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Fev 14

Nós e Ronaldo*

por Ana Carolina Moreno12h11

*texto coletivo

Nós e Ronaldo

O De Primeira é escrito por muita gente. Ninguém aqui torce para o Corinthians. Se para os milhões de torcedores corintianos o debate de hoje é sobre medir grandezas entre Ronaldo, o clube e a Fiel, nesse texto coletivo, inspirado na iminente aposentadoria do Fenômeno, é um registro sobre o Ronaldo que cada um conheceu nos últimos 18 anos.

Leonardo Aquino (Belém/PA): Ronaldo 2002 >>>> Romário 1994

Leonardo Bonassoli (Curitiba/PR): Eu me pego pensando. Será que Rodolfo Rodriguez tinha ideia no que ia transformar aquele moleque dentuço que, numa tarde no Mineirão, o vazou cinco vezes, uma delas numa bobeira monumental do mítico arqueiro uruguaio, que defendia o Bahia? Eu me assusto em ver que são quase 18 anos disso, quase minha vida inteira, mais da metade da vida daquele Ronaldo. Agora, ele é uma sucessão de lances, faces, de vários Ronaldos. Um mesmo Ronaldo nunca passa pelo mesmo campo, pois o Ronaldo foi se moldando à trajetória e não foi mais o mesmo e os gramados foram mudando ao serem abatidos pelo Fenômeno.

Fabricio Kichalowsky (Porto Alegre/RS): O Ronaldo foi o grande ídolo que eu tive no futebol. Dos que vi jogar, foi o maior. Maior que o Romário, que o Ronaldinho, que todas as eternas promessas de craques que nunca foram sombra do que ele foi. E a gente só se deu conta do quanto ele vai fazer falta pro futebol brasileiro na última Copa do Mundo, quando pela primeira vez em 20 anos não tínhamos nem ele nem o Romário no comando do ataque. Pela primeira vez, precisamos realmente depender do conjunto e de bons jogadores, não craques, e aí vimos no que deu. O Ronaldo faz bem em parar. Um gênio como ele não merecia um final de carreira deprimente como estava se encaminhando.

Raphael Pinheiro (Belém/PA): No panteão de craques que pude ver em ação, sem VT, o Ronaldo não é o top - ainda prefiro Romário - mas nem por isso ele foi menos extraordinário. Ronaldo foi tão fantástico que só mesmo quando sua forma física começou a definhar começamos a lembrar que ele não era perfeito. Afinal, o que importava ele não saber cabecear quando resolvia tudo que precisava, e bem, com os dois pés? Em homenagem a ele, resgato uma lembrança bem antiga. O dentuço foi o primeiro jogador que me mostrou ser possível vencer os argentinos. Comecei a acompanhar futebol na década de 90 e, embora tivéssemos time para fazer frente em qualquer jogo, quase comecei a crer na época que éramos eternos fregueses de nossos rivais. Com dois gols do moleque, fui convencido do contrário.

Ei, ele fez um ali de cabeça, não foi mesmo?

Hélio Miguel (Curitiba/PR): Difícil ver Ronaldo e não ser tentado a comparar sua vida com a minha. Nada a ver com talento pra bola, claro. Mas sim porque ambos nascemos no intervalo de pouco mais de um mês. E é diferente acompanhar a carreira de alguém com a mesma idade. De alguma forma me espelhei no cara, pensando no que, em alguma remota possibilidade, poderia ter me tornado. Ronaldo de alguma forma materializou, em tempo real, o que eu planejava ser quando era criança. Ao vê-lo se aposentando hoje, fico imaginando como deve ser difícil, com essa idade, mesmo para um esportista, decidir parar. Admitir pra si mesmo e para os outros que já não consegue mais fazer o que fazia. Que Ronaldo passe dos 90 e que até lá eu também continue por aí, ouvindo notícias dele.

Felipe Lessa (Curitiba/PR): E pensar que Ronaldo não defendeu o Paraná Clube por causa de merrecas que os dirigentes se negaram a pagar no início de sua carreira. Será que teria o Fenômeno o mesmo destino, ou correria risco de seguir o mesmo drama de Reginaldo Vital, que do Tricolor da Vila Capanema foi parar no Japão e hoje vive de R$200 por jogo em partidas da Suburbana curitibana, pelo Urano?

Matheus Cajaíba (Belo Horizonte/MG): Sempre tive admiração especial por jogadores que dão a volta por cima, que superam obstáculos aparentemente intransponíveis e, contra o prognóstico de muitos, alcançam novamente o topo - como se fosse um alpinista subindo o Everest levando consigo o guia nas costas.
 
Ronaldo está no meu TOP 5 dos que vi jogar. O que ele fez no Barcelona, e a forma com a qual superou a contusão que sofreu jogando pela Inter me são admiráveis. Pena que o corpo cansou e a mente capitulou.

É uma coisa pra lá de estúpida vê-lo sendo xingado e ameaçado por marginais travestidos de torcedores. Chega a ser bizarro. Ronaldo faturou uma nota para o Corinthians e, mesmo não tendo rendido em campo aquilo que dele se esperava, ajudou o time a ganhar uma Copa do Brasil em seus últimos lampejos de grande craque. O fracasso do Corinthians neste início de temporada é apenas uma nota de pé de página na carreira de um vencedor.

5 comentários
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Comentários:


Comentário de: anonimo

tewte

PermalinkPermalink 14.02.11 @ 15:13



Comentário de: Fabricio Grzelak

O melhor que vi foi Romário, mas não posso negar que R9 está ali no encalço e hoje o futebol está semelhante ao trabalho. Patrão sugando o empregado para dar o máximo de si .... com as devidas proporções salariais claro.

Reginaldo Vital na suburbana ? Sugestão de matéria, porque não fazem uma com os ex-boleiros que jogam para se sustentar na várzea ?

PermalinkPermalink 14.02.11 @ 15:50



Comentário de: Fabricio Grzelak

O melhor que vi foi Romário, mas não posso negar que R9 está ali no encalço e hoje o futebol está semelhante ao trabalho. Patrão sugando o empregado para dar o máximo de si .... com as devidas proporções salariais claro.

Reginaldo Vital na suburbana ? Sugestão de matéria, porque não fazem uma com os ex-boleiros que jogam para se sustentar na várzea ?

PermalinkPermalink 14.02.11 @ 15:51



Comentário de: Núbia

Pelo visto, mandei meu depoimento tarde! :/

PermalinkPermalink 15.02.11 @ 15:24



Comentário de: Rádio Motorola · http://www.oluapmot.com.br

Ele realmente foi muito bom jogador.

PermalinkPermalink 07.03.11 @ 15:59



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