Nov 13
O caso do treinador elástico e a incrível busca pelo belo
por Álvaro Fagundes00h08

Paulo Autuori afirmou que não acredita que tenha perdido prestígio com a sua saída do Grêmio, mas o único troféu que a sua passagem pelo Olímpico merece é o da mediocridade, afinal 13 vitórias, 12 derrotas e 11 empates são a definição mais pura de mediocridade.
E, para o Grêmio, mais uma vez, não deu certo esmurrar a sua própria imagem no espelho: o nariz não ficou mais bonito nem o time apresentou melhores resultados.
Eu não entendo o porquê - talvez seja o fato de os dirigentes recentes serem sofrido com a hegemonia nos anos 70 do Inter e seus Falcões, Carpegianis e Príncipes Jajás -, mas volta e meia o Grêmio desiste de jogar o seu futebol (força, competitivo, violento, leiam como vocês quiserem) e escolhe um técnico que todo mundo sabe que vai para o outro caminho, que, em geral, é um fracasso.
A convicção não impera nem quando a direção. O time vai de Mano Menezes para Vágner Mancini, pula de Sérgio Cosme para Luiz Felipe, de Celso Roth (com todas restrições que devem ser feitas) para Paulo Autuori, como se houvesse uma necessidade de afirmar “nós conseguimos bons resultados jogando o nosso futebol, mas também podemos ganhar jogando do jeito que vocês querem”.
E a resposta é não, não consegue. E o motivo fundamental, ainda que não único, é que a torcida não aceita, não abraça esses times, há uma rejeição na arquibancada que logo toma conta do gramado.
Isso ajuda a explicar por que nos últimos 25 anos só um técnico de fora do Rio Grande do Sul deu certo no Grêmio. Todos os outros (Luiz Felipe, Mano, Tite, Otacílio Gonçalves e, por que não?, até Cláudio Duarte, Ernesto Guedes e Celso Roth) são gaúchos.
Não que a maioria desses técnicos seja melhor que os Minellis, Autuoris, Sanis, Anjos, Mujicas, Procópios e Lazaronis que passaram pelo Olímpico. Não é, mas eles entenderam e conseguiram colocar em prática o futebol jogado pelo Grêmio.
Sim, colocar em prática, porque de nada adianta o sr. Autuori chegar em Porto Alegre e falar que o time vai jogar com a cara do Grêmio, e não com a dele, se o time um mês depois só fracassa fora de casa e ainda consegue passar um jogo inteiro fazendo dez faltas. A credibilidade - e o campeonato - se perde aí.
Ainda assim, mesmo fadado ao fracasso, ele não poderia ter pedido para sair, mostrando convicção mais elástica do que seus resultados (nenhum dos bons treinadores do país oscila tanto entre um grande título e campanhas medíocres). Quem chega fazendo promessas, e recebendo garantias, de que vai fazer grandes mudanças no clube, de que vai mudar as categorias de base e contrata gente sua para isso não pode abandonar o barco assim, tem que enfrentar o fracasso e ser demitido. Não pode olhar para o espelho, não gostar do que viu e sair zunindo como elástico em atiradeira.
Nov 09
6 motivos pro Fluminense torcer pelo rebaixamento
por Felipe Lessa21h25
1. A união
As campanhas motivacionais de Atlético-MG, Corinthians e Vasco provaram que o clube volta fortalecido quando joga uma segundona. E hoje em dia o Flu não tem força alguma. Está mais zoado que os dentes do maluco que fala no Pânico: “oh oh Adriano, ta me ouvindo?”. Jogar a segunda divisão será um ato grande para o tricolor, um TIM (team, em inglês) que quer ser respeitado e grande. Até mesmo aqueles que são meros simpatizantes se tornarão torcedores tão fanáticos quanto os de um clube que não caiu - na luta pela moralização de seu time do coração. Estreitam seus laços, acompanham as notícias e convidam os camaradas da rua a debater questões clubísticas. Em tempos onde torcida sequer tem o direito de dar opinião sobre como tirar sua equipe de uma crise (a diretoria do Flu só escuta marginal de organizada, aqueles que ganham uma porrada de ingressos pra se calarem eternamente), essas mesmas pessoas (os torcedores comuns, aquele que paga de verdade o ingresso e compra produtos oficiais), sem ter abertura política algum nos quadros diretivos, sentem-se responsáveis pela volta de seu clube no próximo ano. A união faz a força.
2. Relevância
Erraram todos jogadores, comissão técnica e diretores do Fluminense ao dizer que a presença dos torcedores nos próximos jogos do Brasileirão é importante. Não digo pela questão de receitas que isso gera ao clube carioca, mas sim por terem deixado explícito que a fase final da Sul-Americana é segundo plano. Essa é a chance do Flu conquistar um título internacional de casa cheia, acabando com o complexo pós vice na Libertadores e dando auto-estima aos tricolores para que pensem grande, sofram (e também façam) uma lavagem cerebral que mostre serem um time grande. Acho que a diretoria do Flu deveria dizer ao torcedor: não vá ao estádio, vamos deixar o time cair e aí vocês voltam na segundona pra nos fazer voltar. O lance é mostrar que não estão nem aí para o Brasileirão (o que, de fato, é a verdade entre diretores tricolores).
3. Poder
As verbas que entram nos caixas de times como o Fluminense são extremamente mais gordas que a dos demais clubes da Segundona. Mesmo recebendo menos da TV, esss clubes tem tanta exposição nacional que podem conquistar receitas maiores que a de equipes regionais da primeira divisão. Com o mínimo de organização, tem tudo para atropelar seus rivais no B-side do Campeonato Brasileiro. Os torcedores ficam confiantes, a diretoria também. Até mesmo a auto-estima dos atletas tende a aumentar, ao ponto de chegar em 2011 como clube favorito ao título, que aprendeu com erros passados e tem sede de mudança. Dá pra iludir legal e fazer uma historinha, filminho, camisa promocional, livro e até roupa de palhaço. Esses caras precisam ser mais ligeiros...
4. Marketing
Timão e Vasco mostraram como se faz. Criaram campanhas publicitárias que ficarão para o resto da vida. Os corintianos viraram bando de loucos apenas por seguir seu time em sua “difícil” trajetória em 2008. Criaram outros bordões como “nunca vou te abandonar”, lançaram isso em camisetas e ainda ganharam grana com a tristeza da fiel, que comprou tudo que podia para ajudar seu clube do coração. No Vasco, o sentimento não acabou, colocaram 76 mil no Maracá em jogo simples contra o Ipatinga e ainda vão ganhar dinheiro com heróis como Carlos Alberto. É isso que precisa o Fluminense, uma nova projeção, uma nova cara, que os faça esquecer de vexames passados. Alias, a exposição do Vasco em programas de televisão chega a ser maior que a de Flu e Fogo. Afinal, está ganhando tudo. O Fluminense tem tudo na mão. Qual o clube brasileiro sem estrutura e organização alguma que teria tudo isso de mão beijada? Só fazer um esquema terceirizado de comunicação e marketing e pronto, tem gente que pode até tirar um por fora com isso.
5. Lavando a alma
O estereótipo do tricolor das laranjeiras é o do time grande que virou pequeno e só voltou para a elite do futebol nacional depois de intervenções políticas. É, isso é verdade. Isso é negativo para a torcida, que diariamente sofre gozações de flamenguistas, botafoguenses e, principalmente, de vascaínos. Sofre e com razão. Cair seria ótimo para o clube. O Flu pode receber todo suporte político para voltar dentro dos campos, basta não ter medo. A situação de hoje é bem diferente dos tempos em que a CBF precisou resgatar o tricolor de elevador da terceira para a primeira divisão. Vasco, Corinthians e Atlético Mineiro deram a sentença. É a hora do Fluminense repensar o peso que tem sua camisa. Alias...faz tempo que ela não pesa nada, mas as emissoras que transmitem o PPV da Segundona querem ajudar (pra manter a Série B varolizada) e os pangões ficam moscando. Não pode. Não dá.
6. Brazil Tour
O Brasil tem uma Série A seletiva. Digo isso em relação aos estados, já que em 2009 são 20 equipes e 6 são paulistas – gente que não está nem aí para o futebol carioca. Dois clubes são mineiros, mas por lá apenas parte do interior gosta de futebol carioca. Em Curitiba, os cariocas também não fazem muito sucesso. Quem vai lá ver jogo são apenas algumas caravanas de Santa Catarina e de Paranaguá. Alias, só tem um time de Santa Catarina na Série A. Outro estado que apóia eles é a Bahia...e por aí vai...é pouco. Mas se jogar a Série B, poderão visitar pontos importantes do Brasil e com grande contingente de pessoas que ama o Fluzão. Brasília, Natal, Floripa, Fortaleza...é muito terreno fértil a ser explorado. Sem falar de jogos contra times pequenos de São Paulo, onde a torcida carioca será predominante e até mesmo a existência de embates no interior do Rio de Janeiro. É a chance de bombar os estádios dentro e fora de casa. E o Flu vai perder a oportunidade?
*Me olvidé (esqueci, no linguajar que não é o do tricolor dos pampas) de hablar (contar) sobre o que se passou com los de Grêmio en la (na) Segundona. Los pibes gremistas achavam a segundona realmente o máximo, quase tão legal quanto a Liber e o Gauchão. Quem quiser ler um pouco mais sobre isso, clique aqui que os parceiros do Impedimento mandaram a letra.
Out 24
Blitz na peixaria do Globoesporte.com
por Ana Carolina Moreno19h42
Vender o peixe da empresa é uma coisa (aliás, uma coisa infelizmente necessária), mas o Alexandre Abreu passou um pouco dos limites da sem-vergonhice.
Eis o texto que publicou no blog Conexão Gontijo na última sexta-feira (link direto):
O reconhecimento internacional da Musa do Brasileirão
A edição britânica da revista “FourFourTwo” descobriu e se encantou com a promoção “Musa do Brasileirão”. A revista dedicou uma página de sua última edição a falar sobre a promoção que agita este site. Todas as etapas da competição foram explicadas e uma foto foi para publicada para que o leitor tivesse uma completa idéia do evento, que já está virando uma tradição no futebol brasileiro. A ultima campeã foi dissecada pela publicação, que fez questão de mostrar o grande esforço das candidatas. A “FourFourTwo” é a maior multinacional das revistas de futebol em todo mundo; são seis edições além da matriz e a brasileira começou a circular no ano de 2009, podendo ser encontrada em todo o território nacional.
Estaria tudo muito bem, não fossem as incongruências que, espero, tenham sido fruto da falta de conhecimento do idioma e da situação da revista em questão. Porque me custaria aceitar que o GE necessita agir com tanta falta de rigor jornalístico.
O estilo "assessoria de imprensa", para mim, é inaceitável, mas se ele quiser, que o use à vontade. "Descobriu e se encantou"? "uma foto foi para(sic.) publicada para que o leitor tivesse uma completa idéia do evento"? "fez questão de mostrar o esforço das candidatas"? Só lamento.
Agora, mentira já é demais. E duas no mesmo texto, para distorcer os fatos e dizer que esse concurso já está virando "tradição no futebol brasileiro"?
A revista não se encantou com coisa nenhuma. Como os próprios leitores comentaram no blog do GE, a publicação ridiculariza o concurso e brinca com todos os possíveis esteriótipos brasileiros. Me diz o que Carnaval tem a ver com a Musa do Brasileirão? A própria linha fina, um dos elementos de primeira leitura da página, usa a expressão "a frankly exploitive competition", que em português se traduz por "uma competição francamente exploratória". Outro elemento de destaque é a legenda no topo da página: "E o vencedor é... todos os machos com sangue quente do mundo inteiro". Não é a mulher que vence, Alexandre Abreu.
Ela só não é mais direta para não atacar frontalmente o absurdo machismo praticado pelo Globo Esporte nessa competição, que para começar nem é uma competição. O regulamento diz claramente que é a equipe do GE quem escolhe as finalistas, ou seja, a mocinha inocente que compra mil biquinis com as cores do suposto time do coração e pede para os amigos produzirem ensaios sensuais caseiros é só massa de manobra para aumentar a audiência do site. A vencedora do concurso em 2007, por exemplo, já tinha feito curso de manequim, títulos de miss e acumulava no currículo aparições na novela global Marmelad... quero dizer, Malhação.
Mas voltemos à reportagem... Se por "bizarre challenges" (desafios bizarros) Alexandre de Abreu presume que o repórter Celso de Campos Jr. quis explicar o concurso passo a passo, para que o leitor tivesse a idéia completa do evento, eu diria que seria só uma versão resumida, mas que dá sim para pintar a imagem da competição. Os destaques da reportagem, que afirma que não é preciso muito mais do que um top rasgado para ganhar a contenda: um torneio de bambolê, usado "justificar o zoom de um minuto em cada garota chacoalhando os seus bens", o talento de cada candidata em sambar sobre salto alto e biquini característico da fantasia carnavalesca (é essa parte da tradição futebolística?), e, claro, o desfile em traje de festa, ainda que o autor ache estranho que a maioria delas pareça mais uma assistente de palco de um mágico do que uma mulher vestida para uma festa elegante.
Pelo nome, você já deve saber que Celso de Campos Jr. é brasileiro. Ele é jornalista formado pela Cásper Líbero e, entre outros trabalhos, publicou uma biografia de Adoniran Barbosa, depois de três anos de pesquisa. Celso é correspondente da 4-4-2 inglesa há anos, além de colaborar com outras publicações internacionais sobre futebol. Portanto, ele conhece o tema, conhece o público da revista lá fora e sabe muito bem que imagem as pessoas têm das brasileiras: mulheres pouco cultas que usam pouca roupa porque aqui faz calor e também porque é a única maneira de elas chegarem a ser algo na vida. Não é à tôa que ele guarda para o final de seu texto as aspas da mãe da vencedora da última edição: "esse título mudará nossas vidas", para depois concluir que é ainda mais chocante ouvir da menina vencedora que ela é virgem e está se guardando para o casamento. Tanta hipocrisia depois de tanta submissão choca as pessoas do mundo desenvolvido. Mas parece que ao GE só importa vender seu peixe. Seja ele fresco ou podre.
Abaixo a página escaneada da reportagem.
PS: A Four-Four-Two, apesar de ter bastante renome internacionalmente, bem que tentou publicar uma edição verdadeiramente brasileira, mas hoje se limita a circular traduções de textos produzidos lá fora.
Out 22
O fundo do poço está longe?
por Equipe De Primeira20h14
Por Núbia Tavares, após Santo André 2 x 0 Palmeiras
O jogo: Desencanei geral. Futebol pra ninguém ver e que ninguém merece ver.
Defesa: Marcos calou a boca ontem (falou muita merda no jogo anterior) e sofreu com o pior ataque do campeonato. Sem culpa na palhaçada. Sobre a zaga é volta Maurício Ramos e Danilo, please! O Maurício é bom, mas tá pipocando bonito. O Figueroa é um bom ala, mas péssimo na marcação. O Armero é fundamental – para o time de atletismo do Palmeiras.
Meias: Fora Edmilson. Agradeço pelas boas partidas, mas ele não sabe jogar de volante, pensa que é terceiro zagueiro e deixa um espaço gigante no meio de campo. O Souza tá igual o Maurício, sentindo o peso das decisões. Não dá pra jogar no 4-4-2 com essa dupla de volantes nem fodendo. Volta, Pierre, pelamordedeus. E acrescento que não dá pra jogar no 3-5-2 também. Cleiton Xavier não tem o que comentar, futebol ridículo e desprezível. Marquinhos fez ontem sua melhor partida pelo Palmeiras e por isso espero que ele possa ter uma sequencia agora, seja jogando no lugar do CX ou como companheiro de ataque do Vagner Love. Ontem percebi que assim como no jogo contra o Flamengo, o Diego Souza não tocou nenhuma vez a bola para o Vagner Love, que só tocou a bola para o Diego Souza uma vez, no final do jogo - aos 40 minutos do segundo tempo.
Ataque: No primeiro lance em que fez uma jogada e deu um passe, Wagner Lovel colocou o Diego Souza na cara do gol. Chega de bola na área e chutão, combinado? Aqui não é o São Paulo. No mais, Robert, Obina e Ortigoza são todos jogadores medianos.
Muricy: Não sabe o que fazer com o time depois que o Pierre se machucou. Cada hora aparece com um time diferente e deixa os jogadores inseguros e sem saber o que vai acontecer. A verdade é que a última vez que o Palmeiras jogou um futebol bonito, foi contra o Corinthians, quando do Jorginho estava no comando.
Lamentavelmente, gastamos todas as nossas reservas de pontos. Mas ainda estamos em vantagem, porque a tabela dos outros times será complicada nessa rodada, exceto o Atlético.Ainda acredito no caneco porque teremos um tempo até o jogo contra o Goiás, então, dá pro Muricy tentar arrumar a casa (e ele disse que o faria, ontem, após a partida, curiosamente de uma maneira muito fria e calculista). Mas, por preucaução, vou esperar um pouco mais pra comprar a passagem para o Rio.
Out 09
O Flamengo e a reta final do Brasileirão...
por Equipe De Primeira01h11
Por Daniel Soares
Primeiro tempo maluco no Barradão, no jogo Vitória x Flamengo. Pra quem não tomava gol há 6 jogos, tomar dois de bola parada e mais um de contra-ataque foi fogo. E eu que achava que o principal problema seria o ataque formado por Dênis Marques e Zé Roberto. O Zé está em ascensão e jogou muito bem, principalmente no primeiro tempo.
O Dênis Marques só consegue fazer gol quando a bola desvia no zagueiro. Tá com cara de que vai se consagrar no Campeonato Carioca 2010 fazendo muitos gols em cima de Boavista, Resende, Tigres et caterva. Depois de um segundo tempo sonolento, o Flamengo achou um gol aos 46 minutos. O ponto em Salvador acabou sendo lucro dadas as condições do jogo.
Mas o Flamengo continua tendo que vencer todos os quatro jogos que tem em casa (São Paulo, Santos, Goiás e Grêmio), mais o clássico contra o Botafogo (o jogo será no Engenhão) e vencer as três partidas teoricamente mais fáceis fora de casa (Barueri, Náutico e Corinthians) pra continuar com chances de Libertadores. Muito difícil encaixar uma sequência tão regular, mas é possível até os resultados me provem em contrário.
Os outros jogos....
-O Internacional conquistou uma vitória obrigatória no Beira Rio. Nem as vitórias obrigatórias vinham acontecendo. Voltou a ser candidato sério à Libertadores.
-Acabou o fôlego do Jason? O São Paulo empatou com o Coritiba no Morumbi num daqueles momentos do campeonato em que isso é quase entregar a Taça pro adversário. Alias, no final do jogo o travessão salvou o time do Morumbi de perder em casa. E lá vai o Marcelinho Paraíba mantendo o Coxa na Série A. Esqueci de falar, no texto sobre o Fla x Flu, que ele foi um dos reforços que acertaram o Flamengo no segundo semestre de 2008.
-O Fluminense é um condenado à morte. Ainda está vivo, mas aguarda apenas marcarem a data da execução. Dead man walking. Corinthians? Feliz Natal!
-O Santos fez o que tinha que fazer pra ter um pouco de paz e o Sport já tem o veredito. Aguarda apenas a marcação da data, como o tricolor carioca.
-O 0x0 na Arena da Baixada não chegou a ser tão ruim para os dois clubes. O Atlético segue mantendo distância segura do rebaixamento e mantém proximidade da zona da Sulamericana (alguém se importa?). O Grêmio mantém respirando por aparelhos as chances de Libertadores.
-Quantas pessoas terão pago ingresso para assistir o "clássico" Barueri x Santo André? Ninguém precisa de dois clubes paulistas sem torcida na Série A, a não ser os grandes paulistas, que assim ganham um número maior de partidas em casa.
-A Nação Rubro Negra, mais uma vez comovida, agradece os esforços atleticanos e esmeraldinos de dar emoção ao campeonato. O Botafogo respira e ganha confiança. O Cruzeiro se permite sonhar com a Libertadores.
-O São Paulo provavelmente também agradece ao Palmeiras, que com o empate suado de hoje dá ânimo novo ao tricolor após a ducha fria do empate de ontem. Dois empates em 2x2 com times do sul do país.
Out 08
O que começa no campo de futebol, morre no campo
por Felipe Lessa18h30

Depois de vencer de virada o Sóesporte, por 2 x 1 no Estádio Cleto Marques Luz, em Maceió, as jogadoras do Cesmac se viram obrigadas a partir para uma nova batalha. Dessa vez, nada válida pelo Campeonato Alagoano de Futebol Feminino como o jogo da tarde desta quarta-feira (7/9). Provocações durante os 90 minutos do rolar da pelota proporcionaram uma espécie de prorrogação previamente anunciada, sendo o árbitro Anderson Fernandes um dos acusados: pela negligência.
O pau comeu. Ou melhor, as diferenças e qualquer covardia dentro de campo foram tiradas a limpo. Sem armas e sem vandalismo. Queriam apenas um acerto de contas e nada mais. Na mão, ou no máximo com as travas da chuteira, como prega o simbólico código de conduta do futebol. O que nasce no gramado, morre ali. Fim de papo.
O clímax de toda cena está no momento em que a número 3 do Alviceleste Cesmac estava fora de combate. No meio da lavação de roupa suja, ela parece ter sido intimidada por uma jogadora da equipe Amarelão Sóesporte. Sua adversária retira a chuteira e, com ela em punhos, agride uma garota do Cesmac aplicando friamente a chuteirada. Sim, usou seu calçado para bater na outra atleta com as travas.
E então, a personagem do dia, nossa camisa 3 que parecia tranquila e contente com sua única voadora em uma adversária, supostamente toma gosto pela boa e velha ultraviolência. Sem dever nada àquela praticada por gente como Alex e seus Druggies.
A defensora começa a distribuir socos e pontapés. Bica uma, bica duas, corre atrás de outra. Estava ensandecida. Tenta atingir a rival com nova voadora. Até mesmo um garoto, provavelmente irmão de alguma das meninas, tenta separar a treta. Resultado: leva de cara um tabefe na orelha.
Sem polícia ou ambulância no estádio, quem caiu em combate precisou aguardar tudo terminar para ir ao hospital. Wítala, do Sóesporte, foi um exemplo. Levou um chute no rosto e precisou ser transferida para cuidados médicos em uma clínica de saúde.
Para fechar com chave de ouro, a mídia noticiou o confronto nacionalmente. Mesmo o poderoso Globo Esporte relatou como lamentável o ocorrido. Era a primeira vez que a Alviceleste ganhava destaque no site do programa. No restante, restavam apenas estatísticas. Ou seja, o todo-poderoso meio de comunicação falhou. Preferiu omitir a constante falta de ambulância e policiamento nos jogos, e até mesmo a estrutura deste campeonato, para punir as atletas por resolverem tudo como deve ser resolvido.
A Federação Alagoana de Futebol também resolveu dar destaque para a briga em seu site. Incrível a moralidade, já que o presidente da mesma federação é acusado de orquestrar um espancamento contra dois jornalistas que cobriam a partida entre Asa de Arapicara x América Mineiro, em setembro deste ano, pela Série C do Brasileirão.
Uma baita hipocrisia culpar essas meninas por resolverem seus desentendimentos de forma honesta. A violência ocorreu, mas sem a covardia das vangloriadas gangues de torcidas organizadas que se municiam até mesmo de armas de fogo para realização de tocaias contra facções rivais. Essas garotas são apenas vítimas, que inclusive chegaram a se retratar e pedir desculpas em seu blog oficial. Foram comparadas ao mesmo nível de gente que apenas se utiliza do esporte para praticar violência e ganhar dinheiro. Mas recurso é o que mais falta no desprezado futebol feminino. Essas meninas sempre sonharam com o dia que iriam aparecer na grande mídia. Sonhavam en receber devido reconhecimento por seu futebol. Mas estão sendo tratadas como marginais, o que não são.
E como a briga acabou, podemos voltar a falar de futebol. O Blog De Primeira realizou contato inicial com o time do Cesmac em seu Orkut oficial. Tentaremos descobrir também quem é a guerreira combatente Camisa 3. Pretendemos acompanhar, desde já, a trajetória do glorioso Alviceleste na Copa Brasil de futebol feminino. Depois de detonarem o Potiguar por 3 x 1 em casa, elas enfiaram 4 x 1 no Rio Grande do Norte. Estão classificadas e no dia 22 de outubro enfrentam as meninas do São Francisco da Bahia no Estádio Nelson Feijó, em Alagoas. Outra destaque do time é Karine, que com 2 gols na competição balançou as redes o mesmo número de vezes que renomadas como Marta e Cristiano, do Santos. Com os votos de apoio do Blog de Primeira: Avante, Cesmac Futebol Feminino! Rumo ao título nacional.

O torcedor atleticano esperava mais contra o Grêmio
por Felipe Lessa01h10
Depois de atuar bem contra o Palmeiras e vencer o Corinthians fora de casa, o torcedor atleticano se encheu de confiança. Uma vitória contra o Grêmio poderia indicar que o rubro-negro terminaria o Brasileirão com tranquilidade. Mas infelizmente não deu, o jogo foi ruim e o placar da noite desta quarta-feira foi 0 x 0 na Arena da Baixada.
O Atlético Paranaense até que tentou impor o ritmo do jogo. Foi para cima e dominou o adversário nos minutos iniciais da partida. Quase marcou com Paulo Baier, em cobrança de falta aos 15 minutos do primeiro tempo. Parou numa bela defesa do goleiro Marcelo.
Depois da maior chance de gol rubro-negra, prevaleceu a antiga técnica dos tricolores: quando não ganha na bola, mata a jogada como der. Ficou barato amarelar apenas Rochemback, Tcheco e Lúcio, já que o grande número de faltas inibiu a equipe atleticana e ajudou o Grêmio a ganhar força no jogo. O time do técnico Paulo Autuori pôde assim avançar o campo de marcação, deixando o Atlético desesperado, muitas vezes sem saber o que fazer com a bola.
No segundo tempo, o Grêmio começou com perigo. Logo aos 2 minutos, Tcheco finta pelo lado direito de Galatto e chuta. Por sorte, Rafael Miranda estava em cima da linha. Apesar da demora, o que deixou a torcida apreensiva, ele manda a pelota para longe da área atleticana.
Contou também para o resultado a atuação de Marcinho. Abaixo do que vinha jogando nas últimas partidas, ele saiu na virada de tempo. Entrou Alex Mineiro que jogou bem e volta a ser cogitado como titular para o jogo contra o Inter, em Porto Alegre. Quem também saiu, pouco depois, foi Márcio Azevedo. Este mancando, vítima da violência dos visitantes.
Alex Sandro entrou bem, articulou a jogada que aos 36 do segundo tempo deixou seu xará de sobrenome Mineiro em posição de girar e fuzilar o goleiro gremista. No rebote, Valência isola a bola nas arquibancadas.
Foi um jogo de certa forma feio de se ver. Faltaram mais oportunidades de gol e até mesmo uma maior presença de jogadores como Jonas e Tcheco pelo lado gremista. Diante do que foi a partida, esse 0 x 0 até que foi um placar justo. O torcedor atleticano esperava mais contra o Grêmio.
Set 27
Um segundo de primeira
por Ana Carolina Moreno18h05
O pior é que a cada dia que passa o Rogério Ceni vai ficando mais velho. Logo ele se aposenta, contra a vontade dele mesmo e de todo o resto da nação são-paulina. Mas é uma verdade inexorável.
Provavelmente nunca mais teremos um goleiro-artilheiro. Sequer um goleiro-capitão. E essa não é uma idéia triste, apenas é a regra. Rogério Ceni é uma exceção. Uma valiosíssima exceção que será para sempre lembrada pela torcida, pela diretoria, pelos jogadores.
Ainda assim, ele não é eterno, no sentido materialista da palavra. E não será fácil substituí-lo. Mas cogitar o Bosco para esse papel é ridículo. É um insulto a um time desse nível.
Um homem acomodado em ser o segundo e que, nos últimos anos, SEMPRE falha nas raríssimas vezes em que é requisitado, não pode nunca ser o primeiro goleiro. Um homem fraco, injusto, que mente para incriminar o adversário, e por isso está suspenso quando o titular se machuca. Ou então ele mesmo sofre uma contusão e está em recuperação.
Temos três grandes sortes. Temos Rogério Ceni, que ainda está aí firme e forte. E temos Fabiano, que é promissor e agora acumulando experiência. Sem contar o Denis, que já mostrou seu potencial, mas também precisa de umas cicatrizes até ganhar a camisa 1. Mas também temos um cabeça-dura que atende pelo nome de Juvenal Juvêncial e está jogando contra o relógio. Não percebe a importância de ter um segundo goleiro regular, confiável, experiente e profissional o suficiente para estar pronto a qualquer momento para defender o time à altura. Hoje, não tem.
Set 13
A paixão pelo Londrina em quatro rodas
por Felipe Lessa06h45

Sempre que o Corcel I de Marcos Reis da Silva desfila pelas ruas de Londrina, é alvo dos olhares curiosos de pedestres e motoristas. Alguns gritam, outros acenam sorridentes ou até mesmo chegam a desacreditar no que estão vendo. Foi com o veículo modelo 76 que o vidraceiro de 40 anos, conhecido pelo apelido de Migrão, encontrou a melhor forma de homenagear o time de coração: o Londrina Esporte Clube. O carro velho, mas muito bem conservado, é todo estilizado com as cores do Londrina. São 18 tubarões, o mascote do time, pintados na lataria.
Carinhosamente apelidado por amigos como “Tuba Móvel”, o Corcel I de Migrão é a grande atração nos dias de jogo, quando transita pelas redondezas do Estádio do Café, na zona norte de Londrina. O proprietário inclusive deixou de sair para as ruas apenas em ocasiões especiais para ajudar a divulgar o clube.
“Todo mundo gosta e acaba se animando com o Tubarão. Quem olha acha até mesmo que somos funcionários do Londrina. Muito pelo contrário, os diretores do LEC nunca nos procuraram para envolver o carro em alguma ação do clube pela cidade, algo que eu faria com prazer e jamais cobraria”, lamenta.
Para conservar aquele que considera ser seu xodó em bom estado, o carro é religiosamente lavado aos sábados. Por precaução, é o próprio Migrão quem passa água, sabão e encera o veículo. “Dá uma agonia deixar lavando fora, pois nunca se sabe qual o time da pessoa que fará o serviço. Se o cara for cabeça meio fraca, risca meu Tuba Móvel. Aí eu morro”, conta ele, que diariamente também faz pequenas limpezas no seu Corcel. “Tem que conservar, né. Sonhei com essa caranga desde que comecei a torcer pelo LEC. Agora que eu tenho, é pra vida inteira”, enfatiza.
A paixão de Migrão pelo Londrina surgiu em 1976. Após acompanhar uma rodada dupla, onde o time de juniores enfrentou o Matsubara e o profissional duelou contra o Vasco da Gama, no Estádio do Café, o torcedor afirma que jamais abandonou o Tubarão. “Foi quase um casamento. Desde então, o azul e branco faz parte da minha vida. É com o LEC que estou na alegria e nas tristezas, na saúde e na doença. E assim vai ser até o dia que eu morrer”.
Esses laços afetivos foram tão fortes que há três anos Marcos trocou sua antiga motocicleta pelo carro. “Foi uma forma de homenagear o Tubarão e retribuir tantas conquistas que o Alviceleste me deu”.
Para decorar o carro, Marcos pediu ajuda ao amigo Sidney Branco, que saiu de Curitiba, onde mora, só para ornar o Corcel I de Migrão em Londrina. “Ele passou uma semana fazendo as ilustrações sem cobrar nada. Quando tudo ficou pronto, eu queria ficar andando com esse carro pela cidade inteira, sem parar. Gastei horrores de combustível nos primeiros dias, só para mostrar aos londrinenses o quanto eu estava orgulhoso do meu carro do Tubarão. Mas como eu não sei dirigir, quem boléia é a minha namorada”, ressalta.
No volante
Pouco antes de adquirir o Corcel I, Marcos passou a namorar a gerente administrativa Flávia Fernandes Navarro, de 28 anos. Apesar de terem se conhecido nas arquibancadas do Estádio Vitorino Gonçalves Dias, em um jogo contra o Atlético, pelo Campeonato Paranaense, ela conta que ficou um pouco espantada com a idéia de estilizar o carro.
“Na época era algo fora da minha realidade, mas totalmente dentro da dele. Eu apoiei, só que era estranho sair dirigindo um carro totalmente pintado com símbolos e mascotes do Londrina. Muita gente acha que sou doida. Até comentam como que pode uma mulher ser tão fanática por um time de futebol. Eu me espantava. Mas hoje, eu me divirto”, conta Flávia.
Segundo a namorada, Migrão só permite que outra pessoa dirija o Tuba Móvel se for tão fanática pelo LEC quanto ele. “Geralmente sou eu que estou com o carro. Mas o Marcos já deixou alguns amigos da torcida o dirigirem”. A fala de Flávia é completada pela do proprietário: “Tenho que conhecer bem a pessoa e saber que ela vai tomar tanto cuidado com o carro quanto se deve tomar pelo manto alviceleste. Não é algo tão simples assim”, diz.
Apesar das campanhas do Tubarão de hoje não serem como a do Brasileirão de 1977 (quando chegou em quarto lugar e ganhou o apelido de Tubarão em referência ao filme de Steven Spielberg, coqueluche das telas naquele ano) e a do Paranaense de 1992 (quando o clube conquistou o último título de expressão na final caipira contra o União Bandeirante), o vidraceiro afirma que gasta 40% de seu salário com o clube do coração – incluindo o carro.
Compra camisas, quadros, bandeiras e também segue religiosamente o Londrina não só no Estádio do Café. Jogue onde jogar o Tubarão, e o vidraceiro lá estará. Apesar de já ter viajado o Brasil inteiro para acompanhar o Tubarão, Marcos ainda tem receio de colocar seu Corcel I na estrada. “Ultimamente o público do futebol ficou muito violento e ainda tenho medo de ir até o estádio de outro time com meu Tuba Móvel. Nunca agredi, nem joguei uma pedra que seja em alguém. Mas vai saber o que pode acontecer, não é? Qualquer dano nesse carro seria tão doloroso quanto um rebaixamento do time”, explica.
No entanto, não descarta a possibilidade de encarar uma viagem com o carro. “Quem sabe se o Londrina for jogar uma final de campeonato em algum lugar onde as torcidas já terem amizade, aí dá pra encarar esse passeio. Seria um novo orgulho para mim, que gosto de festa, alegria e odeio brigas”, diz.
Sobre o fato de a equipe estar na série D do Campeonato Brasileiro e ter caído para a série B do Paranaense esse ano, Migrão acredita que a reviravolta desse quadro está na própria torcida. “Já passou muito jogador bom por aqui. Eu vi Elber, Paulinho e Carlos Alberto Garcia. Agora estamos nessa situação, lutando para sobreviver. Mas tenho fé de que no dia em que torcedores de verdade assumirem o Londrina, a cidade voltará a apoiar em peso nas arquibancadas”, confia o torcedor.
Para Migrão, que já pedalou 600 quilômetros de bicicleta até Santa Catarina para pagar uma promessa pela conquista da Copa Paraná 2008, agora é o momento de manter a fé para o sucesso do clube na quarta divisão do Brasileirão. No entanto, quando desafiado pela namorada Flávia e por amigos da Falange Azul - organizada do clube - a tirar sua carteira de motorista caso o LEC suba para a Série C do campeonato nacional, ele ainda prefere a precaução.
“Tem que ter calma nessa hora. Eu sou muito ruim de boléia e se eu bato esse carro, ia ficar em depressão eterna. Por enquanto eu prefiro ficar na carona com a namorada ou andando de bicicleta. Mas vamos ver. Quem sabe na reta final do campeonato eu não me anime”, brinca o torcedor.
Ago 24
O Londrina já pensa na C
por Felipe Lessa09h57

O Londrina perdeu sábado para o São José no Estádio Passo D´Areia, na capital gaúcha, mas segue adiante na Série D do Campeonato Brasileiro. Foi uma partida difícil, dominada pela equipe da zona norte de Porto Alegre. Foi uma classificação tão dramática quanto as histórias de bastidores que norteiam os dias atuais do LEC.
Se logo aos 14 minutos do primeiro tempo o Zequinha marcou, em gol contra do zagueiro Victor, o alento da alcoolizada caravana alviceleste presente nas arquibancadas dava força aos jogadores do Tubarão. Resistiram contra tudo, e a cada carrinho ou dividida ganhavam aplausos dos torcedores. "Só assim para ganhar a Série D. Na raça", dizia o valente treinador Gilberto Pereira.
Nem mesmo a cobrança dos R$10 exclusiva aos torcedores visitantes espantava a festa dos cerca de 100 londrinenses que compareceram ao estádio. Até mesmo o rapper Gabriel, o Pensador, deu o ar de suas graças. Não que tenha se tornado torcedor do Tubarão. Ele desfilava e dava autografos ao lado do não tão bem aclamado presidente Peter Silva, com quem mantém negócios - inclusive empresta dinheiro, que deveria pagar salário de jogadores do Londrina.
Apesar da situação, enquanto a presidência parecia indiferente pelo jogo, o cantor chegou até a gritar “uhhhhh”, no peixinho de Fabinho do Londrina, aos 7 do segundo tempo.

Vencendo por 1 a 0, a equipe da casa se desesperou em busca de novo balanço das redes. Até mesmo seu goleiro partiu para o ataque, nos minutos finais. No entanto, a classificação não veio para os gaúchos.
A simpática torcida do Zequinha não acreditava no que estava vendo. Pareciam sinceramente agonizar pela eliminação do time do bairro. Apesar de boa parte dos presentes terem como clube do coração a dupla Gre-Nal, era nítido que os laços entre São José e sua torcida eram muito estreitos. Com a classificação do Londrina, era um bairro inteiro que parecia chorar.
Apenas os forasteiros londrinenses festejavam. Já no lado de fora da cancha, os torcedores do Tubarão se esforçavam para devastar todo tipo de bebidas que encontrassem pela frente. Cerveja, cachaça e conhaque passaram a ser raros nos bares que rodeiam a região da Avenida Rio São Gonçalo.

Com a saída de ônibus, carros e vans que transportavam os alvicelestes, os gritos de “É, Tubarão” ganharam as ruas de Porto Alegre. Alguns colorados desavisados chamavam os londrinenses de gremistas vagabundos. Os mesmos continuavam a cantar, sem entender nada.
Apenas pensavam nas mais de 15 horas de viagem que teriam pela frente, e no jogo entre Chapecoense x Corinthians Paranaense, domingo, no Índio Condá. Como o jogo terminou empatado, sem gols, o Londrina vai reencontrar a equipe catarinense. Além das partidas na primeira fase, uma vitória para cada lado, as equipes já duelaram em 1980, quando o Tubarão foi campeão da Taça de Prata.
Resumindo: faltam apenas quatro jogos para o Londrina garantir acesso à Série C do Brasileirão. Os problemas internos continuam, novas rifas podem ser feitas se os jogadores precisarem viajar de avião e o presidente Peter Silva continua a não prestar contas. Mesmo assim, os torcedores estão confiantes na vaga. Prometem agora invadir Santa Catarina e lotar o Estádio do Café para empurrar o Tubarão.