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Fev 13

França 5 X 2 Brasil*

por Ana Carolina Moreno23h44

*Por Rodrigo Patrianova

Não tinha como ser diferente a sensação.

Já na chegada ao Stade de France, um tsunami de recordações quebrava na praia da minha memória.

O estádio é lindo, indiscutível, mas mais bonito do que o próprio estádio é a organização dos franceses quando uma batalha de alto nível está para ser travada ali naquele gramado.

Cheguei de carro, contrariamente a 90% das pessoas que lá estavam. Nenhum engarrafamento, empurra empurra, nada, estamos falando da 5a potência econômica mundial. Organização européia.

Deixo o meu carro no estacionamento, perfeitamente sinalizado, saio e estou a 2 passos da minha entrada.

No lado de fora, brasileiros e franceses se misturam. De um lado, os melhores do mundo, do outro os Asterix, irredutíveis e desde muito tempo invencíveis. Tudo amigável. As piadas, os cantos (1,2,3 zeroo..) respondem presente como sempre nestes dias.

Eu, enrolado na minha bandeira do Brasil, olho pro topo do estádio, já fervendo e penso comigo..."vai ser hoje!".

Entro, encontro o meu lugar e no meu assento, assim como em todos os outros 70.000 lugares, uma bandeira da França foi colocada a disposição.

Fair play, uso as duas durante a torcida mas dentro de mim, só um resultado interessa: Brasil na frente.

Chega a hora dos clichês. Mulatas seminuas sambando num frio de 0 graus e um grupo de passistas dão o tom brasilero. Como dizem por aqui, é o Futxiból, Fiesta e Samba (não manjam nada mesmo estes franceses).

Entra a França, o estádio vai ao delírio, as mesmas 70.000 bandeiras são agitadas frenéticamente, é realmente impressionante.

Paro e penso comigo que deve ter sido assim em 1998. Mas hoje não, hoje vai ser diferente!

Entra o Brasil e a minoria brasileira presente tenta, sem conseguir, fazer um barulho equivalente.

Toca o hino brasileiro e eu, cagão como sou, quase choro. Vem a Marseillaise e na estrofe que diz "Contre nous, de la tyrannie" grito alto "Mais nooon, on est gentils nous!".

Soa o apito do alemão. Jogo equilibrado, quase chato e com poucas ações.

Meu coração bate mais acelerado que a Red Bull do Vettel. Passe pro Robinho que, visivelmente cansado (muita Fiesta?) chuta pra fora num lance que até eu marcaria.

Vem os 36 minutos do primeiro tempo e neste exato instante, um brasileiro com nome de argentino (Hernanes!!) esquece a bola e dá um chute no peito do Benzema.

É ali que tudo acaba. Cartão vermelho e a torcida toda fica da mesma cor de tanto berrar.

A diferença entre o Hernanes e eu é que ele, depois dessa falta vergonhosa, volta pra Itália e eu, fico aqui ouvindo os Bleus por mais 2-3-4 anos.

Dali pra frente, já conheço o script. Vejo o jogo de olho quase fechado, suando frio a cada lance. Já sei que não vamos conseguir ganhar, mas torço para não perder (empate já estaria bom).

Logo no início do segundo tempo, a sentença é declarada. A história se repete. O camisa 10 deles, marca um gol "brasileiro" e enterra o meu sonho de ver canarinho comendo camembert.

Cá pra nós, 1x0 foi pouco.

Volto pra casa levando 3 amigos franceses comigo e no dia seguinte, por ter perdido uma aposta, estou vestido de "Bleu".

É isso, desde que eu nasci até hoje a França ganha de goleada. 5 jogos pra eles, 2 pra nós.

Allez les bleus! Enquanto o Brasil jogar esse futebol muquirana, vou torcer é pra vocês.

Abs

Rodrigo, logo logo camembert

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