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De Primeira: Futebol, Futebol e Futebol

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Nov 16

Winck é do Leão

por Equipe De Primeira15h29

Por Andye Iore

O ex-craque da Seleção Brasileira de Futebol, Luís Carlos Winck, 46 anos, é o novo técnico do Cianorte Futebol Clube. Ele foi apresentado oficialmente semana passada, em Cianorte. A solenidade lotou o auditório de um hotel com a diretoria, comissão técnica, imprensa, empresários, políticos e convidados. “Acho que Cianorte é um trampolim muito bom para quem quer chegar a um time grande”, comentou Winck. “É um clube bem estruturado, organizado e com visão futurista”. Ele citou o técnico e amigo Caio Jr., que depois que saiu do Leão do Vale já treinou o Palmeiras e Flamengo e trabalhou no Japão e Qatar.

Winck foi revelado pelo Internacional. Com 17 anos ele era titular do Colorado gaúcho, no qual jogou por 11 temporadas e ganhou seis títulos estaduais. Ele também foi vitorioso no Vasco da Gama (RJ), onde ganhou um título estadual e um brasileiro.

O lateral direito fazia parte de uma seleção de craques que tinha Acácio, Mazinho, Bebeto, Tita, Quiñonez, Bismarck, Sorato, entre outros. Ele também jogou pelo Corinthians (SP), Grêmio (RS), Atlético (MG), Botafogo (RJ), Flamengo (RJ) e São José (RS).

Winck teve 40 convocações para a Seleção Brasileira principal. Participou do tricampeonato da Seleção de Novos, no Torneio de Toulon, na França (1983) e ganhou duas medalhas de Prata em Olimpíadas: Los Angeles (1984) e Seul (1988). Ele disputaria a Copa do Mundo da Itália (1990), mas não foi convocado por ter se machucado.

A carreira como treinador começou em 1998 com o São José (RS). Depois passou por Pelotas (RS), XV de Campo Bom (RS), Mogi Mirim (SP), Nacional (AM), Rio Negro (AM), Grêmio Coariense (AM), São Raimundo (AM), Sampaio Corrêa (MA), Bacabal (MA), River (PI), Operário (MT) e estava no Manaus Compensão (AM), classificando o time para a primeira divisão.

Já foi campeão no Grêmio Coariense em 2005 e Sampaio Corrêa em 2007. “Meus times marcam da intermediária para a frente, na saída de bola do adversário. E é objetivo no ataque com a posse de bola”. Entre os esquemas preferidos estão o 3-5-2 e o 4-4-2. Winck pretende trabalhar em Cianorte com um grupo com 27 atletas, dos quais sete indicados por ele. O presidente do time, Marco Antonio Franzato, elogiou a mobilização do empresariado local para montar o time. São 40 patrocinadores entre uniforme, ônibus e estádio.

CIANORTE
Cianorte está no Noroeste do Paraná (a 520 quilômetros de Curitiba), com 68 mil habitantes e economia girando em torno do vestuário.

O Cianorte Futebol Clube foi criado em 2002 e já no primeiro ano subiu para a Primeira Divisão. Em 2004 foi campeão do Interior. Em 2005 disputou a Copa do Brasil, onde venceu, em uma partida histórica, o Corinthians por 3 a 0 jogando em Maringá. Na partida de volta, perdeu por 5 a 0 e foi eliminado. Em 2006 o Leão do Vale foi campeão paranaense na Copa Tribuna Júnior. E em 2008 foi vice-campeão da Copa Paraná com o time profissional.
O time sempre revelou talentos nas categorias de base. O planejamento para 2010 é se consolidar como um dos principais times do interior, aproveitando o momento de instabilidade em tradicionais clubes do Paraná.

CRÉDITOS FOTOS:
Agência: MZ&M

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Nov 13

O caso do treinador elástico e a incrível busca pelo belo

por Álvaro Fagundes00h08

Paulo Autuori afirmou que não acredita que tenha perdido prestígio com a sua saída do Grêmio, mas o único troféu que a sua passagem pelo Olímpico merece é o da mediocridade, afinal 13 vitórias, 12 derrotas e 11 empates são a definição mais pura de mediocridade.
E, para o Grêmio, mais uma vez, não deu certo esmurrar a sua própria imagem no espelho: o nariz não ficou mais bonito nem o time apresentou melhores resultados.
Eu não entendo o porquê - talvez seja o fato de os dirigentes recentes serem sofrido com a hegemonia nos anos 70 do Inter e seus Falcões, Carpegianis e Príncipes Jajás -, mas volta e meia o Grêmio desiste de jogar o seu futebol (força, competitivo, violento, leiam como vocês quiserem) e escolhe um técnico que todo mundo sabe que vai para o outro caminho, que, em geral, é um fracasso.
A convicção não impera nem quando a direção. O time vai de Mano Menezes para Vágner Mancini, pula de Sérgio Cosme para Luiz Felipe, de Celso Roth (com todas restrições que devem ser feitas) para Paulo Autuori, como se houvesse uma necessidade de afirmar “nós conseguimos bons resultados jogando o nosso futebol, mas também podemos ganhar jogando do jeito que vocês querem”.
E a resposta é não, não consegue. E o motivo fundamental, ainda que não único, é que a torcida não aceita, não abraça esses times, há uma rejeição na arquibancada que logo toma conta do gramado.
Isso ajuda a explicar por que nos últimos 25 anos só um técnico de fora do Rio Grande do Sul deu certo no Grêmio. Todos os outros (Luiz Felipe, Mano, Tite, Otacílio Gonçalves e, por que não?, até Cláudio Duarte, Ernesto Guedes e Celso Roth) são gaúchos.
Não que a maioria desses técnicos seja melhor que os Minellis, Autuoris, Sanis, Anjos, Mujicas, Procópios e Lazaronis que passaram pelo Olímpico. Não é, mas eles entenderam e conseguiram colocar em prática o futebol jogado pelo Grêmio.
Sim, colocar em prática, porque de nada adianta o sr. Autuori chegar em Porto Alegre e falar que o time vai jogar com a cara do Grêmio, e não com a dele, se o time um mês depois só fracassa fora de casa e ainda consegue passar um jogo inteiro fazendo dez faltas. A credibilidade - e o campeonato - se perde aí.
Ainda assim, mesmo fadado ao fracasso, ele não poderia ter pedido para sair, mostrando convicção mais elástica do que seus resultados (nenhum dos bons treinadores do país oscila tanto entre um grande título e campanhas medíocres). Quem chega fazendo promessas, e recebendo garantias, de que vai fazer grandes mudanças no clube, de que vai mudar as categorias de base e contrata gente sua para isso não pode abandonar o barco assim, tem que enfrentar o fracasso e ser demitido. Não pode olhar para o espelho, não gostar do que viu e sair zunindo como elástico em atiradeira.

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FutebolCampeonato BrasileiroFutebol Gaúcho

Nov 09

6 motivos pro Fluminense torcer pelo rebaixamento

por Felipe Lessa21h25

1. A união
As campanhas motivacionais de Atlético-MG, Corinthians e Vasco provaram que o clube volta fortalecido quando joga uma segundona. E hoje em dia o Flu não tem força alguma. Está mais zoado que os dentes do maluco que fala no Pânico: “oh oh Adriano, ta me ouvindo?”. Jogar a segunda divisão será um ato grande para o tricolor, um TIM (team, em inglês) que quer ser respeitado e grande. Até mesmo aqueles que são meros simpatizantes se tornarão torcedores tão fanáticos quanto os de um clube que não caiu - na luta pela moralização de seu time do coração. Estreitam seus laços, acompanham as notícias e convidam os camaradas da rua a debater questões clubísticas. Em tempos onde torcida sequer tem o direito de dar opinião sobre como tirar sua equipe de uma crise (a diretoria do Flu só escuta marginal de organizada, aqueles que ganham uma porrada de ingressos pra se calarem eternamente), essas mesmas pessoas (os torcedores comuns, aquele que paga de verdade o ingresso e compra produtos oficiais), sem ter abertura política algum nos quadros diretivos, sentem-se responsáveis pela volta de seu clube no próximo ano. A união faz a força.

2. Relevância
Erraram todos jogadores, comissão técnica e diretores do Fluminense ao dizer que a presença dos torcedores nos próximos jogos do Brasileirão é importante. Não digo pela questão de receitas que isso gera ao clube carioca, mas sim por terem deixado explícito que a fase final da Sul-Americana é segundo plano. Essa é a chance do Flu conquistar um título internacional de casa cheia, acabando com o complexo pós vice na Libertadores e dando auto-estima aos tricolores para que pensem grande, sofram (e também façam) uma lavagem cerebral que mostre serem um time grande. Acho que a diretoria do Flu deveria dizer ao torcedor: não vá ao estádio, vamos deixar o time cair e aí vocês voltam na segundona pra nos fazer voltar. O lance é mostrar que não estão nem aí para o Brasileirão (o que, de fato, é a verdade entre diretores tricolores).

3. Poder
As verbas que entram nos caixas de times como o Fluminense são extremamente mais gordas que a dos demais clubes da Segundona. Mesmo recebendo menos da TV, esss clubes tem tanta exposição nacional que podem conquistar receitas maiores que a de equipes regionais da primeira divisão. Com o mínimo de organização, tem tudo para atropelar seus rivais no B-side do Campeonato Brasileiro. Os torcedores ficam confiantes, a diretoria também. Até mesmo a auto-estima dos atletas tende a aumentar, ao ponto de chegar em 2011 como clube favorito ao título, que aprendeu com erros passados e tem sede de mudança. Dá pra iludir legal e fazer uma historinha, filminho, camisa promocional, livro e até roupa de palhaço. Esses caras precisam ser mais ligeiros...

4. Marketing
Timão e Vasco mostraram como se faz. Criaram campanhas publicitárias que ficarão para o resto da vida. Os corintianos viraram bando de loucos apenas por seguir seu time em sua “difícil” trajetória em 2008. Criaram outros bordões como “nunca vou te abandonar”, lançaram isso em camisetas e ainda ganharam grana com a tristeza da fiel, que comprou tudo que podia para ajudar seu clube do coração. No Vasco, o sentimento não acabou, colocaram 76 mil no Maracá em jogo simples contra o Ipatinga e ainda vão ganhar dinheiro com heróis como Carlos Alberto. É isso que precisa o Fluminense, uma nova projeção, uma nova cara, que os faça esquecer de vexames passados. Alias, a exposição do Vasco em programas de televisão chega a ser maior que a de Flu e Fogo. Afinal, está ganhando tudo. O Fluminense tem tudo na mão. Qual o clube brasileiro sem estrutura e organização alguma que teria tudo isso de mão beijada? Só fazer um esquema terceirizado de comunicação e marketing e pronto, tem gente que pode até tirar um por fora com isso.

5. Lavando a alma
O estereótipo do tricolor das laranjeiras é o do time grande que virou pequeno e só voltou para a elite do futebol nacional depois de intervenções políticas. É, isso é verdade. Isso é negativo para a torcida, que diariamente sofre gozações de flamenguistas, botafoguenses e, principalmente, de vascaínos. Sofre e com razão. Cair seria ótimo para o clube. O Flu pode receber todo suporte político para voltar dentro dos campos, basta não ter medo. A situação de hoje é bem diferente dos tempos em que a CBF precisou resgatar o tricolor de elevador da terceira para a primeira divisão. Vasco, Corinthians e Atlético Mineiro deram a sentença. É a hora do Fluminense repensar o peso que tem sua camisa. Alias...faz tempo que ela não pesa nada, mas as emissoras que transmitem o PPV da Segundona querem ajudar (pra manter a Série B varolizada) e os pangões ficam moscando. Não pode. Não dá.

6. Brazil Tour
O Brasil tem uma Série A seletiva. Digo isso em relação aos estados, já que em 2009 são 20 equipes e 6 são paulistas – gente que não está nem aí para o futebol carioca. Dois clubes são mineiros, mas por lá apenas parte do interior gosta de futebol carioca. Em Curitiba, os cariocas também não fazem muito sucesso. Quem vai lá ver jogo são apenas algumas caravanas de Santa Catarina e de Paranaguá. Alias, só tem um time de Santa Catarina na Série A. Outro estado que apóia eles é a Bahia...e por aí vai...é pouco. Mas se jogar a Série B, poderão visitar pontos importantes do Brasil e com grande contingente de pessoas que ama o Fluzão. Brasília, Natal, Floripa, Fortaleza...é muito terreno fértil a ser explorado. Sem falar de jogos contra times pequenos de São Paulo, onde a torcida carioca será predominante e até mesmo a existência de embates no interior do Rio de Janeiro. É a chance de bombar os estádios dentro e fora de casa. E o Flu vai perder a oportunidade?

*Me olvidé (esqueci, no linguajar que não é o do tricolor dos pampas) de hablar (contar) sobre o que se passou com los de Grêmio en la (na) Segundona. Los pibes gremistas achavam a segundona realmente o máximo, quase tão legal quanto a Liber e o Gauchão. Quem quiser ler um pouco mais sobre isso, clique aqui que os parceiros do Impedimento mandaram a letra.

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Nov 06

Juntos, nós podemos. Peter dá adeus ao LEC

por Felipe Lessa12h11

Adeus, Peter Silva. Até breve, conselheiros. Foi adiada a eleição do Londrina. Está certo o juiz da 6ª Vara de Trabalho da cidade, Reginaldo Melhado, quando afirma que o LEC vinha sendo “um clube gerido na mais absoluta marginalidade”. Um despacho do Ministério Público (MP), assinado por Melhado, prevê que o interventor judicial Rubens Moretti e o procurador do MP, Heiler Ivens de Souza Natali, apresentem um plano emergencial de administração do Londrina. Vão ter dez dias para isso e por isso não haverá votação neste domingo.

Esse plano prevê a revisão do quadro associativo do Londrina, com anulação dos atos de renúncia a crédito de contribuições dos associados, e a realização de eleições em processo eleitoral devidamente saneado. Também é previsto um projeto de reestruturação administrativa, para implantar democracia e transparência, além de um levantamento da penhora relacionada ao LEC.

Um dos candidatos ao comando do Tubarão e ex-presidente, Marcello Caldarelli, afirmou que já esperava a medida. Esquece ele de comentar os mais de 2 mil títulos remidos doados durante sua gestão. Já o candidato Gilberto Ponce teve cautela e afirmou mudar os conselheiros de sua chapa se a justiça achar necessário.

O certo é que o MP tomou tal atitude depois que a presidência abandonou o clube... VGD, Sede Campestre e o time ficaram abandonados. Torcedores tentaram salvar o clube, a LEEL foi um exemplo, mas foram obscuramente afastados por Peter - que preferiu extinguir a base. Os jogadores “sumiram”. Uns foram parar no Iraty, outros no Juventude. O Londrina vai receber por isso? Ninguém sabe.

Tem também o caso em que foi comprovada falsificação das assinaturas da mãe do atacante Jayme (que o clube perdeu na justiça), como também a de um médico da equipe do Doutor Miguita, que colabora com o clube fazem mais de 30 anos. Questiono: Peter Silva, Cesar Fatel ou Genivaldo Dias. Foi um desses que falsificou? Qual será a sentença ao responsável?

Alias, o presidente Peter Silva também descumpriu o termo de ajuste de conduta firmado com o Ministério Público do Trabalho para o pagamento de ações trabalhistas – depósito de 15% das receitas numa conta judicial.

Graças ao Ministério Público, a farra chegou oficialmente ao conhecimento de todos. O Londrina deve para todo mundo, mas toda cartolagem que chegou no clube desde o início da década de 90 não tem motivos para reclamar do LEC. Afinal, os lucros geralmente vão parar nas “firmas”, os credores no Tuba. É por isso que o juiz classificou o ambiente do clube, ao Jornal de Londrina, como “promíscuo e de completa degeneração ética e moral”.

Bom, tem muita coisa a se falar, mas aos poucos o londrinense vai sentindo que pode novamente a adotar o Londrina para representar a cidade. Não apenas o londrinense, como também muita gente de toda região norte do Paraná, está confiante. Depois de ver capivaras mortas na piscina do clube, ver a camisa alviceleste ser motivo de chacota na própria cidade, saber que iremos perder o Estádio Vitorino Gonçalves Dias e que até mesmo as portas do LEC poderiam ser fechadas, jamais imaginei que diria um dia: Obrigado, Peter. Juntos, nós podemos.

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Nov 02

Valmir Gomes é de carne e osso...eu vi

por Felipe Lessa21h51

Quinta-Feira fui até o centro de Curitiba. Minha irmã precisava do carro, e assim eu já agilizava meu deslocamento para o encontro com um amigo que está vendo um esquema de trampo pra mim.

Era cerca de 18hrs, e um acidente na região ajudou a piorar a situação do congestionamento habitual de cada dia. Entre os diversos carros embaralhados, quando o caos estava prestes a acabar, tive meus 2 ou 3 minutos de glória e um bom motivo para sorrir. O mestre Valmir Gomes estava dentro de um carro, dirigindo e falando ao celular.

Primeiro eu o vi pelo retrovisor, atrás do meu meio de locomoção. Fiquei olhando e tive certeza que era a lenda quando estrategicamente dei um jeito de trocar de faixa. Eu estava lado a lado com Valmir Gomes, separado apenas pela estrutura física do veiculo. Baixei a janela e mandei uns berros. Algo tipo "AOOOO, VALMIR. É NÓIS. RIO BRANCO ATÉ MORRER!".

Ele ainda estava no telefone. Deu um sorrisinho, fingiu que não era com ele e continuou conversando. Acho que o chapéu pescador da Seleção Paraguaia (doado posteriormente ao Marcão) que eu estava usando e o óculos na cara devem ter feito ele ficar cabreiro. Talvez pensando que eu era um legítimo estivador do Porto de Paranaguá, estilo os que certa vez tentaram pegar Valmir na Estradinha, dando um rolé na capital. Se pá, ele sentiu vergonha pelo comportamento. O meu, claro.

Mantive a tentativa de contato. Mandei novos berros e dessa fez fui mais ousado. Joguei uma pequena bolinha de papel, feita na hora com uma folha de revista feminina que minha irmã havia esquecido no carro. Tentei jogar no carro dele para chamar atenção, não para atingi-lo, que fique claro. Mas eu errei a disparada. Apesar do trânsito lento, acertei no carro errado. Por sorte, o mestre olhou - mesmo que ainda falando ao telefone.

Fiz um sinal de positivo e dei um sorriso faceiro. Valmir Gomes retribuiu, sorrindo para mim mais uma vez. Infelizmente o congestionamento acabou, perto ali da rua dos fundos do Terminal Guadalupe. Pouco depois a lenda arrancou, caiu fora e sumiu pela urbanização central de nossa terra querida chamada Curitibá. Mas eu o vi ao vivo, sei que ele existe. Uma pena que não tinha ninguém comigo, pra escrever o endereço do De Primeira em um papel e mostrar ou entregar para nosso ídolo representante da crônica esportiva paranaense. Nem dá nada. Pelo menos já sei que ele existe, de carne e osso. Eu vi!

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Out 27

O prefeito tem culpa sim

por Jones Rossi15h56

A morte de João Henrique Mendes Xavier Vianna, 21 anos, também é culpa do prefeito de Curitiba, Beto Richa. O mesmo Beto Richa que gosta de posar em fotos com membros das torcidas organizadas. Também é culpa do governador. E também é culpa do secretário de segurança e principalmente do ineficaz Ministério Público, um órgão decorativo no que se refere à violência cometida pelas organizadas.

Além da morte de João, houve alguma novidade no pós-Atletiba de domingo? Dezenas de ônibus depredados, brigas na periferia, bombas no estádio. Tudo isso constitui um roteiro previsível em dia de Atletiba. Então, por que nada foi feito? Por que nenhuma precaução foi tomada? Por que os culpados por vandalismos e agressões de outros Atletibas não estão presos ou ao menos impedidos de ir aos estádios?

Vamos dar nome aos bois - ou aos burros. Começando pelo Ministério Público, que não faz cumprir o Estatuto do Torcedor. A lei manda que envolvidos em atos violentos nos estádios sejam proibidos de frequentar estádios em dia de jogo. Têm de ficar na delegacia. Não é isso o que acontece. Houve uma iniciativa isolada da justiça em São José dos Pinhais e só. O MP também teve a chance de extinguir as torcidas organizadas no Paraná. Preferiu passar a mão na cabeça e exaltar supostos programas sociais realizados por elas. Normalmente os promotores aparecem depois de eventos trágicos como o que aconteceu com o João para propor alguma solução mirabolante e que os faça ganhar destaque na mídia.

Passemos ao governo do estado. Claramente a secretaria de segurança não considera o Atletiba um problema. Ou, se considera, toma medidas inócuas para prevenir e controlar os estragos. A Polícia Militar não prende ninguém, nunca. É só fazer o levantamento e ver quantas pessoas estão na cadeia por eventos violentos relacionados ao Atletiba. Arrisco dizer, sem medo de errar: ninguém. É como se portadores de camisas de torcidas organizadas tivessem um salvo-conduto para tocar o terror. Sabem que não serão presos. Pior fica quando a Polícia Militar resolve dar combate. Sai por aí batendo em inocentes. Em um Atlético x Paraná, a PM cegou com um tiro de borracha uma menina que foi ao estádio com o namorado. E existe um setor de inteligência na Polícia Civil, que se infiltre nas torcidas organizadas e saiba quem são os bandidos lá dentro? Se não existe, deveria existir. Se existe, devem estar pastando na grama dos estádios paranaenses em busca de pistas.

E, finalmente, o prefeito galã, o carinha que curte posar ao lado dos membros das torcidas que aprontam essas atrocidades. Um cara que surfou na onda da Copa 2014 sem ter movido um dedo para levá-la para Curitiba. Mas, que na hora de procurar soluções para o flagelo do Atletiba, preferiu não fazer nada. É inconcebível que diante de todas as informações que se têm sobre o que acontece em dia de clássico o prefeito simplesmente lave as mãos. Se o que falo está errado, que a assessoria da Prefeitura me envie a agende de compromissos dele antes do clássico e mostre o que ele fez para evitar a barbárie de domingo. Publicarei aqui no blog.

Gostaria de ver ele posar hoje, dia 27 de outubro de 2009, com a mesma cara sorridente ao lado dos organizados da Império - ou Fanáticos, ou Fúria, ou qualquer uma dessas facções. Em um mundo no qual os dividendos políticos valem mais que a moral, mortes como a de João Henrique continuarão acontecendo. E daqui a dez anos, em um Atletiba qualquer, tudo estará igual.

PS: Alô, pessoal que defende clássicos de uma torcida só. Vou mais além. Está na hora de simplesmente acabar com os clássicos. Sim. Sem mais Atletibas. Extinguam o clássico até que todas as providências que evitem as barbáries sejam tomadas. Quando vereadores pegos usando armas estejam na cadeia. Quando quem se envolver em brigas nunca mais pise novamente nos estádios. Aí o Atletiba pode voltar. Até, deve ser adotado o W.O. obrigatório nos clássicos. Já começam sem os eventuais pontos do clássico no Campeonato Brasileiro. Quem sabe assim aprendem.

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Feliz, prefeito? pt. 2

por Equipe De Primeira03h06

A foto acima mostra um torcedor do Coritiba desmaiado na calçada e seu carro tombado ao fundo. Segundo relatos de integrantes da comunidade do orkut onde a imagem foi postada, ela é resultado de um incidente entre organizadas de Coxa e Atlético no dia do clássico. A briga ocorreu na região leste de Curitiba.

Parabéns, prefeito. Um já morreu. Por pouco não aumentam as estatísticas.

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Out 26

Feliz, prefeito?

por Jones Rossi20h35


Morre torcedor atleticano atropelado por rival após o clássico

Segundo balanço preliminar da Urbs, 28 ônibus foram quebrados no clássico

No maior público do ano, festa dentro do estádio e arruaça pela cidade

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Out 24

Blitz na peixaria do Globoesporte.com

por Ana Carolina Moreno19h42

Vender o peixe da empresa é uma coisa (aliás, uma coisa infelizmente necessária), mas o Alexandre Abreu passou um pouco dos limites da sem-vergonhice.

Eis o texto que publicou no blog Conexão Gontijo na última sexta-feira (link direto):

O reconhecimento internacional da Musa do Brasileirão

A edição britânica da revista “FourFourTwo” descobriu e se encantou com a promoção “Musa do Brasileirão”. A revista dedicou uma página de sua última edição a falar sobre a promoção que agita este site. Todas as etapas da competição foram explicadas e uma foto foi para publicada para que o leitor tivesse uma completa idéia do evento, que já está virando uma tradição no futebol brasileiro. A ultima campeã foi dissecada pela publicação, que fez questão de mostrar o grande esforço das candidatas. A “FourFourTwo” é a maior multinacional das revistas de futebol em todo mundo; são seis edições além da matriz e a brasileira começou a circular no ano de 2009, podendo ser encontrada em todo o território nacional.

Estaria tudo muito bem, não fossem as incongruências que, espero, tenham sido fruto da falta de conhecimento do idioma e da situação da revista em questão. Porque me custaria aceitar que o GE necessita agir com tanta falta de rigor jornalístico.

O estilo "assessoria de imprensa", para mim, é inaceitável, mas se ele quiser, que o use à vontade. "Descobriu e se encantou"? "uma foto foi para(sic.) publicada para que o leitor tivesse uma completa idéia do evento"? "fez questão de mostrar o esforço das candidatas"? Só lamento.

Agora, mentira já é demais. E duas no mesmo texto, para distorcer os fatos e dizer que esse concurso já está virando "tradição no futebol brasileiro"?

A revista não se encantou com coisa nenhuma. Como os próprios leitores comentaram no blog do GE, a publicação ridiculariza o concurso e brinca com todos os possíveis esteriótipos brasileiros. Me diz o que Carnaval tem a ver com a Musa do Brasileirão? A própria linha fina, um dos elementos de primeira leitura da página, usa a expressão "a frankly exploitive competition", que em português se traduz por "uma competição francamente exploratória". Outro elemento de destaque é a legenda no topo da página: "E o vencedor é... todos os machos com sangue quente do mundo inteiro". Não é a mulher que vence, Alexandre Abreu.

Ela só não é mais direta para não atacar frontalmente o absurdo machismo praticado pelo Globo Esporte nessa competição, que para começar nem é uma competição. O regulamento diz claramente que é a equipe do GE quem escolhe as finalistas, ou seja, a mocinha inocente que compra mil biquinis com as cores do suposto time do coração e pede para os amigos produzirem ensaios sensuais caseiros é só massa de manobra para aumentar a audiência do site. A vencedora do concurso em 2007, por exemplo, já tinha feito curso de manequim, títulos de miss e acumulava no currículo aparições na novela global Marmelad... quero dizer, Malhação.

Mas voltemos à reportagem... Se por "bizarre challenges" (desafios bizarros) Alexandre de Abreu presume que o repórter Celso de Campos Jr. quis explicar o concurso passo a passo, para que o leitor tivesse a idéia completa do evento, eu diria que seria só uma versão resumida, mas que dá sim para pintar a imagem da competição. Os destaques da reportagem, que afirma que não é preciso muito mais do que um top rasgado para ganhar a contenda: um torneio de bambolê, usado "justificar o zoom de um minuto em cada garota chacoalhando os seus bens", o talento de cada candidata em sambar sobre salto alto e biquini característico da fantasia carnavalesca (é essa parte da tradição futebolística?), e, claro, o desfile em traje de festa, ainda que o autor ache estranho que a maioria delas pareça mais uma assistente de palco de um mágico do que uma mulher vestida para uma festa elegante.

Pelo nome, você já deve saber que Celso de Campos Jr. é brasileiro. Ele é jornalista formado pela Cásper Líbero e, entre outros trabalhos, publicou uma biografia de Adoniran Barbosa, depois de três anos de pesquisa. Celso é correspondente da 4-4-2 inglesa há anos, além de colaborar com outras publicações internacionais sobre futebol. Portanto, ele conhece o tema, conhece o público da revista lá fora e sabe muito bem que imagem as pessoas têm das brasileiras: mulheres pouco cultas que usam pouca roupa porque aqui faz calor e também porque é a única maneira de elas chegarem a ser algo na vida. Não é à tôa que ele guarda para o final de seu texto as aspas da mãe da vencedora da última edição: "esse título mudará nossas vidas", para depois concluir que é ainda mais chocante ouvir da menina vencedora que ela é virgem e está se guardando para o casamento. Tanta hipocrisia depois de tanta submissão choca as pessoas do mundo desenvolvido. Mas parece que ao GE só importa vender seu peixe. Seja ele fresco ou podre.

Abaixo a página escaneada da reportagem.

PS: A Four-Four-Two, apesar de ter bastante renome internacionalmente, bem que tentou publicar uma edição verdadeiramente brasileira, mas hoje se limita a circular traduções de textos produzidos lá fora.

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Out 23

Great Cornolhos do futebol paranaense

por Felipe Lessa16h16

Marcelo Caldarelli e Aurélio Almeida sonham em se tornar celebridades. São daqueles caras que a todo o momento fazem algo para aparecer, mesmo que seja uma breve tacada pitoresca. No momento do retorno destas duas personalidades, a vida social de Londrina e Grêmio de Maringá voltou a ser bombástica. Deixa rastro em tudo. Quem sabe, também não dá a sentença: Clássico do Café apenas nos bastidores. Esperando ver quem protagoniza a cena mais cômica do futebol paranaense.

O desenhista Mike Judge, se tiver o interesse de entrar no ramo da pelota, talvez poderia retratar um pouco de histórias parecidas com as dos personagens de Galo e Tubarão em novos episódios de Beavis & Butt-Head.

Afinal, as bizarrices cometidas pela dupla remetem o espectador a desconstruir toda imagem do futebol, para depois reconstruí-la. Basta pensar profundamente sobre cada estupidez cometida por pessoas anônimas desesperadas pela vontade de se tornar públicas. Isso aguça o instinto do povo – até quando este resolve copiar um personagem esquisito e colocá-lo em prática no mundo real.

Nem mesmo a mudança no perfil dos dois seria necessária. Bastava que o roteirista do possível desenho mantivesse os jovens bizarros e pervertidos.

Sedentos por descarregar todo fracasso amoroso acumulado em Highland, Beavis & Butt-Head tentariam se aventurar no interiorzão do Paraná. O objetivo seria “se dar bem” no futebol e finalmente faturar uma garota.

Butt-Head pensaria em algo grande. Alguém poderia dizer que ele tinha dom para ser o salvador do futebol paranaense, que havia uma dupla com 6 títulos estaduais, 1 Taça de Prata, 1 Taça Roberto Gomes Pedrosa e uma 4ª colocação na primeira divisão do nacional prestes a realizar fusão, e ele prontamente acreditaria ser a pessoa certa para comandar o time.

Na saída do Burger World, filial norte-pr, o garoto passaria o migué em Beavis,um pseudo-recente-comunista-velho-camarada-de-falcatruagem que numa outra encarnação havia defendido a Seleção Brasileira. “Estamos sem grana no bolso, mas podemos cobrar R$220 de gordinhos e excluídos. Juntamos a grana e faturamos as garotas. Come to Butt-Head, baby. Hoho ohohoho ohohoh”. E assim estava montado um time com tempero de frango e sardinha para a disputa de qualquer campeonato que aparecesse.

Nos vídeos que intercalam cada episódio, histórias do futebol nortista sendo retratadas. Desta vez, Judge colocaria vídeos notáveis do Canal 100 ao invés de clipes, mantendo apenas o saudoso Rock´n´Roll ao fundo. Mudar de canal, ou não, seria a resposta positiva ou negativa para alguma reportagem.

- “ Hehe hehe hehe. Esse time tem sardinhas. A mascote desse time é a fêmea do Tutubarão. Poderia me dar mole”, diria Beavis, estrepado na aconchegante sala de casa. Prontamente ele seria retrucado por Butt-Head.

- “Shut up, Beavis. Sardinha é sua mãe, que nem conhece o VGD e faz parte da chapa presidencial. Hoh ohohoh oh ohoh ohoh”

No audacioso projeto de Beavis & Butt-Head, algumas fêmeas são convidadas a trabalhar em seu time. Seriam gandulas dos jogos, nas tardes dominicais. Excitariam os garotos com os elogios recebidos das arquibancadas.

Na angústia para que tudo dê certo (saia na imprensa), bastaria também contratar um ator global, incendiar o interior com promessas envolvendo celebridades, grandes equipes e dar tiros para o alto. Pronto! Era a chance de juntar influência na cidade sardinha de galinha e faturar. Tom Anderson, Stewart Stevenson e até mesmo o treinador Buzzcut seriam parceiros – acreditando nas pretensões dos garotos em salvar o futebol local.

Com a grana em mãos, os jovens convidam as modelos gandula para um jantar regado a nachos e cervejas trocadas em permuta com contribuintes do clube: o Londringá. No entanto, ao perceber que as geladas não tinham álcool, Beavis degusta uma enorme quantidade de café e açúcar no refeitório do Burger World – local onde ainda trabalha, apesar das moedas do clube sempre serem esquecidas no bolso. Surge o diabo loiro. Ele fica enlouquecido, delirante. Tapa sua cabeça com a camisa e começa a gritar de forma demente, sem se calar: “Great cornolhio! Great cornolhio! Great cornolhio!”

Receosos, os donos da lancheria convocam a polícia. Essa bebida não estava presente no contrato de permuta, por isso Beavis & Butt-Head tomam uma dura e vão em cana. As garotas deixam o recinto e seguem para casa. O dinheiro dos contribuintes é utilizado no pagamento da fiança.

Com sorte, a dupla pensaria em nova chance de reerguer o futebol do norte para faturar alguém. Talvez utilizando cabeças de gado de desconhecidos ou emprestando carros de concessionárias para suposta premiação de bingos picaretas. Com azar, uma dupla de toupeiras poderia levar o caso a sério, imitar os jovens e os dois times fechariam as portas. Mas se Mike Judge gostar da idéia, com sorte ou azar, o Clássico do Café dos dias atuais pelo menos ainda teria suas histórias bizarras, mas no foco do povo. “Hehehe heheh heheh”. “Ho hoh ho h oh oh”.

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