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De Primeira: Futebol, Futebol e Futebol

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Set 13

A paixão pelo Londrina em quatro rodas

por Felipe Lessa06h45

Sempre que o Corcel I de Marcos Reis da Silva desfila pelas ruas de Londrina, é alvo dos olhares curiosos de pedestres e motoristas. Alguns gritam, outros acenam sorridentes ou até mesmo chegam a desacreditar no que estão vendo. Foi com o veículo modelo 76 que o vidraceiro de 40 anos, conhecido pelo apelido de Migrão, encontrou a melhor forma de homenagear o time de coração: o Londrina Esporte Clube. O carro velho, mas muito bem conservado, é todo estilizado com as cores do Londrina. São 18 tubarões, o mascote do time, pintados na lataria.

Carinhosamente apelidado por amigos como “Tuba Móvel”, o Corcel I de Migrão é a grande atração nos dias de jogo, quando transita pelas redondezas do Estádio do Café, na zona norte de Londrina. O proprietário inclusive deixou de sair para as ruas apenas em ocasiões especiais para ajudar a divulgar o clube.

“Todo mundo gosta e acaba se animando com o Tubarão. Quem olha acha até mesmo que somos funcionários do Londrina. Muito pelo contrário, os diretores do LEC nunca nos procuraram para envolver o carro em alguma ação do clube pela cidade, algo que eu faria com prazer e jamais cobraria”, lamenta.

Para conservar aquele que considera ser seu xodó em bom estado, o carro é religiosamente lavado aos sábados. Por precaução, é o próprio Migrão quem passa água, sabão e encera o veículo. “Dá uma agonia deixar lavando fora, pois nunca se sabe qual o time da pessoa que fará o serviço. Se o cara for cabeça meio fraca, risca meu Tuba Móvel. Aí eu morro”, conta ele, que diariamente também faz pequenas limpezas no seu Corcel. “Tem que conservar, né. Sonhei com essa caranga desde que comecei a torcer pelo LEC. Agora que eu tenho, é pra vida inteira”, enfatiza.

A paixão de Migrão pelo Londrina surgiu em 1976. Após acompanhar uma rodada dupla, onde o time de juniores enfrentou o Matsubara e o profissional duelou contra o Vasco da Gama, no Estádio do Café, o torcedor afirma que jamais abandonou o Tubarão. “Foi quase um casamento. Desde então, o azul e branco faz parte da minha vida. É com o LEC que estou na alegria e nas tristezas, na saúde e na doença. E assim vai ser até o dia que eu morrer”.

Esses laços afetivos foram tão fortes que há três anos Marcos trocou sua antiga motocicleta pelo carro. “Foi uma forma de homenagear o Tubarão e retribuir tantas conquistas que o Alviceleste me deu”.

Para decorar o carro, Marcos pediu ajuda ao amigo Sidney Branco, que saiu de Curitiba, onde mora, só para ornar o Corcel I de Migrão em Londrina. “Ele passou uma semana fazendo as ilustrações sem cobrar nada. Quando tudo ficou pronto, eu queria ficar andando com esse carro pela cidade inteira, sem parar. Gastei horrores de combustível nos primeiros dias, só para mostrar aos londrinenses o quanto eu estava orgulhoso do meu carro do Tubarão. Mas como eu não sei dirigir, quem boléia é a minha namorada”, ressalta.

No volante
Pouco antes de adquirir o Corcel I, Marcos passou a namorar a gerente administrativa Flávia Fernandes Navarro, de 28 anos. Apesar de terem se conhecido nas arquibancadas do Estádio Vitorino Gonçalves Dias, em um jogo contra o Atlético, pelo Campeonato Paranaense, ela conta que ficou um pouco espantada com a idéia de estilizar o carro.

“Na época era algo fora da minha realidade, mas totalmente dentro da dele. Eu apoiei, só que era estranho sair dirigindo um carro totalmente pintado com símbolos e mascotes do Londrina. Muita gente acha que sou doida. Até comentam como que pode uma mulher ser tão fanática por um time de futebol. Eu me espantava. Mas hoje, eu me divirto”, conta Flávia.

Segundo a namorada, Migrão só permite que outra pessoa dirija o Tuba Móvel se for tão fanática pelo LEC quanto ele. “Geralmente sou eu que estou com o carro. Mas o Marcos já deixou alguns amigos da torcida o dirigirem”. A fala de Flávia é completada pela do proprietário: “Tenho que conhecer bem a pessoa e saber que ela vai tomar tanto cuidado com o carro quanto se deve tomar pelo manto alviceleste. Não é algo tão simples assim”, diz.

Apesar das campanhas do Tubarão de hoje não serem como a do Brasileirão de 1977 (quando chegou em quarto lugar e ganhou o apelido de Tubarão em referência ao filme de Steven Spielberg, coqueluche das telas naquele ano) e a do Paranaense de 1992 (quando o clube conquistou o último título de expressão na final caipira contra o União Bandeirante), o vidraceiro afirma que gasta 40% de seu salário com o clube do coração – incluindo o carro.

Compra camisas, quadros, bandeiras e também segue religiosamente o Londrina não só no Estádio do Café. Jogue onde jogar o Tubarão, e o vidraceiro lá estará. Apesar de já ter viajado o Brasil inteiro para acompanhar o Tubarão, Marcos ainda tem receio de colocar seu Corcel I na estrada. “Ultimamente o público do futebol ficou muito violento e ainda tenho medo de ir até o estádio de outro time com meu Tuba Móvel. Nunca agredi, nem joguei uma pedra que seja em alguém. Mas vai saber o que pode acontecer, não é? Qualquer dano nesse carro seria tão doloroso quanto um rebaixamento do time”, explica.

No entanto, não descarta a possibilidade de encarar uma viagem com o carro. “Quem sabe se o Londrina for jogar uma final de campeonato em algum lugar onde as torcidas já terem amizade, aí dá pra encarar esse passeio. Seria um novo orgulho para mim, que gosto de festa, alegria e odeio brigas”, diz.

Sobre o fato de a equipe estar na série D do Campeonato Brasileiro e ter caído para a série B do Paranaense esse ano, Migrão acredita que a reviravolta desse quadro está na própria torcida. “Já passou muito jogador bom por aqui. Eu vi Elber, Paulinho e Carlos Alberto Garcia. Agora estamos nessa situação, lutando para sobreviver. Mas tenho fé de que no dia em que torcedores de verdade assumirem o Londrina, a cidade voltará a apoiar em peso nas arquibancadas”, confia o torcedor.

Para Migrão, que já pedalou 600 quilômetros de bicicleta até Santa Catarina para pagar uma promessa pela conquista da Copa Paraná 2008, agora é o momento de manter a fé para o sucesso do clube na quarta divisão do Brasileirão. No entanto, quando desafiado pela namorada Flávia e por amigos da Falange Azul - organizada do clube - a tirar sua carteira de motorista caso o LEC suba para a Série C do campeonato nacional, ele ainda prefere a precaução.

“Tem que ter calma nessa hora. Eu sou muito ruim de boléia e se eu bato esse carro, ia ficar em depressão eterna. Por enquanto eu prefiro ficar na carona com a namorada ou andando de bicicleta. Mas vamos ver. Quem sabe na reta final do campeonato eu não me anime”, brinca o torcedor.

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Jun 16

O torcedor de futebol e a transformação do Brasil*

por Felipe Lessa20h58

Eu, assim como milhares de brasileiros, passei a viver o futebol desde cedo. E nessa vida, a mensagem que todos estampam é: O esporte é capaz de transformar o mundo e a sociedade em que vivemos. Não importa se no pequeno e sujo Vitorino Gonçalves Dias, o VGD londrinense, ou no gigante e charmoso Estádio Jornalista Mario Filho, o Maracanã carioca, aquele que vai ao estádio sempre aprende um pouco de boas maneiras.

Quando nosso time perde, aprendemos a desconfiar do juiz. É analisando cada jogada que com uma sacada um pouco maior percebemos que todos os juízes, em especial os que fogem da área desportiva, merecem ser fiscalizados (méritos aos inocentes). Uma falha dele, no futebol, pode render uma surra no seu time. Fora do 11 contra 11, pode te deixar na miséria.

Para te citar um pequeno exemplo. Alguém se lembra do Edílson? E do Lalau?

Basta conversar um pouco no estádio para ver que todo mundo deve ser fiscalizado, independente do título que carrega.

Quando nosso time beira a falência, aprendemos a desconfiar do patrão. É analisando cada negócio mal-sucedido do querido clube do coração que percebemos: desconfiando quando seu time começa a perder muito, você também pode desconfiar de quando começa a receber pouco.

É só lembrar daquele jogador bom que passou na base do seu time, sumiu, e depois apareceu em outro clube. É um daqueles negócios em que seu time não ganha nada, mas aquele falso líder que disse investir sempre leva – como na situação do Rafinha, ex-Londrina.

Um jovem quando percebe tamanha sacanagem, pode perceber também que tem alguém recebendo parte do salário dele quando presta um serviço terceirizado. Ele, que é realizado para reduzir futuros custos de uma grande empresa, também diminui as moedas no seu bolso final do mês: afinal, metade daquilo que você ganha fica com o empregador, aquele sujeito bonzinho que sempre quis te dar uma oportunidade.

Quando algum delinquente saca uma pistola para atirar contra um torcedor qualquer, descobrimos que essa arma veio de algum lugar.....geralmente, de onde menos poderia ter vindo. Quando o ingresso é muito caro, descobrimos que alguém não quer a gente torcendo para acabar com essa fiscalização. Quando descobrimos que os investimentos na construção de estádios estão superfaturados, percebemos que somos nós que pagamos essa conta.

Bom, quando descobrirmos todas as falcatruas do futebol, no Brasil tão associado ao termo malandragem, vamos descobrir o quanto não gostamos de malandros. Afinal, na paixão de cada torcedor existe um investigador. E no dia que cada torcedor investigar suficiente para saber que a corrupção no seu clube pode ser combatida, poderemos viver em uma sociedade transformada de um modo geral. Basta querer combater os problemas de nosso país, ao invés de aceitá-los.

*Esse texto faz parte de uma postagem coletiva sobre o tema: “O esporte é capaz de transformar o mundo e a sociedade em que vivemos”. A proposta organizada pelo www.rolablog.com.br é a de celebrar o Dia Universal Olímpico, lembrado todo 23 de junho.

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Jun 15

Voltamos a sorrir

por Felipe Lessa04h18

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Mai 31

29 de Maio: 90 anos de gratidão em Antonina

por Felipe Lessa00h36

A gratidão do povo de Antonina pelo primeiro título sulamericano da seleção brasileira de futebol, em 1919, parece eterna. Fez até mesmo com que antecipassem as comemorações do aniversário da Associação Atlética 29 de Maio para alguns dias antes de sua fundação. Quase 90 anos atrás, entorpecidos pela conquista do primeiro grande campeonato pelo escrete nacional, patrícios engomados do município litorâneo festejaram por três dias.

Na ocasião, os vizinhos Atlético e Itapema esqueceram rivalidades para clamar um amor tão patriótico que desfez suas desavenças. Se uniram e terminaram o exaustivo processo de comemoração dia 1º de junho, no Bar Capelista: pela honra e pela glória antoninense, surgia o 29 de Maio - autoproclamado 6º mais antigo clube do futebol paranaense, entre amadores e profissionais.

Com intuito de repetir os dias de festejos de seus ancestrais, a comunidade organizou festa similar em Antonina. Desde sexta-feira, não é apenas a pelota que rola nos gramados vintenovenses. Paixões e tradições locais fazem parte do saudável contágio social. Toda cidade está envolvida nos 90 anos do Alviverde Capelista, desde a sinuquinha entre amigos até a missa que será realizada domingo pela manhã na Igreja Nossa Senhora do Pilar – a virgem responsável pelo povoamento do município.

Não é para menos. Foi essa a equipe quem melhor representou o futebol da cidade no cenário estadual, diz Joubert Gonzaga Vieira, 93 anos, filho de um dos fundadores do clube: “Quando eu me dei por gente, com meus 5 a 6 anos, eu só ouvia falar em Britânia, que era o campeão do Paraná. E no 29, que era o campeão de Antonina”.

A melhor fase do clube ocorreu em 1940. Na ocasião, o alviverde capelista superou outras equipes litorâneas, se credenciando a enfrentar Atlético Paranaense e Operário de Ponta Grossa na fase final do Campeonato Paranaense. Não deu para levar o caneco, o título ficou com o rubro-negro da baixada, mas o povo de Antonina morre de orgulho apenas de saber que ficaram entre os três melhores do estado.

Contra os próprios atleticanos, no dia 31 de outubro de 1937, o 29 de Maio conseguia outro de seus grandes feitos: vitória em casa sobre o atual campeão estadual. O placar de 4 a 2 jamais foi esquecido pelos moradores da cidade, que eternizaram atletas como Estoquero, Vitório e Franklin na memória local.

A tradição era tanta que de acordo com Joubert, as torcidas uniformizadas do futebol surgiram no Paraná, nos anos 30. O povo de Antonina se vestia de verde para acompanhar e torcer pelo 29 contra os conterrâneos Matarazzo e Ipiranga, além de Cruzeiro e Operário da vizinha Morretes, terra do barreado – prato típico paranaense.

“Naquele tempo, nós tínhamos arquibancada aqui no 29. Eu organizei a torcida uniformizada. Então, de um lado era só torcida e no lado da arquibancada ficava o restante do povo. Começava o jogo e os adversários tinham pavor da nossa torcida organizada. A torcida do Matarazzo vinha, pegava [pedaços de] pau e batia no forro da arquibancada para fazer barulho, porque não encobriam os nosso gritos de guerra:29…29…29! O Zezito Moreira gritava: alê alê…! E a torcida respondia guáááá”.

Nos dias de hoje, o clube tornou-se somente uma boa recordação do povo local. Promove apenas eventos internos e que dificilmente ganham grande destaque na comunidade, como nos tempos áureos ou na festa de 90 anos. Vivem de lembranças que jamais poderão ser apagadas, como a da presença de Arthur Friedenreich, “El Tigre”, que cerca de 21 anos depois da fundação do 29 de Maio, veio até Antonina para receber homenagens e assinar a ata de fundação do clube. Lembranças que de acordo com nota no próprio site, “infelizmente também estão ficando pelo caminho”.

*Informações retiradas do site oficial do 29 de Maio e registradas por conversas com moradores da cidade.

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Nov 03

Londrina: reconquista e decadência

por Felipe Lessa15h45


Com direito a invasão de campo, choro de treinador e decreto de status de herói inesquecível para alguns jogadores, o Londrina Esporte Clube foi campeão do 1º Turno da Copa Paraná. A vitória sobre o Foz do Iguaçu por 3 a 2 no Estádio do Café tirou a mordaça que teimava em calar cada torcedor alviceleste.

A sensação é a mesma de 92. Desde essa época Londrina não comemorava tanto. Foi o ano em que o tuba passou pelo Atlético nas semi-finais, bateu o União na final e levou o caneco do Campeonato Paranaense para as prateleiras da Vila Casoni, para o VGD.

Ainda assim, se valerem torneios menores, em 94 o alviceleste se mostrou maior que o trio de ferro e ficou com o título da Copa Curitiba. Em 96, faltou pouco para subir à elite do futebol brasileiro. Em 98, Varley de Carvalho vendeu o sonho da torcida para a diretoria do Gama, em Brasília. Um ano depois, a mesma torcida que invadiu o campo na tarde de ontem era obrigada a comemorar o último título londrinense de forma tímida e de certa forma envergonhada.

Campeão Paranaense da segunda divisão. Reconquista do direito de jogar na elite dos pinheirais, cataratas, cafezais, plantações de soja, algodão e cana de açúcar. Os tempos de reconquista são os mesmos de hoje, no entanto, em 2008 ainda não há nada ganho.

A primeira fase da Copa Paraná não tem valor algum. Apenas uma vaga na final da competição, caso o LEC não vença o segundo. Esse é o verdadeiro perigo, afinal o Londrina tem vocação de vice no torneio. Em 99 ao menos a derrota veio com estilo, em um Clássico do Café. Grêmio de Maringá campeão.

Em 2007 a mesma torcida que comemorou a conquista do turno inicial em Cianorte chorou em ares frescos. O Londrina sucumbiu diante do J. Malucelli no estádio ecológico Janguito Malucelli e a comemoração anterior de nada valeu. É a mostra da carência da torcida londrinense, que sem ganhar títulos importantes precisa comemorar o que aparece para se manter viva.

Agora é preciso vencer o segundo turno e recuperar todo espaço perdido, ou então....a comemoração será em vão. Para levar a vaga na Copa do Brasil 2010 e no Brasileiro da Série D 2009, é preciso ser campeão definitivo, não apenas do turno. Não se trata do ato de desmerecer os feitos do treinador Nei Cesar. Do goleiro Serginho. Trata-se do início da reconquista....ou da edificação da decadência do Tubarão.

Situação que infelizmente é mais ampla que o 11 contra 11 destes heróis dominicais da antiga capital do café. Pois a reconquista de terreno e poder de fogo no Londrina Esporte Clube fará com que as contas bancárias de ex-diretores, ex-presidentes, entre outros office-boys da notícia possam sucumbir.

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Set 12

O melhor do futebol

por Felipe Lessa22h28


Religiosamente, todos os dias, me inspiro para o ofício, qualquer que seja, procurando o melhor do futebol na Diosa del Dia (Olé), Triboladas (Tribuna do Paraná) ou em alguma das Musas do Brasileirão (Globo Esporte). A intenção é compensar o que se via nos jogos do Londrina Esporte Clube no final dos 80 e início dos 90.

Nas redondezas do Café ou VGD, as poucas que ousavam dar as caras eram tão feias que a única vontade que você tinha era de agredir, da mesma forma como fazia João Neves aos atacantes inimigos.

Essas bem poucas que arriscavam marcar presença, eram funcionárias de alguém, barangas carentes encontradas no fim do forró - que por não ter o que fazer passaram a simpatizar com o LEC - ou no máximo, filhas de algum torcedor. Ainda assim o bom, velho e verdadeiro torcedor do Londrina sempre soube o perigo que era levar uma “calcinha” ao estádio. A torcida era de fato animalesca e primitiva. E mesmo com as devassas horríveis, não se deixava quieto.

Mas com umas latas de cerveja na mente, tudo mudava. Não se partia para o ataque em público, no estádio, mas nas viagens com a organizada do clube a coisa mudava. Nas escondidas, no escuro do ônibus velho e algumas vezes com atletas dentro, era soco e grito. Desta vez sem agressão. Até mesmo eu, na pré-adolescência, me dei bem (MENOS, FELIPE...com tranqueiras feias nunca se dá bem).

E se a coisa estava feia, o panorama começou a mudar quando o ex-presidente Marcelo Cardarelli contratou algumas modelos gandulas, em 95/96. Até mesmo uma delicia, irmã de uma gostosa da minha escola, estava nessa. Mas o contrato com a agência foi quebrado alguns meses depois, retirando de cena não somente as beldades, como também o treinador Nuno Leal Maia, a última celebridade do Londrina.

Para arrumar o meio de campo e não frustrar os torcedores, Caldarelli resolveu escolher a dedo novas garotas. Foi um fiasco. Se antes a delícia da escola estava envolvida, entre as Caldaretes estava uma das mais zoadas meninas da vila. Uma baranga que entraria fácil na categoria daquelas carentes que se envolviam nos jogos.

Como a tendência é valorizar toda vitória conquistada em um combate árduo, hoje minha vida melhorou. Não só a minha. Talvez a sua também. Conheci um site chamado Football Babes. Para ele (o site) - ou eles (torcedores) – as modelos se deixam clicar trajando camisas de diversos times.

Às vezes elas não usam nenhuma. Tudo bem que alguns podem reclamar da fidelidade com o clube do coração. No entanto, a promiscuidade dos trapos aqui é de contexto diferente e aceitável. É pelo bem da nação futebolística. Afinal, não é apenas nos jogos do Londrina que existe um problema grave relacionado ao futebol e garotas bonitas.

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Jun 09

A mão de Deus, versão Lego

por Equipe De Primeira10h39

O artista Mike Stimpson ultimamente tem se dedicado a recriar momentos históricos, como a chegada do homem à Lua e o massacre da Paz Celestial, com peças de Lego. Inglês, não deixou passar um momento caro aos torcedores de seu país: o gol de mão de Maradona na Copa de 1986.

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