Sábado suburbano
por Felipe Lessa12h48



Três da tarde em Curitiba, sábado sem sol e sem frio, e já saia mais um diretor do Caxias da padaria com uma nova remessa de pão. Era dia de clássico na Vila Hauer, contra o time que leva o nome do bairro e mora praticamente na mesma rua. Pão com bife, especialidade gordurosa da casa em qualquer jogo da Suburbana da capital paranaense, não pode faltar na chapa da cantina em hipótese alguma - sob risco de gerar transtornos e aborrecimento.
Pentelhação era tudo o que menos queria o torcedor neste duelo de titãs da Vila Hauer. Um ponto de referência para a demarcação de cada lado futebolístico das redondezas é a Avenida Marechal Floriano, onde passa ligeirinhos, biarticulados e outras linhas de condução. Esse é o meio principal de ligação entre o centro e o início da zona sul da cidade. Sendo bem claro, de um lado prevalece o rubro-negro Caxias . Do outro o alvi-rubro Vila Hauer.
Foi essa linha territorial que separou os destinos de Nika, Luizinho e Tom da satisfação de receber o título simbólico de herói do bairro e o consolo do lado perdedor da Vila Hauer.
Um amontoado de gente que chegava de carro, moto, magrela ou caminhando aguardou com ansiedade os mais de 90 minutos de bola rolando no estádio do Caxias Footbol Clube, que inaugurava suas humildes e confortáveis cabines de rádio neste clássico.
Os dois primeiros jogadores citados tiveram a honraria mais desejada da tarde ao balançarem as redes de Nenê Leite por três vezes. Luizinho foi carrasco em dose dupla no Santanão. Nika somente uma vez apunhalou a torcida local. Deu Vila Hauer.


Histórico
Foi de Nika o primeiro grito de gol narrado na recém inaugurada cabine de rádio do Caxias Footbol Clube. Nas vozes da equipe Rolando a Bola, que há 21 anos cobre a Suburbana de Curitiba, os gritos de comemoração do Vila Hauer predominaram. 3 x 1, placar final.
Tom, autor do único gol do Caxias, teve de se contentar com a cervejada oferecida em copos plásticos pelos diretores do Caxias para aliviar a tensão causada pela derrota no clássico. Não faltou valentia, mas as botinadas caseiras foram menos eficazes que a dos forasteiros do outro lado da Marechal.


Garapa
No decorrer do jogo, com a bola rolando, o clima foi típico de clássico de bairro curitibano. Embora independente do time houvesse certa cumplicidade e ironia pacifica entre as centenas de pessoas coladas no alambrado, nos muros que cercam o estádio ou soltando pipa com a camisa da dupla Atletiba no gramado que fica nos fundos do gol de fundo do estádio, houve quem inflamasse um pouco o fogo do álcool do bar do Caxias.
Empunhando copo com uma bebida qualquer, um cidadão de quarenta e poucos anos e com a camisa rubro-negra do Caxias intima um diretor e um jogador do Vila Hauer, que buscaram refúgio no pequeno puxado de concreto do vestiário do Santanão. Depois de xingamentos e ameaças mais terríveis que se pode fazer a um ser humano, a turma do deixa disso entrou em cena e o manguaça acabou em abraços e beijos com os até poucos segundos atrás inimigos mortais. Fatos cotidianos de um sábado suburbano.
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Comentários:
Um clima amistoso que me lembra as peladas de várzea de quando eu era jovem!
Como era gostoso passar o domingo com os amigos!
=]