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De Primeira: Futebol, Futebol e Futebol

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Nov 02

Valmir Gomes é de carne e osso...eu vi

por Felipe Lessa21h51

Quinta-Feira fui até o centro de Curitiba. Minha irmã precisava do carro, e assim eu já agilizava meu deslocamento para o encontro com um amigo que está vendo um esquema de trampo pra mim.

Era cerca de 18hrs, e um acidente na região ajudou a piorar a situação do congestionamento habitual de cada dia. Entre os diversos carros embaralhados, quando o caos estava prestes a acabar, tive meus 2 ou 3 minutos de glória e um bom motivo para sorrir. O mestre Valmir Gomes estava dentro de um carro, dirigindo e falando ao celular.

Primeiro eu o vi pelo retrovisor, atrás do meu meio de locomoção. Fiquei olhando e tive certeza que era a lenda quando estrategicamente dei um jeito de trocar de faixa. Eu estava lado a lado com Valmir Gomes, separado apenas pela estrutura física do veiculo. Baixei a janela e mandei uns berros. Algo tipo "AOOOO, VALMIR. É NÓIS. RIO BRANCO ATÉ MORRER!".

Ele ainda estava no telefone. Deu um sorrisinho, fingiu que não era com ele e continuou conversando. Acho que o chapéu pescador da Seleção Paraguaia (doado posteriormente ao Marcão) que eu estava usando e o óculos na cara devem ter feito ele ficar cabreiro. Talvez pensando que eu era um legítimo estivador do Porto de Paranaguá, estilo os que certa vez tentaram pegar Valmir na Estradinha, dando um rolé na capital. Se pá, ele sentiu vergonha pelo comportamento. O meu, claro.

Mantive a tentativa de contato. Mandei novos berros e dessa fez fui mais ousado. Joguei uma pequena bolinha de papel, feita na hora com uma folha de revista feminina que minha irmã havia esquecido no carro. Tentei jogar no carro dele para chamar atenção, não para atingi-lo, que fique claro. Mas eu errei a disparada. Apesar do trânsito lento, acertei no carro errado. Por sorte, o mestre olhou - mesmo que ainda falando ao telefone.

Fiz um sinal de positivo e dei um sorriso faceiro. Valmir Gomes retribuiu, sorrindo para mim mais uma vez. Infelizmente o congestionamento acabou, perto ali da rua dos fundos do Terminal Guadalupe. Pouco depois a lenda arrancou, caiu fora e sumiu pela urbanização central de nossa terra querida chamada Curitibá. Mas eu o vi ao vivo, sei que ele existe. Uma pena que não tinha ninguém comigo, pra escrever o endereço do De Primeira em um papel e mostrar ou entregar para nosso ídolo representante da crônica esportiva paranaense. Nem dá nada. Pelo menos já sei que ele existe, de carne e osso. Eu vi!

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Ago 26

Todo romance dos hooligans

por Felipe Lessa02h17

Em 2005, Hollywood mostrou romanticamente ao mundo que um jogo entre West Ham x Millwall cheira sangue, álcool e violência. Como desde o ano de lançamento do filme Green Street Hooligans as duas equipes ainda não haviam se encontrado, o confronto desta terça-feira, válido pela Copa da Liga Inglesa, serviu para matar a saudade. Nas quatro linhas, foi 3 x 1 para os Hammers. Fora delas, o placar só pode ser computado por quem esteve presente.

Houve invasão de campo, que começou semelhante a uma glorificada cena do filme e terminou em multidão se divertindo nos gramados, diversos feridos e um hammer esfaqueado. Era o velho e cruel hooliganismo voltando a deixar sua marca na região do Upton Park Stadium. Desta vez sem Frodo, do Senhor dos Anéis, os súditos da rainha puderam rever e praticar um pouco da anarquia que parecia estar adormecida na Inglaterra desde a morte dos Sex Pistols, ou até Cass Pennant deixar de lado sua firma de torcedores do West Ham.

Relatos de torcedores indicam que até mesmo os policiais ficaram chocados com as cenas de selvageria e preferiram não se envolver nos tumultos.

Todos haviam esquecido que o ódio entre os Millwall Bushwackers e a Inter City Firm do West Ham é tão sincero quanto o que norteia guerras religiosas no oriente médio. Apesar dessas firmas – espécie de organizada brasileira para ingleses – não representarem o sentimento de todos os torcedores, é nelas onde está mais bem enraizada a lembrança de um conflito que começou antes mesmo da pelota rolar entre as duas equipes, nos tempos em que a rivalidade era entre docas e estivadores da zona leste londrina.

Os clubes surgiram compostos por funcionários de dois estaleiros localizados às margens do Rio Tamisa. Diferenças entre horários de trabalho e falta de unidade de pensamentos entre funcionários também foram ajudaram a criar um clima de rivalidade. Funcionários da Thames Ironworks and Shipbuilding foram responsáveis pela fundação do West Ham, enquanto os da Morton´s Jam se encarregaram de formar o Millwall.

Apesar do pequeno número de confrontos entre os clubes, essas lembranças de intolerância recíproca e dominação de território foram reaquecidas com o filme. Bastava sortearem o confronto e pronto, iria acontecer.

As novas firmas de casuals nunca deixarão de ser o que são. A glorificação de como barbarizavam os velhos hooligans nos anos 70 e 80 trouxe gente nova no pedaço, sedenta por diversão e por aparecer na telinha de cinema.

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Mar 31

Cass: a história do grande hooligan negro

por Felipe Lessa00h05

Negro, órfão de família jamaicana e adotado por um casal branco da zona leste de Londres, Cass Pennant viveu uma história contextualizada pela discriminação racial iniciada nos primórdios de sua infância. Sensações que sentiu na pele desde o ambiente escolar até o dia em que foi levado pela primeira vez por seu pai adotivo ao pub de torcedores do West Ham.

Em contrapartida, o jovem cresceu. E uma das formas de reconhecimento e aceitação deste filho de imigrantes na sociedade foram os socos e botinadas, em nome do amor pela bandeira azul-grená dos Hammers.

O filme, baseado na biografia do protagonista, aponta cenas clássicas desta que é considerada a grande subcultura marginal relacionada ao futebol. Trata-se de um passeio pela história da Inter City Firm, famoso grupo de adeptos do West Ham United, na pessoa de um de seus principais integrantes: Cass.

Seu apelido foi herdado da admiração por outro negro. Muhammad Ali-Haj, nascido Cassius Marcellus Clay Jr, de onde surgia o apelido Cass. Era uma forma de reconhecimento do garoto que odiava ser chamado pelo nome, Carol, devido ao bullying na escola.

Cerca de 2 metros de altura, braços pesados e a valentia de um guerreiro das ruas foram as marcas de Cass, um homem que ganhou e também perdeu com a complexa vida de um hooligan com origens jamaicanas.

Entre os saldos do brigador de rua que teve seu auge nos anos 80, muito sangue derramado, uma carreira promissora de escritor hooliganista, o assassinato da mãe adotiva cometido por inimigos, diversos ferimentos a favor e contra, além de duas prisões - a última delas, por assassinato.

O sucesso do filme, lançado em 2008, surge no ano seguinte. Mesmo tratando-se de uma produção independente, esteve entre os mais assistidos da terra da rainha.

Nada a se estranhar, já que ninguém melhor que Cass, presente nos bastidores do roteiro de GSH, para dar a verdadeira fidelidade ao filme que conta sua trajetória de vida, sempre entrelaçada com ICF, Hools e WHU. Resumindo: todos aqueles que se basearam em Green Street Hooligans (2005) para saber um pouco do que é hooliganismo inglês e firmas casuals, já podem substituir tais referências.

Bibliografia indicada de Cass Pennant:
Congratulations You Have Just Met the ICF
Terrace Legends – escrito em conjunto com Martin King
Top Boys: True Stories of Football's Hardest Men
Cass
Want Some Aggro
Rolling With The 6.57 Crew
Good Afternoon Gentlemen, The Name's Bill Gardner
30 Years of Hurt! For Queen and Country

Confira o trailer:

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Mar 19

Futebol, vídeo e música

por Felipe Lessa00h54

Da cumbia tão praticada por nossos hermanos sulamericanos, ao Rock difundido pelo ocidente ao mundo, o futebol foi inspiração para diversos temas de bandas. Desde aquelas que o mundo todo conhece, até aquelas que não ultrapassam os limites de suas comunidades. Em algumas ocasiões os próprios seguidores trataram de organizar seus vídeos, adaptando canções aos seus cânticos. Em outros casos, foram os fãs usaram o futebol para dar nome aos seus grupos, como no caso de (W)Vagner Love. Sem falar, claro, no time que usou o nome da banda. Isso é futebol, uma paixão de todos. Já que uma das intenções do De Primeira é deixar você feliz, escolhi alguns vídeos legais para que você, leitor, possa se entreter. Divirta-se.
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1 - Yerba Brava - Cumbia de Los Trapos...para los hermanos
A cumbia é um estilo musical das raízes “villeras” da América do Sul. Bandas, ou torcidas, argentinas, chilenas, uruguaias e do Paraguai se inspiram neste tipo de música para criar suas canções cantadas nas arquibancadas. E muitos grupos também falam sobre futebol. Segue abaixo Yerba Brava, com a música Cumbia de Los Trapos. Um clássico hecho em Argentina, o país do futebol!

2 - St. Pauly e ACDC....toquem os sinos
Entrada do St. Pauly em campo. O clube alemão ficou famoso pelos quatro cantos do mundo por três fatores: o estereótipo dos simpatizantes carregarem tendências antifascistas, o presidente é atuante gay, e o que nos leva a acrescentá-los aqui: a entrada do time em campo, com as batidas dos sinos de Hells Bels, clássico do ACDC.

3 - Skank - Uma partida de futebol...Uai, sô!
No Brasil, é inevitável lembrar da canção do Skank, Uma Partida de Futebol. O grupo mineiro convocou torcedores do Atlético Mineiro e Cruzeiro para o vídeo clip, contracenou no Mineirão e foi um sucesso nacional.

4 - Legião Urbana e a Geração Coca-Cola F.C.
O Legião Futebol Clube dispensa comentários. Nasceu em Brasília, expoente de homenagem ao grupo liderado por Renato Russo: Legião Urbana. Além de surgir do rock, os caras sabem como agradar o torcedor. A cerveja é por conta da casa.

5 - Sham 69 - Hurry up England...música para beber e torcer
O Sham 69 é um grupo punk inglês que soa como futebol. Sem frescuras e com acordes fáceis, tocam hinos que parecem ter surgido direto das arquibancadas, ou de um grupo de torcedores bêbados, chapando em um lugar qualquer. Infelizmente, para nós brasileiros, foi isso que os impediu de vir para cá. A música “Hurry up Harry”, virou “Hurry up England” e fez a festa dos ingleses nos telões espalhados por diversas cidades britânicas. E o som do grupo liderado por Jimmy Pursey virou febre, foi veiculado nas tv´s, rádios e walk mans da garotada. Realmente, o hino cheira álcool e futebol.

6 - O Ska do Millwall
Já que falamos em ingleses, finalizamos com o hino do Millwall. Afinal de contas, escutar o hino do seu time sempre é legal. Imagine se ele for tocado ao ritmo jamaicano do Ska...

EXTRA - Para alegrar as meninas
Segue aí um vídeoclipe do Kid Abelha com a presença do ex-tricolor paulista Raí. O outro é do Ricky Martin, para uma das Copas do Mundo. Rááááá!!!!

Gostou, mas sentiu falta de algum vídeo. Mande sua sugestão e nós publicamos. Comente também os clipes. Escolha o seu favorito.

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FutebolMúsicaTelevisão

Mar 04

O óbvio

por Jones Rossi11h36

Tostão, em sua ótima coluna de hoje na Folha de SP:

"Milagres
Em toda rodada, um atacante entra sozinho dentro da área, pode escolher um canto para fazer o gol e solta um petardo no corpo do goleiro. A bola bate e volta. O goleiro fica assustado. Aí, o narrador e/ou comentarista falam que o goleiro fez uma defesa espetacular, um milagre. Mesmo se quisesse, ele não conseguiria sair da bola."

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Dez 19

Alemães hum... é... bem

por Alessandro Manoel00h08

Futebol alemão como você nunca viu (ou quis ver):

Pelo menos alguma coisa você, que só fala português, vai entender.

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Dez 12

Inimigos íntimos unidos...por quanto tempo?

por Felipe Lessa02h14

Integrantes das principais torcidas organizadas de São Paulo prometem misturar suas cores e estandartes para realizar uma manifestação no dia 20 de dezembro. O protesto será realizado na Avenida Paulista e a TV Gazeta, como toda mídia, é o alvo devido aos comentários do apresentador Flávio Prado sobre o incidente envolvendo a polícia do Distrito Federal e um integrante da torcida Dragões da Real, do São Paulo Futebol Clube.

No decorrer de uma briga, que supostamente ocorria contra integrantes da Força Jovem do Goiás, um policial engatilha sua pistola e na seqüência ataca um dos envolvidos no tumulto com uma coronhada. Porém, no momento em que o golpe foi aplicado, o imprevisto toma grandes proporções. A arma disparou. O sangue jorrou, o policial se desesperou e o comentarista de televisão fez severas críticas aos integrantes da organizada, como também fez ataques ao jovem que faleceu na manhã de quinta-feira.

Não se sabe se o ato do dia 20 é oficial. Não se sabe ao menos se os componentes de torcidas rivais irão comparecer, tendo em vista que muitos dos que programam o protesto estão em clima de tensão. Existe a possibilidade de um novo combate, o que tornaria a avenida em um front de batalha envolvendo facções de quatro clubes.

No site da Dragões, existem notas pedindo justiça e punição para o policial, como também para o jornalista que, segundo a organizada tricolor, teria agredido verbalmente o finado em seu programa. O termo marginal teria sido utilizado.

Um protesto contra o policial já ocorreu, ainda em Brasília. Integrantes de organizadas do São Paulo, Flamengo, Palmeiras e Corinthians abraçaram uma causa única para pedir punições. No entanto, volto a repetir. Em São Paulo, a situação pode ser outra. Existe a informação de que realmente existem pessoas que reprovam a união de forças com rivais para tal iniciativa.

E é onde mora o perigo. Na própria reunião entre Mancha e Gaviões, realizada na sede da facção palmeirense, o respeito apenas foi mantido pela presença de “forças maiores” na organização do encontro, como indicou um manchista descontente em ser obrigado a receber o inimigo íntimo em seus domínios territoriais.

Espera-se apenas que o sinistro tenha ocorrido para selar a paz entre as organizadas. Caso olhares entortados sejam disparados durante o ato, as conseqüências podem ser devastadoras. Tanto para organizadas, como também para os paulistanos que estiverem na Avenida Paulista.

Infelizmente a questão policial é diferenciada. Casos de abuso de autoridade são constantes e não ocorrem apenas contra organizadas. Voltando ao ato, se a paz for mantida na manifestação, que não se precise de intervenções maiores para a propagação da paz entre estes torcedores no cotidiano de suas vidas. Que os policiais também pensem assim. Ou então, apenas resta aguardar o próximo “acidente de percurso” praticado por torcedores ou policias. E a TV continuará atacando.

Saiba mais:

Site da Dragões da Real - clique aqui

Morre torcedor são-paulino - clique aqui

Policial ataca, depois fica em choque - clique aqui

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FutebolTelevisão

Dez 07

Kukín e Eu

por Equipe De Primeira02h17

por Leonardo Bonassoli

2000 era o ano. Tardes vazias se espalhavam, talvez pela primeira vez e última vez muitos anos. "Oficina vazia, cabeça do diabo", diria alguém errando o ditado como a Magda do Sai de Baixo, que estava em voga na época, exceto se estiver sendo traído pela minha memória-fantasia.

A outra ponta do contexto do início da história: estrangeiros. Vivemos atualmente com uma boa presença de estrangeiros no futebol brasileiro. Antes, tivemos alguns picos. No Atlético Paranaense, houve uma série de estrangeiros que começou com o uruguaio Matosas no início de 1996. Naquela época, só dois estrangeiros por equipe podiam ser relacionados. Depois do sucesso de Nowak e Piekarski, o Atlético Paranaense resolveu trazer dois jogadores de uma mesma nacionalidade para o clube: os peruanos Abel Augusto Lobatón Espejo e Carlos Antonio Flores Murillo.

Lobatón foi o que mais deu certo. Não que o centroavante fosse um primor técnico (longe disso). O que aconteceu foi o fato de ter feito um gol em Atletiba na primeira de suas duas curtas passagens pelo time da Baixada.

Já Flores, que carregava a alcunha de "Kukín", pouco jogou pelo Furacão. Aí que o primeiro e o segundo parágrafos se encontram: eu vi ele jogar no dia 27 de outubro de 2000, na Arena da Baixada, num amistoso entre um mistão do Atlético e equipe do Juventus de São Paulo. A Copa João Havelange, em disputa na época, tinha número ímpar de times, o que fazia com que os times tivessem folgas na tabela. Este amistoso foi em uma das folgas.

Foi uma partida fraca tecnicamente (um time reserva contra um que estava a milhas da elite). Bentinho, com a 9 do CAP, perdeu gols a rodo. Tanta gente jogou que depois do número 18 começaram a repetir os números das camisas. E com a 8 entra o herói de nossa história. Ele joga alguns minutos, com bons passes e antecipações no meio. Jogador mais clássico e que jogava de primeira passes açucarados e antevia movimentos. Nada para impedir um empate em 2 gols contra o Juventus, que não deperdiçou suas chances.

Pouco tempo disso, ele retornou para o Sport Boys, clube de origem, sendo que a alegação foi de "problemas pessoais". Passei a acompanhar alguns passos deste jogador, entre os mais obscuros da história recente do clube (Roland Tüske está no mesmo nível). Clube atrás de clube. Resgatei uma frase dele: "é so a gente beber duas garrafas que já dizem que estamos nos embebedando", para entender um pouco do perfil polêmico do atleta.

No Unión Huaral, após sair do clube, disparou: "esses dirigentes não entendem de futebol. Com exceção de 2 ou 3, eles só entendem de frango". Foi nessa passagem pelo Huaral que aconteceu a lendária foto da comunidade Futebol Alternativo do orkut. E seguia o polêmico Kukín de clube em clube.

No Villa del Mar, da Segundona, Flores foi acusado de entrar em luta corporal no vestiário com o treinador, sob a alegação de não ter gostado de ser substituído. Entre sumidas e aparecidas seguiu nosso "herói".

Há alguns anos, surgiu a notícia de que Carlos Flores esteve internado numa clínica para se curar de dependência química. Era realmente mais um bom jogador que poderia ter ido mais longe se não fossem os vícios e confusões. A lista não é pequena e cada um conhece dezena de casos.

Mas incrivelmente ele "fugia" de competições internacionais, pois neste troca-troca de times ele sempre parava em clube que não disputava nem Libertadores, nem Sulamericana. Tudo até este ano, quando o Sport Ancash disputou a Sulamericana com Flores envergando a camisa 10. Foi meu reencontro com o futebol dele (desta vez pela TV). Era o dia 24 de setembro, e numa partida sonolenta, Ancash e Palmeiras ficaram no zero a zero na cidade de Lima. Todas as bolas paradas eram de Flores e muitas levaram perigo ao gol do goleiro Marcos. O peruano sentiu um pouco os 34 anos de idade, mas mesmo com a mobilidade reduzida mostrou lances de habilidade como um cruzamento de beach soccer.

Ele viria para o Brasil depois de oito anos. Mas alegaram que ele não teria tomado uma vacina, sendo barrado. Outros diziam que na verdade era um problema com a FIFA, pois Flores tinha ultrapassado o limite de times que poderia defender no período de um ano. Ele não pôde jogar uma partida oficial aqui no Brasil.

O jogo que vi dele teve um público pequeno. Alguns brasileiros viram pela TV o jogo recente dele. Tem uma anedota de música que Indie é aquele que tem uma banda que só ele conhece. Eu tenho um jogador que eu fui um dos poucos a ver em atuação num estádio do Brasil. Seria eu um indie do futebol?

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Nov 02

Primeiro os pretos, depois os pobres, agora os gays

por Felipe Lessa19h50

João Emanuel Carneiro está entrando para a história do futebol brasileiro de forma inusitada. Apesar de uma carreira repleta de títulos, Emanuel ainda não havia marcado gols e também não escreveu especificamente sobre o esporte. No entanto, com a cena apresentada 30 de outubro em A Favorita, Rede Globo, o nobre autor foi protagonista de mais um duro golpe para a quebra de paradigmas no futebol brasileiro.

Aproveitando da credibilidade e alcance de uma novela da Globo, o autor de renomados filmes como Central do Brasil (1998) e Castelo ra-tim-bum (1999), mais novelas como Cobras & Lagartos (2006) e Da cor do pecado (2004), apresentou uma cena que chocou e irritou muitos torcedores.

Apresentou Armandinho (Iran Malfitano), um personagem homossexual, saltitante e revoltado com o presente que Halley (Cauã Reymond) comprou para o seu futuro filho: uma camisa do Corinthians. Acontece que personagem gay que recentemente oficializou um casamento de fachada com a corinthiana Maria do Céu (Débora Seco) e oficiosamente seria o pai da criança ficou desgostoso com a idéia de manipularem a opção clubística da criança, afinal ele é são-paulino.

Pela cena, o autor foi de certa forma massacrado. Muitos torcedores do tricolor paulistano estão indignados. Os adeptos de outras equipes caíram em gargalhadas. Alguns jornalistas chamaram injustamente João Emanuel de preconceituoso por reforçar o estereotipo gay do torcedor do São Paulo. No entanto, a opção do autor foi a mais correta possível. De forma alguma pareceu preconceituosa.

Emanuel aproveitou e poderá aproveitar ainda mais o estereótipo do “bambi” tricolor para conscientizar parte da população brasileira que ainda não aceita o cidadão gay tanto no futebol como na sociedade. É o princípio da mudança no tricolor, já que os torcedores organizados do mesmo São Paulo Futebol Clube se sentem envergonhados com a condição de ter entre seus 11 combatentes um suposto homossexual, Richarlyson.

Apesar das dificuldades o personagem gay, tanto em novelas como na vida real, está conseguindo quebrar os estereótipos e preconceitos. Muitos homossexuais não brincam de bonecas, passam batom ou usam roupas femininas. Apesar de um maior apego ao fino trato, boa culinária, viagens exóticas, logicamente existem aqueles que gostam de futebol, do esporte, e não das pernas masculinas.

Nem mesmo as torcidas organizadas brasileiras fogem da regra. Em passado não muito distante, entre os anos 70 e 80, torcidas de times tradicionais se formaram pelo público gay. Apesar de ser contra a segmentação da sociedade, criar uma organizada segmentada foi uma necessidade para Flagay (Flamengo), Gayrani (Guarani) e Coligay (Grêmio). Dentro de uma facção “comum” estes torcedores teriam que se esconder. Nas suas novas “firmas” não.

Talvez pelo reflexo de ontem, dos tempos da segmentação, hoje já existe uma pequena aceitação aos gays em torcidas organizadas. A maioria das torcidas recriminam, mas a Esquadrão Vilanovense, do Vila Nova de Goiás, é um exemplo diferenciado. Seu presidente Mario Abrão Júnior é homossexual e está conseguindo impor o espaço da luta contra o preconceito dentro da entidade ao qual ele representa.

Estes com certeza têm uma visão diferenciada daquela que afirma que o autor da novela é preconceituoso quando apresenta um personagem homossexual e são-paulino. Afinal, o pessoal do Vila convive com presidente e alguns componentes gays em arquibancadas, viagens, cervejadas e bate papos sobre futebol.

Trata-se de gente que não é são-paulina, gosta de futebol e já se acostumou com a diversidade na sua vida social. E com a novela e esse o papel do autor. É trazer o debate, o conflito, a busca da aceitação...a quebra das mesmas barreiras que já tentaram barrar pobres e negros do futebol brasileiro.

A quebra das barreiras sempre foi conquistada por aqui pois o futebol brasileiro é peculiar, é único. Fugimos da regra. Nosso histórico não é de branquelos, engomados e machões atrás de uma pelota. Por aqui, demos exemplo fora de campo. Dentro dele também. Temos Kaká, o menino branco bom de bola do Morumbi. Tivemos Arthur Friendenreich, o filho de um israelita alemão com a mulata brasileira que marcou 1329 gols, entre eles o que deu o título do sul-americano de 1919 ao Brasil. Tivemos Pelé, o negro da técnica e física impecável, o rei dos reis do futebol. Temos referências das classes ricas. Das classes pobres. E por fim, quem sabe um dia não surge um asiático, indígena, um boliviano....um homossexual de renome em nosso futebol.

O Brasil está na linha de frente de todas as diferenças sociais. No entanto, mesmo com todas as diferenças brasileiras, é um país que sempre ajusta tudo ao seu jeito brasileiro. Ajusta tudo para que as coisas sejam mais dignas e iguais para todos. E os perturbados que se acomodem. Se o recado enviado no dia 30 de outubro for mantido, mais uma barreira será derrubada no Brasil....Por aqui o esporte além de perder a característica burguesa, ganhou cor e novos adeptos. João Emanuel Carneiro tem sua parcela de responsabilidade no processo. Cabe agora ao Estado punir os infratores.

Lembre-se:
Torcedores e jogadores homossexuais existem ou podem existir em todos os times. Além do São Paulo, Flamengo, Grêmio e Guarani, o próximo clube a ser notícia na ala gay pode ser o seu. Pode ser o Corinthians, o Palmeiras, o Vasco, o Fluminense, o Atlético Mineiro. Qualquer um pode ser o time dos gays.

Saiba Mais:

Coligay - Organizada do Grêmio

PM identifica movimento neonazista em torcida do Grêmio - Clique aqui

Flamengo tem a maior torcida gay do Brasil - Clique aqui

Torcedores do Flamengo são acusados de homofobia e racismo - Clique aqui

Torcedores do Coritiba na Parada Gay - clique aqui

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Set 23

Alemanha x Grécia é um clássico?

por Alessandro Manoel01h35

Eric Idle, Graham Chapman, John Cleese, Michael Palin, Terry Gilliam e Terry Jones. Deve haver na blogsfera leitores que pensarão que como estão lendo um blog de futebol, lá vai um post sobre o campeonato inglês a respeito de um time qualquer de tempos imemoriais. Mas prefiro pensar que todo mundo vai matar na cara que o que vem é algo a respeito do que de melhor saiu da Inglaterra desde Charles Chaplin no que diz respeito a humor. Humor de primeira. Humor De Primeira. Estes são os integrantes do Monty Python, um grupo que começou a revolucionar o humor inglês em 5 de outubro de 1969 a partir de um programa da BBC chamado “Monty Python’s Flying Circus”.

Não houve nada parecido antes e é digno de calculadora financeira o número de cópias que houve depois que estes seis ingleses passaram a se apresentar. Após duas temporadas de quadros primorosos, que deixaram os ingleses embasbacados com tanta genialidade, resolveram lançar um longa-metragem para o cinema em 1971 (And Now For Something Completely Different - E Agora Para Algo Completamente Diferente no Brasil) basicamente com quadros refilmados.

Tosco, porém espetacular, hoje é um cult movie. O programa teve apenas mais duas temporadas e em 1975 passou a ser transmitido nos Estados Unidos. Neste mesmo ano, financiado parcialmente com dinheiro de bandas de rock como Led Zeppelin e Pink Floyd, saiu o segundo filme: Monty Python and the Holy Grail (Em Busca do Cálice Sagrado, no Brasil)

Há dezenas de coisas espetaculares neste filme e prefiro insistir para que corram assistir. E digo isso tanto se você ainda não viu quanto se já viu algumas vezes. Este é um filme inteiro, com material exclusivo. Foi um sucesso e pagou com sobras as 150 mil libras que custou.

No ano seguinte, um documentário com apresentações esquentou o sexteto para o que viria três anos depois: Monty Python's Life of Brian (A Vida de Brian, no Brasil). Imagine um rapazinho chamado Brian que nasceu perto de Jesus Cristo e que passa a vida toda sendo confundido com o rapaz da dona Maria. O comentário para este é o mesmo do filme anterior. Levante esta bunð@ daí e vá ver! Vale a pena.

Enquanto filmavam Monty Python's The Meaning of Life (O Sentido da Vida, no Brasil), que seria lançado em 1983, gravaram uma apresentação para uma platéia cheia de sortudos no Hollywood Bowl, em Los Angeles, com os quadros mais famosos no programa da BBC. Este material foi lançado como filme juntamente com algumas imagens de um especial (Monty Python's Fliegender Zirkus) de dois episódios em 1972 produzidos pela ARD TV (Ó só o nome inteiro desta sigla desgraça: Arbeitsgemeinschaft der öffentlich-rechtlichen Rundfunkanstalten der Bundesrepublik Deutschland), da Alemanha Ocidental.

E é de um trecho deste especial da TV alemã que uso como desculpa pra isso tudo ser publicado no De Primeira:

Respondendo à pergunta do título. Alemanha x Grécia pode não ser um clássico, mas este jogo entre alemães e gregos é, sim, um clássico.

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