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De Primeira: Futebol, Futebol e Futebol

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Nov 19

TRICOLOR CELESTE: é hoje!

por Equipe De Primeira16h21

É o hoje o lançamento do livro TRICOLOR CELESTE, de autoria do grande repórter Luís Augusto Símon, colaborador deste blog. Quem estiver em São Paulo, por favor, compareça às 19 horas, na rua Mourato Coelho, 1194, Pinheiros, Bar Boleiros.

Se Menon escreve bem sobre o Corinthians, tema de seu último livro, imagine sobre os grandes jogadores do Uruguai (país que adora) que passaram pelo São Paulo (time pelo qual torce com fervor).

Nas palavras do próprio Menon, "o livro fala de Pablo Forlán, Pedro Rocha, Dario Pereyra e Diego Lugano, uruguaios que viraram ídolos do São Paulo."

Tem mais. "Fala também sobre eles no futebol uruguaio. Quem ler vai saber

1) quem ensinou Lugano a arregalar os olhos daquele jeito. A mesma pessoa que jura cabecear a bola com tanta força que ia de sua área até a área do adversário.

2) por que Dario Pereyra só come gema do ovo. E como Estevam Soares, graças a Dario, conheceu Julio Iglesias

3) O que o presidente Henri Aidar pediu a Pablo Forlán minutos antes do início da partida que garantiria o título paulsta de 1970, após 17 anos de jejum

4) Quem é Hobberg, o primeiro Verdugo, ídolo de Pedro Rocha.

Tem muito mais. Foi um livro que me deu muito prazer fazer. Fui até Montevidéu falar com a família de Dario e de Lugano e pesquisei na bibliotea municipal."

As apresentações são de Luis Augusto Monaco, Mauro Beting e Milton Neves.

O preço ainda não está definido, mas o autógrafo do Velho Homem de Imprensa é grátis.

Espero vocês todos por lá."

Não vai poder ir? Compre o livro aqui.

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Mar 31

Cass: a história do grande hooligan negro

por Felipe Lessa00h05

Negro, órfão de família jamaicana e adotado por um casal branco da zona leste de Londres, Cass Pennant viveu uma história contextualizada pela discriminação racial iniciada nos primórdios de sua infância. Sensações que sentiu na pele desde o ambiente escolar até o dia em que foi levado pela primeira vez por seu pai adotivo ao pub de torcedores do West Ham.

Em contrapartida, o jovem cresceu. E uma das formas de reconhecimento e aceitação deste filho de imigrantes na sociedade foram os socos e botinadas, em nome do amor pela bandeira azul-grená dos Hammers.

O filme, baseado na biografia do protagonista, aponta cenas clássicas desta que é considerada a grande subcultura marginal relacionada ao futebol. Trata-se de um passeio pela história da Inter City Firm, famoso grupo de adeptos do West Ham United, na pessoa de um de seus principais integrantes: Cass.

Seu apelido foi herdado da admiração por outro negro. Muhammad Ali-Haj, nascido Cassius Marcellus Clay Jr, de onde surgia o apelido Cass. Era uma forma de reconhecimento do garoto que odiava ser chamado pelo nome, Carol, devido ao bullying na escola.

Cerca de 2 metros de altura, braços pesados e a valentia de um guerreiro das ruas foram as marcas de Cass, um homem que ganhou e também perdeu com a complexa vida de um hooligan com origens jamaicanas.

Entre os saldos do brigador de rua que teve seu auge nos anos 80, muito sangue derramado, uma carreira promissora de escritor hooliganista, o assassinato da mãe adotiva cometido por inimigos, diversos ferimentos a favor e contra, além de duas prisões - a última delas, por assassinato.

O sucesso do filme, lançado em 2008, surge no ano seguinte. Mesmo tratando-se de uma produção independente, esteve entre os mais assistidos da terra da rainha.

Nada a se estranhar, já que ninguém melhor que Cass, presente nos bastidores do roteiro de GSH, para dar a verdadeira fidelidade ao filme que conta sua trajetória de vida, sempre entrelaçada com ICF, Hools e WHU. Resumindo: todos aqueles que se basearam em Green Street Hooligans (2005) para saber um pouco do que é hooliganismo inglês e firmas casuals, já podem substituir tais referências.

Bibliografia indicada de Cass Pennant:
Congratulations You Have Just Met the ICF
Terrace Legends – escrito em conjunto com Martin King
Top Boys: True Stories of Football's Hardest Men
Cass
Want Some Aggro
Rolling With The 6.57 Crew
Good Afternoon Gentlemen, The Name's Bill Gardner
30 Years of Hurt! For Queen and Country

Confira o trailer:

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Dez 16

Os heróis famosos e anônimos da saga corintiana na Série B

por Equipe De Primeira18h02

Campanha impecável levou o Corinthians de volta à Série A

Por Mauricio Stycer, colunista do IG

Entre os vários "livros de oportunidade" escritos na esteira da volta do Corinthians à Série A do Brasileiro, "A saga corintiana", de Luis Augusto Simon (Publisher, 136 págs, R$ 27), a ser lançado nesta quarta-feira, no Bar Boleiros, em São Paulo, chama a atenção por focar não apenas os conhecidos heróis, mas uma série de personagens secundários ou anônimos da epopéia.

Menon, como é conhecido, é desses jornalistas esportivos capazes de encontrar histórias interessantes para contar não apenas entre os vencedores, mas também em personagens menos óbvios ao redor do universo que cerca a competição. Em duas oportunidades que editei matérias suas, no "Lance!" e na "CartaCapital", tive o prazer de ler reportagens diferentes, pouco óbvias, sobre figuras esquecidas, derrotadas ou à margem do glamour que cerca o esporte no mundo de hoje.

O seu relato, jogo a jogo, da passagem do Corinthians pela Série B, em 2008, não poderia ser diferente. A primeira figura a aparecer no livro é Monga, "um enorme gavião de aproximadamente 1,90 m e 180 quilos", que colocou o dedo na cara do presidente corintiano, Andrés Sanches, no dia seguinte à queda para a segunda divisão, e disse: "Não adianta ficar culpando a antiga diretoria porque você fazia parte dela também."

Sanches, conta Menon, só não atendeu um pedido dos torcedores (que queriam a cabeça de Antonio Carlos, nomeado diretor de futebol), mas dispensou todos os jogadores que a Fiel exigiu ver longe do Corinthians após o fracasso em 2007 (Gustavo Nery, Vampeta, Iran, Betão, Zelão e Fábio Brás, entre outros).

A contratação de Mano Menezes – dois dias depois de o técnico ter dirigido o Grêmio no empate em 1 a 1 que selou a queda do Corinthians – é o primeiro passo acertado rumo à volta, que ocorreria um ano depois. Mano trouxe Herrera, personagem que Menon trata com carinho, apesar da eficiência duvidosa e da fama, na Argentina, de "quase gol" – o personagem que sempre aparece nas fotos abraçando o companheiro, mas raramente é o autor do gol.

Enquanto o goleiro Felipe ("muito bom de marketing") e o atacante Lulinha ("estava onde não devia estar" em 2007) são personagens que alternaram altos e baixos ao longo deste ano, a trajetória do atacante Dentinho é a que mais se aproxima do conto de fadas que o futebol dos dias de hoje promete.

Bruno Bonfim, nascido em 1989, virou Dentinho aos 12 anos, quando começou a se destacar no futebol. Contrário a apelidos, Paulo Cesar Carpegiani, um dos técnicos do Corinthians em 2007, pediu que ele voltasse a usar o nome de batismo. No início de 2008, porém, o craque resolveu voltar a ser chamado pelo apelido. Nas palavras de Menon, foi a melhor contratação do Corinthians em 2008. "Chegou Dentinho e saiu Bruno Bonfim".

"Botei na cabeça que 2008 vai ser um grande ano para mim e estou me preparando para isso. Em casa, pego um pente e faço de conta que é um microfone para aprender a dar entrevistas. A minha namorada me ajuda", disse o atacante. Ao final do ano, Dentinho contabilizava 24 gols marcados – 14 pela Copa do Brasil. Seus pais, cujos nomes (Adonis e Eunice) estão tatuados em seus braços, eram funcionários de um orfanato. Hoje, moram em um apartamento comprado pelo filho

A crônica de cada partida da Série B é temperada por observações laterais, mas muito perspicazes, de Menon, como na vitória do Corinthians por 4 a 1 sobre o Barueri, no primeiro turno:

"A vista de quem está sentado em uma das cabines de imprensa da Arena Barueri é impressionante. Basta abaixar um poucos os olhos para se ver um estádio moderno, projetado para abrigar algum jogo da Copa do Mundo de 2014. Sonho que não vai se realizar, é lógico. Quando os olhos estão mirando as arquibancadas em frente, o que se vê é uma enorme favela, que leva à pergunta inevitável: não haveria nada mais importante a se fazer em Barueri do que um estádio de futebol? Ou outra questão: vale a pena manter um time de futebol com muita verba oficial?"

Outro herói anônimo da saga corintiana é Rafael Santos Silva, o Dog. Tinha 25 anos quando viu o time cair para a segunda divisão e prometeu acompanhar todos os jogos na Série B. Dog assistiu os 20 primeiros. No domingo, um dia após a vitória sobre o CRB por 2 a 1 em Maceió, foi fazer um passeio em uma praia, distante 66 km da capital, caiu no mar, afogou-se e morreu. O presidente do Corinthians, registra Menon, foi ao enterro de Dog. Os pais do jovem, para cumprir a promessa dele, assistiram os demais 18 jogos do time na Série B.

Há outros personagens fascinantes nesta epopéia. Gente como René, goleiro do Barueri e sócio número 20.070 da Gaviões da Fiel. Ou L., 18 anos, interno da Fundação Casa, ex-Febem, que assistiu ao lado do ex-craque Zé Maria a vitória sobre o Ceará por 2 a 0, jogo que garantiu a volta do Corinthians à Série A com seis rodadas de antecedência. Enfim, num ano que tinha tudo para ser uma página a ser esquecida, o Corinthians venceu 45 partidas – foi o time brasileiro que mais venceu – e transformou sua saga num evento memorável, que este livro ajudará a eternizar na memória do torcedor.

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Mai 29

Promoção DP: Escreva sobre o futebol do PR e ganhe o livro de 40 anos do Londrina E.C.

por Felipe Lessa21h46

Se você gosta ou não do futebol paranaense, o De Primeira realiza uma promoção para você. Daremos um exemplar do livro Londrina Esporte Clube – do caçula gigante ao tubarão, de J. Mateus, ao autor do melhor artigo, matéria, entrevista, texto, ou publicação sobre o futebol paranaense feita entre 29 de maio e 9 de junho.

Fale sobre seu clube, seu rival, seu estádio, os campeonatos disputados em terras paranaenses, uma boa história, um ex-jogador de seu time que está aqui, ou que caiu fora, e assim vai. Fale sobre o que quiser, desde que claro, tenha relação direta com o futebol paranaense. Serão analisados e votados pelo grupo Donos da Bola quesitos como relevância, texto, apuração e ineditismo do material.

Gostou? Quer ganhar o livro dos 40 anos do LEC? Mande bem, comece a escrever e envie seu texto para lessafelipe@yahoo.com.br / blogdeprimeira@gmail.com . Se você já é colaborador, publique!

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Mai 14

Joaquim Américo: a conclusão do velho novo caldeirão

por Felipe Lessa22h19

Domingo, 18 de maio, o Atlético Paranaense enfrenta o São Paulo no Estádio Joaquim Américo, a popular Arena da Baixada. Será a estréia do rubro-negro em casa, no Campeonato Brasileiro de 2008. Uma estréia com ritmo de despedida. “O que? Vamos nos despedir?”, perguntam os torcedores mais fanáticos. Pois sim, respondo, trata-se de uma despedida.

Vai ser a última estréia do furacão em campeonatos brasileiros a ser zombada por torcedores do Coritiba, que de olho gordo, chamam a Arena da Baixada carinhosamente de “meio-estádio”. O Atlético ainda não pretende concluir a construção do estádio, com direito ao “andar de cima”, no entanto, com as arquibancadas térreas finalizadas, definitivamente, não é apenas o sarro que vai diminuir. Na verdade, no sentindo inverso, é a torcida atleticana que poderá comparecer em maior número e lotar a capacidade estimada em 30 mil pessoas.

O Atlético planeja inclusive, como anunciado na Gazeta do Povo de domingo, 11 de maio, jogar a partida final do torneio, contra o Flamengo, com a casa completa. E atentem-se torcedores do Coritiba. Não são apenas 30 mil. Sei que já estão fazendo colocações pretensiosas como: “e o que existe de diferente nisso tudo?”, ou, “meu Deus, está fazendo glória por acabarem o meio-estádio?”. Tenham calma, respondo.

E não respondo por contestar. Indico que a conclusão do Joaquim Américo - agora na fase inicial, mas o estádio já não vai mais ser meio - é um marco para a história do futebol paranaense. A história do Joaquim Américo é um guia de tradição, luta e modernidade.

Tradição, por ser “o mais antigo estádio do futebol paranaense em funcionamento”, como lembram Carneiro Neto e Vinicius Coelho no livro Atletiba, a Paixão de Multidões. O campo foi construído em 1914, em um terreno “onde existia a Casa de Pólvora, no bairro da Água Verde” e pertencente à família Hauer, que alugou o terreno ao primeiro dono do Estádio Joaquim Américo: o Internacional, um embrião do Atlético Paranaense de hoje.

Aqui entra a questão de luta, identidade e vontade do Rubro-Negro em ter a baixada como sua casa. O terreno, como conta mais uma vez o livro de Carneiro Neto e Vinicius Coelho, foi comprado anos mais tarde, no final dos anos 20 e inicio dos 30, pelo então presidente do clube, Luis Feliciano Guimarães. Nascia a luta dos atleticanos pela casa própria. Vinda para o clube, depois de um acordo entre o ex-presidente Candido Mader e o governo paranaense.

E os atleticanos já poderiam falar: temos nossa casa, nossa. Uma casa própria que passou por muitas reformas, e que, não teve conclusão, devido ao impasse entre rubro-negro e uma escola que ocupava a parte do estádio onde será construído o restante das arquibancadas. Um impasse resolvido no impulso de uma final de Libertadores da América, que não foi disputada na Baixada contra o mesmo São Paulo da estréia de domingo, por não atender a capacidade mínima exigida pela entidade máxima do futebol da América do Sul, a Conmebol.

E se a final não foi disputada no Joaquim Américo por questões de capacidade de público, nos anos 80, o Atlético passou perto de abandonar a baixada para ter um dos maiores estádios do mundo. Por uma iniciativa de seu ex-presidente que comandava a Federação Paranaense de Futebol, Onaireves Moura, quase trocou seu eterno lar pelo Pinheirão. Em 1987 estava tudo certo para isso, como conta a reportagem “A paixão muda de endereço”, de autoria de Roberto José da Silva e publicada na Placar 888, deste mesmo ano.

“Agora, o Atlético vai liberar sua valorizadíssima área no bairro Água Verde e mudará o departamento de futebol para o Pinheirão sem contar outras vantagens”, relata o material que apresenta o grande plano de Onaireves Moura, visto com um alto grau de raiva pelos rivais:da época: Coritiba, Colorado e Pinheiros.

O grande plano de Severiano previa tornar o Pinheirão em um monstro, que fizesse o rubro-negro engolir a qualquer coisa. O plano era fazer com que o estádio símbolo de seu império tivesse a capacidade para abrigar 127 mil torcedores, em maioria, claro, atleticanos, pois o contrato previa que o Atlético “mandasse todos seus jogos no local”, enquanto fosse filiado à Federação.

Mas, para a alegria de todo atleticano de hoje, sua casa não mudou de endereço e nem virou um clube social para 5 mil sócios. E o Joaquim Américo, que nos anos 30, passava a ser o primeiro estádio de futebol de Curitiba a ter suas arquibancadas de concreto totalmente cobertas, virou a Arena da Baixada idealizada por Mário Celso Petraglia, em 97 e inaugurada em 1999, como um marco na modernização do futebol brasileiro, que contava com estádios antigos e sucateados.

Voltando a 2008, quase 10 anos depois da inauguração da Arena, em partida que o Atlético venceu os paraguaios do Cerro Porteño, o jogo de domingo é um marco, na historia de um Joaquim Américo tantas vezes demolido, reconstruído e adaptado. O jogo contra o Flamengo vai ser parte de uma etapa que está nas fases finais, e deve ter conclusão antes de 2014, quando existe a possibilidade do primeiro estádio moderno do Brasil sediar um jogo de Copa do Mundo.

O mesmo estádio que foi sede da primeira transmissão radiofônica de futebol no Paraná, em 1934, e hoje, 2008, moderniza e polemiza o sistema de contratos para irradiação de uma partida, fazendo algo que ninguém havia feito no Brasil de forma expressiva.

Por essas e outras, a Arena da Baixada, Caldeirão, Joaquim Américo, ou como você prefira chamar, é um marco não apenas na historia do Atlético, mas sim dos paranaenses e brasileiros. Com o estádio do CAP completo, para poder falar algo, qualquer um terá que dar um passo à frente. Foi o que o Rubro-Negro fez.

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Fev 17

Exclusivo: o livro de René Simões sobre o Coritiba

por Equipe De Primeira22h48

por Napoleão de Almeida

René Simões marcou época no Couto Pereira. Mais do que devolver o time à Série A nacional, o técnico resgatou o orgulho coxa-branca. René deixou uma ótima imagem e muitos amigos. Entre eles, esse escriba*, que recebeu de René dois capítulos do livro sobre a campanha do Coritiba na Série B 2007.

Atualmente técnico da Seleção da Jamaica, René tem escrito o livro nos intervalos da preparação do novo time. Ele mandou a todos, em especial os coxas, um enorme abraço e disse que se o livro demorar a sair, é em função do trato que ele quer dar à obra, que ainda não tem nome.

Vou apresentar dois capítulos. No primeiro, René conta os bastidores do acidente com o meia Juninho e o jogo contra a Lusa, em São Paulo, no primeiro turno. Divirta-se.

Próxima batalha: Portuguesa x Coritiba

No retorno aos treinos na quarta feira, dia após o jogo do Avaí, recebi a notícia de que o Juninho, volante, havia batido com o carro e estava hospitalizado. É claro que sempre nessas horas as notícias crescem e todos são rotulados como bêbedos, irresponsáveis, e outras coisas mais. Na reunião que sempre fazíamos com o grupo no vestiário antes do treino, explodi com o grupo, pois achava inaceitável termos esse tipo de problema, dias após ao acidente de um jogador do Atlético, onde teve vitima fatal no carro dele. Falei para eles: no dia seguinte ao acidente do jogador do Atlético tivemos uma conversa sobre o uso de bebidas e direção, cuidados e noites que pudessem comprometer a imagem de vocês e de todo o trabalho e, hoje, tenho essa noticia? Fiquei louco.

Tentei saber a que horas foi o acidente e as circunstâncias. As respostas não estavam todas lá, busquei através de amigos as respostas oficiais e as obtive, todas. Houve um erro de comportamento dele, do Juninho. A primeira providência que ouvi do clube é que o contrato do jogador seria cancelado. Tive uma briga feia, pois só eu sabia dos fatos reais, todos estavam com hipóteses; até mesmo os que estavam com as hipóteses corretas, eram só hipóteses. Não aceitei e foi uma discussão feia. Ninguém sabia exatamente o que estava acontecendo com o jogador e sua família. Queria resolver primeiro o problema do ser humano, depois resolveria o do profissional e seu erro ou acerto, seja lá o que fosse.

Acabei o treino e no caminho para minha casa resolvi visitar o Juninho, soube que ele estava no Hospital Evangélico. Pedi ao nosso ajudante de ordem, o preparador físico Denis, sempre prestativo em tudo, que me acompanhasse até o hospital. Ao chegar lá, a primeira surpresa era a fila de espera para poder entrar no hospital. O guarda, gentilmente nos chamou no canto e nos deu a senha para entrar, esperamos nossa vez e entramos. Levei um choque, não deveria, mas levei com as condições da enfermaria. Mesmo as condições sendo, numa análise mais apurada, bem melhores do que as dos hospitais públicos do Rio, me assustou o quadro. O problema é que vivemos num pais em que a saúde ainda não é prioridade, assim como a educação. Tenho certeza de que com o desenvolvimento do Procon e nossa capacidade de cobrar pelo que pagamos e temos direito, esta situação vai mudar.

Minha primeira pergunta ao Juninho era por que ele estava na enfermaria se todos no Coritiba tem plano de saúde da Amil?! Ele falou que o Dr.Valmir tinha estado lá pela manha e disse-lhe que providenciaria a troca para o quarto. Disse-lhe que ficasse tranqüilo, pois eu não sairia de lá antes que ele fosse removido para um quarto particular. Desci, fui à administração do hospital e me informaram que nada podia ser feito naquela hora da noite, vinte horas.

Deus é sempre bom comigo. Tenho uma amigo, Dr Paulo, para mim Bigode; jogamos pelada aos sábados e ele é da diretoria da Amil. Liguei para ele e no mesmo instante ele ligou para o Dr.Motid Domit, falava comigo e com o Dr.Domit ao mesmo tempo. Imediatamente o Dr.Domit me ligou, expliquei a situação para ele. Por obra divina, apesar da hora, ele ainda estava no escritório da Amil. Não havia nenhum pedido de transferência para o Juninho, ele me informou. Meu amigo, o que faremos então, perguntei?! Ele, imediatamente ligou para o hospital e fez tudo pelo telefone, em menos de meia hora estávamos, eu, Denis, Hugo (do time e muito amigo do Juninho) e a esposa do Juninho dentro de uma suíte.

A transformação do Hugo no dia seguinte foi enorme, era outro jogador no treino e passou a ser titular. Mantivemos o Juninho no elenco, claro que depois de tratá-lo e de ensaboá-lo com uma boa admoestação sobre o que tinha feito. Não recebeu o salário no mês seguinte, passou um grande aperto. Só viu a cor do dinheiro quarenta dias depois, tudo lhe foi pago, mas o aperto serviu-lhe como uma punição. Ele era muito querido pelo grupo e isso fortaleceu o nosso espírito de família. Primeiro o ser humano, depois o profissional.

A Portuguesa, na minha opinião, tem a torcida mais aborrecida do futebol brasileiro. Eles nunca estão satisfeitos com nada. Por ser um clube de colônia, as brigas são inúmeras. Falo isso, mas jamais deixarei de retribuir o carinho, a coragem e a competência do presidente da lusa por muitos anos, Dr. Oswaldo Teixeira Duarte (OTD). Foi um homem que deu impulso à minha carreira me tirando do modesto e querido Mesquita da Baixada Fluminense, e me colocando no vice-campeão paulista de 1985. Foi uma honra trabalhar com ele e num clube tão tradicional e tão querido por todos. Aprendi muito com a experiência e rabugice dele, serei eternamnte grato in memorian. Ao chegar em São Paulo fiquei mais preocupado do que já sou ao ouvir os comentários de um de meus olheiros em São Paulo, ex-jogador e com ótimo olho para ver jogadores e times.

Ele me disse: Vi o jogo da Portuguesa e depois do Marilia, seu time não tem chance contra eles, são melhores e mais organizados dentro de campo. Isto era mais de meia noite, véspera do jogo com a Lusa. Passei uma noite ruim, super preocupado, será que eu estava vendo errado? Escutei tudo o que ele me dizia e só perguntava, pedia explicações, ouvia muito e falava pouco. Falou dos nossos laterais, já sabíamos, falou da nossa criação, de nossa saída de bola e do baixo poder do ataque em finalizar, e na falta de posse de bola lá na frente para defesa respirar. Já sabíamos e eram essas posições que pedíamos ao clube e procurávamos. Um lateral, um meia de criação e um meia defensivo com boa saída de bola, e um centroavante de oficio, com poder de parede (finalizar, fazer tabelas e segurar a bola no ataque). Depois desse jogo onde confirmaríamos quase tudo o que ele disse e já sabíamos, a luz amarela acendeu.

Preleção

- Cuidado com as constantes faltas deles, param sempre o terceiro passe consecutivo, não permitem evolução e contra ataques. Bater o mais rápido possível a falta, quem vem de trás pega a bola e cobra a falta, os da frente se preparam para recebê-la e surpreender a defesa. O Diogo, centroavante, tem que ser marcado individualmente no lado que cair para jogar. Atenção nas descidas dos laterais, fechar a porta sempre com um homem do meio ajudando o lateral correspondente do nosso time.

- Marcação dois, ou seja, os dois centroaavantes marcam da intermediária para trás e se projetam nos passes errados do adversário.

- Fechar a diagonal da defesa para o ataque, evitando que os defensores liguem os atacantes da lusa rapidamente. Eles jogam com uma ligação de trás para frente muito rápida, passam pouco pelo meio campo.

- Dobrar a marcação nas laterais, eles atacam muito por aqui. Saí com o Anderson Lima na lateral para fechar melhor as laterais do campo.

Está na hora de acabarmos com essa história de time de pijama, temos condições de jogar em qualquer lugar e sairmos vencedores. Chegou o dia, SHOW TIME.

Campeonato Brasileiro da Série B - 17ª rodada

Portuguesa de Desportos 3 x 1 Coritiba
Data: 07/08/2007, terça-feira
Horário: 20h30
Local: Estádio do Canindé, em São Paulo (SP)
Renda: R$ 34.525,00
Público: 2.949 pagantes

Portuguesa:
Tiago; Bruno, Marco Aurélio e Halisson; Wilton Goiano, Dias, Raí (Alexandre), Preto (Miltinho) e Leonardo; Clayton (Joãozinho) e Diogo.
Treinador: Vagner Benazzi

Coritiba
Vanderlei; Anderson Lima, Henrique, Leandro e Douglas Silva; Careca (Jeci), Rodrigo Mancha, Pedro Ken e Caíco (Dinei); Keirrison e Anderson Gomes (Hugo)
Treinador: René Simões

Gols: Diogo (POR), aos 9 do 1º tempo; Diogo (POR), aos 21 do 2º tempo; Marco Aurélio (POR) aos 34, do 2º tempo; Hugo (CFC), aos 38 do 2º tempo;

Cartões amarelos: Rodrigo Mancha, Careca (CFC), Halisson, Dias, Rái, Diogo (POR)

Árbitro: Willian Marcelo de Souza Nery/RJ
Assistente 1: Marco Aurélio dos Santos Pessanha/RJ
Assistente 2: Ronaldo Cristino Kenupp/RJ
4º Árbitro: Guilherme Cereta de Lima/SP
Observador: Dionízio Roberto Domingos/SP

Nada poderia ser pior durante todo o ano do que nossa atuação neste jogo. Não tínhamos Gustavo e Henrique Dias para o jogo. Saí com Keirrison e Anderson Gomes na frente. A bola não parava lá na frente, a defesa não respirava, o meio ficou sem saber o que fazer e foi sufoco o tempo todo, não demorou e eles fizeram um a zero.

Nosso meio não dava três passes, não pela falta que eles normalmente cometem, mas por nossa deficiência técnica neste jogo. Mexi no time e não adiantou, coloquei o Hugo - apesar de segurar mais a bola, o jogo foi uma triste sucessão de erros infantis nos gols deles. O Hugo fez um gol e gostei da atitude dele. Talvez ele estivesse começando a ser um jardim com flores.

Minha preocupação aumentou e meu cargo balançou. Nestas horas existem especialistas em fazer com que você saiba que não está seguro. Que poderá perder seu cargo a qualquer outra derrota. Trabalhei com poucos assim, mas agora eu tinha o meu especialista em fazer isso. Eles tentam com que você fique inseguro e abra a guarda para que eles se projetem e tomem conta de tudo. É uma covardia, pois dirigir qualquer grupo ou time sem colocar a cara para bater nas derrotas é muito fácil e cômodo.

Teríamos quarta, quinta e sexta para digerir, corrigir e fazer algo diferente para enfrentarmos o Marília, segundo colocado, 4 pontos à nossa frente e invicto no seu campo, onde seria o jogo. Foi impossível dormir naquela noite.

Nesta fase da vida, minha preocupação não é mais com o emprego, já não preciso dele para sobreviver financeiramente, mas é o amor pelo futebol, o respeito pela profissão e tem também o lado humano, nunca é bom falhar. Como vencer é questão de decisão, decidi que venceria. Não sabia como, mas tinha que tomar aquela decisão,entregar os pontos jamais. Fiquei longe de quem tem conversa ruim, nesta horas fico muito cego e às vezes bem grosso com esse tipo de pessoas.

Próximo capítulo: Marília x Coritiba

*Agradecimentos especiais à jornalista Ruthe Précoma.

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Dez 27

Fome de bola

por Jones Rossi12h08

Sabe aquela velha história de que existem poucos filmes nacionais que tratem de futebol? Pois bem, não é verdade. A prova é o livro "Fome de bola – cinema e futebol no Brasil" (Imprensa Oficial, 486 pgs, R$ 9), do crítico de cinema do jornal O Estado de S. Paulo e torcedor do Santos ("não perco um jogo na Vila Belmiro") Luiz Zanin Oricchio. "Eu quis exatamente investigar a fundo essa questão. E fiquei agradavelmente surpreso com a extensão e qualidade da nossa produção cinematográfica relacionada com futebol", disse.

Para Zanin, a extensa produção tem aumentado nos últimos anos. "O futebol está recebendo atenção maior dos cineastas, que perceberam a importância simbólica e material que ele tem." Um exemplo citado é o filme "O ano em que meus pais saíram de férias", que, apesar de não ter o futebol como tema central, tem como pano de fundo a Copa de 1970. A história é adaptada de um conto de Luiz Schwarcz, "Minha vida de goleiro".

Em seu livro, Zanin derruba o mito da falta de produção cinematográfica listando uma série de filmes, que surpreendentemente começa em 1907, com a filmagem da entrega das taças aos campeões paulistas de futebol, um documentário em curta-metragem que mostra o São Paulo Athletic Club, campeão daquele ano. Até 1950, os documentários, na verdade cinejornais que seriam os precursores dos nossos programas e transmissões esportivas, eram maioria. Mas a partir da tragédia de 1950 o futebol se tornou tema também de filmes de ficção e ganhou importância dentro das tramas.

Santos, Pelé e Seleção Brasileira se tornam assuntos recorrentes. Em "O assalto", de 1962, a história começa com um garoto que quer ver Pelé jogar de qualquer jeito. No mesmo ano e no ano seguinte, ainda foram feitos os filmes "O rei Pelé", "Santos Futebol Clube, campeão do mundo" e "Garrincha, alegria do povo". Este último, segundo Zanin, é - ao lado de "Futebol", de João Moreira Salles, e "Subterrâneos do futebol", de Maurice Capovilla - o melhor documentário sobre futebol brasileiro já realizado. "São filmes mais sociológicos, que tentam entender qual é a função social do futebol".

O livro ainda traz entrevistas com cineastas fundamentais como João Moreira Salles, do já citado "Futebol" e Djalma Limongi Batista, de "Asa branca", entre outros. Ugo Giorgetti, diretor de Boleiros I e II, também foi entrevistado. "Giorgetti é um grande contador de casos do futebol, coisa que ele faz melhor do que ninguém. E nesse segundo 'Boleiros' ele dá um passo adiante em relação ao primeiro, e ele trata desta questão do futebol globalizado, que é o futebol que tira os craques brasileiros e leva para o exterior."

Mas se a produção está aumentando, por que o público não corresponde? "Pelé eterno" levou apenas 250 mil pessoas ao cinema, quando eram esperadas pelo menos duas milhões. Zanin explica o fenômeno repetindo uma história contada a ele pelo cineasta e produtor Luiz Carlos Barreto. "Uma vez ele tentou vender um filme de futebol para a Inglaterra, um país de gente tão fanática pelo esporte como os brasileiros, e ouviu a seguinte explicação do distribuidor: o homem, durante toda a semana, lê sobre futebol no jornal , ouve futebol no rádio e vê futebol na TV. Quando chega o final de semana, quem escolhe o cinema é a mulher, que já não agüenta mais futebol, vê o futebol como um inimigo. Mas eu vou ao estádio e pela quantidade de mulheres acho que isso está mudando."

Texto publicado originalmente no blog Extracampo

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Futebol em Cuba: um esporte de laboratório

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Nov 09

O jogo de uma vida

por Jones Rossi00h27

Não conhecer João Saldanha, para quem gosta de futebol, é a mesma coisa que um padre não conhecer o Papa. Sim, é uma comparação malfeita, já que Saldanha, comunista convicto, não gostava nem de padre nem de Papa.

Como jornalista, sabia colocar o dedo na ferida como ninguém. Muitos antes dos Jucas Kfouris da vida, já identifica o principal problema do futebol nacional: a cartolagem. E entendia de futebol como ninguém. Foi técnico do Botafogo de Garrincha, Didi, Quarentinha e quetais. Se não bastasse, também como técnico, montou a base da Seleção de 70, o equivalente futebolístico ao carro do James Bond, como já disse Nick Hornby.

Acreditem: muita gente saía do Maracanã antes de terminado o jogo porque João já fizera sua análise e apontara o final da partida,
ele era meio vidente e dificilmente errava um prognóstico.

O trecho acima, que atesta o gênio de Saldanha, está registrado no livro "João Saldanha, uma vida em jogo", de André Iki Siqueira, que acaba de ser lançado pela Companhia Editora Nacional.

Abaixo segue um trecho do livro gentilmente cedido pela editora para apreciação dos leitores do De Primeira. Aproveitem a leitura.

João Saldanha: uma vida em jogo. Capítulo 12.

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Livros

Set 15

De bola e literatura

por Equipe De Primeira00h03

POR MARCOS XAVIER VICENTE

Não há nenhum jogador de futebol que consiga ao mesmo tempo ter o ímpeto do garanhão e encrenqueiro Hemingway, a inconseqüência e ternura do velho Buk e a libertinagem e o poder visionário do andarilho maluco Kerouac. Por outro lado, pensei, mas cada um pode muito bem ter seu similar dentro do campo.

A partir desse ponto, resolvi relecionar meus onze escritores preferidos - um time completo - com seus onze similares dentro de campo. Tentei encontrar um equivalente a Pelé, mas não deu. Pelo menos até se descobrir quem é o autor da Bíblia...

Ernest Hemingway - De caráter explosivo, porém de um talento fora do comum, dentro de campo o autor de "Adeus às Armas" e "Por Quem os Sinos Dobram" poderia muito bem ser comparado a Rivelino. Dois gênios difíceis de lidar, porém companheiros e competentíssimos.

J.D. Salinger - Assim como o autor do clássico adolescente "O Apanhador no Campo de Centeio", Tostão também teve um longo período de isolamento após largar o futebol - desde que optou pela reclusão voluntária numa fazenda do interior dos Estados Unidos, ainda na década de 60, o "pai" de Holden Caulfield nunca mais escreveu. Para nossa sorte, Tostão resolveu aparecer de volta e hoje nos passa seus conhecimentos através de excelentes comentários. Guardadas as devidas proporções, tão bons quanto os textos de Salinger: cheio de humanidade e embasamento, mas verdadeiros tapas na cara.

Gabriel García Marquez - Com um texto redondo e preciso, em que a imaginação vai longe, mas sem se perder em devaneios inúteis, a literatura de Marquez lembra o futebol de Zico. Clássico, simples, eficiente, porém mágico. Assim como o autor colombiano, o Galinho conseguia transformar o simples em fantástico.

Charles Bukowsky - Esse não há como não remeter a Garrincha. Não só pela simples companhia do álcool, que ambos tanto adoravam. Também pelo caráter fanfarrão e o estilo de vida desregrada. Dos dois lados da moeda, sujeitos que não ligavam pras coisas do dia-a-dia, como contas a pagar ou compromissos profissionais. O que interessava, para ambos, era a diversão pura e simples, seja caçando passarinhos com os amigos em Pau Grande, seja torrando toda a grana do mês nas pistas de cavalos de Los Angeles. Além desses fatores, há ainda a sexualidade. Garrincha, uma máquina de fazer sexo. Bukowsky, também conhecido como o "velho safado", uma máquina de escrever indecências.

John Steinbeck – Assim como o escritor americano conseguia jogar pitadas de humor em seus textos referentes à fase negra da história norte-americana, no período de depressão, após o crack da Bolsa de Nova Iorque, em 1929, Toninho Cerezo amenizava um pouco as dores da derrota em campo, como na dolorida queda em 82. Da desgraça, os dois conseguem encontrar o bom-humor.

John dos Passos – Defensor dos direitos sociais e crítico do american way of life, conforme muito bem demonstra a trilogia “USA”, esse americano de origem portuguesa é o Sócrates da literatura. Polêmico e ferrenho defensor de seus ideais. Assim como o doutor, líder da “Democracia Corintiana”. Para os dois, só há um lado: a esquerda.

Nick Horby – Talvez pela idade, talvez pelo gosto pela cultura pop, o autor de “Alta Fidelidade” e “Grande Garoto” está para a literatura assim como Casagrande está para o futebol. E mais: um já rondou a área do outro. Enquanto Casão é constantemente visto em shows de rock e tem uma coluna esportiva de caráter, digamos, um pouco menos rançoso e mais conceitual do que as similares escritas por ex-jogadores, Horby é um doente por futebol. Na relidade, doente pelo Arsenal, conforme demonstra o livro “Febre de Bola”.

Érico Veríssmo – Não apenas pelo fato de serem conterrâneos – está certo, bem sei que Falcão é catarinense de nascença. Porém, sem a menor sombra de dúvida, gaúcho de alma. E assim como o pai do Luís Fernando, colorado até o último fio de cabelo. Mas as semelhanças vão além. Em ambos está presente o estilo, a elegância, o respeito ao próximo – no caso de Falcão, aos adversários, que nunca receberam uma botinada do melhor volante do Brasil de todos os tempos; no de Érico, na sua humildade, expressa através dos sentimentos humanistas em seus textos.

Jack London – Eis o errante, o incontrolável, o homem que não segue regras e nem recebe ordens. Tal qual o aventureiro autor de “Caninos Brancos” e “O Chamado da Selva”, Edmundo é incontrolável. Não à toa o chamam de Animal. Como London sempre comparava os sentimentos humanos aos comportamentos das feras selvagens, a relação cai muito bem.

Graciliano Ramos – Em ambos, o comportamento avesso ao do nordestino convencional. No lugar da espontaneidade, a introspecção. Assim como o alagoano Graciliano era fechadão e calado, o é também o pernambucano Rivaldo dentro de campo. Mesmo com tamanho silêncio, Rivaldo é capaz de fazer maravilhas com a bola nos pés. Tal qual Graciliano fez com a pena nas mãos ao escrever “Vidas Secas”, “Angústia”, “Memórias do Cárcere”...

Jack Kerouac – Essa comparação é muito mais pelo estilo de vida “não to nem aí”. Se por um lado o franco-canadense Kerouac optou por largar tudo e desbravar a América de dedo em riste pedindo carona, tudo muito bem narrado no maravilhoso “On The Road”, Marinho Chagas, lateral da Copa de 74, preferiu o sol acolhedor do Rio Grande do Norte, as dunas de Jenipabu para viver após deixar a bola.

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