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De Primeira: Futebol, Futebol e Futebol

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Out 16

O Império Sudaca na Copa 2010

por Equipe De Primeira20h30

Por Daniel Soares e Felipe Lessa

O gol de Bolatti contra o Uruguai no final do segundo tempo garantiu não somente a Argentina na Copa do Mundo da África do Sul em 2010. Com a presença dos discípulos de Maradona, ao lado de Brasil, Chile e Paraguai, os sulamericanos formaram uma linha de frente representativa para tomar o velho continente de assalto no combate a ocorrer nas terras de Nelson Mandela.

Caso os uruguaios avancem na repescagem, diante da Costa Rica, a artilharia sudaca terá a força máxima de suas nove conquistas mundiais contra os europeus na disputa pelo maior número de títulos da competição, atualmente empatada. Entre os campeões do velho continente, Itália, Alemanha e Inglaterra estão na lista de representantes da Uefa. São velhos conhecidos de peleja, que fazem valer o ditado de que a Copa não existe apenas para prolongar os feriados brasileiros.

O Brasil garantiu sua classificação com três rodadas de antecedência, vencendo a Argentina no berço de Che Guevara. Apesar da frustrante última jornada, onde entorpecida pela altitude a seleção canarinho perdeu para a Bolívia e depois esbarrou em casa no ferrolho venezuelano, o complexo de vira-latas tão criticado nos tempos de Nélson Rodrigues deu lugar ao otimismo. Após alguns anos desprezada pelo seu povo, a Seleção voltou a ter verdadeiros ícones de identificação nacional como Luís Fabiano, Kaká e Julio Cesar. O escrete de Dunga está praticamente pronto. Ainda assim, precisa aperfeiçoar sua técnica de furar retrancas que deixaram o brasileiro angustiado com outros empates, como a Colômbia e Bolívia em casa.

O segundo posto sulamericano veio com a vitória chilena sobre o Equador. A condição de aríete do artilheiro das eliminatórias com 10 gols, Humberto Suazo, é digna de um possível ensaio de capa no HQ El Condorito - que já ilustrou sua seleção em um passado não muito distante. Junto de Benitez e do Mago Valdivia, o selecionado de El Loco Bielsa fez renascer a nostalgia de 98, quando com Salas e Zamorano demarcavam território no ataque do Chile. No entanto, se o treinador argentino quiser manter o status de herói por las calles de Santiago, problemas defensivos como a desatenção que os fez tomar de 4 do Brasil em Salvador precisam ser solucionados.

Com os mesmos 33 pontos dos chilenos, os paraguaios decepcionaram e ficando com o terceiro lugar. Ao perder para a Colômbia em casa, o time liderado por Salvador Cabañas desperdiçou a chance do simbólico título das Eliminatórias, o combustível que faltava para o êxtase de toda nação. Vestimentas albirojas passaram a figurar no cotidiano de todo país que, apesar do tropeço no final da fase classificatória, pela primeira vez almeja o sonho de vencer a Copa do Mundo. Mas para permanecer sonhando, precisam invocar o espírito que ganhou as ruas e transformou o período da Eliminatória em momentos tão patrióticos quanto aquele início dos anos 30, quando nossos vizinhos derrotaram os bolivianos na Batalla Del Chaco. O Paraguai precisa driblar a incapacidade na hora de definir, evitando que se repita qualquer recordação de 98. Na ocasião, o forte time com Arce, Gamarra e Chilavert caiu diante da França no mata-mata da Copa do Mundo.

O inverso da falta de superação paraguaia na hora de definir foi o que deu aos argentinos a quarta e última vaga direta. A seleção albiceleste penou com a derrota expressiva para a Bolívia fora de casa e o vexame de perder para o Brasil em Rosário. Maradona balançou no cargo de treinador, mas no fim desabafou com alegria. Seu time brigou até o fim para garantir sua vaga sem precisar da repescagem. Apesar da suposta displicência de Messi, valeu o espírito combative de Verón e Palermo. Contra o Peru, em Buenos Aires, por duas vezes passaram perto da tormenta. Cederam o empate no final do jogo, passaram na frente e quase tomaram um gol do meio de campo. Contra o Uruguai, o gol veio apenas no fim. Mas veio, e com a ajuda do Equador ainda permitiu que a Celeste Olímpica de Diego Forlán ainda possa garantir a última vaga do continente para o Mundial, contra o representante da Concacaf.

Vale lembrar que o adversário uruguaio na repescagem será o time de Renê Simões. No jogo contra os EUA, em Washington, a Costa Rica precisava vencer para garantir a vaga no Mundial. Fizeram 2x0 em menos de 30 minutos e passaram a aguardar o fim do jogo. Tomaram um gol no início do segundo tempo e continuaram aguardando o fim do jogo. O castigo veio aos 49m30: empate americano. Com a vitória de Honduras sobre El Salvador, os hondurenhos estão na Copa.

Recordando um passado próximo: nossas participações desde 98
Na Copa do Mundo de 1998 também tínhamos a representação de Brasil, Argentina, Paraguai e Chile. Somava-se a Colômbia. A campanha sulamericana foi a melhor em solo europeu dos últimos 30 anos. Quatro seleções se classificaram para as oitavas. O Paraguai foi eliminado pela França no gol de ouro, conforme comentado acima e Brasil e Chile tiveram que se pegar. 4X1 pra nós. O Brasil terminou vice-campeão e um gol holandês no finzinho evitou que a Argentina nos encontrasse nas semifinais.

Em 2002, Uruguai, Equador e até a Argentina ficaram fora na primeira fase. O Paraguai foi mais uma vez eliminado nas oitavas, daquela vez pela Alemanha. O Brasil seguiu representando a América do Sul até a conquista do título. Em 2006, Brasil e Argentina não passaram das quartas-de-final. O Paraguai decepcionou e ficou em terceiro no seu grupo, perdendo para Inglaterra e Suécia e vencendo apenas Trinidad & Tobago. A boa surpresa foi o Equador, que num início arrasador venceu Polônia e Costa Rica. Depois perdeu duas vezes ao enfrentar duas seleções européias de tradição: a Alemanha (3x0), em jogo que valia a primeira colocação do grupo (o Equador tinha a vantagem do empate) e para a Inglaterra (1x0), nas oitavas-de-final.

Resultados nas 3 últimas Copas:
Brasil

1998 - vice
2x1 Escócia
3x0 Marrocos
1x2 Noruega
4x1 Chile
3x2 Dinamarca
1x1 Holanda (4x2 penaltis)
0x3 França

2002 - Campeão
2x1 Turquia
4x0 China
5x2 Costa Rica
2x0 Bélgica
2x1 Inglaterra
1x0 Turquia
2x0 Alemanha

2006
1x0 Croácia
2x0 Austrália
4x1 Japão
3x0 Gana
0x1 França

Argentina
1998
1x0 Japão
5x0 Jamaica
1x0 Croácia
2x2 Inglaterra (4x3 penaltis)
1x2 Holanda

2002
1x0 Nigéria
0x1 Inglaterra
1x1 Suécia

2006
2x1 Costa do Marfim
6x0 Sérvia-Montenegro
0x0 Holanda
2x1 México
1x1 Alemanha (2x4 penaltis)

Paraguai
1998
0x0 Bulgária
0x0 Espanha
3x1 Nigéria
0x1 França

2002
2x2 África do Sul
1x3 Espanha
3x1 Eslovênia
0x1 Alemanha

2006
0x1 Inglaterra
0x1 Suécia
2x0 Trinidad & Tobago

Chile
1998
2X2 Itália
1x1 Áustria
1x1 Camarões
1x4 Brasil

Uruguai
2002
1x2 Dinamarca
0x0 França
3x3 Senegal

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Set 07

Futebol e identidade nacional - parte 1

por Ana Carolina Moreno14h59

Na Espanha, NADA se pensa, discute ou opina sem que alguém leve em consideração o fator "nacionalismo". Que, aqui, não significa o mesmo que no Brasil. Um "nacionalista" gaúcho é um cidadão que quer que o Rio Grande do Sul rompa com o Brasil e forme seu próprio país. Aqui, ele seria considerado "independista", enquanto os "nacionalistas" são os que consideram todas as comunidades autônomas (os "estados" espanhóis) primeiro espanholas, depois galegas, catalãs, valencianas e por aí vai.

O futebol não só não escapa dessa polarização automática, como é um dos principais pivôs de debate. Exemplos não faltam, e um deles apareceu agora há pouco, enquanto eu divagava durante o fechamento do jornal.

Segundo o Globoesporte.com, há exatos 75 anos (7 de setembro de 1934) o Brasil jogou, em Salvador, uma partida contra a seleção de futebol da Galícia. O resultado foi 10 a 4 pra gente (ou melhor, pra vocês, ou sei lá... o Brasil ganhou). Entre todos os jogos que a seleção já disputou em Salvador, foi o que mais teve gols a favor, e gols em contra.

Alguns comentários dos galegos que me escutaram contar essa história:

- A notícia não é que o Brasil ganhou de 10 a 4, e sim que nós conseguimos fazer 4 gols no Brasil! (Joel Santana feelings?)

- Estávamos em desvantagem, muitos jogadores foram fuzilados durante a Guerra Civil. (esse comentário é mentira, a guerra só começou em 1936, mas é fato que muita gente morreu. os jogadores da seleção vasca, por exemplo, estavam jogando no exterior e por isso se salvaram, e ainda aproveitaram para arrecadar dinheiro em jogos para cuidar das vítimas. de qualquer maneira, em 1934 a Espanha era uma república ainda não de todo desesperançada, e só unas anos mais tarde seria totalmente devastada.)

- Tudo bem, mas temos é que promover o jogo de volta pra ver como é que fica o placar final! (não pensem que só porque ganhamos da Argentina na casa dela que ganhar da Galícia vai ser fácil... aqui eles são especialistas em adotar novos cidadãos, eu não me surpreenderia se logo logo Iniesta, Xavi e Casillas vestissem a camisa braca com listras azul claras. é claro que, por outro lado, o mero fato de decidir se a seleção galega deve ser tratada de novo com tanta importância, destaque e autonomia, é um debate que nem esse post, nem mil comentários, nem uma nova guerra civil, poderão esgotar.)

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Set 06

Maradona, Maradona, que amargado se te ve...

por Felipe Lessa02h45

Nem mesmo a simbologia de Maradona, Che Guevara e do Estádio Gigante de Arroyito pôde parar a Seleção Brasileira. Pelo contrário: se em 90, criar um ambiente psicologico de guerra deu certo...ontem, não. Foi o combustível de motivação que inflamou o time canarinho e o fez vencer a Argentina por 3 x 1, em Rosário.

Se para los hermanos faltou a pegada típica que todos estamos cansados de repetir, no conjunto visitante a apatia quase não existiu. Mesmo com Robinho viajando apenas a passeio, nomes como Kaká, Luisão, Luís Fabiano e Julio César foram fundamentais para que Messi e Tevez se tornassem simples figurantes.

Dentro de campo, todo clima de guerra que antecedeu a partida foi por água abaixo após pouco mais de 10 minutos do apito inicial. A sonolência argentina prevaleceu e foi fundamental para a marcação dos dois primeiros gols canarinhos. No primeiro, a zaga alviceleste deixou Luisão subir sozinho para marcar. No segundo, ela bateu cabeça. Bastou Luis Fabiano prestar atenção na jogada para fazer o gol no rebote do goleiro Andujar.

Tudo parecia dar certo para o Brasil. Na segunda etapa, até mesmo o gol argentino feito por Dátolo, que viu Julio César adiantado e arriscou de fora da área para balançar as redes, foi bom para a Seleção. Os donos da casa partiram para cima e deram brecha para Kaká mostrar o que pode fazer com a pelota. Esqueceu da misericórdia pregada pelos pastores de sua igreja para lançar Luís Fabiano nas costas do zagueiro. Sem piedade, o fabuloso decretou a sentença tocando por cima do goleiro.

Agora, os argentinos terão que somar pontos importantes em partidas difíceis como contra Paraguai e Uruguai fora de casa. Los hinchas e Maradona amargaram o resultado em silêncio tão triste quanto o tango de Horacio Sanguinetti. Ao Brasil pouco importa os desfalques contra o Chile, na Bahia. Com a seleção classificada para a Copa da África do Sul, o único medo é que falte motivação do escrete brasileiro para a partida. Mas se quiserem jogar bola, o samba continua...

Extra:
Um consolo para los hermanos....

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Abr 02

Quem peleia, ganha....

por Felipe Lessa02h12

Apesar de duelar contra um pequeno, em Porto Alegre, foi bom ver o Brasil ganhar de três. O sonho dos peruanos acabou quando a seleção teve vontade de jogar bola. Isso basta. Mesmo com os dois volantes de Dunga, foi um dia de alegria em verde e amarelo.

Aproveitando a ótica da salvação, digo mais. Se ela existe, chama-se Luís Fabiano. Precisamos de um capo daqueles que os gaúchos chamam de peleadores. Apesar de não ter nascido no Rio Grande*, o estilo do atacante envolve briga e disposição. Tudo o que parece faltar na canarinho. E o que foi feito por ele contra o Peru.

Tanto é que desde o início do jogo foi para cima. Abriu o marcador aos 17 iniciais, em uma penalidade. Ampliou aos 26 da mesma etapa, sendo mais malandro que os zagueiros. O bandeira não marcou impedimento e Luís Fabiano não parou. Foi em frente e deixou o novo salve ao arqueiro Butrón.

Pouco importa se ele estava impedido. É aí que surge o brilho do peleador brasileiro: renuncia ao direito de ser politicamente correto, marca o gol e comemora como se fosse uma pancada nos hermanos argentinos em final de Copa do Mundo. Contemplando...bom coração, fairplay e firula não mostram quem manda no futebol.

E olhe que não vai precisar nem mesmo repetir os socos e botinadas feitos em São Paulo e Sevilla. Basta não perder o tesão em jogar bola, como alguns companheiros de Sele, e mostrar aos brasileiros que está com eles. Esse é o diferencial que falta em nossos selecionados: raça e paixão no que faz.

Alias, Kaká jogou o fino da bola. Sempre abrindo para o recebimento de passes e agindo rápido, o atleta do Milan fez mais do que sofrer a penalidade que abriu o marcador brasileiro. O bom moço chegou a dividir e desarmar jogadas. Um milagre. Talvez um chamado divino. Dá até para arriscar que ele tenha apropriado um estilo gaúcho de se jogar futebol. Como lancei uma suposição, cito outra: Dunga deve ter adorado.

Em compensação, Pato e Ronaldinho (cada vez menos Gaúcho) deixaram a desejar. Embora tenham jogando pouco tempo, eram toda a esperança do povo pampeano. Entraram apenas para o registro histórico. Nada mais.

Para não frustrar Porto Alegre, o terceiro gol mostrou uma boa pitada de tradicionalismo. Felipe Melo, aos 19 minutos do segundo tempo, dividiu e ganhou duas vezes para entrar na zona de abate e fuzilar. Natural de Volta Redonda, o ex-gremista mostrou o que aprendeu na região.

Finalizando, foi uma bela vitória. Embora, que fique claro: não se mede parâmetro de uma equipe em jogo contra o Peru. Com o perdão desse simpático povo latino, o futebol verde e amarelo apenas fez seu papel de casa. Porém, um fato é inegável: é bom ver a seleção com espírito gaúcho em campo!

Extra:
*Luís Fabiano é de Campinas. Entrevistado, pela Globo, traçou o próprio perfil e mostrou como deveria ser o jogador brasileiro. Confira. clique aqui.

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FutebolSeleção Brasileira

Abr 01

Pelo fim da prostituição da Seleção Brasileira

por Felipe Lessa20h31

“Cada gol era uma facada no peito”. Com as palavras emprestadas daquele que é considerado Díos, com direito a igreja própria, falo do que nós brasileiros temos vergonha. Nós precisamos de um líder, alguém que inflame os torcedores e faça com que a canarinho volte a brilhar.

O exemplo que cito não são os humilhantes 6 a 1 sofridos pela Argentina, contra os bolivianos, em La Paz. Nós precisamos é daquele jogador fervoroso, que dá gracejos aos seus torcedores. Algo como fez o argentino Tevez. Durante invasão de uma torcedora no treino da seleção alviceleste, não pensou duas vezes para seguir na mesma direção, abrir os braços e dar aquele abraço na fã. Algo como falou Maradona, após o desastre. Coisas que chamem o torcedor para o idealismo e o desejo de participação.

Porém, por aqui, o nosso auge é ver a bela carta de amor que foi a história entre Kaká e Milan, terminada em beijinhos do mocinho filmado por cinderelas abaixo das janelas de seu quarto. Por aqui, nosso ridículo é ver um dentucinho dos pampas esquecer de suas raízes e pensar que virou pagodeiro. O tesão pelo futebol acabou em Dinho, Ronaldinho, de futebol cada vez mais pequeninho.

De nosso treinador, nada mais se espera. O capaxo número zero à esquerda, que pensa ser comparsa de ouro do RT, não conseguiu nem mesmo ter o tempo de implantar seu método força para recriar uma seleção. Logo nas convocações das Olimpíadas, já precisou voltar miando ao seu cantinho, quando a chefia atropelou sua autoridade e remendou na lista de chamada um querido desafeto que já foi dos pampas e se chama Dinho. O queridinho de ouro da CBF não pode ficar fora do R&11sTars Team!

O jogo contra o Equador foi prova de nossa displicência. Na noite de hoje, em Porto Alegre, contra o Peru, apenas uma continuação. Mesmo que a constelação de amarelo azedo vença, os princípios são os mesmos.

Infelizmente, aquilo que João Saldanha já previa no Mundialito de 90, na Itália, ocorreu. O verde e o amarelo viraram uma máquina de negócios. Apenas estrelas vendidas desfilam na passarela. Em troca, o choro e o sorriso de um povo são indiferentes. Valem mais os contratos publicitários.

E a cada vez que somos vendidos, mesmo como simplesmente bom espectadores que é o "torcedor brasileiro", levamos uma facada no peito. Queremos o Brasil de volta!

Nem os 6 a 1 tomados pelos argentinos, tão pouco a inflamação dos hinchas do Boca contra Maradona, podem ser comparados com nossa marmita obrigatória de cada dia. Rango azedo daqueles que são obrigados a dispensar no mínimo R$70 mangos para desfrutar 90 minutos do clubinho fechado de RT e suas princesas que vestem chuteiras.

No festival de teatro que é a "Seleção Brasileira", os únicos que comemoram são os prostituídos daquele que deveria ser nosso futebol.
A única comemoração do Show Team é a esbórnia daquilo que foi considerado um escrete, mas que hoje se resume aos dígitos e cifras bancárias.

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EconomiaFutebolSeleção BrasileiraFutebol Argentino

Clases de Español #1: LA REMONTADA

por Ana Carolina Moreno18h06

Estava eu aqui confortavelmente no sofá, escrevendo a primeira frase do meu post, que criticava o meio de campo decepcionante da Espanha hoje, na partida contra a Turquia pelas eliminatórias da primeira Copa do Mundo sem a presença do Brasil Copa de 2010. Já passavam dos 45 do segundo tempo, faltava quatro para o fim da brincadeira, e o camisa 7 espanhol, Güiza, chega primeiro que dois turcos em uma bola enfiada e consegue cruzar para o 10, Reira, chegar primeiro que o goleiro e colocar a pelota por baixo das pernas do meta. Três minutos de firulas depois, fim de jogo, Turquia 1, Espanha 2.

Os onze de Dunga contra o Equador estão mais para Turquia do que para Espanha, que nos ensina uma palavra valiosa: remontada.

No sentido literal, ela quer dizer "de virada". A Turquia marcou primeiro, em um lance que poderia causar suspeita de impedimento, mas que foi mais culpa da confusão espanhola do que falta de visão do bandeira. Já era o segundo tempo quando o árbitro marcou pênalti após cobrança de um escanteio que virou um jogo de batata quente dentro da área turca, e acabou tocando a mão de um dos defensores.

O gol da virada foi pura sorte. O comentarista Delfín Melero, do Marca, que comentava a partida minuto a minuto, encerrou seu trabalho dizendo que a Espanhã foi "tocada por uma varinha de condão".

Sem piadinhas, por favor, que o assunto é sério. São seis jogos e seis vitórias, apenas dois gols contra e 13 a favor (média de dois por partida). Aliás, há 31 jogos a seleção da Fúria não sabe o que é perder, um recorde conquistado pelos treinadores Luís Aragonés (campeão da Eurocopa) e Del Bosque (o atual), que hoje se iguala ao período entre 1994 e 1998, quando a Espanha foi eliminada da Copa da França. E, ao que parece, a equipe do nosso espião Marcos Senna chegará à África do Sul se achando o último biscoito do pacote. Em setembro, recebe em casa a Bélgica (7 pontos em 5 jogos) e a Estônia (5 pontos em 6 jogos). No mês seguinte, embarcar em duas viagens turísticas: Armênia (1 - hum - ponto em 6 jogos) e Bósnia (9 pontos em 5 jogos, a segunda colocada do grupo, com metade do aproveitamento espanhol).

Mas a sorte só vem com vontade. A Espanha de hoje entrou em campo sem jogadores importantes, como Fabregas, Villa e Puyol. Sentiu a falta principalmente do segundo, já que o menino-prodígio Fernando Torres esteve apagado durante toda a partida. O time jogou feio, errou passes, se desarrumou depois do gol. Mesmo assim, ganhava todos os rebotes, corria sempre mais e não se dava por satisfeita. Não se contentou com o empate fora de casa, não se acomodou com o primeiro lugar folgado da tabela, não perdeu a paciência com a barulheira que a torcida turca fez do início ao fim do jogo.

Dunga poderia vir aqui atrás de inspiração. Ou, pelo menos, buscar inspiração na inspiração dos espanhóis: João Saldanha, que hoje ganhou a companhia de Del Bosque na posição de recordista em vitórias consecutivas de um treinador de seleção. Nove. Hoje pode ser um bom dia para começar.

Em tempo
E o chocolate boliviano que está em andamento nesse instante? Pelo menos Dunga não será a piada da rodada.

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Dez 09

Eu acredito no Gordo

por Leonardo Mendes Jr.13h35

E Ronaldo vai jogar no Corinthians. Está em todos os sites, rádios, jornais, tevês.

E digo a todos. Torcerei loucamente pelo Corinthians em 2009. Não pelo time em si, pelo qual tenho forte ojeriza, mesmo sendo filho de corintiano. Mas pelo Gordo.

Não há melhor atacante brasileiro em atividade do que Ronaldo. Adriano tem uma esquerda potente? Ronaldo chuta bem com as duas. Luís Fabiano é mortal? Ronaldo é mais, e nunca é expulso. Nilmar, Keirrison, Pato são mais rápidos? Ronaldo tem uma capacidade de raciocínio que lhe permite enganar os zagueiros em um passe de mágica. Robinho é driblador? Ronaldo não dribla mais como antes, é verdade, mas é capaz de, em uma virada de corpo, deixar os beques na saudade.

Não imagino mais o Ronaldo das arrancadas, aquele que parecia um trator deixando zagueiros pelo caminho, driblando em velocidade até vencer o goleiro adversário. Vejo um Ronaldo mais para Romário. Na área, procurando o atalho, esperando a bola para fuzilar o goleiro.

E Ronaldo não precisará de mais do que isso para ser o melhor jogador em atividade no Brasil. Também não precisará de mais do que isso para voltar à seleção brasileira. Será a salvação da seleção que caminha inexoravelmente para o fracasso na África do Sul. E será a salvação de Dunga, que caminha firmemente para se tornar o novo Lazaroni.

Ronaldo merece mais uma Copa. Merece brilhar em mais uma Copa. Com a trajetória que ele tem, não existe fim mais digno para sua carreira. Ronaldo foi duas vezes ao fundo do poço e voltou, sempre melhor, sempre mais mortal. Fará isso pela terceira vez. E deixará o futebol com a imagem do que ele realmente é: um craque, um ídolo, um mito, o maior do futebol mundial desde Maradona. E não do beberrão obeso que faz suruba com travesti em motel fulero do Rio.

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Nov 13

O sacrifício para ver a seleção... portuguesa

por Equipe De Primeira16h17

Por Umberto Dissenha Junior, de Brasília

Há pouco, comprei o ingresso para o jogo entre Brasil e Portugal, que será realizado na próxima quarta-feira, dia 19. O MEIO-INGRESSO saiu por "meros" R$ 90 reais, mais R$18,00 de taxa, totalizando R$108,00.

Essa taxa é cobrada pelo site que está vendendo. Detalhe é que a compra SÓ pode ser feita via site. Não há um maldito local vendendo.

Outra informação importante é sobre o volume de ingressos. No Bezerrão (mania brasileira de destruir nomes de estádios), cabem 20.000 pessoas.

No entanto, apenas 9.000 ingressos estão sendo vendidos. Os outros 11.000 (isso mesmo, ONZE MIL), serão distribuídos: cerca de 2.000 para a comunidade do Gama e os outros 9.000 para convidados, magistrados e o escambau.

Escutando ontem a CBN, um dirigente da federação local, ao ser indagado sobre o porquê de tantos convidados, teve a cara de pau e a filha de putagem de responder o seguinte: "Nossos convidados e magistrados podem dar uma retorno melhor que a torcida local".

Foda dar dinheiro para esses cornos, mas é o esforço que estou fazendo para ver a seleção portuguesa.

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FutebolPolíticaSeleção Brasileira

Nov 06

Diego contra os professores

por Equipe De Primeira18h01

Por Luis Augusto Simon

A escolha de Maradona para dirigir a seleção argentina pode ser - e tomara que seja - um contraponto à ditadura dos "professores" que inundam o futebol brasileiro. O personagem, cujo estereótipo mais forte é Luxemburgo, ganhou muita força. Passou a ter importância maior que o craque. São os mais procurados por entrevistas - um cara pode fazer três gols no jogo e sempre haverá espaço para o depoimento do "professor" - e comentaristas buscam explicar o resultado de um jogo apenas e tão somente pelas táticas aplicadas pelo "professor".

Ganham milhões por isso. Luxemburgo, quando estava no Corinthians, chegou a colocar um ponto no ouvido de Ricardinho, em partida contra o Santos. Um fato que é a subversão do futebol. Onde ficam a criatividade, a espontaneidade, a opção pela jogada "errada" que se transforma em um golaço se você tem um "professor" falando em seu ouvido?

Com Maradona, isso pode terminar. Ele, com certeza, dará mais liberdade de criação aos jogadores. Ele acredita e sabe que o craque é que resolve. Há dois problemas, é lógico

1) Craque não sabe ensinar. Treina pouco e espera que alguém resolva, como ele resolvia em seu tempo. Só que o tempo dele passou.

2) É capaz del DIEZ querer jogar.

Bem, de uma forma ou de outra, ele não faria o que o professor Luxemburgo fez ontem. Mandou os seus reservas para um alçapão enfrentar um jogo nervoso e foi fazer um bico na TV Globo.

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Out 19

O underground mantém o ídolo

por Felipe Lessa03h53

Hoje de chuteiras penduradas, o ídolo veste all star, tem bagagem de quatro overdoses, simpatia pela geração hippie, afeto pelas drogas e muitos gols pelo Corinthians e Seleção Brasileira. No entanto, Walter Casagrande Júnior ainda bambeia na condição de convocado para a história dos anti-heróis do futebol mundial.

Para se juntar ao time craques como Diego Maradona, George Best e Paul Gascoigne, Casa ainda precisa lutar para manter sua reputação futebolística e acabar com essa história de se apresentar como viciado redimido.

Hoje (19-10), entrevistado no Altas Horas, da Globo, o matador deu indícios que merece vaga no seleto grupo dos malvadões do futebol. Disse que gosta de viver nos limites, gostaria de ser Jim Morrison* e precisa ir semanalmente ao consultório médico. “Sou dependente químico e desde menino tive uma atração pelas drogas”, é o que disse Walter.

Apesar de todo o bombardeio da moralidade, espero que o Casão não se entregue. Continue em contato com os roqueiros moderados do Titãs. Fale mais da sempre falada Democracia Corinthiana. Lembre das glórias com a indisciplina que o permitia ser matador nato, como foi no campeonato paulista de 1982. Fale da diferença entre jogar no desconhecido São Francisco, da Bahia, e ser campeão da Copa da Itália pelo tradicional Torino.

Casagrande é craque e não precisa dar explicação. Jogadores como Walter existiram para fazer a alegria dos torcedores. Mitos folclóricos existem para serem venerados, mesmo quando degenerados. Nós torcemos! Um brinde ao Casão.

* Vocalista do The Doors, filho de uma família conservadora, especula-se que o astro do rock morreu após overdose de heroína. Seu grupo é conhecido pelas clássicas notas de "Light my fire" e "Riders on the storm".

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