Hamburguer para a partida. O time já havia ganhado de um a zero no jogo de ida e começaram o de volta com um pé na final. A gente acha que aquele monte de papel higiênico que os latino-americanos despejam no campo do adversário (que no segundo tempo vira o campo do anfitrião), mas pelo visto nem é preciso tanto para mudar o destino da bola.

Eis o vídeo, para quem gosta de uma boa tragédia:

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Set 15

Pimenta pegando fogo no circo do vizinho é mais verde

por Ana Carolina Moreno17h29

Quando o campeonato é de pontos corridos, descobri que prefiro acompanhar a luta dos desesperados em escapar do rebaixamento a ficar esperando para ver quem vai levar a faixa de campeão.

Em 2007, a parte de cima estava decidida com antecedência: era São Paulo pentacampeão. Ia nos jogos do Tricolor, torci e me alegrei até. Reclamei dos comentaristas que só xingavam o São Paulo por ficar na defesa e reclamavam do “jogo feio”. Comemoramos o título por antecipação, contra o lanterna do campeonato, diversão que só agradou quem estava por cima mesmo, e passou despercebida pelo resto dos torcedores, preocupados com a Libertadores e a Sul-americana.

Na parte de baixo, porém, o campeonato conseguiu ser dramático até a última rodada, com o gigante Corinthians enfiando de vez a cara na lama para passar o ano seguinte tomando um bom banho na Série B. Ano que vem estará de volta, embora eu suspeite que os alvinegros estejam demasiado acostumados à várzea da Segundona. Espero que estejam planejando a longo prazo nos bastidores para formar um time digno de Série A. Assim evitaremos que Globo, Clube dos Treze e tribunais desportivos precisem se mobilizar fora de campo para que não assistamos a uma reprise da novela de 2007.

Mas voltemos à elite. Nesse ano, outros times passaram a seguir o estilo defensivo bem sucedido são-paulino. Quesito em que, por sinal, o São Paulo deixou a desejar quando resolveu trazer um líbero para zonear o paredão impenetrável da zaga. Assim, adotaram o jogo que os comentaristas detestavam, mas o campeonato ficou mais disputado.

Agora que o Grêmio tropeçou, para deleite de absolutamente todos os não-gremistas do Brasil, tudo pode acontecer na tabela de cima. Até meu time ainda tem chance, se tomar vergonha na cara! Depois de oito meses de sofrimento, porém, só exijo a vaga na Libertadores e a manutenção do Miranda e do Hernanes para a temporada de 2009.

Percebi que ando passando mais tempo observando a tabela do G-4 invertido. O desespero que transpira junto com o suor, as derrotas vergonhosas em casa, os apelos da torcida escritos em cartazes, faixas para Santo Expedito ou pixados nas paredes do clube... A humanidade é sempre mais interessante quando corre riscos sombrios.

Se antes apenas brincava de adivinhar os quatro marcados pela mancha negra. Agora estou envolvida de vez. Ainda estou lidando com a tristeza de ver que a Portuguesa virou lanterna. Não ter o Ipatinga – que é o café com leite – lá no fundo do poço afasta qualquer chance de milagre para a Lusinha. Continuo, no entanto, torcendo para que o Vasco não tenha a pior notícia possível no ano em que recebeu a melhor notícia possível.

Mas me contenta ver o nome Fluminense escrito em vermelho vivo em todas as tabelas. Também engrosso a torcida pela queda do Santos, apesar de sentir, por motivos familiares, a mesma dó que me bateu ano passado por causa do Corinthians.

Da Região Sul (a turma que tem razão em reclamar do eixo Rio-São Paulo, mas exagera nos protestos, porque o pessoal do Nordeste, Norte e Centro-Oeste sofre ainda mais), Coritiba e Internacional ficam ali no setor da marola, e só o Atlético-PR e o Figueirense andam correndo o risco de ficar à deriva. Não sei se prefiro afundar mentalmente o Furacão para salvar o Vasco (a Portuguesa já está além dos meus poderes extra-sensoriais) ou se torço em nome da amizade com esses meninos lindos, educados, inteligentes e simpáticos desse blog (e da Camila, nossa leitora assídua).

Talvez eu seque o Figueirense, nesse caso, mas o que será de Santa Catarina ano que vem? O Paraná já estará representado com o Coxa. Se o rubro-negro das listras verticais passar pelo Grêmio com uma vitória, aí acho que Geninho consegue embalar o time. E embolar aquela parte chata lá em cima, que não chove nem molha, só tem de surpresa mesmo o Vitória que ainda se mantém por perto, e só fará diferença se o Vitória fizer milagre ou se o São Paulo chegar no topo até dezembro. Porque aí o Brasil terá seu primeiro tricampeão seguido, além de seu primeiro hexacampeão. E eu serei a dona da camisa 6-3-3 antes da chegada do Ano Novo.

PS: Ah sim, com 13 rodadas pela frente, o Flamengo também tem chance de se tornar o primeiro hexa, serei justa. Até porque eles não jogam mais contra o São Paulo em 2008. Mas sem o calendário exclusivo do ano passado, deve ser difícil.

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Jul 03

LDU e a justiça divina

por Jones Rossi01h47

Podia o Fluminense ser campeão da Libertadores sem ao menos voltar para a Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro dentro das quatro linhas? Não, tanto não podia que não foi.

Por um momento eu acreditei no Fluminense. Tudo estava tão explicitamente errado que achei que fosse acabar dando certo. Um clima de festa nos treinos nas Laranjeiras, fogos de artifício, faixas de campeão rolando entre os camelôs desde antes do primeiro jogo da final, um Renato Gaúcho extremamente confiante e falastrão, como um piloto de avião que, a dois metros de se espatifar no chão, garante uma aterrissagem suave.

Enfim, um ar de realeza francesa em seus últimos dias tomou conta dos tricolores, que festejavam loucamente mesmo com uma multidão furiosa batendo à porta de Versailles.

Foi com esse autismo suicida, igual ao de um bêbado que entra na jaula do leão e ainda dá uma puxada no bigode do bicho, sem noção do perigo que corre, que o Fluminense entrou em campo. Como se o jogo não fosse a final da Libertadores e sim uma partida de sábado à tarde no campo do Madureira.

E por 90 minutos a insanidade coletiva funcionou. O Flu fez os gols que precisava, mesmo saindo atrás, como o técnico Renato Gaúcho havia previsto e alardeado. "Meu time vai fazer quantos gols forem precisos", disse durante estes intermináveis dias antes da final, em que a imprensa vive de declarações esparsas e provocações mútuas.

Mas de repente a bebedeira passou, a multidão arrombou os portões do palácio e o leão rugiu*. E como se os jogadores tivessem recobrado a consciência, o Fluminense acordou no Maracanã lotado, em uma final de Libertadores, e se assustou. Na prorrogação nada aconteceu para os tricolores. E um gol legítimo da LDU ainda foi anulado. Nos pênaltis, como se simplesmente não fosse justo ver o Fluminense ser campeão da América, os jogadores atiraram suas cobranças nas mãos de Cevallos. Um anjo vingador passou pelo Maracanã. E assim se fez a justiça divina, pelos pés do incansável Joffre Guerrón.

*"Você entra na toca do leão, pega na juba do leão, arranca a juba do leão, e não deixa o leão rugir?" José Wilker, em cena antológica de 'O Homem da Capa Preta'.

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Jul 01

O que você vai ler e ouvir sobre o Flu na quinta

por Leonardo Mendes Jr.00h36

Se for campeão...

Renato Gaúcho é um dos expoentes da nova geração do futebol brasileiro. Arrojado, corajoso, fala a língua do jogador. Inspira seu elenco por aquilo que foi em campo, tem o time na mão, a malandragem na medida exata. Soube colocar no time o espírito necessário para reverter o placar do Equador. Soube como administrar a insatisfação do Dodô com a reserva e ainda assim fazer dele peça fundamental para o título. E olha, não é por nada, mas já desponta como candidato a técnico da seleção em 2014.

Thiago Neves é um daqueles bad boys que encantam pelo talento. É da mesma estirpe que Romário, Edmundo. Foge do discursinho politicamente correto da boleirada. E reúne o talento, a criatividade e genialidade dos grandes meias do futebol brasileiro. Com ele e Ronaldinho, o Brasil tem grande chance de ser ouro em Pequim.

Washington é um predestinado. A simples presença dele já é um exemplo para todo o elenco. De superação, de raça, de luta. Era um crime uma biografia tão encantadora ficar sem um grande título. O Fluminense só chegou onde chegou porque teve Washington no ataque.

É o sucesso do projeto Xerém. Fernando Henrique, Thiago Silva, Júnior César, Arouca. Todos crias do Fluminense. Mais uma prova de que não se faz um time vencedor sem gente da casa, sem gente que entenda o que é defender aquele clube. O Fluminense torna-se sem sombra de dúvida um exemplo para todo o Brasil de como formar jogadores e de que vale a pena investir e apostar na base.

Luís Alberto é um grande líder. Aquele capitão que todo o treinador se orgulha em ter. Sempre demonstrou personalidade para chamar para si a responsabilidade nas derrotas e de ter o equilíbrio de mostrar ao grupo que a verdadeira vitória só viria hoje, com o título.

E agora vão dizer o que do Fernando Henrique? Fez uma Libertadores maravilhosa. Operou verdadeiros milagres contra o São Paulo, contra o Boca, contra a LDU... É, sem dúvida, um goleiro a ser olhado com carinho pelo Dunga para futuras convocações. Quem sabe ser o que foi o Júlio César em 2006. Um terceiro goleiro para ganhar experiência, sentir o que é uma Copa do Mundo e estar preparado para receber a camisa 1 na Copa seguinte.

Se o Flu não for campeão...

Se tem algo que essa perda sentida para a torcida do Fluminense prova é que o Renato Gaúcho ainda não é um técnico pronto. Ele vem escalando o time mal desde os jogos com o São Paulo, mas a sorte ajudou. Agora ele não podia querer contar com a sorte sempre, né? Faltou ao Renato experiência para administrar os nervos do grupo entre o jogo do Boca e a final e acabar com aquela impressão que sempre pairou de que os jogos com a LDU seriam mera formalidade para o título. Se fosse para resumir em um episódio a falta de jeito do Renato para lidar com uma grande decisão eu citaria o caso Dodô. Foi achando que estava agindo certo ao deixá-lo no banco falando o que quisesse, que tudo ia dar certo, mas olha o resultado. Aposto que tinha jogador jogando mais pelo Dodô do que pelo Renato. E grupo rachado não tem futuro.

Exigiram demais do Thiago Neves. É um bom jogador que se passa por craque nessa crise técnica que o futebol brasileiro atual atravessa. Se fosse há cinco, dez anos, ele não seria titular de um time como o Fluminense. É muito instável emocionalmente, leva para campo a falta de estrutura que a gente vê existir na família dele, por exemplo. É triste, é vida particular, mas isso influencia. E outra... Essa história de transferência para a Europa mexe com a cabeça do jogador. Que adianta ele ficar aqui, mas pensando em quantos euros ele vai ganhar, no carro que vai comprar...

O Washington já foi artilheiro de não sei quantos campeonatos, mas que título ele ganhou? Futebol japonês não vale. Até o Alcindo, que era meia-boca aqui, virou rei lá. É um jogador útil, não questiono isso. Tem uma história de vida comovente, é sem dúvida um vencedor naquilo que interessa, que é o jogo da vida. Mas aqui, no futebol, que é o que estamos analisando, falta aquele algo mais. Aquele DNA do campeão que ele, infelizmente, não tem. Foi vital para o Fluminense chegar à final, mas se escondeu nos dois jogos. Sentiu a pressão.

Me expliquem uma coisa.O Fluminense tem uma estrutura suntuosa em Xerém, manda inúmeros jogadores para o profissional, mas e o resultado? Fernando Henrique? Nunca passou segurança para o time. Thiago Silva? Só quer saber de Europa, seleção, não sei o quê. Arouca? Tá até agora procurando o Riquelme. Júnior César? Foi engolido pelo Guerron. Mas a culpa não é dos meninos. Eles jogam porque são escalados. E são escalados porque não há outra opção. A tal patrocinadora do Fluminense, que investiu não sei quantos milhões, errou mais uma vez. Botou milhões no ataquem jogou dinheiro no lixo com o Leandro Amaral, que tá lá fazendo gol no Vasco, e esqueceu de contratar algo fundamental para a Libertadores: ex-pe-ri-ên-cia-in-ter-na-cio-nal.

Para usar um termo atual, esse Luís Alberto é um fanfarrão. Termina o jogo, ele parece político em campanha. Gesticula, faz caras e bocas, fala bonito. Mas e jogar bola? Boleiro é esperto. Boleiro sabe que só conversa não resolve. Que capitão tem que ter atitude. E o Luís Alberto não tem. Basta ver que o time se perdeu depois do jogo com o Boca. E o capitão, fez o que para mudar essa situação?

Não por nada, mas que time pode ser campeão com um goleiro como o Fernando Henrique. Até acho que ele se superou em algumas partidas, não sejamos injuntos, mas ele não tem aquela segurança contagiante. Muito pelo contrário. Ele é inseguro, a bola vai no gol e você não sabe o que pode acontecer. Isso passa para o time. E numa decisão equilibrada, faz a total diferença.

Pronto, pode aproveitar a final à vontade.

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Jun 26

LDU es mucho mas que uma pátria de chuteiras

por Felipe Lessa00h07

Antes, durante e depois da LDU deixar o Fluminense de 4 na primeira final da Líber, percebi por quais razões o time equatoriano tem que levar a taça. A LDU é a pátria de chuteiras. Para falar a verdade, acaba sendo bem mais que isso. Na torcida pelos equatorianos juntam-se brasileiros e argentinos, fora os anônimos.

O Equador carrega a chance de conquistar a primeira Copa Libertadores da América vestindo azul, vermelho e branco. E chegar na final é para eles uma glória bem maior que a dos cariocas. O Fluminense quer vencer para mostrar aos rivais, em especial ao seu filho no futebol, o Flamengo, que também pode chegar lá. A LDU quer vencer para acabar com o sofrimento de seu povo, no futebol. Sofrimento de quem nunca ganhou e quer ganhar.

No passado, já chegaram na Semi, mas mesmo que o rival Barcelona tenha chegado por duas vezes nas finais, para eles não importa. A solidariedade e o orgulho de um time equatoriano ser respeitado fala mais alto. O comentário de um leitor do site futbolecuador.com deixa claro: “Si somos de la Liga o si somos de algun otro equipo vamos a apoyar al equipo que se a ganado todo el respeto del Ecuador”. Os equatorianos são LDU.

Ainda assim, no começo do torneio, nem os seguidores da LDU imaginavam que chegariam lá, mas, sempre guardaram a ilusão de que poderiam ser os libertadores da pátria. Torciam, ou, se torturavam com expectativas e melancolia de amantes de um time desacreditado no continente e que começou a Líber com empate, contra o flu, em casa. No final das contas, passaram fase por fase, sacaram los favoritos “americanos” do México e voltaram a encontrar com o flu, na final.

Diante de tanta empolgação patriótica e receio dos equatorianos, percebo confiança. No entanto, “regionalizando” o lance, me pergunto: e os brasileiros? Estão torcendo pelo Fluminense? Duvido. O post de Jones Rossi fala um pouco do que os brasileiros, em especial atleticanos, esperam da decisão. No restante da nação, pelo papo das pessoas que tenho conversado, vejo algo semelhante, adaptado às respectivas realidades de cada torcida e clube. Para apimentar as coisas, os brasileiros são LDU.

Se por aqui o apoio e amor pela LDU, como pelo Flu, ainda é um pouco tímido, na vizinha Argentina não. Os de River já esqueceram a eliminação do Boca pelo Flu. A euforia acabou. Os de Boca sentem ódio. Hoje esquecem da utópica história da tentativa de contratação de Ronaldinho Gaúcho e Davids para torcer contra o time do outro Gaúcho, o Renato. Torcem contra ele, o carrasco. Mas torcem a favor do compatriota, Edgardo Bauza, o homem do 3-5-2. E se o tricolor carioca conta com o Conca, os equatorianos contam além do treinador argentino, com o assistente técnico e com o preparador físico da terra de Maradona. E no time ainda existe espaço para Norberto Araújo, Bieler e Manso. Os argentinos estão loucos por uma derrota brasileira. Fora o Conca, eles também são LDU.

Um timaço que ganhou com o Casablanca lotado. Ganhou com um time ofensivo, em especial, no primeiro tempo. Um time que jogou com bem mais nomes que Cevallos, Norberto Araújo, Enrique Vera, Manso, Bieler, Campos, Urrutia e Guerrón.

Equador, Brasil e Argentina foram parte do time da LDU. Os fluminenses podem pedir “a bênção, João de Deus”. Podem contar com a ajuda da brasileiríssima, leia-se carioquíssima, rede global de televisão, seus atores e apresentadores. Contem com o que quiserem. Vamos contar com um Maracanazo!

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Jun 05

Por que torcer para a LDU nesta final

por Jones Rossi01h04

A foto acima é apenas um dos motivos. Vamos aos outros:

- O Fluminense de 2008 é simpático, tem Washington, que é um grande sujeito, mas ainda tem que expiar seus graves pecados do passado antes de erguer a Copa.

- Já faz oito anos, mas o Fluminense disputou a bizarra Copa João Havelange, equivalente à primeira divisão do Brasileiro em 2000, pulando direto da terceira divisão, da qual foi campeão em 1999.

- Em 1996, foi rebaixado, mas uma virada de mesa nojenta o manteve por mais um ano na Série A. Em 1997 foi rebaixado novamente.

- Ainda em 1996, mais uma vergonha: a torcida invadiu o campo para agredir o goleiro Ricardo Pinto, do Atlético, que venceu o tricolor nas Laranjeiras por 3 a 2. Bráulio teve traumatismo craniano e não pôde defender o Atlético na fase decisiva do Brasileiro daquele ano.

- A LDU tem as torcidas com os nomes mais legais do universo: Los Dinosaurios e las CHICAS COCODRILO. Insuperável.

E, para finalizar, uma coincidência:

- Em 2004, ano da última Eurocopa, a Libertadores foi vencida pela zebraça Once Caldas. Este ano teremos mais uma Euro. E a zebra da vez é a LDU.

¡ Adelante , Adelante , Adelante Universidad,
en el tiempo , en el espacio , tu nombre sonará
Universidad, Universidad Central !

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Abençoado pó-de-arroz

por Felipe Lessa00h18

“Treino muita falta e por isso estou sendo abençoado por Deus”, declarava Washington no fim da partida que levava o clube a inédita final de Libertadores. O coração valente é um daqueles poucos jogadores que nos dias de hoje ainda causam identificação com a torcida de seu time e deixava o torcedor do fluminense feliz, mais uma vez. A mesma torcida cantava: “A benção, João de Deus, nosso povo te abraça”. Washington empatou o jogo em 1 a 1 com um golaço de falta, na gaveta, aos 17 do segundo tempo.

Já o argentino Conca disse: “foi especial eliminar o Boca”. Conca apesar de ser irmão pátrio de Riquelme e Palermo, é River. Ele marcou o segundo gol, ao bater cruzado, em bola que desviou na zaga. Aos 26 da segunda etapa, virou o jogo que era dado como ganho pelos bosteros.

Dodô errou um, dois, mas aos 47, não errou o terceiro. Para falar a verdade, Dodô, que diz que é normal errar gol fácil mas comum fazer o complicado, acertou tudo desde que entrou no segundo tempo. Sofreu a falta que terminou em gol de Washington, participou ativamente da jogada do gol do argentino Conca e no fim, fechou o caixão do Boca Jr's, o favorito que volta chorando para casa. Choramingou o jogo inteiro, principalmente depois que Palermo abriu o marcador, aos 12 do segundo tempo. Agora, o Boca vai ter tempo de sobra para chorar, na volta para a Argentina.

Enquanto isso, o Fluminense vai jogar contra a LDU de Quito. Antes de pensar no jogo contra os equatorianos, Dodô finaliza: “ainda não temos nada para comemorar. São Paulo e Boca que o digam”.

Mas Dodô, não tem como falar para os mais de 80 mil tricolores presentes não comemorarem. A Laranjeiras está em festa, comemorando a benção de João de Deus aos fluminenses.

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